O MITO, QUEM DIRIA, FOI PARAR NA PAPUDA

Paulo Memória é jornalista e cineasta

Entre a prisão de Lula e a de Bolsonaro, passaram-se mais de 7 longos anos, período negro da história brasileira recente. Acredito que quem mais terá condições de explicar esta “era da insanidade” política e social não serão os historiadores, sociólogos, antropólogos, filósofos ou os economistas, mas eles, e tão somente eles, talvez consigam decifrar o que ocorreu com a sociedade brasileira neste período nefasto: refiro-me aos psiquiatras! Neste período ocorreram duas grandes tragédias de grandes proporções, uma involuntária e outra conscientemente, que foram a pandemia e o fascismo. Tenho algumas presunções que talvez colaborem na resolução, ao menos em parte, deste enigma: a manipulação midiática, digital e religiosa.

A dissonância cognitiva coletiva que se instalou no âmago da nossa civilização ainda é uma incógnita, que precisará de um grande exercício de análise científica e mais ainda de um profundo esforço de interpretação imaginativa, para chegarmos a uma conclusão sobre os fatos ocorridos neste período marcado por fakenews (uma releitura do conceito da “mentira repetida” inventada pelo marqueteiro nazista Joseph Goebbels), negacionismo e a perda de direitos sociais conquistados em décadas, com o apoio desta nova categoria social, classificada sociologicamente como “pobre de direita”, um fenômeno que só a psiquiatria mesmo poderá chegar a alguma conclusão, que explique os motivos da sua evolução.

É fato que o avanço da democracia brasileira ainda é uma conquista muito recente, só ocorrendo com a ascenção da “Nova República”, com a eleição de Tancredo Neves/José Sarney para a presidência da república em 1985, substituindo a ditadura militar, que chegou ao poder pelo golpe de 64 e se consolidou por 21 longos anos de repressão e totalitarismo. A verdade é que não conseguimos perceber a fragilidade do processo de transição institucional ao longo desses 40 anos da redemocratização brasileira. É preciso que também seja dito, que, apesar das profundas desigualdades sociais e econômicas, o país parecia ter solidificado o fortalecimento das instituições democráticas e do Estado de Direito. Esta certeza começa a ruir com o empoderamento da operação Lava-Jato, dos movimentos de direita e extrema-direita que começaram a colocar a cara nas ruas em grandes manifestações pedindo o Fora Dilma!

O golpe do impeachment da Presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff, baseada na falácia das “pedaladas fiscais”, sem um único crime de responsabilidades fiscal, a prisão ilegal, porque sem provas, do Presidente Luis Inácio Lula da Silva pelo tribunal de exceção comandado por Sérgio Moro, na “República de Curitiba”, abriu caminhos pra a eleição de um reles e mediocre deputado federal do baixo clero, identificado com um histórico e um discurso neofascista, chamado Jair Bolsonaro, para presidente do Brasil. O “óbvio ululante” se concretizou e o governo Bolsonaro se revelou um total desastre político, econômico e humanitário, com um ministério de “sem biografias”, composto por um bando de desonestos, desqualificados e desequilibrados.

Apesar de uma eleição marcada por uma série de irregularidades e crimes eleitorais gritantes, apesar de Bolsonaro ter ampliado sua votação em 2022 em relação a 2018, e, mais do que a sua gestão catastrófica da pandemia, o deboche como tratou os 700 mil mortos vitimados pela covid-19, deram a terceira vitória presidencial a Lula, ainda que por uma apertada margem de voto. O mito, como os bolsonaristas se referem ao seu líder maior, após derrotado, tentou articular um Golpe de Estado para assaltar o Palácio do Planalto, que restou, como tudo proposto por ele, em um retumbante fracasso, cujo desfecho foi sua prisão, condenado a uma pena de mais de 27 anos de reclusão, com grandes chances de serem cumpridas na Papuda. E assim será o fim do “capitão”, destinado ao esquecimento e ao lixo da história. Falta ainda, entretanto, derrotarmos o bolsonarismo, que continua pulsando em segmentos expressivos da sociedade brasileira.

Lula: ‘queda da pobreza está ligada à menor inflação e maiores salários’

Presidente também lembrou da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil de salário, que entra em vigor a partir de janeiro, e os sucessivos crescimentos da economia acima de 3% desde 2023

 presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, nesta quarta-feira (3), a redução da pobreza e da extrema pobreza no país, anunciada mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o presidente, há mais dinheiro circulando entre os trabalhadores por causa da redução geral dos preços e crescimento dos salários.

“Nós temos hoje a menor inflação acumulada em quatro anos. Hoje, nós temos o maior crescimento do salário mínimo, o maior crescimento da massa salarial deste país. Hoje, nós temos o menor desemprego da história deste país. E hoje, nós temos o menor índice de pobreza de todos os 525 anos de história desse país. Por uma razão muito simples, o dinheiro está chegando na mão do povo”, afirmou durante visita ao polo automotivo do Ceará, em Horizonte. 

O presidente também lembrou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil de salário, que entra em vigor a partir de janeiro, e os sucessivos crescimentos da economia acima de 3% desde 2023.

“É esse país que nós temos que fazer acontecer, todo mundo tem que participar da riqueza produzida. É por isso que nós fizemos o desconto do Imposto de Renda, porque, no Brasil, o rico paga proporcionalmente menos do que o pobre”, observou.

Energia renovável

Em seu discurso após visita à fábrica automotiva, que produzirá carros elétricos, Lula destacou que o Brasil já tem 53% de energia renovável, enquanto países desenvolvidos querem chegar a 40% em 2050.

“É por isso que é importante o carro elétrico, é por isso que é importante a decisão da GM vir para cá, para a gente poder mostrar que este país não deve nada a ninguém”, disse.

Para o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o anúncio reforça a cadeia automotiva nacional e estimula a mobilidade sustentável no país. Ele lembrou que essa é a terceira fábrica automobilística que o presidente Lula reabre.

“Quando o presidente Lula assumiu, a indústria automotiva estava em crise. Inúmeras fábricas fechadas e uma enorme ociosidade. O presidente lançou, logo no início, o carro patrocinado para estimular as vendas. Num único dia foram vendidos 29 mil veículos”, disse. 

Alckmin também lembrou o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB). “E essa nova indústria está aqui representada. É uma indústria inovadora”, completou Alckmin.

Agenda

Mais cedo, ainda no Ceará, Lula participou da entrega das novas carteiras nacionais de docentes a professores do estado, em evento em Fortaleza. Na ocasião, ele também assinou a autorização para a terceira etapa de obras do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará. Com investimento de R$ 181,3 milhões, o ato marca um novo avanço no projeto de implantação da instituição na Base Aérea de Fortaleza.

Fonte: Revista Fórum

Alcolumbre arma ofensiva no Congresso após decisão de Gilmar sobre impeachment no STF

A cúpula do Congresso reagiu imediatamente à decisão de Gilmar Mendes que restringe pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), acirrando a tensão entre os Poderes e levando o Senado a avaliar uma série de medidas legislativas para responder ao movimento da Corte. Com informações do Globo.

A ordem de Gilmar, que passou a exigir que somente a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente pedidos de impedimento, foi classificada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como uma “grave ofensa à separação dos Poderes”.

Alcolumbre citou como possíveis respostas a PEC que limita decisões monocráticas — parada na Câmara — e o projeto que atualiza a lei de impeachment, em tramitação lenta na CCJ do Senado.

Para ele, o Parlamento “está atento e tomando as providências” para reforçar suas prerrogativas. A decisão de Gilmar será julgada pelo plenário virtual do STF a partir de 12 de dezembro.

Entre as propostas mais avançadas no Senado está a revisão da lei de impeachment, relatada por Weverton Rocha (PDT-MA). Senadores planejam usar o texto para restabelecer o poder da Casa de analisar pedidos contra ministros, anulando, na prática, a determinação de Gilmar. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), disse estar pronto para pautar o projeto assim que o relatório for apresentado.

Outra frente é a PEC que cria mandatos para ministros do STF, sob relatoria de Tereza Cristina (PP-MS). Apesar do interesse dos parlamentares, a proposição ainda não tem data para votação.

Câmara acumula projetos contra o STF

Enquanto isso, na Câmara há um pacote robusto de propostas anti-STF aguardando deliberação. Entre elas, a PEC que limita decisões individuais — considerada ainda mais dura que o projeto aprovado nesta semana.

Otto Alencar criticou a demora da Câmara e afirmou que, se a PEC tivesse sido votada antes, o Congresso não estaria diante da decisão “inconsequente” tomada por Gilmar.

Deputados também discutem uma PEC que dá ao Congresso o poder de derrubar decisões do Supremo que “extrapolem os limites constitucionais”.

Outras iniciativas incluem um projeto que duplica de cinco para dez os crimes de responsabilidade aplicáveis a ministros — ampliando as possibilidades de impeachment — e um PL que transfere ao plenário do Senado, e não apenas ao presidente da Casa, a decisão sobre abrir ou não o processo. Esse texto prevê ainda que pedidos sem deliberação por 30 dias passem a trancar a pauta.

Medidas em andamento no Congresso:

• PL que muda a Lei de Impeachment — CCJ do Senado
• PEC que cria mandatos para ministros do STF — CCJ do Senado
• PL que restringe decisões monocráticas — aprovado na CCJ da Câmara, deve ir ao Senado
• PEC das decisões monocráticas — Plenário da Câmara
• PL que cria novos crimes de responsabilidade — Plenário da Câmara
• PL que facilita abertura de impeachment — Plenário da Câmara
• PEC que permite ao Congresso derrubar decisões do STF — Plenário da Câmara

Fonte: DCM

Funcionários da BYD fazem greve por melhores condições de trabalho

Trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho como operários da construção civil e da área metalúrgica

Funcionários da montadora chinesa BYD (Build Your Dreams), localizada em Camaçari, na Bahia, chegam, nesta quarta-feira (3), ao segundo dia de greve. Eles reivindicam melhores condições de trabalho como operários da construção civil e da área metalúrgica. A paralisação foi convocada nacionalmente pelo Movimento Luta de Classes (MLC) contra a escala 6×1 em mais de 15 estados do Brasil.

Na manhã quarta, segundo relatos, os trabalhadores foram recebidos por seis viaturas da polícia da Bahia, que tem ameaçado reprimir os operários com gás de efeito moral.

Centenas de trabalhadores, principalmente da construção civil da planta, estão em protesto do lado externo da empresa para demandar uma mesa de negociação com a gerência da montadora chinesa de carros elétricos.

Entre as reivindicações, estão o pagamento de 30% por insalubridade; aumento do auxílio alimentação e transporte; instalação de bebedouros, vestiários, banheiros e fumódromos; disponibilização de mais ônibus para deslocamento dentro da fábrica, pois os trabalhadores teriam que caminhar mais de 4 km; regularização do pagamento de salários e a atualização do piso salarial.

Os participantes aprovaram a greve geral no dia nacional de paralisação contra a escala 6×1 no Brasil. O protesto é organizado pelo Movimento Luta de Classes (MLC) e pela Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

Veja na íntegra a carta de reivindicação dos trabalhadores

“Os trabalhadores das terceirizadas Terra Construções, Falcão, Valtec, Engenova, realizaram hoje, dia 02 de dezembro de 2025, uma paralisação pacífica no portão de entrada da Montadora chinesa BYD, com o objetivo de denunciar as condições precárias de trabalho dentro da fábrica. Exigimos uma solução imediata para as seguintes reivindicações:

– Pagamento dos 30% de insalubridade
– ⁠Mais banheiros químicos e manutenção da limpeza dos mesmos
– ⁠Basta de assédio moral e ameaças de demissão. Respeito aos direitos e dignidade dos trabalhadores!
– ⁠Aumento do auxílio alimentação e transporte. E transporte para os trabalhadores que moram longe! Muitos trabalhadores tem gastado 600 reais ou mais do próprio salário.
– ⁠Instalação de bebedouros
– ⁠Construção de vestiários e banheiros
– ⁠Construção de fumódromos
– ⁠Cumprimento dos pagamentos de salários, cesta básico e a quinzena, chega de atraso! Atualização do piso salarial e da cesta básica já! O piso atualizado é 2.658 reais, as terceirizadas estão pagando 2.558 reais, ou seja, 100 reais a menos.
– ⁠⁠Disponibilização de mais ônibus para deslocamento dentro da fábrica. Os trabalhadores andam mais de 4 km a pé”.

Fonte: ICL

Israel quer deslocar moradores de Gaza para o Egito ‘nos próximos dias’

Israel anunciou nesta quarta-feira (3) que os habitantes da Faixa de Gaza poderão sair pelo Egito “nos próximos dias”, com base em uma medida contemplada no plano de paz dos Estados Unidos, mas o Cairo negou a informação e pediu a abertura nos dois sentidos.

“Segundo o acordo de cessar-fogo (…) o ponto de passagem de Rafah será aberto nos próximos dias exclusivamente para que os residentes da Faixa de Gaza saiam em direção ao Egito”, afirmou o Cogat, organismo do Ministério da Defesa israelense que supervisiona as atividades civis nos Territórios Palestinos.

O comunicado destaca que a abertura do ponto de passagem será organizada em coordenação com o Egito e a União Europeia, e corresponde a necessidade do estado sionista de tentar se livrar dos palestinos da Faixa de Gaza.

Pouco depois, no entanto, as autoridades no Cairo desmentiram a informação e insistiram que a passagem deve ser aberta nas duas direções.

“Se um acordo for alcançado para abrir a passagem, será nas duas direções, para entrar e sair da Faixa de Gaza, segundo o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, afirmou o serviço estatal de informação em um comunicado, que citou uma fonte oficial egípcia.

O Egito pede de maneira frequente a abertura da passagem para permitir a entrada de ajuda humanitária, conforme o plano dos Estados Unidos.

Duas fontes diplomáticas europeias indicaram à AFP que, a princípio, estavam preparadas para a abertura da passagem de Rafah para pedestres em 14 de outubro, poucos dias após a entrada em vigor da trégua entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas, após um anúncio similar. Mas a medida foi adiada.

A reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, entre Gaza e Egito, é parte do plano de paz do presidente Donald Trump para o território palestino. Também é uma demanda de longa data de várias agências da ONU e outros organismos humanitários. 

O Exército israelense tomou o controle do lado palestino da passagem fronteiriça em maio de 2024, alegando que estava sendo “utilizada com propósitos terroristas” e para a entrada de armas.

Redação com Uol

Ocupação israelense retém 6.000 caminhões de ajuda humanitária

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) afirmou que as autoridades de ocupação retêm cerca de 6.000 caminhões carregados com alimentos e suprimentos de ajuda humanitária, o suficiente para atender às necessidades de Gaza por um período completo. três meses. O carregamento também inclui centenas de milhares de tendas e cobertores destinados a 1,3 milhão de deslocados internos.

O assessor de imprensa da UNRWA, Adnan Abu Hasna, disse a jornalistas que, embora o número de caminhões que entram em Gaza tenha “aumentado nominalmente” em comparação com o período anterior ao cessar-fogo, ainda está muito aquém do necessário para atender às enormes necessidades que o território enfrenta após dois anos de guerra e bloqueio.

Ele afirmou que a ocupação continua a bloquear a entrada de centenas de itens essenciais, incluindo suprimentos médicos, equipamentos de água e saneamento e alimentos básicos.

Ele explicou ainda: “O que tem sido permitido é a entrada de um número limitado de caminhões transportando mercadorias comerciais, enquanto 95% da população da Faixa de Gaza depende de ajuda humanitária e não tem condições de comprar esses materiais”.

Abu Hasna acrescentou que a maioria das pessoas em Gaza perdeu quase completamente seu poder aquisitivo, restando à dependência total da ajuda humanitária a única opção disponível.

Fonte: Monitor do Oriente

Alagoas tem maior taxa de analfabetismo do país; Maceió lidera entre as capitais

Alagoas foi o estado com a maior taxa de analfabetismo do Brasil em 2024. O estado alagoano registrou 14,2% de pessoas de 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever – índice acima da média do Nordeste (11,1%) e mais que o dobro da média nacional (5,3%). Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, divulgados hoje (3) pelo IBGE.

Em relação a 2023, quando o indicador estava em 14,1%, os números mostram estabilidade, enquanto o Brasil e o Nordeste apresentaram pequena redução.

Entre as capitais brasileiras, Maceió aparece com 6,4% de pessoas analfabetas, o maior percentual do país. Na sequência, aparecem Rio Branco (5,6%), Macapá e Fortaleza (5,1%), Teresina (4,8%), João Pessoa (4,5%), Recife (4,1%) e Aracaju (3,9%).

Já as capitais com as menores taxas de analfabetismo são Florianópolis e Porto Alegre (1,0%), Rio de Janeiro (1,2%), Curitiba e Belo Horizonte (1,3%), Campo Grande e Vitória 1,6%), São Paulo, Salvador e Manaus (1,7%).

Frequência escolar
Outros aspectos da educação em Alagoas revelam um cenário de avanços importantes no acesso inicial à escola, mas também de persistência de desafios estruturais.

As taxas de frequência escolar líquida mostram que o ensino fundamental está praticamente universalizado no estado, com mais de 94% de frequência entre crianças de 6 a 14 anos.

Entretanto, a continuidade escolar enfrenta forte queda à medida que avançam as séries e a idade dos estudantes. Entre jovens de 15 a 17 anos (ensino médio), a frequência escolar líquida cai para 69,8%.

Essa queda se acentua ainda mais no ensino superior, no qual somente 18,2% dos jovens de 18 a 24 anos apresentam taxa de frequência escolar líquida em cursos universitários – menor percentual do país.

Outro ponto revelado pelas estatísticas é o tamanho das turmas na rede pública. Na educação básica, Alagoas apresenta turmas com média de 18 alunos na educação infantil (creche e pré-escola), 25 no ensino fundamental e 37 no ensino médio.

Desafios estruturais
Segundo Neison Freire, chefe da Seção de Disseminação de Informações do IBGE em Alagoas, apesar dos avanços na garantia de acesso à educação, o estado ainda enfrenta desigualdades persistentes, que se refletem em déficits históricos de escolaridade adulta, baixa conclusão dos estudos, queda acentuada na transição entre os diferentes níveis de ensino e, sobretudo, na manutenção da maior taxa de analfabetismo do Brasil.

“Esses indicadores mostram que o estado avança, mas ainda de forma insuficiente para superar obstáculos acumulados ao longo de décadas. O analfabetismo em Alagoas permanece como um dos nossos maiores desafios estruturais. Enquanto o Brasil e o Nordeste apresentaram redução, o estado manteve estabilidade num patamar ainda elevado. O fato de Maceió registrar a maior taxa entre as capitais reforça que o problema é generalizado e não restrito ao interior. Monitorar esses indicadores é essencial para orientar políticas públicas que promovam inclusão, permanência escolar e redução das desigualdades educacionais”, afirmou Neison Freire.

Mais sobre a pesquisa

A Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025 tem como objetivos sistematizar e apresentar um conjunto de informações relacionadas à realidade social do país, a partir de temas estruturais de grande relevância.Nesta edição, os temas estão organizados em três eixos fundamentais e complementares: Estrutura econômica e mercado de trabalho; Padrão de vida e distribuição de rendimentos; e Educação.

Fonte: Tribuna Hoje

PF faz busca e apreensão na 13ª Vara, onde Sergio Moro foi juiz

Ação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli e investiga documentos que a Justiça Federal do Paraná não havia entregado ao Supremo

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (3) um mandado de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Lava Jato. A operação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a unidade não entregar documentos requisitados pela Corte.

Segundo o STF, a Justiça Federal do Paraná deixou de atender pedidos reiterados de envio dos documentos relacionados ao caso, o que levou à autorização da busca.

Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e hoje senador pelo União Brasil, comandou a 13ª Vara durante os anos em que os casos da operação eram julgados em Curitiba.

A diligência teve como objetivo localizar papéis, mídias e materiais ligados ao inquérito que apura as acusações feitas pelo ex-deputado estadual Tony Garcia. Ele afirma que atuou como “agente infiltrado” em investigações conduzidas por Moro no caso Banestado.

Garcia relata que parte das provas estaria armazenada na 13ª Vara. Ele acusa Moro de ter ordenado gravações clandestinas e ações de espionagem, incluindo monitoramento de autoridades com foro privilegiado. A delação do ex-deputado está sob análise do STF desde 2023.

As acusações reacendem o debate sobre procedimentos adotados na Lava Jato, que já foi alvo de decisões judiciais que anularam atos e questionaram a condução da operação.

Moro nega todas as acusações. A defesa do senador afirma que ainda não teve acesso ao inquérito, mas sustenta que as apurações irão comprovar a correção dos procedimentos adotados por ele.

Nota na íntegra da defesa de Moro

A defesa do senador Sergio Moro não teve acesso aos autos do inquérito, instaurado com base em um relato fantasioso de Tony Garcia. Não houve qualquer irregularidade no processo de quase 20 anos atrás que levou à condenação de Tony Garcia por ter se apropriado de recursos de consorciados do Consórcio Garibaldi. Como o próprio PGR afirmou, não há causa para competência do STF no inquérito, já que não há sob investigação ato praticado por Sergio Moro na condição de senador ou ministro.

O senador não tem qualquer preocupação com o amplo acesso pelo STF aos processos que atuou como juiz. Essas diligências apenas confirmarão que os relatos de Tony Garcia são mentirosos.

Fonte: ICL

Presidente da Alerj é preso em operação que envolve o Comando Vermelho

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), foi preso pela Polícia Federal nesta quarta (3) na Operação Unha e Carne. Segundo a corporação, ele é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, quando o então deputado estadual TH Joias foi preso.

A ordem de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão, foi expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF afirma que o vazamento comprometeu diretamente o avanço das investigações. Para o órgão, houve “atuação de agentes públicos envolvidos no vazamento de informações sigilosas”, o que teria levado à obstrução da operação que mirava a atuação de grupos criminosos no Rio.

Ao todo, foram cumpridos um mandado de prisão, oito de busca e apreensão e um de intimação para medidas cautelares. A operação ocorre no contexto da decisão do STF na ADPF das Favelas, que determinou investigações sobre facções violentas no estado e suas conexões com agentes públicos. A Corte havia delegado à PF a apuração estruturada desses vínculos. Bacellar, segundo a investigação, interferiu no sigilo da apuração.

TH Joias, alvo da operação anterior, foi preso em 3 de setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele era suspeito de negociar armas e acessórios para o Comando Vermelho. A prisão ocorreu em duas ações simultâneas, uma autorizada pelo Tribunal Regional Federal e outra pelo Tribunal de Justiça do Rio. Ambas apontavam para um esquema de favorecimento ao grupo criminoso.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) afirma que TH utilizou o mandato para beneficiar a facção, inclusive nomeando comparsas para cargos na Alerj. Na Operação Zargun, a PF cumpriu 18 mandados de prisão, 22 de busca e apreensão e sequestrou bens avaliados em R$ 40 milhões. O esquema envolveria chefes do CV, agentes públicos, um delegado federal, policiais militares e ex-secretários.

Segundo a PF, a organização criminosa se infiltrou na administração pública para acessar informações sigilosas e garantir proteção às atividades ilícitas. As investigações apontam ainda importação de armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais. Os alvos respondem por organização criminosa, tráfico internacional, corrupção e lavagem de dinheiro.

No âmbito estadual, o Ministério Público denunciou TH e outras quatro pessoas na Operação Bandeirante por associação ao tráfico e comércio ilegal de armas de uso restrito. A denúncia relata vínculos com o Comando Vermelho nos complexos da Maré, Alemão e Parada de Lucas e movimentação de grandes quantias em espécie para financiar atividades da facção.

A operação desta quarta foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio (Ficco/RJ), que reúne PF, MPF, Polícia Civil e Ministério Público estadual. As medidas cumpridas ocorreram em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia e Copacabana, dentro de uma investigação que busca mapear conexões entre agentes públicos e o crime organizado.

Fonte: DCM

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