Pesquisa mostra que a alta da inflação e dos juros fez com que três em cada dez famílias atrasassem suas contas em abril e não sabem se vão conseguir quitar. Do total, sete em cada dez famílias estão endividadas
As famílias brasileiras voltaram a ter índice de endividamento e inadimplência recorde em abril, conforme levantamento divulgado nesta segunda-feira (2) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As taxas superaram o recorde, que já havia sido batido em março.
Segundo a CNC, o percentual de famílias que relataram ter cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa para pagar alcançou 77,7% em abril, o maior nível de endividamento desde janeiro de 2010, quando começou a ser feita a série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Há um ano, a proporção de endividados era de 67,5%, ou seja, 10,2 pontos abaixo do percentual atual. Mas diante da inflação alta, persistente e disseminada (IPCA em 11,3% ao ano), as famílias buscam crédito para recompor a renda e pagar suas contas. É quando se endividam.
O percentual de famílias em inadimplência, conforme a CNC, bateu novo recorde, chegando a 28,6% do total de famílias. Isso representa aumento de 0,8 ponto em relação ao percentual de março e 4,3 pontos maior que o verificado em abril de 2021, um retrocesso na evolução, nos últimos três meses.
O cartão de crédito segue como o tipo de dívida mais procurado pelos consumidores, apesar de a modalidade oferecer os juros mais altos.
O indicador de inadimplência está ainda 4,4 pontos maior que o apurado antes da pandemia, em fevereiro de 2020. A parcela das famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que permanecerão inadimplentes também acirrou na passagem mensal, com aumento de 0,1 ponto percentual (de 10,8% para 10,9% do total de famílias). O percentual é 0,5 ponto maior do que o apontado em abril de 2021 e o maior desde dezembro de 2020.
Fonte: Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) – CNC
O endividamento segue aumentando nos dois grupos de renda pesquisados, com destaque à faixa com renda de mais de dez salários mínimos. Entre aqueles com até dez, o percentual de endividamento chegou a 78,6%. Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos, a proporção de endividados está mais acelerada do que no grupo de menor renda, renovou-se no maior patamar histórico, 74,5%, com alta de 0,8 ponto em abril e surpreendentes 11,4 pontos percentuais no ano, maior crescimento observado nessa base de comparação.
Levantamento divulgado em fevereiro pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostrou que 69,7% da população brasileira estava endividada. E que desse total, 43,2% disseram que não conseguirão quitar seus débitos pelas mesmas razões apontadas pela pesquisa da CNC: derretimento do poder de compra dos salários, o desemprego e a informalidade, a inflação e a má gestão da economia pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).
“É uma situação que acarreta variados desafios econômicos e sociais, uma vez que muitas dessas pessoas poderão enfrentar dificuldades para se inserir ou permanecer no mercado consumidor”, disse na ocasião o órgão da ONU em nota, além de cobrar ações urgentes do governo para tentar tirar as famílias brasileiras da grave situação.
Ex-secretário de Defesa dos EUA é criticado por omitir, por dois anos, sugestão de Trump para disparar contra manifestantes. Novo livro de Mark Esper revelou que o ex-presidente sugeriu que a polícia atirasse contra pessoas que participaram de protestos contra o racismo nos arredores da Casa Branca, em 2020
Em livro a ser lançado nos EUA na semana que vem, o ex-secretário de Defesa de Donald Trump, Mark Esper, revela que seu antigo chefe sugeriu que as forças de segurança atirassem em manifestantes que ocupavam os arredores da Casa Branca em junho de 2020, em atos contra o racismo, ligados ao assassinato de George Floyd, semanas antes, pela polícia de Minneapolis.
Na obra, Esper, que deixou o posto pouco depois da derrota de Trump para Biden nas eleições daquele ano, e que está na “lista de desafetos” do ex-presidente, mencionou que a sugestão foi feita em várias ocasiões, mas que “felizmente” não chegou a ser executada.
Os poucos trechos divulgados provocaram reações de surpresa, incredulidade, de raiva contra Trump…além de críticas ao próprio Esper, que manteve a informação em sigilo por quase dois anos.
“Por que esses caras simplesmente se sentaram sobre essas informações?”, questionou, no Twitter, o professor de Direito da Universidade do Estado da Geórgia, Anthony Michael Kreis.
Em artigo na Esquire, o colunista Charles Pierce criticou o ex-secretário de Defesa por omitir informações que poderiam ser importantes para os eleitores que, naquele mesmo ano, decidiriam se Trump permaneceria na Casa Branca por mais quatro anos.
“Essa é a informação que o povo americano poderia precisar, cinco meses depois, enquanto escolhia se reelegeria o ‘cara do banho de sangue’ ou não. Não sei o quão benéfico é dizer isso agora, exceto que isso beneficia as contas bancárias de Esper”, escreveu Pierce.
‘Apenas atirem neles’
As revelações não são exatamente novas: elas surgiram pela primeira vez em um livro publicado, em junho do ano passado, pelo jornalista Michael Bender, do Wall Street Journal. Bender relatava encontros tensos entre o presidente e altos integrantes do governo, incluindo Esper e o então chefe do Estado-Maior Conjunto, Mark Milley, quando Trump exigia uma resposta dura aos protestos contra o racismo em 2020.
Ao lado de ordens como “quebrem as cabeças deles” e apresentações de vídeos de repressão policial, Trump teria dito, segundo Bender, a frase “apenas atirem neles”, confirmada por Esper em seu livro.
Para Juliette Kayyem, ex-integrante do governo Barack Obama e especialista em segurança nacional, embora a informação seja a mesma, há uma grande diferença entre quem a divulgou: se um jornalista do Wall Street Journal, que soube dos fatos indiretamente, ou por um integrante do governo que não apenas presenciou, mas participou do diálogo.
“Repórteres não fazem juramento para defender a Constituição de todos inimigos, internos e externos. A decisão para revelar informações importantes para seus livros é apenas deles e de seus valores. É assim. Esper prestou o juramento, e deveria ser amplamente condenado”, escreveu Kayyem no Twitter.
Além de levantar questões sobre seu decoro na Casa Branca, o governo de Donald Trump também foi movimentado no setor editorial: uma série de ex-integrantes do Gabinete lançaram suas próprias memórias de quatro anos turbulentos (ou menos, dada a alta rotatividade), trazendo revelações, versões próprias ou tentando limpar a própria imagem. Em troca, recebem destaque em jornais, entrevistas na TV e alguns zeros a mais em suas contas bancárias.
No mês passado, William Barr, ex-secretário de Justiça de Trump, lançou uma autobiografia na qual faz críticas às acusações do então presidente à eleição na qual foi derrotado por Biden, ao mesmo tempo em que evitar acusar seu antigo chefe de agir de forma errada, reservando até mesmo algumas passagens elogiosas.
John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional, trouxe em seu livro, em 2020, detalhes até então inéditos sobre a pressão de Trump sobre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, quando exigia que Kiev lançasse uma investigação sobre os negócios da família Biden no país, e só depois liberaria um pacote de ajuda militar de US$ 400 milhões.
O episódio serviu de base para o primeiro processo de impeachment contra Trump, mas Bolton se defendeu das acusações de omissão afirmando que “seus relatos não mudariam os rumos do caso”, que acabou com a absolvição do presidente no Senado.
Manifestações exigiram emprego, fim da disparada da inflação e revogação da reforma trabalhista e previdenciaria
Milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas do país neste domingo (1º) protestar contra o desemprego, a fome, a miséria, a inflação e o arrocho salarial. Os discursos foram unânimes em todas as cidades: é preciso dar um basta no governo de Jair Bolsonaro (PL), responsável por todas as tragédias do povo e se unir para impedir sua reeleição, cada vez mais dificil segundo as pesquisas de intenção de votos que colocam o ex-presidente Lula na lliderança pela presidência da República nas eleições de outubro deste ano.
Teve reivindicação por emprego decente, protesto contra corrupção no Ministério da Educação (MEC) e pelo pagamento do reajuste do piso do magistério de 33,24% em estados como Minas Gerais, onde o governador Romeu Zema (Novo) não quer pagar nem negociar com os professores e professoras. Teve ainda reivindicação pela aprovação do PL da Enfermagem que está tramitando no Congresso Nacional há dois anos e muitas outras pautas e críticas a miséria em que o povo foi jogado desde o golpe de 2016 que destituiu a presiddenta Dilma Rousseff (PT).
Confira como foram os atos:
Em Salvador, o Farol da Barra ficou pequeno para a multidão que compareceu para o ato político-cultural de 1º de Maio, que teve shows shoe de nomes como Margareth Menezes e Jau, e muitos discursos contra Bolsonaro e a favor da eleição de Lula para mudar os rumos do Brasil, acabar com a fome e a miséria e gerar emprego decente.
Em Recife, o ato político-cultural do 1º de Maio da CUT, demais centrais, entidades estudantis e partidos políticos reuniu, no Parque Treze de Maio, em frente à Faculdade de Direito, trabalhadores e trabalhadoras e, apesar da chuva, houve frevo, arte, cultura e poesia popular, além de politica sindical
“Neste domingo, 1º de Maio, estamos reunidos num grande ato para mostrar ao País que a classe trabalhadora quer o Brasil com outro rumo, um Brasil com emprego, com desenvolvimento, com salário, direitos, respeito à democracia e à soberania”, pontuou o presidente da CUT-PE, Paulo Rocha.
Entre críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PL) e apoia a pré-candidatura do ex-presidente Lula (PT), sindicalistas, parlamentares e a população circularam pela praça, a maioria com camisetas vermelhas com bandeiras de partidos políticos ou cartazes irônicos – como era em 2016 e como é hoje – sobre os efeitos do golpes que destituiu a presidenta Dilma Rousseff na vida da população.
No Rio de Janeiro, o Aterro do Flamengo, na Zona Sul da capital fluminense, milhares de trabalhadores, trabalhadoras se uniram a políticos para um ato em defesa da pauta da classe trabalhadora e também sobre a importância de eleger Lula em outubro para recuperar direitos e uma vida digna.
As faixas e cartazes também pediam a saída do atual presidente e do ministro da Economia, Paulo Guedes, que em três ano e cinco meses de governo não apresentou uma proposta sequer de desenvolvimento do país com geração de emrpego e renda. Tudo que ele apresernta, como a carterira verde e amarela, é para tirar direitos.
Teve protesto também contra a ditatura que Bolsonaro e seus seguidores costumam elogiar e contra o trabalho escravo.
Entre os políticos, participam do ato no Rio políticos como a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), o vereador Lindbergh Farias (PT), e deputado federal Marcelo Freixo (PSB), candidato ao governo do Rio.
Em Fortaleza, milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram as ruas da capital cearense com faixas e cartazes exigindo emprego decente, direitos sociais e trabalhistas, democracia e vida e protestando contra o governro Bolsonaro, um dos que mais ataca os direitos sociais e trabalhistas em toda a história do Brasil.
No final da caminhada, que saiu da Areninha do Bairro Pirambu, o presidente da CUT-CE, Will Pereira, falou sobre as pautas que a classe trabalhadora levou às ruas neste 1º de Maio e uma das priopridades é o PL da Enfermagem.
“Nós estamos colocando primeiro em pauta a aprovação do piso dos enfermeiros, que deve ser votado na Câmara dos Deputados no próximo dia 4”, disse o dirigente, acresentando outras pautas importantes como a revogação das leis aprovadas no governo de Jair Bolsonaro (PL), como a reforma da Previdência, e no governo do ilegítimo Michel Temer (MDB), como a reforma Trabalhista, que não geraram empregos e, sim, informalidade e miséria.
“Pergunto onde estão os empregos que tanto o Paulo Guedes prometeu?”, questionou o dirigente, que em seguida, respondeu: “Nós não estamos vendo isso. Queremos a revogação da reforma trabalhista e queremos emprego mais do que urgente”.
Em Belo Horizonte, o ato contra os governos Bolsonaro e Zema e pela pauta dos trabalhadores também reuniu milhares de pessoas na Praça Afonso Arinos, na Região Centro-Sul da capital mineira. Do local, os manifestantes seguiram caminhando até a Praça da Assembleia.
Além da pauta geral por direitos e emprego decente, teve protesto contra o “Bolsolão do Busão”, em referência aos desvios de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compra superfaturada de ônibus escolares para o Programa Caminho da Escola.
Faixas e cartazes também exigiam o pagamento do piso nacional do magistério, de 33,24%, que o governo de Romeu Zema (Novo) se recusa a pagar. Teve ainda uma feira do Movimento Sem Terra (MST) e e atos culturais.
Em Natal, os trabalhadores saíram em passeata da Praça das Flores e foram até a Praia do meio, com faixas e cartazes contra o governo Bolsonaro e debatendo com a população sobre a pauta da classe trabalhadora, que inclui direitos, salário decente, empregos e políticas sociais que melhorem a vida do povo mais pobre do país.
Mas teve também teve shows, livros, pula-pula, com pinturas de rosto, picolé, pipoca e algodão doce para as crianças, barraca da saúde aferindo pressão, saturação do oxigênio no sangue e testes para HIV. Além disso, profissionais da beleza passam o dia todo atendendo aos interessados em cortes de cabelo.
Em Belém, o Fórum das Centrais Sindicais no Pará, que reune CUT, CTB, Nova Central, UGT e Intersindical, entre outras, realizou um ato-show, na Praça da República, com os lemas em defesa de “emprego, direitos, democracia e vida”, No palco montado, teve shows de Félix Robatto, Paulinho Mururé e Arraial do Pavulagem, e também discursos de lideranças sociais e políticas, como o senador Paulo Rocha (PT), que defendeu os direitos trabalhistas e a eleições de Lula.
Em João Pessoa, CUT e centrais realizaram ato solidário e cultural, com distribuição e sorteio de cestas básicas para a comunidade Bola da Rede, em frente ao Condomínio Jesus Misericordioso, onde também foram realizadadas apresentações culturais.
“Estamos aqui hoje na comunidade Bola na Rede, com uma ação solidária, fruto de parcerias com as centrais sindicais para chamar atenção dos poderes públicos para esta parcela da população que ficou esquecida pelo governo, que vem sofrendo com ataques, perdas e descaso. Precisamos mudar e este é o ano para isto, mudar o governo e dar esperança ao país”, disse Tião Santos, presidente da CUT-PB.
Em Aracaju, o 1º de Maio, organizado pela CUT e demais centrais sindicais, além de movimentos sociais e políticos, teve caminhada da Praça Ulisses Guimarães, no Bairro Santos Dumont, até mo Bairro Bugio. Os manifestantes protestam contra o governo de Jair Bolsonaro e a favor dos direitos, emprego e da democracia.
Em Florianópolis, cerca de mil trabalhadores e trabalhadoras se reuniram no ato de 1° de maio em defesa dos direitos, da democracia, da vida e pelo fim do governo Bolsonaro. Por meio da cultura, com apresentações do grupo Africatarina, do músico Toni Dias e com uma batalha de rap, o ato mandou o recado que não aguenta mais esse governo.
Nós estamos aqui porque queremos o fim desse governo que só traz miséria, desemprego e fome para o povo. Este ano temos a oportunidade de eleger um governo que represente a classe trabalhadora e que vai voltar a trazer esperança para esse país”, disse a presidenta da CUT-SC, Anna Júlia Rodrigues.
Em Foz do Iguaçu, no Paraná, 1º de Maio de internacional reuniu trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, Argentina e Paraguai.
A manifestação do Dia Internacional do Trabalhador ocupou a orla de Maceió com milhares de pessoas oriundas de diversas cidades e movimentos sociais. O objetivo do movimento foi protestar contra a política econômica do governo Bolsonaro.
As entidades sindicais e os movimentos sociais saíram em passeata da Pajuçara até a praia de Sete Coqueiros, exibindo faixas e cartazes que denunciavam a carestia dos alimentos, o alto número de desemprego no país e os ataques aos direitos sociais e trabalhistas.
A manifestação também cobrou a revogação da reforma trabalhista e previdenciária, além de medidas urgentes contra a carestia e os aumentos nos preços dos alimentos e combustíveis.
Além das manifestações política, o ato do 1º de Maio contou também com as apresentações musicais das cantoras Mel Nascimento e Naná Martins.
Redes sociais são ‘jardins privados’ que controlam o debate público, alertam especialistas
Redes sociais como Twitter e Facebook são controladas por empresas transnacionais bilionárias que operam a partir da coleta massiva dos dados dos usuários. Por sua vez, esses dados são analisados por algoritmos “obscuros”, que definem o que as redes sociais devem mostrar a cada usuário. De um lado, as pessoas ficam presas a “bolhas”, recebendo conteúdos que reafirmam suas próprias convicções. De outro, para aumentar o engajamento, são bombardeadas com fake news e discurso de ódio, que causam repúdio e indignação. Sem qualquer “controle social”, essas plataformas se parecem com uma imensa “praça pública”, mas que, na prática, funcionam como “jardins privados”. Assim, a “desintegração” do debate público virou um risco constante aos regimes democráticos.
Esse foi o tema de um dos debates promovidos pelo Fórum Social Mundial Justiça e Democracia (FSMJD) nesta sexta-feira (29), em Porto Alegre. De acordo com o sociólogo Sérgio Amadeu, integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil e professor da Universidade Federal do ABC, o “gerenciamento opaco” e o “poder ilimitado do dinheiro” das chamadas big techs impõem enormes desafios às democracias do mundo. “Precisamos regular democraticamente essas plataformas. Elas fazem parte da esfera pública automatizada, e precisam estar em consonância com a democracia. É preciso dar transparência aos algoritmos, mas só isso não basta”, afirmou.
A jornalista Renata Mielli, coordenadora do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, alertou que as plataformas digitais interferem cada vez mais nos processos políticos em diversos países. “Todos sabemos que a (ex-primeira-dama) dona Marisa Letícia não foi vista em Roma. Porque ela já tinha sido inclusive sepultada. Mas todos nós compartilhamos, comentamos, com o propósito de denunciar. E estamos incentivando o algoritmo a dar relevância e escala a esse conteúdo”, explicou Renata. “Tudo isso se desenvolve na completa opacidade, sem que saibamos as regras do jogo.”
Transparência
Para os especialistas, a solução passa em buscar dar mais transparência ao funcionamento dessas plataformas. É preciso saber principalmente quais os critérios que elas adotam na moderação e no impulsionamento de conteúdos. “A democracia não convive bem com o poder ilimitado do dinheiro. Essas redes sociais são dutos de desinformação, porque tem gente pagando muito para impulsionar essa desinformação. E quanto está sendo gasto? Não sabemos”, criticou Amadeu.
A concentração é outro problema. No Brasil, por exemplo, 99% das pessoas têm o Whatsapp instalado, de acordo com pesquisa da Infobip. E 150 milhões de brasileiros estavam no Facebook no ano passado, segundo o site Statista. “As pessoas então ficam presas, sequestradas, dentro desses ‘jardins murados’ privados, onde elas buscam informação. São ferramentas e plataformas de captura da atenção, de sequestro cognitivo. O design das plataformas não favorece o debate público”, disse Renata.
Mecanismos de regulação
Diante desse cenário, a coordenadora do Barão defendeu a aprovação do PL 2.630/2020, conhecido como PL das Fake News, que está tramitando no Congresso Nacional. Seu principal objetivo é estabelecer regras e obrigações de transparência sobre as operações dessas plataformas.
Renata relembrou que é uma das vítimas do poder discricionário das big techs. No mês passado, ela participou do podcast Tecnopolítica, comandado por Amadeu, para discutir o PL das Fake News. A transmissão do programa no YouTube, no entanto, teve o seu alcance limitado, sem qualquer aviso prévio. Eles só descobriram as restrições justamente quando tentaram impulsionar o episódio. A plataforma de vídeos, que pertence ao Google, havia classificado o conteúdo como “perigoso e depreciativo”.
Para Amadeu, não adianta ter regulamentos sem uma “agência” com capacidade efetiva de fiscalização. Nesse sentido, ele defendeu a necessidade de estabelecer um “acordo internacional” que garanta o direito das democracias para fiscalizar as plataformas digitais.
Entre 1º de janeiro e 13 de abril, o INM mexicano informou a interceptação de 115.379 migrantes, a maioria irregular.
Centenas de migrantes protestaram neste sábado no posto fronteiriço de Playas de Tijuana que liga o México aos Estados Unidos (EUA) contra a Lei 42 deste último país, que os proíbe de entrar em seu território.
A referida legislação também pede ao governo dos EUA que seu homólogo mexicano impeça a passagem de viajantes como migrantes pela fronteira comum.
Assim, os manifestantes reunidos em Playas de Tijuana, principalmente de países da América Central, incineraram efígies do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que promulgou a referida legislatura, que se esconde atrás de medidas sanitárias para aplicá-la.
A referida legislação também pede ao governo dos EUA que seu homólogo mexicano impeça a passagem de viajantes como migrantes pela fronteira comum.
Assim, os manifestantes reunidos em Playas de Tijuana, principalmente de países da América Central, incineraram efígies do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que promulgou a referida legislatura, que se esconde atrás de medidas sanitárias para aplicá-la.
O Instituto Nacional de Migração do México revelou que, entre 1º de janeiro e 13 de abril de 2022, interceptou 115.379 migrantes, dos quais 15% eram menores, principalmente de países da América Central, e a maioria com status de imigração irregular.
Da mesma forma, e de acordo com os dados fornecidos pelo Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA, no ano fiscal que começou em 1º de outubro de 2021, já estão quantificados 1.060.094 migrantes localizados na fronteira. América do Sul.
Em protesto contra um novo modelo de ensino online, alunos de escolas estaduais do Paraná têm deixado as salas e feito atos na rua em recusa a assistir a aulas pela televisão.
O governo Ratinho Júnior (PSD) contratou neste ano uma faculdade particular para dar aulas a distância aos alunos do ensino médio nas disciplinas que compõem o que chamam de itinerário profissionalizante.
Sem ter professores em sala de aula, a gestão defende que o novo modelo fez com que o estado conseguisse mais do que duplicar a oferta de vagas em ensino técnico, passando de 15 mil matrículas, em 2021, para cerca de 37 mil neste ano. Essa deve ser uma das principais bandeiras de campanha do governador, que tenta a reeleição.
Para especialistas, no entanto, o modelo usado para ampliar o número de vagas na modalidade não pode ser comparado ao ensino técnico tradicional. Eles dizem que as aulas remotas não garantem uma formação profissionalizante adequada, já que não estão previstas atividades práticas, trabalho em laboratório, entre outras.
A reportagem identificou que os protestos já chegaram a ao menos 26 escolas. Nessas unidades, os alunos têm protestado ficando de costas para a televisão quando começam as aulas a distância ou deixam as salas. Em alguns casos, os estudantes estão desde fevereiro sem acompanhar as atividades.
Nas redes sociais, os jovens têm postado fotos de cartazes em que dizem “queremos professor em sala de aula” e “televisão eu assisto em casa”.
A Lei do Novo Ensino Médio, aprovada em 2018 no governo Temer, autorizou que até 20% da carga curricular ocorresse com aulas a distância. A obrigatoriedade de adotar o novo ensino médio passou a valer neste ano, o que levou alguns estados a adotar o modelo remoto para completar parte da grade horária dos alunos.
No Paraná, os alunos relatam que as aulas são transmitidas ao vivo em um televisor que fica na frente da sala. Muitas turmas têm mais de 40 estudantes, o que torna difícil que todos consigam ouvir e ver o aparelho.
Além disso, as aulas podem ser transmitidas simultaneamente para até 20 turmas de escolas diferentes. Com isso, um único professor dá aula a distância para cerca de 800 estudantes de primeiro ano do ensino médio.
Durante essas aulas, um monitor acompanha os estudantes. Esse profissional, no entanto, não precisa ter formação na área já que sua função é auxiliar com questões tecnológicas, por exemplo ligar a televisão e enviar as dúvidas da turma para o professor.
“Eu pedi para acompanhar uma das aulas porque não conseguia acreditar em tamanho descaso com os alunos. Fiquei chocada ao ver os alunos sentados na sala por quase uma hora, assistindo a um professor, sem poder interagir, sem conseguir tirar dúvida sobre o conteúdo”, contou Eli Ferreira da Silva, mãe de um aluno da escola estadual Mario de Andrade, em Francisco Beltrão, no interior do estado.
Ainda segundo Silva e alunos ouvidos pela Folha, eles não foram informados no ato da matrícula de que teriam parte das aulas de forma remota. “Ninguém foi avisado que as aulas seriam pela televisão. Se eu soubesse, não teria deixado meu filho se matricular para estudar desse jeito”, diz a mãe.
Segundo a Seed (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte), as aulas a distância foram contratadas apenas para as disciplinas de três cursos, administração, agronegócios e desenvolvimento de sistemas.
Eles passaram a ser ofertados depois de a pasta fazer uma enquete com os estudantes e identificar que 60% dos que estavam no nono ano do ensino fundamental diziam ter interesse de cursar ensino técnico no ensino médio. Esses três cursos foram os que tinham maior procura.
Para ofertar as aulas a distância por três anos (período para a conclusão do ensino médio), a secretaria contratou a Unicesumar, faculdade particular, por R$ 38,4 milhões. A reportagem procurou a faculdade para comentar as críticas dos estudantes, mas não recebeu resposta.
A reportagem conversou com duas alunas do Colégio Estadual Julio Szymanski, em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, que optaram pelo curso de marketing, mas pensam em desistir. Elas contam que não estão assistindo às aulas desde fevereiro depois de perceberem que não conseguiam tirar dúvidas com os professores.
Os alunos também relatam que há diversos casos de indisciplina e briga dentro das salas durante essas aulas, já que eles ficam apenas sob a supervisão de um monitor. Na maioria das vezes, esse profissional é um estudante de licenciatura, ou seja, sem experiência com sala de aula.
Cesar Callegari, que foi secretário de Educação Básica do MEC e hoje preside o Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada, a insatisfação e o protesto dos alunos mostram como o modelo a distância e o currículo intitulado como sendo profissionalizante não se adequam às necessidades dos jovens.
“O que está sendo ofertado no Paraná não é nem ensino a distância e nem presencial, já que o Ead tem uma estrutura totalmente diferente. Também não é um ensino profissional, porque não está preparando esses meninos para a prática do mercado, ou seja, é um engodo, cria uma miragem de ensino”, diz.
Segundo ele, um dos principais riscos é de que o formato aumente a evasão escolar. “O aluno frustrado com a má qualidade se sente desrespeitado, enganado. Esse aluno percebe que a escola não se importa com o que ele está aprendendo e, por isso, ele fica desestimulado e abandona os estudos.”
Renato Feder, secretário de Educação do Paraná, defende o modelo adotado como uma forma de garantir que mais alunos possam ter acesso ao que chama de ensino profissional. Ele também diz que a insatisfação atinge um número pequeno de estudantes.
“Muitos alunos queriam fazer o ensino médio profissional, mas a gente não conseguia atender todos. Com esse modelo, a gente conseguiu expandir muito o atendimento e com qualidade”, diz.
Segundo ele, mudanças pedagógicas e estruturais devem ser feitas ao longo do ano para melhorar as aulas. Diz, por exemplo, que algumas salas devem receber telões e caixas de som para substituir as televisões e melhorar a visualização dos alunos.
Também acrescenta que os professores foram orientados a dar aulas menos expositivas, ou seja, sugerindo que os alunos façam alguns exercícios. “É o primeiro ano desse modelo, por isso, alguns ajustes vão ser necessários e isso é normal.”
Edvaldo Pereira Rocha, da comunidade Jacarezinho, atuava contra a expansão de plantações de soja em territórios tradicionais
O líder quilombola Edvaldo Pereira Rocha, de 52 anos, foi morto a tiros nesta sexta-feira (29) em São João do Soter, no Maranhão, a 400 km de São Luís. Seu corpo foi encontrado no povoado Bom Jardim, zona rural do município onde aconteceu o crime. A polícia procura dois homens autores dos disparos, que segundo testemunhas fugiram em uma moto.
Rocha foi atingido por oito tiros. Ele era o líder da comunidade quilombola de Jacarezinho, que também fica no município de São João Soter, e chegou a disputar as eleições municipais de 2016 como candidato a vereador pelo PT.
Apesar de passar por um processo de regularização fundiária em andamento no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a área da comunidade de Jacarezinho é reivindicada por agricultores e sofre com desmatamento.
Rocha, que, segundo o advogado Diogo Cabral, ligado à causa dos povos tradicionais, é o sétimo quilombola morto no Maranhão em menos de dois anos. O líder assassinado atuava contra a expansão de plantações de soja sobre territórios tradicionais.
O governo do Maranhão, comandado atualmente por Carlos Brandão (PSB), que era vice de Flávio Dino (PSB), é alvo de críticas dos quilombolas, que o acusam de se omitir diante de denúncias de invasão de terras e flexibilizar as regras de licenciamento ambiental. Ao jornal Folha de S. Paulo o governo estadual afirmou que trabalha “na mediação do conflito e na articulação com órgãos do sistema de justiça para resguardar os direitos da comunidade e garantir a titulação da terra”.
A Secretaria Estadual de Igualdade Racial do Maranhão lamentou a morte do líder quilombola. “Sua luta pela titulação de sua comunidade é reconhecida por todos, por isso asseguramos que o crime brutal do qual foi vítima terá o acompanhamento da secretaria em toda a sua investigação, a cargo das autoridades policiais”, disse em nota.
Com cartazes contendo cobranças diretas ao presidente Bolsonaro, a Polícia Federal realiza, nesta quinta-feira, manifestações em todos Estados do país para pressionar o governo. O objetivo é obter um aumento salarial superior aos 5% previstos atualmente para todos os servidores públicos.
Mensagens como “Presidente Bolsonaro, você prometeu, cumpra sua palavra” e “Bolsonaro, honre sua palavra, quem enfraquece a PF fortalece a corrupção” foram exibidas na entrada de superintendências e delegacias da PF em todo Brasil. Delegados e agentes também estão mobilizados na fachada da sede nacional do órgão, em Brasília.
Na próxima segunda-feira, a Associação Nacional dos Delegados da PF (ADPF), que está na organização dos atos de hoje com outras entidades, vai definir se adota medidas mais drásticas contra o governo, como a paralisação da categoria.
— Promessas de valorização da PF largadas ao vento no final de mandato mostram apenas que o fortalecimento da segurança pública nunca foi prioridade do governo, o que, sem dúvida, tem reflexo no combate à corrupção e nas organizações criminosas — afirmou Lucano Leiro, presidente da ADPF.
Na semana passada, as entidades de classe da PF se reuniram com o ministro da Justiça, Anderson Torres, e cobraram a reestruturação das carreiras, o que resultaria num reajuste salarial entre 16% e 20%, pedido feito pela categoria para suprir perdas inflacionárias. Havia uma expectativa de que o governo Bolsonaro fizesse algum gesto, mas nenhum sinal foi dado.
— A PF não pode ser instrumento de marketing eleitoreiro. Há pouco tempo para o atual governo mudar de rumo e passar a valorizar de verdade a principal estrutura de combate à corrupção e ao crime organizado que existe no Brasil — disse Tania Prado, presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (FENADEPOL).