O Ministério dos Transportes decidiu avançar com a concessão de nove terminais ferroviários de carga existentes hoje sob o comando da estatal Infra S.A. e de 12 novas áreas no entorno da FNS (Ferrovia Norte-Sul) em trechos que passam por Tocantins, Goiás e São Paulo.
Com o aval do ministro Renan Filho, o pacote será enviado ao PPI (Programa de Parceria de Investimentos) nesta semana, segundo o secretário-executivo do ministério, George Santoro.
O projeto estava parado desde o governo Jair Bolsonaro, travando investimentos de ao menos R$ 1 bilhão nesses terminais logísticos após questionamentos judiciais da Rumo Malha Central, concessionária de um dos trechos da FNS.
Em um dos trechos, o do Terminal Granéis Líquidos de Santa Helena, em Goiás, a Granel Química, que arrematou a área, desistiu após a concessionária entrar na Justiça contra o certame.
Esse movimento gerou insegurança jurídica, afastando investidores privados interessados.
Segundo Santoro, com a consulta pública sobre a política do governo de desestatizações no setor, foi possível acabar com lacunas jurídicas nos editais e o processo deve avançar.
Ainda segundo o secretário, em Santa Izabel (GO), a prefeitura cedeu uma área para um grupo, que passou a ter acesso à ferrovia —livre de custos, o que foi questionado por depreciar o bem público.
“Com a nova política pública resolvemos essas lacunas”, disse Santoro.
O eventual sucesso do leilão abrirá espaço para que o governo realize outros similares com áreas no entorno da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), uma das prioridades da pasta.
“Um dos objetivos [com esses leilões] é tornar a Infra S.A. independente financeiramente em dois ou três anos com as receitas geradas pela carteira desses projetos.”
O Comitê das Nações Unidas contra a Tortura encontrou evidências críveis de que Israel opera uma “política estatal de facto de tortura e maus-tratos organizados e generalizados”, alertando que tais práticas podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e podem atender aos critérios legais para [informação faltante]. genocídio.
Em suas observações finais sobre a sexta revisão periódica de Israel, o Comitê afirmou estar “profundamente preocupado” com as múltiplas e graves alegações de tortura e maus-tratos contra palestinos privados de liberdade, incluindo crianças. Descreveu ainda que a situação se “intensificou gravemente” desde 7 de outubro de 2023.
O relatório da ONU lista alegações detalhadas de abusos, baseadas em depoimentos de grupos de direitos humanos, especialistas médicos e dos próprios detidos. Entre as denúncias, estão espancamentos com cassetetes e coronhadas de fuzil, chutes na cabeça e nos genitais, eletrocussão, inclusive nos genitais e no ânus, afogamento simulado, posições de estresse prolongadas, violência sexual, incluindo estupro, abuso sexual, nudez forçada e ameaças sexuais, uso de cães de ataque, exposição a frio ou calor extremos, incluindo o uso de água fervente. As vítimas relataram terem sido urinadas, forçadas a usar fraldas ou obrigadas a agir como animais. Muitas eram acorrentadas o tempo todo, vendadas e alimentadas por canudo.
“O Comitê expressa sua profunda preocupação com as alegações de repetidas agressões severas, ataques de cães, eletrocussão, afogamento simulado, uso de posições de estresse prolongadas, violência sexual, ameaças contra detidos e seus familiares, insultos à dignidade pessoal e humilhações, como serem obrigados a agir como animais ou serem urinados, negação sistemática de cuidados médicos, uso excessivo de algemas, em alguns casos resultando em amputação, realização de cirurgias sem anestesia, exposição a frio ou calor extremos, incluindo água fervente”, afirmou a ONU.
Em sua lista de graves violações cometidas por Israel, o Comitê incluiu: “negação de nutrição e água adequadas, privação de roupas, sono e acesso a instalações e produtos de higiene, incluindo produtos de higiene feminina, privação de luz ou escuridão, uso de música e ruídos altos, negação do direito à livre prática religiosa e o uso forçado de medicamentos alucinógenos, de forma discriminatória, contra palestinos, e para fins que incluem a extração de informações ou confissões e como meio de punição, inclusive coletiva.”
O Comitê expressou alarme com o uso, por Israel, da Lei de Combatentes Ilegais para deter crianças, idosos e mulheres grávidas sem acusação formal. Observou que muitos detidos foram mantidos em confinamento solitário, privados de acesso à família, assistência jurídica, educação ou mesmo higiene básica, alimentação e água.
Relatou ainda que 75 detidos palestinos morreram sob custódia israelense desde 7 de outubro de 2023, muitos apresentando sinais de inanição, ferimentos não tratados, desidratação e sinais de tortura. As famílias frequentemente não eram informadas, o que configura desaparecimento forçado segundo o direito internacional. Apesar dessas mortes, o Comitê observou que nenhum funcionário israelense foi responsabilizado.
O Comitê concluiu que os atos de tortura e maus-tratos cometidos contra palestinos privados de liberdade podem ser considerados crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O Comitê fez referência às conclusões anteriores da Comissão de Inquérito da ONU de que tais atos podem fazer parte do actus reus do genocídio — um termo em latim que se refere ao “ato ilícito” ou ao componente físico de um crime, neste caso, a prática deliberada de causar danos a um grupo protegido.
O Comitê instou Israel a cessar imediatamente o uso de tortura e maus-tratos, conceder acesso irrestrito a todos os centros de detenção a monitores independentes, estabelecer uma comissão de inquérito independente, investigar e processar todos os funcionários responsáveis, incluindo militares e oficiais de inteligência, e revogar ou emendar as leis que permitem a detenção arbitrária e garantir a proteção de detidos vulneráveis, especialmente crianças.
De janeiro a outubro, a capital teve 53 casos, o número mais alto desde o início da série histórica em 2015. No estado de SP, foram 207 feminicídios neste ano e, no mesmo período de 2024, 191.
Em 2025, a cidade de São Paulo registrou o maior número de casos de feminicídio para um ano desde que a série histórica foi iniciada, em abril de 2015. Entre janeiro e outubro, foram 53 ocorrências.
Mesmo sem os dados de novembro e dezembro, o ano já acumula o recorde de casos de feminicídio na capital paulista.
Os dados foram levantados pela GloboNews com base nos números divulgados no Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo.
São considerados apenas os feminicídios consumados, ou seja, não estão inclusas as tentativas de feminicídio, como o caso da mulher que foi atropelada e arrastada por mais de 1 km no sábado (29) (leia mais abaixo).
Mulher teve pernas amputadas após ser arrastada por homem por mais de 1 km em SP — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
FEMINICÍDIOS NA CIDADE DE SP
2025 (até out): 53
2024: 51
2023: 38
2022: 41
2021: 33
2020: 40
2019: 44
2018: 29
2017: 26
2016: 13
2015 (a partir de abril): 6
Fonte: SSP
🔍 O crime de feminicídio foi tipificado em lei federal em março de 2015. A partir disso, os casos começaram a ser contabilizados separadamente de outros tipos de homicídio. A lei considera feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. As penas variam de 12 a 30 anos de prisão.
Feminicídios na cidade de São Paulo, segundo a SSP. — Foto: Arte/GloboNews
Cidade de São Paulo registra 1º semestre com maior número de feminicídios da história
Em todo o estado de São Paulo, foram registrados 207 feminicídios entre janeiro e outubro deste ano. No mesmo período do ano passado, foram 191. Um aumento, portanto, de 8% considerando os dez primeiros meses do ano.
De acordo com Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), o número maior de registro de casos pode ser explicado não somente pelo aumento da misoginia, ou o ódio pelas mulheres, como também por causa da Lei do Feminicídio, que tipifica o crime como homicídio qualificado e crime hediondo.
“Uma hipótese que tínhamos com a nova lei, tendo o feminicídio como crime autônomo, era de passarmos também um período em que isso iria contribuir para o crescimento dos números”, afirma.
“Por um lado, cresce mesmo a violência contra a mulher. E, por outro, as autoridades estão ficando mais preparadas para olhar para a morte violenta e intencional de mulheres com essa perspectiva de gênero que leva à classificação como feminicídio.”
No entanto, a coordenadora do Lesfem lembra que a questão do feminicídio é transversal, não se limitando somente à segurança pública. “Políticas de educação, saúde, assistência social, renda, trabalho e habitação precisam estar integradas nesse processo de prevenir a violência contra a mulher e estancar essa violência para que não chegue ao feminicídio”, segundo Silvana.
Sobre esse aumento, a Prefeitura de São Paulo disse, em nota, que possui diversas iniciativas e serviços para o atendimento de mulheres em situação de violência, como as Casas da Mulher e o programa Guardiã Maria da Penha da Guarda Civil Metropolitana, que já atendeu a mais de 20 mil mulheres.
O governo do estado disse que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade e destacou iniciativas como a ampliação de 142 delegacias de defesa da mulher e o app Mulher Segura, que possui botão de pânico para pedidos de ajuda.
Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu após a vítima, Tainara Souza Santos, sair de um bar no Parque Novo Mundo, na Zona Norte. Ela, que é mãe de dois filhos, um de 12 e uma de 7 anos, foi levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, na Vila Maria, também na Zona Norte. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso.
Já na segunda-feira (1°), um homem atirou seis vezes, usando duas armas ao mesmo tempo, contra a ex-companheira Evelin de Souza Saraiva, de 38 anos, no bairro Jardim Fontalis, na Zona Norte de São Paulo.
A tentativa de feminicídio ocorreu dentro de uma pastelaria onde Evelin trabalha, e foi registrada por uma câmera de segurança. A vítima foi socorrida pelo helicóptero Águia da PM e levada para o Hospital das Clínicas. Passou por cirurgia e está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O quadro é considerado delicado.
Bruno Lopes Barreto fugiu do local em uma moto após o crime e, até a última atualização desta reportagem, permanecia foragido. Um pedido de prisão temporária foi feito à Justiça.
O que dizem a prefeitura e o governo de SP
Abaixo, veja a íntegra da nota da Prefeitura de SP:
“A Prefeitura de São Paulo possui diversas iniciativas e serviços para o atendimento a mulheres vítimas de violência. Uma delas é o programa Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que já atendeu mais de 20 mil mulheres, acompanha outras 6 mil e conta com 23 viaturas para patrulhamento na capital – no último ano essa frota quase dobrou. Além disso, a corporação tem uma Inspetoria de Defesa da Mulher e Ações Sociais (IDMAS), formada por 165 agentes especializados. As mulheres atendidas também conseguem acesso ao Aplicativo da Mulher, integrado ao Smart Sampa, que permite monitoramento constante e o acionamento imediato de viaturas, garantindo resposta rápida em situações de emergência.
Nas áreas de assistência social e direitos humanos, a rede municipal conta hoje com cerca de 70 serviços ativos, entre eles as Casas da Mulher, os Centros de Defesa e Convivência da Mulher, a Casa da Mulher Brasileira (aberta 24 horas) e unidades sigilosas para mulheres em risco de morte. Desde 2021, já foram entregues 19 novos equipamentos exclusivos para mulheres, como Centros de Acolhida e Repúblicas. A Prefeitura ainda oferece o Auxílio Ampara, destinado a crianças e adolescentes que perderam suas mães ou responsáveis vítimas de feminicídio, e o auxílio-aluguel para mulheres vitimizadas e seus filhos menores de 18 anos. As políticas incluem também serviços especializados de acolhimento, orientação jurídica, apoio psicológico e atendimento socioassistencial.”
Abaixo, veja a íntegra da nota do governo de SP:
“A SSP destaca que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo. A pasta mantém diversas iniciativas voltadas ao tema, entre elas a Cabine Lilás, que já realizou cerca de 14 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência em todo o Estado de São Paulo. Criada de forma inédita no âmbito do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), a Cabine Lilás oferece atendimento humanizado por policiais femininas treinadas para acolher e orientar vítimas de violência doméstica. As agentes fornecem informações sobre medidas protetivas, canais de denúncia e serviços de apoio, além de despachar viaturas quando necessário. O projeto, inicialmente implantado na capital, foi ampliado para a Grande São Paulo e para o interior, com unidades nas regiões de Campinas, São José dos Campos, Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba, Presidente Prudente e Piracicaba.
Mais proteção às mulheres
Entre as iniciativas da SSP, cabe também ressaltar as 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) territoriais – duas inauguradas no atual governo – e as salas DDM 24h, que foram ampliadas em 174,1% na atual gestão, com um total de 170 espaços em plantões policiais, para que as vítimas sejam atendidas por videoconferência por uma delegada mulher. As DDMs de todo o estado também tiveram reforço em seu efetivo com 473 novos policiais, enquanto as vagas da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial – Dejec para policiais civis atenderem na DDM online, de forma voluntária em sua folga, dobrou, passando de 140 para 280.
Há que mencionar, ainda, o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro de boletim de ocorrência e possui botão de pânico para pedidos de ajuda; e o tornozelamento eletrônico de autores de violência doméstica, que atualmente monitora 191 infratores, dos quais 89 já foram presos por descumprimento de medidas impostas pelo judiciário.”
Segundo o governo, a medida pode reduzir em até 80% o custo total da CNH
O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) aprovou uma resolução, nesta segunda-feira (1º), que acaba com a obrigatoriedade das aulas em autoescola para a prova de carteira de motorista.
A decisão foi tomada por unanimidade e a resolução passará a valer com a publicação no Diário Oficial da União.
O fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para a obtenção da CNH é uma bandeira do ministro dos Transportes, Renan Filho. A medida faz parte de um plano para reduzir o custo e as exigências para a emissão do documento.
Sancionado no último dia 26, aumento da faixa isenta será compensado com tributação sobre altas rendas. Mudança vai isentar de IR quem ganha até R$ 5 mil por mês, começará a valer em 2026 e deve injetar R$ 28 bi na economia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu neste domingo (30) a taxação de pessoas de alta renda para compensar a nova faixa de isenção do Imposto de Renda.
Em pronunciamento transmitido em cadeia nacional de rádio e TV, o petista afirmou que a “elite brasileira” acumula privilégios e chamou de “vergonhoso” o fato de o grupo “pagar menos Imposto de Renda que a classe média e os trabalhadores”.
Segundo Lula, a ampliação será custeada por “0,1% da população” brasileira, que passará a pagar mais impostos “para dar um alívio às famílias que trabalham, lutam e movem esse país”.
Além de isentar de IR quem ganha até R$ 5 mil por mês, a nova lei também cria um desconto para os contribuintes que ganham até R$ 7.350 mensais.
Para compensar as reduções no imposto, o texto prevê uma tributação mínima para pessoas com alta renda, criando uma alíquota progressiva de até 10% aos que recebem mais de R$ 600 mil por ano.
As regras começarão a valer já em 2026 e vão impactar a declaração do Imposto de Renda feita em 2027.
O aumento da faixa isenta de IR é uma das principais promessas de campanha de Lula. Auxiliares do petista avaliam a medida como um “trunfo” para as eleições de 2026, quando o presidente deve disputar um quarto mandato.
Além das mudanças no Imposto de Renda, o petista aproveitou o pronunciamento para mencionar uma série de avanços em outros programas sociais, como o Bolsa Família.
Ele também fez referência ao mote de uma campanha publicitária da Secretaria de Comunicação da Presidência sobre a nova faixa de isenção do IR — batizada de “Brasil mais justo”.
“Nosso governo está do lado do povo brasileiro, construindo um país mais próspero, mais forte e, principalmente, mais justo”, disse.
Campanha publicitária do governo federal sobre a nova isenção do IR — Foto: Reprodução
Mais dinheiro na economia
O presidente afirmou que cálculos da Receita Federal apontam que, em 2026, as mudanças no Imposto de Renda devem injetar R$ 28 bilhões na economia do país.
“Mais do que uma correção da tabela do imposto de renda, a nova lei ataca a principal causa da desigualdade no Brasil: a chamada injustiça tributária”, disse Lula.
Lula sanciona lei com isenções de Imposto de Renda
Segundo Lula, o governo federal está focado em combater os privilégios de “poucos para defender os direitos e as oportunidades de muitos”.
“Quem mora em mansão, tem dinheiro no exterior, coleciona carros importados, jatinhos particulares e jet-skis, paga dez vezes menos do que uma professora, um policial ou uma enfermeira”, afirmou.
“Imagina uma pessoa lutar para ter uma moradia digna, andar de ônibus, se esforçar para comprar um carro, e pagar 10 vezes mais imposto de renda do que os bilionários do nosso país. Isso é inaceitável. Era preciso mudar. E nós estamos mudando”, acrescentou.
Fora do país, deputados mantêm seus gabinetes ativos na Câmara
Os deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tiveram seus salários e valores de cota parlamentar cortados pela Câmara, mas os gabinetes dos três seguem ativos e gerando custos aos contribuintes.
Segundo a Câmara dos Deputados, cada parlamentar tem direito a R$ 133.170,54 para contratar até 25 funcionários, com salários que vão individualmente até R$ 18.179,88.
Juntos, Ramagem, Zambelli e Eduardo têm 27 funcionários, a um custo de cerca de R$ 400 mil.
Em setembro, Ramagem foi condenado pela primeira turma do STF (Supremo Tribunal Federal) a 16 anos e um mês de prisão, por participação na trama golpista. O último salário dele que consta no site da Câmara foi pago em setembro, no valor de R$ 46.366,19.
Ramagem ainda recebeu valores da cota parlamentar em outubro (R$ 20.848,29) e novembro (R$ 230,00). Esse valor mensal, a que todo parlamentar tem direito, corresponde ao custo de despesas típicas do exercício do mandato parlamentar, como aluguel de escritório de apoio ao mandato no estado, passagens aéreas, alimentação, aluguel de carro, combustível, entre outras.
Já Zambelli teve salário pago até maio deste ano. A deputada foi presa na Itália, em julho, após fugir pelos Estados Unidos. Em junho, o STF decretou a prisão definitiva parlamentar para o início do cumprimento da pena pelos crimes de falsidade ideológica e invasão do sistema de informática do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, foi pago até julho. Neste ano, ele recebeu salário integral somente até março porque se licenciou do mandato por 120 dias — prazo que terminou em 20 de julho.
Em julho, o deputado recebeu R$ 0,03 de cota parlamentar; em agosto, mais R$ 1 de valores residuais.
Diferente dos outros dois, Eduardo não tem condenação pelo STF. Ele se tornou réu na Corte, na semana passada, acusado de articular sanções ao Brasil e autoridades brasileiras.
Suspensão de mandatos
Condenados ou não, os três parlamentares só devem perder o mandato quando atingirem a tolerância de faltas. Os três precisam ter presença em 1/3 das sessões do plenário. Isso só deve ocorrer, no entanto, em 2026.
Ao contrário do que o Supremo entende, o legislativo tende a adotar o rito apontado pela Constituição, que demanda análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e depois do plenário da Casa. A perda de mandato por faltas seria uma saída intermediária.
Os professores Everaldo de Oliveira Andrade e Lincoln Secco, docentes do Departamento de História da FFLCH/USP, foram alvos de adesivos e pichações em seus gabinetes no dia 25 de novembro de 2025. Esses atos, que difamam como “apoio ao terrorismo islâmico” o legítimo e necessário posicionamento em defesa do povo palestino e pelo fim do genocídio em Gaza, são gravíssimos. São, ao mesmo tempo, caluniosos, islamofóbicos e antissemitas por usarem símbolos destas tradições culturais religiosas. Os agressores fazem instrumentalização reacionária de símbolos religiosos e políticos, tão comum em setores de extrema direita que confundem crítica ao sionismo de Estado com preconceito contra judeus, prática condenada por judeus progressistas e pela esquerda internacional. O professor Everaldo de Oliveira Andrade é militante do PT do Tucuruvi, presidente da Associação de História (ANPUH-SP), integrante do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo e diretor científico Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa, que busca presevar a história do movimento operário e antifascista no Brasil que homenageia o filiado No. 1 do PT. O professor Lincoln Secco, filiado ao PT do Butantã, um dos fundadores do Núcleo de Estudos d’O Capital do PT e da Revista Mouro e integrante do Grupo de Estudos de História e Economia Política – GMARX, personificam o compromisso histórico do nosso partido com a solidariedade internacional entre os povo e da defesa da universidade pública de modo ativo no debate contra a opressão. Ambos estiveram junto com diversos outros docentes, na mobilização pela ruptura dos convênios da USP com instituições israelenses e foram fundamentais na criação do Centro de Estudos Palestinos da FFLCH, coordenado pela professora Arlene Clemesha. Atacá-los é atacar não apenas indivíduos, mas um coletivo acadêmico e político que resiste à normalização do genocídio e à censura nas universidades.
Diante disso, diversas entidades e movimentos estão manifestando solidariedade aos professores Everaldo, Lincoln e demais docentes e exigindo que as autoridades da USP adotem medidas para identificar e responsabilizar os autores desses atos, desta tentativa de intimidação inaceitável e reafirmam o compromisso intransigente com a solidariedade ao povo palestino, com o antirracismo, com a liberdade de cátedra e com a defesa da universidade como espaço de verdade, justiça e resistência.
Isso aconteceu em Jerusalém, minutos antes do início de uma peça musical infantil denominada “Sonhos Sob a Oliveira”
Em matéria publicada pelo jornal Haaretz, a articulista israelense palestina, Hanin Majadli, intitulada “Trauma sob Oliveira”, conta a invasão policial israelense, minutos antes do início de uma apresentação infantil de uma peça musical denominada “Sonhos Sob a Oliveira”.
A invasão foi determinada pelo ministro de Segurança de Israel, o fascista Itamar Ben-Gvir:
“Eu vi as imagens da violenta e francamente fascista invasão policial ao Teatro El- Hakawati”, diz Majadli em seu artigo.
Nas imagens filmadas podemos ver “crianças lindas e animadas, vestidas com fantasias, prendendo a respiração enquanto se preparam para subir ao palco”, prossegue.
CAPANGAS DE GVIR
“De repente”, denuncia, “a gangue de capangas de Itamar Ben-Gvir invade o local gritando, como se tivessem descoberto o esconderijo de uma ‘célula terrorista’”.
Em seu depoimento emocionado, a articulista comenta que “em seu mundo distorcido, essas crianças são ‘pequenos terroristas’, então a crueldade da polícia é apropriada à situação, como uma luva na mão, natural e justificada. ‘Estão ouvindo o que eu estou dizendo? Estão ouvindo? Cinco minutos – todos fora daqui!’, gritam eles, e com isso, o mundo virou de cabeça para baixo”.
“Perseguiam crianças de 5, 7 e 10 anos vestidas com fantasias de uma peça que jamais será encenada. Ela foi engolida pelo drama muito mais sombrio do fascismo israelense”, enfatiza a jornalista.
“Esse momento quase certamente marcará o primeiro trauma pessoal que as crianças vivenciarão nas mãos de Israel e dos israelenses. Elas não precisarão de livros didáticos para gravar em seus corações quem as assusta”, afirma Majadli.
“Os israelenses sempre alegaram – e essa era uma das principais alegações contra os palestinos – que as escolas palestinas “ensinam o ódio” ao Estado de Israel e aos israelenses. Mas as verdadeiras lições vêm da escola da vida: os policiais que gritam com seus pais, os soldados que atiram em seus irmãos , o Estado que envia seus agentes para destruir um pequeno sonho justamente quando ele está prestes a se realizar em um palco em Jerusalém Oriental”.
PROJETANDO SEU NAZISMO
“Não posso deixar de relacionar o incidente das crianças assustadas no teatro em Jerusalém Oriental a um vídeo divulgado há alguns dias, no qual Yotam Zimri e Gadi Taub conversam com uma seriedade deplorável sobre como nem mesmo a ‘desnazificação’ ajudará a resolver a situação com os palestinos. É assim que eles nos veem”.
“Essa é a profundidade com que essa desumanização se infiltrou. Os dois acreditam que estão revelando algo sobre os palestinos, a ‘nazificação’ dos palestinos, mas, na realidade, estão revelando sua própria fantasia sombria de ‘reeducar’ um povo inteiro”, diz Majadli em seu curto, mas impressionante depoimento.
“Se os israelenses insistem em viver nessa fantasia de desnazificação, deveriam se perguntar por que ela deveria ser usada contra a vítima. Afinal, a desnazificação é para quem comete o crime, não para a vítima. Mas num país que há anos confunde vítima com agressor, essa lógica soa tão natural quanto tratar crianças pequenas como se fossem células terroristas”, conclui Majadli.
Conforme denúncia, alunos marcham e cantam versos que falam em ‘entrar na favela e deixar corpo no chão’
Um vídeo que registra práticas de doutrinação e apologia à violência em um colégio cívico-militar de Curitiba foi divulgado na sexta-feira (28) pela Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato). Na gravação, adolescentes, sob orientação de um policial militar, aparecem marchando e entoando versos que falam em “entrar na favela e deixar corpo no chão”. O sindicato não revelou o nome da escola.
A seguir, a letra cantada pelos estudantes:
“Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assusta o satanás. Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar corpo no chão. O Bope tem guerreiros que matam fogueteiros. Com a faca entre os dentes, esfola eles inteiros. Mata, esfola, usando sempre o seu fuzil.”
Segundo a presidente da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, situações semelhantes têm sido denunciadas desde a criação do programa. “É chocante ver a escola pública ser usada para promover doutrinação extremista que estimula ódio, violência e o extermínio de comunidades periféricas”, afirmou.
Apesar de o programa de colégios cívico-militares ser alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo do Paraná ampliou sua adoção. Neste mês, anunciou a inclusão de mais 33 escolas, somando agora 312 unidades militarizadas.
As unidades contam com policiais militares aposentados atuando como monitores. Conforme a APP-Sindicato, esses profissionais recebem R$ 5,5 mil –valor superior ao salário de professores, que é de R$ 4,9 mil — embora não tenham formação para trabalhar com estudantes.
Secretaria de Educação diz que vai apurar o caso
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR) informa que, ao tomar conhecimento do vídeo divulgado nesta sexta-feira (28), solicitou imediatamente informações à direção da escola e aos profissionais envolvidos.
Essa é a primeira medida adotada para esclarecer com precisão as circunstâncias do ocorrido.
O conteúdo registrado não condiz com as diretrizes, princípios e orientações da rede estadual de ensino.
A SEED-PR repudia qualquer manifestação que estimule violência ou discriminação e reforça seu compromisso com uma educação pública pautada pelo respeito, pela inclusão e pela proteção integral dos estudantes.