Mamata federal: secretário de Guedes vai receber R$ 4 bilhões do BNDES

(Buenos Aires - Argentina, 06/06/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante Transmissão da Live para as Redes Sociais.rFoto: Marcos Corrêa/PR

Integrante da equipe econômica teve seus fundos de investimentos habilitados em licitação para receber R$ 4 bilhões do BNDES

Depois da revelação de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, escondia conta em paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas, outro integrante da equipe econômica tem seu nome envolvido em ganhos irregulares. Dois fundos de investimento ligados ao secretário Especial de Desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, foram habilitados em uma licitação de R$ 4 bilhões promovida pelo BNDES, banco público subordinado à sua própria pasta. 

De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, um dos fundos é administrado pela mulher do secretário, a empresária Margot Greenman. O outro era controlado por uma empresa que tinha Paes de Andrade em seu conselho de administração, mas, apesar de selecionada, não chegou a concluir o acordo com o banco público.

A licitação do BNDES repassa R$ 4 bilhões a fundos de investimento, que então emprestariam o dinheiro para micro e pequenas empresas. O objetivo era parte de um pacote de apoio para empreendedores em meio à pandemia da Covid.

Ainda segundo a reportagem, o governo criou o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o Programa Capital de Giro, entre outros, e aplicar os R$ 4 bilhões por meio dos fundos de investimento foi uma estratégia para fazer o recurso chegar mais rapidamente ao mercado.

No entanto, dos 12 fundos pré-selecionados, dois têm ligação com Paes de Andrade, que diz não ter influenciado na seleção. Um deles era o BSA FIC FIDC, gerido por uma empresa que tinha em seu quadro societário a Finvest Finanças e Investimentos S.A. Paes de Andrade integrou o conselho de administração da Finvest até o dia 5 de novembro de 2020. Ou seja: ele integrava a gestão da empresa enquanto a licitação ocorria.

O outro fundo ganhador da licitação e que tem relação com o secretário da Economia é o Libra Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios. Este é gerido pela empresa Captalys Gestão LTDA, da qual é sócia a empresária Margot Alyse Greenman, mulher de Paes de Andrade. O próprio secretário também já foi sócio da Captalys, por meio de uma empresa chamada BR Ventures.

Fonte: Brasil 247

Dignidade menstrual: para que suas mãos não estejam sujas de sangue

Natércia Lopes – Professora da Uneal e da Semed Maceió

O Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo e Alagoas reflete essa triste realidade. Estatísticas nos mostram que praticamente metade da população alagoana vive em situação de pobreza ou extrema pobreza, ou seja, com renda mensal que não chega a R$ 500. Os recordes em desigualdades obrigam as famílias, dentre as quais cerca de 92% são lideradas por mulheres, a recorrerem aos programas sociais.

Diante deste cenário desolador, a escassez de recursos torna os corpos que menstruam mais vulneráveis, assim um questionamento se faz necessário: como ter acesso a produtos e condições de higiene adequadas durante a menstruação?

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu em 2014 que o direito a higiene menstrual é um problema de saúde pública e de direitos humanos, em 28 de maio deste ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, que busca combater a situação de precariedade dos corpos que menstruam.

Segundo o relatório da ONU, uma em cada quatro meninas em período de escolarização não têm condições financeiras para comprar produtos seguros para usar durante a menstruação. Cabe ressaltar que o Brasil é o País que mais tributa absorventes e tampões no mundo, o que inviabiliza a compra destes produtos por quem se encontra em desfavorecimento socioeconômico.

A menstruação para meninas e mulheres que vivem na pobreza cerceia oportunidades de ascensão social através dos estudos. Ainda segundo o relatório da ONU, uma em cada dez meninas deixam de ir à escola para evitar o constrangimento de improvisar com fraldas, pedaços de tecidos, papelão, jornal, a contenção do fluxo menstrual.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) conceitua esse contexto como pobreza menstrual e engloba não só a falta de recursos financeiros para compra de absorventes, mas também a falta de saneamento básico, de água, de informação sobre o tema e de como ele ainda é visto pela sociedade como fatores que potencializam o problema. De acordo com esta instituição, 62% das mulheres que menstruam afirmaram que já deixaram de ir à escola ou a algum outro lugar de que gostam por causa da menstruação, e 73% sentiram constrangimento nesses ambientes. Essa associação da menstruação com a sujeira e a vergonha faz parte de uma construção social patriarcal que constitui uma violência de gênero naturalizada que precisa ser discutida.

A ausência destas alunas na escola prejudica seu desempenho escolar, e aumenta a desigualdade de gênero no mercado de trabalho, rompendo com a possibilidade destas estudantes de obterem autonomia financeira. A qualidade de vida também é afetada, uma vez que essas meninas e mulheres durante a menstruação deixam de fazer esporte na escola ou na universidade por medo do estigma da “sujeira menstrual”.   

A falta de acesso a itens básicos de higiene no período menstrual faz com que meninas e mulheres acabem por desistir de seu sonho de estudar. A evasão escolar no período da menarca é algo que deve ser combatido com políticas públicas que garantam a dignidade menstrual. A infrequência escolar durante a menarquia não pode ser visto como algo naturalizado.

É necessária a construção da ideia de dignidade menstrual como direito, e da promoção de políticas públicas que facilitem o acesso a condições higiênicas adequadas para que estas meninas e mulheres possam vivenciar a menstruação enquanto um processo natural, sem ser um impeditivo para seu crescimento social e intelectual.

Dignidade menstrual, para que suas mãos, para que nossas mãos, não estejam sujas de sangue!

Turquia desmonta rede suspeita de espionar para Israel

Mídia da Turquia relata que foram descobertos no país agentes da inteligência israelense que espionavam estudantes, particularmente palestinos e envolvidos na indústria da defesa.

A Turquia prendeu 15 pessoas suspeitas de trabalhar para o serviço secreto de Israel, Mossad, informou na quinta-feira (21) o Ministério Público de Istambul, citado pelo jornal Sabah.

Os investigadores disseram acreditar que um grupo de indivíduos na Turquia estava coletando informações e dados de importância para Israel.

Os suspeitos que supostamente colaboraram com os serviços de inteligência de Israel, são acusados de espionagem internacional, referiu na quinta-feira (21) a agência turca Anadolu, citando fontes da Promotoria da Turquia.

De acordo com o Sabah, a rede de espiões foi vigiada durante mais de um ano, e seu objetivo era recolher informações sobre estudantes estrangeiros em universidades da Turquia, particularmente palestinos e os que tinham um futuro potencial na indústria da defesa. Os espiões também foram supostamente encarregados de investigar uma série de outras associações e organizações não especificadas que hospedaram palestinos no país.

Segundo as autoridades de investigação turcas, os suspeitos cooperaram ativamente com os palestinos e sírios que vivem na Turquia, e entregaram os dados ao Mossad. A inteligência de Israel, por sua vez, teria recompensado os agentes através de sistemas internacionais de transferência de dinheiro como os Western Union, Moneygram, Bitcoin, e até por mensageiros.

Fonte: Sputinik Brasil

Do presídio, Roberto Jefferson chama Antonio Albuquerque para a briga

Em carta, o ex-deputado se afasta da presidência do PTB e chama para a briga o deputado Antonio Albuquerque

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, que está preso em Bangu (RJ), se afastou da direção nacional do PTB “por prazo indeterminado, enquanto durar” a sua prisão preventiva. O afastamento se deu por meio de uma carta.

Jefferson agradece aos “leões e leoas do partido”. “Venho por meio desta carta, pedir licença, por prazo indeterminado, enquanto durar essa minha prisão preventiva, da Presidência do Partido Trabalhista Brasileiro. Percebo a necessidade de uma presença mais próxima da gestão partidária, que por razões óbvias eu não tenho podido assumir”, declara Jefferson.

Em outro momento, Jefferson afirma que se formou um grupo conspiratório dentro do partido contra a sua pessoa.

“Nós precisamos agir com rapidez e cuidados. Desvelo e agilidade, o que minha atual condição impede, por isso me licencio. Tenho certeza de que a Graciela Nienov está pronta para o pleno exercício da função, além de contar com o apoio de quase totalidade do diretório e maioria quase absoluta dos presidentes regionais, à exceção de Alagoas e Mato Grosso. Sobre isso preciso discorrer um pouco. Formou-se um grupo conspiratório, após minha prisão, que sendo minoria sem peso na Convenção ou Diretório, tentou levar para o judiciário pretensões que não resistem ao mínimo enfrentamento no Partido, foro adequado para essa querela”, escreveu.

Em seguida Jefferson que acusa Antonio Albuquerque de conspirador, parte para o ataque: “Coronel Antônio Albuquerque, homem em armas, tem longa história de pistolagem, várias acusações como mandante de homicídios, prisões e investigações em processos e CPIs de pistolagem. Seu filho Deputado Nivaldo, é uma dama, gentil , delicado, incapaz de uma truculência. Tanto que o coronel Albuquerque supre suas fragilidades frequentemente. Sempre em Brasília é o líder de fato da bancada federal. Cuida de seu frágil rebento como uma donzela virginal, pois passa suas semanas no apartamento funcional do filho em Brasília. Há até uma brincadeira que se faz no partido sobre esse cuidado extremado do coronel para com seu filho, maior de idade e quase quarentão, lembrando um título de famosa peça de teatro encenada com sucesso nacional: “Toda donzela tem um pai que é uma fera”.

Em outro trecho, Jefferson faz acusações gravíssimas contra o deputado alagoano: “Por razões políticas inexplicadas, o filho do Coronel Albuquerque foi baleado com 6 disparos , Deus o salvou. O zeloso pai, é suspeito de brutal execução de 4 dos 5 autores. Um promotor e uma juíza, que investigam essas mortes por justiçamento, ameaçaram pedir a prisão do Coronel. A resposta veio num ameaçador discurso feito na Assembleia alagoana,  o que fez recuarem os dois integrantes do judiciário. Peço que degravem e juntem esse discurso à justiça federal. Também o vídeo”.

Apesar de está preso por atentar contra a democracia e o Supremo Tribunal Federal, Roberto Jefferson não tem poupado os que ele julga como obstáculo em sua cruzada do bem contra o mal.

Redação com Revista Forum

Áudio vazado: governo Bolsonaro é fantoche dos banqueiros!

Áudio vazado revela influência do dono do BTG Pactual nas políticas do BC

Áudio obtido pelo Brasil 247 revela que o dono do BTG Pactual, o banqueiro André Esteves, tem preferência pelo PSDB, critica a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) e elogia Michel Temer (MDB), um dos articuladores do golpe de 2016.

Na conversa, Esteves também conta que, no dia em que vários secretários de Paulo Guedes pediram demissão, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o procurou.

Além disso, André Esteves comenta sobre uma sobre provável vitória de Lula (PT) em 2022 e afirma que ainda terão “dois anos de Roberto Campos Neto” como presidente do Banco Central (BC).

As eleições de 2022 também entraram na pauta da conversa, para o banqueiro o presidente Jair Bolsonaro é o favorito “se ficar calado”.

Fonte: Revista Forum

Golpe de Estado no Sudão: premiê e funcionários detidos por militares

Na madrugada desta segunda-feira (25), forças militares não identificadas invadiram a casa do primeiro-ministro do Sudão Abdalla Hamdok, que está agora em prisão domiciliar, de acordo com portal Arab News.

Além disso, quatro ministros do país africano e um representante civil do Conselho Soberano também foram presos, informa o portal, citando informações do canal de TV Al-Hadath.

Segundo relatos, um assessor do primeiro-ministro foi detido depois que as forças militares invadiram sua casa.
Por sua vez, a Associação de Profissionais do Sudão (SPA, na sigla em inglês), uma coalizão de sindicatos que se opõe aos militares do país, apelou às pessoas para que saiam às ruas e resistam ao golpe militar.

Em um comunicado emitido hoje (25), a SPA informou que estava exortando as pessoas para ocuparem as ruas e declararem “estado de resistência e desobediência civil”.

Atualizações – informações de golpe militar no Sudão: Altos funcionários do governo detidos, premiê Hamdok está em prisão domiciliar. General Burhan deve anunciar o estado de emergência. Falhas de conexão da Internet em Cartum. Manifestantes bloqueiam estradas de Cartum para protestar contra prisões.

No domingo (24), a polícia de Cartum, capital do país, usou gás lacrimogêneo contra manifestantes que exigiam a transferência de poder dos militares para um governo civil, informou um jornalista da Sputnik.

Na quinta-feira (21) vários milhares de manifestantes realizaram protestos nas principais cidades do Sudão gritando “Entrega o poder, Burhan” dirigindo-se ao chefe do Conselho, general Abdel Fattah al-Burhan.

O mandato de transição do Conselho Soberano do Sudão , composto por 11 membros, expira no próximo mês. Depois disso, o conselho militar deverá entregar o poder ao governo civil.

Em abril de 2019 ocorreu um golpe de Estado militar no país, desencadeado por protestos populares em massa que começaram em meio a uma profunda crise econômica e ao declínio dos padrões de vida.

O então presidente Omar al-Bashir, que governou a nação africana durante 30 anos, foi removido do poder e mais tarde preso. No mesmo ano, o chefe do conselho militar de transição do Sudão, al-Burhan, assumiu o cargo do Conselho de Soberania do país, que prometeu entregar o poder às autoridades civis após um período de transição.

Fonte: Sputnik Brasil

Empresas de ex-mulher de Bolsonaro devem R$ 325,5 mil à União

Citadas em investigação do Ministério Público do Rio sobre suposta “rachadinha” no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), as empresas da segunda ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle, acumulam dívidas de R$ 325,5 mil com a União. Três CNPJs ligados a ela estão inscritos na dívida ativa por tributos que não foram pagos. São débitos previdenciários ou de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Também há multas trabalhistas e outras pendências tributárias.

As empresas de Ana Cristina são citadas em relatórios de inteligência financeira na investigação sobre suposta “rachadinha” (desvio de salários) de assessores de Carlos. Os documentos mostraram movimentações “atípicas” em suas contas. Em uma delas, a Valle Ana Consultoria e Serviços de Seguros, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) constatou saques fragmentados que ultrapassaram R$ 1 milhão.

No levantamento feito pelo Estadão na lista de devedores, essa é a empresa que concentra a maior parte das dívidas registradas. São R$ 241,6 mil no total. Na Receita Federal, a Valle Ana consta como inapta desde outubro de 2018.

Os promotores obtiveram na Justiça, em maio deste ano, a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados. A medida atingiu as empresas de Ana. No pedido enviado ao juiz Marcello Rubioli, eles citaram o relatório do Coaf que apontou possíveis atos suspeitos.

Mais de mil saques No caso da Valle Ana Consultoria e Serviços de Seguros, os promotores citaram à Justiça que os saques se deram de modo fragmentado, parecido com a tendência que também era observada na investigação que mira o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Foram 1.185 retiradas no CNPJ de Ana Cristina entre 2008, ano em que ela saiu do gabinete, e 2014. Uma média de pouco menos de R$ 1 mil por vez. Flávio já foi denunciado, com outros réus, por peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e apropriação indébita.

O Coaf alertou que a empresa tem os saques em espécie como principal forma de saída de recursos, “dificultando a identificação da real utilização dos valores”. O MP mostra que Ana tem 90% da sociedade da empresa, e os outros 10% pertencem a uma mulher que também empregou familiares no gabinete do Carlos. Por isso, as empresas entraram numa espécie de “subnúcleo” da investigação, vinculadas ao núcleo da família Valle.

Adriana Teixeira da Silva Machado teve a mãe, Luci Teixeira da Silva, nomeada no gabinete durante dois anos. E seu irmão, Luiz Claudio Teixeira da Silva, trabalhou para Flávio Bolsonaro. “Tais vínculos, associados à expressiva movimentação de dinheiro em espécie na conta da Valle Ana Consultoria, sugerem a possibilidade de que Ana Cristina Siqueira Valle possa ter indicado parentes de sua sócia para atuarem como ‘funcionários fantasmas’, de modo a viabilizar o desvio dos recursos públicos destinados à sua remuneração (…)”, afirma o MP.

Em outro ponto, a Promotoria destaca que as movimentações financeiras nas empresas podem “reforçar a hipótese de que (os CNPJs) possam ter sido utilizadas para ocultação do desvio de recursos públicos oriundos do esquema de ‘rachadinha.'” Outras três empresas são citadas, mas de modo mais genérico.

Grande volume de depósitos

Os relatórios do Coaf também apontam depósitos vultosos feitos por Ana Cristina na própria conta. Em março de 2011, ela depositou R$ 191,1 mil; quatro meses depois, mais R$ 341,1 mil.

O MP também investiga a atuação de Ana Cristina no mercado imobiliário enquanto esteve casada com Bolsonaro, com uso de dinheiro vivo e o pagamento de valores supostamente subfaturados. O MP cita essas ações no pedido de quebra de sigilo, junto com novos indícios descobertos por meio dos relatórios do Coaf.

Procurada, defesa de Ana Cristina Valle afirmou que não iria se manifestar. O Estadão não conseguiu contato com Adriana Teixeira.

Fonte: Uol

Filme chinês vira a maior bilheteria do mundo em duas semanas

O sucesso do filme A Batalha do Lago Changjin pode ser uma má notícia para Hollywood, que quer crescer na China. Em duas semanas, o longa já arrecadou mais de R$ 3,4 bilhões.

A atual maior bilheteria do cinema no mundo não é James Bond, Sem Tempo Para Morrer nem mesmo Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, da Marvel.

Trata-se de um filme de propaganda da China sobre a Guerra da Coreia, travada nos anos 1950. A obra é centrada na história de soldados chineses que derrotam tropas americanas em meio a grandes dificuldades.

Em apenas duas semanas desde o lançamento, The Battle at Lake Changjin (A Batalha do Lago Changjin, em tradução livre) arrecadou cerca de U$ 633 milhões (R$ 3,4 bilhões) em bilheteria. Isso o coloca muito à frente do lucro global de Shang-Chi, que marcou US$ 402 milhões (R$ 2,1 bilhões), em apenas metade do tempo de exibição do longa da Marvel.

A obra está caminhando para se tornar o filme de maior bilheteria da história da China.

O sucesso é uma boa notícia para o setor cinematográfico chinês, duramente afetado pela pandemia, já que a covid-19 forçou os cinemas a fechar e reabrir as portas por diversas várias vezes.

Essa é uma notícia ainda melhor para o governo do presidente Xi-Jinping, que, segundo especialistas, parece ter acertado na fórmula de propaganda às massas.

Já para a indústria de Hollywood, a imensa popularidade de um filme local como este pode significar ainda mais desafios à medida que o setor luta para ganhar espaço na China, o maior mercado cinematográfico do mundo.

‘Dever patriótico de assistir ao filme’

Encomendado pelo governo chinês, A Batalha do Lago Changjin é apenas um dos vários filmes nacionalistas que se tornaram grandes sucessos comerciais na China nos últimos anos.

Em 2017, Lobo Guerreiro 2, longa sobre um soldado chinês que salva centenas de pessoas de bandidos em uma zona de guerra no litoral da África, bateu o recorde de arrecadação, com 1,6 bilhão de yuans (R$ 1,2 bilhão, em valores atuais) em apenas uma semana.

Já A Batalha do Lago Changjin retrata um conflito brutal em um clima congelante, momento que os chineses afirmam ter sido um ponto de inflexão na Guerra da Coréia. O conflito é formalmente conhecido na China como a “Guerra para Resistir à Agressão dos EUA e Ajudar a Coreia”.

Milhares de jovens soldados chineses morreram no lago para garantir uma vitória crucial contra as forças americanas.

“Estou tão emocionado com o sacrifício dos soldados. O clima frio estava tão extremo, mas eles conseguiram vencer. Sinto-me muito orgulhoso”, escreveu um espectador no site de críticas Douban.

Não é por acaso que o filme ganhe tanta popularidade em meio a tensões crescentes entre Washington e Pequim.

“O filme está definitivamente relacionado às tensões em curso com os EUA e foi promovido dessa forma, às vezes indiretamente, mas ainda de forma muito clara”, diz Stanley Rosen, professor de ciência política da Universidade do Sul da Califórnia.

Outra razão por trás do sucesso é o esforço coordenado entre os estúdios de cinema e as autoridades, que controlam rigidamente o número de lançamentos e os tipos de filmes que podem ser distribuídos no país.

No momento, A Batalha do Lago Changjin tem pouca competição nos cinemas. Os maiores sucessos de bilheteria de Hollywood, como James Bond e Duna, só vão estrear na China no final de outubro, apesar de já estarem em exibição em outros lugares.

O épico também foi particularmente oportuno: não só estreou durante o feriado do Dia Nacional da China, em 1º de outubro, mas também no ano em que o Partido Comunista Chinês (PCC) celebra seu 100º aniversário.

“É quase um dever patriótico ir ver este filme”, ​​diz Rosen.

Assistir a filmes de propaganda é frequentemente visto como uma obrigação pelos quadros do PCC, diz Florian Schneider, diretor do Leiden Asia Center da Holanda.

“As unidades de trabalho frequentemente organizam exibições coletivas. Com mais de 95 milhões de membros com cartões do partido, essas obras prometem uma marca significativa nas bilheterias”, diz ele à BBC News.

Até agora, as resenhas do filme disponíveis na internet são extremamente positivas, embora alguns observadores tenham apontado que elas podem não ser totalmente verdadeiras.

Afinal, críticas a uma produção apoiada e promovida pelo governo podem levar uma pessoa à prisão na China.

Na semana passada, o jornalista Luo Changping foi detido por fazer “comentários insultuosos” nas redes sociais sobre os soldados chineses retratados no filme.

A polícia de Sanya disse que ele estava detido sob a acusação de “infringir a reputação e a honra dos mártires nacionais” e que o caso estava sendo investigado.

“Jovens [na China] com fortes sentimentos nacionalistas têm uma voz desproporcional na internet”, explica Jonathan Hassid, especialista em ciência política da Universidade Estadual de Iowa.

“Em parte, essa voz é amplificada porque as críticas legítimas ao Estado são cada vez mais inaceitáveis (por parte do governo)”.

Propaganda blockbuster

Ainda assim, os fãs do filme dizem gostar dos elementos de superprodução que colocam o longa no mesmo nível de outras grandes obras mainstream.

“Com um orçamento oficial de U$ 200 milhões (R$ 1 bilhão), os valores de produção e efeitos especiais são muito bons. Os três diretores são todos bons contadores de histórias e bem conhecidos na China”, diz Rosen.

Os diretores do filme, Chen Kaige, Tsui Hark e Dante Lam, são cineastas famosos no país.

Tsui é conhecido por efeitos especiais e filmes de artes marciais, enquanto Lam é famoso por espetáculos de ação envolvendo explosivos. Já Chen é celebrado por retratos sensíveis da vida chinesa.

“Todos nós sabemos que este é um filme patriótico, mas eu realmente chorei quando o assisti. Foi muito autêntico”, uma pessoa escreveu na plataforma de microblog Weibo.

Dor de cabeça para Hollywood

Mas o sucesso do cinema doméstico chinês está potencialmente aumentando uma lista de problemas que competidores estrangeiros como Hollywood já enfrentam, em sua tentativa de conquistar o lucrativo mercado do país asiático.

A China tem uma cota para filmes estrangeiros, permitindo oficialmente que apenas 34 sejam exibidos por ano.

Existem algumas soluções alternativas. Se Hollywood co-produzir um filme junto a uma empresa chinesa, por exemplo, a obra não participa da cota.

De acordo com um relatório do ano passado, os chefes de Hollywood também censuraram filmes para atingir o mercado chinês, com elenco, conteúdo, diálogo e enredos cada vez mais adaptados para apaziguar os censores de Pequim.

Mas, mesmo assim, não há garantia de sucesso de bilheteria: até mesmo algumas co-produções entre estúdios de Hollywood e produtoras chinesas se saíram mal no mercado.

O filme de ação e fantasia A Grande Muralha (2016), dirigido pelo celebrado diretor chinês Zhang Yimou e estrelado por Matt Damon, foi criticado tanto nos Estados Unidos quanto na China por sua “narrativa do branco salvador” (quando um personagem branco resolve os problemas de uma pessoa não-branca, como se ela não pudesse solucionar o conflito sozinha).

Apesar desses desafios, especialistas disseram à BBC que os cineastas estrangeiros não vão desistir tão cedo.

Em última análise, China e Hollywood precisam um do outro, dizem eles.

“A China quer permanecer como o primeiro mercado de filmes depois da pandemia de covid-19 e ainda precisa dos sucessos de bilheteria de Hollywood – especialmente aqueles que passam nas telas Imax ou em 3D, já que os preços dos ingressos são mais altos – para ajudá-la a manter essa vantagem sobre o mercado norte-americano”, diz Rosen.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“À medida que os valores de produção dos filmes chineses continuam a aumentar, Hollywood pode se tornar menos relevante, mas Hollywood conta histórias universais que a China não pode ou não quer contar.”

Fonte: G1

Twitter admite favorecer alcance de conteúdos de direita

Levantamento foi feito em sete países. Em todos, exceto a Alemanha, os tuítes das contas da direita receberam uma amplificação algorítmica maior do que da esquerda, se estudados como grupos

Uma pesquisa interna divulgada pelo Twitter nesta sexta-feira (22) apontou que o algoritmo da rede social impulsiona mais postagens feitas por políticos e organizações de direita do que de esquerda. O levantamento foi feito em sete países: Alemanha, Canadá, França, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Foram comparados dois tipos pelos quais o usuário pode visualizar sua linha do tempo na rede social: uma visão personalizada dos tuítes nos quais ele pode estar interessado, com base nas contas com as quais mais interage; e a linha do tempo mais “tradicional”, em que o usuário lê as postagens mais recentes em ordem cronológica inversa.

Foram analisados milhões de publicações de autoridade eleitas entre 1º de abril e 15 de agosto de 2020 e centenas de milhões de tuítes de organizações de notícias, principalmente nos Estados Unidos, no mesmo período. Em todos, exceto a Alemanha, os tuítes das contas da direita política receberam uma amplificação algorítmica maior do que da esquerda, se estudados como grupos.

De acordo com o Twitter, ainda não se sabe o que causa essa diferença. Os profissionais farão, agora, parcerias externas para tentar entender a ocorrência desse comportamento preferencial. 

A maior discrepância entre direita e esquerda foi observada no Canadá (liberais 43%; conservadores 167%), seguido pelo Reino Unido (trabalhista 112%; conservadores 176%). Mesmo excluindo altos funcionários do governo, os resultados foram semelhantes, conforme o documento.

Fonte: Brasil 247

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