Em mesa de negociação que durou cerca de 6 horas nesta terça-feira (28), reitoria tentou desmobilizar o movimento discente
A USP (Universidade de São Paulo) ofereceu reajuste anual no valor das bolsas de assistência estudantil, pela inflação, para tentar encerrar a greve de seus estudantes. Também foi proposta a criação de um novo programa de auxílios para ingressantes em situação de vulnerabilidade econômica.
Em mesa de negociação que durou cerca de 6 horas nesta terça-feira (28), começando por volta das 15h e terminando às 21h, a reitoria tentou desmobilizar o movimento discente fazendo algumas concessões. As propostas serão avaliadas em assembleias, geral e nos cursos, ao longo da semana.
Iniciada há duas semanas, a paralisação dos alunos tem como pautas melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas integrais de R$ 885 para cerca de R$ 1.804 (salário mínimo paulista), e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários.
A instituição também apresentou sugestões sobre os restaurantes universitários. Além da instauração de grupos para avaliar a qualidade deles, foi prometida a contratação de novos funcionários, a oferta de três refeições durante a semana e a implementação de café da manhã e almoço aos sábados.
Também foram colocadas ofertas sobre a criação de grupos de trabalho com ampla participação discente. Um deles seria para avaliar cotas trans e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil.
Outro seria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria após críticas. O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa.
Esse tema, porém, seguirá sendo debatido. Segundo a USP, há necessidade de criar normas para haver segurança jurídica.
“A pressão do movimento estudantil fez a reitoria ceder e já implementar algumas propostas, demonstrando que nossa luta está surtindo efeito. Porém, deixamos claro que promessas não são suficientes, que nossas demandas ainda não foram atendidas em sua totalidade e que seguimos em greve”, diz o DCE (Diretório Central dos Estudantes).
Capilaridade da greve
A paralisação dos estudantes da USP chegou a todas as 43 escolas, faculdades e institutos, na capital e no interior.
Isso não significa que todos os mais de 180 cursos estejam paralisados. Segundo contabilizado pela reportagem, são ao menos 110 — ou seja, cerca de 60%.
O movimento teve como estopim um bônus para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).
A medida, votada pelo Conselho Universitário em 31 de março, criou um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão.
O mecanismo, que custará R$ 238,44 milhões por ano aos cofres da instituição, também deu início a uma greve de servidores, encerrada na quinta-feira (23) após a reitoria oferecer o mesmo repasse à categoria.
Agora, os estudantes também tentam extrair algo da gestão de Aluisio Segurado.
Em comunicado expedido na última quarta-feira (22), a Pró-Reitoria de Graduação da USP vetou qualquer alteração no calendário acadêmico devido à greve dos estudantes.
“Não estão previstas nem autorizadas alterações no período de aulas, nas interações de matrícula, nos prazos para lançamento de notas e frequência ou no período de recuperação”, diz o texto.
Da mesma forma, segue, não está autorizada a migração de atividades presenciais para o formato remoto, tampouco que sejam ministradas disciplinas por meio de gravação.
Fonte: ICL






