Deputado Ronaldo Medeiros foi ‘retirado’ da disputa em Maceió

A notícia da desistência do deputado estadual Ronaldo Medeiros na disputa pela prefeitura de Maceió, nas eleições de outubro casou estranheza em muitas pessoas próximas ao PT e em muitos eleitores, que esperam uma alternativa ao midiático JHC.

O deputado que está de férias, preferiu usar as redes sociais para se posicionar sobre o episódio. Entretanto, o Blog Bastidores apurou que não foi do deputado o veredito de se retirar da eleição majoritária em Maceió, mas da disputa interna no Partido dos Trabalhadores, que na verdade foi quem ‘desistiu’ do nome de Medeiros.

Segundo o Blog Bastidores, Medeiros teria sido impactado com uma decisão da tendência majoritária do PT, chamada Construindo um Novo Brasil (CNB). O deputado integra uma outra tendência, chamada Resistência Socialista, que já nasceu em Alagoas com tamanho semelhante à CNB, e irá disputar o controle da legenda nas eleições internas.

Ainda segundo o Blog, receosa em perder o controle do partido, a CNB, então ‘desistiu’ Ronaldo da função. A tendência trabalha, agora, para viabilizar um novo nome que possa unificar a sigla, e tem em vista algumas possibilidades. Ao menos dois nomes estão na mesa dos dirigentes partidários, que darão a palavra final.

Procurada pela reportagem, o agrupamento Diáogo e Ação Petista, terceira maior força do PT, respondeu que “defende a convocação imediata de uma plenária da militância petista de Maceió para discutir a questão e que defende que o PT tenha candidato próprio nas eleições de 2024”. As outras duas forças não responderam.

O Partido dos Trabalhadores tem o segundo maior tempo de TV e a segunda maior verba do Fundo Eleitoral, o que pode alavancar um nome para prefeito e sua chapa proporcional.

Fonte: Redação com 7 Segundos

Movimento denuncia prevaricação das autoridades no caso Braskem

Vítimas da mineração criticam atuação dos MPs e dizem que direitos foram violados com aval dos órgãos de fiscalização

As entidades de defesa das vítimas da Braskem querem aproveitar a visita a Alagoas do Observatório de Causas de Grande Repercussão e da equipe do ministro Luís Salomão, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para denunciar a prevaricação das autoridades com os crimes da Braskem, em Maceió. As lideranças vão mostrar que os acordos assinados pelos órgãos de fiscalização com a Braskem são lesivos, só beneficiam a mineradora e violaram os direitos das vítimas, com o aval das autoridades.

“Os Ministérios Públicos tiveram na formulação dos acordos uma postura subserviente à Braskem. O acordo firmado entre a Força-Tarefa e a Braskem em 2020 deixou a mineradora infratora em uma situação confortável para ditar como seriam as tratativas com os moradores, deixando as vítimas em uma situação totalmente vulnerável perante a empresa. Um acordo que não teve a participação da população”, afirmou Neirevane Nunes, coordenadora do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB).

Segundo ela, o MUVB entrou com um pedido de auto composição nos Ministérios Públicos para que fosse feita a revisão do acordo com a participação dos afetados e teve o pedido negado. “O protagonismo não tem que ser dos Ministérios Públicos mas sim da população afetada que nem sequer foi ouvida. Nossos direitos individuais e coletivos forma violados pela Braskem com o aval dos Ministérios Públicos, então como as vítimas podem ver isso como case de sucesso? Nunca”, acrescentou Neirevane.

“Somos massacrados pela Braskem e pelas instituições que dão respaldo para essa empresa fazer o que quiser”, desabafou a coordenadora do Movimento. “Isso é revoltante! Detalhe: todos eles são servidores públicos, nós mantemos os Ministérios Públicos e as demais instituições com nosso dinheiro e eles ao invés de defenderem os interesses da população, vão atender os interesses da empresa infratora que nos massacra! É um duplo massacre! A gente paga duas vezes para ser humilhado”, completou.

Em artigo assinado e publicado no jornal A Verdade, no final do ano passado, Neirevane critica a atuação dos órgãos de fiscalização e controle. “Só faltava essa, o Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União assumirem o lugar de fala de vítimas da Braskem. Vítimas somos nós, afetados pelo crime da Braskem e que, devido a esse acordo celebrado entre estas instituições e a Braskem, ficamos totalmente vulneráveis em relação à mineradora, à mercê de todos os abusos dessa mineradora”.

CASE DE SUCESSO?

Para o presidente da Associação dos Empreendedores Vítimas da Braskem em Maceió, Alexandre Sampaio, “essa história da atuação do MPF de Alagoas, no caso Braskem, ser um ‘case de sucesso’ é o maior engodo que eu já vi na minha vida”. O empresário prejudicado pela mineração disse ainda que pretende “desmascarar esse case de sucesso” na reunião que as vítimas da Braskem terão com os integrantes do CNJ e do Observatório, para tratar desses assuntos e fazem suas reclamações.

“Nós vamos mostrar para o CNJ que os acordos assinados pelas autoridades com a Braskem constituem um segundo crime, que é o crime da ocultação das provas e das consequências do primeiro crime”, afirmou Sampaio. Segundo ele, seria bom que essa missão do CNJ a Alagoas tivesse uma atuação verdadeiramente isenta e pudesse enquadrar os agentes públicos que prevaricaram nas investigações sobre os crimes da Braskem, em Maceió. “A nossa esperança é essa e isso que a agente vai cobrar do CNJ”, acrescentou.

Na reunião com o CNJ, Sampaio pretende mostrar que há um descontentamento geral das vítimas com relação a atuação do MPF e lembrou o protesto dos moradores dos Flexais realizado na segunda-feira, em Bebedouro. “Por isso, esse ‘case de sucesso’ só pode ser comemorado pela Braskem, que cometeu um crime, ganhou a propriedade dos bairros e o apagamento das consequências”, afirmou, acrescentando que “os Ministérios Públicos agiram de forma privada, a favor do capital que destruiu cinco bairros e uma lagoa”.

Fonte: Tribuna Hoje

Reservistas israelenses se negam a combater em Gaza

Cerca de metade dos soldados de um batalhão da reserva do exército israelense se negaram a combater na Faixa de Gaza sitiada, ao apontar que não receberam o tratamento adequado para tanto, reportou nesta quarta-feira (17) a rádio em hebraico Kan Reshet Bet.

“Reservistas convocados a treinamento antes de serem estabelecidas as Brigadas Hashomer … criticaram duramente as graves falhas em equipamento, profissionalismo, contingente e, sobretudo, o fato de que, no meio do treinamento, foram informados de que entrariam em Gaza sem concluir as instruções requeridas”, declarou a reportagem.

“Para o assombro dos soldados, o major-general anunciou sua decisão de levar seu batalhão ao coração de Gaza sem a preparação devida”.

Segundo um soldado: “Recebemos a ordem de convocação [em dezembro] e respondemos ao chamado. Eles nos disseram que nossa tarefa seria proteger cidades [perto de Gaza], mas uma semana depois de um treinamento horrível, conduzido sem munição ou comandantes, fomos subitamente informados que entraríamos em Gaza para esvaziar as casas”.

“Somos todos soldados de combate. Eu mesmo estive nas Brigadas Nahal, outros estiveram nos batalhões de infantaria, mas não executamos missões há anos”, afirmou o soldado. “Nos deram armas M16 que desmontavam na mão e não havia munição para o treino. Pegávamos balas do chão para ter com o que atirar”.

Alguns reservistas chegaram a treinar sem uniformes, enquanto outros receberam somente camisetas e coturnos, acrescentou a reportagem.

“Não dá para compreender como queriam introduzir uma força tão desqualificada na Faixa de Gaza”, lamentou um dos soldados.

Após cem dias de ofensiva militar contra Gaza, Israel enfrenta desafios políticos e logísticos, sem sinal de que os combatentes da resistência nacional palestina, que aderiram a táticas de guerrilha entre os escombros, recuarão no futuro próximo.

Neste entremeio, no entanto, os bombardeios indiscriminados de Israel destruíram 60% da infraestrutura civil de Gaza, ao matar 24.448 pessoas e ferir outras 61.504 vítimas; na ampla maioria, mulheres e crianças.

As ações israelenses são crime de guerra e genocídio.

Fonte: Monitor do Oriente

Receita Federal anula isenção fiscal dada por Bolsonaro a líderes religiosos

A Receita Federal suspendeu decisão do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro que deu isenção tributária a líderes religiosos. O benefício foi concedido às vésperas das eleições de 2022 e anulado pelo chefe do órgão, o secretário Robinson Barreirinhas, na última segunda (15).

O responsável por conceder isenção tributária sobre salários de pastores é Júlio César Vieira Gomes, ex-auditor fiscal da Receita que esteve envolvido na tentativa de liberação das joias dadas ao ex-presidente. A medida foi considerada atípica por não ter passado pelo crivo da subsecretaria de tributação do órgão. O Tribunal de Contas da União (TCU) também investiga o procedimento.

A Bancada Evangélica criticou a suspensão e alegou perseguição do governo Lula. O deputado da Frente Evangélica Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou que a anulação é um “absurdo”.

“É uma prova do que sempre falamos: o governo Lula persegue os segmentos religiosos. Estão sustando o ato declaratório do ex-secretário da Receita, para que cada auditor interprete a lei como quiser, voltando à velha fábrica de multas. Faz um absurdo desses e depois quer se aproximar de evangélicos”, afirmou ao blog do Octavio Guedes no g1.

Sóstenes ainda prometeu se vingar do governo após a suspensão e disse que vai criar uma campanha mostrando que o presidente Lula supostamente “persegue o segmento religioso”. “Terão cada vez mais nosso distanciamento e nós iremos fazer campanha contrária a esses governos. Isso é prato cheio para nós evangélicos”, prosseguiu.

Júlio César foi exonerado em junho do ano passado do cargo de auditor fiscal por conta de uma investigação preliminar da Controladoria-Geral da União (CGU) contra ele. Chefe da Receita na gestão Bolsonaro, foi ele quem assinou despacho que pedia para auditores do Aeroporto de Guarulhos liberarem um conjunto de joias apreendido a assessores do ex-presidente.

Fonte: DCM

Após pressão de estudantes, Universidade Federal do Ceará cancela parceria com Israel

Universidade reconheceu ‘gravidade do conflito’ e cedeu a pressão dos estudantes que rechaçaram o 2º Innovation Challenge Brasil-Israel, edital que previa troca de informações tecnológicas com Tel Aviv

A Universidade Federal do Ceará (UFC) anulou nesta segunda-feira (08/01) o edital do programa 2° Innovation Challenge Brasil – Israel, uma parceria com a Universidade Ben-Gurion, em Berseba, que previa a integração de estudantes de graduação e pós-graduação das instituições na troca de informações.

A federal disse que reconheceu a “gravidade do conflito” em que Israel ataca diariamente Gaza, matando mais de 22 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde da Palestina. Ainda de acordo com a reitoria, a universidade se coloca “firmemente contra a guerra e indigna-se com todas as perdas humanas e a destruição ocorridas”.

“Também defende a garantia dos direitos humanos das populações atingidas naquela região”, disse.

A decisão ocorreu após pressão dos estudantes da universidade para a revogação do edital. Em nota, movimentos de juventude declararam ser “lamentável e uma vergonha que, na contramão da crescente onda mundial de repúdio a um dos maiores banho de sangue da história recente, promovido por Israel contra o povo palestino, a UFC divulgue esse tipo de parceria”. 

Já a secretária de juventude da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e diretora de políticas educacionais da União Nacional do Estudantes (UNE), Maynara Nafe, declarou a Opera Mundi que houve aumento significativo em investimentos israelenses dentro das universidades brasileiras, que, segundo a ativista palestina, tem a finalidade de “aumentar o soft-power” de Israel. 

Nafe relembrou o caso da IV Feira das Universidades Israelenses na Unicamp, que foi realizada em abril de 2023, que reuniu as principais instituições de Israel para se apresentarem diante do público universitário e acadêmico brasileiro.

À época, organizações estudantis e palestinas convocaram um ato no mesmo dia do evento para prestar solidariedade ao povo palestino e reivindicar o rompimento de todas as relações da Unicamp com o regime de Israel. Ativistas palestino-brasileiros alertaram que as universidades israelenses têm envolvimento direto com o Exército de Israel no desenvolvimento tecnológico de armas, táticas e pelos equipamentos de monitoramento utilizados no muro ilegal da Cisjordânia.

Nafe delineia que o boicote acadêmico de Israel – de suas universidades, publicações e eventos acadêmicos – é fundamental para deixar claro o papel que essas instituições desempenham na colonização da Palestina.

Leia na íntegra a nota da UFC:

A Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) informa à comunidade acadêmica e sociedade que o edital do 2º Innovation Challenge Brasil-Israel foi revogado.

Embora a atividade seja estritamente acadêmica e fruto de uma parceria de longa data, bem como a articulação para promovê-la tenha sido realizada antes da deflagração dos conflitos atuais, a Instituição admite que houve um erro de avaliação na manutenção do calendário, diante da conjuntura política na Faixa de Gaza.

A UFC reconhece a gravidade do conflito, coloca-se firmemente contra a guerra e indigna-se com todas as perdas humanas e a destruição ocorridas. Também defende a garantia dos direitos humanos das populações atingidas naquela região.

Por fim, lamenta profundamente a emergência de conflitos bélicos e seus impactos, inclusive na vida acadêmica de instituições de ensino e pesquisa, tanto no Brasil quanto no exterior.

Fonte: Ópera Mundi

Sindicalizados terão direito a 50% de desconto na exposição Van Gogh

A exposição Van Gogh Live 8k, uma das maiores experiências imersivas do mundo, que está em Maceió, no Parque Shopping, no piso L3, até o dia 31 de janeiro, tem promoção exclusiva para os sindicalizados. Todo sindicalizado e seu acompanhante só pagará 50% do valor do ingresso.

A promoção foi confirmada pelo produtor Michael Wanderson, que atendeu a solicitação do presidente do Sindicato dos Docentes da Uneal, professor Luizinho, e estendeu para todos os sindicatos.

Os sindicatos interessados devem procurar a produção do evento através do whatsapp (82 98190-5691). Segue abaixo a mensagem de confirmação:

Boa tarde professor Luizinho, Faço parte da Produção do “Van Gogh Live 8k”, em Maceió, uma das maiores experiências imersivas do mundo.

A VAN GOGH LIVE 8 K MACEIÓ fica no Parque Shopping, no piso L3.

A ideia é que o sindicato ofereça o benefício para os sindicalizados de 50% off, o benefício também será extensivo a um acompanhante.

Estamos nas últimas semanas e nosso objetivo é informar ao público para não perder a chance de ver a exposição que já vendeu mais de 10 milhões de ingressos ao redor do mundo.

Podemos postar e elaborar material com a logo de cada entidade para que possa ser divulgado nas redes sociais.

Vamos enaltecer a arte e a cultura em nossa cidade!

Obrigado desde já pela atenção,

Michael Wanderson,
Van Gogh live 8k.

A GA Produções e Eventos é a licenciada para realizar The Original Van Gogh Live 8k, em Maceió.
Informações:
+55 82 98190-5691 (Whastapp)

Para pacote para grupos acima de 15 pessoas. A cada 15 ingressos, será concedida (01) uma cortesia.

Lula sanciona lei que cria poupança para estudantes do ensino médio

Recursos são voltados para alunos de baixa renda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (16) lei que cria uma espécie de poupança para que estudantes de baixa renda concluam o ensino médio. 

Serão beneficiados jovens de baixa renda regularmente matriculados no ensino médio na rede pública e com a família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com renda per capita mensal igual ou inferior a R$ 218.  

No caso de educação para jovens e adultos, podem receber o benefício quem está na faixa etária de 19 a 24 anos. 

De acordo com o Ministério da Educação, a evasão no ensino médio chega a 16%. Os dados apontam que o primeiro ano é o que tem maior registro de evasão, abandono e reprovação de estudantes. 

Quem poderá receber 

Para ter acesso ao benefício, o aluno precisará ter frequência mínima, garantir a aprovação ao fim do ano letivo e fazer a matrícula no ano seguinte, quando for o caso.  

A regra também exige participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para aqueles matriculados na última série do ensino médio, nos exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e nos exames aplicados pelos sistemas de avaliação externa dos entes federativos para a etapa do ensino médio. 

Como será a poupança  

Os ministérios da Educação e da Fazenda irão definir o valor a ser pago aos estudantes. A União deve aportar até R$ 20 bilhões para o pagamento. 

O depósito será feito em uma conta em nome do aluno. A conta poderá ser uma poupança social digital.  

A poupança não será considerada no cálculo da renda familiar para a concessão ou recebimento de outros benefícios. 

Caso os estudantes descumpram as condicionantes ou se desliguem do programa, os respectivos valores depositados em conta retornarão ao fundo. 

Fonte: Agência Brasil

Presbítero de igreja evangélica é preso por ter matado o pai a machadada

Crime teria acontecido por brigas envolvendo herança

A Polícia Civil de Alagoas prendeu um presbítero de igreja evangélica 20 anos após matar o pai idoso a machadadas, em São José da Tapera, no Sertão de Alagoas. Ele foi detido em Santana do Ipanema, cidade vizinha, enquanto assistia a um culto, depois do fim do evento.

Investigações dão conta de que o crime teria sido praticado por causa de herança.

O crime aconteceu quando a vítima tinha 71 anos. De acordo com a PC, o acusado contou que chegou a ser interrogado depois, fugiu e nunca mais foi localizado. Ele disse que conheceu o pai quando tinha 17 anos quando morava em Santana e o pai em Tapera.

A polícia informou também que o pai teria se aproximado do suspeito e pedido para morar junto. “Eles abriram um bar juntos e, alguns anos depois, começaram os desentendimentos por causa de herança. No dia do assassinato, a vítima foi pegar uma carroça no galpão anexo, quando discutiram. O homem, motivado por raiva, teria pegado um machado e cometido o homicídio”. 

Ele foi levado para a Delegacia de São José da Tapera.

Fonte: O Dia

STF abre inquérito contra Moro e procuradores sobre delação de Tony Garcia

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou, no último mês de dezembro, a abertura de inquérito na corte contra o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR) e os procuradores que atuaram no acordo de delação do empresário e ex-deputado estadual paranaense Tony Garcia.

A Polícia Federal deve investigar o envolvimento não só do ex-juiz, mas também de sua mulher, a deputada federal e advogada Rosangela Moro (União-SP); do antigo coordenador da “lava jato”, Deltan Dallagnol; do procurador regional da República Januário Paludo e do ex-procurador Carlos Fernando de Santos Lima, outros ex-membros da força-tarefa curitibana; e do advogado Carlos Zucolotto Júnior, ex-sócio de Rosangela.

O inquérito deve apurar possíveis medidas invasivas da “lava jato”, como a determinação de tarefas ilícitas a Garcia — tais como promoção de escutas e entrega de gravações clandestinas de eventos não relacionados ao seu acordo de delação. Esse caso foi revelado ao público pelo site Brasil 247.

Outros pontos a serem investigados são as possíveis práticas de cooptação de colaboradores pré-selecionados; negociações para homologação de acordos de delação direcionados; e chantagens, coações, ameaças e constrangimentos para manutenção do acordo de Garcia.

Na visão da PF, tais condutas indicam a prática dos crimes de concussão, fraude processual, organização criminosa e lavagem de capitais.

O inquérito foi aberto após representações da PF e da Procuradoria-Geral da República. Elas se basearam em relatos do ex-deputado estadual, que disse ter atuado para Moro e os procuradores como “colaborador infiltrado” no meio político e empresarial.

“Diante da manifestação da PGR, que reproduz também a representação formulada pela PF, mostra-se necessária a instauração de inquérito neste STF para investigação sobre os fatos narrados, nos exatos termos em que pleiteados, na medida em que demonstrada a plausibilidade da investigação de condutas, em tese, tipificadas como crime”, pontuou Toffoli na decisão.

Em junho do último ano, o ministro já havia determinado a suspensão dos processos que envolvem Garcia na Justiça Federal de Curitiba e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Agente infiltrado
Antigo delator do consórcio de Curitiba, Garcia ganhou o noticiário nacional no último ano por acusar Moro de coagi-lo a atuar como um “agente infiltrado” para perseguir desafetos. Ele também revelou que chegou a gravar o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) e outras autoridades a pedido do então juiz.

O depoimento foi feito em sigilo à juíza Gabriela Hardt, antiga substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, em 2021. O caso ficou parado até que foi remetido ao STF pelo juiz Eduardo Appio, em 2023, quando ele era o titular da 13ª Vara — atualmente, o magistrado comanda a 18ª Vara Federal de Curitiba.

Nova oitiva
Após pedido da PGR, a PF ouviu Garcia em setembro do último ano. Ele voltou a dizer que seu acordo de delação premiada, firmado com o Ministério Público Federal, foi um instrumento de chantagem.

Segundo o ex-deputado estadual, Moro e os procuradores de Curitiba buscavam aproveitar a sua “rede de relações sociais” para investigar políticos e empresários de destaque.

De acordo com o relato, o então juiz teria forjado a prática de delitos financeiros no consórcio Garibaldi, do qual Garcia fazia parte.

Com a assinatura do acordo de colaboração premiada, Moro e o MPF estipularam 30 tarefas a Garcia. Apenas duas tinham relação com o consórcio.

Em uma dessas tarefas, Garcia respondeu a um interrogatório no qual quase todas as perguntas foram feitas pelo prório Moro.

As demais tarefas envolviam investigados da “lava jato”. O delator era obrigado a investigar pessoas por meio do uso de escutas ambientais e fornecimento de números de telefones para interceptação.

Segundo ele, a todo momento havia intimidações de que, caso não colaborasse da maneira exigida, o acordo seria rescindido, com a prisão de Garcia e sua família, além de expropriação dos seus bens.

O empresário contou que Moro o orientou a se encontrar “umas sessenta vezes” com uma pessoa chamada Wagner (embora tivesse documentos com nomes diferentes), que se dizia agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Nessas ocasiões, ele entregava números de telefones que seriam interceptados, de pessoas a serem investigadas. O ex-deputado afirmou ter presenciado Wagner filmando um encontro entre investigados.

Garcia também revelou um acordo de delação fraudulento que envolveu a perseguição de desafetos de Moro — como o desembargador Edgard Antônio Lippmann Júnior, do TRF-4, e o procurador Dilton Carlos Eduardo Franga.

Por fim, o empresário mencionou uma missão em que teve de avisar o ex-deputado federal Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, de que ele e a família Odebrecht (da empreiteira) estavam sendo investigados.

Estratégias
A PF acredita que possam existir até hoje diversas situações de chantagens, coações, ameaças e constrangimentos. Os relatos, caso comprovados, “apontam para um desvirtuamento” das decisões tomadas no âmbito da “lava jato”.

A autoridade ainda pretende ouvir Moro, Dallagnol, Rosangela, a juíza Gabriela Hardt e “membros remanescentes do sistema de Justiça criminal paranaense” que fizeram parte da “lava jato” ou atuaram com a força-tarefa.

Outra ideia é ouvir o doleiro Alberto Youssef, outro famoso delator da “lava jato”, que descobriu uma escuta clandestina na cela que ocupou na Superintendência da PF do Paraná em 2014 — quando ele ainda se recusava a colaborar com as investigações.

Outro lado
Em sua defesa, Sergio Moro disse desconhecer a decisão e reafirmou que não houve qualquer irregularidade no processo. O ex-juiz sustenta que o instituto da colaboração premiada não tinha à época dos fatos o mesmo regramento que tem hoje e que nunca obteve gravações de integrantes do Poder Judiciário.

Fonte: Conjur

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