Filme chinês vira a maior bilheteria do mundo em duas semanas

O sucesso do filme A Batalha do Lago Changjin pode ser uma má notícia para Hollywood, que quer crescer na China. Em duas semanas, o longa já arrecadou mais de R$ 3,4 bilhões.

A atual maior bilheteria do cinema no mundo não é James Bond, Sem Tempo Para Morrer nem mesmo Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, da Marvel.

Trata-se de um filme de propaganda da China sobre a Guerra da Coreia, travada nos anos 1950. A obra é centrada na história de soldados chineses que derrotam tropas americanas em meio a grandes dificuldades.

Em apenas duas semanas desde o lançamento, The Battle at Lake Changjin (A Batalha do Lago Changjin, em tradução livre) arrecadou cerca de U$ 633 milhões (R$ 3,4 bilhões) em bilheteria. Isso o coloca muito à frente do lucro global de Shang-Chi, que marcou US$ 402 milhões (R$ 2,1 bilhões), em apenas metade do tempo de exibição do longa da Marvel.

A obra está caminhando para se tornar o filme de maior bilheteria da história da China.

O sucesso é uma boa notícia para o setor cinematográfico chinês, duramente afetado pela pandemia, já que a covid-19 forçou os cinemas a fechar e reabrir as portas por diversas várias vezes.

Essa é uma notícia ainda melhor para o governo do presidente Xi-Jinping, que, segundo especialistas, parece ter acertado na fórmula de propaganda às massas.

Já para a indústria de Hollywood, a imensa popularidade de um filme local como este pode significar ainda mais desafios à medida que o setor luta para ganhar espaço na China, o maior mercado cinematográfico do mundo.

‘Dever patriótico de assistir ao filme’

Encomendado pelo governo chinês, A Batalha do Lago Changjin é apenas um dos vários filmes nacionalistas que se tornaram grandes sucessos comerciais na China nos últimos anos.

Em 2017, Lobo Guerreiro 2, longa sobre um soldado chinês que salva centenas de pessoas de bandidos em uma zona de guerra no litoral da África, bateu o recorde de arrecadação, com 1,6 bilhão de yuans (R$ 1,2 bilhão, em valores atuais) em apenas uma semana.

Já A Batalha do Lago Changjin retrata um conflito brutal em um clima congelante, momento que os chineses afirmam ter sido um ponto de inflexão na Guerra da Coréia. O conflito é formalmente conhecido na China como a “Guerra para Resistir à Agressão dos EUA e Ajudar a Coreia”.

Milhares de jovens soldados chineses morreram no lago para garantir uma vitória crucial contra as forças americanas.

“Estou tão emocionado com o sacrifício dos soldados. O clima frio estava tão extremo, mas eles conseguiram vencer. Sinto-me muito orgulhoso”, escreveu um espectador no site de críticas Douban.

Não é por acaso que o filme ganhe tanta popularidade em meio a tensões crescentes entre Washington e Pequim.

“O filme está definitivamente relacionado às tensões em curso com os EUA e foi promovido dessa forma, às vezes indiretamente, mas ainda de forma muito clara”, diz Stanley Rosen, professor de ciência política da Universidade do Sul da Califórnia.

Outra razão por trás do sucesso é o esforço coordenado entre os estúdios de cinema e as autoridades, que controlam rigidamente o número de lançamentos e os tipos de filmes que podem ser distribuídos no país.

No momento, A Batalha do Lago Changjin tem pouca competição nos cinemas. Os maiores sucessos de bilheteria de Hollywood, como James Bond e Duna, só vão estrear na China no final de outubro, apesar de já estarem em exibição em outros lugares.

O épico também foi particularmente oportuno: não só estreou durante o feriado do Dia Nacional da China, em 1º de outubro, mas também no ano em que o Partido Comunista Chinês (PCC) celebra seu 100º aniversário.

“É quase um dever patriótico ir ver este filme”, ​​diz Rosen.

Assistir a filmes de propaganda é frequentemente visto como uma obrigação pelos quadros do PCC, diz Florian Schneider, diretor do Leiden Asia Center da Holanda.

“As unidades de trabalho frequentemente organizam exibições coletivas. Com mais de 95 milhões de membros com cartões do partido, essas obras prometem uma marca significativa nas bilheterias”, diz ele à BBC News.

Até agora, as resenhas do filme disponíveis na internet são extremamente positivas, embora alguns observadores tenham apontado que elas podem não ser totalmente verdadeiras.

Afinal, críticas a uma produção apoiada e promovida pelo governo podem levar uma pessoa à prisão na China.

Na semana passada, o jornalista Luo Changping foi detido por fazer “comentários insultuosos” nas redes sociais sobre os soldados chineses retratados no filme.

A polícia de Sanya disse que ele estava detido sob a acusação de “infringir a reputação e a honra dos mártires nacionais” e que o caso estava sendo investigado.

“Jovens [na China] com fortes sentimentos nacionalistas têm uma voz desproporcional na internet”, explica Jonathan Hassid, especialista em ciência política da Universidade Estadual de Iowa.

“Em parte, essa voz é amplificada porque as críticas legítimas ao Estado são cada vez mais inaceitáveis (por parte do governo)”.

Propaganda blockbuster

Ainda assim, os fãs do filme dizem gostar dos elementos de superprodução que colocam o longa no mesmo nível de outras grandes obras mainstream.

“Com um orçamento oficial de U$ 200 milhões (R$ 1 bilhão), os valores de produção e efeitos especiais são muito bons. Os três diretores são todos bons contadores de histórias e bem conhecidos na China”, diz Rosen.

Os diretores do filme, Chen Kaige, Tsui Hark e Dante Lam, são cineastas famosos no país.

Tsui é conhecido por efeitos especiais e filmes de artes marciais, enquanto Lam é famoso por espetáculos de ação envolvendo explosivos. Já Chen é celebrado por retratos sensíveis da vida chinesa.

“Todos nós sabemos que este é um filme patriótico, mas eu realmente chorei quando o assisti. Foi muito autêntico”, uma pessoa escreveu na plataforma de microblog Weibo.

Dor de cabeça para Hollywood

Mas o sucesso do cinema doméstico chinês está potencialmente aumentando uma lista de problemas que competidores estrangeiros como Hollywood já enfrentam, em sua tentativa de conquistar o lucrativo mercado do país asiático.

A China tem uma cota para filmes estrangeiros, permitindo oficialmente que apenas 34 sejam exibidos por ano.

Existem algumas soluções alternativas. Se Hollywood co-produzir um filme junto a uma empresa chinesa, por exemplo, a obra não participa da cota.

De acordo com um relatório do ano passado, os chefes de Hollywood também censuraram filmes para atingir o mercado chinês, com elenco, conteúdo, diálogo e enredos cada vez mais adaptados para apaziguar os censores de Pequim.

Mas, mesmo assim, não há garantia de sucesso de bilheteria: até mesmo algumas co-produções entre estúdios de Hollywood e produtoras chinesas se saíram mal no mercado.

O filme de ação e fantasia A Grande Muralha (2016), dirigido pelo celebrado diretor chinês Zhang Yimou e estrelado por Matt Damon, foi criticado tanto nos Estados Unidos quanto na China por sua “narrativa do branco salvador” (quando um personagem branco resolve os problemas de uma pessoa não-branca, como se ela não pudesse solucionar o conflito sozinha).

Apesar desses desafios, especialistas disseram à BBC que os cineastas estrangeiros não vão desistir tão cedo.

Em última análise, China e Hollywood precisam um do outro, dizem eles.

“A China quer permanecer como o primeiro mercado de filmes depois da pandemia de covid-19 e ainda precisa dos sucessos de bilheteria de Hollywood – especialmente aqueles que passam nas telas Imax ou em 3D, já que os preços dos ingressos são mais altos – para ajudá-la a manter essa vantagem sobre o mercado norte-americano”, diz Rosen.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“À medida que os valores de produção dos filmes chineses continuam a aumentar, Hollywood pode se tornar menos relevante, mas Hollywood conta histórias universais que a China não pode ou não quer contar.”

Fonte: G1

Twitter admite favorecer alcance de conteúdos de direita

Levantamento foi feito em sete países. Em todos, exceto a Alemanha, os tuítes das contas da direita receberam uma amplificação algorítmica maior do que da esquerda, se estudados como grupos

Uma pesquisa interna divulgada pelo Twitter nesta sexta-feira (22) apontou que o algoritmo da rede social impulsiona mais postagens feitas por políticos e organizações de direita do que de esquerda. O levantamento foi feito em sete países: Alemanha, Canadá, França, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Foram comparados dois tipos pelos quais o usuário pode visualizar sua linha do tempo na rede social: uma visão personalizada dos tuítes nos quais ele pode estar interessado, com base nas contas com as quais mais interage; e a linha do tempo mais “tradicional”, em que o usuário lê as postagens mais recentes em ordem cronológica inversa.

Foram analisados milhões de publicações de autoridade eleitas entre 1º de abril e 15 de agosto de 2020 e centenas de milhões de tuítes de organizações de notícias, principalmente nos Estados Unidos, no mesmo período. Em todos, exceto a Alemanha, os tuítes das contas da direita política receberam uma amplificação algorítmica maior do que da esquerda, se estudados como grupos.

De acordo com o Twitter, ainda não se sabe o que causa essa diferença. Os profissionais farão, agora, parcerias externas para tentar entender a ocorrência desse comportamento preferencial. 

A maior discrepância entre direita e esquerda foi observada no Canadá (liberais 43%; conservadores 167%), seguido pelo Reino Unido (trabalhista 112%; conservadores 176%). Mesmo excluindo altos funcionários do governo, os resultados foram semelhantes, conforme o documento.

Fonte: Brasil 247

A mamata da sonegação: empresas devem cerca de 1 trilhão!

Ambev, Vivo e Pão de Açúcar estão os 10 maiores devedores dos Estados brasileiros, segundo a Fenafisco

Os Estados brasileiros somavam R$ 896,2 bilhões em dívidas a receber de empresas em 2019, aponta estudo inédito realizado pela Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital), entidade sindical que representa os servidores públicos fiscais tributários.

Entre 2015 e 2019, esse montante de dívida cresceu 31,4%. E o valor devido pelas empresas aos Estados equivale a 13,2% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, diz o levantamento.

São impostos, contribuições e multas que deixaram de ser pagos pelo setor privado, registrados como dívida ativa após o fim do prazo legal para pagamento ou após decisão final em processo administrativo regular.

As empresas negam irregularidades e dizem que os valores são fruto de “divergências na interpretação da lei tributária” e que ainda contestam as obrigações na Justiça.

O Atlas da Dívida Ativa dos Estados Brasileiros foi feito a partir de dados de 17 Estados que divulgaram seus números publicamente na internet ou mediante requisição da Fenafisco. Não há sigilo sobre a dívida ativa, os dados são públicos, mas alguns Estados ainda falham na transparência desses dados, conforme revelou a dificuldade na obtenção dos números.

O Atlas da Dívida Ativa dos Estados Brasileiros foi feito a partir de dados de 17 Estados que divulgaram seus números publicamente na internet ou mediante requisição da Fenafisco. Não há sigilo sobre a dívida ativa, os dados são públicos, mas alguns Estados ainda falham na transparência desses dados, conforme revelou a dificuldade na obtenção dos números.

O que dizem as empresas

A BBC News Brasil procurou as empresas para se posicionarem sobre o estudo.

A Vale informou que “cumpre rotineiramente todas as suas obrigações fiscais”, que “mantém discussões tributárias na esfera estadual em decorrência de divergências de interpretação da legislação tributária desses entes”, e que todas as discussões estão garantidas ou com a exigibilidade suspensa, o que lhe confere o certificado de regularidade fiscal nessas jurisdições.

O GPA afirmou que não tem dívida em aberto, e que todos os débitos estão em discussão judicial e devidamente garantidos.

A Ambev afirmou que “os valores indicados são fruto de discussões em que discordamos da cobrança e que ainda estão em andamento nos tribunais. Considerando o porte da empresa e, ainda, por sermos uma das maiores pagadoras de impostos do país é natural que, na soma, o valor em discussão seja expressivo.”

A TIM e a Vivo optaram por não se pronunciar. A Refit, antiga Refinaria Manguinhos, não retornou ao pedido de posicionamento e a BBC News Brasil tentou contato com a Sagra Produtos Farmacêuticos, Drogavida Comercial de Drogas, Cerpa Cervejaria Paraense e Athos Farma Sudeste, mas não obteve resposta.

Caso as empresas se manifestem, os posicionamentos serão publicados em versão atualizada desta reportagem.

Fonte: BBC News Brasil

CBTU realizará limpeza da via férrea no Bom Parto

Ocorreu hoje, 22/10, uma reunião entre a Superintendência da Companhia Brasileira de Trens Urbanos e o mandato do vereador Dr. Valmir para discutir questões que vem causando transtornos para a população do Bom Parto. Os moradores solicitam limpeza da via férrea no entorno da Estação Bom Parto e uma solução para o vazamento de água na avenida Francisco de Menezes, cuja tubulação passa por baixo dos trilhos.

A CBTU se comprometeu em enviar uma equipe técnica para avaliar a situação e realizar os reparos necessários. Já o vazamento por baixo dos trilhos, segundo a CBTU, é de responsabilidade da concessionária BRK, mas que a empresa ferroviária se dispõe a autorizar a BRK para fazer os procedimentos necessários

Essa reunião é fruto das solicitações dos moradores do Bom Parto, que direcionaram um abaixo-assinado ao vereador Dr. Valmir Gomes, que devido à recuperação de um procedimento cirúrgico, foi representado pelos seus assessores Aguinaldo Almeida, chefe de gabinete e Marcos André.

Para Carlos Jorge, superintendente da CBTU em Maceió, “o diálogo é importante e as demandas tratadas na reunião deverão ser resolvidas”.

Bolsonaro diz que haverá novo aumento dos combustíveis

Ao lado do ministro da Economia, presidente defendeu o teto de gastos, e disse que o aumento nos combustíveis é “iminente”

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 22, em coletiva de imprensa no Ministério da Economia, que o país está “na iminência” de mais um reajuste no preço dos combustíveis.

Ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, Bolsonaro disse que não haverá congelamento de preços e que, com a alta do valor do petróleo no exterior e com o dólar subindo, resta à Petrobras repassar o aumento.

“Não existe, da nossa parte, o congelamento de preços. Sabemos que as consequências são piores que o aumento em si. Sabemos que estamos na iminência de mais um reajuste no combustível”, afirmou o presidente. Ele ressaltou que, quando a alta é repassada ao diesel, “influencia diretamente na inflação”.

Por isso, segundo o presidente, é preciso garantir um benefício aos caminhoneiros. “O caminhoneiro merece ter uma atenção da nossa parte. Ficou decidido, então, um auxílio aos mesmos, que ficará menos de 4 bilhões de reais por ano, também previsto no Orçamento”, afirmou.

“Nós sabemos que, aumentando o preço do petróleo lá fora e o dólar aqui dentro, o reajuste em poucos dias ou semanas, tem que ser cumprido na ponta da linha pela Petrobras”, disse Bolsonaro. “Nós indicamos o presidente da Petrobras, mas não temos ascendência sobre ela”, acrescentou.

Fonte: Exame

Vacina da Pfizer tem 90% de eficácia em crianças de 5 a 11 anos

O resultado foi divulgado às vésperas da decisão da FDA sobre a liberação ou não da vacina para essa faixa etária nos EUA

A vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pelo laboratório BioNTech contra a covid-19 apresentou 90,7% de eficácia na prevenção de casos sintomáticos em crianças de 5 a 11 anos, informou a empresa nesta sexta-feira (22).

O estudo, que ainda precisa ser revisado de maneira independente, mostrou que o imunizante é seguro para os pequenos. Atualmente, a fórmula é aplicada em crianças a partir dos 12 anos no Brasil.

O resultado foi divulgado às vésperas da decisão da Administração de Alimentos e Remédios dos EUA (FDA) sobre a liberação ou não da vacina para essa faixa etária.

Segundo as informações divulgadas pela Pfizer, os testes foram realizados com 2.268 crianças e cada dose aplicada tinha um terço da quantidade dada aos adultos. Um terço do grupo tomou placebo e o restante recebeu a fórmula com intervalo de três semanas.

Na análise final, 16 crianças que receberam o placebo contraíram o coronavírus Sars-CoV-2 e apenas três que estavam no grupo que recebeu o imunizante. Nenhum caso grave foi constatado.

Fonte: Sul 21

Filme ‘As faces do Mao’ expõe fronte ativista de eterno garoto punk da periferia do ABC Paulista

Em cartaz na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o documentário de Dellani Lima e Lucas Barbi traça o perfil idealista do fundador da banda Garotos Podres.

Resenha de documentário musical

Título: As faces do Mao

Direção e roteiro: Dellani Lima e Lucas Barbi

Produção: Multiverso Produções

Cotação: * * * 1/2

♪ Filme em cartaz na 45ª Mostra Internacional de Cinema / São Paulo International Film Festival em sessões online na plataforma Mostra Play e em sessões presenciais no Espaço Itaú de Cinema (na Sala 2, em 30 de outubro, às 18h20m) e na Reserva Cultural (na Sala 1, em 31 de outubro, às 16h10m)

♪ “Vou morrer defendendo o ser humano”, avisa Mao, quase ao fim do filme em que é perfilado pelos cineastas Dellani Lima e Lucas Barbi. Em vez de soar como pura retórica, a fala é legitimada por tudo que se viu e ouviu ao longo dos 77 minutos de As faces do Mao, documentário que estreia na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com sessões online (na plataforma Mostra Play) e presenciais (em 30 e 31 de outubro).

A declaração expressa a força resistente que move a vida e alma de José Rodrigues Mao Júnior – eterno garoto punk da periferia do ABC Paulista, embora atualmente seja um senhor de 58 anos, nascido em março de 1963.

Esse senhor já foi garoto pobre que se autodenominou podre. Fundador da banda punk Garotos Podres, criada em 1982 no município paulista de Mauá (na periferia da periferia do ABC, como situa Mao em certo take do filme), José Rodrigues Mao Júnior é cantor, compositor, professor de História, sindicalista e militante do PT, daqueles que vestem literalmente a camisa de Luiz Inácio Lula da Silva.

Contudo, todas as faces de Mao convergem no traço ativista que molda o perfil do artista. Dellani Lima e Lucas Barbi evidenciam esse traço marcante de Mao ao costurar o roteiro do documentário com números de shows da banda Garotos Podres, trechos de aulas do professor, entrevistas atuais com o protagonista do filme, fragmento de palestra sobre o punk no Brasil e imagens de arquivo – como a que mostra o grupo em cena no programa TV Mix, comandado pelo apresentador Serginho Groisman na TV Gazeta nos anos 1980.

A edição do filme resulta lenta, sobretudo no primeiro terço da narrativa, mas a morosidade inicial é redimida ao fim pelo molde comovente do retrato desse artista fiel à própria ideologia punk e socialista.

“A música é uma forma de intervenção política”, prega Mao em determinado momento do filme. Mais uma vez, a fala fica corroborada pelas muitas imagens da banda Garotos Podres (cuja disputa judicial de Mao com ex-integrantes do grupo pelo uso da marca é tema posto fora da pauta do roteiro).

Impressiona a energia vital com que Mao ainda exerce a função de vocalista desse grupo que marcou época nos primórdios do movimento punk do Brasil, legando ao menos dois álbuns relevantes, Mais podres do que nunca (1985) e Pior que antes (1988).

Desses álbuns, saíram músicas como Vou fazer cocô (Mao, Mauro e Sukata, 1985), Anarkia oi! (Mao, Mauro, Sukata e Português, 1985), Caminhando para o nada (Mao e Ciro, 1998), Garoto podre (Mao e Ciro, 1988), Proletários (Mao e Ciro, 1988) e Rock de subúrbio (Mao e Mauro, 1988) – hinos ouvidos no filme que fizeram a cabeça de garotos pobres e trabalhadores de outras periferias e que ainda fazem sentido no Brasil de 2021.

Ainda em atividade, a banda se posiciona no filme contra o fascismo e contra toda forma de opressão. Quando foca os atuais Garotos Podres em estúdio, em sessão recente feita para gravar o rock hispânico Mucha policía, poca diversión (Juan Manuel Soarez Fernandez, Francisco Gallan Portillo e Jesus Maria Exposito Lopez, 1983), sucesso da banda punk espanhola Eskorbuto (1980 – 1998), o filme As faces do Mao deixa claro que continua a luta por justiça e igualdade social, mote da existência de José Rodrigues Mao Jr., eterno garoto idealista de face já senhoril, disposto a viver e cantar até morrer em defesa do ser humano.

Fonte: G1

Assembleia geral dos servidores do Detran decreta estado de greve

A assembleia geral dos servidores do Detran, realizada no dia 20 de outubro, decidiu por estado de greve, suspendo parcialmente alguns serviços e intensificando a mobilização que deve terminar numa greve total a partir de 10 de novembro se o governo do Estado não atender a pauta da categoria.

O sindicato da categoria reivindica a realização de concurso público para o preenchimento de 147 cargos vagos, o realinhamento salarial com os servidores da segurança pública, já que os salários estão há 6 anos sem nenhuma reposição e estruturação do Órgão. Mas, até agora, o governo tem se negado a atender as demandas.

O Sinsdal explica que o Detran tem dinheiro e é superavitário, mas que apesar disso, o governo de Alagoas se nega a realizar concurso público, o que provoca o caos no atendimento, como a espera de até 5 meses para o usuário conseguir fazer o exame de direção no Detran.

Ainda segundo o Sinsdal, a demora o exame prático tem provocado reclamações de candidatos e também dos donos de auto escola, mas, “o que muitos não sabem é que a quantidade de servidores não é suficiente” desabava Clayberson Torres, presidente do sindicato.

Segundo a direção do Detran, de fato há cerca de 32 mil pessoas esperando a realização de tese prático e isso se deve ao acumulado durante a pandemia e a falta de servidores.

Apesar de uma ação na Justiça, dos testes práticos acumulados e dos transtornos em geral, o governo do Estado não tem sinalizado para a uma solução, por isso a decisão da categoria de suspender parcialmente as atividades, como a vistoria veicular e preparar uma greve por tempo indeterminado a partir de novembro.

31,3% ameaçados: Bolsonaro, governadores e prefeitos preparam um golpe nos professores

É sabido que o funcionalismo público, assim com toda a classe trabalhadora, sofre com as medidas do governo contra os serviços públicos e as conquistas obtidas antes do golpe de 2016. Os trabalhadores em educação , em particular, foram atingidos pela privatização do pré-sal e viram os recursos que deveriam ser destinados para valorização da escola pública serem desviados para financiar a banca financeira que apoiou Temer, sua “Ponte para o Futuro”, e que depois embarcou sem nenhum constrangimento no barco do governo Bolsonaro e de seu ministro milionário Paulo Guedes.

O retrocesso em toda a linha, que em maior ou menor grau ocorre em todos os países por conta da crise do próprio capitalismo, acelerada pela pandemia, tem contornos claros. Não há tréguas: as privatizações, a carteira verde-amarela, o ataque à previdência, a PEC 32, da reforma administrativa, todas as iniciativas governamentais buscam desmontar qualquer traço de soberania nacional e a rede de serviços públicos, mesmo que tenham sido eles que evitaram que a perda de 600 mil vidas fosse ainda maior. Em Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Fortaleza… a receita é a mesma.

Contudo, há resistência. É ela que impediu que a PEC 32 fosse votada na Câmara até agora e coloca dúvidas no mercado sobre a capacidade de Bolsonaro garantir o ajuste fiscal às vésperas de um ano eleitoral. As dificuldades de Bolsonaro são reais, por isso o governo tenta dominar sua base parlamentar ávida por dinheiro de emendas pouco transparentes destinando R$ 6 bilhões em troca dos 308 votos necessários para aprovar a reforma administrativa, trocando em miúdos, a bagatela de R$ 20 milhões por voto.

Este governo não tem outra alternativa senão seguir os ataques e direcionar o que puder do orçamento para garantir o lucro no mercado financeiro, é isso que mantém Bolsonaro no Planalto, não importa se não haverá escolas, hospitais ou universidades no futuro. A disposição de afogar qualquer traço de soberania é comprovada pelos cortes draconianos no orçamento da pesquisa brasileira, mesmo depois de perder cientistas para universidades privadas, empresas e projetos estrangeiros.

É isso que explica o golpe que está em curso, mas que pode ser impedido, assim como a PEC 32 pode ser barrada.

31,3% de reajuste da lei do piso nacional estão ameaçados

A lei que instituiu um piso nacional para professores foi uma grande conquista de todo povo brasileiro, ela permitiu diminuir a desigualdade salarial entre os educadores no território nacional, não sem questionamento de governadores e prefeitos, que acabaram perdendo uma ação no STF que confirmou sua legalidade.

Ocorre que a crise segue e segue também o combate dos governos para acabar com a lei. Em 2022, ou seja, daqui há pouco mais de 2 meses, o governo deve, por obrigação, reajustar o piso nacional em 31,3% seguindo a portaria número 8 dos Ministérios da Educação e da Economia, expedida em 24 de setembro. O documento estabeleceu os parâmetros anuais de referência do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e define o Valor Anual Total por Aluno, o indicador usado como referência para a correção.

A CNM (Confederação Nacional dos Municípios), entidade que representa prefeitos todo país, já manifestaram sua disposição em golpear o índice de reajuste com a adoção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos doze meses anteriores para reajuste do piso ou, ainda, pela aprovação de nova lei federal para o piso dos professores.

Não foi diferente entre os governadores, o presidenciável Eduardo Leite (PSDB) por exemplo, o mesmo que acumula 7 anos de congelamento salarial dos educadores gaúchos e ostenta o título de pior salário do país, já se pronunciou contra o reajuste enquanto tenta acertar o ingresso do estado no Regime de Recuperação Fiscal de Guedes e procura provar uma emenda constitucional em seu Estado que pode congelar os salários por mais 10 anos (sic)!

RS é um exemplo dramático

Nos núcleos do CPERS/Sindicato, entidade que representa professores e funcionários de escola gaúchos, continuam chegando pedidos de cestas básicas demonstrando que a fome a miséria já entrou nos lares daqueles que deveriam ser valorizados..

Um relato, em particular, é uma verdadeira fotografia do drama. Uma professora de Santana do Livramento, cidade gaúcha da fronteira entre o Brasil e Uruguai, teve sua luz cortada por falta de pagamento e precisa carregar seu celular na casa de um vizinho para poder manter as aulas remotas.

O drama esta professora é complementado pela brutal evasão escolar. Depois de mais de uma ano e meio em que as escolas permaneceram fechadas e os governos fizeram pouco ou quase nenhum esforço para garantir um retorno seguro e impedir que o fosso entre estudantes pobres e ricos aumentasse ainda mais, é difícil medir a extensão das consequências do abandono em massa da escola.

A mobilização é urgente: Garantir os 31,3% para todos, professores e funcionários, e derrotar a PEC 32!

Em agosto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) denunciou dois projetos de lei que pretendem alterar o critério de reajuste. Um deles, o PL 2075/21, foi retirado de tramitação na Câmara Federal. No entanto, a CNTE alerta sobre outro projeto, o PL 3.776/08, que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL), pode colocar a qualquer momento em votação no plenário.

É hora de acelerar a mobilização, derrotar a PEC 32, ao lados dos demais servidores públicos das 3 esferas e colocar nossa categoria de pé para garantir o cumprimento da Lei do Piso e os 31,3% nem 2022, não há o que esperar, nossa luta será um grande passo para ajudar a colocar fim neste governo e nos ataques à escola pública.

Cássio Ritter

Fonte: O Trabalho

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