Megaoperação mira Grupo Refit, de Ricardo Magro, o maior devedor de impostos no Brasil

Uma megaoperação deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) mirou 190 alvos ligados ao Grupo Refit, atual Grupo Fit, e a dezenas de empresas do setor de combustíveis. A ofensiva, batizada de Poço de Lobato, mobiliza mais de 600 agentes públicos em seis unidades da federação e atinge o maior devedor contumaz do país, acusado de causar um prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federal.

O grupo, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é considerado o maior devedor de ICMS de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União.

Segundo as investigações, o esquema funcionava há anos “do porto ao posto sem pagar imposto”, combinando fraude aduaneira, sonegação de ICMS, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro por meio de uma complexa rede de holdings, offshores, fintechs, meios de pagamento e fundos de investimento.

A operação, segundo o G1, ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. A Refit, antiga refinaria de Manguinhos, havia sido interditada em setembro pela Agência Nacional do Petróleo sob suspeita de irregularidades na importação e venda de combustíveis, inclusive carregamentos provenientes da Rússia, apreendidos pela Receita Federal.

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP) coordena a ação com apoio da Receita Federal, Ministério Público de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Secretaria da Fazenda e Planejamento de SP, Secretaria Municipal da Fazenda de SP e polícias Civil e Militar.

O comitê, uma espécie de força-tarefa permanente, recupera ativos desviados e combate crimes tributários, econômicos e de lavagem de dinheiro.

As autoridades afirmam que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos e offshores, incluindo uma petroleira no exterior, para blindar lucros e simular operações interestaduais. Entre 2020 e 2025, mais de R$ 32 bilhões em combustíveis foram importados com declarações adulteradas para redução de tributos.

Também foram identificados mecanismos para dificultar a cobrança do ICMS, com empresas sobrepostas que trocavam de função quando uma operação era desvendada, criando novos obstáculos investigativos.

O Cira-SP bloqueou judicialmente R$ 8,9 bilhões nas contas dos investigados, enquanto a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional assegurou a indisponibilidade de outros R$ 1,2 bilhão. Ao todo, mais de R$ 10,2 bilhões em bens, imóveis e veículos, já foram bloqueados.

Em entrevista à Folha, em setembro, Ricardo Magro afirmou que suas empresas “não sonegam”, assegurando que negociou débitos no Rio e que, em São Paulo, há apenas “discordância sobre a forma de pagamento”, questionando ainda a concentração de mercado da Petrobras.

As investigações, no entanto, apontam que o grupo opera como organização criminosa, com sofisticada estrutura financeira voltada a fraudar o sistema tributário.

A operação Poço de Lobato homenageia o primeiro poço de petróleo do Brasil, perfurado em 1939 no bairro de Lobato, em Salvador, quando Monteiro Lobato era um dos principais entusiastas da exploração petrolífera nacional.

Fonte: DCM

Governo vai privatizar 19 aeroportos na 1ª rodada do AmpliAR

O governo federal vai leiloar, nesta quinta-feira (27), 19 aeroportos na primeira rodada do Programa AmpliAR, iniciativa que prevê a atração de investimentos privados para modernizar aeroportos regionais na Amazônia Legal e no Nordeste.

O certame será na B3, em São Paulo, com início previsto para as 10h.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a previsão é de R$ 1,25 bilhão em investimentos.

O AmpliAR faz parte do conjunto de ações federais para fortalecer a aviação regional e prevê, nas próximas fases, a modernização de até 100 aeroportos em todo o país.

Nesta etapa inicial, serão ofertados 19 terminais por meio de um modelo simplificado de concessão.

Por meio de parcerias com concessionárias privadas, o programa permite que essas empresas assumam a gestão de aeroportos regionais deficitários, em troca de reequilíbrios contratuais, como redução de outorgas ou extensão dos prazos de concessão.

Aeroportos participantes da 1ª fase do AmpliAR:

Região Norte

  • Aeroporto de Tarauacá (AC)
  • Aeroporto de Barcelos (AM)
  • Aeroporto de Cacoal (RO)
  • Aeroporto de Araguaína (TO)
  • Aeroporto de Itacoatiara (AM)
  • Aeroporto de Itaituba (PA)
  • Aeroporto de Vilhena  (RO)
  • Aeroporto de Parintins (AM)

Região Nordeste

  • Aeroporto Horácio de Mattos / Lençóis (BA)
  • Aeroporto de Paulo Afonso (BA)
  • Aeroporto de Guanambi (BA)
  • Aeroporto Santa Magalhães / Serra Talhada (PE)
  • Aeroporto Serra da Capivara / São Raimundo Nonato (PI)
  • Aeroporto de Barreirinhas (MA)
  • Aeroporto de Araripina (PE)
  • Aeroporto de Garanhuns (PE)
  • Aeroporto Canoa Quebrada / Dragão do Mar (Aracati) (CE)
  • Aeroporto Comandante Ariston Pessoa / Cruz (Jericoacoara) – (CE)

Região Centro-Oeste

Aeroporto de Porto Alegre do Norte (MT)

Fonte: CNN Brasil

‘Genocídio em Gaza não acabou’, diz Anistia Internacional

Organização denuncia que, apesar de cessar-fogo, Israel continua ‘políticas implacáveis’ e restringe ajuda humanitária vital

A organização de direitos humanos Anistia Internacional alertou nesta quinta-feira (27/11) que “as autoridades israelenses ainda estão cometendo genocídio” em Gaza, apesar do cessar-fogo declarado, incluindo a realização de novos ataques nesta manhã e restringindo o acesso a ajuda humanitária essencial. “O mundo não deve se deixar enganar. O genocídio de Israel não acabou”, declarou a Secretária-Geral, Agnès Callamard.

Segundo correspondentes da emissora catari Al Jazeera, as forças israelenses realizaram uma escalada de ataques em edifícios no campo de refugiados de Bureij, no centro de Gaza, e em Khan Younis, na zona leste. Essa ofensiva soma-se às centenas que a Defesa Civil de Gaza considera violações flagrantes do frágil acordo de trégua.

“Até o momento, não há indícios de que Israel esteja tomando medidas sérias para reverter o impacto mortal de seus crimes, nem evidências de que suas intenções tenham mudado”, afirmou Agnès Callamard. “Na verdade, as autoridades israelenses continuam com suas políticas implacáveis, restringindo o acesso à ajuda humanitária vital e a serviços essenciais, e impondo deliberadamente condições calculadas para destruir fisicamente os palestinos em Gaza”, acrescentou a Secretária-Geral da Anistia Internacional.

Desde outubro, quando o acordo de cessar-fogo foi firmado, Israel violou mais de 500 vezes em sete semanas. A trégua tinha como objetivo pôr fim à sua guerra genocida contra o enclave, que matou quase 70.000 palestinos.

Ofensiva israelense na Cisjordânia continua

Pelo segundo dia consecutivo o regime sionista intensificou sua onda de incursões e prisões realizadas em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo nas áreas de Qalqilya, Tubas, Hebron, Tulkarem e Nablus.

Durante a invasão militar em Tubas, as forças israelenses realizaram interrogatórios em campo e agrediram pelo menos 25 pessoas que precisaram de atendimento médico, segundo Nidal Odeh, diretor local do Crescente Vermelho Palestino, citado pela agência de notícias Wafa.

Kamal Bani Odeh, diretor da Sociedade de Prisioneiros Palestinos em Tubas, relatou que as forças continuam invadindo casas em toda a província, detendo palestinos e transferindo-os para centros de interrogatório de campanha. Odeh enfatizou que, desde quarta-feira (26/11), mais de 100 palestinos foram detidos — metade deles da cidade de Tammun. 27 presos foram libertados no final da noite passada, alguns dos quais permaneceram algemados até chegarem às suas casas. Entretanto, soldados israelenses também detiveram um palestino ferido dentro de uma ambulância na entrada de Tammun, enquanto paramédicos o transportavam para o hospital.

Devido à intervenção ilegal, todas as lojas foram obrigadas a fechar, apenas um número limitado de padarias seguem operando para atender às necessidades básicas, assim como duas farmácias. Esses estabelecimentos comerciais seguem sob controle severo das forças israelenses.

A Direção de Educação de Tubas anunciou ontem (26) a suspensão de todas as aulas em escolas públicas e jardins de infância para garantir a segurança de alunos e funcionários. Diante disso, nesta manhã (27), o Exército sionista invadiu uma escola em Tammun e destruiu seu portão principal.

O governador de Tubas e do Vale do Jordão Norte, Ahmad al-Assad, também anunciou a suspensão das atividades em todas as instituições públicas e privadas, observando que a ocupação busca — por meio desta operação militar, que deve durar dias — isolar as áreas da província umas das outras e paralisar a circulação do povo palestino.

Tubas tem testemunhado uma agressão militar israelense em larga escala e crescente por mais de 48 horas consecutivas, envolvendo reforços pesados ​​de tropas, tratores e maquinário militar. No início da incursão, helicópteros israelenses sobrevoaram a província em baixa altitude e dispararam vários tiros indiscriminadamente para o ar.

Fonte: Ópera Mundi

Após isenção do IR, Lula dobra a aposta na agenda social

Presidente mira fim da escala 6×1 e desoneração da PLR para fortalecer direitos trabalhistas e estimular o consumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a cerimônia de sanção do projeto que isenta o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, realizada nesta quarta-feira (26) no Palácio do Planalto, para reforçar novas prioridades sociais de seu governo.

Diante de uma plateia formada por sindicalistas e apoiadores, o presidente afirmou que, após a vitória na pauta do Imposto de Renda, a gestão agora se concentrará em medidas que ampliem direitos trabalhistas, aumentem a renda disponível do trabalhador e impulsionem o consumo interno.

Fim da escala 6×1 e modernização da jornada

Lula voltou a defender a revisão da jornada de trabalho, criticando a manutenção de regras criadas há mais de 80 anos.

“Não podemos continuar com a mesma jornada de trabalho de 1943. Quando eu era metalúrgico, diziam que os robôs iam tirar o trabalhador do serviço pesado, mentira. Quanto mais tecnologia, menos gente você precisa. Veja quanta gente foi mandada embora no setor metalúrgico.”

A referência abriu o debate sobre o fim da escala 6×1, regime em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um. O governo pretende avançar na proposta de assegurar dois dias de descanso por semana, movimento que deve ganhar intensidade ao longo de 2025 como parte da preparação para o ciclo eleitoral de 2026.

Entre os articuladores do tema no Congresso, destaca-se a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), presente no evento.

Redução de impostos sobre a PLR e estímulo ao consumo

O presidente também reafirmou a necessidade de diminuir a tributação sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), defendendo que trabalhadores que se dedicam intensamente não devem ser penalizados ao receber bônus.

“É uma coisa que a gente vai ter que avançar. Não sei quando, mas nós vamos avançar. São coisas que a sociedade moderna do século XXI exige.”

Lula argumentou que a economia cresce quando a população pobre tem mais renda para consumir, e não quando a riqueza se concentra nas camadas de maior renda.

“Quem trabalha igual um desgraçado vai ter imposto sobre participação nos lucros no fim do ano? Economia não cresce por conta da conta bancária do sujeito, a economia cresce por conta do consumo que a sociedade pode ter a partir dos alimentos. Rico não fica mais pobre se o pobre consumir mais, o rico fica mais rico, vende mais caro.”

Mudanças tecnológicas e o desafio do futuro do trabalho

Ao comentar o impacto das novas tecnologias, Lula alertou que a automação e a robotização vão exigir mudanças profundas nas políticas públicas de proteção social.

“Vai chegar o momento em que a Fazenda vai ter que analisar quem vai ser o responsável por garantir a sobrevivência de milhões de inúteis que vão ser criados no mundo.”

A fala evidencia a preocupação do governo com um possível aumento do desemprego estrutural e com a necessidade de redes de proteção mais robustas.

Nova agenda social após a vitória no Imposto de Renda

Com a sanção da nova tabela de isenção do IR, o governo passa a priorizar:

  •  Regulamentação da jornada e fim da escala 6×1
  •  Desoneração da PLR
  •  Debate sobre trabalho, automação e proteção social

A estratégia mira ampliar direitos, melhorar a renda dos trabalhadores e fortalecer o consumo interno como motor do crescimento econômico.

Fonte: Brasil 247

STF conclui julgamento que torna Eduardo Bolsonaro réu por coação

Votaram para receber a denúncia o ministro relator Alexandre de Moraes e os colegas Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, por unanimidade, nesta quarta-feira (26), a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR)  contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação. Assim, Eduardo se tornou réu.  O caso estava sendo analiasado no plenário virtual.

Votaram para receber a denúncia o ministro relator Alexandre de Moraes e os colegas Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Agora, Eduardo passa a responder oficialmente a um processo judicial na Suprema Corte. O próximo passo é o início da fase de instrução penal, na qual serão ouvidas testemunhas, produzidas provas e feito interrogatório do deputado.

Eduardo Bolsonaro é réu no STF por coação

A PGR acusa Eduardo Bolsonaro de articular sanções ao Brasil e autoridades brasileiras nos Estados Unidos. O deputado está nos EUA desde fevereiro. Segundo a denúncia, a sua permanência no exterior teria como objetivo interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar tentativa de golpe de Estado e começou a cumpir pena na terça-feira (26).

No voto, Alexandre de Moraes, relator do caso, menciona a suspensão de vistos dos ministros do Supremo e familiares, as sanções econômicas contra o Brasil e a aplicação da Lei Magnitsky. “Há relevantes indícios de que as condutas de Eduardo Nantes Bolsonaro tinham como objetivo a criação de um ambiente institucional e social de instabilidade, com aplicação de crescentes sanções a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil, como modo de coagir os Ministros do Supremo Tribunal Federal a decidir favoravelmente ao réu Jair Messias Bolsonaro”, afirma Moraes.

Moraes destaca que a PGR apresentou, de forma adequada, a narrativa dos fatos e de suas circunstâncias, garantindo ao acusado pleno conhecimento dos motivos que sustentam a denúncia por coação no curso do processo. Esse detalhamento, segundo o ministro, assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa.

O ministro também destacou que o objetivo de defender interesses pessoais ficou evidente na tentativa de Eduardo Bolsonaro de criar um ambiente de intimidação sobre as autoridades responsáveis pelo julgamento de seu pai.

Fonte: ICL

Tarcísio e Banco Master: As conexões do governador de SP com o escândalo bilionário

Doações milionárias e movimentação de recursos da Emae expõem o bolsonarista

Não é à toa que Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem bom trânsito com o pessoal da Faria Lima. Ele, na verdade, tem conexões profundas com o berço do mercado financeiro do Brasil. Aos poucos, vai se desvelando a teia que relaciona o governador bolsonarista de São Paulo ao maior escândalo do país envolvendo um banco — neste caso, o Banco Master.

Na campanha eleitoral, Tarcísio recebeu R$ 2 milhões do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi preso pela Polícia Federal durante investigação da fraude bilionária. Também Jair Bolsonaro recebeu doação do empresário: R$ 3 milhões.

Zettel não se limita à doação política: ele é operador financeiro ligado a fundos e empresas do conglomerado Master, como a Moriah Asset e a Super Empreendimentos, um vínculo direto entre o governador e a cúpula do banco investigado.

Tarcísio, privatização da Emae e aplicações financeiras

No segundo ano de governo, Tarcísio promoveu a privatização da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), vendida ao Fundo Phoenix FIP por R$ 1,04 bilhão.

Após a privatização, a estatal aplicou R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, banco ligado ao conglomerado do Banco Master, representando 5,88% do ativo consolidado da Emae.

A operação expõe um interesse indireto de recursos privatizados justamente no banco do cunhado de um grande doador da campanha, criando uma situação delicada para a reputação do governo.

A prisão de Daniel Vorcaro e ex-CEOs do banco, na Operação Compliance Zero, revelou movimentações suspeitas que podem chegar a R$ 12,5 bilhões envolvendo fundos, CDBs e outros produtos financeiros do conglomerado.

Fundos como Hans 95, Astralo 95 e Murren 41 aplicaram juntos cerca de R$ 849 milhões no Master, enquanto instituições como BRB e o fundo de pensão Rioprevidência aparecem envolvidos em operações irregulares.

Consequências políticas e reputacionais

O caso coloca Tarcísio sob intensa pressão. O governador, que construiu parte de sua imagem pública em torno de privatizações estratégicas e do discurso de uma pretensa eficiência administrativa, agora enfrenta questionamentos sobre sua proximidade com doadores ligados a um banco em colapso e sobre a condução da privatização da Emae.

Embora a Emae afirme que os CDBs aplicados não impactam suas operações, a associação entre doações, laços familiares e movimentações financeiras do conglomerado gera risco político e abre espaço para investigações e críticas de opositores.

A teia que conecta Tarcísio ao Banco Master revela um circuito de relações financeiras e políticas complexas, envolvendo doações milionárias, privatizações estratégicas e fundos suspeitos de fraude.

À medida que a Polícia Federal avança nas investigações, a reputação do governador como gestor eficiente é testada, e a situação levanta questões sobre transparência, governança e a influência do setor financeiro nas decisões públicas.

Resumo das conexões de Tarcísio

1. Doações de campanha: Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), foi o maior doador individual da campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo, contribuindo com R$ 2 milhões. Zettel também é pastor da igreja Bola de Neve e operador financeiro ligado a diversos fundos e empresas, incluindo investimentos no setor imobiliário. Zettel é casado com Natalia Vorcaro Zettel, irmã de Daniel Vorcaro, e esteve à frente de empresas e fundos ligados ao conglomerado do Banco Master, como a Moriah Asset e a Super Empreendimentos. Há suspeitas de participação de Zettel em operações financeiras que inflaram o patrimônio do banco do cunhado. Conexão: Doação significativa de um familiar próximo do dono do Banco Master, o que cria vínculo político-financeiro direto.

2. Privatização da Emae: Tarcísio, no segundo ano de governo, privatizou a Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), vendida por R$ 1,04 bilhão ao Fundo Phoenix FIP. Parte do dinheiro da Emae privatizada (R$ 160 milhões) foi aplicada em CDBs do Letsbank, banco pertencente ao conglomerado do Banco Master. Conexão indireta: O governo de Tarcísio realizou a privatização que acabou movimentando recursos para um banco ligado ao cunhado de um grande doador da campanha.

3. Exposição financeira de fundos e empresas ligadas ao Master: Diversos fundos ligados a Daniel Vorcaro aplicaram centenas de milhões no Banco Master, incluindo:

  • Hans 95: R$ 124 milhões em 2024
  • Astralo 95: R$ 622 milhões em 2025
  • Murren 41: R$ 103 milhões

A teia financeira inclui aportes bilionários de outras instituições, como BRB (Banco Regional de Brasília) e Rioprevidência, mas o vínculo com Tarcísio se dá principalmente via Zettel e a privatização da Emae.

4. Consequências e repercussão: A Operação Compliance Zero da Polícia Federal resultou na prisão de Daniel Vorcaro e ex-CEOs do Banco Master, destacando que fundos ligados a Vorcaro estavam no centro de investigações sobre fraude bilionária. Tarcísio, que construiu parte de sua imagem política com a privatização e eficiência estatal, agora se vê ligado ao caso, devido à doação de campanha e à movimentação de recursos da Emae para bancos do conglomerado.

Fonte: ICL

Todos estão corretos no imbróglio das emendas de bancada de Alagoas

Cadu Amaral – Jornalista

O noticiário político alagoano tem mostrado, nas últimas semanas, o imbróglio em torno das emendas de bancada para Alagoas para o Orçamento da União de 2026, que pode resultar na perde de R$ 415 milhões. Diante de um estado cuja maioria esmagadora dos municípios dependem de FPM e emendas para se sustentarem, a perda de recurso, ainda mais em ano eleitoral, é de tirar o sono.

O impasse opõe, basicamente, Renan Calheiros (MDB) a Arthur Lira (PP) – sempre eles. Renan se recusou a assinar a ata necessária para o envio das emendas, alegando que houve “individualização” das indicações, o que é proibido pela Lei Complementar 210/2024. Deputados e senadores do MDB também não assinaram, impedindo que a bancada atingisse o mínimo exigido.

Sete dos nove deputados federais alagoanos assinaram a ata, mas nenhum dos dois senadores do estado o fez, inviabilizando o envio das emendas. O coordenador da bancada, Paulão (PT), rebate Renan, dizendo que tudo foi definido de forma colegiada e a destinação das emendas se deu como sempre ocorreu, mas que o senador emedebista mudou de posição sem apresentar alternativa.

Nas reuniões internas da bancada, Renan Calheiros reafirmou a ilegalidade do formato e disse que preferia correr o risco de perder o recurso a assinar algo que considera irregular. Arthur Lira, por sua vez, defendeu que não houve individualização e que o critério é compatível com a lei.

Com o prazo encerrado e sem consenso, Alagoas foi o único estado que não enviou as emendas de bancada ao relator do Orçamento da União para 2026 e agora depende da Comissão Mista de Orçamento para tentar reverter o problema a tempo de inserir os R$ 415 milhões das emendas de bancada.

Quem não acompanha esse pormenor da política, sobre como funcionam as indicações de emendas parlamentares, provavelmente está na dúvida sobre quem tem razão, se o senador Renan Calheiros ao apontar que individualização fere a Lei Complementar 210/2024 ou se a maioria da bancada está correta ao apontar que este sempre foi o método adotado.

Bom, por incrível que possa parecer, ambos estão corretos.

De fato, a Lei Complementar 210/2024 proíbe a individualização das emendas, mas as emendas de bancada para o Orçamento de 2025, cuja ata foi elaborada, fechada e assinada após a vigência da Lei, trouxe as emendas de forma individualizada, com as respectivas indicações.

Diz o Artigo 2º da Lei que “as emendas de bancada estadual de que trata o § 12 do art. 166 da Constituição Federal somente poderão destinar recursos a projetos e ações estruturantes para a unidade da Federação representada pela bancada, vedada a individualização de ações e de projetos para atender a demandas ou a indicações de cada membro da bancada”.

Mas como pode-se ver abaixo, a ata das emendas da bancada alagoana possem a informação de quem indicou o quê, numa clara individualização das emendas.

Chequei as atas de outros estados e, entre as que vi, não consta nenhuma informação sobre quem indicou o que. Então, Renan está correto em apontar afronta à Lei Complementar 210/2024, mas o restante da bancada está correta em afirmar “que sempre foi assim”.

*LINK PARA A ATA DAS EMENDDAS DE BANCADA DE ALAGOAS PARA O ORÇAMENTO DE 2025

Brasil aprova a 1ª vacina de dose única do mundo contra a dengue

O Brasil acaba de se tornar o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina de dose única contra a dengue. A Anvisa concluiu a avaliação técnica da Butantan-DV e deu aval para o registro do imunizante, que teve todos os critérios de segurança, eficácia e qualidade confirmados.

A agência assina nesta quarta-feira (26), em São Paulo, o Termo de Compromisso com o Instituto Butantan — etapa administrativa final que permite a publicação oficial do registro nos próximos dias.

Mesmo antes da aprovação, o Instituto Butantan havia iniciado a produção e já conta com mais de 1 milhão de doses prontas para serem incorporadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Ainda não há data definida para o início da distribuição, mas o governo já começou as etapas preparatórias após o aval técnico da Anvisa.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma que os resultados justificam a rapidez do processo. “A vacina demonstrou eficácia elevada, em torno de 75% contra a doença e acima de 90% para formas graves e hospitalizações”, diz.

Ele destaca ainda que a fabricação nacional facilita o acesso e a escala: “Além da eficácia, temos o benefício de ser uma vacina produzida no país. Isso facilita o acesso e a escala de distribuição”.

Para ampliar a oferta, o Butantan firmou parceria com a empresa chinesa WuXi, o que permitirá entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

Ensaios clínicos mostram proteção forte e duradoura

A aprovação é baseada em cinco anos de acompanhamento dos voluntários do estudo de fase 3, que envolveu mais de 16 mil pessoas de 14 estados entre 2016 e 2024. Entre participantes de 12 a 59 anos, os resultados foram:

  • Eficácia geral: 74,7%
  • Proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme: 91,6%
  • Proteção contra hospitalizações: 100%

A vacina demonstrou segurança tanto em quem já teve dengue quanto em quem nunca foi infectado. As reações mais comuns foram leves a moderadas — dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga — e eventos graves foram raros, com recuperação completa de todos os voluntários.

Segundo Kfouri, a duração da imunidade é um dos principais diferenciais. “A eficácia foi mantida ao longo de mais de cinco anos de estudo após uma única dose. E o perfil de segurança é bastante satisfatório”, afirma.

Dose única facilita adesão e amplia cobertura vacinal

A Butantan-DV é a primeira vacina de dose única contra dengue no mundo. Estudos citados na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics apontam que esquemas com apenas uma aplicação aumentam a adesão, simplificam campanhas e aceleram a cobertura vacinal em emergências sanitárias.

Para Kfouri, o imunizante é comparável ao da Takeda, já disponível no Brasil, com vantagem operacional: “A grande diferença é justamente a possibilidade de aplicar apenas uma dose, o que tem impacto direto na cobertura vacinal”.

A Anvisa também autorizou pesquisas para avaliar a eficácia da vacina em pessoas de 60 a 79 anos, e dados adicionais deverão definir a inclusão de crianças de 2 a 11 anos — grupo que já apresentou segurança nos estudos.

O Ministério da Saúde ainda irá anunciar quando a vacinação terá início e como será organizada a distribuição no país.

Fonte: DCM

Israel quer transformar a Cisjordânia na nova faixa de Gaza

Israel lança ofensiva na Cisjordânia e deixa 50 mil palestinos cercados em várias cidades

As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que iniciaram uma grande operação no norte da Cisjordânia durante a madrugada de quarta-feira (26/11). O Centro de Informação Palestino revelou que vários helicópteros de ataque cercaram a região, que também inclui Nablus, e entraram na cidade palestina de Tubas, localizada a sudeste de Jenin. Atualmente, mais de 50.000 palestinos vivem nas cinco cidades agora cercadas pelo Exército.

O grupo de resistência palestino, Hamas, condenou a agressão, “exigindo que a comunidade internacional tome medidas imediatas e sérias para pressionar pelo fim da agressão e dos crimes de guerra cometidos pela ocupação contra o nosso povo, e para responsabilizá-la pelas suas violações do direito internacional”.

“Apelamos aos mais altos níveis de unidade nacional no enfrentamento desta guerra declarada na Cisjordânia, unindo esforços populares, políticos e em campo para repelir a política de extermínio da ocupação, pois esta batalha exige que todos se juntem à trincheira da resistência”, acrescentou em comunicado divulgado.

Moradores relataram à emissora catari Al Jazeera que tratores militares empilharam terra em todas as vias de acesso antes do amanhecer, enquanto helicópteros Apache israelenses disparavam projéteis sobre campos vazios ao redor de Tubas, numa clara estratégia de terror contra a população civil palestina.

Segundo o comunicado da IDF, a operação seria supostamente em combate ao terrorismo, lançado em conjunto com o Shin Bet e pela Polícia de Fronteiras “no norte da Samaria” (termo usado por Israel para se referir à Cisjordânia ocupada que inclui Nablus).

O governador de Tubas, Ahmed Asaad, rejeitou essa justificativa, dizendo à Al Jazeera que o ataque israelense não tem nada a ver com segurança e sim com geografia. “O ataque tem como alvo Tubas por sua localização próxima ao Vale do Jordão, em um novo esforço para impor novas realidades”, disse ele.

Asaad também afirmou que cerca de 30 famílias foram forçadas a deixar suas casas e que as tropas tomaram vários prédios em terrenos elevados com vista para a província.

As Brigadas Al-Quds na cidade de Tubas, na Cisjordânia, um braço da organização Jihad Islâmica Palestina, ameaçaram responder à incursão das Forças de Defesa de Israel na cidade. “Estamos prontos”, escreveram em um comunicado divulgado.

A ocupação demoliu uma casa em construção em Al-Khader, ao sul de Belém
Wafa

Segundo o jornal de Tel Aviv, Haaretz, testemunhas oculares relataram que vários palestinos na cidade vizinha de Tammun foram presos por tropas das Forças de Defesa de Israel. O prefeito Sameer Bisharat afirmou que a IDF entrou na vila e helicópteros de ataque dispararam contra os moradores. Segundo ele, mais de dez casas foram transformadas em postos militares e o abastecimento de água local foi interrompido. Bisharat acrescentou que terras agrícolas na região foram destruídas e que pelo menos uma pessoa, um prisioneiro recentemente libertado de uma prisão israelense, foi detida.

As Forças de Defesa de Israel também distribuíram panfletos na região aos moradores, difamando a área como um “refúgio para o terrorismo”. “As forças de segurança israelenses não aceitarão isso e agirão com força e determinação”, diziam os folhetins. “Se vocês não mudarem isso, agiremos como fizemos em Jenin e Tulkarm”.

Colonos israelenses também invadiram o complexo da Mesquita de Al-Aqsa nesta quarta-feira (26/11), sob a proteção da polícia israelense. O governo de Jerusalém informou que um total de 559 sionistas entraram em grupos pelo Portão Mughrabi, realizando visitas provocativas e praticando rituais talmúdicos em seus pátios.

As cidades al-Asakra, Beit Faluwa, Harmala, Rafida e Tuqu’, localizadas a sudeste da província de Belém, sofreram diversas invasões. Uma fonte de segurança disse ao correspondente da agência palestina de notícias WAFA que um grupo de colonos vandalizou um veículo.

As forças israelenses também mobilizaram nesta quarta-feira tratores e equipamentos pesados ​​de construção em direção ao campo de refugiados de Nur Shams, a leste de Tulkarm. Os novos equipamentos de demolição chegam para intensificar o cerco genocida imposto ao campo nos últimos 291 dias, impedindo a maioria de seus moradores de retornar para suas casas.

O correspondente da WAFA acrescentou que é possível ouvir, intermitentemente, intensos tiroteios dentro do campo, enquanto a agressão israelense contra a cidade de Tulkarm e seu campo de refugiados continua pelo 304º dia consecutivo O local sofreu destruição generalizada, com as forças de ocupação demolindo centenas de casas e propriedades.

Portões de ferro também foram erguidos em várias de suas entradas, agravando o isolamento do campo e o sofrimento de seus moradores deslocados.

Fonte: Ópera Mundi

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