Extrativistas marcham na COP por reconhecimento na proteção florestal

Pelas ruas de Belém, movimento pediu inclusão em metas climáticas

Entoando o lema “a morte da floresta é o fim da nossa vida”, centenas de lideranças extrativistas, de diferentes biomas brasileiras, marcharam pelas ruas de Belém, na tarde desta quinta-feira (13), em defesa de direitos territoriais e do papel das reservas de uso sustentável no equilíbrio ecológico e na prestação de serviços ambientais essenciais ao enfretamento às mudanças climáticas em curso no planeta.

O ato, batizado de Porongaço dos Povos da Floresta, reuniu principalmente seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, pescadores artesanais, quebradeiras de coco e outros povos e comunidades tradicionais.  

A caminhada iluminou as ruas da capital paraense no fim da tarde por causa da chama acesa das porongas, lamparinas usadas tradicionalmente por seringueiros para percorrer trilhas na floresta e que se tornou símbolo da luta histórica do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), fundado em 1985.

Sob a liderança de Chico Mendes, nos seringais do Acre, ainda na década de 1970, o movimento deu voz e articulação política aos extrativistas da floresta diante da violência, da grilagem e da destruição ambiental.

O percurso foi organizado como atividade paralela às negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que também ocorre em Belém ao longo desta semana e da próxima.

“Nós, populações extrativistas, compreendemos o território como extensão dos nossos corpos. Então, se a floresta não está bem, se os rios não estão bem, se o maretório [área costeira] não está bem, nós não estamos bem”, afirmou Letícia Moraes, vice-presidente do CNS.

“Já está comprovado cientificamente que os únicos territórios que possuem floresta viva são territórios que estão sobre responsabilidade e cuidado das comunidades tradicionais. Então, a nossa relação de cuidado é uma relação porque a gente nasce naquele lugar. A gente não se sente dona, a gente sente parte daquele lugar”, acrescentou a extrativista nascida na Ilha do Marajó, onde vive de atividades agroflorestais sustentáveis em um projeto de assentamento diferenciado, conhecido como PAE, Projeto de Assentamento Agroextrativista.

Segundo dados do CNS, as reservas e os projetos de assentamento agroextrativistas protegem mais de 42 milhões de hectares de florestas e rios por meio do uso sustentável da floresta, que representam 5% do território nacional. Estima-se que essas áreas armazenem aproximadamente 25,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, o que corresponde a cerca de 11 anos das emissões totais do Brasil. O CO2 é o principal gás causador do aquecimento global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis como carvão e petróleo.

Na COP30, as comunidades extrativistas brasileiras estão sendo representadas por um enviado especial. O líder extrativista Joaquim Belo tem incidido nos processos de negociação para tentar garantir que os serviços ecossistêmicos prestados por essas populações sejam incluídos como metas de mitigação das mudanças climáticas.

“Nós somos solução para diversos problemas das mudanças climáticas, porque nós cuidamos da floresta e ela tem esse papel no equilíbrio climático”, afirmou.

Ao final da marcha, que começou na Praça Eneida de Moraes e terminou na Aldeia Cabana, no bairro Pedreira, um documento do CNS foi entregue à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Na carta, o CNS elenca uma série de demandas. Um dos focos é justamente exigir que as reservas extrativistas, reservas de desenvolvimento sustentável e demais territórios tradicionais sejam reconhecidos formalmente na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) brasileira e nos tratados climáticos nacionais e internacionais, pela contribuição efetiva para a redução do desmatamento, da manutenção da vegetação nativa e da conservação de estoques de carbono.

“Reivindicamos que esses territórios sejam priorizados em políticas de adaptação e mitigação, com investimentos consistentes e permanentes, com recursos públicos e privados voltados à proteção territorial, apoio à gestão comunitária, fortalecimento da vigilância territorial e ampliação de incentivos a práticas sustentáveis de uso da floresta”, diz um trecho do documento.

Em seu discurso aos extrativistas, Marina Silva lembrou da sua trajetória como seringueira no Acre, ao lado de Chico Mendes, e destacou o papel de guardiões da floresta dessas comunidades.

“Vocês têm uma vida que ajuda a resolver o problema da mudança do clima. Tem gente que, para enfrentar os problemas que a gente está vivendo, tem que ter uma tecnologia para poder fazer isso”, afirmou.

“A tecnologia dos indígenas, dos seringueiros, dos ribeirinhos, dos babaçueiros, dos geraizeiros, das quebradeiras de coco é o seu próprio modo de vida que protege de floresta, a biodiversidade, que sequestra carbono e ainda funciona como o coração do planeta pulsando em cultura, diversidade e beleza. Mas, tem uma coisa, é preciso que as políticas públicas sejam cada vez mais ampliadas”, observou a ministra.

Fonte: Agência Brasil

STF pode tornar Eduardo Bolsonaro réu por coação, em julgamento à revelia

Ministros da Primeira Turma julgam denúncia da PGR nesta sexta-feira

O julgamento que pode transformar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em réu por coação no Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta sexta-feira (14), mesmo sem qualquer manifestação do parlamentar no processo. A análise ocorre em meio à ausência contínua do deputado, que permanece nos Estados Unidos e tem sinalizado a aliados que não pretende participar de nenhuma etapa da ação.

Segundo a Folha de S.Paulo, o processo — aberto após denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) — segue tramitando apesar de Eduardo não ter constituído advogado e não ter feito contato com o defensor público designado para representá-lo.

A Defensoria Pública da União afirma que cumprirá sua função constitucional e atuará no caso, ainda que o acusado permaneça ausente. Ministros do Supremo avaliam que, caso a denúncia seja aceita, a instrução processual deve ocorrer no primeiro semestre de 2026, com expectativa de conclusão antes das eleições. Esse calendário, no entanto, depende da Câmara dos Deputados, que tem o poder de suspender a ação penal. Internamente, há uma leitura de que o parlamentar pode ser cassado por faltas, o que reduziria o impacto de eventual resistência da Casa.

A sessão iniciada nesta sexta-feira se limita a verificar se a denúncia da PGR apresenta elementos suficientes de autoria e materialidade para abertura do processo. O ministro Alexandre de Moraes, relator, é o primeiro a votar. Os demais integrantes da Primeira Turma têm até 25 de novembro para registrar seus votos no plenário virtual.

A denúncia atinge também o jornalista Paulo Figueiredo. Segundo a PGR, ambos teriam articulado ações junto ao governo dos Estados Unidos para interferir nos processos que envolvem Jair Bolsonaro (PL) no Brasil. O procurador-geral Paulo Gonet os acusa de coação, caracterizada por “usar de violência ou grave ameaça” com o objetivo de favorecer interesses próprios ou alheios.

O processo foi desmembrado: Moraes determinou que Eduardo fosse intimado por edital, sob o argumento de que ele dificultava o andamento da ação; Figueiredo, que vive nos EUA há mais de uma década, será notificado por cooperação jurídica internacional.

A PGR afirma que, desde que Jair Bolsonaro passou a ser investigado no Supremo, Eduardo e Figueiredo teriam coordenado iniciativas reiteradas para influenciar o desfecho dos processos. “O propósito foi o de livrar Jair Bolsonaro, e também o próprio Paulo Figueiredo, da condenação penal pelos crimes que ensejaram a abertura de procedimentos criminais”, escreveu Gonet na denúncia. “As ameaças foram reiteradas várias vezes, em diferentes ocasiões”, acrescentou.

O procurador sustenta ainda que a dupla tentou explorar sua proximidade com interlocutores do governo norte-americano, incluindo assessores e conselheiros do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. A intenção, segundo a acusação, era pressionar o STF a encerrar os processos sem condenações, além de influenciar o Congresso Nacional a aprovar um projeto de anistia que beneficiaria Jair Bolsonaro. A denúncia aponta que a estratégia incluía a promessa de obter sanções dos EUA contra autoridades brasileiras para constranger o andamento das investigações.

Um dos resultados dessas articulações, conforme reconhecido publicamente, foi a imposição de sanções financeiras pelo governo americano contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa.

Após a formalização da denúncia, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo divulgaram nota conjunta na qual classificaram a acusação como parte de uma “perseguição política em curso”, chamaram o processo de “fajuto” e se referiram à equipe de Paulo Gonet como “lacaios de Moraes”.

O defensor público Antonio Ezequiel Inácio Barbosa, responsável por apresentar a defesa técnica do parlamentar, argumenta ao Supremo que a denúncia não deveria avançar porque o crime de coação exige violência ou grave ameaça real. Segundo ele, “declarações sobre fatos políticos, ainda que críticas, ácidas ou contundentes, não constituem violência nem grave ameaça. Especificamente, esta última pressupõe promessa de mal futuro que dependa da vontade e do poder de quem ameaça. Se o agente não tem poder de concretizar o mal anunciado, não há grave ameaça, mas mera opinião ou prognóstico sobre eventos futuros”.

O STF segue agora para a fase de votos no plenário virtual, etapa que definirá se Eduardo Bolsonaro, mesmo ausente, se tornará réu na ação de coação.

Fonte: Brasil 247

Estados Unidos aumenta a ameaça à soberania da Venezuela

Comando Sul reforça sua presença naval no Caribe com o envio do porta-aviões USS Gerald Ford

Altos funcionários militares dos Estados Unidos apresentaram ao presidente Donald Trump, nesta quinta-feira (13), opções atualizadas para um ataque militar contra a Venezuela , incluindo ataques terrestres , de acordo com fontes da Casa Branca que falaram à imprensa local.

O secretário de Guerra , Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, informaram o presidente sobre as opções operacionais. Apesar da reunião, duas fontes disseram à CBS News que nenhuma decisão final foi tomada ainda em relação a uma possível intervenção.

Tanto a Casa Branca quanto um porta-voz do Pentágono se recusaram a comentar sobre os planos. Fontes confirmaram que a comunidade de inteligência dos EUA contribuiu com informações cruciais para o planejamento das potenciais operações militares .

A ausência da Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard , e do Secretário de Estado, Marco Rubio , que estava no Canadá participando da Cúpula de Ministros das Relações Exteriores do G7, nas discussões foi notável.

Este novo passo na escalada das tensões ocorre dias depois de o grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald Ford ter entrado na área de responsabilidade do Comando Sul , a principal unidade de combate dos EUA para operações no Caribe e na América do Sul.

O destacamento do Ford se soma a uma flotilha de destróieres, aviões de guerra e recursos de operações especiais já presentes na região desde agosto, no que especialistas consideram o maior destacamento marítimo dos EUA desde a primeira Guerra do Golfo (1990-1991).

Nos últimos dois meses, sob ordens de Donald Trump, as forças armadas dos EUA realizaram ataques contra pelo menos 21 embarcações, resultando na morte de 80 pessoas .

Operação “Lança do Sul” ameaça a Venezuela

Entretanto, o Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou na quinta-feira o lançamento da missão “Lança do Sul”, uma operação militar em colaboração com o Comando Sul, cujo objetivo declarado é “expulsar os narcoterroristas do nosso hemisfério ” .

Em uma publicação em seu perfil nas redes sociais, o oficial americano descreveu a operação como uma medida de proteção para seu país. “A operação protege nossa pátria das drogas que estão matando nosso povo “, afirmou.

Em uma declaração contundente com uma mensagem clara de intervenção, Hegseth acrescentou: “O Hemisfério Ocidental é a vizinhança da América, e nós o protegeremos “. Até o momento, o Pentágono não ofereceu detalhes sobre o escopo, os países envolvidos ou a natureza das ações que a missão envolverá.

A retórica de Hegseth, ao descrever a região como a “vizinhança” dos EUA, revive os princípios da Doutrina Monroe , uma política que historicamente serviu de justificativa para as intervenções políticas e militares de Washington nos assuntos internos de nações soberanas da América Latina e do Caribe.

Fonte: ICL

Israel está bloqueando seringas necessárias para vacinar crianças em Gaza

UNICEF afirma que Israel está bloqueando um milhão de seringas necessárias para vacinar crianças em Gaza

O UNICEF afirmou na terça-feira que itens essenciais, incluindo seringas para vacinar crianças e mamadeiras, estão sendo impedidos de entrar em Gaza por Israel, dificultando o acesso de agências humanitárias às pessoas necessitadas no território devastado pela guerra, informou a Reuters.

Enquanto a UNICEF realiza uma campanha de vacinação infantil em massa com um cessar-fogo frágil em vigor, a organização afirma enfrentar sérios desafios para levar 1,6 milhão de seringas e refrigeradores movidos a energia solar para armazenar os frascos de vacina para Gaza. As seringas aguardam liberação alfandegária desde agosto, segundo a UNICEF.

“Tanto as seringas quanto os refrigeradores são considerados de dupla utilização por Israel, e estamos encontrando muita dificuldade para liberar e inspecionar esses itens, embora sejam urgentes”, disse o porta-voz da UNICEF, Ricardo Pires.

“Dupla utilização” refere-se a itens que Israel considera terem possíveis aplicações militares, bem como civis.

O COGAT, braço das forças armadas israelenses que supervisiona o fluxo de ajuda para Gaza, afirmou que Israel não impede a entrada de seringas ou equipamentos de refrigeração. Em relação aos itens de dupla utilização, o COGAT disse que toma precauções especiais para garantir que o Hamas não “explore cinicamente a ajuda para seu próprio fortalecimento militar”. O COGAT afirmou oferecer às organizações internacionais “soluções alternativas” para a entrada da ajuda necessária, mas não forneceu mais detalhes.

Centenas de caminhões carregados com alimentos, água, combustível, gás, medicamentos, equipamentos médicos, barracas e suprimentos para abrigos entram na Faixa de Gaza diariamente, informou o COGAT, em estreita coordenação com a ONU.

O UNICEF lançou no domingo a primeira de três rodadas de vacinação de reforço para alcançar mais de 40.000 crianças menores de três anos que não receberam as vacinas de rotina contra poliomielite, sarampo e pneumonia, após dois anos de guerra em Gaza.

No primeiro dia da campanha, mais de 2.400 crianças receberam múltiplas vacinas.

“A campanha de vacinação começou, mas ainda temos duas rodadas pela frente, e para isso precisamos de mais suprimentos”, disse Pires.

O UNICEF afirmou que mais ajuda humanitária está chegando a Gaza, mas alguns itens essenciais continuam sendo barrados pelas autoridades israelenses, incluindo 938.000 mamadeiras de fórmula infantil pronta para uso e peças de reposição para caminhões-pipa. “São quase um milhão de garrafas que poderiam chegar a crianças que sofrem de diferentes níveis de desnutrição”, disse Pires em uma coletiva de imprensa em Genebra.

A trégua de 10 de outubro tinha como objetivo liberar um grande volume de ajuda humanitária no enclave, mas as agências de ajuda têm afirmado repetidamente que a quantidade recebida não é suficiente para atender às necessidades de uma população de 2 milhões de pessoas, em grande parte deslocadas e desnutridas.

Fonte: Monitor do Oriente

Quadrilha tomou de assalto o INSS durante o governo Bolsonaro, diz Pimenta

Deputado diz que operação da PF e CGU mostra independência e promete punição a todos os envolvidos nas fraudes previdenciárias

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou nesta quinta-feira (13) que a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), expõe a “independência das instituições” e desarticula uma “quadrilha que tomou de assalto o INSS” durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Em primeiro lugar, demonstra a independência da PF e da CGU. Durante todo o período do governo Bolsonaro não teve nenhuma operação, e a partir do momento que tomamos conhecimento desta situação, um conjunto de decisões foram tomadas para desbaratar essa quadrilha que tomou de assalto o INSS”, declarou o deputado em entrevista a jornalistas.

Segundo Pimenta, as investigações atingem “entidades fantasmas” que se beneficiaram de mudanças estruturais feitas no INSS durante o governo Bolsonaro, as quais teriam permitido o desvio sistemático de recursos de aposentados e pensionistas.

“Hoje foram duas entidades o foco principal: a Conafer e a CBPA. Assim como poucos dias atrás, foram aquele conjunto de entidades que classificamos como ‘Golden Boys’. O que eles têm em comum? Todas essas entidades só conseguiram os ACTs — boa parte delas, entidades fantasmas — por conta de mudanças que foram feitas dentro do INSS durante o governo Bolsonaro”, disse.

O parlamentar citou nomes de ex-dirigentes do órgão que, segundo ele, “tinham posições-chave dentro do governo Bolsonaro”. “Infelizmente, esses servidores tomaram de assalto o INSS e a previdência, e conseguiram estabelecer o conjunto de relações políticas que permitiram que esse roubo tomasse a dimensão que tomou”, afirmou.

Pimenta também mencionou José Carlos Oliveira (ex-ministro e ex-presidente do INSS, atualmente investigado), André Fidelis, Virgílio e Alessandro Stefanutto, preso nesta quinta-feira, como integrantes do grupo que teria permitido o funcionamento da fraude.

“Tudo isso que estamos assistindo hoje é uma ação determinada do governo federal de desbaratar completamente toda essa quadrilha, de garantir que o dinheiro roubado seja devolvido aos aposentados e pensionistas, e a nossa determinação de levar às últimas consequências, responsabilizando e botando na cadeia todos os envolvidos nessa fraude”, afirmou o deputado.

Operação Sem Desconto

A nova fase da operação foi deflagrada nesta manhã em 15 estados e no Distrito Federal, com 63 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão preventiva. Entre os alvos estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, preso em Santa Catarina, e o ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, além de dois parlamentares: o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA).

A PF e a CGU investigam um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões, por meio de associações fictícias que obtinham autorizações para cobrança direta nos benefícios. As fraudes envolvem indícios de corrupção ativa e passiva, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a operação atingiu “o núcleo principal da quadrilha que desviou recursos das aposentadorias brasileiras”.

Fonte: Brasil 247

COP30: países amazônicos anunciam monitoramento conjunto da floresta

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) vai receber R$ 55 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Amazônia, para aprimorar os sistemas nacionais de monitoramento da floresta tropical e fortalecer capacidades técnicas para a prevenção e o controle do desmatamento e da degradação florestal. 

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (13), durante uma atividade na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. Os membros da OTCA são Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.  

“A Amazônia é um vasto sistema, um bioma e, como qualquer quebra-cabeça, danificar uma peça danifica outra. Tudo é importante, cada árvore é importante. Precisamos de monitoramento para podermos agir de forma preventiva ou curativa, dependendo de sua situação”, apontou o etnólogo colombiano Martin von Hildebrand, secretário-geral da entidade.

O projeto contará com parceria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que atuará na transferência de tecnologia para demais países membros.

“Uma questão importante que já vinha sendo encaminhada é o painel técnico-científico, voltado ao monitoramento da Amazônia, para servir de base na formulação de políticas públicas, tanto em relação à mudança do clima, quanto relação à biodiversidade, recursos hídricos, recursos pesqueiros”, destacou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Segundo Marina, os países amazônicos vão montar uma comissão de ministros de meio ambiente para alinhar estratégias comuns de proteção da floresta e combate ao crime organizado transfronteiriço.

“Nós queremos sobretudo apostar também numa agenda de desenvolvimento sustentável, na parte de infraestrutura verde e resiliente, na parte de combate à criminalidade e de proteção da biodiversidade, principalmente de ter mecanismos de acesso a recurso genético que não leve à biopirataria e que promova a justa partilha de benefícios”.

Ao todo, a Amazônia tem extensão territorial de 6,7 milhões de quilômetros quadrados (km²), com mais de um milhão de km² de ecossistemas ribeirinhos e uma população de quase 50 milhões de habitantes. Para cuidar desse bioma fundamental para a regulação do clima global, incluindo preservar as correntes de umidade que transportam chuvas para outras partes da América do Sul, a OTCA funciona como organismo intergovernamental de promoção do desenvolvimento sustentável da região.

Acompanhe a cobertura completa da EBC na COP30 

Cada país tem metodologias e instrumentos próprios de controle e monitoramento do território, mas a ideia da OTCA é uniformizar e padronizar esses procedimentos.

“Se não colocamos a informação de toda a região, de nada nos serve tratar de consertar de um lado e destruir outro”, observou o secretário-geral da entidade, Hildebrand. Um dos instrumentos que podem ser fortalecidos com esta iniciativa é justamente o Observatório Regional da Amazônia (ORA), que já integra diversas bases de informações e disponibiliza dados sobre o bioma em temas como biodiversidade, recursos hídricos, florestas, incêndios, povos indígenas e áreas protegidas, entre outros.

“O projeto vai desenvolver a interoperabilidade. Esse é um processo de construção coletiva. O Brasil não vai impor nada aos países e os países não vão impor nada ao Brasil. Agora, se a gente não unificar a metodologia, o crime organizado sai vencendo”, alertou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ao explicar os objetivos do projeto que será financiado pelo banco de desenvolvimento.

Fonte: Agência Brasil

Trabalhadores do Hospital Veredas protestam contra atraso nos salários

O atraso no pagamento dos salários já chega a 5 meses

Ocorreu hoje de manhã (13/11), um protesto dos trabalhadores do Hospital Veredas, que ocuparam a avenida Fernandes Lima gerando um grande engarrafamento.

Os trabalahdores reivindicam o pagamento imediato dos 5 meses de salários atrasados e do 13º salário. Eles também cobram do governos estadual e da prefeitura de Maceió os repasses ao hospital dos serviços prestados ao SUS.
Segundo Vicente Oliveria, diretor da CUT Alagoas, a luta da categoria é por dignidade e respeito, “pois ninguém merece ficar tanto meses sem receber salários e eles tem o total apoio da CUT.”

Gaza: 271 palestinos foram assassinados em um mês do cessar-fogo

Hamas diz que apenas 40% de ajuda humanitária acordada entrou em Gaza

O acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza completou um mês nesta segunda-feira (10) com 271 palestinos assassinados no período, informou o Hamas. Outras 622 pessoas ficaram feridas devido aos bombardeios e disparos, incluindo 221 crianças.

“Entre os mártires, estavam 107 crianças, 39 mulheres e 9 idosos — o que significa que 58% eram crianças, mulheres e idosos — refletindo a política contínua da ocupação de assassinato sistemático contra civis desarmados”, disse o grupo por meio de nota publicada hoje.

O grupo islâmico anunciou que apenas 40% da ajuda humanitária prevista no acordo entrou em Gaza no período. O documento previa a entrada de 600 caminhões por dia, sendo 50 caminhões-tanque de combustíveis.

“As entregas de ajuda efetivas não ultrapassaram 40% da quantidade acordada — menos de 200 caminhões por dia no primeiro mês —, enquanto as remessas comerciais constituíram 60%, parte das quais foi registrada falsamente como ajuda humanitária”, informou o grupo político-militar que atua em Gaza.

O Hamas acusa ainda Israel de ter detido 35 moradores de Gaza no período, incluindo pescadores no mar, além de demolir casas dentro da linha amarela. “Essas demolições persistiram por um mês inteiro sem interrupção, causando destruição generalizada de propriedades civis”, completou a nota..

Ao mesmo tempo, Israel vem acusando o Hamas de violação do cessar-fogo. A Força de Defesa de Israel (FDI) tem alegado que supostos terroristas vêm cruzando a linha amarela, ou mesmo realizando ataques, colocando em risco soltados do exército de Israel.

“Dois terroristas foram identificados cruzando a Linha Amarela e se aproximando das tropas das Forças de Defesa de Israel (IDF) no sul da Faixa de Gaza, representando uma ameaça imediata”, informou a FDI na manhã desta segunda-feira.

O Hamas nega qualquer violação do acordo.

Ajuda humanitária

O ajuda humanitária fornecida pela Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) continuaria a enfrentar bloqueios por Israel. Isso apesar do parecer da Corte Internacional de Justiça (CIJ) afirmando que Israel tem a obrigação de permitir que os suprimentos fornecidos pela UNRWA entre em Gaza.

“Em violação direta do acordo, o regime de ocupação continua impedindo a entrada da assistência humanitária fornecida pela UNRWA, resultando no acúmulo de mais de 6.000 remessas de suprimentos essenciais”, informou o Hamas.

Israel alega que a Agência da ONU fornece apoio ao Hamas, mas a CIJ avaliou que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não comprovou a acusação contra a entidade das Nações Unidas que foi proibida de operar em Israel.

Segundo dados da ONU, foram entregues 3,2 mil caminhões com ajuda humanitária nesse um mês do acordo de cessar fogo, nenhum veículo era da UNRWA. 

Apesar das restrições ainda impostas, a distribuição de refeições quentes, pão e cestas básicas tem aumentado gradualmente desde o início do cessar-fogo, informou o Escritório da ONU para Ajuda Humanitária (Ocha). 

A entidade, por outro lado, reclama da falta de acesso seguro ao mar pelos pescadores, que continuam sem autorização para pesca. Além disso, a entrada de insumos agrícolas continua enfrentando restrições.

“Desde o início do cessar-fogo, 23 pedidos de nove agências de ajuda humanitária para levar quase 4.000 paletes de suprimentos de abrigo urgentemente necessários para Gaza foram rejeitados pelas autoridades israelenses. Há 57 dias, nenhuma ajuda entrou diretamente no norte de Gaza por qualquer passagem norte”, informou a Ocha.

Fonte: Agência Brasil

Colômbia suspende cooperação de inteligência com os EUA após ataques no Caribe

Decisão de Gustavo Petro responde a operações militares norte-americanas que deixaram 75 mortos e violações de soberania denunciadas pela ONU

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou nesta terça-feira (11) a suspensão imediata da cooperação de inteligência com as agências de segurança dos Estados Unidos, em resposta aos recentes ataques norte-americanos contra embarcações no mar do Caribe e no Pacífico Oriental. A informação foi divulgada pela emissora teleSUR.

Em sua conta oficial na plataforma X, Petro determinou que “se dá ordem a todos os níveis da inteligência da força pública suspender envio de comunicações e outros tratos com agências de segurança dos Estados Unidos”, medida que permanecerá em vigor enquanto persistirem os bombardeios ordenados pela administração do presidente Donald Trump.

“A luta contra as drogas deve respeitar os direitos humanos”

Ao justificar a decisão, Petro afirmou que “a luta contra as drogas deve subordinar-se aos direitos humanos do povo caribenho”. O presidente colombiano denunciou que as ações militares norte-americanas representam “violações à soberania e ao direito internacional”, reiterando a defesa da autonomia regional e do respeito à vida.

Segundo dados oficiais, pelo menos 75 pessoas foram mortas e 20 embarcações destruídas em decorrência das operações dos EUA nas águas caribenhas e pacíficas próximas à Venezuela. Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) classificaram os ataques, realizados com mísseis contra pequenas embarcações, como “execuções sumárias” e violações do direito humanitário internacional. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou publicamente as ações.

Londres também rompe colaboração

A decisão de Bogotá ocorre após o Reino Unido igualmente suspender o intercâmbio de informações de inteligência com Washington sobre as operações no Caribe. Segundo a CNN, autoridades britânicas deixaram de compartilhar dados para evitar envolvimento em ações consideradas ilegais, encerrando anos de cooperação com a Guarda Costeira dos EUA no rastreamento de embarcações suspeitas de tráfico de drogas.

O governo colombiano vem criticando de forma consistente a estratégia antidrogas norte-americana, que Petro considera ineficaz e violadora da soberania dos países latino-americanos. Em diversas ocasiões, o mandatário reafirmou que sua prioridade é o respeito aos direitos humanos e às normas internacionais, acima da cooperação militar em contextos que considera ilegítimos.

“América Latina e Caribe como Zona de Paz”

Desde agosto, os Estados Unidos mantêm no Caribe oito navios de guerra — incluindo seis destróieres, três embarcações anfíbias e um submarino —, em um dos maiores deslocamentos navais desde a Guerra do Golfo (1990-1991). Em 24 de outubro, o porta-aviões Gerald Ford e seu grupo de ataque foram enviados pelo Pentágono para reforçar a presença militar na área sob comando do Comando Sul.

Os governos de Venezuela, Colômbia e Cuba rejeitaram o aumento da presença militar norte-americana, denunciando que as operações sob pretexto de combate ao narcotráfico são, na verdade, ações de intimidação e pressão política contra países que mantêm posições soberanas ou divergentes dos interesses de Washington.

Esses governos reiteraram a necessidade de preservar a América Latina e o Caribe como “Zona de Paz”, princípio proclamado na II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Havana em 2014.

Fonte: Brasil 247

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