UM ANO DE DEFINIÇÕES

Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor

O ano que se inicia será fundamental para a consolidação da democracia brasileira, o que não significa que não haverá resquícios do discurso do totalitarismo que marcou a última década em nosso país. O ano de 2026 trará algumas definições sobre qual o projeto de país que a sociedade brasileira irá optar. As pesquisas de opinião pública revelam que o Brasil está dividido dentro do conceito histórico e ideológico, desde a Revolução Francesa, que contrapõe as forças políticas entre esquerda e direita. Apesar de termos retomado a normalidade democrática nas últimas eleições de 2022, o que observamos é um rigoroso equilíbrio entre os segmentos progressistas e conservadores no nosso país e no mundo.

Não resta dúvida que o debate predominante nacionalmente em 2026, serão as eleições presidenciais e também para os governos estaduais, senadores, deputados federais e estaduais. E mais uma vez o embate será entre o campo popular, identificado com a candidatura a reeleição do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, unindo do centro a Centro esquerda e esquerda e uma candidatura que representará menos o centro e mais o centro direita, capitaneada, entretanto, por um candidato aliado à extrema direita bolsonarista, até o presente momento tendo como candidato indicado pelo próprio Bolsonaro, o seu filho Flávio, que poderá ser substituída eventualmente pela candidatura do atual governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.

Esta indefinição ocorre em razão da cisão dos setores direitista, que não conseguem identificar uma candidatura que consiga costurar sua unificação. Com a prisão de Jair Bolsonaro, pelos diversos crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito e as instituições, desaparece do cenário político o candidato natural deste segmento doutrinário. Particularmente não acredito na candidatura colocada pela extrema direita, que receberá o apoio da centro direita e menos de centro no espectro político nacional. No caso a candidatura de Flávio Bolsonaro, um político extremamente vulnerável moralmente e extremamente limitado intelectual e culturalmente.

Outro epicentro que provavelmente tambem dominará a narrativa política em 2026, que começou a se delinear no ano passado, é a possibilidade concreta da prisão do ex-juiz da 13a Vara Federal de Curitiba e atual Senador Sérgio Moro (União Brasil/PR), em razão das graves denúncias, concretamente embasadas em sólidas provas, da sua atuação criminosa quando esteve a frente da malfadada e de triste lembrança Operação Lava Jato, a maior fraude da história judiciária e política do Brasil e possivelmente do mundo. Será muito difícil o ex-Ministro da Justiça do governo Bolsonaro, que condenou Lula a prisão prolatando a frágil sentença do que classificou de “atos de ofício indeterminados”, escapar da cassação e posterior encaminhamento ao presídio já em meados deste ano que está apenas começando.

É realmente inacreditável como um inexpressivo e mediocre juiz de primeira instância conseguiu acumular tanto poder a partir da Vara Federal em que atuava na cidade de Curitiba, para, em conluio com a força-tarefa do Ministério Público do Paraná, liderada pelo evangélico promotor Deltan Dallagnol, cúmplice de Moro nas dezenas de crimes cometidos pela organização criminosa da Lava Jato ao longo de anos, simplesmente colocar em cheque a democracia brasileira, além de destruir a economia nacional, particularmente a nossa Construção Civil, levando ao desemprego centenas de milhares de pessoas que trabalhavam nos setores atingidos pelas garras dos promotores estelionatários do MP paranaense. Dito isto, a tese de que a operação Lava Jato começou realmente em Washington tem lógica.

Um terceiro cenário dominante que também começou a se descortinar para este ano, não por acaso ano eleitoral, se dará a partir da gravíssima “denuncia” feita pela jornalista lajavatista Malu Gaspar, na sua coluna assinada no jornal O Globo, no último dia 22/12, alicerçada em depoimentos de seis “fontes anônimas”, na qual afirmam que o Ministro Alexandre de Moraes teria se prevalecido do seu cargo e poder e prevaricado, a partir da sua toga no Supremo Tribunal Federal, para fazer lobby junto ao presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, na questão da liquidação do Banco Master, que contratou os serviços do escritório de advogados da esposa de Moraes por R$ 129 milhões.

Por enquanto essas acusações feitas pela jornalista Malu Gaspar, não passa de um factoide midiático, nome pomposo para as velhas e manjada fake news. Fofoca mesmo. A jornalista de O Globo até o presente momento não apresentou uma única prova, por menor que seja, das acusações contra o ministro do STF. Ela diz não poder revelar as fontes que lhe informaram o possivel envolvimento de Alexandre de Moraes em irregularidades funcionais, alegando o estabelecido no artigo 5o, inciso XIV da Constituição Federal, que estabelece “que é assegurado a todos o acesso a informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

A senhora Malu Gaspar, uma entusiasta das difamações e calunias da Lava Jato, porém, esquece de dizer, ao que parece propositadamente, de que tanto no Art. 373 do Código de Processo Civil (CPC), como no Art. 156 do Código de Processo Penal (CPP), que o ônus da prova cabe à quem acusa, assegurando assim o “princípio de presunção de inocência”. A tal jornalista já é personagem “useira e vezeira” de que não precisa-se de provas para incriminar alguém, bastando ter apenas e tão somente, “convicções” pessoais e ao sabor dos seus interesses. Desta vez não vai colar. Que falta faz um PowerPoint fajuto. Este ano estaremos de olhos bem abertos!

PS 1: após a conclusão deste artigo, a PGR arquivou a denúncia da jornalista “fofoqueira” Malu Gaspar, sob a justificativa de que as reportagens sobre o assunto “não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que corroborem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”. Eis que agora chega ao nosso conhecimento pelo site 247 de que o tal contrato de R$ 129 sequer existe, posto que já se sabe que não existem assinaturas firmadas entre o escritório advocatício de Viviane de Moraes e o Banco Master. O silêncio do Xandão sobre o tema é exatamente pela fragilidade probatória diante de denúncias vazias, sem documentos que comprovem e corroborem as mesmas para dar-lhes sustentação. A extrema direita precisa entender que o STF não é mais o puxadinho da Lava Jato do hoje indiciado Sérgio Moro. Vão ter que se esforçar muito mais!

PS 2: Dia 31.12.25 a tal jornalista Malu Gaspar recuou da sua acusação contra o Ministro Alexandre de Moraes. Pois é, o buraco agora é mais embaixo!

Zohran Mamdani toma posse como prefeito de Nova York

epleta de simbolismo, posse de novo prefeito de Nova York parece dialogar com o personagem de Fiódor Dostoiévski em seu livro “Notas do Subsolo”.

Zohran Mamdani escolheu uma estação de trem abandonada de Nova York para sua posse. Não foi por acaso. O local construído em 1904 e desativado em 1945 foi o cenário para que ele passasse a mensagem de que seu mandato que começa neste dia 1 de janeiro de 2026 será marcado por uma proximidade à classe trabalhadora.

Chamada em sua época de a “Mona Lisa” das estações de metrô, o local com sua grandiosidade arquitetônica ainda traz com lustres, claraboias de vidro e túneis abobadados revestidos de azulejos.

Aquela não foi apenas uma cena de um prefeito de uma das maiores cidades do mundo assumindo seu mandato. Consciente ou não, ela parece remeter a uma resposta à crise existencial que atravesse parte da sociedade americana.

Como se ele tentasse se apresentar como a antítese do personagem de Fiódor Dostoiévski em seu livro “Notas do Subsolo”, de 1864. O homem sem nome e que promove uma autoanálise é, em muitos aspectos, o subterrâneo da alma humana. Contraditório e vaidoso, como aquele que hoje ocupa a Casa Branca.

Um relato que, de muitas formas, parece ser o desenho do destino de uma potência em decadência, tentando resistir ao desembarque de um novo mundo e que opta pelo isolacionismo.

Uma potência que não aceita sua obsolescência, mas que admite, em sessões de análise, que “vive um consolo raivoso — que para nada serve — de que um homem inteligente não pode, a sério, tornar-se algo, e de que somente os imbecis o conseguem”.

Um “homem doente”, “desagradável” e que sofre do fígado. Mas um personagem que se recusa a passar por um diagnóstico. “Não me trato e nunca me tratei (…) Ademais, sou supersticioso ao extremo”, diz o personagem.

Mamdani terá enormes desafios práticas nos próximos meses. Mas, sem dúvida, um dos maiores será o de confrontar essa alma do subsolo dos EUA, desiludida, rancorosa e, hoje, perigosa ao mundo.

O novo prefeito parecer ir ao subterrâneo justamente para conversar com o personagem, neste caso os medos mais profundos de um país.

“O grande enigma, porém, reside em como sair do subsolo”, analisou Erika Batista, escritora e tradutora de russo e inglês, numa resenha sobre a obra de Dostoiévski.

O mesmo enigma hoje ronda um país inteiro.

Fonte: ICL

2025 termina com a taxa de desemprego da série histórica

Índice do desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, superando as previsões de analistas; renda da população cresce e também bate recorde

O Brasil registrou no fim de 2025 o menor nível de desemprego desde o início da série histórica do IBGE. Segundo dados da PNAD Contínua divulgados nesta terça-feira (30), a taxa de desocupação caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o patamar mais baixo já observado desde 2012. O indicador vem renovando mínimas sucessivas desde o trimestre encerrado em junho.

Ao todo, 5,6 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho, o menor contingente já registrado pela pesquisa. Para efeito de comparação, no auge da pandemia de Covid-19, no trimestre encerrado em março de 2021, o país chegou a ter quase 15 milhões de desempregados.

A queda do desemprego ocorre em meio a um mercado de trabalho aquecido. O número de pessoas ocupadas atingiu 103,2 milhões, outro recorde histórico, elevando o nível de ocupação para 59% da população com 14 anos ou mais. Em relação ao trimestre anterior, houve aumento de 601 mil ocupados, e, na comparação anual, o avanço foi de 1,1 milhão.

De acordo com a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, a manutenção do emprego em patamar elevado ao longo do ano reduziu a pressão por novas vagas. “Isso contribui de forma decisiva para a queda da taxa de desocupação”, afirmou.

O crescimento do emprego foi puxado principalmente pelo setor de administração pública, educação e saúde, que registrou aumento significativo no trimestre e também na comparação anual. Já o trabalho doméstico apresentou recuo, enquanto os demais setores permaneceram estáveis.

Outro destaque foi a redução da informalidade, que caiu para 37,7% da população ocupada, influenciada pelo novo recorde de trabalhadores com carteira assinada, que somaram 39,4 milhões em 2025.

Desemprego em queda, renda em alta

A melhora do mercado de trabalho também se refletiu na renda. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.574, o maior valor da série, com alta de 1,8% no trimestre e de 4,5% em um ano, já descontada a inflação. Segundo o IBGE, a combinação entre mais pessoas trabalhando e salários maiores impulsiona a massa de rendimentos e reforça a recuperação da economia brasileira.

Fonte: Revista Fórum

Promessa de campanha de Lula, Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil entra em vigor

Sancionada em novembro, a reforma do Imposto de Renda (IR) entra em vigor nesta quinta-feira (1º). O novo modelo, que aumenta a faixa de isenção para cerca de 15 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil por mês, traz mudanças relevantes tanto para os trabalhadores quanto para investidores e contribuintes de alta renda.

As novas regras afetam desde a retenção mensal no salário até a tributação de dividendos. Para compensar a perda de arrecadação, quem ganha a partir de R$ 50 mil por mês passará a pagar mais Imposto de Renda, assim como parte das pessoas que recebem dividendos (parcela de lucro das empresas distribuídas aos acionistas). Ao todo, 141 mil brasileiros, segundo o governo, passarão a pagar mais IR.

Em relação à Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, nada muda para o documento deste ano, porque a declaração se refere ao ano-base 2025. Somente em 2027 (ano-base 2026), o novo modelo de IR será ajustado definitivamente na declaração.

A seguir, veja o que muda na prática e como isso pode impactar o seu bolso.

Quem passa a ficar isento do IR?

A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção:

  • Renda mensal de até R$ 5.000: isenção total do Imposto de Renda;
  • Atualmente, a isenção vai apenas até dois salários mínimos (R$ 3.036).

Segundo o governo, cerca de 15 milhões de brasileiros ficam totalmente isentos com a nova regra, o que representa uma renúncia fiscal de R$ 25,4 bilhões.

Economia estimada:

Quem ganha até R$ 5 mil pode economizar até R$ 4 mil por ano, considerando o décimo terceiro salário.

Desconto gradual para salários até R$ 7.350

A reforma cria uma faixa intermediária de alívio tributário:

  • De R$ 5.000,01 a R$ 7.350 por mês: isenção parcial, com desconto decrescente no imposto;
  • Acima de R$ 7.350: nada muda; segue a tabela progressiva atual (até 27,5%).

O desconto diminui gradualmente conforme a renda sobe, evitando o chamado “degrau tributário”, quando pequenos aumentos salariais geram saltos grandes no imposto.

Exemplos práticos:

  • Salário de R$ 5.500: imposto mensal cai cerca de 75%;
  • Salário de R$ 6.500: economia aproximada de R$ 1.470 por ano;
  • Salário de R$ 7.000: economia em torno de R$ 600 por ano.

O valor exato do desconto depende do cálculo individual e de outras rendas e deduções.

O que muda no desconto em folha já em janeiro?

A mudança é sentida imediatamente:

Quem se enquadra na nova isenção ou no desconto parcial já deixa de sofrer a retenção integral do IR na fonte sobre o salário de janeiro, pago no fim do mês ou no início de fevereiro.

Atenção:

Mesmo isento, o contribuinte terá de declarar IR em 2026, pois a declaração será referente ao ano-base 2025, quando a nova regra ainda não valia.

Imposto mínimo para alta renda

Para compensar a perda de arrecadação, a reforma cria o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado à alta renda:

  • Renda anual acima de R$ 600 mil (R$ 50 mil/mês): entra na regra
  • Alíquota progressiva de até 10%
  • Renda acima de R$ 1,2 milhão por ano: alíquota mínima efetiva de 10%

Estimativa do governo:

Cerca de 141 mil contribuintes serão afetados.

O que entra no cálculo do IRPFM?

  • Salários;
  • Lucros e dividendos;
  • Rendimentos de aplicações financeiras tributáveis;

Em relação aos salários acima de R$ 50 mil por mês, essa fonte de renda gera desconto no IRPFM a pagar, mesmo incluída na base de cálculo. Isso porque o Imposto de Renda já foi descontado na fonte, com alíquota de 27,5%.

Ficam fora:

  • Poupança, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), fundos imobiliários, Fiagro e outros investimentos incentivados;
  • Heranças e doações;
  • Indenizações por doença grave;
  • Ganhos de capital na venda de imóveis, exceto fora da bolsa;
  • Aluguéis atrasados
  • Valores recebidos acumuladamente, por meio de ações judiciais;.

O imposto mínimo será apurado apenas na declaração de 2027.

Tributação de dividendos

Outra novidade relevante é a tributação de dividendos na fonte:

  • 10% de imposto retido sobre dividendos;
  •  Apenas quando superarem R$ 50 mil por mês;
  • Valor pago por uma única empresa à pessoa física.

A maioria dos investidores não será afetada. A medida mira sócios e empresários que recebiam altos valores em dividendos, até então isentos.

O imposto retido poderá ser compensado na declaração anual.

Pontos de atenção e possíveis disputas

Dividendos relativos a lucros apurados até 2025 só permanecem isentos se a distribuição tiver sido aprovada até 31 de dezembro de 2025. Especialistas alertam para possíveis questionamentos judiciais, por possível efeito retroativo da regra.

>> Resumo rápido: o que muda a partir desta quinta

  • Isenção total até R$ 5 mil por mês;
  • Desconto gradual até R$ 7.350;
  • Nada muda para salários acima disso;
  • Imposto mínimo de até 10% para renda acima de R$ 600 mil por ano;
  • Dividendos acima de R$ 50 mil por mês passam a ser tributados.

A reforma redesenha a tributação da renda no país e começa a ser sentida agora no salário, mas os efeitos completos aparecerão apenas na Declaração do Imposto de Renda de 2027.

Fonte: Agência Brasil

BC apontou fraudes do Master com Reag, investigada por ligação com PCC

Operações somam R$ 11,5 bilhões e envolvem fundos da Reag

O Banco Central (BC) encaminhou ao TCU (Tribunal de Contas da União) um relatório que aponta operações suspeitas atribuídas ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., empresa investigada por ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). As informações são da jornalista Catia Seabra, em reportagem publicada na Folha de S. Paulo.

O documento obtido pela reportagem mostra que a autoridade monetária acionou o Ministério Público Federal (MPF) após identificar indícios de fraude em negócios realizados pelo Master com fundos administrados pela Reag.

De acordo com o relatório, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e a Reag estruturaram operações com falhas consideradas graves, em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional.

Operações somam R$ 11,5 bilhões

As transações analisadas integram um conjunto de operações estruturadas que totalizam R$ 11,5 bilhões, envolvendo fundos do Banco Master, dos quais dois são ligados à Reag. Esta é a segunda comunicação do Banco Central ao MPF apontando indícios de irregularidades na atuação do Master.

A primeira denúncia tratou da revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB (Banco de Brasília), no contexto da tentativa de venda do Master à instituição estatal.

No relatório enviado ao TCU, o Banco Central aponta inadequado gerenciamento de capital e de riscos, além da realização de negócios sem garantias suficientes, liquidez ou diversificação. Segundo o órgão regulador, essas práticas teriam contribuído para o agravamento da crise enfrentada pelo banco e justificam a abertura de processos administrativos sancionadores, que se encontram em fase de instrução.

Em um dos trechos do documento, o BC afirma que, em 17 de novembro de 2025, houve nova comunicação ao MPF por indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta, relacionados às operações estruturadas no montante de R$ 11,5 bilhões.

A reportagem ainda aponta que uma das suspeitas é que os fundos teriam sido utilizados para pulverizar recursos em nome de terceiros, por meio de “laranjas”. Entre os fundos citados estariam o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, ambos administrados pela Reag.

Em outra frente, parte desses recursos teria sido realocada na tentativa de viabilizar a venda do Banco Master ao BRB, operação posteriormente vetada pelo Banco Central.

Reag foi alvo de operação policial

A Reag Trust também foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que investiga relações entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas do setor financeiro.

Paralelamente, o TCU conduz um processo que apura possíveis falhas e omissões do Banco Central no caso envolvendo o Banco Master.

Na segunda-feira (29), o BC apresentou ao TCU as justificativas sobre a liquidação do banco Master. O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, apontou inconsistências na condução do processo pelo BC, questionando se alternativas de mercado, como a proposta de aquisição do Master pelo Grupo Fictor, estimada em R$ 3 bilhões, foram adequadamente avaliadas antes da liquidação ser anunciada. O processo corre sob sigilo.

Depoimentos e versões conflitantes no STF

Nesta terça-feira (30), Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central Ailton de Aquino Santos prestaram depoimento à Polícia Federal na sede do STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília. Vorcaro e Costa foram posteriormente submetidos a uma acareação, após a identificação de versões conflitantes.

Os depoimentos foram acompanhados por um membro do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das investigações relacionadas ao Banco Master na Corte. O processo é sigiloso.

Desde o início de dezembro, todas as diligências relacionadas à investigação do Banco Master e de Vorcaro passaram a depender de autorização de Toffoli, por decisão do próprio ministro.

As investigações apontam que, antes mesmo da formalização da tentativa de venda do Banco Master ao BRB, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado à instituição estatal. Do total, R$ 6,7 bilhões seriam contratos falsos, e R$ 5,5 bilhões corresponderiam a prêmios, valor atribuído à suposta carteira.

Fonte: ICL

25 palestinos morrem de frio em Gaza devastada por Israel

Pelo menos 25 palestinos, incluindo seis crianças, morreram na Faixa de Gaza em decorrência das severas condições climáticas desde o início de dezembro.

Equipes de defesa civil e resgate afirmaram que Gaza tem experimentado um clima excepcionalmente rigoroso neste mês, marcado por fortes chuvas, ventos intensos e frio extremo, algo que o território não via há anos.

Eles relataram que 18 prédios residenciais, já danificados por ataques aéreos israelenses anteriores, desabaram completamente durante as tempestades e chuvas. Outros 110 prédios sofreram desabamentos parciais graves, representando uma ameaça direta à vida de milhares de moradores que vivem dentro ou perto dessas estruturas.

Equipes de resgate também informaram que cerca de 90% das tendas que abrigavam famílias deslocadas foram levadas pelo vento ou inundadas pelas fortes chuvas e ventos em diferentes partes da Faixa de Gaza.

Como resultado, milhares de famílias perderam seus abrigos temporários, juntamente com seus poucos pertences restantes, incluindo roupas, cobertores e colchões, agravando ainda mais a já crítica situação humanitária na Faixa de Gaza.

Autoridades locais alertaram que a piora das condições climáticas, combinada com a destruição e o deslocamento generalizados, continua a colocar civis em grave risco, particularmente crianças, idosos e aqueles que vivem em prédios danificados ou abrigos improvisados.

Fonte: Monitor do Oriente

Pilar está com medo depois da autorização de estocagem subterrânea de gás natural

A população da cidade de Pilar, na Região Metropolitana de Maceió, não esconde o temor de um desastre, de pior consequências do que o provocado pela Braskem, depois que uma empresa privada conseguiu licença para estocagem subterrânea de gás.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aprovou, em reunião de sua Diretoria Colegiada, a minuta de autorização para projeto de estocagem subterrânea de gás natural (ESGN) a ser desenvolvido pela Origem Energia Alagoas S.A., no campo de Pilar, na Região Metropolitana de Maceió.

Será o primeiro projeto de armazenamento subterrâneo de gás natural operacional do país e, segundo a ANP, será um importante passo para a inserção, no Brasil, de uma atividade pioneira e fundamental para o mercado de gás.

Ainda não se trata de autorização para início efetivo das operações — a vigência da autorização está condicionada à sua publicação no Diário Oficial da União, após o cumprimento de todos os requisitos exigidos pela ANP para a operação das instalações.

A competência para a ANP autorizar a atividade de ESGN consta da Lei n° 14.134/2021 (Nova Lei do Gás). E o Decreto n° 10.712/2021, alterado pelo Decreto n°12.153/2024, deu à ANP a possibilidade de adotar soluções individuais que visem ao atendimento da Nova Lei do Gás, até que seja editada regulação específica da Agência sobre determinado tema.

Uma vez que ainda não existe regulamentação específica da ANP que cubra todos os aspectos de ESGN, a Agência se baseou em uma série de normativos que contemplam regras referentes a autorizações de instalações. Esses regulamentos foram utilizados para definir os requisitos necessários à outorga de autorização.

O Campo de Pilar está localizado na porção terrestre da Bacia de Alagoas, nos municípios de Marechal Deodoro, Pilar, Satuba e Rio Largo, a cerca de 20 quilômetros a oeste de Maceió.

Redação com Tribuna Hoje

Israel destruiu 80% das casas em Gaza, palestinos sofrem com chuvas e inundações

Estima-se que cerca de 1,5 milhão dos 2,2 milhões de habitantes de Gaza perderam suas residências; moradores relatam ‘frio e medo’

Apesar do cessar-fogo entre Israel e o movimento islâmico Hamas, que vigora desde 10 outubro, os habitantes da Faixa de Gaza seguem enfrentando uma crise humanitária. Nesta época do ano, é o frio e as chuvas que castigam ainda mais a vida da população local, que já vinha sofrendo ao longo dos dois anos de genocídio.

As chuvas de inverno pioraram a vida precária de pessoas como Khamil al Sharafi, que está entre as centenas de milhares de deslocados pela guerra no território palestino, muitos dos quais sobrevivem agora graças à ajuda proporcionada por organizações humanitárias.

“Meus filhos tremem de frio e medo (…) A nossa tenda inundou completamente em questão de minutos”, lamentou Sharafi, de 47 anos, neste domingo (28/12).

Ele teve sua moradia, situada no sul de Gaza, inundada após uma forte chuva noturna, molhando sua comida e suas mantas. Assim como Sharafi, a maioria das pessoas que foram obrigadas a abandonar suas casas por conta do conflito perdeu quase tudo.

“Perdemos nossas mantas e toda a comida está ensopada”, acrescentou o homem, pai de seis filhos, que mora com eles em um refúgio improvisado na zona costeira de Al Mawasi.

As famílias se amontoam em acampamentos de barracas feitas com lonas, que frequentemente ficam cercadas de barro e água empoçada quando chove.

“Como mulher idosa, não posso viver em tendas de campanha. Viver assim significa morrer de frio quando chove e de calor no verão”, explicou Umm Rami Bulbul. “Não queremos reconstrução imediata, só que deem a nós e aos nossos filhos casas móveis”, acrescentou.

“Vejam o estado em que se encontram meus filhos e a tenda. Durmo no frio e a água inunda e molha as nossas roupas. Não tenho roupa para vesti-los. Estão gelados. O que as pessoas de Gaza e seus filhos fizeram para merecer isto?”, questiona Samia Abu Jabba, outra moradora da região afetada pelas chuvas.

Ajuda humanitária insuficiente

Dados da ONU apontam que quase 80% dos prédios na Faixa de Gaza foram destruídos ou danificados pela guerra. E cerca de 1,5 milhão dos 2,2 milhões de habitantes da região perderam suas casas, segundo Amjad Al Shawa, diretor da Rede de ONG Palestinas (PNGO) em Gaza.

Das mais de 300 mil tendas de campanha solicitadas para abrigar os deslocados, “só recebemos 60 mil”, declarou Shawa à AFP, apontando para as restrições impostas por Israel à entrega de ajuda humanitária no território.

A agência da ONU para os refugiados palestinos, a Unrwa, afirmou que as duras condições meteorológicas agravaram o sofrimento dos habitantes do enclave. Nos últimos dias, por exemplo, as temperaturas noturnas oscilaram entre 8º C e 12º C.

“A população de Gaza sobrevive em tendas de campanha frágeis e inundadas, em meio a ruínas. Isto não é inevitável. Não se está permitindo a entrada de ajuda humanitária no nível necessário”, alertou o diretor da Unrwa, Philippe Lazzarini, no X.

O COGAT, organismo do Ministério da Defesa israelense responsável por assuntos civis palestinos, afirmou em meados de dezembro que “quase 310 mil tendas de campanha e lonas entraram recentemente na Faixa de Gaza” como parte do aumento da ajuda em virtude do cessar-fogo.

No início do mês, Gaza sofreu um episódio similar de fortes chuvas e frio que deixou ao menos 18 mortos devido ao desabamento de edifícios danificados pela guerra ou à exposição às baixas temperaturas, segundo a Defesa Civil do território, que opera sob a autoridade do Hamas.

Fonte: ICL

Gonet não vê ‘ilicitude’ e arquiva pedido para investigar Moraes e esposa no caso Master

Representação pedia investigação por supostos crimes de tráfico de influência e violação a princípios da Administração Pública

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar o pedido de investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no âmbito do caso envolvendo o Banco Master. A solicitação foi apresentada pelo advogado Enio Murad e não guarda relação direta com os processos que tramitam na Suprema Corte sobre o tema.

Na representação, Murad afirma que, segundo reportagens da imprensa, Moraes teria mantido contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para defender interesses privados do Banco Master.

O pedido também menciona que a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato de prestação de serviços advocatícios com a instituição financeira.

A representação buscava a abertura de investigação por supostos crimes de tráfico de influência e violação aos princípios da Administração Pública.

Ao justificar o arquivamento, Gonet destacou a “absoluta ausência de lastro probatório mínimo” capaz de sustentar as acusações, tanto contra Galípolo quanto contra Moraes.

“Apesar da repercussão midiática do caso, os veículos de imprensa não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que confirmem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”, afirmou o procurador-geral em documento assinado em 27 de dezembro.

Gonet também ressaltou que o sigilo da fonte citado nas reportagens limita a possibilidade de aprofundamento das apurações.

Por fim, o procurador-geral avaliou que a relação contratual entre a esposa de Moraes e o Banco Master não configura ilegalidade. “Não cabe à Suprema Corte interferir em negócios jurídicos firmados entre particulares, especialmente quando protegidos pela autonomia própria da atividade liberal da advocacia”, concluiu.

Fonte: ICL

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS