Conselheira do TCE recomenda que privatização do Governo do RS seja investigada

Na eleição, o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite/PSDB prometeu não privatizar empresas estatais. No governo, no entanto, ele desmentiu a falsa promessa de campanha e patrocinou negócios ruinosos e lesivos ao interesse público por meio da privatização de empresas estatais.

Em maio de 2021 o governador tucano entregou por irrisórios R$ 100.000 – cem mil reais! – a Companhia Estadual de Energia Elétrica/Distribuidora [CEEE-D] para o Grupo Equatorial Energia, que tem como acionistas principais o BTG Pactual/Squadra Investimentos e o Banco Opportunity.

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Pelo ridículo preço pago, que equivale ao valor de 50 aparelhos celulares do modelo simples, o Grupo Equatorial ganhou o mercado de distribuição de energia elétrica para 1.792.000 consumidores de 72 municípios gaúchos.

Os efeitos da privatização da CEEE foram imediatamente sentidos pela população, que passou a padecer, como nunca antes na época da CEEE pública, com quedas frequentes no fornecimento de energia, lentidão nos consertos da rede, desatendimentos e longas jornadas de escuridão em estabelecimentos comerciais e domicílios.

O governador Leite está agora numa cruzada obsessiva para finalizar mais uma privatização prejudicial ao Estado.

Trata-se da entrega da Companhia Riograndense de Saneamento, CORSAN, empresa responsável pelo abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto em 317 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

Conselheiros/as do Tribunal de Contas do Estado/TCE alertam que a licitação realizada em 22 de dezembro de 2022 que culminou na venda da CORSAN por R$ 4,1 bilhões, com apenas 1,15% de ágio, é repleta de erros, falhas contábeis e irregularidades relevantes.

Integrantes do Tribunal demonstram que o preço pelo qual o Grupo AEGEA [controlado pelo Grupo Equipav, Fundo Cingapura e Itaúsa] arrematou a empresa foi subavaliado, no mínimo, em mais de um bilhão de reais.

Ao longo de um ano, o processo recebeu três pareceres no TCE contrários à continuidade da licitação: das conselheiras substitutas Heloisa Picinnini, em 6 de julho de 2022; de Daniela Zago, em 16 de dezembro de 2022, seis dias antes da licitação que não deveria ter ocorrido; e, mais recentemente, da conselheira Ana Moraes, em 18 de julho de 2023.

Os pareceres coincidiram no apontamento de irregularidades e na necessidade de se realizar nova licitação, após corrigidos os gravíssimos vícios detectados.

Em manifestação de 3 de julho passado, o procurador do Ministério Público de Contas junto ao TCE, Geraldo da Camino, também defendeu a anulação da licitação para evitar a consumação de prejuízos certos e irreversíveis ao Estado.

Devido a uma decisão cautelar do TCE que impedia o governador Leite de assinar o contrato de entrega da CORSAN ao Grupo AEGEA, o processo ficou travado até 7 de julho.

Nesta data, porém, o presidente do TCE, ex-deputado do MDB Alexandre Postal, correligionário do vice-governador do Estado, e cujo irmão gêmeo ocupa cargo de Diretor no Banco do Estado do RS [BANRISUL], tomou uma decisão monocrática ilegal e anti-regimental, e derrubou a decisão cautelar da Corte.

Na noite deste mesmo dia 7, apenas algumas horas depois da decisão de Alexandre Postal, o governador apressou-se em realizar cerimônia para a assinatura do contrato que sacramentou a entrega da CORSAN para o Grupo AEGEA.

Apesar disso, entretanto, o processo ainda está pendente de deliberação no TCE. Avalia-se que a entrega da CORSAN, recheada de ilegalidades e irregularidades, deverá ser aprovada pela maioria de conselheiros do TCE, formada por ex-deputados do PTB, MDB e PP.

Além da conselheira Ana Moraes, o conselheiro Estilac Xavier manifestou-se contra a decisão. Há expectativa de que o conselheiro Renato Azeredo, que representa as carreiras técnicas no Pleno do Tribunal, também poderá seguir o mesmo caminho.

Mas, mesmo aprovada pelo TCE, a privatização da CORSAN deverá ganhar os tribunais, ser investigada pelo Ministério Público e, inclusive, pela Polícia Civil, como recomendado no parecer da conselheira Ana Moraes.

Nele, Ana Moraes alerta para a possível ocorrência de ilícitos na licitação, como a

“frustração do caráter competitivo, por causa da incorporação demasiada de riscos desnecessários, devidos a erros de gestão de projetos e a não correção das nulidades constantes nos termos aditivos de erradificação, mas, também, devido à subavaliação decorrentes de distorções da projeção da atividade operacional da CORSAN”.

No voto pronunciado na sessão do TCE de 20 de julho, a conselheira registrou que “ao final do terceiro trimestre de 2022 já era perceptível que havia uma distorção. Não obstante a isso, o aviso de leilão número 1/2022 foi publicado em 29 de novembro de 2022 sem as correções das projeções das modelagens para fixar o valuation e o preço de referência para a formação de lances no leilão”.

E a conselheira concluiu que “o gestor da CORSAN, mesmo tendo acesso em tempo real aos resultados financeiros e podendo fazer as correções ainda na fase interna da licitação, permaneceu silente quanto a estes fatos”.

O encaminhamento do processo à Polícia Civil indica, presumivelmente, a existência de crimes na privatização realizada pelo governo do Estado. Aparentemente, portanto, pode-se estar diante de um caso de polícia, não de posição ideológica ou doutrinária sobre privatizações.

Fonte: DCM

STF suspende pagamento de dívida de R$ 276 Milhões do Maranhão com o Bank of America

STF - Supremo Tribunal Federal (Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão do pagamento da parcela, no valor de quase R$ 276 milhões, relativa a empréstimo contraído pelo Estado do Maranhão junto ao Bank of America. O ministro deferiu medida liminar solicitada na Ação Cível Originária (ACO) 3649 pelo ente federado.

O estado alegou que houve uma queda nas receitas estaduais em razão das alterações impostas pelas Leis Complementares 192/2022 e 194/2022 às alíquotas do ICMS, sua principal fonte de recursos próprios. Ressaltou que a União, os estados e o Distrito Federal firmaram acordo homologado pelo STF, no qual demonstraram que essa limitação de alíquotas de ICMS impactou seus orçamentos e sua gestão fiscal, reduzindo a expectativa de receitas e a capacidade de arrecadação.

Além da suspensão temporária do pagamento da parcela com vencimento neste mês, o governo estadual pediu que a União se abstenha de bloquear receitas próprias ou decorrentes de repartição constitucional obrigatória pertencentes ao Estado do Maranhão, afastando assim a execução de contragarantia relativa ao aval concedido ao contrato de empréstimo.

Desequilíbrio financeiro

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, a Corte tem concedido o pedido de suspensão dos efeitos de atos praticados pela União que possam comprometer, de modo grave ou irreversível, a continuidade da execução de políticas públicas ou a prestação de serviços essenciais à coletividade.

No caso dos autos, o relator entendeu que a restrição à tributação estadual, ocasionada pelas LCs 192/2022 e 194/2022, acarretou um profundo desequilíbrio nas contas dos entes da federação, tornando excessivamente oneroso, ao menos nesse estágio, o cumprimento dos contratos de financiamento da dívida pública. Por essa razão, a seu ver, é justificável a intervenção judicial até que se concretizem os mecanismos que restabeleçam o equilíbrio da base contratual.

Ao atender o pedido do estado, o relator também vedou à União a execução de contragarantias, caso venha a pagar as prestações voluntariamente, enquanto vigorar a liminar.

Fonte: Folha do Maranhão

Após 15 anos, lei destina áreas para reforma agrária

Foi sancionada nesta segunda-feira, 24/07, a Lei que destina imóveis do extinto Banco da Produção do Estado de Alagoas (PRODUBAN) em Taquarana, no Agreste do estado, para a Reforma Agrária!

Os Acampamentos Zumbi dos Palmares e 1º de Outubro, após cerca de 15 anos de luta e resistência serão Assentamentos da Reforma Agrária!

O Projeto de Lei apresentado pelo Deputado Estadual Ronaldo Medeiros foi sancionado pelo Governador Paulo Dantas.

Para Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, a lei significa “uma vitória da luta pela reforma agrária. O MST também destaca a importância da conquista para o Movimento e para o conjunto da sociedade alagoana”.

Pastores passam por cima da lei e se alastram pela Amazônia para evangelizar povos indígenas

Maioria das organizações “missionárias” tem sede nos EUA

“Nós respeitamos os governos até o ponto em que eles falam contra a palavra de Deus. (…) A palavra de Deus [está] acima de tudo”. Embora pareça slogan político da extrema direita brasileira, a declaração é do missionário evangélico Andrew Tonkin, processado no Brasil por invasão de terras indígenas

Colocar a religião acima das leis não é retórica exclusiva de Tonkin, mas um indício do que são capazes algumas denominações religiosas para evangelizar povos indígenas, principalmente na Amazônia.

Alguns missionários são pilotos e usam aeronaves próprias para percorrer longas distâncias. A maioria dessas organizações tem sede nos Estados Unidos e faz vaquinhas virtuais para financiar as ações, como a formação de pastores-pilotos e a tradução da Bíblia para o idioma nativo das comunidades. Algumas traduções, contudo, têm a qualidade questionada.

Esses grupos demonstram ainda especial interesse em alcançar povos isolados – uma violação à Constituição Federal e a tratados internacionais firmados pelo Brasil que pregam o respeito aos costumes e modos de vida dos povos originários.

Vale do Javari

Uma das regiões com maior assédio é o Vale do Javari, região com a maior concentração de povos isolados no país. “A gente observa uma presença cada vez maior [de missionários evangélicos], de diferentes doutrinas”, afirma Eliesio Marubo, procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Embora os grupos atuem ali desde os anos 1960, Eliesio conta que foi durante o governo de Jair Bolsonaro que se intensificaram a presença dos religiosos e as investidas a indígenas na região. “Eles buscam sobretudo contato com alguns indígenas que moram na cidade, oferecendo dinheiro e vantagens”, relata.

Sob Bolsonaro, boa parte de R$ 5,4 bi destinados a indígenas foi para evangélicos e garimpeiros

Para controlar a situação, a Univaja entrou em 2020 com ação na Justiça Federal para pedir a expulsão de missionários que estavam fazendo operações em busca do povo Korubo, considerado de recente contato. 

Entre os acusados está Andrew Tonkin, da missão Frontier International, que falou com a Repórter Brasil e O Joio e O Trigo por e-mail. Ele diz agir guiado pelo Espírito Santo e que, embora esteja atualmente no Iraque, mantém um programa de rádio com suas pregações para os indígenas.

Questionado se tentou acessar povos isolados, ele respondeu: “Nunca tive o privilégio de conhecer nenhum”. Apesar de não confirmar a tentativa de evangelização de indígenas isolados e afirmar que respeita as autoridades, ele não descartou agir ilegalmente, se a lei estiver “contra a palavra de Deus”. 

“Acredito que Deus tenha colocado os governos e nós obedecemos às leis dos seres humanos. Respeitamos os governos e obedecemos até o ponto em que eles ensinam ou falam contra a palavra de Deus. Nós colocamos Jesus Cristo e a palavra de Deus acima de tudo. É nossa autoridade final”, declara. Leia a entrevista na íntegra

Além de Tonkin, a Univaja também processou o missionário-piloto Wilson Kannenberg. Ele é ligado à norte-americana Asas de Socorro, uma organização cristã missionária que fornece apoio logístico, incluindo aviões, para áreas remotas. Kannenberg teria usado um hidroavião para acessar o Vale do Javari e tentar burlar a fiscalização que impede a entrada no território.

Segundo a Univaja, a Asas de Socorro não faz apenas “missões humanitárias”, mas promove invasões de terras indígenas em busca de povos isolados. 

A Asas tem sede em Anápolis, Goiás, cidade que funciona como centro de operações para diversas organizações de missionários que atuam na Amazônia. A entidade subsidia a formação de pilotos e mecânicos, o que a torna atraente também para quem não tem interesse na atividade religiosa. 

A Asas se recusou a responder às perguntas enviadas pela reportagem. Em uma nota assinada por uma advogada, negou participação em qualquer atividade ilegal. 

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Outro citado na ação movida pela Univaja e aceita pela Justiça Federal em Tabatinga (AM) é Josiah Mcintyre, da Ethnos360 – uma organização missionária americana ligada à Missão Novas Tribos do Brasil. 

Durante a pandemia, missionários da MNTB realizaram sobrevoos de helicóptero na TI Vale do Javari, sem autorização da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas). Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, o helicóptero Robinson R-66 teria sido adquirido no fim de 2018, com doações de simpatizantes no site da entidade nos Estados Unidos. A MNTB também foi processada pela Univaja. Os três missionários e a MNTB foram proibidos de entrar no território pela Justiça.

“É curioso como muitos cientistas batalham e não conseguem autorização para passar um ano na floresta e eles [missionários] permanecem por décadas sem [sofrer] interferência nenhuma”, analisa o linguista Daniel Everett, ex-missionário norte-americano que hoje é ateu e crítico dessas denominações religiosas. 

Kannenberg foi localizado pelas redes sociais, mas não respondeu aos pedidos de entrevista. Josiah Macintyre não foi localizado pela reportagem. 

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Procurada, a MNTB disse, em nota, que atua “dentro da legalidade, em respeito à lei, aos povos indígenas e aos seus direitos constitucionais de autodeterminação”. Afirmou ainda que não colocou em risco os povos indígenas do Javari durante a pandemia e que deixou a região antes mesmo da ordem judicial. Leia o posicionamento completo.

Bíblia sem ambiguidade

Após desembarcarem no país, os missionários aprendem os idiomas dos povos originários, produzem dicionários e gramáticas e usam esse conhecimento para traduzir a bíblia e pregar para os indígenas em suas línguas nativas. Porém, sutilezas do livro sagrado acabam ficando de fora das traduções, avalia Everett. 

“A bíblia é um livro bastante ambíguo e, na tradução, o missionário já tira essa ambiguidade, para adaptar o texto a sua própria ideologia, muito conservadora e ligada ao discurso da extrema-direita cristã”, explica o ex-missionário.

Utilizado desde os anos 1960, esse método continua sendo largamente empregado pelos missionários. O Ethnos360 mantém arrecadações abertas para financiar traduções do livro sagrado dos cristãos para os idiomas de povos originários de diferentes localidades do planeta. 

No site da instituição, é possível doar dinheiro diretamente para o trabalho de cada um dos missionários, mesmo que a página não especifique o que fazem e o município onde atuam. Só no Brasil, atuam mais de 50 missionários. 

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Outro site ligado às missões estrangeiras é o Joshua Project. A entidade tenta atrair ao menos 47 religiosos para atuar no Brasil, com mapas de locais onde as atividades devem ser desenvolvidas. 

Entre os públicos alvos da pregação no país estão judeus, islâmicos e outras comunidades estrangeiras. Mas o grande foco são os indígenas.

“A ideologia levada pelos missionários é reacionária e ligada aos valores dos Estados Unidos”, afirma Everett. Ele lembra que boa parte desses religiosos apoiava a ditadura militar e, mais recentemente, Bolsonaro. E recebia benefícios em troca, como a permanência nos territórios indígenas. 

É o caso do pastor Steve Campbell, da igreja Greene Baptist Church, cuja família atua há 60 anos entre os Jamamadi, em Lábrea (AM). Levado pelos pais, também missionários, em 1963, ele fala a língua dos indígenas e convive com eles desde criança. 

Segundo o indigenista Daniel Cangussu, um dos principais impactos causados pela presença do missionário é o conflito geracional. Campbell apoia lideranças mais jovens, que têm melhor domínio do português e do uso de tecnologias, o que contribui para deslegitimar os mais velhos. 

“Há um efeito grave nas aldeias, pois os mais velhos perdem a credibilidade. Isso é  bem sério, eles têm se afastado entre si e isso desorganiza bastante a situação interna. É algo que a gente nunca viu acontecer”, explica Cangussu.

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Em 2018, o missionário Campbell foi expulso pela Funai da Terra Indígena Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, após liderar uma expedição que entrou, sem autorização das autoridades, no território do povo isolado Hi-Merimã – o que é proibido. Por causa desse episódio, Campbell passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal.

O imbróglio vem prejudicando o atendimento à saúde dos Jamamadi, já que as lideranças atuais dizem que servidores da Funai e da saúde indígena só poderão entrar no território novamente após o retorno do missionário.

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Dentre outros motivos, Campbell consolidou sua influência entre os Jamamadi por conseguir aviões e helicópteros para pessoas que necessitavam de transporte para hospitais na cidade, em casos de emergência.

Na avaliação de Everett, é preciso restringir a presença dos missionários das terras indígenas. Porém, isso demanda investimentos em profissionais de saúde e voos de urgência, por exemplo.

“O Brasil já tentou diversas vezes expulsá-los dos territórios indígenas sem sucesso, porque eles ignoraram as decisões. E eles não vão sair apenas porque o governo falou que eles não podem ficar lá. Esses missionários acreditam que a lei de deus está acima das leis de qualquer país”, finaliza.

Fonte: Diálogos do Sul

Noite de violência abala Israel

Ao menos 58 manifestantes foram presos em protesto contra o avanço da reforma judicial no Parlamento

Israel foi palco de uma noite de violências após uma votação histórica no Parlamento na segunda-feira (24/07). Estradas foram bloqueadas, pneus incendiados, resultando em dezenas de prisões e ao menos 20 feridos em confrontos com a polícia. 

A repressão é denunciada pela oposição israelense e o cancelamento da chamada Cláusula de Razoabilidade pelo Parlamento do país é alvo de duras críticas dos Estados Unidos e da Alemanha.

Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de Jerusalém e de Tel Aviv depois que a coalizão de governo conseguiu aprovar no Knesset, o Parlamento em Jerusalém, o cancelamento da chamada Cláusula de Razoabilidade – uma ferramenta jurídica importante que a Suprema Corte do país podia usar até então. 

Sob ordens diretas do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, chefe do partido de extrema direita Força Judaica, a polícia reprimiu os participantes dos protestos com jatos d’água. Na periferia de Tel Aviv, uma viatura policial avançou contra manifestantes, deixando feridos leves. 

Os atos, que duraram mais de três horas, continuaram madrugada adentro.

Ao menos 58 pessoas foram detidas após os confrontos com a polícia. Entre os manifestantes, há cidadãos de diferentes posições políticas e meios sociais: laicos ou religiosos, militantes pacíficos, operários, trabalhadores do setor da tecnologia e até reservistas militares. 

Nesta terça-feira (25/07), vários recursos foram registrados junto à Suprema Corte para invalidar a votação de segunda. Setores da sociedade israelense reagem: o sindicato dos médicos, por exemplo, iniciou hoje uma greve geral no serviço público.

Na segunda-feira, o líder da central sindical Histadrut, Arnon Bar David, alertou que “qualquer avanço unilateral na reforma teria sérias consequências”, evocando uma “greve geral, se necessário”.

Nesta manhã, diversos jornais israelenses publicam capas completamente pretas, com manchetes que denotam o temor pelo futuro da democracia no país. 

Controverso projeto de reforma

A cláusula, que existia há cerca de 50 anos, estabelecia que a Suprema Corte de Israel poderia contestar, ou mesmo cancelar, uma decisão do governo que considerasse contrária ao bom senso e à proporcionalidade. A partir de agora, por exemplo, membros do governo – como ministros ou diretores de empresas, ou instituições públicas – poderão fazer indicações ou demissões consideradas dúbias sem intervenção do Judiciário.

O cancelamento da Cláusula de Razoabilidade certamente enfraquece a Suprema Corte e fortalece os Poderes Executivo e Legislativo – poderes que se confundem em Israel, já que o governo é sempre maioria no Parlamento.

A votação de segunda-feira foi apenas a primeira de um projeto de reforma judicial bem maior que o atual governo israelense – o mais direitista, religioso e ultranacionalista da história do país – pretende aprovar. A reforma foi anunciada em janeiro, de surpresa, pelo atual ministro da Justiça, Yariv Levin, braço direito do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Desde então, milhares de israelenses vão às ruas protestar todas as semanas contra o que consideraram ser um ataque à democracia do país. O objetivo inicial era colocar o plano em prática em poucas semanas, mas devido às pressões internas e também internacionais, os planos de Yariv Levin foram adiados por sete meses e picotados em diversas votações. 

Apelidado de “método do salame” pelos israelenses, a ideia seria aprovar toda a reforma judicial aos poucos. Na segunda-feira, o ministro da Justiça conseguiu aprovar a primeira parte do projeto de lei.

Netanyahu em uma posição complicada

Em meio a tudo isso, o primeiro-ministro se encontra numa posição complicada. Ao mesmo tempo em que certamente não aprecia ser alvo de protestos, ele está nas mãos dos partidos que formam a atual coalizão de governo. Caso não apoiasse a reforma judicial, provavelmente perderia o apoio de seus parceiros de governo, principalmente de líderes de partidos de extrema direita que, pela primeira vez, ocupam cargos de destaque no governo.

Há quem sugira, no entanto, que Netanyahu quer enfraquecer a Suprema Corte por motivos pessoais. Ele enfrenta três indiciamentos por corrupção e busca alguma forma de evitar ir para a prisão.

Mas a reforma judicial está causando danos à popularidade de Netanyahu, sem contar os danos à economia nacional. A moeda local, o shekel, despencou desde janeiro e diversas empresas de alta tecnologia ameaçam retirar investimentos do país.

Fora isso, centenas de reservistas voluntários do exército israelense – principalmente pilotos da Força Aérea – têm anunciado que vão deixar de se apresentar voluntariamente para exercícios ou ações militares, podendo causar um enfraquecimento também militar do país.

Netanyahu enfrenta isso tudo em meio a problemas de saúde. Ele foi hospitalizado no fim de semana para colocar um marcapasso depois que médicos identificaram uma arritmia cardíaca no líder de 73 anos.

Rusga com o governo americano

O primeiro-ministro também enfrenta a oposição do presidente norte-americano, Joe Biden. Não é segredo que Netanyahu há anos demonstra mais simpatia pelo Partido Republicano e apoiou abertamente o ex-presidente Donald Trump na última eleição presidencial.

Mas ninguém podia imaginar que o relacionamento com Biden fosse chegar a esse ponto. O líder democrata nunca escondeu o apreço a Israel e até mesmo a Netanyahu – que ele conhece há décadas –, mesmo enquanto membros de seu próprio partido criticam abertamente Israel por conta do conflito com os palestinos. Mas Biden também tem se revelado um grande crítico da reforma judicial em Israel, que, para ele, irá enfraquecer a democracia do país, assim como aconteceu na Hungria, Polônia e Turquia.

Desde que Netanyahu voltou ao poder, no final de novembro – poucos dias antes do anúncio da reforma –, Biden não o convidou para visitá-lo na Casa Branca: uma clara puxada de orelha ao premiê israelense. 

No domingo (23/07), Biden voltou a pedir que Netanyahu só aprove uma reforma judicial tão abrangente como essa caso haja um “amplo consenso nacional”.

O governo alemão, por meio do ministério das Relações Exteriores, manifestou hoje “grande preocupação” pelas tensões na sociedade israelense.

Fonte: Ópera Mundi

Ataque a campo de refugiados mata 46 pessoas na República Democrática do Congo

O ataque se insere no conflito étnico entre os grupos Hema e Lendu, causado pelo legado colonial belga

Um ataque perpetrado pela Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (CODECO), uma associação de grupos milicianos da etnia Lendu, deixou pelo menos 46 pessoas mortas no campo de refugiados de Lala, na província de Ituri, no leste do país africano, informa a RTP, citando o Human Rights Watch.

Segundo o observatório, os milicianos atacaram o campo à noite, matando os residentes com tiros, facadas, e um incêndio intencionalmente provocado.

As vítimas são da etnia Hema. O ataque se insere no conflito étnico entre os grupos Hema e Lendu, o qual tem origem em disputas sobre desigualdades no direito ao acesso à terra causadas pelo legado deixado pela era colonial. O país tornou-se independente da Bélgica apenas em 1960.

O conflito também tem sido alimentado pela competição pelo acesso às minas de ouro da província de Ituri. Segundo a BBC, desde 1998 já morreram mais de 60 mil pessoas, vítimas do conflito.

Fonte: Brasil 247

Caso Marielle: investigação se aproxima de mandantes, diz ministro Flavio Dino

Prisão de Maxwell Corrêa foi fruto de uma delação premiada de Élcio Queiroz, que trouxe novos elementos para o caso

A operação que resultou na prisão do ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa marca uma mudança de patamar da investigação sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que fica mais perto de descobrir os mandantes do crime. A informação foi dada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (24).

Dino explicou que a operação foi fruto de informações obtidas por meio de uma delação premiada do ex-PM Élcio Queiroz, preso desde 2019 por participação nos assassinatos de Marielle e Anderson. Nessa delação, Queiroz assumiu a própria participação e de Ronie Lessa no crime e também informou o nome de Maxwell.

“Com isso, nós temos, sob a ótica da Polícia Federal e dos demais participantes da investigação, a conclusão, um fechamento de uma fase da investigação, com a confirmação de tudo o que aconteceu na execução do crime”, afirmou Dino, que destacou que a apuração do caso ainda continua.

“Não há, de forma alguma, a afirmação de que a investigação se acha concluída. Pelo contrário. O que acontece é que há um avanço, uma espécie de mudança de patamar da investigação, que agora se conclui em relação ao patamar da execução. Há elementos para um novo patamar, qual seja, a identificação dos mandantes do crime”, disse o ministro.

“Naturalmente, há aspectos que ainda estão em investigação em segredo de justiça. O certo é que, nas próximas semanas, provavelmente haverá novas operações derivadas desse conjunto de provas que foi colhido.”

O ministro ainda confirmou que o crime tem relação com a ação das milícias que dominam parte do território fluminense. “Sem dúvida há a participação das milícias. Os fatos e provas indicam isso”, afirmou Dino.

O ministro acrescentou que “Ronnie, Élcio e Maxwell participam de um conjunto que está relacionado a essas organizações criminosas e milicianas que atuam no Rio de Janeiro”.

Além da prisão de Corrêa, a Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro, cumpriu outros sete mandados de busca e apreensão, na capital e na região metropolitana do Rio, no âmbito da Operação Élpis.

Élcio Queiroz está preso desde 12 de março de 2019, acusado de dirigir o carro que perseguiu Marielle. Ele foi preso com o também ex-policial Ronnie Lessa, que teria feito os disparos que executaram a vereadora e o motorista. Ambos respondem por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima) e pela tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves.

Fonte: Brasil de Fato

JHC torra R$ 2 milhões em painel luminoso em Nova York

Sem nenhum controle, o prefeito JHC (PL) continua zombando do povo de Maceió que foi vítima de enchentes e torra mais R$ 2 milhões em pirotecnia eletrônica

É preocupante constatar que o prefeito de Maceió, JHC, esteja esbanjando dinheiro em uma estratégia de marketing voltada para o ponto mais conhecido de Nova York, a Times Square. Embora a divulgação do paraíso local seja importante, investir recursos em campanhas de mídia internacional pode levantar questionamentos sobre as prioridades da administração municipal.

Enquanto atração de turistas e o desenvolvimento econômico são objetivos válidos, é preciso avaliar se tais investimentos são realmente justificados. Há uma série de problemas locais que merecem atenção e recursos, como infraestrutura precária, serviços públicos deficientes e questões sociais e ambientais que podem ser negligenciadas em prol dessa estratégia de marketing.

A situação pode gerar questionamentos sobre a responsabilidade financeira e a eficácia desses gastos, especialmente quando muitos problemas internos ainda carecem de soluções adequadas. Uma delas é a questão das chuvas na capital, que traz caos e perdas à população. Sem contar que JHC já gastou 8 milhões para a capital ser tema do samba-enredo da Beija-Flor, no carnaval do Rio de Janeiro.

Vale destacar que enquanto agentes de saúde municipais estão há meses em greve, Prefeitura esbanja na comunicação. Só na brincadeira da Times Square, o valor estimado foi de R$ 2 milhões.

Redação com A Noticia Alagoas

MP pede ao TCU investigação contra Deltan esquema bilionário com os EUA

Segundo denúncias, Deltan queria se apropriar de mais de 2 bilhões da Petrobrás para um fundo controlado por ele e outros procuradores

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu à Corte a abertura de uma apuração sobre supostos indícios de irregularidades praticadas por Deltan Dallagnol durante o período em que o ex-procurador chefiou a Lava Jato em Curitiba.

A solicitação se baseia na revelação de que Deltan negociou com autoridades dos Estados Unidos, em sigilo, um acordo para dividir o montante que seria cobrado da Petrobras em multas e penalidades no âmbito da operação.

A negociação ocorreu por meio de conversas entre procuradores brasileiros e suíços via Telegram, conforme matéria publicada na quinta-feira 20 pelos jornalistas Jamil Chade, do UOL, e Leandro Demori, da newsletter A Grande Guerra.

A peça apresentada ao TCU é assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que menciona também “o histórico da má atuação dos componentes da Operação Lava Jato”.

“Não é de hoje que me causam surpresa as indevidas ingerências que procuradores da Lava Jato realizaram na operação”, afirma.

Após a publicação da matéria, Deltan defendeu nas redes sociais a negociação do acordo e, ao mesmo tempo, afirmou não reconhecer “as supostas mensagens obtidas mediante crimes, sem autenticidade atestada e usadas sem critérios éticos por diversos jornalistas”.

As mensagens compõem os arquivos apreendidos pela Polícia Federal no curso da Operação Spoofing, que investigou a invasão de celulares de procuradores. O material deu origem à série de reportagens conhecida como Vaza Jato.

Redação com Carta Capital

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