Justiça Federal determina bloqueio de R$ 4,6 milhões de Alagoas para pagar Hospital Veredas

A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 4.659.834,95 das contas do Estado de Alagoas para pagamento de valores devidos ao Hospital Veredas. A medida atende a pedido do Ministério Público Federal (MPF), apresentado após o término do prazo concedido ao Estado para realizar o depósito judicial.

A decisão foi proferida pela 13ª Vara Federal em Alagoas na última sexta-feira, 17 de julho. O bloqueio deverá ser realizado por meio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud). Os recursos devem ser transferidos imediatamente para uma conta judicial destinada à movimentação dos valores para o hospital, que está sob intervenção.

Segundo a decisão, o Estado havia sido intimado, em 30 de junho, a depositar o saldo devedor no prazo de cinco dias. A intimação foi dirigida à Procuradoria-Geral do Estado e à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Considerada a suspensão dos prazos processuais entre 6 e 10 de julho, o período concedido pela Justiça terminou nos dias 15 e 16 de julho, sem que o pagamento fosse realizado.

Fonte: Jornal Extra

Homem é resgatado de trabalho escravo em fazenda isolada no Pará

Um trabalhador rural de 65 anos foi resgatado pela fiscalização trabalhista em uma fazenda na Estação Ecológica Terra do Meio, unidade de conservação federal em Altamira, no sudoeste do Pará. O homem vivia isolado no local e cuidava de animais da propriedade. Segundo o Ministério Público do Trabalho, ele estava em situação de extrema vulnerabilidade, com violações de direitos relacionadas à alimentação, moradia e acesso à água potável. Com informações de Metrópoles.

A equipe precisou usar um helicóptero da Polícia Federal para chegar à fazenda, em área de difícil acesso. A investigação aponta que, embora recebesse salário, o trabalhador não tinha estrutura mínima para permanecer no local: ele se alimentava apenas uma vez ao dia, raramente comia carne e usava água barrenta do rio Pardo para beber, tomar banho e preparar alimentos, sem comprovação de potabilidade.

O homem dormia em um barraco de madeira, com partes de chão batido, poucas áreas cimentadas e frestas nas paredes por onde entravam animais peçonhentos. Ele também dividia o espaço com bois e porcos e ficava exposto a animais silvestres, como onças. O proprietário havia abandonado a fazenda após ações de fiscalização ambiental e deixou o trabalhador no local para cuidar dos animais restantes.

O fazendeiro firmou um Termo de Ajuste de Conduta com o MPT e se comprometeu a não manter empregados em condições degradantes, sem registro ou sem direitos trabalhistas garantidos. O valor a ser pago será de R$ 120 mil. O trabalhador foi inserido na rede de proteção socioassistencial de Altamira e levado a um abrigo. Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas pelo Sistema Ipê ou pelo Disque 100.

Fonte: DCM

Candidato do PT ao governo do Piauí tem 70,5% dos votos válidos, segundo pesquisa Atlas

e as eleições para governador do Piauí fossem hoje, o atual ocupante do cargo, Rafael Fonteles (PT), sairia vitorioso com folga no primeiro turno, segundo levantamento divulgado pela AtlasIntel/MeioNorte de julho de 2026.

Fonteles aparece com 64,2% das intenções de votos ante os 21,7% de seu principal adversário, o ex-prefeito de Floriano Joel Rodrigues (PP). Em votos válidos, Fonteles tem 70,5% contra 23,8% de Rodrigues.

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A série histórica do levantamento torna o cenário ainda mais confortável para o petista. Em abril, Fonteles marcava 56% das intenções de voto. Já em julho, chega a 64,2%, um crescimento de oito pontos percentuais em três meses. No mesmo período, Joel Rodrigues foi na direção contrária, indo de 29,8% para 21,7%, uma perda de oito pontos que evidencia uma possível migração de votos diretamente para o governador.

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Aprovação e imagem de Rafael Fonteles

O perfil do eleitorado de Fonteles é amplo. Ele lidera entre homens e mulheres, mas é entre as mulheres que o desempenho é mais expressivo, onde conquista 69,6% de intenção de voto. Entre jovens de 16 a 24 anos, chega a 74,6%. Entre eleitores com ensino fundamental, Fonteles atinge 80,2%.

Regionalmente, o governador tem ampla vantagem no Sudeste Piauiense (78,9%) e no Centro-Norte (75,0%). Seu resultado menos expressivo está na capital, Teresina, onde chega a 50,2% e Joel Rodrigues registra seu melhor desempenho, alcançando 29,3%.

Os índices de aprovação e imagem do governador reforçam a tendência de reeleição, com ele anotando 67% de imagem positiva e um saldo de +43 pontos. Entre os eleitores ouvidos pela Atlas, 65,4% acreditam que ele merece a reeleição. Sua rejeição eleitoral é de apenas 20,7%, a menor entre todos os nomes avaliados.

Em relação à aprovação, 66% dos piauienses aprovam sua gestão enquanto 24,6% desaprovam, com 53% classificando seu governo como ótimo/bom, 29% avaliando como regular e 18% julgando como ruim/péssimo.

Fonte: Revista Fórum

Perto das convenções e isolado, JHC avança sobre Luciano Barbosa e Lira

Numa disputa eleitoral, existem duas circunstâncias. Uma delas é a composição partidária. É essa que dá musculatura política, arco de apoios, tempo de propaganda. A outra é a eleitoral, propriamente dita.

João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, tem somente a segunda delas. O problema é que isso, muitas vezes, não basta. Sem tempo de propaganda, sem arco de alianças, é muito difícil candidaturas prosperarem, ficando – a depender do caso – aquém daquilo que poderia ter sido.

A primeira delas, a do ambiente partidário, JHC, até 15 de julho, não tem. Faltando poucos dias para o início das convenções, JHC segue isolado, sem alianças. E por mais que venda outa imagem em suas redes sociais, essa água já passou do joelho. Tanto que o neotucano passou a atacar outras candidaturas com o objetivo de forçar apoios a sua.

Podemos citar a ação movida pelo Democracia Cristã, presidido nacionalmente por seu pai, João Caldas, no Supremo Tribunal Federal (STF) para que uma lei recém-criada que altera a regra de idade para assumir mandato como deputado federal seja anulada. A medida beneficia Álvaro Lira, filho de Arthur Lira (PP), que é pré-candidato a deputado federal e cotado para assumir uma das noves vagas de Alagoas naquela Casa.

Ou seja, como até agora não obteve o apoio de Lira, JHC atua para buscar fazê-lo escolher entre o Senado – ao qual é pré-candidato – ou buscar a reeleição como deputado federal. Além do que, sem   Lira na corrida ao Senado há mais espaço para qualquer manobra de peças no tabuleiro eleitoral que o ex-prefeito de Maceió queria fazer.

Mas se por acaso Lira decidir apoiar JHC, dará ao neotucano o tempo de propaganda da federação PP/União Brasil, o maior entre as legendas eleitorais.

Outro movimento nesse sentido é a informação de bastidor publicada por Edivaldo Júnior nesta quarta-feira (15) de que se o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (MDB) não apoiar JHC e marchar com Renan Filho (MDB), Lucas Barbosa (PSDB) não terá a legenda para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

Não que isso já não tenha sido ventilado antes, por exemplo no Bnews Alagoas pelo colunista Carlos Victor Costa, mas a proximidade do início do período das convenções eleitorais e a explicitude com que a informação circulou, apontam para uma postura politicamente mais agressiva de JHC, que teria adotado o “ou me apoia ou nem candidato seu filho será”.

Lucas Barbosa filiou-se ao PSDB em 14 de abril. No dia seguinte, Luciano Barbosa afirmou não haver acordo para apoiar JHC para governador. O prefeito de Arapiraca jamais negou publicamente essa possibilidade, mas sempre negou que a filiação de seu filho no PSDB para disputar uma das 27 cadeiras na Assembleia Legislativa ocorreu com essa condição.

Primeiro por que a presença de Lucas Barbosa na chapa tucana à Casa de Tavares Bastos a robustece podendo, então, ajudar ao partido a eleger mais deputados estaduais. Segundo por que, no  limite, sua presença poderia impor uma posição de distância em relação à disputa para governador de Luciano Barbosa. Se o prefeito de Arapiraca não ajuda, ao menos não atrapalha.

Inclusive, a filiação de Lucas Barbosa no PSDB rendeu uma série de boatos sobre sua presença como candidato a vice-governador de JHC, mesmo após Ronaldo Lessa (PDT) já ter anunciado ocupar esse lugar na chapa. Outro nome que, vira e mexe, é ventilado, é Célia Rocha, também de Arapiraca.

O problema é que nas últimas semanas, Luciano Barbosa tem sinalizado mais aproximação com o grupo dos Calheiros, participando de agendas e fazendo elogios públicos ao governador Paulo Dantas (MDB). Isso fez Lucas Barbosa participar de uma agenda de JHC em São Miguel dos Campos.

Uma aliança com o PL pode ser formalizada. Nesta quarta-feira (15), o PL desistiu de ação por infidelidade partidária contra vereadores que deixaram o partido e migraram para o PSDB. Alfredo Gaspar, pré-candidato ao Senado pelo PL tem sinalizado aproximação com JHC, mas tem enfrentado resistência interna no partido porque o ex-prefeito de Maceió não declara apoio a Flávio Bolsonaro. 

Contudo, o fato é que até a noite de 15 de julho, JHC só tem consigo em sua chapa o PDT, além da federação PSDB/Cidadania, à qual preside em Alagoas. 

Ou seja, apesar dos bons números nas pesquisas – nas sérias –, mantendo acirrada a disputa com Renan Filho, JHC não consegue ampliar. Segue isolado. Por quê?

Talvez seja seu histórico – segundo relatos de bastidor – em não cumprir acordos. Talvez seja por sua postura de Rei-Sol. Isso, só quem tem negociado politicamente com JHC sabe dizer com certeza. Mas o fato é que seu isolamento o fez ser mais agressivo com outras candidaturas, tentando pôr uma “faca” em pescoços por aí.

A questão é se atores políticos tarimbados como Arthur Lira e Luciano Barbosa vão esticar a cabeça para a lâmina de João Henrique Caldas. A história diz que não.

PF decide expulsar Eduardo Bolsonaro da corporação por abandono

A Polícia Federal concluiu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e decidiu recomendar a demissão do político da corporação por abandono de cargo. Eduardo é escrivão da instituição e está fora das funções, sem justificativa, desde que viajou aos Estados Unidos. A decisão final cabe ao ministro da Justiça, Wellington Lima.

Eduardo está em solo norte-americano desde o ano passado, alegando suposta perseguição política. No entanto, no período, ele atuou pela sanção por parte do governo do país a autoridades brasileiras, inclusive pela imposição de tarifas para diversos setores da economia. Na segunda-feira (20/7), o governo dos EUA concedeu o green card, para Eduardo. Com isso, ele tem autorização de residência no país.

O documento permite que ele possa viver na região, tendo validade inicial de 10 anos. No fim do ano passado, a Mesa-Diretora da Câmara também decretou cassação do mandato de Eduardo, em razão da quantidade de faltas sem justificativa.

Em junho deste ano, o ex-deputado foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo. Os magistrados da Corte entenderam que ele agiu criminosamente para tentar coagir autoridades brasileiras e tentar impedir o andamento do processo contra o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado por tentativa de golpe de Estado.

O cargo de escrivão da Polícia Federal tem salário inicial de R$ 14 mil, com aumento na medida que ocorre progressão de carreira. Após assinatura do ministro da Justiça, a expulsão se torna definitiva.

Fonte: Correio Braziliense

Flávio Bolsonaro leva informações falsas sobre urnas em reunião com embaixadores

  • Senador levanta suspeitas a respeito de empresa venezuelana que não fornece urnas para o Brasil. Boato já foi desmentido pela Justiça Eleitoral; pré-campanha foi procurada e não se manifestou ainda
  • O presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), espalhou informações falsas a respeito das urnas eletrônicas em um evento com diplomatas e embaixadores nesta terça-feira (21) em Brasília, repetindo episódio semelhante do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado no processo da trama golpista.

Diante de uma plateia estrangeira, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic –que, segundo um relatório da CIA divulgado na semana passada, estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. A agência de inteligência dos EUA diz que a ideia era alterar votos por meio de urnas pré-programadas.
Flávio mencionou o relatório da CIA e pediu aos diplomatas que enviem o maior número de observadores estrangeiros possíveis para a eleição de 2026.

“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse Flávio.

Ele afirmou também: “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”.

Flávio participou de uma rodada de eventos com presidenciáveis promovida pela consultoria de comunicação Novo Selo Comunicação. A palestra reuniu “lideranças brasileiras e embaixadores, cônsules, chefes de missão e representantes diplomáticos”, segundo os organizadores.

A reportagem procurou a pré-campanha de Flávio para comentar as declarações do senador, mas ainda não houve resposta.

A Folha de S.Paulo já desmentiu boatos relativos à Smartmatic em 2020. A Justiça Eleitoral declarou que a Smartmatic nunca vendeu urnas ou softwares utilizados em urnas para o Brasil, apesar de ter fornecido outros serviços, como treinamento de pessoas para realizarem suporte técnico e operacional para as urnas.

Fonte: Jornal de Brasília

Coronéis da PM de Tarcísio têm elo com alvos de ação contra PCC

Coronéis da PM têm elo com alvos de ação contra PCC

A decisão que autorizou a deflagração da Operação Janus, realizada nesta terça-feira (21) contra suspeitos de integrarem um núcleo financeiro que atuava em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC) e participarem de “tribunais do crime“, aponta que parte dos investigados mantinha relação de proximidade com policiais militares de alta patente. O SBT News teve acesso à decisão do juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A decisão que autorizou a deflagração da Operação Janus, realizada nesta terça-feira (21) contra suspeitos de integrarem um núcleo financeiro que atuava em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC) e participarem de “tribunais do crime“, aponta que parte dos investigados mantinha relação de proximidade com policiais militares de alta patente. O SBT News teve acesso à decisão do juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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Os policiais mencionados no documento, no entanto, não são alvos da operação desta terça-feira e não foram denunciados ou acusados formalmente no caso.

Segundo a decisão, as investigações das operações Bazaar e Recidere indicaram que Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza e Amjad Ahmad “demonstraram possuir influência sobre policiais civis e militares“. O documento cita a existência de registros de proximidade com o coronel PM Pereira Martins, além de menções a contatos com o coronel PM José Augusto Coutinho, então comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), e com um coronel identificado apenas como “Patrício“.

Cléber e Robson, por exemplo, mantinham uma relação de amizade com o coronel Pereira Martins, que, de acordo com as investigações, teria permanecido mesmo após ambos se tornarem alvos de grandes operações policiais, como a Operação Fractal, deflagrada no fim de 2022.

Ainda conforme o magistrado, há registros de que o coronel Pereira Martins se dispôs a auxiliar os investigados e intermediar contato com autoridades.

O coronel José Augusto Coutinho foi comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo de maio de 2025 a abril deste ano. Ele deixou o cargo após ser citado em investigações sobre a atuação de policiais na escolta de uma empresa de ônibus ligada ao PCC.

Outro trecho da decisão menciona uma planilha apreendida durante as investigações com a anotação de um pagamento de R$ 1 mil em dinheiro destinado ao coronel identificado como “Patrício”. O repasse do dinheiro ilícito era chamado pelos suspeitos de “ticketagem”.

Operação Janus

A Operação Janus foi deflagrada nesta terça-feira (21) para desarticular um núcleo financeiro suspeito de atuar em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC).

As apurações também indicam a participação dos investigados em reuniões destinadas à resolução de conflitos patrimoniais submetidos a integrantes da facção, em episódios identificados pelos investigadores como “tribunais do crime“.

Ao todo, a Justiça autorizou 18 mandados de prisão preventiva contra investigados apontados como operadores financeiros, responsáveis por movimentar recursos, converter dinheiro em espécie em transferências bancárias, ocultar patrimônio e abastecer o fluxo financeiro da organização criminosa.

Entre os alvos estão Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Paulo Rogério Silva, Amjad Ahmad e outros integrantes da estrutura investigada.

Além das prisões, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões nas contas bancárias e investimentos de cada um dos investigados.

A decisão também prevê outras medidas patrimoniais, como indisponibilidade de bens, imóveis e veículos, para impedir a ocultação ou a dissipação de patrimônio supostamente ligado às atividades criminosas.

Fonte: SBT News

UMA NOVA ESQUERDA AMERICANA

Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor

O mundo pode estar passando por uma discreta e significativa mudança, não totalmente imperceptível aos olhares mais atentos, que poderá alterar de forma substancial a história da humanidade. Neste momento crítico de colapso sistêmico do liberalismo clássico, que possibilita a ascensão de uma extrema direita em todos os continentes, começam a surgir sinais de fadiga estrutural do capitalismo mundial, precisamente no país que simboliza esta concepção ideológica internacional, tendo como símbolo o fenômeno irreversível da globalização. As contradições de um modelo político, econômico e social, sempre deixa um vácuo por onde a roda da história gira de forma esmagadora e irreversível. A dialética não perdoa nunca e as transfigurações sempre surgem como princípios e imperativos categóricos.

Aqueles mesmos, proferidos por Imannuel Kant, em que afirma para agirmos no sentido de que as nossas ações devam se transformar em uma lei universal como um principio moral, onde as escolhas devam ser realizadas pelo puro dever, em que as pessoas são um fim em si mesmas. Possivelmente são estes sentimentos que talvez, eu disse talvez, estejam impulsionando nos Estados Unidos a ascensão de um movimento, ainda tênue, de que é necessário mudanças profundas no modelo de capitalismo predominante nos padrões norte americano, onde o percentual oficial de pobreza extrema atinge hoje 36 milhões de pessoas, o que representa 10,6% da sua população. Uma contradição para um país que tem um PIB de US$ 32,4 Trilhões, o que perfaz 26,8% do Produto Interno Bruto global.

Neste contexto contraditório que vive o povo americano, em um país construído por amplos fluxos e ciclos migratórios de todos os recantos do mundo, e que hoje enfrenta nas ruas a ICE, uma polícia migratória xenófoba, sem critérios discricionários estabelecidos e discriminatória, se faz realmente necessário uma reflexão crítica mais profunda sobre quais decisões devem ser tomadas no sentido de uma alternância real das estruturas formais do poder. O fato é que começam a surgir rachaduras muito claras na sociedade americana, que expõe uma real possibilidade de avanços de forças até então inimagináveis nas bases do império capitalista internacional. Algumas sinalizações já começam a emergir e a mais evidente delas foi a eleição do atual prefeito de Nova York, o democrata Zohran Mamdani, nascido em Uganda, na África, e integrante da organização política Socialistas Democráticos da América.

A chamada DSA reúne várias tendências progressistas de esquerda e centro-esquerda nos Estados Unidos, com fortes raízes socialistas, trabalhistas e sociais-democratas. Ela nasce sobre os primeiros escombros que começam a aparecer do declínio do império americano. Esta queda já era uma evidência externamente e agora começa a dar sinais de desgaste com o seu próprio público interno. Segundo pesquisa e análise encomendada pelo The Wall Street Jornal, mais da metade da população americana acha que o capitalismo falhou como modelo econômico e social, revelando que 68% dos cidadãos daquele país acreditam na decadência econômica dos Estados Unidos nas últimas décadas. A juventude americana já não se identifica mais com o ufanado patriotismo nacional de outrora.

O tal “sonho americano” já não é mais quase uma unanimidade e apenas 42% dos jovens estadunidenses ainda continuam acreditando nesta utopia. Se existe uma nação hoje totalmente contraditória entre o que prega e a sua realidade é os EUA. Esta novíssima geração no país do “Tio San”, distante da polarização do pós guerra e da divisão geopolítica do período da Guerra Fria, começa a ver o socialismo com simpatia e até como uma alternativa para o colapso do sistema. As pesquisas indicam que 62% dos jovens na faixa de 18 a 29 anos vêm essa alternância de concepção ideológica como o melhor para o futuro do país. Quando restringidos está faixa etária para 18 a 24 anos, este percentual sobe para 53% e até mesmo o comunismo já angaria o significativo número de 38% dos que admiram e se sentem atraídos por esta mudança radical no pensamento imperial do neoliberalismo.

Este pequeno movimento sismico politicamente já está sendo detectado pelos sismógrafos partidários, tanto dos republicanos como pelo dos democratas, onde está abrigada a corrente ascendente que aponta ventos de mudanças, ao menos progressistas, na sociedade americana. A extrema direita em crise na grande nação do norte já começa a dar sinais de preocupação, com o seu chefe mundial Donald Trump afirmando que o avanço pela esquerda representa “a maior ameaça a nossa nação desde a nossa fundação”. Toda esta transformação se iniciou em 2016, quando o Senador democrata Bernie Sanders, identificado com a social democracia, desafiou Hillary Clinton e a elite do partido Democrata pela indicação partidária presidencial e, mesmo sendo derrotado, lançou a semente do sentimento de mudança que estavam presentes de forma latente no país, sob a égide de novas bases, novos atores e novos horizontes políticos.

O sonho do histórico líder sindical Eugênio Debs, aos poucos, pode se transformar em realidade. Debs foi cinco vezes candidato a Casa Branca pelo Partido socialista da América, entre 1900 e 1920, quando alcançou 3,41% da votação, mesmo tendo disputado esta eleição atrás das grandes de uma prisão, por fazer discursos públicos em oposição ao recrutamento das forças armadas e navais de jovens americanos para lutarem na Primeira Guerra Mundial. Os seus jovens sucessores estão ativos na vida pública dos Estados Unidos. Além do prefeito nova-iorquino Mamdani, destacam-se ainda a conceituada deputada descendente de porto-riquenhos Alexandra Ocasio-Cortez, Ayana Presley, eleita por Massachusetts e Darializa Ávila Chevalier, que ganharam a indicação do Partido para líderes históricos do Democratas em suas regiões, acrescentando ainda o nome de Janeese Lewis George, que será a provável futura prefeita de Washington, tendo a distribuição de renda como bandeira principal de campanha. Sinais de que os EUA ja não são mais o mesmo.

Por serviços prestados aos EUA, Eduardo Bolsonaro recebe green card de Trump

Condenado pelo STF, Eduardo Bolsonaro age livremene contra os interesses do Brasil

A administração do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu o green card ao ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O documento permite que estrangeiros vivam, trabalhem e estudem em território estadunidense por tempo indeterminado, sem necessidade de autorizações especiais para permanecer no país. As informações são da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo.

A concessão ocorre em um período de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Na semana passada, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em 2025, ao adotar a primeira medida econômica contra o Brasil, o presidente estadunidense relacionou as tarifas a uma suposta perseguição do Estado brasileiro ao ex-mandatário Jair Bolsonaro.

No mês passado, Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a Corte, ficou comprovado que o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para interferir no julgamento da ação penal em que Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Conforme a denúncia, Eduardo afirmou, à época, que havia realizado gestões para que o governo Trump aplicasse sanções contra autoridades brasileiras e adotasse medidas econômicas contra o Brasil.

Proteção jurídica nos Estados Unidos

Aliado do ex-parlamentar, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo afirmou que a obtenção do documento amplia a proteção jurídica de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense. “Eduardo agora está protegido pela Constituição americana”, disse. “Qualquer ação de perseguição ou censura, por exemplo, contra ele, pode se inserir no mesmo contexto das ações que já levaram a sanções dos EUA ao Brasil”, acrescentou.

A possibilidade de extradição de Eduardo Bolsonaro para cumprimento da pena no Brasil já era considerada remota por ministros do STF, em razão do apoio manifestado pelo governo dos Estados Unidos ao ex-deputado. Com a concessão do green card, essa hipótese se torna ainda mais distante.

De acordo com Paulo Figueiredo, o pedido de residência permanente foi protocolado há mais de um ano, e o documento foi concedido neste mês. Embora passe a contar com direitos semelhantes aos de cidadãos estadunidenses para viver e trabalhar no país, Eduardo Bolsonaro não terá direito ao voto.

Fonte: Brasil 247

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