JHC colocou 117 milhões da Previdência de Maceió em risco com o Banco Master

Prisão do dono por fraude e falta do fundo garantidor aprofundam impasse político e financeiro na capital alagoana.

Uma crise financeira e política instalou-se em Maceió após o Banco Master ter sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC). A instituição bancária detinha um investimento de R$ 117 milhões do Instituto da Previdência de Maceió (IPREV), recursos destinados aos aposentados e pensionistas do município.

O estopim da crise foi a prisão do proprietário do Banco Master pela Polícia Federal.

Ele foi detido quando tentava deixar o país, sob investigação por suposta venda de títulos de crédito falsos. Em seguida, o Banco Central decretou a intervenção e liquidação da instituição, levando o destino dos R$ 117 milhões do IPREV, agora credor do banco, para o limbo.

A situação é agravada pelo fato, apontado pela oposição, de que o investimento não contava com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), um mecanismo que protege os depositantes em caso de falência bancária.

Confronto na Câmara de Vereadores

O assunto dominou a sessão da Câmara Municipal da terça-feira (18), polarizando o debate entre situação e oposição.

Palmeira relembrou que já havia alertado para os riscos da aplicação, que teria sido feita com base em uma indicação de uma consultoria investigada pela Polícia Federal e contratada pela Prefeitura sem licitação.

O vereador ainda questionou a quem foi paga uma comissão de R$ 5 milhões pela intermediação do negócio.

Em defesa da gestão municipal, o vereador Kelman Vieira, líder do governo, argumentou que a liquidação extrajudicial é um processo legal e que ainda não se pode declarar a perda dos recursos.

Ele explicou que o BC fará o levantamento dos ativos do Banco Master e, posteriormente, a lista de credores — incluindo o IPREV — entrará em uma fila para reaver os valores.

Kelman garantiu ainda que a saúde financeira do IPREV está sólida, com a previdência tendo saltado de R$ 300 milhões para R$ 1,4 bilhão, o que elimina o risco de prejuízo ou atraso nos salários de aposentados e pensionistas.

Sede do Maceió Previdência, que assegurou ter patrimônio de R$ 1,4 bilhão para cobrir os pagamentos, minimizando o impacto do investimento de R$ 117 milhões no Banco Master.. — Foto: Reprodução/Secom Maceió

Maceió Previdência emitiu uma nota garantindo que os pagamentos a aposentados e pensionistas estão assegurados, apesar da liquidação do Banco Master:

  • Folha de Pagamento: Os depósitos de novembro serão feitos no dia 27, e os de dezembro, juntamente com o 13º salário, serão realizados no dia 19 de dezembro.
  • Patrimônio: O patrimônio total do Instituto é de R$ 1,4 bilhão, o que garante a segurança dos pagamentos.
  • Impacto Financeiro: O investimento no Banco Master representa menos de 10% desse patrimônio total.
  • Legalidade: O Instituto afirma que, na época das aplicações, o Banco Master estava plenamente habilitado pelo Banco Central e Ministério da Previdência, possuía grau de investimento por agência de risco e que a operação seguiu as regras e foi aprovada pelo Conselho de Administração.
  • Próximos Passos: O Maceió Previdência está em contato com o Banco Central e órgãos reguladores para acompanhar o processo de liquidação e buscar a devolução dos recursos.

Fonte: G1

Israel quer aprovar lei para executar prisioneiros palestinos por injeção letal

Um intenso debate dentro da Comissão de Segurança Nacional do Knesset israelense, na quarta-feira, revelou detalhes de um projeto de lei que autorizaria a execução de prisioneiros palestinos, incluindo o uso de injeção letal e a proibição total de apelações, de acordo com imagens divulgadas pelo Canal do Knesset, informa a Anadolu.

A comissão se reuniu para preparar o projeto de lei para sua segunda e terceira leituras, antes que ele possa se tornar lei, disse o canal. Trechos publicados pelo canal da acalorada discussão na rede social americana X mostraram as disposições redigidas pelo patrocinador do projeto de lei, o partido de extrema-direita Poder Judaico, liderado pelo Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.

De acordo com essas disposições, o projeto de lei se aplicaria a qualquer pessoa que matasse um judeu “por ser judeu”, incluindo o planejamento ou a execução de tal ato, e determinaria a pena de morte como única punição.

As disposições estabelecem que a sentença seria imposta “por maioria simples, sem possibilidade de apelação ou comutação por meio de negociação ou indulto”.

Os detalhes também mostram que a execução seria realizada pelo Serviço Penitenciário de Israel por meio de injeção letal.

Para evitar atrasos, o projeto de lei exige que a sentença seja executada em até 90 dias após a decisão do tribunal.

Um confronto acirrado ocorreu durante a sessão entre Ben-Gvir e o parlamentar da oposição Gilad Kariv, do partido Yesh Atid.

“Um Estado não pode ser governado pela vingança. Sem apelações, sem discussões adicionais e sem necessidade de aprovação coletiva”, disse Kariv, descrevendo o projeto de lei como “racista porque se aplica apenas quando uma vítima judia é morta”.

Ele chamou a proposta de “elaborada por um grupo extremista e intolerante” e disse que ela se alinha com partidos cujo líder “tem uma foto de Baruch Goldstein na sala de estar”, referindo-se ao autor do massacre de Hebron em 1994, que matou 29 fiéis palestinos.

A mídia israelense já havia noticiado que Ben-Gvir exibe uma foto de Goldstein em sua casa em um assentamento em Hebron.

“Espero que seus filhos não cresçam com seus valores. Você é um pai que cria seus filhos com base no legado de um assassino e terrorista”, disse Kariv a Ben-Gvir.

O jornal Israel Hayom informou que Kariv foi expulso da sessão da comissão após o confronto.

O jornal noticiou que a Associação Médica Israelense informou ao comitê que nenhum médico cooperaria com a execução da pena de morte.

Ben-Gvir insistiu que “os médicos dizem o contrário e apoiam a punição”.

“Entendo que vocês querem que os matemos por enforcamento ou fuzilamento”, acrescentou.

O Knesset aprovou o projeto de lei em sua primeira leitura em 11 de novembro, com 39 votos a favor e 16 contra, de um total de 120 membros.

Ben-Gvir tem pressionado repetidamente por legislação que permita a execução de prisioneiros palestinos e endureceu as condições prisionais para os detentos, incluindo a restrição de visitas, a redução das cotas de alimentação e a limitação do acesso ao chuveiro, de acordo com organizações de prisioneiros palestinos.

A pressão parlamentar ocorre em um momento em que os palestinos sofrem as consequências de uma guerra genocida israelense em Gaza, que matou mais de 69.000 pessoas e feriu mais de 170.000 desde outubro de 2023.

Fonte: Monitor do Oriente

Influenciador é condenado pela Justiça por associar o PT a facções criminosas

Decisão da 20ª Vara Cível de Brasília obriga o influenciador a retirar vídeo considerado difamatório contra o PT

O influenciador Rafael Nery foi condenado pela Justiça do Distrito Federal a retirar do ar um vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais, no qual acusa o Partido dos Trabalhadores (PT) de ser patrocinador de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão é da 20ª Vara Cível de Brasília e foi assinada pela juíza Thaíssa de Moura Guimarães.

No conteúdo publicado, Nery afirma que o “Brasil está caminhando para um controle total do crime organizado” e acrescenta que o que ocorre no Rio de Janeiro seria “o sonho do PT se tornando realidade”.

Em outro trecho, o influenciador compara o partido a grupos terroristas do Oriente Médio e afirma que o PT “é o grande patrocinador do Comando Vermelho e do PCC”.

A ação está em fase inicial, e o influenciador, já citado, deverá apresentar defesa. No processo, o PT classificou o vídeo como difamatório e pede indenização de R$ 30 mil por danos morais.

Segundo a juíza Thaíssa de Moura, “o conteúdo disponibilizado pelo requerido extrapolou seu direito de liberdade de expressão e de manifestação de pensamento, não tendo ele citado provas da alegada ligação do autor com o Comando Vermelho e com o PCC”.

Na decisão, Nery deve remover o vídeo no prazo de cinco dias após a citação, sob pena de multa diária de R$ 500, limitada a R$ 50 mil.

Caso o influenciador não cumpra a ordem judicial, a magistrada autorizou o envio de ofício ao Facebook, empresa responsável pelo Instagram no país, para que a própria plataforma remova o vídeo. Até a publicação desta reportagem, o conteúdo permanecia disponível nas redes sociais.

A reportagem tenta contato com o influenciador citado.

Fonte: Terra

Lula assina 28 decretos para regularizar territórios de quilombolas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou 28 decretos para regularização de territórios quilombolas localizados em 14 estados. O ato de assinatura foi realizado no Palácio da Alvorada, em Brasília, e marca o Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira (20).

Os decretos declaram que são de interesse social os imóveis rurais localizados em territórios quilombolas. 

A medida vai permitir desapropriação das propriedades pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o pagamento de indenizações aos proprietários. Após essas etapas, os quilombolas vão receber a titulação de posse definitiva das áreas.

Em uma publicação nas redes sociais, o presidente disse que o país está ampliando as políticas públicas que chegam aos territórios e às comunidades quilombolas. 

“Hoje, dia 20 de novembro, o Brasil reafirma que a igualdade racial é memória, reparação e um projeto de futuro. Essa data, marcada pela luta de Zumbi dos Palmares e pela resistência do povo negro, lembra que democracia forte se constrói com direitos garantidos e oportunidades reais para todas e todos”, escreveu. 

A ministra Igualdade Racial, Anielle Franco, disse que os decretos vão beneficiar 5,2 mil famílias e 31 comunidades. Segundo a ministra, Lula já assinou 60 decretos no atual mandato.

“Esses decretos são o passo anterior à titulação. Hoje, a gente tem um recorde de decretos assinados. O último número que nós tínhamos, de 50, foi no mandato da presidenta Dilma. E hoje, o presidente Lula se torna o presidente que mais assinou decretos na história do país”, afirmou a ministra.

Decretos

Os decretos serão aplicados em propriedades rurais de 14 estados: Bahia (6); Ceará (3); Sergipe (3); Goiás (2); Rio Grande do Sul (2); Maranhão (1); Paraíba (1); Rio de Janeiro (1); Santa Catarina (1); São Paulo (1); Mato Grosso do Sul (1) e Alagoas (1).

Fonte: Agência Brasil

Governo Cláudio Castro denunciado à PGR por investir no Master R$ 1,2 bi da previdência e Cedae

“Rioprevidência e a Cedae expuseram recursos essenciais a um risco bilionário, fruto de uma gestão temerária”, diz Otoni de Paula

O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) encaminhou notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo que o governo Cláudio Castro seja investigado por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro. O pedido é baseado no fato de que a gestão Castro investiu no Banco Master cerca de R$ 1 bilhão do Rioprevidência (entidade que gerencia o dinheiro da aposentadoria de 235 mil servidores fluminenses) e R$ 230 milhões da Cedae, mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) de que instituição financeira estava em crise aguda.

O Banco Master foi alvo da Operação Compliance Zero na terça-feira (18) para apurar irregularidades na gestão da instituição financeira. O principal controlador do banco, Daniel Vorcaro foi preso, assim como seu sócio  Augusto Lima. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.

Na notícia-crime, Otoni de Paula destaca os alertas emitidos pelo TCE sobre os riscos que qualquer transação com o Master, devido a “concentração crítica” e riscos financeiros à segurança do regime previdenciário. O documento pede que sejam investigados gestores e ex-gestores do Rioprevidência e da Cedae, além de controladores e administradores do Banco Master.

“O que está em jogo não é apenas um problema financeiro, é uma traição institucional de magnitude sistêmica”, escreveu o deputado em suas redes sociais. “O Rioprevidência e a CEDAE expuseram recursos essenciais a um risco bilionário, fruto de uma gestão temerária e de uma imoralidade que a Lei e a Fé não podem tolerar. Atacar o patrimônio dos servidores é atacar a DIGNIDADE das famílias”.

Para Otoni de Paula, a magnitude do prejuízo e o risco de acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) exigem quebra de sigilos e responsabilização penal imediata em nível federal.

“​Quem tenta roubar o futuro do nosso povo deve sentir o peso da Lei”, escreveu ele.

Fonte: ICL

Trump cita Lula e tira tarifa de 40% sobre café, carne e outros alimentos

Decisão é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro. Ordem de Trump acrescentou mais de 200 produtos à lista de exceções do tarifaço.

Os EUA anunciaram nesta quinta-feira (21) a retirada da tarifa de 40% de alguns produtos brasileiros. A decisão foi publicada pela Casa Branca.

A seleção inclui carne bovina, café, açaí, cacau e diversos outros produtos. São mais de 200 itens que foram acrescentados à lista de exceções do tarifaço aplicado ao Brasil.

A decisão é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro, mesma data da reunião entre o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que tratou sobre as tarifas.

Na semana passada, o governo Trump já havia reduzido as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, incluindo café, carne, açaí e manga, aplicadas a diversos países. No caso específico do Brasil, as taxas haviam caído de 50% para 40%.

Agora, a taxa para os produtos brasileiros como o café e a carne, que aparecem nas duas decisões da Casa Branca, retorna para os patamares anteriores ao tarifaço de Trump.

Veja alguns dos produtos que tiveram a tarifa de 40% retirada:

  • café;
  • carne bovina;
  • açaí;
  • cacau;
  • banana
  • tomate;
  • coco;
  • castanha de caju;
  • mate;
  • especiarias, como pimenta, canela, baunilha, cravo e noz-moscada.
Donald Trump em pronunciamento na Casa Branca, em 15 de outubro de 2025 — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Donald Trump em pronunciamento na Casa Branca, em 15 de outubro de 2025 — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Negociações entre Lula e Trump

Ao contrário da ordem executiva da semana passada, que era global, a decisão de hoje se aplica somente ao Brasil.

Na ordem desta quinta, Trump citou a conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de outubro, e escreveu que a retirada das tarifas é consequência das negociações entre o governo brasileiro e o norte-americano.

“Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento.”

“Também recebi informações e recomendações adicionais de diversos funcionários […] em sua opinião, certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional […] porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil.”

Governo brasileiro celebra decisão

O governo do Brasil comemorou a retirada das tarifas.

Para o Itamaraty, a decisão foi um avanço importante, especialmente por fazer menção às negociações com o Brasil, retomadas em outubro, e pela data retroativa (13 de novembro) coincidir com o dia da reunião entre Marco Rubio e Mauro Vieira.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, disse que a ordem de Trump é uma “excelente notícia” para o Brasil, que agora volta a ter acesso competitivo ao mercado dos EUA, “apoiando assim a estabilização de preços para alguns produtos”.

Alívio para exportadores

A retirada de taxas do café e da carne, especificamente, representam um alívio para exportadores brasileiros desses produtos.

Os Estados Unidos são o principal comprador de café do Brasil e respondem por cerca de 16% de tudo o que o país exporta. Segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), com o tarifaço, as importações haviam caído pela metade entre agosto e outubro em relação ao mesmo período de 2024.

Marcos Matos diretor-geral do Cecafé disse que a decisão positiva foi resultado de um trabalho muito intenso”. “Para nós, é um momento de celebração, um presente de Natal antecipado. Vamos concorrer com nossa sustentabilidade e competitividade em pé de igualdade, como a gente sempre quis”, afirmou ao g1.

No caso da carne, os EUA eram o segundo maior comprador do produto brasileiro antes do tarifaço, importando 12% de todo o volume que o Brasil vende para o exterior.

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) comemorou a decisão do governo americano. “A reversão reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos, inclusive para a carne bovina brasileira.”

Fonte: G1

Perseguição de Tarcísio provoca 95 afastamentos diários de professores em SP

Sob o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o estado de São Paulo registrou 25,699 licenças médicas de professores da rede estadual por transtornos mentais e comportamentais entre janeiro e setembro de 2025 — um ritmo de 95 afastamentos por dia, de acordo com o levantamento exclusivo do Centro do Professorado Paulista (CPP). Os docentes ficaram 911.634 de dias longe das salas de aula nesse período, com 35 dias de afastamento em média por licença, número que expõe uma crise de saúde mental crescente na categoria.

O avanço do adoecimento mental entre professores da rede estadual paulista acende um alerta sobre o impacto das políticas educacionais do governo Tarcísio de Freitas, marcado por planos de redução de salas de aula, aumento da carga administrativa e mudanças estruturais que, segundo entidades, aprofundam a sobrecarga e a pressão sobre os docentes.

Esses dados revelam que as longas jornadas de trabalho, múltiplas instituições de ensino atendidas, violência, desvalorização e cobrança constante estão entre os principais fatores de estresse, segundo o diretor-geral administrativo do CPP, Alessandro Soares.

“Esses números são um grito de alerta. O professor está adoecendo a cada dia”, afirma Alessandro Soares. “O sofrimento emocional dos professores é estrutural. Ele nasce da precarização e da solidão no trabalho docente. Não há cuidado psicológico suficiente, nem tempo para o professor cuidar de si. Por isso, é de suma importância a ampliação do suporte psicológico aos profissionais da educação, uma vez que a manutenção desse cenário compromete não apenas o bem-estar dos professores, mas também a qualidade do ensino e o futuro dos estudantes”, continua.

O presidente do CPP, Sílvio dos Santos Martins, explicou à Fórum que houve uma aceleração na desvalorização dos professores ao longo do tempo, principalmente em detrimento das recentes políticas adotadas pela secretaria de Educação paulista, como a redução das salas e da carga horária, que impactam diretamente na estafa mental e no salário dos docentes estaduais – já que São Paulo é um dos estados que paga abaixo do piso salarial se desconsiderado o abono.

“Esse é o caso que temos. É uma realidade difícil, porque se você não tem segurança, estabilidade, você fica por conta dos superiores, daqueles que direcionam e consequentemente isso dá preocupação, é uma sobrecarga na vida do professor. Quando se tem estabilidade, se tem concurso sempre, isso não acontece. O professor tinha, mas não era nesse nível e não eram essas as causas principais”, explica o presidente do CPP, Silvio. “Hoje está desvalorizado tanto funcionalmente quanto salarialmente, o estado de SP não paga nem o piso federal”, complementa.

Capital concentra metade dos casos

A cidade de São Paulo lidera os afastamentos, com 13.534 licenças no período — média de 49 por dia. Logo depois aparecem:

  • Campinas: 3.356 afastamentos (12 por dia)
  • São José dos Campos: 1.582 afastamentos (6 por dia)

A amplitude dos números, presentes em todas as regiões administrativas, indica que o adoecimento tem natureza estrutural e não se limita a localidades de maior pressão escolar.

Violência, sobrecarga e falta de suporte agravam cenário

De acordo com o CPP, o quadro de sofrimento emocional se intensificou nos últimos anos devido a fatores como:

  • Salas superlotadas
  • Aumento de tarefas burocráticas
  • Falta de equipes de suporte psicossocial
  • Casos recorrentes de violência dentro das escolas
  • Sensação de isolamento e falta de políticas preventivas

Governo Tarcísio x professores

Além do avanço das licenças por adoecimento, o cenário contrasta com o plano do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) de reduzir o número de salas de aula na rede estadual, por meio de reorganizações escolares e fechamento de turmas com baixa demanda — medida que especialistas e entidades consideram potencialmente agravante da sobrecarga docente.

A diminuição de salas, segundo sindicatos, tende a ampliar o tamanho das turmas remanescentes, aumentando a pressão sobre professores já exaustos e afetando diretamente a qualidade do ensino, justamente em um momento em que os indicadores de saúde mental da categoria estão em patamar crítico.

CPP: quase um século de atuação

Fundado em 1930, o Centro do Professorado Paulista (CPP) representa mais de 75 mil professores da rede estadual. A entidade mantém 89 sedes no estado, oferece suporte jurídico e atendimento médico e odontológico, além de cursos, formações e atividades de bem-estar e lazer.

Fonte: Revista Fórum

Previdências públicas têm R$ 1,8 bilhão em títulos do Banco Master sem garantias

Institutos de previdência estaduais e municipais aplicaram cerca de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Esses títulos não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o que coloca o montante em risco após a liquidação do banco, decretada pelo Banco Central nesta terça (18). A decisão abre um processo que pode tornar incerta a recuperação dos recursos.

Entre os 18 institutos que investiram no Master, três concentram a maior parte do valor: a Rioprevidência, do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões; a Amprev, do Amapá, com R$ 400 milhões; e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões. Também chama atenção o caso de São Roque, no interior paulista, que destinou R$ 93 milhões às letras financeiras sem garantia.

Como as letras do Master não são protegidas pelo FGC, diferentemente de CDBs, os aportes feitos por estados e municípios serão registrados como dívida na liquidação. Isso significa que os institutos entram na fila de credores, sem certeza de devolução integral.

A liquidação do banco ocorreu um dia após a prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, detido pela Polícia Federal ao tentar fugir para fora do país. O conglomerado também teve parte das operações colocadas sob administração especial temporária por até 120 dias.

A Rioprevidência afirmou que o pagamento de aposentadorias está garantido e que negocia substituir as letras financeiras por precatórios federais. O instituto reforçou que acompanha o caso de perto. A Amprev, por sua vez, disse que as aplicações seguiram integralmente as regras do Sistema Financeiro Nacional e a política de investimentos do regime próprio.

Em Maceió, o Iprev declarou que os investimentos no Master representam menos de 10% de seu patrimônio atual, estimado em R$ 1,4 bilhão. A entidade afirmou que, no momento da aplicação, o banco possuía habilitação do Banco Central e grau de investimento concedido por agência de classificação de risco.

O São Roque Prev informou que as operações foram realizadas com parecer técnico, aprovação de comitês internos e homologação dos conselhos. O instituto disse monitorar os desdobramentos da liquidação e aguardar orientações das autoridades reguladoras sobre os próximos passos.

Fonte: DCM

Israel viola cessar-fogo, volta a bombardear Gaza e mata 25 palestinos

Mesmo sob o cessar-fogo anunciado em outubro, ataques aéreos de Israel mataram ao menos 25 palestinos nesta quarta-feira (19) na Faixa de Gaza, segundo autoridades de saúde locais. As novas ofensivas ocorrem em áreas totalmente devastadas ao longo dos dois anos de guerra e reacendem denúncias internacionais de que Israel segue cometendo graves violações do direito humanitário, apesar do acordo vigente. A informação sobre os ataques foi noticiada pela agência Reuters.

Pelo menos 10 civis foram mortos em Zeitoun, nos arredores da Cidade de Gaza, outros dois em Shejaia e os demais em dois bombardeios separados contra Khan Younis, no sul.

De acordo com profissionais de saúde, os alvos incluíram um prédio ligado a autoridades religiosas muçulmanas e um clube administrado pelas Nações Unidas, ambos abrigando famílias deslocadas pela guerra.

Israel se defende alegando resposta a tiros

O Exército israelense afirmou ter atingido posições do Hamas após “disparos contra tropas” que atuam dentro do território palestino — o que Tel Aviv aponta como violação do cessar-fogo por parte do Hamas. Nenhum militar israelense foi ferido. Já o Ministério da Saúde de Gaza descreve os bombardeios como agressões unilaterais contra civis.

Desde o início da trégua, em 10 de outubro, 305 palestinos já foram mortos, segundo autoridades locais. Mais de 100 só em um dia, na semana passada, quando Israel respondeu a outro ataque a seus soldados. No mesmo período, Israel reconhece a morte de três militares.

Fonte: Brasil 247

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