Polícia Federal prende Daniel Vorcaro, do Banco Master e causa pânico em Brasília

Controlador da instituição é detido em São Paulo no auge da crise e após anúncio de venda contestada ao grupo Fictor

A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (18) Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em sua residência no Jardim Europa, área nobre de São Paulo. A detenção ocorre em meio à intensa instabilidade que envolve a instituição financeira e amplia a pressão sobre seu futuro.

Segundo Lauro Jardim, do jornal O Globo, a ordem de prisão partiu da Justiça Federal de Brasília e integra uma operação que cumpre outros mandados. A ação acontece menos de 24 horas após a controversa tentativa de venda do Banco Master ao grupo Fictor, desconhecido no mercado e alvo imediato de descrédito entre agentes da Faria Lima.

A negociação anunciada na véspera foi recebida com forte ceticismo por investidores e analistas, que viram na operação uma manobra para ganhar tempo diante da delicada situação regulatória do banco. A avaliação predominante no mercado era de que a proposta entregava ao Banco Central a tarefa de analisar uma transação improvável envolvendo uma instituição já sobrecarregada por problemas internos.

Nos bastidores, Vorcaro vinha afirmando a interlocutores que a condição do Master junto ao Banco Central melhoraria após 31 de dezembro, quando se encerra o mandato do diretor Renato Gomes, apontado por ele como o principal crítico da instituição dentro da autarquia.

A ação da PF, porém, interrompeu abruptamente qualquer expectativa de mudança no cenário. 

Também nesta terça, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A medida desmonta qualquer chance de continuidade das tratativas com o grupo Fictor.

Fonte: Brasil 247

TC contesta investimento de cerca de R$ 1 bi do governo do Rio no Banco Master

Operação da PF desta terça-feira (18) prendeu o presidente e proprietário do banco, Daniel Vorcaro

O Tribunal de Contas do Rio determinou há pouco mais de um mês que o Rio Previdência interrompesse investimentos nos fundos de investimento administrados pelo Banco Master. Na manhã desta terça (18), o presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso.

O TCE afirmou que havia evidências do banco estar passando por uma crise e isso colocaria sob risco os recursos investidos.

Segundo a Corte de Contas, 25% do patrimônio do RioPrevidência foi aportado em fundos administrados pelo Banco Master. O órgão do governo do Rio é responsável pelo pagamento de aposentados e pensionistas. É o terceiro maior fundo de pensão do país, e gere um universo de 430 mil servidores, entre civis e militares.

O TCE chegou a recomendar que o governador Cláudio Castro fizesse uma intervenção no órgão diante da gestão temerária de recursos. Os aportes teriam sido feitos mesmo após alertas da Corte e em meio à crise envolvendo a instituição financeira.

‘Ciência desta decisão ao exmo sr. governador do estado do Rio de Janeiro, para que, diante da gravidade da situação apurada e da omissão do diretor-presidente do Rioprevidência em adotar providência de maneira célere e efetiva, avalie atuar junto à autarquia previdênciária, zelando pelo saneamento das irregularidades e prevenção de novas falhas na alocação de recursos’.

O presidente e proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso nesta terça-feira (18) em São Paulo durante uma operação da Polícia Federal que cumpre ordens de prisão contra integrantes do mercado financeiro.

A ação, denominada Operação Compliance Zero, envolve sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão.

A operação ocorre no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia e em Minas Gerais, com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional.

A Polícia Federal cumpre, ao todo, sete mandados de prisão, sendo cinco preventivas e duas temporárias, e 25 mandados de busca e apreensão, incluindo outras medidas cautelares. Entre os alvos está Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Nessa segunda (17), foi anunciado que a holding financeira Fictor adquiriu o Banco Master em uma operação com aporte superior a R$ 3 bilhões. No entanto, nesta terça-feira (18), a Polícia Federal cumpre mandados da Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro, proprietário do banco.

De acordo com a PF, as investigações começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível criação de carteiras de crédito fictícias por uma instituição financeira. Os crimes investigados são: gestão fraudulenta, gestão temerária e participação em organização criminosa, entre outros.

Essa operação levou o Banco Central a decretar a liquidação da instituição financeira, teve desdobramentos também em Brasília. O diretor-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por ordem da Justiça Federal, segundo fontes ligadas à investigação.

Agentes da PF cumprem mandados de busca na sede do BRB. Embora não haja prisões relacionadas a integrantes do banco brasiliense, o afastamento de Costa foi determinado em razão do cruzamento das apurações que miram o Banco Master. O executivo está fora do país em viagem oficial.

O que diz o Rioprevidência?

Em nota, o Rioprevidência informou ter sido surpreendido por uma decisão cautelar do TCE-RJ sobre investimentos ligados ao Banco Master e contestou informações de que teria aplicado mais de R$ 2,6 bilhões na instituição, afirmando que o valor real é de cerca de R$ 960 milhões, em operação regular e dentro das normas.

A autarquia destacou que não realiza novos aportes no banco desde 2024, que monitora diariamente todos os fundos e que nenhum deles contém ativos do Master, esclarecendo ainda que o Banco Master e a Master Corretora são instituições distintas. Segundo o órgão, os fundos mencionados pelo TCE — como Texas I, Revolution e Arena — não têm relação com o conglomerado Master e seguem enquadrados, e todos os esclarecimentos técnicos estão sendo encaminhados ao tribunal.

O Rioprevidência afirma ‘manter solidez financeira, cumprimento de normas e total transparência na gestão dos recursos previdenciários’ (leia abaixo a nota na íntegra).

Quem é Daniel Vorcaro?

O empresário brasileiro possui 42 anos e nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ele possui um MBA concluído em 2007 no Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (IBMEC). Além disso, se formou na Fundação Torino, uma escola de elite de BH que incentivava o empreendedorismo.

Daniel assumiu o comando do Banco Master em 2018, quando a instituição financeira teve diversas mudanças e passou a ter outro nome. Anteriormente, se chamava de Banco Máxima.

Ele foi responsável pela expansão das operações, entre elas a criação de uma corretora de investimentos e um fundo de investimentos.

Entre um dos destaques da vida do empresário está que ele participou do investimento na SAF do Atlético-MG, com aporte inicial de R$ 100 milhões no clube. Isso ocorreu em 2023.

No ano seguinte, aumentou o investimento para R$ 200 milhões, chegando depois próximo de R$ 300 milhões, possuindo atualmente 26,9% de participação nas ações do Atlético Mineiro e entrando no comitê de futebol da equipe.

Em outubro, o Ministério Público de São Paulo iniciou uma investigação de dois fundos de investimentos que foram utilizados por Vorcaro para adquirir parte da SAF. O motivo é uma suposta ligação com suposta lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital.

Leia nota completa do Rioprevidência

‘O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) informa que foi notificado, na última sexta-feira (10 de outubro de 2025), da decisão cautelar do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) acerca de investimentos relacionados ao Banco Master S.A. A deliberação foi divulgada sem prazo hábil para manifestação prévia da Autarquia, o que impediu a apresentação de esclarecimentos técnicos antes da publicação da medida.

O Rioprevidência esclarece que é incorreta a informação de que o Banco Master seria destinatário de mais de R$ 2,6 bilhões. O valor efetivamente investido foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A., e a operação segue regular, adimplente e plenamente enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais. Importa destacar que o Banco Master S.A. é instituição autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil (BACEN), pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Ministério da Previdência Social, estando incluído na lista oficial de instituições habilitadas a emitir ativos elegíveis a Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). À época dos investimentos, o Banco Master possuía rating “A-” atribuído pela Fitch Ratings, o que o enquadrava como emissor de grau de investimento e baixo risco de crédito, atendendo plenamente aos critérios de elegibilidade, segurança e diversificação previstos na Resolução CMN nº 4.963/2021 e nas orientações técnicas do Ministério da Previdência.

Desde a primeira notificação do TCE-RJ, em 2024, o Rioprevidência não realizou novos investimentos ou alocações em ativos emitidos pelo Banco Master, cumprindo integralmente as determinações e recomendações do órgão de controle. Além disso, a Autarquia mantém monitoramento contínuo e diário de todos os fundos nos quais possui cotas, inclusive aqueles administrados pela Master Corretora de Valores, instituição autorizada pelo Ministério da Previdência a prestar serviços de administração de fundos para RPPS. Esse acompanhamento técnico garante que nenhum desses fundos possua ativos emitidos pelo Banco Master S.A., e que todos os investimentos estejam plenamente regulares e em conformidade com os limites normativos.

É importante esclarecer que o Banco Master S.A. e a Master Corretora de Valores são instituições distintas, com naturezas jurídicas, funções regulatórias e estruturas operacionais diferentes. O Banco Master é uma instituição financeira emissora de ativos, enquanto a Master Corretora atua apenas como administradora fiduciária, responsável pela estrutura contábil, escrituração, governança e cumprimento das obrigações regulatórias dos fundos, sem poder de decisão sobre as alocações de recursos. A escolha do administrador é feita pelas gestoras independentes, não pelo Rioprevidência. Assim, o fato de um fundo ser administrado pela Master Corretora não significa que os recursos estejam aplicados ou depositados no Banco Master, tampouco que haja qualquer relação de subordinação ou dependência entre as instituições.

O Rioprevidência reforça que os recursos aplicados nesses fundos nunca transitaram nem foram alocados em ativos do Banco Master, sendo direcionados diretamente aos ativos dos fundos, compostos majoritariamente por títulos públicos federais e ações negociadas na B3. Prova disso é que nenhum dos DAIRs (Demonstrativos de Aplicações e Investimentos dos Recursos) mensais encaminhados ao Ministério da Previdência apontou qualquer desenquadramento, concentração ou irregularidade.

No que se refere aos fundos mencionados, o Rioprevidência reitera que o Fundo Texas I FIA é gerido pela BlueMac, gestora independente e sem vínculo societário com o Banco Master, responsável pelas decisões de investimento. Trata-se de fundo de renda variável, sujeito à volatilidade normal do mercado, cuja oscilação recente decorre de variações de ativos específicos — entre eles, ações da Ambipar — sem qualquer relação com o conglomerado Master. O Fundo Revolution FIC RF Crédito Privado, com cerca de R$ 7 bilhões em patrimônio, não possui ativos controlados ou emitidos por empresas do grupo Master, e o Fundo Arena FIC RF Título Público é composto exclusivamente por títulos públicos federais, com liquidez diária, destinado à manutenção de caixa e pagamento de benefícios previdenciários, tendo sido o fundo de renda fixa mais rentável da carteira do Rioprevidência no primeiro semestre de 2025. Atualmente, a posição do Instituto nesse fundo é inferior a R$ 500 milhões.

Cumpre destacar que todos os pontos citados no relatório do TCE-RJ estão sendo tecnicamente rebatidos, mediante apresentação de documentação comprobatória, relatórios técnicos e pareceres especializados, os quais demonstram a regularidade, prudência e legalidade das decisões de investimento adotadas pelo Instituto. As manifestações formais estão sendo protocoladas junto ao TCE-RJ, acompanhadas de dados auditáveis e informações complementares que comprovam a aderência às normas de governança, compliance e controle de risco.

O Rioprevidência mantém desempenho financeiro e atuarial sólido, tendo alcançado 176% da meta atuarial acumulada em 2025, mesmo em um cenário macroeconômico adverso. Esse resultado reflete o compromisso institucional com a solidez da política de investimentos, a diversificação das carteiras e o cumprimento rigoroso das normas do Conselho Monetário Nacional e do Ministério da Previdência Social.

Por fim, o Rioprevidência reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a segurança na gestão dos recursos previdenciários, reiterando que não realizou novas aplicações no conglomerado Master desde agosto de 2024, e que atua de forma técnica, responsável e colaborativa com todos os órgãos de controle, garantindo a proteção do patrimônio dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro e a sustentabilidade do sistema previdenciário estadual.’

Fonte: CBN

PF prende banqueiro que ‘cuida’ do dinheiro do Iprev Maceió

O presidente do Banco Master, Daniel Bueno Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal durante operação que apura suspeitas de gestão fraudulenta, emissão irregular de títulos e participação em organização criminosa. A ação ocorreu no momento em que ele se preparava para deixar o país, nesta terça-feira (18).

Em Maceió, o Instituto de Previdência dos Servidores (IPREV) possui mais de R$ 100 milhões aplicados em letras financeiras do Master. O montante corresponde à reserva previdenciária de aposentados e pensionistas da capital.

Os investimentos foram realizados pela gestão do prefeito JHC (PL), com intermediação de uma consultoria contratada sem licitação, por R$ 16.800, valor considerado baixo em comparação ao volume movimentado.

As aplicações do IPREV no Banco Master já estavam sob apuração do Ministério Público e de órgãos de controle municipal. Em outubro, fundos bilionários ligados ao banco foram investigados pela Receita Federal.

A existência de um contrato sem licitação no IPREV de Maceió, firmado pouco antes das aplicações milionárias, foi denunciada por parlamentares, que afirmaram que a operação desrespeitou normas de segurança e ignorou alertas sobre a situação financeira do banco.

Fonte: Folha de Alagoas

Conselho de Segurança da ONU aprova plano de paz de Trump para Gaza

China e Rússia se abstiveram. Texto autoriza entrada de uma força militar internacional de estabilização e abre caminho para um Estado palestino independente, o que irritou o premiê israelense, Benjamin Netanyahu. Hamas respondeu à resolução dizendo que recusa desarmamento.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta segunda-feira (17) o plano de paz apresentado pelo governo Trump para a reconstrução de Gaza após a guerra entre Israel e o Hamas.

O plano autoriza a entrada de uma força internacional de estabilização para garantir a segurança no território, devastado após a guerra, prevê o desarmamento do grupo terrorista Hamas e abre um possível caminho futuro para um Estado palestino independente.

A Rússia, que havia apresentado uma resolução concorrente, absteve-se juntamente com a China na votação — no fim, foram 13 votos a favor da resolução, 0 contra e 2 abstenções, de Pequim e e Moscou.

Os EUA e outros países tinham a expectativa de que Moscou não usasse seu poder de veto no órgão mais poderoso das Nações Unidas para bloquear a adoção da resolução, apesar das divergências com o plano americano.

A votação foi um passo crucial para o frágil cessar-fogo e para os esforços de delinear o futuro de Gaza após dois anos de guerra entre Israel e o Hamas.

Países árabes e outros países muçulmanos que manifestaram interesse em fornecer tropas para uma força internacional sinalizaram que a autorização do Conselho de Segurança era essencial para sua participação.

A resolução dos EUA endossa o plano de cessar-fogo de 20 pontos do presidente Donald Trump, que prevê um Conselho de Paz ainda a ser estabelecido como autoridade de transição, que seria presidido por Trump.

A resolução também autoriza a força de estabilização e lhe confere um amplo mandato, incluindo a supervisão das fronteiras, a garantia da segurança e a desmilitarização do território. A autorização para a força e o conselho expira no final de 2027.

Após a aprovação o grupo terrorista Hamas afirmou que rejeita a resolução. Segundo o Hamas, a resistência contra Israel por todos os meios é “legítima” e, portanto, o grupo se recusa a entregar as armas.

Apoio à autodeterminação palestina

Durante quase duas semanas de negociações sobre a resolução dos EUA, as nações árabes e os palestinos pressionaram os Estados Unidos a deixar mais clara no texto o apoio à autodeterminação palestina, o que implica na implementação de um Estado palestino independente.

A inclusão deste ponto no texto, que originalmente era muito mais vago, contribuiu para a aprovação dele no Conselho.

Os EUA revisaram o texto para afirmar que, após a Autoridade Palestina — que agora governa partes da Cisjordânia — implementar reformas e após o avanço da reconstrução da devastada Faixa de Gaza, “as condições poderão finalmente estar reunidas para um caminho crível rumo à autodeterminação e à criação de um Estado palestino”.

“Os Estados Unidos estabelecerão um diálogo entre Israel e os palestinos para chegar a um acordo sobre um horizonte político para a coexistência pacífica e próspera”, acrescenta o texto.

A redação do item irritou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que prometeu no domingo (16) se opor a qualquer tentativa de estabelecer um Estado palestino. Ele há muito afirma que a criação de um Estado palestino beneficiaria o Hamas e, eventualmente, levaria a um Estado ainda maior, controlado pelo Hamas, nas fronteiras de Israel.

Um fator crucial para a aprovação da resolução foi o apoio de nações árabes e muçulmanas que pressionam por um cessar-fogo e que potencialmente contribuirão para a força internacional. A missão dos EUA nas Nações Unidas divulgou uma declaração conjunta na sexta-feira com o Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Indonésia, Paquistão, Jordânia e Turquia, pedindo a “rápida adoção” da proposta americana.

Plano russo

A votação ocorreu em meio à esperança de que o frágil cessar-fogo em Gaza fosse mantido após a guerra iniciada pelo ataque surpresa do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas.

A ofensiva israelense, que já dura mais de dois anos, matou mais de 69 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza controlado pelo Hamas, que não faz distinção entre civis e combatentes, mas afirma que a maioria das vítimas são mulheres e crianças.

Os números do Hamas são condizentes com as estimativas de vítimas em Gaza de entidades internacionais, incluindo as da ONU.

Na semana passada, a Rússia divulgou repentinamente uma proposta rival com linguagem mais incisiva, apoiando um Estado palestino ao lado de Israel e enfatizando que a Cisjordânia e Gaza devem ser unidas em um único Estado sob a Autoridade Palestina.

A proposta também removeu as referências ao Conselho de Transição e solicitou ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, opções para uma força internacional que garanta a segurança em Gaza e implemente o plano de cessar-fogo, ressaltando a importância do papel do Conselho de Segurança.

O que mais a proposta dos EUA diz?

A resolução dos EUA exige que a força de estabilização assegure “o processo de desmilitarização da Faixa de Gaza” e “o desarmamento permanente de grupos armados não estatais”. Uma grande questão é como desarmar o Hamas, que não aceitou essa medida.

A proposta autoriza a força a “usar todas as medidas necessárias para cumprir seu mandato”, em conformidade com o direito internacional, que é a linguagem da ONU para o uso da força militar.

A resolução afirma que as tropas de estabilização ajudarão a garantir a segurança das áreas fronteiriças, juntamente com uma força policial palestina que elas treinaram e avaliaram, e que coordenarão com outros países para assegurar o fluxo de assistência humanitária. A resolução também afirma que a força deve consultar e cooperar estreitamente com o Egito e Israel, países vizinhos.

À medida que a força internacional estabelecer o controle e traz estabilidade, a resolução determina que as forças israelenses se retirarão de Gaza “com base em padrões, marcos e prazos vinculados à desmilitarização”. Esses critérios devem ser acordados entre a força de estabilização, as forças israelenses, os EUA e os garantes do cessar-fogo, segundo a resolução.

Fonte: G1

A natureza do escorpião militar brasileiro e o ataque a profissionais da imprensa alagoana

CADU AMARAL

O coronel da reserva do Exército Márcio Saldanha Walker foi convidado pela Polícia Militar de Alagoas para palestrar no Curso Básico de Operações Psicológicas, realizado na sexta-feira (14). Até aí, tudo bem, militar usando militar como referência é quase como afirmar que a água é molhada. Mas o coronel do Exército explicitou a natureza do escorpião dos militares brasileiros: a aversão à contestação e a profissionais de imprensa.

Evidente que não são todos os militares, mas essa lógica do inimigo interno é algo da natureza das organizações militares no Brasil, praticamente, desde sempre.

Walker afirmou que profissionais de imprensa trabalham para o narcotráfico e que os militares/forças de segurança deveriam inquirir jornalistas e até mapear a vida privada destes profissionais.

Esse posicionamento só poderia ser mais 1964 se ele, coronel do Exército brasileiro, tivesse defendido sequestros e tortura. Será que no intervalo do cafezinho?…

A Secretaria de Segurança Pública (SSP), comandada pelo delegado aposentado Flávio Saraiva, e a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), comandada por Wendell Palhares, soltaram nota conjunta condenando a fala do palestrante “ilustre”.


“A fala não representa — em nenhuma circunstância — a posição do Governo. Nossa política é clara: defesa da liberdade de imprensa, valorização da atividade jornalística e diálogo permanente com os profissionais de comunicação. Por isso, repudiamos o teor da declaração”.

De fato, a postura do Governo do Estado tem ido no sentido oposto em relação à imprensa do propagado pelo militar saudosista da ditadura, inclusive com a recriação do Conselho Estadual de Comunicação.

Até o momento em que escrevo estas linhas, a PM de Alagoas não se manifestou sobre o “incidente”. E até acho que não vai, quando, na verdade, deveria ter interrompido a “palestra” no momento em que Walker começou a dizer seus impropérios.

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também soltaram nota na qual destacam o flerte com a ditadura civil-militar de 1964.

“Para o Sindjornal, a posição do consultor, configura grave ameaça ao estado democrático de direito, flerta com a volta da ditadura, que no Brasil teve participação ativa de integrantes do Exército, e onde a imprensa, para atender aos caprichos de ditadores chegou a publicar receitas de bolo em jornais, para não denunciar os excessos do Estado e nem ouvir os dois lados do fato, premissa primordial do bom jornalismo”. (A íntegra da nota está ao final do texto)

O caso só reforça a visão de que boa parte dos militares – aqui no CPF – e das próprias organizações militares têm da sociedade civil. Ao menos desde a fundação da República, os militares se julgam e atuam como tuteladores da vida civil, como se fossem uma nata social sendo obrigada a conviver com pessoas comuns, com professores, enfermeiros, motoristas, pedreiros, padres, pastores, garçons, cozinheiros, domésticos, vendedores, caixas de supermercado, empresários, bancários etc. E também jornalistas, essa “praga” que vive a futucar as práticas que gente que se julga suprassumo vive a esconder.

E não, aqui não é uma ode à imprensa, que erra – e erra muito – na labuta do fornecer informação à população. Até porque, e é importante destacar, imprensa é empresa e como tal tem seus interesses financeiros e políticos. Jornalista não imprensa – apesar de alguns se acharem como tal –, jornalista é trabalhador que vende sua mão de obra.

A fala de Walker e o não encerramento imediato da palestra – nem mesmo uma nota por parte da PM (ao menos até o momento em que escrevo este artigo) – só coadunam com a natureza de quem jamais se sentiu parte de seu povo, que jamais respeitou a vontade popular.

Mas também mostra duas coisas: que o golpismo e o autoritarismo jamais deixaram a caserna e que a ficamos atentos ou poderemos ser engolidos por essa gente qualquer dia desses mais adiante.

NOTA DO SINDJORNAL E DA FENAJ

Nota de repúdio ao coronel da reserva do Exército Márcio Saldanha Walker

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas e a Federação Nacional dos Jornalistas repudiam com veemência a insinuação que buscou associar o trabalho da imprensa alagoana com a narcocultura. Reportagens da Mídia Caeté, do Extra, G1 foram irresponsavelmente citadas como propagandas a favor do crime.

O coronel da reserva do Exército, Márcio Saldanha Walker, em um evento promovido pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, na última sexta-feira, classificou levianamente o trabalho de dezenas de profissionais do jornalismo como “ameaça” a instituição.

Walker ainda afirmou que seria necessário “chamar o repórter” para inquisição ou “explorar a vida” de jornalistas alagoanos, e que desistiu afirmando que a inteligência da SSP faria esse trabalho.

Durante o curso, várias matérias, de diversos veículos alagoanos, foram citadas, como exemplos de ameaças ao trabalho policial e que essa pesquisa foi realizada em parceria com a SSP, a quem caberia identificar os profissionais.

Para o Sindjornal, a posição do consultor, configura grave ameaça ao estado democrático de direito, flerta com a volta da ditadura, que no Brasil teve participação ativa de integrantes do Exército, e onde a imprensa, para atender aos caprichos de ditadores chegou a publicar receitas de bolo em jornais, para não denunciar os excessos do Estado e nem ouvir os dois lados do fato, premissa primordial do bom jornalismo.

O Sindjornal também repudia a criação de dossiês, devassando a vida pessoal dos jornalistas que atuam em Alagoas. Um risco à vida desses profissionais e de seus familiares, que assim como as forças de segurança, precisam ser reconhecidos como aliados da sociedade, da democracia e da cidadania, uma vez que lutam para reduzir as distorções sociais.

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DE ALAGOAS

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS – FENAJ

Segundo turno no Chile será entre candidata de esquerda e político ultradireitista

Jeannette Jara ficou em primeiro lugar, mas candidatos de direita têm vantagem quando somados

O segundo turno das eleições no Chile será disputado pela candidata da coalizão de esquerda Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric, e pelo candidato de extrema direita José Antonio Kast. O resultado foi apertado. Com 52,39% das urnas apuradas, Jara tinha 26,58%, enquanto Kast registrava 24,32%. Outra votação expressiva foi da direita liberal, com Franco Parisi, que obteve, até o momento, 18,84%.

O número de eleitores do Chile, cerca de 15,7 milhões, é similar à população do estado do Rio de Janeiro, que conta com 16 milhões de habitantes, de acordo com o Censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE).

A primeira eleição com voto obrigatório no Chile não registrou grandes incidentes, mas foi marcada por longas filas e a necessidade de aguardar sob o calor. Não há urna eletrônica no Chile e os votos foram computados em cédulas de papel. Para a contagem, os fiscais estão lendo em voz alta cada voto.

Com pouco mais de 50% das urnas apuradas, o presidente Gabriel Boric parabenizou em pronunciamento Jara e Kast. “Confio que o diálogo, respeito e carinho pelo Chile vão prevalecer ante a qualquer diferença”.

Outro pronunciamento importante foi o do candidato, também ultradireitista, Johannes Kaiser que já declarou apoio a Kast. As informações são do jornal chileno El Mercúrio e da agência internacional AFP.

Jeanette Jara

A candidata do Partido Comunista é considerada moderada, tem 51 anos e é advogada. Jara foi ministra do Trabalho do governo Gabriel Boric e foi escolhida como candidata após receber 60% dos votos nas prévias da coalizão governista, onde votaram 1,3 milhão de votos entre independentes e filiados à coalizão. O nome de Jara ganhou projeção após ela liderar a redução da jornada de trabalho no Chile de 45 para 40 horas. A lei entrou em vigor em 2023 e prevê uma redução gradual. A jornada de 40 horas será implementada em 2028.

José Antonio Kast

O candidato de extrema direita tem 59 anos, também é advogado e foi deputado federal durante 2002 a 2018. Seu irmão foi ministro da ditadura de Augusto Pinochet e seu pai, soldado do Exército nazista. Kast concorreu à presidência em 2021 contra Boric e na época, foi apelidado em matéria da BBC como ‘Bolsonaro chileno’. Entre as propostas de sua candidatura atual estão a redução de 50% da entrada de imigrantes ilegais no Chile em três meses e 90% em nove meses. Além disso, vai reforçar a polícia no interior e combater o crime organizado.

Fonte: ICL

Esquema de fraudes no INSS expandiu-se com ex-ministro bolsonarista, aponta PF

“José Carlos ocupou os mais altos cargos da administração pública em matéria previdenciária no Brasil, o que permitiu à organização criminosa manter e expandir o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas”, diz a PF em relatório

A Polícia Federal afirmou que o esquema criminoso no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estava em “pleno funcionamento” no governo de Jair Bolsonaro e que o presidente do órgão no antigo governo, José Carlos Oliveira, recebeu pelo menos R$ 100 mil de propina de entidades que desviaram dinheiro de aposentados e pensionistas.

O ministro de Bolsonaro era “um dos pilares institucionais que permitiram o funcionamento da fraude”, de acordo com a investigação. A PF também aponta que sua atuação era “estratégica” e “decisiva” para a manutenção do esquema criminoso.

José Carlos Oliveira, que mudou seu nome para Ahmed Mohamad Oliveira Andrade ao converter-se ao islamismo, foi presidente do INSS e ministro da Previdência de Jair Bolsonaro. Ele foi alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na quinta-feira (13), e terá que utilizar tornozeleira eletrônica.

Em relatório, a PF apontou que Oliveira recebeu dinheiro de Cícero Marcelino, um dos operadores financeiros do esquema criminoso. Nas planilhas de pagamentos, o ex-presidente do INSS aparecia como “São Paulo” e “Yasser”.

Os investigadores destacam que Oliveira recebeu R$ 100 mil da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Ele atuou junto ao esquema criminoso entre 2021 e 2022, quando presidiu o INSS.

A entidade era uma das que, por meio de fraudes, realizava descontos mensais nas pensões e aposentadorias. Diversas outras entidades e sindicatos de aposentados fraudaram documentos para também desviar dinheiro dos benefícios.

“José Carlos ocupou os mais altos cargos da administração pública em matéria previdenciária no Brasil, o que permitiu à organização criminosa manter e expandir o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas”, disse a PF no relatório.

“Trata-se de um agente público que, na perspectiva da representação policial, foi estratégico para o esquema, haja vista que sua atuação foi decisiva para o funcionamento e blindagem da fraude da Conafer”, continua.

As provas obtidas “geram fortes indícios de que o esquema criminoso envolvendo o investigado estava em pleno funcionamento também no período em que ele era ministro de Estado do Trabalho e Previdência Social”. Ele foi ministro entre março e dezembro de 2022.

Cícero Marcelino de Souza Santos, com quem José Carlos Oliveira trocava mensagens, era o operador financeiro da Conafer no esquema. Ele mantinha empresas de fachada para receber e repassar o dinheiro ilegal.

Fonte: Hora do Povo

Claudia Sheinbaum reage aos golpistas e diz que México é “invencível”

Alvo de guerra híbrida, presidenta mexicana diz que povo e governo caminham juntos no país

A presidenta do México, Claudia Sheinbaum Pardo, afirmou neste domingo que o país é “invencível” porque não existe separação entre governo e povo, e que são as maiorias que rejeitam aqueles que tentam provocar violência e instabilidade. As declarações ocorreram durante sua participação na Feira do Chocolate, em Tabasco, segundo informações do jornal La Jornada.

Sem citar nomes, Sheinbaum se referiu a setores que buscam respaldo internacional para interferir nos assuntos internos, o que se insere na dinâmica da chamada guerra híbrida — um método contemporâneo de desestabilização que combina pressões econômicas, ataques midiáticos, manipulação digital, judicialização seletiva e campanhas de desinformação para enfraquecer governos. Ao abordar esse fenômeno, a presidenta ressaltou que algumas forças “não têm apoio popular” e, por isso, procuram influências externas, mas reforçou que “o México é um país livre, independente e soberano; não somos colônia de ninguém, não somos protetorado de ninguém”.Play Video

Ao comentar sobre episódios recentes de violência em mobilizações, Sheinbaum declarou que “o povo do México diz ‘não’ àqueles que querem gerar algum tipo de violência” e defendeu que é justamente a união entre sociedade e Estado que garante estabilidade: “juntos, governo e povo, estamos construindo a paz”.

Aprovação popular e continuidade da Quarta Transformação

A presidenta também atribuiu a alta aprovação de sua administração ao legado da Quarta Transformação, iniciada por Andrés Manuel López Obrador, destacando avanços nos programas sociais, nos empregos e no salário mínimo. Segundo ela, “o salário mínimo cresceu 125% com a Quarta Transformação” e outubro se tornou “o mês com a maior criação de empregos formais da história do México”, o que demonstra, em suas palavras, que o país “está no nível mais alto de emprego formal de toda a sua história”.

Sheinbaum afirmou ainda que o governo mantém sua força graças ao vínculo com a população: disse que “não há divórcio entre povo e governo” e que, quando uma administração se mantém próxima do povo, “não há força capaz de nos deter”, porque “somos invencíveis, povo e governo; o nosso país é invencível”.

Desenvolvimento regional e memória histórica

Durante o evento, Sheinbaum anunciou também a instalação da nova planta processadora de Chocolate Bem-Estar, que irá fortalecer a industrialização e o desenvolvimento econômico no sudeste mexicano. Ao lado do governador de Tabasco, Javier May, reforçou que a expansão produtiva é parte estruturante da estratégia nacional.

A presidenta aproveitou o encontro para pedir que adultos conversem com os jovens sobre o legado do período neoliberal, marcado por pobreza, abusos e fraudes eleitorais. Ela lembrou episódios como o êxodo pela democracia liderado por López Obrador, as fraudes de 1988 e 2006, além da compra de votos em 2012, enfatizando que foi somente em 2018 que “o povo disse ‘basta’”, conduzindo a Quarta Transformação à Presidência da República.

Encerrando sua fala, Sheinbaum destacou que seu governo atua guiado por três princípios fundamentais — “não mentir, não roubar e nunca trair o povo de Tabasco nem o povo do México” — e reafirmou que esse compromisso seguirá norteando suas decisões.

Fonte: Brasil 247

Pastor condenado a 52 anos por abuso de sobrinhas é preso em operação no RJ

Um pastor condenado por estuprar quatro sobrinhas foi preso neste domingo (16)  ao desembarcar em um heliporto de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Segundo a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, ele era considerado foragido e cumpria pena de 52 anos de prisão. A captura integra mais uma etapa da Operação Rede Segura, que monitora casos de violência sexual e exploração envolvendo vínculos familiares.

Os crimes ocorreram entre 2018 e 2019, em Duque de Caxias. De acordo com a Polícia Civil, o pastor aproveitava a rotina religiosa e a proximidade com os cunhados para cometer os abusos contra meninas de 8 a 13 anos. As investigações também apontam que o filho dele, então com 17 anos, participou das agressões ao acompanhar o pai nas visitas.

A série de estupros só veio à tona quando a mãe de duas vítimas desconfiou de mudanças no comportamento das filhas e decidiu perguntar diretamente o que estava acontecendo. As meninas relataram todo o histórico de violência, o que deu início ao processo policial e à posterior condenação.

Depois de meses de monitoramento, os agentes localizaram o foragido no heliporto do Farol de São Tomé. Ele foi detido no local e será encaminhado ao sistema penitenciário, onde deve cumprir a pena estabelecida pela Justiça.

Fonte: DCM

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