Funcionários da BYD fazem greve por melhores condições de trabalho

Trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho como operários da construção civil e da área metalúrgica

Funcionários da montadora chinesa BYD (Build Your Dreams), localizada em Camaçari, na Bahia, chegam, nesta quarta-feira (3), ao segundo dia de greve. Eles reivindicam melhores condições de trabalho como operários da construção civil e da área metalúrgica. A paralisação foi convocada nacionalmente pelo Movimento Luta de Classes (MLC) contra a escala 6×1 em mais de 15 estados do Brasil.

Na manhã quarta, segundo relatos, os trabalhadores foram recebidos por seis viaturas da polícia da Bahia, que tem ameaçado reprimir os operários com gás de efeito moral.

Centenas de trabalhadores, principalmente da construção civil da planta, estão em protesto do lado externo da empresa para demandar uma mesa de negociação com a gerência da montadora chinesa de carros elétricos.

Entre as reivindicações, estão o pagamento de 30% por insalubridade; aumento do auxílio alimentação e transporte; instalação de bebedouros, vestiários, banheiros e fumódromos; disponibilização de mais ônibus para deslocamento dentro da fábrica, pois os trabalhadores teriam que caminhar mais de 4 km; regularização do pagamento de salários e a atualização do piso salarial.

Os participantes aprovaram a greve geral no dia nacional de paralisação contra a escala 6×1 no Brasil. O protesto é organizado pelo Movimento Luta de Classes (MLC) e pela Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

Veja na íntegra a carta de reivindicação dos trabalhadores

“Os trabalhadores das terceirizadas Terra Construções, Falcão, Valtec, Engenova, realizaram hoje, dia 02 de dezembro de 2025, uma paralisação pacífica no portão de entrada da Montadora chinesa BYD, com o objetivo de denunciar as condições precárias de trabalho dentro da fábrica. Exigimos uma solução imediata para as seguintes reivindicações:

– Pagamento dos 30% de insalubridade
– ⁠Mais banheiros químicos e manutenção da limpeza dos mesmos
– ⁠Basta de assédio moral e ameaças de demissão. Respeito aos direitos e dignidade dos trabalhadores!
– ⁠Aumento do auxílio alimentação e transporte. E transporte para os trabalhadores que moram longe! Muitos trabalhadores tem gastado 600 reais ou mais do próprio salário.
– ⁠Instalação de bebedouros
– ⁠Construção de vestiários e banheiros
– ⁠Construção de fumódromos
– ⁠Cumprimento dos pagamentos de salários, cesta básico e a quinzena, chega de atraso! Atualização do piso salarial e da cesta básica já! O piso atualizado é 2.658 reais, as terceirizadas estão pagando 2.558 reais, ou seja, 100 reais a menos.
– ⁠⁠Disponibilização de mais ônibus para deslocamento dentro da fábrica. Os trabalhadores andam mais de 4 km a pé”.

Fonte: ICL

Israel quer deslocar moradores de Gaza para o Egito ‘nos próximos dias’

Israel anunciou nesta quarta-feira (3) que os habitantes da Faixa de Gaza poderão sair pelo Egito “nos próximos dias”, com base em uma medida contemplada no plano de paz dos Estados Unidos, mas o Cairo negou a informação e pediu a abertura nos dois sentidos.

“Segundo o acordo de cessar-fogo (…) o ponto de passagem de Rafah será aberto nos próximos dias exclusivamente para que os residentes da Faixa de Gaza saiam em direção ao Egito”, afirmou o Cogat, organismo do Ministério da Defesa israelense que supervisiona as atividades civis nos Territórios Palestinos.

O comunicado destaca que a abertura do ponto de passagem será organizada em coordenação com o Egito e a União Europeia, e corresponde a necessidade do estado sionista de tentar se livrar dos palestinos da Faixa de Gaza.

Pouco depois, no entanto, as autoridades no Cairo desmentiram a informação e insistiram que a passagem deve ser aberta nas duas direções.

“Se um acordo for alcançado para abrir a passagem, será nas duas direções, para entrar e sair da Faixa de Gaza, segundo o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, afirmou o serviço estatal de informação em um comunicado, que citou uma fonte oficial egípcia.

O Egito pede de maneira frequente a abertura da passagem para permitir a entrada de ajuda humanitária, conforme o plano dos Estados Unidos.

Duas fontes diplomáticas europeias indicaram à AFP que, a princípio, estavam preparadas para a abertura da passagem de Rafah para pedestres em 14 de outubro, poucos dias após a entrada em vigor da trégua entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas, após um anúncio similar. Mas a medida foi adiada.

A reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, entre Gaza e Egito, é parte do plano de paz do presidente Donald Trump para o território palestino. Também é uma demanda de longa data de várias agências da ONU e outros organismos humanitários. 

O Exército israelense tomou o controle do lado palestino da passagem fronteiriça em maio de 2024, alegando que estava sendo “utilizada com propósitos terroristas” e para a entrada de armas.

Redação com Uol

Ocupação israelense retém 6.000 caminhões de ajuda humanitária

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) afirmou que as autoridades de ocupação retêm cerca de 6.000 caminhões carregados com alimentos e suprimentos de ajuda humanitária, o suficiente para atender às necessidades de Gaza por um período completo. três meses. O carregamento também inclui centenas de milhares de tendas e cobertores destinados a 1,3 milhão de deslocados internos.

O assessor de imprensa da UNRWA, Adnan Abu Hasna, disse a jornalistas que, embora o número de caminhões que entram em Gaza tenha “aumentado nominalmente” em comparação com o período anterior ao cessar-fogo, ainda está muito aquém do necessário para atender às enormes necessidades que o território enfrenta após dois anos de guerra e bloqueio.

Ele afirmou que a ocupação continua a bloquear a entrada de centenas de itens essenciais, incluindo suprimentos médicos, equipamentos de água e saneamento e alimentos básicos.

Ele explicou ainda: “O que tem sido permitido é a entrada de um número limitado de caminhões transportando mercadorias comerciais, enquanto 95% da população da Faixa de Gaza depende de ajuda humanitária e não tem condições de comprar esses materiais”.

Abu Hasna acrescentou que a maioria das pessoas em Gaza perdeu quase completamente seu poder aquisitivo, restando à dependência total da ajuda humanitária a única opção disponível.

Fonte: Monitor do Oriente

Alagoas tem maior taxa de analfabetismo do país; Maceió lidera entre as capitais

Alagoas foi o estado com a maior taxa de analfabetismo do Brasil em 2024. O estado alagoano registrou 14,2% de pessoas de 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever – índice acima da média do Nordeste (11,1%) e mais que o dobro da média nacional (5,3%). Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, divulgados hoje (3) pelo IBGE.

Em relação a 2023, quando o indicador estava em 14,1%, os números mostram estabilidade, enquanto o Brasil e o Nordeste apresentaram pequena redução.

Entre as capitais brasileiras, Maceió aparece com 6,4% de pessoas analfabetas, o maior percentual do país. Na sequência, aparecem Rio Branco (5,6%), Macapá e Fortaleza (5,1%), Teresina (4,8%), João Pessoa (4,5%), Recife (4,1%) e Aracaju (3,9%).

Já as capitais com as menores taxas de analfabetismo são Florianópolis e Porto Alegre (1,0%), Rio de Janeiro (1,2%), Curitiba e Belo Horizonte (1,3%), Campo Grande e Vitória 1,6%), São Paulo, Salvador e Manaus (1,7%).

Frequência escolar
Outros aspectos da educação em Alagoas revelam um cenário de avanços importantes no acesso inicial à escola, mas também de persistência de desafios estruturais.

As taxas de frequência escolar líquida mostram que o ensino fundamental está praticamente universalizado no estado, com mais de 94% de frequência entre crianças de 6 a 14 anos.

Entretanto, a continuidade escolar enfrenta forte queda à medida que avançam as séries e a idade dos estudantes. Entre jovens de 15 a 17 anos (ensino médio), a frequência escolar líquida cai para 69,8%.

Essa queda se acentua ainda mais no ensino superior, no qual somente 18,2% dos jovens de 18 a 24 anos apresentam taxa de frequência escolar líquida em cursos universitários – menor percentual do país.

Outro ponto revelado pelas estatísticas é o tamanho das turmas na rede pública. Na educação básica, Alagoas apresenta turmas com média de 18 alunos na educação infantil (creche e pré-escola), 25 no ensino fundamental e 37 no ensino médio.

Desafios estruturais
Segundo Neison Freire, chefe da Seção de Disseminação de Informações do IBGE em Alagoas, apesar dos avanços na garantia de acesso à educação, o estado ainda enfrenta desigualdades persistentes, que se refletem em déficits históricos de escolaridade adulta, baixa conclusão dos estudos, queda acentuada na transição entre os diferentes níveis de ensino e, sobretudo, na manutenção da maior taxa de analfabetismo do Brasil.

“Esses indicadores mostram que o estado avança, mas ainda de forma insuficiente para superar obstáculos acumulados ao longo de décadas. O analfabetismo em Alagoas permanece como um dos nossos maiores desafios estruturais. Enquanto o Brasil e o Nordeste apresentaram redução, o estado manteve estabilidade num patamar ainda elevado. O fato de Maceió registrar a maior taxa entre as capitais reforça que o problema é generalizado e não restrito ao interior. Monitorar esses indicadores é essencial para orientar políticas públicas que promovam inclusão, permanência escolar e redução das desigualdades educacionais”, afirmou Neison Freire.

Mais sobre a pesquisa

A Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025 tem como objetivos sistematizar e apresentar um conjunto de informações relacionadas à realidade social do país, a partir de temas estruturais de grande relevância.Nesta edição, os temas estão organizados em três eixos fundamentais e complementares: Estrutura econômica e mercado de trabalho; Padrão de vida e distribuição de rendimentos; e Educação.

Fonte: Tribuna Hoje

PF faz busca e apreensão na 13ª Vara, onde Sergio Moro foi juiz

Ação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli e investiga documentos que a Justiça Federal do Paraná não havia entregado ao Supremo

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (3) um mandado de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Lava Jato. A operação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a unidade não entregar documentos requisitados pela Corte.

Segundo o STF, a Justiça Federal do Paraná deixou de atender pedidos reiterados de envio dos documentos relacionados ao caso, o que levou à autorização da busca.

Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e hoje senador pelo União Brasil, comandou a 13ª Vara durante os anos em que os casos da operação eram julgados em Curitiba.

A diligência teve como objetivo localizar papéis, mídias e materiais ligados ao inquérito que apura as acusações feitas pelo ex-deputado estadual Tony Garcia. Ele afirma que atuou como “agente infiltrado” em investigações conduzidas por Moro no caso Banestado.

Garcia relata que parte das provas estaria armazenada na 13ª Vara. Ele acusa Moro de ter ordenado gravações clandestinas e ações de espionagem, incluindo monitoramento de autoridades com foro privilegiado. A delação do ex-deputado está sob análise do STF desde 2023.

As acusações reacendem o debate sobre procedimentos adotados na Lava Jato, que já foi alvo de decisões judiciais que anularam atos e questionaram a condução da operação.

Moro nega todas as acusações. A defesa do senador afirma que ainda não teve acesso ao inquérito, mas sustenta que as apurações irão comprovar a correção dos procedimentos adotados por ele.

Nota na íntegra da defesa de Moro

A defesa do senador Sergio Moro não teve acesso aos autos do inquérito, instaurado com base em um relato fantasioso de Tony Garcia. Não houve qualquer irregularidade no processo de quase 20 anos atrás que levou à condenação de Tony Garcia por ter se apropriado de recursos de consorciados do Consórcio Garibaldi. Como o próprio PGR afirmou, não há causa para competência do STF no inquérito, já que não há sob investigação ato praticado por Sergio Moro na condição de senador ou ministro.

O senador não tem qualquer preocupação com o amplo acesso pelo STF aos processos que atuou como juiz. Essas diligências apenas confirmarão que os relatos de Tony Garcia são mentirosos.

Fonte: ICL

Presidente da Alerj é preso em operação que envolve o Comando Vermelho

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), foi preso pela Polícia Federal nesta quarta (3) na Operação Unha e Carne. Segundo a corporação, ele é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, quando o então deputado estadual TH Joias foi preso.

A ordem de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão, foi expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF afirma que o vazamento comprometeu diretamente o avanço das investigações. Para o órgão, houve “atuação de agentes públicos envolvidos no vazamento de informações sigilosas”, o que teria levado à obstrução da operação que mirava a atuação de grupos criminosos no Rio.

Ao todo, foram cumpridos um mandado de prisão, oito de busca e apreensão e um de intimação para medidas cautelares. A operação ocorre no contexto da decisão do STF na ADPF das Favelas, que determinou investigações sobre facções violentas no estado e suas conexões com agentes públicos. A Corte havia delegado à PF a apuração estruturada desses vínculos. Bacellar, segundo a investigação, interferiu no sigilo da apuração.

TH Joias, alvo da operação anterior, foi preso em 3 de setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele era suspeito de negociar armas e acessórios para o Comando Vermelho. A prisão ocorreu em duas ações simultâneas, uma autorizada pelo Tribunal Regional Federal e outra pelo Tribunal de Justiça do Rio. Ambas apontavam para um esquema de favorecimento ao grupo criminoso.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) afirma que TH utilizou o mandato para beneficiar a facção, inclusive nomeando comparsas para cargos na Alerj. Na Operação Zargun, a PF cumpriu 18 mandados de prisão, 22 de busca e apreensão e sequestrou bens avaliados em R$ 40 milhões. O esquema envolveria chefes do CV, agentes públicos, um delegado federal, policiais militares e ex-secretários.

Segundo a PF, a organização criminosa se infiltrou na administração pública para acessar informações sigilosas e garantir proteção às atividades ilícitas. As investigações apontam ainda importação de armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais. Os alvos respondem por organização criminosa, tráfico internacional, corrupção e lavagem de dinheiro.

No âmbito estadual, o Ministério Público denunciou TH e outras quatro pessoas na Operação Bandeirante por associação ao tráfico e comércio ilegal de armas de uso restrito. A denúncia relata vínculos com o Comando Vermelho nos complexos da Maré, Alemão e Parada de Lucas e movimentação de grandes quantias em espécie para financiar atividades da facção.

A operação desta quarta foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio (Ficco/RJ), que reúne PF, MPF, Polícia Civil e Ministério Público estadual. As medidas cumpridas ocorreram em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia e Copacabana, dentro de uma investigação que busca mapear conexões entre agentes públicos e o crime organizado.

Fonte: DCM

Renan Filho organiza privatização de terminais ferroviários

O Ministério dos Transportes decidiu avançar com a concessão de nove terminais ferroviários de carga existentes hoje sob o comando da estatal Infra S.A. e de 12 novas áreas no entorno da FNS (Ferrovia Norte-Sul) em trechos que passam por Tocantins, Goiás e São Paulo.

Com o aval do ministro Renan Filho, o pacote será enviado ao PPI (Programa de Parceria de Investimentos) nesta semana, segundo o secretário-executivo do ministério, George Santoro.

O projeto estava parado desde o governo Jair Bolsonaro, travando investimentos de ao menos R$ 1 bilhão nesses terminais logísticos após questionamentos judiciais da Rumo Malha Central, concessionária de um dos trechos da FNS.

Em um dos trechos, o do Terminal Granéis Líquidos de Santa Helena, em Goiás, a Granel Química, que arrematou a área, desistiu após a concessionária entrar na Justiça contra o certame.

Esse movimento gerou insegurança jurídica, afastando investidores privados interessados.

Segundo Santoro, com a consulta pública sobre a política do governo de desestatizações no setor, foi possível acabar com lacunas jurídicas nos editais e o processo deve avançar.

Ainda segundo o secretário, em Santa Izabel (GO), a prefeitura cedeu uma área para um grupo, que passou a ter acesso à ferrovia —livre de custos, o que foi questionado por depreciar o bem público.

“Com a nova política pública resolvemos essas lacunas”, disse Santoro.

O eventual sucesso do leilão abrirá espaço para que o governo realize outros similares com áreas no entorno da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), uma das prioridades da pasta.

“Um dos objetivos [com esses leilões] é tornar a Infra S.A. independente financeiramente em dois ou três anos com as receitas geradas pela carteira desses projetos.”

Fonte: Uol

Israel opera uma política de tortura contra palestinos, constata ONU

O Comitê das Nações Unidas contra a Tortura encontrou evidências críveis de que Israel opera uma “política estatal de facto de tortura e maus-tratos organizados e generalizados”, alertando que tais práticas podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e podem atender aos critérios legais para [informação faltante]. genocídio.

Em suas observações finais sobre a sexta revisão periódica de Israel, o Comitê afirmou estar “profundamente preocupado” com as múltiplas e graves alegações de tortura e maus-tratos contra palestinos privados de liberdade, incluindo crianças. Descreveu ainda que a situação se “intensificou gravemente” desde 7 de outubro de 2023.

O relatório da ONU lista alegações detalhadas de abusos, baseadas em depoimentos de grupos de direitos humanos, especialistas médicos e dos próprios detidos. Entre as denúncias, estão espancamentos com cassetetes e coronhadas de fuzil, chutes na cabeça e nos genitais, eletrocussão, inclusive nos genitais e no ânus, afogamento simulado, posições de estresse prolongadas, violência sexual, incluindo estupro, abuso sexual, nudez forçada e ameaças sexuais, uso de cães de ataque, exposição a frio ou calor extremos, incluindo o uso de água fervente. As vítimas relataram terem sido urinadas, forçadas a usar fraldas ou obrigadas a agir como animais. Muitas eram acorrentadas o tempo todo, vendadas e alimentadas por canudo.

“O Comitê expressa sua profunda preocupação com as alegações de repetidas agressões severas, ataques de cães, eletrocussão, afogamento simulado, uso de posições de estresse prolongadas, violência sexual, ameaças contra detidos e seus familiares, insultos à dignidade pessoal e humilhações, como serem obrigados a agir como animais ou serem urinados, negação sistemática de cuidados médicos, uso excessivo de algemas, em alguns casos resultando em amputação, realização de cirurgias sem anestesia, exposição a frio ou calor extremos, incluindo água fervente”, afirmou a ONU.

Em sua lista de graves violações cometidas por Israel, o Comitê incluiu: “negação de nutrição e água adequadas, privação de roupas, sono e acesso a instalações e produtos de higiene, incluindo produtos de higiene feminina, privação de luz ou escuridão, uso de música e ruídos altos, negação do direito à livre prática religiosa e o uso forçado de medicamentos alucinógenos, de forma discriminatória, contra palestinos, e para fins que incluem a extração de informações ou confissões e como meio de punição, inclusive coletiva.”

O Comitê expressou alarme com o uso, por Israel, da Lei de Combatentes Ilegais para deter crianças, idosos e mulheres grávidas sem acusação formal. Observou que muitos detidos foram mantidos em confinamento solitário, privados de acesso à família, assistência jurídica, educação ou mesmo higiene básica, alimentação e água.

Relatou ainda que 75 detidos palestinos morreram sob custódia israelense desde 7 de outubro de 2023, muitos apresentando sinais de inanição, ferimentos não tratados, desidratação e sinais de tortura. As famílias frequentemente não eram informadas, o que configura desaparecimento forçado segundo o direito internacional. Apesar dessas mortes, o Comitê observou que nenhum funcionário israelense foi responsabilizado.

O Comitê concluiu que os atos de tortura e maus-tratos cometidos contra palestinos privados de liberdade podem ser considerados crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O Comitê fez referência às conclusões anteriores da Comissão de Inquérito da ONU de que tais atos podem fazer parte do actus reus do genocídio — um termo em latim que se refere ao “ato ilícito” ou ao componente físico de um crime, neste caso, a prática deliberada de causar danos a um grupo protegido.

O Comitê instou Israel a cessar imediatamente o uso de tortura e maus-tratos, conceder acesso irrestrito a todos os centros de detenção a monitores independentes, estabelecer uma comissão de inquérito independente, investigar e processar todos os funcionários responsáveis, incluindo militares e oficiais de inteligência, e revogar ou emendar as leis que permitem a detenção arbitrária e garantir a proteção de detidos vulneráveis, especialmente crianças.

Fonte: Monitor do Oriente

Com Tarsício e Nunes, cidade de São Paulo bate recorde de feminicídios em 2025

De janeiro a outubro, a capital teve 53 casos, o número mais alto desde o início da série histórica em 2015. No estado de SP, foram 207 feminicídios neste ano e, no mesmo período de 2024, 191.

Em 2025, a cidade de São Paulo registrou o maior número de casos de feminicídio para um ano desde que a série histórica foi iniciada, em abril de 2015. Entre janeiro e outubro, foram 53 ocorrências.

Mesmo sem os dados de novembro e dezembro, o ano já acumula o recorde de casos de feminicídio na capital paulista.

Os dados foram levantados pela GloboNews com base nos números divulgados no Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo.

São considerados apenas os feminicídios consumados, ou seja, não estão inclusas as tentativas de feminicídio, como o caso da mulher que foi atropelada e arrastada por mais de 1 km no sábado (29) (leia mais abaixo).

Mulher teve pernas amputadas após ser arrastada por homem por mais de 1 km em SP — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

FEMINICÍDIOS NA CIDADE DE SP

  • 2025 (até out): 53
  • 2024: 51
  • 2023: 38
  • 2022: 41
  • 2021: 33
  • 2020: 40
  • 2019: 44
  • 2018: 29
  • 2017: 26
  • 2016: 13
  • 2015 (a partir de abril): 6

Fonte: SSP

🔍 O crime de feminicídio foi tipificado em lei federal em março de 2015. A partir disso, os casos começaram a ser contabilizados separadamente de outros tipos de homicídio. A lei considera feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. As penas variam de 12 a 30 anos de prisão.

Feminicídios na cidade de São Paulo, segundo a SSP. — Foto: Arte/GloboNews

Feminicídios na cidade de São Paulo, segundo a SSP. — Foto: Arte/GloboNews

Cidade de São Paulo registra 1º semestre com maior número de feminicídios da história

Cidade de São Paulo registra 1º semestre com maior número de feminicídios da história

Em todo o estado de São Paulo, foram registrados 207 feminicídios entre janeiro e outubro deste ano. No mesmo período do ano passado, foram 191. Um aumento, portanto, de 8% considerando os dez primeiros meses do ano.

De acordo com Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), o número maior de registro de casos pode ser explicado não somente pelo aumento da misoginia, ou o ódio pelas mulheres, como também por causa da Lei do Feminicídio, que tipifica o crime como homicídio qualificado e crime hediondo.

“Uma hipótese que tínhamos com a nova lei, tendo o feminicídio como crime autônomo, era de passarmos também um período em que isso iria contribuir para o crescimento dos números”, afirma.

“Por um lado, cresce mesmo a violência contra a mulher. E, por outro, as autoridades estão ficando mais preparadas para olhar para a morte violenta e intencional de mulheres com essa perspectiva de gênero que leva à classificação como feminicídio.”

No entanto, a coordenadora do Lesfem lembra que a questão do feminicídio é transversal, não se limitando somente à segurança pública. “Políticas de educação, saúde, assistência social, renda, trabalho e habitação precisam estar integradas nesse processo de prevenir a violência contra a mulher e estancar essa violência para que não chegue ao feminicídio”, segundo Silvana.

Sobre esse aumento, a Prefeitura de São Paulo disse, em nota, que possui diversas iniciativas e serviços para o atendimento de mulheres em situação de violência, como as Casas da Mulher e o programa Guardiã Maria da Penha da Guarda Civil Metropolitana, que já atendeu a mais de 20 mil mulheres.

O governo do estado disse que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade e destacou iniciativas como a ampliação de 142 delegacias de defesa da mulher e o app Mulher Segura, que possui botão de pânico para pedidos de ajuda.

Ao final da reportagem, leia as notas na íntegra.

Capital paulista

Na manhã de sábado (29), uma mulher de 31 anos foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro por um carro dirigido por um ex-ficante até a Marginal Tietê, em São Paulo. De acordo com o boletim de ocorrência, ela passou por cirurgias e teve as pernas amputadas devido à extensão das lesões. Ela segue internada em estado grave.

Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu após a vítima, Tainara Souza Santos, sair de um bar no Parque Novo Mundo, na Zona Norte. Ela, que é mãe de dois filhos, um de 12 e uma de 7 anos, foi levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, na Vila Maria, também na Zona Norte. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso.

Já na segunda-feira (1°), um homem atirou seis vezes, usando duas armas ao mesmo tempo, contra a ex-companheira Evelin de Souza Saraiva, de 38 anos, no bairro Jardim Fontalis, na Zona Norte de São Paulo.

A tentativa de feminicídio ocorreu dentro de uma pastelaria onde Evelin trabalha, e foi registrada por uma câmera de segurança. A vítima foi socorrida pelo helicóptero Águia da PM e levada para o Hospital das Clínicas. Passou por cirurgia e está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O quadro é considerado delicado.

Bruno Lopes Barreto fugiu do local em uma moto após o crime e, até a última atualização desta reportagem, permanecia foragido. Um pedido de prisão temporária foi feito à Justiça.

O que dizem a prefeitura e o governo de SP

Abaixo, veja a íntegra da nota da Prefeitura de SP:

“A Prefeitura de São Paulo possui diversas iniciativas e serviços para o atendimento a mulheres vítimas de violência. Uma delas é o programa Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que já atendeu mais de 20 mil mulheres, acompanha outras 6 mil e conta com 23 viaturas para patrulhamento na capital – no último ano essa frota quase dobrou. Além disso, a corporação tem uma Inspetoria de Defesa da Mulher e Ações Sociais (IDMAS), formada por 165 agentes especializados. As mulheres atendidas também conseguem acesso ao Aplicativo da Mulher, integrado ao Smart Sampa, que permite monitoramento constante e o acionamento imediato de viaturas, garantindo resposta rápida em situações de emergência.

Nas áreas de assistência social e direitos humanos, a rede municipal conta hoje com cerca de 70 serviços ativos, entre eles as Casas da Mulher, os Centros de Defesa e Convivência da Mulher, a Casa da Mulher Brasileira (aberta 24 horas) e unidades sigilosas para mulheres em risco de morte. Desde 2021, já foram entregues 19 novos equipamentos exclusivos para mulheres, como Centros de Acolhida e Repúblicas. A Prefeitura ainda oferece o Auxílio Ampara, destinado a crianças e adolescentes que perderam suas mães ou responsáveis vítimas de feminicídio, e o auxílio-aluguel para mulheres vitimizadas e seus filhos menores de 18 anos. As políticas incluem também serviços especializados de acolhimento, orientação jurídica, apoio psicológico e atendimento socioassistencial.”

Abaixo, veja a íntegra da nota do governo de SP:

“A SSP destaca que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo. A pasta mantém diversas iniciativas voltadas ao tema, entre elas a Cabine Lilás, que já realizou cerca de 14 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência em todo o Estado de São Paulo. Criada de forma inédita no âmbito do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), a Cabine Lilás oferece atendimento humanizado por policiais femininas treinadas para acolher e orientar vítimas de violência doméstica. As agentes fornecem informações sobre medidas protetivas, canais de denúncia e serviços de apoio, além de despachar viaturas quando necessário. O projeto, inicialmente implantado na capital, foi ampliado para a Grande São Paulo e para o interior, com unidades nas regiões de Campinas, São José dos Campos, Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba, Presidente Prudente e Piracicaba.

Mais proteção às mulheres

Entre as iniciativas da SSP, cabe também ressaltar as 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) territoriais – duas inauguradas no atual governo – e as salas DDM 24h, que foram ampliadas em 174,1% na atual gestão, com um total de 170 espaços em plantões policiais, para que as vítimas sejam atendidas por videoconferência por uma delegada mulher. As DDMs de todo o estado também tiveram reforço em seu efetivo com 473 novos policiais, enquanto as vagas da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial – Dejec para policiais civis atenderem na DDM online, de forma voluntária em sua folga, dobrou, passando de 140 para 280.

Há que mencionar, ainda, o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro de boletim de ocorrência e possui botão de pânico para pedidos de ajuda; e o tornozelamento eletrônico de autores de violência doméstica, que atualmente monitora 191 infratores, dos quais 89 já foram presos por descumprimento de medidas impostas pelo judiciário.”

Fonte: G1

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