MAMÃE QUERIDA!

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Parabéns para as mamães, hoje é o dia delas. Tem mãe nova, mãe idosa, mãe alta, baixa, tem mãe branca, tem mãe preta, tem mãe da “Ponte Pra Cá” (Racionais) e mães de Alphaville e todas essas mães viram que a semana foi recheada de filhos bonzinhos e outros nem tanto.

O que diria a mãe do Deputado Estadual pelo Paraná, Renato Freitas, se presenciasse seu filho sendo “sorteado” dentro de um avião pra ganhar um baculejo da Polícia Federal? Renato que nunca ganhou nem um frango assado no bingo da igreja, foi contemplado com esse “premio” . Sortudo ele, não?
Detalhe: Ele é um Deputado negro.

O que diria a mãe do Ministro Flavio Dino se assistisse seu filho dando aula no Senado, sobre segurança pública? Dino mais uma vez com sua leveza peculiar, esmagou seus colegas de Senado com muito conhecimento e novamente com bom humor. Sua mãe pode ficar feliz, pois o Brasil tem um super herói de verdade no Ministério da Justiça. Saiu um superman afogado na criptonita da imparcialidade e entrou um Vingador, uma espécie de Hulk comunista ou apenas Doutor “Dino” Bruce Banner.

O que diria a mãe da Michelle Bolsonaro, se visse uma amiga e assessora do Senado, emprestar um cartão de crédito para a filha fazer algumas comprinhas?
Nada demais em uma família comum, mas nessa, tudo é envolto numa inteira maracutaia rachada, começando pela própria mãe que na década de 80 foi acusada de falsidade ideológica, mas o foco aqui é a ex primeira dama cristã.
Conversas mostram que a fatura do cartão da amiga era paga com dinheiro vivo e que o ajudante de ordens do Bolsonaro, Mauro Cid, que tá preso, já havia alertado que essa prática se assemelhava muito ao que Flavio Bolsonaro fazia e que o MP investigava. Quem adivinhar o que o Flavinho fazia, ganha um doce.
Queiroz é coisa do passado e Micheque virou Micash.

Mãe é mãe e o que diria minha mãe, goiana, empregada domestica aposentada, se visse o filho dela escrevendo o que ela, no auge dos seus 87 anos, nunca lerá . Pois é, minha mãe, nasceu e vive da ponte pra cá até hoje, mas conseguiu me ensinar, mesmo sem saber ler e escrever, que o outro lado da ponte pode ser meu também.

Essa reflexão é dedicada a todas as mães e em especial a minha. Dona Jesuína, aquele abraço!

Maceió, 14 de Maio de 2023

Gastos pessoais de Michelle eram pagos com dinheiro de fornecedor de estatal, diz PF

Uma empresa com contratos públicos na gestão de Jair Bolsonaro é a origem de uma série de transferências feitas a um militar da Ajudância de Ordens da Presidência da República, que fez saques em dinheiro vivo e, com ele, pagou despesas de um cartão de crédito usado por Michelle Bolsonaro em pelo menos três ocasiões, segundo a Polícia Federal. O militar, o segundo-sargento Luis Marcos dos Reis, também fez ao menos 12 depósitos em dinheiro em conta de uma tia da então primeira-dama.

Os pagamentos ocorreram pelo menos até julho de 2022, de acordo com dados obtidos pela Polícia Federal ao quebrar sigilos bancários de auxiliares do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Quando autorizou a quebra de sigilo de subordinados de Cid, ainda no ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes afirmou que o caso tinha indícios de “desvio de dinheiro público” por meio dos militares do Planalto e de assessoras da então primeira-dama.

A defesa de Jair Bolsonaro e Michelle negou enfaticamente que recursos da Codevasf tenham bancado as despesas da ex-primeira-dama e negou irregularidades nas transações. “A dona Michelle não conhece esse ajudante de ordens [sargento Dos Reis] e desconhece que ele tenha feito pagamentos para ela”, disse Fábio Wajngarten, advogado que chefiou a Secretaria de Comunicação na gestão Bolsonaro.

Segundo a PF, a Cedro do Líbano Comércio de Madeiras e Materiais para Construção, empresa com sede em Goiânia e contratos com o governo federal, é a origem de depósitos de pelo menos R$ 25.360 na conta bancária do sargento Dos Reis, que trabalhava sob as ordens de Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

O principal contrato da Cedro do Líbano é com a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba), estatal que já foi alvo de operações da PF mirando corrupção em contratos no Nordeste no ano passado.

Segundo a Polícia Federal, o dinheiro era depositado por Vanderlei Cardoso de Barros, pai de uma sócia da Cedro do Líbano, nas contas do sargento Dos Reis. Em ao menos uma ocasião, o dinheiro foi transferido de conta bancária da própria Cedro. Depois que o dinheiro caía na conta, o sargento sacava as notas em um caixa eletrônico. Segundo a PF, Dos Reis era responsável por fazer pagamentos a pessoas ligadas à então primeira-dama e para outros militares da Ajudância de Ordens da Presidência da República.

Vanderlei Cardoso de Barros, o autor das transferências para o sargento Dos Reis, foi encontrado pelo UOL na manhã deste sábado. Ele disse que é amigo do militar e que o dinheiro foi um “empréstimo”, mas que não sabia como o militar usaria o dinheiro (leia mais abaixo). Vanderlei disse que é marido de uma sócia da empresa, não pai.

A Polícia Federal afirma não ter encontrado justificativa para os pagamentos da Cedro do Líbano ao sargento Dos Reis, que trabalhava com Mauro Cid. Os dois estão presos preventivamente desde 3 de maio, por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). São investigados em inquérito que apura se houve falsificação do certificado de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Leia mais: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/05/13/militar-recebia-de-empresa-sacava-e-pagava-contas-de-michelle-diz-pf.htm

Fonte: Uol

135 anos da Lei Áurea: Brasil resgatou 1.201 trabalhadores em condições análogas às de escravo em 2023

Trabalhadores em casos de escravidão contemporânea são submetidos a condições degradantes e supostas dívidas com empregadores.

Alojamentos sujos e sem proteção do frio ou da chuva, alimentação escassa, camas de papelão e até equipamentos de choque foram encontrados em ações recentes de fiscalização de locais de trabalho no Brasil. São casos de trabalhadores em situação análoga à escravidão, ainda frequentes depois de 135 anos da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.

Recordes

Só em 2023, foram resgatadas 1.201 pessoas em situação semelhante à de escravo, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O número representa uma alta de 140% em relação ao mesmo período do ano passado e um recorde nos últimos 15 anos. Em 2008, foram 1.696 no mesmo período. A maioria dos casos ocorre em áreas rurais, mas grandes cidades também têm casos recorrentes.

“Às vezes a gente não enxerga o que está acontecendo do nosso lado. Tem setores como o ambiente doméstico, a costura ou a construção com pessoas em situação de vulnerabilidade em situações de exploração porque não têm outra alternativa para sobreviver”, observa a historiadora e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Clarissa Sanfelice Rahmeier.

Desde que foram criados grupos de fiscalização na área, em 1995, foram registrados mais de 60 mil casos em todo o país.

De janeiro a abril deste ano, os estados com mais casos foram Goiás, com 372 pessoas encontradas em condições de escravidão, seguido do Rio Grande do Sul (296), Minas Gerais (156), São Paulo (156) e Alagoas (49).

A escravidão contemporânea

As “condições análogas à escravidão” não incluem necessariamente a privação do direito de ir e vir, mas a falta de condições para sair de uma situação degradante. Muitas vezes, o cenário é definido como uma “servidão por dívida”.

Foi o caso de um idoso de 74 anos resgatado em uma obra em Foz do Iguaçu, no Paraná, na última semana. Ele trabalhava há dois anos sem receber salários para pagar supostas dívidas por produtos que era obrigado a comprar em um mercado do empregador, segundo o MPT.

Outros exemplos são os trabalhadores aliciados em regiões distantes com a promessa de empregos e, depois, precisam pagar pelas próprias passagens. É o que acontecia em vinícolas no Rio Grande do Sul com funcionários terceirizados.

Resgate de trabalhadores

O maior resgate do ano aconteceu em março, em uma usina de cana-de-açúcar em Goiás na qual se identificou também o tráfico de pessoas.

Uma empresa de intermediação de mão-de-obra aliciou trabalhadores no Nordeste e os levou para barracos em cidades do interior goiano. Os abrigos não tinham cozinha, ventilação ou chuveiros e alguns funcionários pagavam pelos próprios colchões ou dormiam em redes e no chão.

Mesmo quando os funcionários são terceirizados, as empresas também são responsabilizadas pela não vigilância da cadeia produtiva, explicou o chefe da Divisão de Fiscalização para a Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae-MTP), Maurício Krepsky.

Somadas as 61 ações deste ano, os contratantes tiveram de pagar quase R$ 5 milhões em verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados, além de responder a processos judiciais.

Saiba o que é trabalho escravo

Como denunciar?

Suspeitas de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciadas anonimamente pelo Sistema Ipê, disponível no link https://ipe.sit.trabalho.gov.br/.

O Ministério do Trabalho e Emprego disponibiliza dados sobre as ações de combate ao trabalho escravo no Brasil desde 1995 no Radar do Trabalho Escravo da SIThttps://sit.trabalho.gov.br/radar.

Fonte: G1

Traficantes evangélicos usam religião na briga por territórios no Rio

O Complexo de Israel é emblemático de um fenômeno que alguns pesquisadores têm chamado de ‘narcopentecostalismo’ – não apenas o surgimento de traficantes que se declaram evangélicos, mas a forma como isso influencia a atuação das facções na disputa por territórios no Rio de Janeiro.

Os traficantes que dominam as favelas de Parada de Lucas, Vigário Geral e outras três comunidades na Zona Norte do Rio de Janeiro elegeram referências bíblicas como seus principais símbolos.

A facção se autodenomina “Tropa de Arão” — uma figura cristã, irmão de Moisés. A estrela de David foi espalhada em muros e bandeiras nas entradas das favelas, e está até em um neon no alto de uma caixa d’água na comunidade Cidade Alta.

O território foi batizado, segundo a polícia, de “Complexo de Israel” pelo chefe da Tropa — uma referência à “terra prometida” para o “povo de Deus” na Bíblia.

O grupo criminoso comandava inicialmente o tráfico em Parada de Lucas e estendeu seu domínio para as comunidades vizinhas. Hoje, a Tropa controla o tráfico nas favelas de Cidade Alta, Pica-pau, Cinco Bocas e Vigário Geral, de acordo com a polícia e centros de pesquisa em segurança pública.

O Complexo de Israel é emblemático de um fenômeno que alguns pesquisadores têm chamado de “narcopentecostalismo” — não apenas o surgimento de traficantes que se declaram evangélicos, mas a forma como isso influencia a atuação das facções na disputa por territórios no Rio de Janeiro.

“O termo neopentecostalismo tem sido empregado por diversos pesquisadores que analisam o fenômeno de narcotraficantes que assumem, de forma explícita e aberta, religiões neopentecostais, inclusive em suas atividades criminosas”, explica a cientista política Kristina Hinz, pesquisadora do Laboratório de Análise da Violência da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e doutoranda na Free University, de Berlim.

Ou seja, além da conversão pessoal, a religião também tem um papel estratégico para manutenção do poder e na disputa por territórios, segundo os pesquisadores.

A comunidade evangélica tradicional rejeita fortemente a ideia de que um traficante possa ser evangélico.

“Um pastor sério não vai aceitar que uma coisa que é ilegal na lei humana e imoral seja associada a Cristo”, diz o pastor Carlos Alberto, que atua há 17 anos como pastor na favela da Cidade de Deus e antes era, ele próprio, traficante. “O pastor tem que mostrar para a pessoa que ela pode se arrepender, mas para ser aceito como evangélico ela tem que largar tudo que é contrário aos princípios bíblicos, morais e éticos.”

No entanto, os traficantes considerados parte do neopentecostalismo não só se declaram membros na religião, mas de fato têm uma vida religiosa, apontam pesquisadores.

O líder do tráfico no Complexo de Israel é alvo, por exemplo, de 20 mandados de prisão por homicídio, tortura, tráfico, roubos e ocultação de cadáver. Ao mesmo tempo, ele se declara evangélico, espalhou referências religiosas pela região e tem amigos pastores, aponta a polícia.

“São traficantes que ao mesmo tempo participam da ‘vida do crime’ e da vida religiosa evangélica, indo a cultos, pagando o dízimo e até mesmo pagando por apresentações de artistas gospel na comunidade”, afirma Kristina Hinz.

Essa influência de religiões sobre as dinâmicas de poder do tráfico sempre existiu, dizem pesquisadores, e não é algo particular ao protestantismo. Mas a conversão de traficantes ao pentecostalismo é um fenômeno que tem características próprias, em um país que caminha para ter maioria evangélica na próxima década.

Mais evangélicos

Nos últimos 30 anos, a sociedade brasileira tem se tornado mais evangélica como um todo — segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de evangélicos subiu 61% entre 2000 e 2010.

Dados de 2020 de pesquisa feita pelo instituto Datafolha apontam que 31% da população era evangélica nesta data, com católicos compondo 50%.

Se o crescimento continuar no ritmo atual, em 2030 os evangélicos chegarão a 40% da população, segundo uma projeção do pesquisador José Eustáquio Diniz Alves, doutor em Demografia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Para a população das favelas, as igrejas pentecostais passaram a ter uma importância significativa. As redes evangélicas oferecem segurança e apoio material, espiritual e psicológico para os moradores, aponta a pesquisadora Christina Vital Cunha em Oração de Traficante: uma etnografia.

Foi neste contexto que se deu a aproximação dos traficantes desta religião, diz o sociólogo Doriam Borges, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

“Essa conversão ocorreu tanto pelo fato de parte dos traficantes terem nascido em lares evangélicos ou por terem familiares religiosos, bem como por estarem internados no socioeducativo ou em prisões e terem sido alvo dos projetos missionários evangélicos nessas instituições”, explica.

Manutenção do poder

Nesta união do tráfico com a religião, doutrinas neopentecostais se misturam às estruturas de poder das facções.

Em muitos locais, como no Complexo de Israel, por exemplo, ela é “decisiva para a governança e a manutenção do poder de grupos criminosos”, diz Kristina Hinz.

“A apropriação pelo tráfico da gramática de guerra reconhecida nas favelas e empregada por algumas igrejas neopentecostais proporciona uma narrativa de legitimidade religiosa para a expansão violenta do território”, afirma a pesquisadora.

A pesquisadora afirma que, na competição pelo mercado de venda de drogas, a adaptação de uma linguagem e de símbolos familiares para a população permite que os traficantes apresentem “confrontos armados com grupos concorrentes de tráfico de drogas como ‘guerra espiritual’ ou mesmo como uma ‘guerra santa’ contra demônios e inimigos religiosos”.

O chefe do tráfico no Complexo de Israel é também um dos líderes do Terceiro Comando Puro (TCP), segundo a polícia.

O TCP é hoje o terceiro maior grupo armado do Rio, atrás das milícias e do Comando Vermelho (CV), de acordo com o estudo Mapa dos Grupos Armados do Instituto Fogo Cruzado e do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O complexo faz parte do território do TCP, que é um rival histórico do CV. Na disputa por territórios, o TCP fez alianças com milícias, apontam as pesquisas de Hinz e Borges.

Os especialistas afirmam ainda que as estrelas de David no Complexo de Israel ou a pichação “Jesus é o dono do lugar” em um terreiro de umbanda destruído por traficantes são mais do que símbolos religiosos.

São uma “forma de delimitar espaços de poder e de domínio do tráfico nos territórios”, como aponta Hinz.

“Quando esses traficantes evangélicos ordenam o fechamento de terreiros, além do racismo e intolerância religiosa, estão demonstrando seu poder, força e domínio no território. Ou seja, esse grupo de traficantes utiliza a gramática evangélica como instrumento de dominação da população residente nas favelas.”

No entanto, Vital Cunha pontua que nem sempre o fato de um traficante ser evangélico resulta na retirada de santos católicos ou na perseguição de religiões de matriz africana.

Ela descreve em sua pesquisa casos em que os próprios moradores fazem esse tipo de constrangimento e intolerância.

Rejeição dos evangélicos

Se a linguagem religiosa é familiar para a população, a rejeição da ideia de que traficantes possam ser de fato cristãos é muito forte na comunidade evangélica mais tradicional, como explica a pastora e pesquisadora Viviane Costa, autora de Traficantes Evangélicos.

Alguém que vive do crime, nessa visão, não cumpriria os “requisitos de uma verdadeira conversão”, diz ela.

Para muitos cristãos, “ser evangélico” não significa só aderir às crenças da religião, mas ter atos e um estilo de vida de acordo com certos preceitos, explica o sociólogo Diogo Silva Corrêa, autor do livro Anjos de Fuzil, resultado de sua pesquisa sobre as relações entre o crime e a religião na Cidade de Deus, favela na Zona Oeste do Rio.

Ou seja, para alguém ser evangélico, não basta acreditar, é preciso viver de uma certa forma — a ideia de um criminoso evangélico seria, portanto, inaceitável.

“Se a pessoa não procurar mudar, não tem como se intitular cristão — e isso vale para todos, para o adúltero, para o brigão, para quem tem vício, não só para o traficante”, diz à BBC o pastor Carlos Alberto, de uma igreja neopentecostal na Cidade de Deus.

“Durante muito tempo, os evangélicos foram respeitados justamente porque não existia aquela coisa de ser ‘não praticante’, como os católicos, o crente era até considerado chato, cafona”, diz ele.

Os pastores coniventes com o tráfico são uma minoria, defende ele, mas é algo problemático porque é uma minoria que “tem forte influência sobre o rebanho”.

“O pastor sabe que é errado, mas alguns aceitam por causa dos benefícios. O traficante paga por uma cruzada (evento religioso aberto), faz uma reforma na igreja…”, diz ele. “É uma visão errada de que Deus vai transformar uma maldição em benção, um dinheiro maldito em algo positivo.”

“Mas é algo que faz a igreja perder credibilidade”, diz ele. “Se você percebe que o traficante quer proteção, quer usar a religião como um amuleto, mas não quer largar o crime, não pode se associar.”

“Como você vai ficar conivente quando a lei do tráfico é muito rígida, é olho por olho, não existe compaixão?”, diz.

Carlos Alberto afirma que o processo de aceitar pessoas que só querem os benefícios de se dizer religioso mas não mudam de vida é algo que acontece também no meio artístico, no futebol, no meio empresarial e na política.

“Pastores que aceitam aparecer com certos políticos, que são coniventes com certas práticas, não me representam.”

No entanto, Viviane Costa explica que, conforme mais e mais brasileiros se tornam protestantes, a conversão nos moldes “mais tradicionais” é menos comum — e pessoas se consideram evangélicas mesmo que não se comportem de acordo.

Ela lembra do fenômeno das celebridades evangélicas citado por Carlos Alberto. “Mesmo alguns políticos e celebridades que se declaram cristãos reformados não seriam considerados verdadeiramente evangélicos levando em conta a expectativa mais tradicional”, diz.

“Fui bastante criticada por falar em ‘traficantes evangélicos’, mas não fui eu que os nomeei como evangélicos — é assim que o fenômeno é conhecido e como eles próprios se identificam”, diz Costa. “O livro é o resultado de uma pesquisa, e como pesquisadora eu estou descrevendo um fenômeno, não fazendo uma análise teológica se a pessoa realmente é convertida.”

O TCP é conhecido pelos desaparecimentos de pessoas que se opõem à facção, de acordo com a polícia.

Desde antes da criação do Complexo de Israel, moradores relatam à imprensa desaparecimentos de familiares e amigos em favelas dominadas pela facção.

Muitas não procuram a polícia nem relatam oficialmente os desaparecimentos por medo, segundo observadores de centros de pesquisa sobre violência.

Em alguns lugares, no entanto, alguns traficantes evangélicos têm um grande respeito por pastores de igrejas nas favelas que dizem não aos grupos armados, diz Costa.

“São considerados verdadeiros homens santos, porque realmente aderiram ao caminho correto”, afirma.

Vital Cunha, uma das primeiras pesquisadoras a estudar o tema, descreve em seu trabalho como notou a aproximação de traficantes e pastores em busca de proteção espiritual.

Na favela de Acari e de Santa Marta, descreve ela em seu trabalho, o rádio de comunicação dos traficantes apitava todos os dias às 5h30 com uma oração do chefe do tráfico.

Ele falava ao mesmo tempo com Deus, pedindo proteção, e dava orientação, pedindo para os subordinados matarem menos e dizendo para os líderes comunitários cuidarem das pessoas.

‘Narcoreligião’

A pesquisadora Viviane Costa, no entanto, é contra falar em “narcopentecostalismo”. Ela diz que isso passaria a ideia de que a religião só passou a ser um fator importante na dinâmica de poder do tráfico com o surgimento dos traficantes evangélicos.

Na realidade, diz ela, “a religião está presente na dinâmica do tráfico desde a sua gênese”. Ela defende que o mais correto seria falar em “narcorreligião”.

Nas décadas de 1980 e 1990, as facções do narcotráfico eram amplamente associadas a religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, diz Doriam Borges.

Isso foi, inclusive, retratado no cinema: a passagem no filme Cidade de Deus em que o traficante muda de nome após ter o corpo fechado em um ritual religioso é uma das mais conhecidas.

“Dadinho é o c*, meu nome é Zé Pequeno!”, diz o personagem, antes de atirar em outra pessoa.

Os traficantes construíam murais e altares em seus territórios, destaca Costa.

“Em alguns casos, quando um traficante derrubava um chefe do tráfico ou quando ia conquistar um outro território, a divindade do traficante que tinha sido derrotada também abria lugar para a divindade do que assumia. Ou seja, o elemento religioso já fazia parte da dinâmica de poder.”

Reportagens do jornal O Globo na década de 1990 descrevem casos de imagens de entidades e de santos decapitadas durante disputadas armadas — algo que acontecia pela mão dos traficantes rivais e também da polícia.

O preconceito contra as religiões afro-brasileiras já era presente desde então, explica Borges.

“As religiões afro-brasileiras, desde suas origens, têm sido estigmatizadas. E os traficantes vinculados a essas religiões eram os personagens perfeitos usados pela sociedade e pelo Estado, em especial as polícias, para a vinculação desse grupo com o Diabo, com o mal.”

Segundo o pesquisador, esses símbolos religiosos eram frequentemente destruídos durante as operações policiais.

Em Oração de Traficante, Vital Cunha descreve como as pinturas de santos e entidades do candomblé passaram lentamente a ser substituídas por trechos bíblicos na favela de Acari, no Rio de Janeiro, onde ela passou mais de uma década fazendo pesquisa.

Ou seja, a dinâmica religiosa, que já existia, passou a ser modificada para incorporar a cultura neopentecostal que surgia.

Hoje, a criação do Complexo de Israel é exemplo dos contornos que essa relação entre tráfico e religião assumiu, diz Kristina Hinz.

Exemplo, aliás, que é copiado por outros traficantes: segundo a Polícia Civil, o chefe do tráfico de uma favela em Madureira, na Zona Norte do Rio, pretende tomar os territórios de rivais para criar uma grande área sob seu domínio que chamaria “Complexo de Jerusalém”.

Fonte: BBC Brasil

Lula chama privatização da Eletrobras de “bandidagem”

‘Vamos provar a corrupção’, diz Lula sobre doação da Eletrobrás a acionistas privados

Em evento no Ceará nesta sexta-feira (12), o presidente Lula (PT) voltou a falar da Eletrobrás e criticar a doação da companhia a acionistas privados. Ele repetiu suas críticas ao reduzido poder de voto da União no Conselho da empresa e à dificuldade de recomprar as ações vendidas.

“A gente não pode aceitar sem denunciar”, afirmou o presidente. Em sua declaração mais dura contra a privatização da empresa, o presidente falou em “corrupção” e afirmou que vai provar e identificar os responsáveis pelo processo que classificou como “bandidagem”. “Ou seja, o próprio governo fez uma lei prejudicando o governo e nós vamos apurar, nós vamos abrir processo, e nós vamos tentar provar a corrupção que houve nesse país para que o povo brasileiro saiba quem é que praticou corrupção. (…) Na privatização, foi feita uma bandidagem, que deve ser um crime de lesa pátria”.

Lula ainda lembrou: “a primeira coisa que os diretores ‘honestos’ do setor privado fizeram foi aumentar o salário de R$ 60 mil para R$ 360 mil. É esse o país que eles construíram, o país do ódio, da mentira, da venda das nossas empresas públicas, o país do desmonte do Estado brasileiro”.

Saiba mais

O presidente Lula nesta quinta-feira (11) afirmou que “a Eletrobras foi privatizada, me parece, por R$ 36 milhões. Para quê o governante queria o dinheiro? Para levar para o Tesouro para pagar juro da dívida interna dele. Ou seja, vendeu uma estatal para pagar juros. Hoje nós não temos estatal e ainda estamos devendo muito”.

O governo tem 43% das ações da Eletrobrás, mas no Conselho só tem direito a um voto. Os nossos 40 só valem um. Quem tem 3% tem o mesmo direito do governo. Então nós entramos na Justiça para que o governo tenha a quantidade de voto de acordo com a quantidade de ações que ele tem. A segunda sacanagem que fizeram é o seguinte: se o governo quiser comprar de volta a Eletrobrás e tiver um cara lá qualquer que ofereceu R$ 30 bilhões, sabe o que colocaram na lei? Que o governo brasileiro, para comprar, tem que pagar três vezes a oferta que foi feita pelo setor privado. Ou seja, é a sacanagem para tentar evitar que o governo volte a ser responsável por cuidar da energia que o povo tanto precisa”, acrescentou.

Ele prometeu “brigar muito” para recuperar o controle sobre a Eletrobrás.

Fonte: Brasil 247

Ex-campeão mundial de Jiu Jitsu, Kiko Santoro é preso no DF por desvios de R$ 137 milhões

Investigação apura um esquema que simulava eventos esportivos fictícios para desviar R$ 137,4 milhões de recursos públicos

Um grupo composto por um ex-campeão de jiu-jitsu, um laranja e uma associação sem sede física está sendo investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por possíveis fraudes em repasses da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) do Distrito Federal para eventos esportivos. 

A Operação Armlock, iniciada em 2021, realizou 30 mandados de busca e apreensão em diferentes locais, incluindo a Secretaria de Esportes e Comandos em Águas Claras e Goiânia. A investigação apura um esquema que simulava eventos esportivos fictícios para desviar aproximadamente R$ 137,4 milhões de recursos públicos.

Francisco Santoro, conhecido como Kiko, é o principal alvo da operação. Além de ser faixa preta em jiu-jítsu e ex-campeão em diversas competições, ele é funcionário comissionado da Secretaria de Economia do DF e presidente da Federação Brasiliense de Jiu-Jítsu (FBJJD). Santoro também faz parte do Conselho de Administração do Fundo de Apoio ao Esporte (Confae), informa o Metrópoles. 

A Associação Centro-Oeste de Jiu-Jítsu (Cojj), com sede em Goiânia, é apontada como uma fachada para desviar recursos públicos em benefício dos investigados e realizar eventos privados promovidos pela FBJJD e seu presidente.

De acordo com as investigações, Santoro teria utilizado sua posição no Conselho de Administração do Confae para estabelecer parcerias entre a secretaria e o Cojj, aproveitando seu acesso facilitado aos bastidores da SEL-DF. Foi constatado que a associação não possuía estrutura física declarada e não comprovou a execução dos projetos acordados para os campeonatos de artes marciais no Distrito Federal. 

Fonte: Brasil 247

PF retira invasores da terra Indígena Karipuna

De acordo com a Polícia Federal, “madeiras extraídas do interior da Terra Indígena são ilegalmente vendidas por madeireiras e serrarias, mediante um esquema fraudulento”

Agentes da Polícia Federal (PF), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e da Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciaram nesta quinta-feira (11) uma operação com o objetivo de retirar invasores da Terra Indígena Karipuna, em Rondônia, região norte do Brasil. Foram mobilizados 80 policiais federais, além dos 11 profissionais das demais instituições parceiras. 

De acordo com a PF, “madeiras extraídas do interior da Terra Indígena são ilegalmente vendidas por madeireiras e serrarias, mediante um esquema fraudulento”.

A corporação afirmou ter como objetivo a “identificação de pessoas envolvidas nas atividades de loteamento e comercialização ilegal de terras (grilagem) e em extração ilegal de madeira do interior da Terra Indígena, bem como a inutilização de maquinários e de toda a estrutura feita em cada localidade de invasão”.

A PF disse que serão destruídas pontes e outros meios de acesso à Terra Indígena, “instalados sem a devida autorização” do governo. 

Durante as ações, os policiais federais atuarão nos 12 maiores e principais pontos de alertas de desmatamento existentes no interior da Terra Indígena, bem como em 20 madeireiras e serrarias que ficam no entorno da Terra Indígena Karipuna.

“Os objetos ilegais (maquinários, ferramentas, instrumentos e estruturas) encontrados serão inutilizados e os responsáveis serão imediatamente conduzidos à sede da Polícia Federal para a adoção dos procedimentos cabíveis”, continuou a instituição.

Fonte: Brasil 247

Tribunal de Contas suspende contrato sem licitação de R$ 52 milhões de JHC

Foi publicada no Diário Oficial eletrônico do Tribunal de Contas Estado de Alagoas (TCE-AL), na noite desta quarta (10), a suspensão imediata do contrato de R$ 52 milhões com a Trakto Brasil, realizado sem licitação. A decisão foi tomada pelo presidente do TCE, conselheiro Fernando Toledo.

A Trakto seria responsável pela criação de um Software único para a educação e seus usúarios, além de disponibilizar os aparelhos tecnológicos a serem utilizados. Com a realização do contrato por inexigilibiladade de licitação entres as partes envolvidas, acabou levantando dúvidas sobre o acordo. No Documento oficial do TCE, a decisão de suspender o contrato se baseia na “possibilidade de ocorrer dano ao erário irreparável ou de difícil reparação, levando-se em consideração o valor do contrato em testilha, que gravita na soma aproximada de R$ 55.000.000,00 (cinquenta a cinco milhões) de reais.”

Ante as considerações acima, ponderando que os aparentes vícios na contratação, concebidos em juízo superficial, tem potencial de causar graves prejuízos ao Município de Maceió, e diante da impossibilidade momentânea de distribuição por sorteio, decido exarar, de ofício, a presente medida cautelar para determinar:

1) Que o Município de Maceió, por si ou por intermédio de sua Secretaria de Educação suspenda imediatamente a execução do contrato firmado com a TRACKTO BRASIL SOFTWARE LTDA, no estado que se encontra, inclusive pagamentos pendentes se houver;
2) Que o Município de Maceió, por si ou por intermédio de sua Secretaria de Educação encaminhe ao TCE/AL o processo integral da contratação, bem como os de liquidação de despesa e pagamentos realizados, se houver; e Ato contínuo, determino à imediata intimação do Prefeito de Maceió e do Secretário Municipal de Educação para dar cumprimento à presente decisão, sob pena da aplicação das sanções pertinentes.

Fonte: Folha de Alagoas

Arapiraquense Jamerson Alves vira réu por ato terrorista em Brasília

As investigações e indiciamentos de suspeitos de envolvimento nos atos golpistas do dia 08 de janeiro continuam e um dos réus confirmados é o arapiraquense Jamerson Cassimiro da Silva Alves. Ele foi julgado no dia 02 de maio e virou réu no processo sobre as invasões nos prédios do Congresso Nacional e Palácio do Planalto.

Nas redes sociais, Jamerson divulgou vídeos, já apagados, mostrando que estava em Brasília nos dias dos atos golpistas. “Arapiraca, Alagoas. Vem pra cá, viu. Monte sua caravana e vem pra cá. Deus Pátria, família e Liberdade”, publicou o arapiraquense, dias antes de invadir o Congresso e ser preso.

Outra arapiraquense envolvida nos atos é a ex-candidata a vereadora pelo PSL em Arapiraca, Gabryelle Costa Estanislau Pereira. Ela também foi presa por participação direta nos atos antidemocráticos em Brasília e começou a ser julgada no dia 09. O Julgamento de Gaby Estanislau terminará no dia 15.

Além deles, há outros nove alagoanos que estão passando por julgamentos por crime de associação criminosa armada, abolição ao Estado Democrático de Direito e golpe de estado.

Fonte: Já É Notícia

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