Obras da Copa no Qatar deixam 6,7 mil imigrantes mortos e milhares sem salários

País sede da Copa do Mundo é denunciado por trabalho análogo à escravidão, por não pagar salários aos imigrantes contratados para erguer estádios, e deixar que milhares morressem por falta de segurança

Cerca de 6,7 mil de trabalhadores imigrantes podem ter morrido por falta de segurança e por exposição ao clima extremamente quente, de até 50º, no Qatar, durante a construção dos estádios faraônicos e mais caros do planeta para a Copa do Mundo de Futebol, que tem início no próximo domingo (20).

Além das milhares de mortes por acidentes de trabalho, há informações de que 500 casos (7%) foram suicídios e muitos deles podem estar ligados às condições de trabalho degradantes desses trabalhadores. Essas mortes teriam ocorrido entre 2010, ano em que a Fifa anunciou o Qatar como sede da Copa, e 2020.

Em todo esse período, movimentos sindicais e representantes de ONGs criticaram a Fifa pela escolha do Qatar como país sede justamente por causa das denúncias contra situações precárias de trabalho.

Agora, a três dias do início da Copa, quando nos campos que custaram milhares de vida entrarão os profissionais que estão entre os mais bem pagos do mundo, o Qatar volta a ocupar manchetes de jornais por causa de uma decisão desumana, típica dos líderes de regimes autoritários. Comandado com mão de ferro e poder absoluto pela dinastia Al Thani de extrema direita, o Qatar se recusou a indenizar as famílias dos imigrantes mortos, segundo a Anistia Internacional, organização de Direitos Humanos.

Também a Organização Internacional do Trabalho (OIT), informou que registrou mais de 34 mil reclamações, entre outubro de 2021 e outubro de 2022 sem que as autoridades do país tomem qualquer decisão para resolver os conflitos trabalhistas.

Trabalho análogo à escravidão

Assim como nos casos de trabalho análogo à escravidão no Brasil os patrões retêm os documentos, como carteira de trabalho. No Qatar, até 2019, o sistema conhecido como kafala permitia que os patrões retivessem os passaportes dos trabalhadores imigrantes. E mais: eles só podiam mudar de emprego com autorização da empresa. Apesar do sistema ter sido mudado há três anos, os imigrantes ainda são obrigados a informar o empregador 72 horas antes de sair do país.

As denúncias contra o Qatar

A denúncia de trabalho análogo à escravidão foi feita a partir de uma reportagem do jornal inglês The Guardian, que fez um levantamento sobre a construção de sete estádios, um novo aeroporto, rodovias, sistemas de transporte público, hotéis e até mesmo uma cidade nova: Lusail, a 25km da capital Doha.

De acordo com documentos obtidos pelos repórteres e com base em informações nas embaixadas dos maiores fornecedores de mão de obra para o Qatar apenas entre os imigrantes da Índia, Nepal e Bangladesh, foram cerca de 500 mortes de trabalhadores (7% do total) em acidentes de trabalho.

Mais de 800 outros trabalhadores morreram em acidentes de trânsito e grande parte deles ocorreram no trajeto para o trabalho e seu retorno por causa das condições precárias do transporte e do tráfego caótico da região. Além disso, há inúmeros e estranhos registros de mortes por “causas naturais” durante o trabalho. Apenas na construção de estádios, foram catalogadas oficialmente 37 óbitos no Qatar.

Estudo desenvolvido pela OIT mostrou ainda “elevado” ou “extremo” risco de estresse térmico, com a temperatura corpórea dos operários subindo a 39° nas atividades laborais a céu aberto durante os quatro meses mais quentes do ano. É bem possível, portanto, que o trabalho sob calor intenso possa ter atuado como causa direta ou indireta para esse misterioso número de mortes por “causas naturais”, que vitimou pessoas jovens e saudáveis, como revelou a reportagem do Guardian.

A CUT tem acompanhado a situação dos trabalhadores no Qatar em parceria com outras entidades internacionais, como a Street Net, que atua quando há grandes eventos esportivos, em prol do “trabalho decente”.

“Em alguns países se consegue com apoio do movimento sindical sabermos o que está acontecendo com os trabalhadores, mas em países como o Qatar fica difícil termos informações do que lá ocorre por não ter sindicatos organizados”, afirma  o secretário de Relações do Trabalho da CUT Nacional, Ari Aloraldo do Nascimento.

Direitos na Copa de 2014 no Brasil

Logo após o anúncio da Fifa de que o Brasil seria sede da Copa do Mundo de 2014, no governo de Dilma Rousseff (PT), a CUT iniciou uma série de debates sobre os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras durante o evento.

A Central iniciou um levantamento sobre os gastos em estádios, infraestrutura, impacto econômico e criação de empregos relacionados ao Mundial, pelo fato de a Copa gerar emprego, renda e benefícios duradouros para toda a população.

No caso da Lei Geral da Copa, a CUT propôs emendas e alterações no projeto e, a partir de negociação com deputados, alcançou a inclusão de alguns pontos. O primeiro refere-se à citação do “direito ao livre exercício de manifestação e a plena liberdade de expressão”.

Outro ponto que constou do projeto incluído a partir de proposta da CUT foi a limitação ao serviço voluntário. Se uma das justificativas para sediar os eventos é o impacto na economia local e a geração de postos de trabalho, o voluntariado – inicialmente previsto em 18 mil pessoas, mas com possibilidade de alcançar 40 mil – não poderia ter a dimensão inicialmente planejada. Portanto, a proposta da CUT visava coibir a substituição de empregos assalariados por voluntários e limitar as atividades que podem ser realizadas desta forma, impedindo o voluntariado nos casos de profissões regulamentadas ou em atividades que possam colocar em risco a segurança do público.

Por fim, dentre as propostas incluídas, estava a campanha por Trabalho Decente realizada oficialmente durante o Campeonato.

“Essas construções dos estádios no Brasil estavam dentro da lógica do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a questão dos estádios, em que pese na grande maioria serem privados, tinha a ingerência do Estado brasileiro que ajudou a compor via financiamento do BNDES. Por isso tivemos o cuidado de para que os trabalhadores fossem contratados com carteira assinada, e isso foi feito na época. A gente já vinha num processo intenso de negociações com essas empresas”, lembra Ari.

Outro acordo que teve a atuação da CUT foi a de permitir que catadores pudessem adentrar aos estádios e retirar latas, após os jogos, e matérias como madeiras e ferro que sobraram das obras. Outra parceria foi com uma cooperativa do Distrito Federal em que detentos fabricavam bolas de futebol para serem vendidas.

“Já tínhamos o exemplo da Copa da África do Sul, em 2010, quando surgiram as vuvuzelas, fabricadas na China, que eram vendidas em todo o mundo, mas que não levou nenhuma renda aos sul africanos”, conta o dirigente.

Sobre o Qatar

O país também é acusado de reprimir a comunidade LGBTQI+, as mulheres e a oposição ao governo local. Um exemplo da repressão ocorreu nesta terça-feira quando o repórter Rasmus Tantholdt, da emissora TV2, da Dinamarca,que fazia uma entrada ao vivo foi impedido pela polícia de continuar a sua transmissão, mesmo após apresentar os documentos que o autorizavam a trabalhar naquele momento.

Um dos seguranças do chegou a colocar u a mão na lente da câmera. Após o acontecido, Comitê do Qatar e o Qatar International Media Office, que organiza a comunicação do evento, pediram desculpas.

O Qatar tem 2,8 milhões de habitantes e a astronômica renda per capita de US$ 144 mil (22 vezes a do Brasil e 2,5 vezes a dos Estados Unidos), mas é também campeão mundial de concentração de renda.

Fonte: CUT

EUA pressionam Lula por nova intervenção do Brasil no Haiti

O futuro governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dá sinais de que vai resistir a uma empreitada defendida pelos Estados Unidos: uma nova missão internacional no Haiti. O tema é visto com reservas por quadros do PT e militares brasileiros que estiveram à frente da missão de estabilização no país caribenho de 2004 a 2017.

O assunto consta do material preparatório que Lula recebeu de auxiliares para o encontro com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, com quem se reunirá nesta quinta-feira, 17, durante a COP-27 no Egito. Guterres tem sido um defensor da ideia de uma “força multinacional” no Haiti.

A proposta ganhou tração em outubro e foi levada a público pelos americanos durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU. Os EUA tentam costurar com aliados a potencial missão, que seria endossada pelo órgão sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, que trata de “ações relativas aos tratados de paz, rupturas da paz e atos de agressão”.

Responsável por liderar o braço militar da missão que ficou 13 anos no Haiti, e maior País da América do Sul, o Brasil é considerado um apoio relevante para diplomatas estrangeiros nas discussões sobre o tema e as atenções de Washington se voltam, portanto, para a posição dentro do futuro governo Lula.

“Essas conversas (com outros países) estão em andamento. Vários países demonstraram interesse em saber mais sobre esse esforço, potencialmente participando dele”, disse Ned Price, porta-voz do secretário de Estado americano, Antony Blinken, a jornalistas na sexta-feira passada. Lula teve encontro com John Kerry, enviado climático do governo Joe Biden, anteontem. Foi a primeira reunião de alto nível do presidente eleito com uma autoridade americana.

O tema pode marcar a relação do novo governo, assim que tomar posse, não apenas com Washington, mas também com os militares brasileiros, um grupo da burocracia estatal que se manteve fiel ao governo Jair Bolsonaro (PL), inclusive durante os questionamentos do presidente ao processo eleitoral.

Proposta

EUA e México disseram que iriam apresentar dentro do Conselho de Segurança uma proposta de resolução para autorizar uma força internacional de paz no Haiti, nos termos que têm sido defendidos por Guterres. A resolução não chegou a ser apresentada, em parte porque nenhum país se mostrou disposto a assumir a liderança do processo. O possível estabelecimento de uma relação mais próxima entre EUA e o Brasil, com a eleição de Lula, alimentou os rumores de que o País poderia ficar com o este papel.

O Brasil ocupa uma das cadeiras rotativas do Conselho de Segurança desde o início deste ano e permanecerá com voto no colegiado até o fim de 2023. Pessoas envolvidas na transição veem a participação em força multinacional como inoportuna, principalmente por ser fora da ONU. A proposta americana enfrentaria resistência da Rússia, em razão das relações estremecidas entre os dois países por causa da guerra na Ucrânia.

Há ainda entre os petistas o temor de que uma volta ao Haiti sirva para fortalecer politicamente os militares. O ex-deputado José Genoino disse ao site Opera Mundi que, no passado, o PT deveria ter defendido, em vez de uma solução militar para o Haiti, a adoção de políticas públicas. A linha de raciocínio de petistas é de que a experiência haitiana teria fortalecido as Operações de Garantia de Lei e Ordem (GLO) no Brasil, o que levou à intervenção federal na segurança pública do Rio, que teria ajudado a candidatura de Bolsonaro, em 2018.

Oficiais

A sondagem americana a respeito da posição do Brasil é do conhecimento de oficiais brasileiros, que apontam os custos de uma missão fora da ONU como um problema. Uma saída seria via Organização dos Estados Americanos (OEA), mas, neste caso, a resistência seria do PT, que critica a posição do órgão em relação à Bolívia e à Venezuela.

“O problema do Haiti não é militar, mas político”, afirmou o general Carlos Alberto Santos Cruz. Segundo ele, gastou-se US$ 10 bilhões na Minustah, a missão de 2004, e a situação pouco mudou. O general, que esteve à frente da operação por dois anos e meio, disse ter conhecimento da posição americana. “Os americanos querem que outro país esteja à frente da força para que ela não seja considerada uma intervenção”, disse. Para ele, o governo Lula deve analisar a conveniência do caso.

O Capítulo 7 da Carta da ONU autoriza uso da força, o que é considerado um problema por parte dos países – e também por interlocutores de Lula na área de relações exteriores -, uma vez que pode significar uso da força armada contra civis que compõem as gangues haitianas. O argumento dos americanos é de que o tema foi trazido pelas autoridades haitianas, que pediram ajuda internacional, e pelo secretário-geral da ONU.

“O Brasil continua muito interessado no tema, mas estamos aguardando que se apresente um texto para exame dos demais membros do Conselho de Segurança”, afirmou o embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho.

Crise

A preocupação internacional com o Haiti escalou em setembro quando uma coalizão de gangues tomou o controle do terminal portuário Varreux, que fornece a maior parte do combustível do país, e agravou o colapso humanitário e econômico local. Há dez dias, a polícia haitiana disse ter retomado o controle do porto, o que fez com que o tema perdesse urgência na ONU embora, segundo diplomatas de diferentes países, siga na ordem do dia.

Questionado se o assunto já foi levado a Lula, um porta-voz do Departamento de Estado respondeu que os EUA vão “continuar trabalhando com parceiros na região e ao redor do mundo para apoiar o Haiti na superação do seu conjunto multifacetado de desafios”.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Agencia Estado

500 mil pessoas protestam em Madrid contra as privatizações

A 13 de Novembro, realizou-se uma manifestação em Madrid contra a política de privatização do Governo regional, que está a atacar em particular os Centros de cuidados primários de Saúde. De facto, o mais recente Decreto do Governo regional (de Madrid) leva à redução para metade do número de médicos, enfermeiros e restante pessoal de saúde nestes Centros. Eles são o pilar básico de todo o Sistema de cuidados de saúde para a população, que permanecem, apesar de tudo, públicos e gratuitos.

O objectivo declarado do Governo regional é a promoção de redes privadas, em particular no sector da Saúde. Embora este Governo da Região Autónoma de Madrid seja de direita, todos os governos regionais – independentemente da sua cor política – estão a pôr em prática as mesmas medidas. Na Catalunha, por exemplo, com um Governo regional formalmente “de esquerda” e soberanista, a escassez de profissionais de Saúde é a mesma ordem de grandeza que em Madrid.

A manifestação do passado domingo foi um verdadeiro levantamento popular, que arrastou consigo todos os partidos de esquerda e todos os sindicatos, bem como as várias associações de moradores, de utentes, etc.

Quatro cortejos massivos, provenientes dos bairros populares, convergiram para a praça central de Las Cibeles, bem conhecida por albergar – em geral – todas as grandes manifestações populares. De acordo com todas as estimativas, não havia menos de quinhentos mil manifestantes.

A partir do dia 14 de Novembro, foram anunciadas outras manifestações no resto do país: na Andaluzia, no País Basco, na Cantábria, etc.

A manifestação de domingo em Madrid é uma expressão do movimento da classe operária e das populações contra a política de guerra levada a cabo pelo Governo central e replicada por todos os governos regionais.

Numa situação em que 24% da população está à beira da pobreza, o ministro da Defesa, Robles, acaba de anunciar que 80% do vestuário militar para o Inverno será fornecido ao Exército ucraniano.

Crónica publicada no semanário francês “Informations Ouvrières” – Informações operárias – nº 732, de 16 de Novembro de 2022, do Partido Operário Independente de França.

Fonte: POUS4

Lula chega à COP27 como protagonista nas discussões sobre o clima mundial

Presidente eleito, que discursou nesta quarta, é visto por líderes mundiais como peça importante nos diálogos e negociações mundiais para a transição energética e para limitar o aquecimento global em 1,5°

O presidente eleito do Brasil Luís Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao Egito nesta terça-feira (15) para participar de encontros com líderes mundiais na Cúpula das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP27). Visto como uma importante liderança que ‘encurtará caminhos’ nas negociações entre os países para estabelecerem e cumprirem metas para limitar o aumento da temperatura global em 1,5°C, Lula foi recebido com entusiasmo por lideranças de diversos países.

Já na manhã desta quarta-feira (16), o presidente eleito discursou na COP27, afirmando que o Brasil “vai mudar definitivamente”. Lula se comprometeu a combater o desmatamento ilegal no país e também garantiu proteção aos povos originários.

“É importante as pessoas saberem que nós vamos cuidar dos povos indígenas, e por isso nós vamos criar o Ministério dos Povos Originários. Queremos dar cidadania às pessoas. Nós vamos conversar com os governadores. Não queremos fazer nada sem conversar, sem acordar”, disse Lula.

O presidente eleito deixou clara a importância da biodiversidade da região Amazônica para a ciência e reforçou que as riquezas continuarão sendo exploradas, mas de forma consciente e responsável.

“Se a Amazônia tem o significado que tem para o planeta Terra, a importância que os cientistas dizem que tem, nós não temos que medir nenhum esforço para que a gente consiga convencer as pessoas de que uma árvore em pé, uma árvore viva, serve mais que uma árvore derrubada sem nenhum critério e necessidade” disse.

Ainda na manhã desta quarta, Lula recebeu uma carta compromisso, entregue por Helder Barbalho, governador do Pará, em que governadores brasileiros de propõem uma agenda comum de transição climática para a Amazônia.

O documento é assinado pelos nove governadores que integram o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal e traz propostas de ações que, para a execução, dependem tanto do governo federal como de outros países e empresas internacionais.

“Alavancar os meios para promoção do desenvolvimento sustentável da região, particularmente com ênfase na inovação, no reforço da agregação de valor aos produtos florestais e da biodiversidade, por meio da bioeconomia”, diz trecho da carta.

O texto cita ainda ‘aproveitamento racional das vocações da região’ e ‘dar dignidade aos 29,6 milhões de habitantes de uma região chave para a conservação da biodiversidade e estabilidade climática do planeta’.

Ainda a pedido de Helder Barbalho, Lula solicitou ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que a edição de 2025 da conferência seja realizada no Brasil. 

Líder mundial mesmo antes de ser empossado

Para o mundo, o Brasil é peça fundamental no jogo contra o aquecimento global e para a transição energética. O país sempre esteve na mira dos líderes do planeta em relação à preservação do meio ambiente, já que é em território nacional que se encontra o maior bioma da terra, a Amazônia, cujo desmatamento durante os últimos anos de governo Bolsonaro acenderam o alerta máximo em todo o mundo.

“Lula é uma esperança na COP. Todos os países que o saudaram após a eleição mencionam a importância de o Brasil ser protagonista nos diálogos e expressam o desejo de negociar com o país que o tema avance de verdade, o que não acontece com o atual governo”, diz Daniel Gaio, secretário de Meio Ambiente da CUT, também presente na COP27

Se com o governo Bolsonaro o diálogo na conferência era de intolerância, chantagem e mentiras, com Lula a conversa será de caminhos efetivos para que tanto o Brasil quanto outros países estabeleçam as metas. O que o mundo espera do Brasil é uma atuação honesta. Em 2021, o governo Bolsonaro mentiu na conferência (COP26), ao afirmar que o país apresentava queda no desmatamento e nas queimadas em nossos biomas.

Dados levantados pelo Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia mostraram que o desmatamento no ano passado foi o pior em 10 anos de monitoramento do estudo. Em 2022, somente nos primeiros cinco meses a Amazônia perdeu 3.360 Km² de mata nativa.

Outros dados, do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes), mostram que Lula reduziu em 75% o desmatamento da floresta amazônica entre 2004 e 2010. Já no governo Bolsonaro a destruição aumentou 73% em apenas três anos (2019 a 2021).

Na COP27

Convidado a participar da Cúpula pelo governo do Egito, Lula foi citado já na abertura do evento, no dia 6 de novembro, pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. “O povo brasileiro escolheu, há poucos dias, parar de destruir a Amazônia”, disse o político e ativista norte-americano.

Logo após a eleição, Lula já mudava o cenário mundial das expectativas sobre a transição energética no mundo. Além de ser convidado a participar do evento e ser ‘estrela’ nas discussões climáticas, os dois maiores financiadores do Fundo Amazônia – Noruega e Alemanha – anunciaram a retomada de investimentos no Fundo.

“Com Lula, o Brasil volta a ser um ator que puxa para frente as negociações e que aponta perspectivas positivas e avanços nas negociações”, pontua Daniel Gaio.

Agenda do presidente eleito

Nesta quinta-feira (17), Lula se encontrará com representantes da sociedade civil brasileira, no Brazil Hub na COP27, e com o Fórum Internacional dos Povos Indígenas/Fórum dos Povos sobre Mudança Climática. Na sexta-feira, segue para Portugal, onde tem encontro com autoridades portuguesas e de onde retornará, no fim de semana, para o Brasil.

Lula também teve encontros com o enviado do governo dos Estados Unidos, John Kerry e com o representante do governo da China, Xie Zhen Hua.

Veja trecho do discurso de Lula na COP 27 sobre a atuação no combate ao desmatamento

“Nós vamos assumir um compromisso com prefeitos. A gente não vai evitar queimada se a gente não tiver o compromisso dos prefeitos. É o prefeito que está na cidade, que sabe de quem é a terra, que sabe onde começou. Não adianta ficar discutindo de Brasília. É importante descer onde está acontecendo as coisas, é importante pactuar e saber que os prefeitos vão ter recursos para que a gente possa cobrar deles alguma coisa. Eu tenho noção de que ao longo do tempo o governo federal foi passando muita responsabilidade e menos dinheiro para os prefeitos. Eu tenho noção que cada vez que a gente faz uma política de desoneração a gente dá ganho para os empresários e sufoca os prefeitos, que vão receber menos dinheiro para fazer aquilo que nós determinamos para eles na Constituição. Não poderia ser um encontro melhor, em um fórum internacional, para dizer para vocês: o Brasil vai mudar definitivamente. A democracia vai voltar a reinar no nosso país e o diálogo será permanente. Nós, políticos, podemos ser adversários em uma ou outra eleição, mas nós não somos inimigos. O presidente da Repúblcia tem a obrigação de conversar com todos em igualdade de condições, sem perguntar a que partido ele pertence, que religião ele professa e que time de futebol ele torce. Nós governamos para o povo brasieiro, e para acabar com a fome no Brasil, com a miséria, com o processo de degradação que nossas florestas estão vivendo, com o sofrimento dos nossos indígenas, nós vamos ter que conversar muito e trabalhar junto, para que o  Brasil serja motivo de orgulho para o mundo, e não motivo de desespero como é hoje”

Polícia apreende R$ 150 mil e camisetas pró-Bolsonaro no Pará

Caminhonete Hilux trafegava irregularmente pelo acostamento quando foi abordada pela PRF. Condutor do veículo se confundiu ao explicar a origem do dinheiro e do material pró-Bolsonaro e acabou preso

A Polícia Federal informou, nesta quarta-feira (16), que abriu um inquérito para investigar o caso de um homem que dirigia uma caminhonete e foi parado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-163, em Itaituba (PA). Ele viajava com R$ 150 mil em espécie e uma grande quantidade de camisetas pró-Bolsonaro.

Ainda não se sabe a origem do dinheiro. Nas cores verde e amarela, as camisetas estampavam a frase “Deus, Pátria, Família” — slogan de origem fascista comumente utilizado por Jair Bolsonaro.

A apreensão ocorreu na terça-feira (15) durante a operação “Proclamação da República” da PRF em rodovias federais. Segundo a PRF, a caminhonete trafegava irregularmente pelo acostamento da rodovia e, ao ser abordada, a equipe localizou a quantia em dinheiro e camisetas, cujas origens e destinos o proprietário demonstrou confusão ao explicar

Segundo a PF, o motorista e o material foram levados pela PRF até a sede da corporação em Itaituba, no sudoeste do estado. Logo depois, o proprietário do veículo foi liberado. A identidade dele não foi informada.

O caso foi enquadrado como ‘usurpação de bem ou matéria-prima da união, lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores’. Além do dinheiro em espécie e das camisetas, os agentes que efetuaram a abordagem apreenderam seis cartões de crédito, a CNH, o RG, o título de eleitor do motorista e o documento do carro.

“Extração de ouro”

Indagado sobre a origem do dinheiro, o homem alegou que carregava R$ 150 mil decorrentes de venda de ouro, sustentando que o montante seria destinado ao pagamento de seus funcionários na extração do minério. A PRF questionou o homem sobre a documentação que atestaria a licitude da venda citada, mas ele disse não ter os respectivos papéis.

Os agentes também questionaram qual o valor que o garimpeiro pagaria a seus funcionários. Ele ‘titubeou’, segundo os policiais, e alegou que ‘além de seus empregados teria outras contas para pagar, não sabendo precisar quais seriam’.

Fonte: Pragmatismo Politico

Conflito: Ucrânia, Eua e Otan X Rússia uma nova Geopolítica?

André Cabral – Historiador e professor

Ao longo da história, a Ucrânia tem sido uma sucessão de anexações e feridas abertas da Guerra Fria. Isso se deve ao período do Império Russo (Czarismo), quando a Ucrânia era parte do território formado por povos Eslavos, Escandinavos e Bizantinos e, por conseguinte, nos séculos XIII e XIV, ficando sobre o domínio dos poloneses. Já em 1667 parte da Rússia, a oeste, é anexada a Polônia. Logo após a revolução de 1905 o Czar Alexandre II concede liberdade aos Ucranianos. Durante a Revolução Russa 1917 os nacionalistas proclamam a independência, já ano 1920 perdem o território para Polônia (tratado de Riga).
No contexto das medidas econômicas e políticas no final da Guerra Fria, a Perestroika e Glasnost, a abertura política nas ações de Gorbachev, secretário geral do partido comunista da União Soviética, nos anos 1980, o nacionalismo ganhou força e a Ucrânia declara sua soberania.
A História da Ucrânia vai permitir é cheia de anexações promovidas pela Rússia, como a Crimeia em 2013. O parlamento da Crimeia aprova a anexação à Rússia e Putin envia tropas.
Em seguida, comunidades de etnia Rússia em Dosnestk, Lugansk se levantam, o governo ucraniano lança uma ofensiva. Uma história indecisa criou separações duradouras. o leste da Ucrânia ficou sob o domínio russo muito mais cedo do que o oeste da Ucrânia, os povos do leste têm laços mais fortes com a Rússia e têm sido mais predispostas a apoiar líderes russos.
Durante a Guerra Fria na disputa geopolítica EUA X URSS, A Otan e o Pacto de Varsóvia nunca travaram um conflito militar direto, mas fizeram o mundo refém de suas trocas de ameaças por mais de três décadas na corrida armamentista, com o tempo logo após o fim União Soviética. A Otan, por sua vez, ampliou sua atuação: fixou-se nas tropas militares de técnicas de segurança com a Europa, nas intervenções de conflitos e até no combate hoje, agrupa também países do ex-bloco socialista que fizeram parte do Pacto de Varsóvia, Albânia, Bulgária, Chéquia, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Macedónia do Norte, Montenegro, Polónia, Roménia, perguntar não ofende por que a OTAN continuou existindo após a Guerra Fria?
A invasão da Ucrânia pela Rússia ocorreu no início de 2022. Ela foi causada pelo avanço da Otan no Leste Europeu e por assuntos geopolíticas entre os dois países envolvidos. Interesses territoriais e econômicos, a bacia de Donbass é a mais importante fonte de energia e a maior região industrial da Ucrânia; é um local conhecido por suas riquezas minerais, principalmente ligadas à produção de carvão e aço. Por isso, a área abriga um grande parque siderúrgico, químico e metalúrgico, a região também ocupa uma posição estratégica por ter acesso ao Mar Negro e, por consequência, dar escoamento para o Mar Mediterrâneo é o argumento da Rússia motivando a invasão da Ucrânia.
Segundo o sociólogo e especialista em relações internacionais, Marcelo Zero, “a Ucrânia é estimulada pelos estadunidenses que jamais respeitou esses acordos.”, ele ainda argumenta “os estadunidenses e OTAN não querem a paz.” Usando a Ucrânia para enfraquecer a Rússia, outros analistas argumentam que o mundo entra numa nova geopolítica, onde os estadunidenses estão perdendo o protagonismo e o conflito seria a nova geopolítica onde China e Rússia teria a hegemonia política e econômica no século XXI.
As guerras, Jean-Paul Sartre afirmava, “Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem”. Os conflitos alimentam a indústria bélica capitalista, já foram US$ 600 milhões de “armas, munições e equipamentos” pelo os estadunidenses. a ONU estima que 4 milhões de pessoas deixem a Ucrânia para outros países e mais 6 milhões se desloquem dentro do país, totalizando 10 milhões de imigrantes, em quase 150 dias de ataques e bombardeios, a guerra na Ucrânia já deixou mais de 5 mil civis mortos no país. O balanço foi feito pela agência de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ACNUDH).
Esse conflito logo após o mundo passar pela pandemia com 15 milhões de pessoas em todo o mundo, estima a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tal mídia internacional informar a guerra sobre apenas um ponto de vista da OTAN, EUA e UNIÃO EUROPEIA. Nos passa a ideia maniqueísta de sempre. a hipocrisia internacional da ONU os países ricos fecham os olhos. onde existem conflitos no Oriente Médio, norte da África, a questão palestina, inúmeros conflitos, questões separatistas, crise migratória no mar mediterrâneo provocado por conflitos na Síria, Líbia e Iraque que alimentados pela cobiça de obter matéria prima, etc. Nesses casos há um silencio midiático e cínico.
Raul Seixas afirmava em sua letra, as aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor (…), “Tá rebocado meu compadre Como os donos do mundo piraram Eles já são carrascos e vítimas do próprio mecanismo que criaram”

Carro Tesla ‘sem motorista’ deixa dois mortos na China

Um acidente envolvendo um veículo da marca Tesla deixou dois mortos e três feridos na cidade de Chaozhou, na China. Após o vídeo do ocorrido, registrado por câmeras de segurança, ganhar milhões de visualizações nas redes sociais atribuindo o acidente a uma “pane” no veículo, a empresa de Elon Musk se pronunciou na tarde de hoje afirmando que vai dar assistência à polícia chinesa nas investigações.

O acidente em questão foi registrado no dia 5 de novembro. Segundo a imprensa local, o motorista, identificado como Zhan, 55, estava estacionando o veículo “Model Y” da empresa quando ele perdeu o controle sozinho, andou em alta velocidade por dois quilômetros, atingiu duas motocicletas e duas bicicletas.

As imagens divulgadas nas redes sociais mostram o veículo passando em alta velocidade por diversos trechos da cidade até colidir pela última vez e causar uma pequena explosão. No acidente, uma estudante do ensino médio e um motociclista morreram.

Segundo o jornal chinês Jimu News, a polícia local descartou a possibilidade do motorista estar sob efeito de drogas ou álcool. As autoridades não descobriram, porém, o que causou o acidente até o momento.

A publicação disse, ainda, que uma filial da Tesla no país apontou que o carro atingiu velocidade máxima de 150 km/h e que o freio nunca foi acionado pelo motorista, o que foi negado pelo homem.

Em nota republicada pela Reuters na noite de hoje, a Tesla informou que vai dar assistência às autoridades chinesas na investigação.
“A polícia está buscando a avaliação de uma agência independente para identificar a verdade por trás desse acidente. Vamos prover toda a assistência necessária”, disse a empresa, ressaltando o pedido de “cuidado com rumores”.

Fonte: TNH1

Garis protestam contra atraso de salários em Maceió

Mais uma vez, trabalhadores da coleta regular de resíduos protestaram contra a Prefeitura de Maceió. Desta vez, os garis fecharam três vias de acesso à Avenida Durval de Góes Monteiro, para cobrar o pagamentos de salários e de direitos trabalhistas, na manhã desta segunda-feira (14).

O protesto, nas proximidades da região conhecida como “Viaduto da Federal”, deixou o trânsito congestionado. Os manifestantes queimaram pneus e galhos de árvores para impedir a passagem de veículos.

A reportagem da TV Pajuçara esteve no protesto e ouviu de representantes da categoria que trabalhadores não estão recebendo o pagamento de rescisões contratuais. Também há relatos de atrasos no pagamentos dos vencimentos dos trabalhadores, que dizem ter recebido o mais recente no último dia 14 de outubro.

Fonte: TNH1

Queima de arquivos? Computadores do Planalto são apagados

Mensagem recebida pela área de informática da Presidência da República orientou formatar todos os computadores para lidar com suposta ameaça detectada. Para especialista, se não houver explicação, o ato pode indicar má-fé.

Os funcionários da área de informática do Palácio do Planalto estranharam a mensagem que dizia para chegarem mais cedo no dia 03 de novembro,  quinta-feira pós-segundo turno das eleições presidenciais, para formatar todos os computadores. A ação teria por objetivo “amenizar” a situação provocada por uma ameaça que teria sido detectada pelo sistema antivírus da rede da Presidência da República.

A mensagem orientava a formatar todas as máquinas e reinstalar o sistema operacional, como forma de combater o suposto malware detectado e ainda dizia que alguns arquivos haviam sido criptografados. De acordo com o aviso, outras áreas do Planalto já haviam sido avisadas do problema.

Queima de arquivo?

O que há de estranho nessa história é o fato de uma suposta ameaça mobilizar uma força-tarefa para formatar as máquinas do Palácio do Planalto, onque implica em apagar os arquivos dos computadores, poucos dias após a derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais.

Conforme informações do portal Metrópoles,  a Secretaria de Comunicação afirmou que aguarda informações da área técnica e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) remeteu a questão à Secretaria-Geral da Presidência da República, que não respondeu à reportagem.

Apagão precisa ser explicado

Para Bruna Martins, pesquisadora visitante no Berlim Social Science Center, “a medida desperta alertas, especialmente pela sua aplicação no exato momento do início dos trabalhos do governo de transição”. Ela explica que a justificativa de “ameaça cibernética ou malware” pode ser pertinente, mas “a principal preocupação aqui é com a preservação de informações de interesse público e necessárias para o monitoramento e implementação de políticas publicas e que, acima de tudo, devem ser preservadas”. 

Martins, que é também ativista da Coalizão Direitos na Rede, avalia que  “a gestão Bolsonaro marcou um período preocupante na história recente do país,  onde políticas de transparência e acesso a informação não foram priorizadas, o governo tornou o acesso a dados deliberadamente mais complicado e suas insitutições menos transparentes”. Para a especialista, a sociedade civil e o gabinete de transição devem exigir da Presidência da República garantias que as informações contidas nas máquinas formatadas foram preservadas, bem como uma explicação sobre a real motivação do pedido, com fundamentação na política de segurança da informação da Presidência da República.

“A ausência de apresentação dessas garantias poderá acabar indicando que a atual gestão está agindo de má-fé e pode, inclusive, ter feito o ato para dificultar a transição de governo ou para apagar evidências ou provas da má gestão de Bolsonaro”, conclui Bruna Martins.

Fonte: Revista Fórum

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS