Corrupção: aliados de Bolsonaro com cargos secretos sacaram R$ 226 milhões em dinheiro no RJ

Governador Cláudio Castro (PL), aliado de Bolsonaro, transformou a Ceperj num imenso cabide de emprego e foco de corrução.

Funcionários contratados por meio de cargos secretos pela Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio) sacaram R$ 226,4 milhões em dinheiro no Banco Bradesco somente nos sete primeiros meses deste ano. A informação é proveniente de uma investigação realizada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) após reportagens publicadas pelo UOL.

Os dados constam em uma ação que tramita desde domingo (31) na 15ª Vara de Fazenda Pública do Rio. Nela, os promotores pedem a suspensão de novas contratações pelo órgão a não ser que haja transparência. O volume sacado em espécie nas agências onde os funcionários recebem seus pagamentos representa 91% de tudo o que a fundação pagou a eles em 2022 (R$ 248,9 milhões).

O levantamento do MP-RJ baseou-se em uma planilha fornecida pelo banco em que aparecem 27.665 pessoas pagas pela Ceperj ao longo deste ano. O número supera a estimativa feita inicialmente pelo UOL, de cerca de 18.000, que se baseou em documentos públicos disponíveis até o mês passado.

Na ação, os promotores Eduardo Santos de Carvalho, Gláucia Santana e Silvio Ferreira de Carvalho Neto afirmam que os saques em espécie são “um procedimento que afronta as mais comezinhas regras de prevenção à lavagem de dinheiro”.

O governo estadual ainda não foi notificado da ação, e a Justiça ainda não decidiu se concede a liminar que poderá suspender novas contratações e impedir que novos pagamentos sejam feitos na “boca do caixa”.

Ontem (1º), a fundação também suspendeu por um mês o projeto Casa do Trabalhador, que possui 9.000 cargos secretos para que seja feita uma auditoria. A medida foi tomada após reportagem do UOL.

Meio milhão em um só dia

Nas investigações realizadas pelo MP-RJ, o volume de saques em dinheiro em uma agência na cidade de Campos dos Goytacazes chamou a atenção dos promotores.

Em oito datas, entre janeiro e junho, foram sacados pelo menos R$ 300 mil em espécie em cada uma delas. O maior volume, no dia 14 de junho, chegou a R$ 536 mil.

“A realização de saques de dinheiro em grande volume, tal como acima retratado, constitui nítida afronta às normas de prevenção à lavagem de dinheiro”, reforçaram os promotores.

O MP-RJ também aponta que a prática traz indícios de que parte dos valores poderia estar sendo repassada pelos funcionários a terceiras pessoas, em um esquema de rachadinha:

“É manifesto, portanto, o risco de que a pessoa responsável por arregimentar a mão de obra contratada coordene as operações de saque em espécie para a mesma data, de modo a facilitar que parcela da remuneração dos contratados lhe seja repassada sem deixar rastros no sistema financeiro”.

Os promotores dizem ainda que “o levantamento de quase R$ 226,5 milhões em espécie implica em um volume incomensurável de dinheiro oriundos dos cofres públicos circulando ‘por fora’ do sistema financeiro, cuja efetiva destinação será impossível de verificar”.

Um funcionário, três salários

Outra constatação dos promotores foi a presença de funcionários públicos entre os cargos secretos da Ceperj, conforme já havia sido mostrado em reportagem do UOL.

O MP-RJ constatou, porém, que não só há servidores recebendo salários extras dessa forma, como eles também vêm ganhando dois pagamentos da fundação, além do que recebem na folha de pagamento regular do estado.

Foram identificados um caso de uma servidora do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) e outro da Secretaria Estadual de Governo, que “sugerem que estejam ganhando através de dois projetos diferentes da Ceperj”.

Com algumas exceções, como profissionais de saúde e professores, tanto o estatuto do servidor fluminense quanto a Constituição Federal proíbem o acúmulo de cargos ou funções.

O que o UOL já revelou

Na petição inicial da ação do MP-RJ, de 79 páginas, o UOL foi citado 15 vezes. Confira o que já foi publicado sobre os cargos secretos do governo Cláudio Castro (PL).

O escândalo foi revelado no fim de junho. Em reportagem exclusiva, o UOL mostrou que o governo do Rio mantém ao menos 18 mil vagas de trabalho na Ceperj sem nenhuma transparência.

Um dos projetos com cargos secretos recebeu transferência relâmpago de R$ 58 milhões com verbas da educação.

Levantamento feito com dados da Secretaria Estadual de Fazenda mostrou que Cláudio Castro aumentou em 25 vezes o orçamento da fundação desde que assumiu o cargo. Somente neste ano, o incremento chegou a R$ 300 milhões até junho.

Uma planilha elaborada pela Secretaria de Trabalho implica diretamente Castro no escândalo. O documento recebeu o nome de “governador” e tratava do orçamento para 9.000 cargos secretos. Procurada, a Secretaria de Trabalho afirmou que iria apurar se houve “um erro na confecção da planilha”.

Após a revelação do UOL, o governo chegou a colocar o documento sob sigilo, mas voltou atrás.

Reportagem exclusiva também mostrou que polos do programa Casa do Trabalhador, o maior dentre os que têm folhas de pagamento secretas, estão sendo controlados por pré-candidatos do Podemos, partido presidido pelo secretário de Trabalho e Renda, Patrique Welber. A pasta afirmou que “as unidades do projeto são equipamentos públicos e não têm finalidade político-partidária”.

O UOL revelou ainda que um código genérico foi usado pela Fundação Ceperj para esconder R$ 284 milhões em pagamentos a contratados nesses cargos secretos. O governo alega que não há ilegalidade e que isso foi feito para dar “agilidade no processo interno”.

A última reportagem mostrou que funcionários públicos estão recebendo salários extras por meio dos cargos secretos de projetos da Ceperj. O tema está entre os que estão sendo abordados na auditoria feita pelo governo estadual.

Fonte: Uol

Pesquisa PoderData: Bolsonaro cai e Lula aumenta vantagem

Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manteve estável nas intenções de voto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) teve oscilação negativa, o que amplia a vantagem do petista. É o que mostra a nova pesquisa eleitoral 2022 PoderData, divulgada nesta quinta-feira (4).

Lula aparece com 43%, mesmo índice da pesquisa anteriores, enquanto Bolsonaro apareceu com 35%, dois pontos a menos. A variação está dentro da margem de erro.

A pesquisa foi realizada entre os dias 31 de julho e 2 de agosto por meio de ligações para telefones fixos e celular. Foram ouvidas 3.500 pessoas e a margem de erro é de dois pontos percentuais. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-08398/2022.

O levantamento ainda tem os nomes de Luciano Bivar (União Brasil), que deixou a corrida à presidência, e de André Janones e Pablo Marçal, que também devem ficar de fora.

Veja os resultados da pesquisa PoderData:

  • Lula (PT): 43%
  • Jair Bolsonaro (PL): 35%
  • Ciro Gomes (PDT): 7%
  • Simone Tebet (MDB): 4%
  • André Janones (Avante): 2%
  • Felipe D’Ávila (Novo): 1%
  • Eymael (DC): 1%
  • Branco/nulo: 4%
  • Não sabem: 2%

Luciano Bivar (União Brasil), Sofia Manzano (PCD), Pablo Marçal (Pros), Péricles (UP) e Vera Lúcia (PSTU) não pontuaram.

Com os números da pesquisa, o ex-presidente Lula não venceria logo no primeiro turno. Enquanto o petista teria 45% dos votos válidos (sem brancos e nulos), a soma dos outros candidatos chega a 53%.

Fonte: Yahoo! Notícias

Câmara aprova MP de Bolsonaro que acaba com direitos trabalhistas

Câmara aprova retirar direitos trabalhistas em casos de estado de emergência. Medida Provisória do governo federal retoma algumas regras do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, adotado durante a pandemia, como redução de salários e o não depósito do FGTS, entre outras.

 instituído para combater consequências de estado de calamidade pública. 

Com o programa, contratos de trabalho poderão ser suspensos temporariamente, com a concessão do Benefício Emergencial (Bem), a ser pago mensalmente como compensação aos trabalhadores atingidos. Além da suspensão temporária dos contratos, será possível a redução proporcional da jornada de trabalho e do salário.

O Benefício Emergencial devido a cada trabalhador será calculado com base no valor que ele teria direito de seguro-desemprego. O beneficiário poderá receber o Bem na instituição financeira em que possuir conta-poupança ou conta de depósito à vista, exceto conta-salário.

Em 2021, o valor do BEm era calculado pelo Ministério da Economia, de acordo com o salário dos últimos três meses e correspondeu ao percentual do seguro-desemprego a que o trabalhador teria direito caso fosse demitido, até o valor máximo do benefício, conforme o tipo de acordo e o percentual de redução negociado com o empregador. Hoje o teto do seguro-desemprego está em R$ 2.106,08.

Na redução de 25% da jornada e salários, o trabalhador recebe 75% do salário + 25% da parcela do BEm

Na redução de 50% da jornada e salários, o trabalhador recebe 50% do salário + 50% da parcela do BEm

Na redução de 70% da jornada e salários, o trabalhador recebe 30% do salário + 70% do BEm.

Como deve funcionar com a nova MP

O empregador pode acordar a suspensão do contrato de trabalho de forma setorial, departamental, parcial ou na totalidade dos postos de trabalho. O período máximo previsto para a redução da jornada e a suspensão dos contratos de trabalho é de 90 dias, prorrogável enquanto durar o estado de calamidade pública em âmbito nacional ou local.

FGTS

Em relação aos recolhimentos do FGTS, a medida provisória dá poderes ao Ministério do Trabalho para suspender a exigibilidade por até quatro meses nos estabelecimentos situados em municípios com estado de calamidade pública reconhecido pelo governo federal.

A medida alcança todas as empresas, independentemente do setor em que atuam, do regime tributário ou de adesão. Os depósitos ao fundo serão retomados após o fim da medida alternativa, em seis parcelas, sem incidência de juros, multas ou outros encargos.

Abrangência

As medidas da MP se estendem a trabalhadores rurais, domésticos e temporários urbanos, além de aprendizes e estagiários. Ato do Ministério do Trabalho e Previdência estabelecerá o prazo de adoção das medidas alternativas, que poderá ser de até 90 dias, prorrogável enquanto durar o estado de calamidade pública decretado.]

Concessão de férias

A concessão de férias coletivas poderá ser decidida pelo empregador e informada aos empregados com antecedência mínima de 48 horas. Ela poderá incidir sobre toda a empresa ou setores dela. A MP permite a concessão por prazo superior a 30 dias.

Oposição critica MP

O deputado Bohn Gass (PT-RS) criticou a medida provisória por flexibilizar e prejudicar as relações de trabalho. “Em casos de calamidade, as contratações nos municípios vão ser mais precárias ainda. Vamos dar um cheque em branco para terceirizações e contratos emergenciais, sem concursos e estabilidade”, alertou.

A líder do Psol, deputada Sâmia Bomfim (SP), afirmou que as medidas adotadas durante a pandemia se limitavam ao contexto específico da necessidade de seguir regras de isolamento social. “Eram medidas para salvar os trabalhadores e as empresas do ramo produtivo que empregavam muitas pessoas que corriam o risco de ser demitidas”, comentou. “Isso não se justifica como um gatilho para outras situações de crise.”

O deputado Bira do Pindaré (PSB-MA) disse que a matéria não deveria ser discutida em uma medida provisória. “O governo quer atropelar direitos de trabalhadores na véspera da eleição”, lamentou.

Governistas e liberais apoiam a MP

Já o deputado Alexis Fonteyne (Novo-SP) afirmou que a medida provisória moderniza as relações trabalhistas e pode gerar emprego e renda.

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) ressaltou que as medidas adotadas na pandemia garantiram a manutenção de mais de 20 milhões de empregos formais.

O deputado Paulo Marinho Jr (PL-MA) lembrou que o índice de desemprego está em queda, com 9,3 milhões de desocupados no último trimestre segundo o IBGE, o menor número desde 2016. “As medidas em vigor têm surtido efeito, e a economia está melhorando”, avalia. O deputado, no entanto, não esclareceu que o aumento de vagas de trabalho é  sem carteira assinada, e a maioria dos trabalhadores exerce atividades informais.

Leia mais: Renda cai e número de trabalhadores informais é recorde, mostra pesquisa IBGE

Por volta das 18 horas desta quarta, os senadores aprovaram também o texto principal da MP 1.109/22, que autoriza regras trabalhistas diferenciadas em período de calamidade pública. Os parlamentares votam ainda esta noite os pedidos de destaque a emendas e trechos do texto.

Fonte: CUT

Pesquisa Quaest: Lula lidera com 44% e todos os outros juntos 42%

Pesquisa da Quaest Consultoria realizada com entrevistas face a face, contratada pela Genial Investimentos e divulgada hoje, aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança para a Presidência, com 44% das intenções de voto no cenário estimulado, quando os eleitores escolhem a partir de uma lista de pré-candidatos. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 32%.

Em comparação com a última pesquisa presidencial e nacional deste instituto, Lula e Bolsonaro oscilaram dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No mês passado, o petista tinha 45% e o presidenciável do PL aparecia com 31%.

Assim como em julho, a pesquisa não aponta uma garantia de vitória de Lula em primeiro turno, devido à soma dos outros candidatos ser 42%, comparado aos 44% do ex-presidente e considerando a margem de erro. Apesar disso, o petista segue vencendo todas as simulações de segundo turno.

No cenário principal, após Lula e Bolsonaro, vem numericamente Ciro Gomes (PDT), com 5%. Ele empata tecnicamente com André Janones (Avante), com 2%; Simone Tebet (MDB), com 2%; e Pablo Marçal (Pros), com 1%. Os demais candidatos não pontuaram.

O levantamento ouviu 2.000 pessoas face a face, entre os dias 28 e 31 de julho. O índice de confiança, segundo o instituto, é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-02546/2022 e custou R$ 139.005,86.

Cenário estimulado

Lula (PT): 44%

Jair Bolsonaro (PL): 32%

Ciro Gomes (PDT): 5%

André Janones (Avante): 2%

Simone Tebet (MDB): 2%

Pablo Marçal (Pros): 1%

Vera Lúcia (PSTU): 0%

Eymael (DC): 0%

Felipe D’Avila (Novo): 0%

Sofia Manzano (PCB): 0%

Luciano Bivar (União Brasil): 0%

Leonardo Péricles (UP): 0%

Brancos/Nulos/Não vai votar: 6%

Indecisos: 6%

Cenário espontâneo

Na sondagem espontânea, quando os eleitores podem apontar o nome de sua preferência sem uma lista prévia, tanto Lula, com 33%, quanto Bolsonaro, com 26%, oscilaram na margem de erro. No mês passado, o petista tinha 31% e o presidente, 24%.

Lula (PT): 33%

Jair Bolsonaro (PL): 26%

Ciro Gomes (PDT): 1%

Brancos/Nulos/Não vai votar: 3%

Indecisos: 36%

Fonte: Uol

Guru de Michelle, pastor é acusado de abafar golpe contra fiéis

Guru religioso da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Josué Valandro Jr. é acusado de abafar um golpe financeiro aplicado por um ex-líder da congregação evangélica que ele dirige, a Igreja Batista Atitude.

Duas fiéis da igreja evangélica dizem ter sido vítimas do golpe. Os episódios ocorreram em 2017, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e resultaram em processos contra o suposto golpista, o também pastor Oséias Oliveira de Abreu, e contra a igreja.

As vítimas afirmam ter transferido quase R$ 1 milhão para uma conta nos Estados Unidos em nome de uma empresa do pastor Oséias. Segundo elas, ele havia prometido um retorno financeiro com o investimento no exterior, mas o dinheiro desapareceu.

Oséias era líder de uma célula da igreja que era frequentada pelas duas mulheres no Rio e atuava como supervisor da congregação comandada por Josué Valandro.

O caso virou um problema para o guru de Michelle Bolsonaro porque as vítimas dizem, inclusive nos autos do processo, que o procuraram para denunciar o golpe e pedir ajuda, mas ele nada fez.https://d-20874767273015033037.ampproject.net/2207181727000/frame.html

À coluna, as duas mulheres relataram que Josué Valandro simplesmente ignorou a queixa e agiu para abafar a história, com o intuito de preservar a imagem da igreja.

A economista Alessandra Costa de Azevedo, que transferiu R$ 200 mil para uma conta do pastor em Miami, afirma que o pastor Josué Valandro retornou as tentativas de contato feitas por ela somente após processar Oséias de Abreu e a igreja.

“Ele me ligou. Achei que ele tinha se arrependido, que iria me ajudar, estender a mão, mas não. Pediu para que não envolvesse o nome dele nem o nome da igreja em processo nenhum”, disse ela.

A outra vítima, a dona de casa Sigrid Engersen de Souza, incluiu o próprio Josué Valandro entre os alvos do processo que moveu para tentar reaver os R$ 726 mil reais que perdeu.

Na ação, ela anexou mensagens trocadas por WhatsApp com o guru de Michelle. “Se arrependa enquanto é tempo! A igreja nada tem a ver com isso e vc sabe! Faz de quem te apoiou a vida inteira teus inimigos? Acha que Deus vai abençoar isso?”, escreveu o pastor Valandro à fiel.

Sigrid afirma ter entendido a mensagem como uma tentativa de provocar “temor” e, assim, impedir que o caso fosse levado adiante. “Quando o pastor Josué descobriu (o processo contra a igreja), além de ter me amaldiçoado, ele começou a denegrir a minha imagem na igreja e excluiu a minha conta na plataforma da igreja”, diz.

Em abril deste ano, o pastor Josué Valandro admitiu à Justiça que Oséias de Abreu era líder e supervisor da igreja e declarou ter tomado conhecimento dos processos a que ele responde, mas ressalvou que a congregação não tem nenhuma relação com o sumiço do dinheiro das fiéis.

Valandro fundou a Igreja Batista Atitude no início dos anos 2000. Hoje, a denominação tem 17 filiais, incluindo uma nos Estados Unidos e outra no Canadá.

A igreja ficou mais conhecida após passar a ser frequentada por Michelle Bolsonaro. A primeira-dama atuava como intérprete de libras nos cultos. Na campanha de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro subiu no palco ao lado do pastor Valandro, que orou para que ele vencesse o pleito.

Após a eleição, o pastor passou a frequentar o Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência. No fim de 2021, ele foi condecorado por Bolsonaro com a Ordem do Rio Branco, uma das principais honrarias concedidas pelo governo.

Em maio deste ano, o pastor comandou um culto ao lado de Michelle na Câmara dos Deputados. Depois, participou com ela de uma excursão a Jerusalém, em Israel.

À coluna, o pastor Valandro afirmou por meio de seu advogado que “não comenta” processos em andamento e que já se defendeu na ação. O pastor Oséias de Abreu não foi localizado.

Em 2017, logo após receber as transferências de dinheiro das fiéis, o pastor Oséias chegou a ser preso por estelionato, mas em razão de denúncias feitas por outras vítimas. Em sua casa, em um condomínio de mansões na Barra da Tijuca, a polícia encontrou jóias e pedras preciosas.

Fonte: Metrópoles

Cortes deixam 17 universidades federais com risco de parar em 2022

UFRJ, por exemplo, afirma que tem verba para pagar servidores só até novembro

Um levantamento do GLOBO aponta que 17  instituições federais de ensino superior têm risco de interromper suas atividades até o fim do ano por falta de dinheiro para pagar contas básicas, como água e luz. Entre elas, estão as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), da Bahia (UFBA), do Pará (UFPA) e de Juiz de Fora (UFJF).

As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários. Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.

A UFRJ só consegue pagar as contas até setembro. “A expectativa é de que as empresas ainda prestem serviço no mês de outubro. Mas se nada acontecer em termos de recomposição orçamentária, em novembro e dezembro podemos ter que suspender contratos e interromper as atividades em toda universidade”, informou a instituição.
A Universidade Federal de Santa Catarina projetou as despesas da universidade até o final do ano. Após os bloqueios, “estaria com o seu funcionamento comprometido até meados do mês de novembro”, informou a instituição.

Prejuízos

“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA. “Já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará , que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.

A Universidade Federal de Alfenas vai precisar diminuir o número de bolsas acadêmicas, a compra de insumos para aulas práticas, obras em andamento e a quantidade de atendidos pela assistência estudantil. Estudantes mais pobres poderão perder auxílios fundamentais para continuarem seus estudos. Mesmo assim, a instituição pode não conseguir chegar ao fim do ano com todos os seus serviços abertos.

A Universidade Federal de Lavras precisou demitir quase 150 funcionários terceirizados. Eles correspondiam a 25% dos que atuavam na limpeza, manutenção e segurança.

Sem dinheiro para combustível, a Universidade Federal da Grande Dourados informa que corre risco de não conseguir ofertar aulas a comunidades indígenas e camponeses que estudam na modalidade de alternância e precisam se deslocar de suas localidades. A Universidade Federal de Sergipe proibiu o uso de ar-condicionado em todo o câmpus. A Universidade de Brasília cortou até em livros. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estuda diminuir o uso de recursos do portal de internet.

A situação dos prédios universitários também é prejudicada com os cortes, que atingem os orçamentos de manutenção. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ainda sofre com estragos de uma tempestade que atingiu Maceió em maio. Mas não há dinheiro para o conserto de telhados, infiltrações, paredes mofadas e salas interditadas.

A Universidade Federal para a Integração Latino-Americana (Unila), que está em fase de implantação, não vai conseguir conseguir avançar com as construções e licitações planejadas e continuará pagando aluguel.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre ganhou um prédio novo da União. Mas o imóvel só poderá ser usado após reformas, que não poderão ser feitas por conta da falta de dinheiro disponível.

Outra consequência dos cortes serão dívidas milionárias para 2023. A Universidade Federal do Rio Grande fechará o ano com um débito de R$ 9,6 milhões. A dívida da Ufal deve chegar a R$ 20 milhões. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) afirmou que, pela essencialidade do serviço, “essas instituições não podem considerar a interrupção de atividades como possibilidade”. No entanto, afirmou que “após repetidos cortes orçamentários as universidades não têm como honrar com os compromissos assumidos para seu funcionamento”. Para piorar, o cenário que está sendo debatido no Congresso não é nada animador.

“Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver”, afirmou Dyomar Toledo Lopes, Pró-Reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás.
O levantamento de O GLOBO procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês. Destas, 54 responderam aos questionamentos.

Rotina de apertos

As universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. O orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões. Neste momento, todas as universidades estavam apenas no sistema remoto. Por isso, as despesas também diminuíram. Em 2022, porém, a volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões. Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários.

Em nota, o MEC não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.

Fonte: IG

Mamata: empresa de Nelson Piquet recebe aditivo de R$ 6,6 milhões do governo Bolsonaro

O ex-piloto de Fórmula 1, o bolsonarista, Nelson Piquet, receberá através da empresa que preside, a Autotrac Comércio e Comunicações, um aditivo de R$ 6,6 milhões por um contrato assinado em 2019, sem licitação, com o Ministério da Agricultura do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O valor inicial do contrato foi de R$ 3,5 milhões. Em dezembro de 2020, o governo concedeu à empresa de Piquet um termo aditivo que, hoje, faz com que o montante chegue a exatos R$ 6.683.791,80.

E os valores podem aumentar ainda mais: há previsão no contrato para aditivos até 2026.

Empresa deve impostos

O contrato da Autotrac foi firmado com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para fornecimento de equipamentos necessários à manutenção do sistema de comunicação de dados e controle das estações meteorológicas.

A despeito das bondades que têm recebido do governo, a Autotrac ainda deve atualmente à União R$ 6,3 mil em impostos.

Nelson Piquet foi procurado pela coluna de Guilherme Amado, mas não quis se manifestar sobre o assunto.

Fonte: Revista Fórum

Categoria rejeita proposta e greve da educação continua em Maceió

Em assembleia realizada na sede do Sinteal na manhã desta segunda-feira (1), trabalhadoras/es da educação da rede pública municipal de Maceió definiram pela continuidade da greve da categoria. A última proposta apresentada pela gestão foi de 8% para todas/os as/os profissionais da educação, ou seja, tanto para o magistério quanto para todas/os servidoras/es da educação, a correção do salário base de todas/os que recebem abaixo do salário mínimo e a instalação de uma mesa permanente de negociação para encaminhar os demais itens da pauta de reivindicações.

“Cada avanço dessa proposta é resultado de muita luta dessa categoria. Primeiro era zero por cento. Percorremos um longo caminho chegando a três por cento, depois quatro por cento, e, agora, oito por cento. A gestão já entendeu a nossa força, e que contamos com o apoio da sociedade. E estamos no enfrentamento por valorização da educação pública”, disse a presidenta do Sinteal, Consuelo Correia.

A greve, que já entra em sua 4ª semana, já é considerada histórica, por sua dimensão, adesão e participação massiva da categoria, união entre magistério e funcionários de escola, e presença de pais, mães e estudantes apoiando todas as atividades.

Com uma agenda intensa de protestos, o Sinteal tem levado educadores e educadoras às ruas para dialogar com a população sobre a realidade que a Prefeitura de Maceió não mostra.

Com data base em janeiro, a maioria da plenária manifestou indignação com a proposta sem o retroativo. Reconhecendo que o avanço é mérito da luta feita junto com o Sinteal até aqui, foi marcada nova assembleia para a próxima 4ª feira (03/08), às 14hs, para definir nova agenda de mobilização.

Decisão Judicial

“A decisão sobre o encerramento ou a continuidade de um movimento como esse pertence à categoria. A assembleia é soberana e foi ela que decidiu que não vai aceitar. Vamos continuar fazendo o nosso papel, construindo a luta em defesa da educação pública”, finalizou Consuelo.

Fonte: Sinteal

“Ninguém gosta de você aqui, mas eu posso te proteger”: narrativas criadas por chefes assediadores

Natércia Lopes – Matemática, Doutora em Ciências da Educação e Professora da UNEAL e Semed/Maceió

Enquanto mulheres, vivemos, cotidianamente, situações desumanas, humilhantes e degradantes dentro do ambiente de trabalho. Uma situação cruel, mas que muitos “chefes” abusivos utilizam é isolar a mulher no ambiente de trabalho, tornar o clima insustentável e culpá-la pela situação que ele mesmo criou.

“Ninguém gosta de você aqui!”. Já ouviu isso? É uma das estratégias usadas pelos chefes tóxicos para fazer com que a mulher acredite que ela é incapaz, “mal amada” e indesejável no trabalho. Você iria trabalhar num lugar que o próprio chefe diz que você é odiada?

Essa situação de ter um chefe que nos humilha, que nos tira o ânimo, aos poucos vai tirando, também, a nossa vontade de trabalhar, prejudicando a produtividade.

Muitas vezes o “chefe” se autointitula como o melhor chefe do mundo e possui até pessoas subordinadas a ele que vão repetir o mesmo discurso, porém, na verdade, tal sujeito é um grande manipulador. Se você se revoltar contra a situação criada por ele, ele logo vai dizer que gosta de você e que são os outros que não gostam e que ele está tentando administrar a situação. Esse jogo protagonizado pelos “chefes” tóxicos são comportamentos semelhantes aos dos gaslighters, que praticam violência psicológica utilizando mentiras e distorções. Esse assédio pode desencadear em nós, mulheres, ansiedade, depressão e baixa autoestima. É uma prática cruel que afeta nossa saúde mental.

Mas, por que alguns chefes fazem isso? Ao criar uma situação em que nós, mulheres, nos vemos obrigadas a trabalhar em um ambiente insustentável com boicotes orquestrados pelo chefe, que sentimos insegurança no ambiente de trabalho, medo de se relacionar com os colegas, isolamento social por parte de todos que temem que a aproximação conosco cause perseguição a eles também, o “chefe assediador” nos desestabiliza emocionalmente, nos deixa nas mãos dele e nos usa isso em benefício próprio. Esse benefício pode ser forçar a deixarmos a empresa, prejudicar nosso rendimento de modo que nos sintamos incapazes de desempenharmos nossa função e até nos cobrar favores sexuais para que ele “nos proteja” das pessoas que não gostam de nós. No discurso do “chefe assediador” ele nunca é culpado; ele é o nosso protetor e os outros que nos odeiam. Só que é ele o responsável por nos manchar em todos os espaços, falar que é impossível trabalhar conosco, que nosso temperamento é de uma louca, tudo isso para enfraquecer nossa imagem perante as pessoas, de modo que ninguém mais queira nos ouvir. Ele busca nos controlar transitando entre as personalidades ora do chefe amigo, ora do chefe assediador.

Essa forma de assédio objetiva neutralizar a vítima e enganar a todos que passam a vê-lo como uma pessoa acessível, que acolhe todo mundo, até mesmo quem é “odiada por todos”. Essa narrativa esconde a personalidade perversa dos chefes assediadores.

Tal comportamento é típico de um sistema patriarcal em que as mulheres que não admitem viver sem refletir e questionar, que não se curvam às ordens corruptas e que não aceitam os desmandos do chefe, vivenciam. Essas mulheres são estigmatizadas como tumultuadoras, briguentas, nervosinhas, teimosas e que sempre arrumam confusão.

São indignantes esses rótulos que carregamos por sermos assertivas e termos opinião própria. Por lutarmos pelos nossos direitos de nos posicionarmos, somos assediadas, maltratadas e violentadas.

Há 44 anos, Chico Buarque cantava sobre Geni, uma prostituta que a sociedade hipócrita recriminava, mas, quando precisaram dela, rapidamente mudaram o discurso para satisfazer seus anseios e quando alcançaram o que pretendiam voltaram a atacar Geni:

Joga pedra na Geni!

Joga bosta na Geni!

Ela é feita pra apanhar!

Ela é boa de cuspir!

Ela dá pra qualquer um!

Maldita Geni!

É bem esse o comportamento do “chefe assediador”: nos humilha, faz com que acreditemos que os problemas são causados por nós, nos difama, estigmatiza-nos de louca, faz todos acreditarem que não prestamos, para retirar a credibilidade das nossas palavras e minar nosso convívio na empresa. Mas, quando esse chefe precisa nos manipular para conseguir o que quer, ele diz que gosta de nós, e que pode nos proteger se cedermos aos caprichos dele.

“Está difícil para as mulheres”, ontem e hoje, assim como a nossa resistência permanece cotidianamente.

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