Jornal Estado de SP aponta infiltração do PCC na cúpula da PM de Tarcísio de Freitas

Em Editorial, Estadão comenta a Operação Janus, do Ministério Público de São Paulo, que revelou suspeitas de ligação entre integrantes do alto comando da Polícia Militar paulista e operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta possíveis conexões envolvendo pagamentos de propina e relações com integrantes da facção, colocando sob questionamento a presença do crime organizado dentro da estrutura de segurança pública. LEIA trechos.

A Operação Janus, deflagrada na terça-feira passada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), expôs como o Primeiro Comando da Capital (PCC) lava dinheiro e resolve suas querelas por meio dos chamados “tribunais do crime” […]

[…] Mensagens obtidas pelas autoridades indicam que um dos membros do PCC buscava dinheiro “para pagar a polícia”. Uma planilha típica do esquema de propina conhecido como “ticketagem” registra pagamento a um coronel identificado como “Patrício”. Um grupo de WhatsApp intitulado “Aniversário General”, com diálogos entre o PCC e a cúpula da PM paulista, sugere um convívio indecente, para dizer o mínimo, entre criminosos e agentes supostamente a serviço da lei.

Nenhum dos coronéis citados foi alvo direto desta fase da Operação Janus. É bom que se registre isso porque suspeita, apuração e condenação são coisas distintas num Estado de Direito, e este jornal não antecipa a culpa de ninguém. Mas também nunca houve espaço para ingenuidade nesta página. As suspeitas que recaem sobre os policiais militares, levantadas pelo MPSP, são gravíssimas.

Se organizações criminosas de contornos mafiosos como o PCC cresceram a ponto de disputar à bala território com o Estado brasileiro, é porque encontraram, ao longo do tempo, espaço dentro do próprio aparato estatal para prosperar. Não há outra explicação racional. E o preço da leniência ou da cumplicidade nunca foi baixo, assim como alta é a conta que recai sobre a sociedade: por mais bem formulada que seja, jamais haverá política de segurança pública que sobreviva a esse tipo de contaminação. Noutras palavras: pouco adianta reforçar efetivos, comprar equipamentos, criar varas judiciais especializadas ou aperfeiçoar leis de combate ao crime organizado se no topo da cadeia de comando das forças públicas houver quem venda seus serviços ao inimigo.

Um só oficial disposto a se associar ao PCC ou simplesmente fechar os olhos em troca de propina compromete o esforço de milhares de outros policiais que cumprem seu dever com honestidade e sob risco de sua própria vida. Ou seja, a corrupção policial é uma violência abominável contra o cidadão comum, mas também contra os próprios colegas do corrupto.

Faz tempo que o PCC deixou de ser uma quadrilha de assaltantes e traficantes de drogas escondida nos porões do sistema carcerário paulista. É uma organização mafiosa com sofisticação financeira, presença na economia formal, na política institucional e, como mostrou a Operação Janus, com capacidade para cooptar policiais nos escalões mais altos da segurança pública de São Paulo. Enfrentar essa ameaça exige, em primeiro lugar, que o Estado volte o seu olhar para dentro com a mesma disposição que emprega suas forças armadas contra o crime nas ruas – sobretudo nas periferias da capital paulista.

Por meio de nota, a PMSP afirmou ter participado da operação e reiterou seu compromisso com o combate ao crime organizado. É o mínimo. Espera-se, contudo, que a corporação demonstre, com transparência e rigor, que não hesitará em depurar seus próprios quadros, sobretudo em posições de comando. Espírito de corpo nessa hora é o mesmo que cumplicidade com o PCC.

Fonte: DCM

Brasil reage a novas tarifas dos EUA e prepara ação na OMC com base na Lei de Reciprocidade

Sobretaxas impostas podem atingir 37,5% sobre parte das exportações nacionais.

O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (23) que dará início imediato aos procedimentos para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica em resposta ao novo pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos sobre produtos de cerca de 60 parceiros comerciais, entre eles o Brasil. Além da reação interna, o Palácio do Planalto informou que pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as medidas adotadas por Washington são arbitrárias e incompatíveis com as normas do comércio internacional.

Em nota oficial, o governo classificou a decisão norte-americana como “completamente arbitrária e injustificada” e afirmou que utilizará todos os instrumentos previstos na legislação aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. A Lei de Reciprocidade autoriza o Brasil a adotar contramedidas contra países que imponham barreiras consideradas discriminatórias às exportações brasileiras.

A nova tarifa dos Estados Unidos foi anunciada com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que permite investigações e sanções contra práticas consideradas desleais. No caso, Washington sustenta que diversos países, incluindo o Brasil, não adotam mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em seus mercados.

Governo contesta justificativa americana

Na avaliação do governo brasileiro, a utilização do combate ao trabalho escravo como fundamento para as novas tarifas representa uma distorção de um tema sensível ligado aos direitos humanos. O comunicado oficial argumenta que os Estados Unidos recorreram a esse argumento após perderem sustentação jurídica para outras medidas protecionistas adotadas anteriormente.

Pelas novas regras, produtos brasileiros passam a enfrentar uma sobretaxa adicional de 12,5%. Como já incidia uma tarifa de 25% sobre parte das exportações nacionais desde quarta-feira (22), determinados produtos poderão ser submetidos a uma carga tarifária total de até 37,5%, ampliando os obstáculos ao comércio bilateral.

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), países que possuem mecanismos mais rigorosos para impedir a importação de bens produzidos com mão de obra forçada foram enquadrados em uma faixa tarifária inferior, de 10%. O Brasil, embora mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, foi considerado insuficiente no controle sobre mercadorias provenientes de terceiros países.

Plano de resposta já está em andamento

A nova medida substitui a tarifa global de 10% decretada em fevereiro pelo presidente Donald Trump com base em outro dispositivo da legislação comercial estadunidense, cujo prazo de vigência termina nesta sexta-feira (24).

O governo brasileiro informou que já vinha se preparando para esse cenário e mantém diálogo com representantes dos setores mais afetados. Entre as iniciativas anunciadas está a terceira etapa do Plano Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas das áreas farmacêutica, de fertilizantes, têxtil e outros segmentos impactados pelas restrições ao comércio internacional.

Agora, além das medidas de apoio interno, a estratégia brasileira passa pela contestação formal das tarifas no sistema de solução de controvérsias da OMC, em uma tentativa de reverter ou limitar os efeitos da nova política comercial dos Estados Unidos.

Fonte: Rede Estação Democrática

Governo Trump planeja tumultuar eleição no Brasil para favorecer Flávio Bolsonaro

The Washington Post afirma que enviados dos EUA pretendem levantar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro

Uma reportagem do jornal “The Washington Post” publicada neste sábado (25) afirma que o governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump, planeja enviar dois altos funcionários para lançar dúvidas sobre a ‘lisura e integridade’ do sistema eleitoral do Brasil. A situação foi confirmada pelo veículo por quatro autoridades brasileiras e americanas.

De acordo com o jornal, funcionários que devem ir até Brasília nos próximos dias seriam dois nomeados políticos de Trump, Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto. Ainda não se sabe com quem eles iriam se encontrar para questionar o sistema eleitoral.

O jornal afirma, ainda, que diplomatas brasileiros tomaram conhecimento recentemente do caso, descrevendo a situação como uma ‘manobra’ americana. Eles querem tentar impedir a entrada das autoridades do governo Trump ao país. Um funcionário afirmou que o governo brasileiro tomaria medidas para “proteger o sistema eleitoral”.

Reportagem do Washington Post. — Foto: Reprodução
Reportagem do Washington Post. (Foto: Reprodução)

O governo brasileiro avalia que a visita teria como objetivo reunir representantes e críticos do sistema eleitoral brasileiro para produzir um relatório que, posteriormente, seria usado para questionar a credibilidade do modelo de votação adotado no país.

Ao Washington Post, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que uma delegação do governo Donald Trump viajará ao Brasil na próxima semana, mas não informou qual será a finalidade da missão.

Donald Trump e Bolsonaro

Segundo o jornal, a iniciativa representa uma escalada nas tensões entre os dois países em torno da liberdade de expressão e do processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

O veículo também afirma que o governo Trump busca ampliar a atuação política de sua diplomacia, com o objetivo de promover, no exterior, posições alinhadas à ideologia da atual administração.

A reportagem relembra ainda que Bolsonaro tentou envolver as Forças Armadas no debate sobre uma suposta ruptura democrática.

Segundo fonte ouvida pelo Washington Post, diferentes avaliações de inteligência realizadas à época concluíram que “não havia credibilidade nas acusações contra o sistema eleitoral brasileiro”.

A reportagem também destaca que Darren Beattie, indicado por Trump para um cargo no Departamento de Estado, tentou visitar Bolsonaro após a condenação do ex-presidente, mas teve o visto revogado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Fonte: ICL

Prefeito Rodrigo Cunha é acusado de favorecer doutrinação religiosa da Igreja Universal

Do site 082 Notícias

A participação do prefeito Rodrigo Cunha em um encontro promovido pela Igreja Universal do Reino de Deus, com representantes de órgãos da Prefeitura de Maceió, abriu debate sobre os limites da relação entre instituições religiosas e o poder público em um Estado constitucionalmente laico.

Como chefe do Executivo municipal, Rodrigo Cunha participou da agenda que reuniu integrantes da Guarda Civil Municipal, da Defesa Civil, do Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT) e do Centro de Operações Integradas (COI), no templo principal da Igreja Universal em Maceió. Segundo a Prefeitura, o objetivo foi fortalecer a integração entre os órgãos municipais e a instituição religiosa, por meio do programa Universal nas Forças Policiais (UFP).

A participação do prefeito e de representantes de órgãos públicos em uma atividade realizada dentro de um espaço religioso, durante horário de trabalho, levantou questionamentos sobre os limites dessa aproximação institucional.

A Constituição Federal estabelece que o Brasil é um Estado laico, garantindo liberdade religiosa, mas determinando que o poder público mantenha neutralidade diante das diferentes crenças. A colaboração entre Estado e entidades religiosas é permitida quando houver interesse público, desde que não resulte em favorecimento ou identificação das instituições públicas com uma determinada religião.

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) reforça esse princípio ao defender que a laicidade do Estado exige neutralidade dos órgãos públicos em relação às religiões. Para o órgão, a liberdade religiosa deve ser assegurada, mas a atuação estatal não pode estabelecer relações de dependência, aliança ou privilégio com instituições religiosas.

A aproximação entre forças de segurança e igrejas ocorre em diferentes partes do país, geralmente apresentada como apoio espiritual e valorização dos agentes públicos. Ao mesmo tempo, esses encontros são alvo de questionamentos por promoverem a difusão de valores e concepções religiosas específicas dentro de instituições públicas, alimentando o debate sobre práticas de doutrinação e os limites impostos pelo princípio constitucional do Estado laico.

A Prefeitura apresentou o encontro como uma ação de cooperação institucional. O episódio, no entanto, evidencia o avanço da presença de instituições religiosas em espaços do poder público, levantando o debate sobre a utilização de órgãos estatais para a difusão de valores religiosos, a doutrinação de servidores e o aparelhamento de estruturas públicas por interesses religiosos, em afronta ao princípio constitucional da laicidade do Estado.

EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros

Alegação é de prática de trabalho forçado e eleva taxa total a 37,5%. Família Bolsonaro comemora medida de Trump que é contrária os interesses brasilietos.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24).

A nova tarifa substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações do Brasil para o mercado estadunidense poderá enfrentar tributação de até 37,5%.

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Motivação

Segundo o governo estadunidense, o Brasil integra o grupo de 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos.

Na avaliação do USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida, ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos menores.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a prática prejudica empresas e trabalhadores estadunidenses.

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual”, destacou Greer em comunicado.

Produtos 

O relatório afirma que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos:

  1. alumínio;
  2. algodão;
  3. eletrônicos;
  4. baterias de lítio;
  5. tabaco.

Segundo o USTR, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.

O documento também menciona que, embora o Brasil participe de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o país não detém, na avaliação dos Estados Unidos, mecanismos considerados suficientes para impedir a importação desses bens.

Países

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.

Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.

Tarifa 

A nova medida se soma à tarifa de 25% aplicada nesta semana sobre parte das exportações brasileiras, resultado de outra investigação conduzida pelo USTR.

Nesse processo, o governo estadunidense acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais, citando questões como acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e políticas comerciais preferenciais.

Com a nova decisão, empresas brasileiras poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5% em parte das exportações destinadas aos Estados Unidos.

As novas tarifas anunciadas nesta quinta substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro deste ano. Na ocasião, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as “tarifas recíprocas” impostas pelo presidente estadunidense no ano passado.

Reação brasileira

Em nota, o governo brasileiro criticou a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos e classificou a medida como “arbitrária” e “injustificada”. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

O texto também informa que o governo pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro já havia contestado as conclusões da investigação. Em manifestação anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais e defendeu que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.

Segundo o chanceler, o Brasil dispõe de mecanismos de fiscalização e cooperação internacional para impedir a circulação de produtos produzidos em condições análogas à escravidão.

Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.

Redação com Agência Brasil

Eduardo e Flávio Bolsonaro passam a ser investigados pela PF por lavagem de dinheiro no caso Dark Horse

Polícia Federal apura repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro, rota de US$ 12,3 milhões e possível uso dos recursos nos EUA

A Polícia Federal abriu uma investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção na operação financeira ligada ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). A informação foi divulgada nesta quinta-feira (23) pela revista Piauí. 

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a apuração nesta quinta-feira (23). Investigadores analisarão os recursos que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinou ao longa-metragem, além do caminho percorrido pelo dinheiro e dos beneficiários finais. 

O senador negociou com Vorcaro um financiamento estimado em US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Deste total, ao menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam chegado efetivamente ao projeto entre fevereiro e maio de 2025.

Coaf apontou movimentação de US$ 12,3 milhões

A Procuradoria-Geral da República (PGR) destacou, no parecer enviado ao STF, uma movimentação de US$ 12,3 milhões entre a Entre Investimentos e Participações e o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.

A reportagem da Piauí destaca que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou a operação em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF). O órgão produz esse tipo de documento quando identifica movimentações atípicas ou transações que exigem uma análise mais aprofundada.

Na conversão apresentada pela revista, o montante corresponde a aproximadamente R$ 63 milhões. O parecer de nove páginas do Coaf, contudo, não esclarece se uma única operação movimentou o valor integral ou se várias remessas formaram o total. O documento também não informa as datas das transferências.

A PGR cita uma previsão de US$ 24 milhões para o financiamento do longa-metragem, mas não afirma que os responsáveis pela operação tenham enviado todo o valor. Documentos e mensagens divulgados pelo site The Intercept Brasil apontaram anteriormente seis repasses que somaram US$ 10,6 milhões.

Inquérito inclui Vorcaro e operadores do fundo

A decisão de André Mendonça também colocou Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado como operador do ex-banqueiro, entre os investigados. A PF já apura a participação dos dois em outras frentes relacionadas ao Banco Master.

O inquérito ainda abrange o empresário e publicitário Thiago Miranda, além de Altieris Santana e Paulo Calixto, responsáveis pela administração do Havengate Development Fund LP. Calixto também atua como advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Registros empresariais citados pelo The Intercept Brasil mostram que o Havengate mantém sede no Texas e tem como agente legal o escritório de Paulo Calixto. Altieris Santana aparece na estrutura societária vinculada à administração do fundo.

A PF pretende reconstruir a rota financeira que conectou estruturas ligadas a Vorcaro, a empresa Entre Investimentos e o fundo estadunidense. Os investigadores também buscarão esclarecer quem autorizou cada remessa, quem controlava os pagamentos e como os destinatários empregaram os valores.

Polícia apura possível lavagem de dinheiro

A principal hipótese investigada, segundo a reportagem, considera a possibilidade de os envolvidos terem usado a produção cinematográfica para conferir aparência legal ao envio e à aplicação de recursos no exterior.

A investigação deverá examinar as declarações prestadas às instituições financeiras, os contratos utilizados para justificar as transferências, a finalidade indicada nas operações e a identidade dos beneficiários finais.

A existência do inquérito não representa uma conclusão sobre a prática dos crimes. A PF ainda precisa reunir provas que confirmem ou afastem as suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro, à evasão de divisas e à eventual corrupção.

Mensagem coloca Eduardo no centro da gestão financeira

A participação de Eduardo Bolsonaro na administração dos recursos constitui um dos eixos centrais da apuração. Segundo a Piauí, o parecer da PGR menciona uma captura de tela com uma conversa entre o ex-parlamentar e o publicitário Thiago Miranda.

Na mensagem, Eduardo aborda a transferência dos valores para os Estados Unidos e aponta dificuldades que poderiam atrasar as remessas: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz uma das mensagens, de acordo com a reportagem.

Thiago Miranda compartilhou a captura da conversa com Daniel Vorcaro, segundo as informações encaminhadas aos investigadores. A PF e a PGR avaliam que Eduardo pode ter orientado Miranda e Altieris Santana sobre a gestão dos recursos.

A investigação buscará esclarecer se Eduardo exercia poder formal sobre o Havengate ou se atuava apenas como interlocutor dos administradores. Um contrato revelado pelo The Intercept Brasil atribuiu a Eduardo e Mário Frias funções de produção executiva e participação em decisões financeiras ligadas ao filme.

PF verifica possível uso do dinheiro nos EUA

Os investigadores também analisam a hipótese de que parte dos recursos tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele vive há mais de um ano. A PF pretende identificar quem decidia a destinação dos milhões de dólares enviados ao Havengate e quais pessoas ou empresas receberam os pagamentos. Eduardo nega ter recebido dinheiro negociado para financiar a produção.

O ex-parlamentar afirmou anteriormente que apenas cedeu seus direitos de imagem ao projeto. Documentos divulgados pelo Intercept apontaram uma atuação mais ampla na estrutura do longa, inclusive na administração financeira e na busca por investidores.

PGR procura possível contrapartida política

A documentação examinada pela PGR ainda não apresentou provas de que a família Bolsonaro tenha oferecido alguma vantagem ao grupo de Daniel Vorcaro em troca do financiamento.

Para aprofundar essa linha, a Procuradoria pediu um levantamento das propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e Mário Frias que possam ter beneficiado interesses ligados ao Banco Master.

A confirmação de uma contrapartida poderia fortalecer a hipótese de corrupção. Até o momento, porém, a investigação não identificou um ato parlamentar específico associado aos repasses para o filme Dark Horse.

Investigação nas mãos de Mendonça

O ministro André Mendonça ainda não liberou quebras de sigilo bancário e fiscal, novos pedidos ao Coaf, depoimentos ou outras medidas cautelares mais invasivas.

A PF deverá analisar primeiro o material que já reuniu nas investigações sobre o Banco Master. Caso encontre elementos mais consistentes, a corporação poderá solicitar ao STF acesso a contas bancárias, dados fiscais, comunicações e oitivas dos envolvidos.

Esse procedimento permite que os investigadores fundamentem cada nova diligência e reduz o risco de questionamentos futuros sobre a legalidade das provas.

Flávio Bolsonaro cobrou pagamentos a Vorcaro

O The Intercept Brasil revelou em maio que o senador Flávio Bolsonaro procurou Daniel Vorcaro e cobrou reiteradamente a liberação de parcelas para o longa Dark Horse. As mensagens indicam que as tratativas começaram no fim de 2024 e continuaram ao longo de 2025, período em que o Banco Master já enfrentava questionamentos e investigações.

O senador negou inicialmente que tivesse solicitado recursos ao banqueiro. Após a publicação dos áudios e mensagens, o senador confirmou a negociação, mas afirmou que buscou investimento privado para um projeto particular e negou ter recebido benefício pessoal ou oferecido qualquer contrapartida.

A Polícia Federal agora deverá confrontar essas versões com contratos, comprovantes bancários, comunicações e registros financeiros para determinar a origem, o percurso e a aplicação dos recursos destinados ao filme.

Fonte: Brasil 247

MP cobra devolução de 1,8 milhão do esquema de rachadinha de Carlos Bolsonaro na Câmara do Rio

O Ministério Público do Rio entrou na Justiça com uma ação de improbidade administrativa contra sete pessoas que trabalharam no gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara do Rio e cobra a devolução de quase R$ 1,9 milhão aos cofres públicos por suspeita de rachadinha. Carlos Bolsonaro não aparece na lista de processados.

Segundo o g1, ação trata a rachadinha como um esquema em que servidores devolvem parte dos salários recebidos no Legislativo. O MP acusa os sete ex-assessores de violarem princípios da administração pública e atribui a eles participação no desvio de recursos do gabinete.

O Ministério Público afirma que o grupo tinha como objetivo a “perpetuação de um esquema de apropriação sistemática de verbas públicas por meio de repasses injustificados”. Além da devolução do dinheiro, o órgão pede suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa e demissão de qualquer cargo público.

Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete, aparece na investigação como o “centro operacional e principal beneficiário do esquema ilícito”. O inquérito civil aponta que, entre 2005 e 2021, ele recebeu transferências sistemáticas de diversos assessores parlamentares.

Repasses de assessores entram no centro da ação

Regina Célia Sobral Fernandes, esposa de Jorge Luiz, também trabalhou como assessora no gabinete. A investigação afirma que ela ajudou na arrecadação, recebia parte do salário de outros funcionários e repassava os valores ao marido.

O inquérito mapeou 304 transferências de Regina Célia para a conta de Jorge Luiz, no total de R$ 814 mil. Os repasses compõem uma das frentes usadas pelo MP para sustentar o pedido de ressarcimento aos cofres públicos.

A ação também detalha o caso de Andrea Cristina da Cruz Martins. Em 2018, ela fez 12 repasses ao então chefe de gabinete, Jorge Luiz, que somaram R$ 112 mil; o valor correspondeu a 70% dos salários que recebeu da Câmara de Vereadores do Rio.

Na esfera criminal, Jorge Luiz Fernandes e outros seis ex-assessores do gabinete de Carlos Bolsonaro viraram réus no mês passado por organização criminosa e peculato, crime ligado a desvio de dinheiro público. A investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha continua em andamento.

A defesa de Jorge Luiz Fernandes e Regina Célia afirmou que, por se tratar de um processo sigiloso, vai apontar nos autos o que considera equívoco da acusação do Ministério Público. A defesa de Carlos Bolsonaro não apresentou retorno, e não houve contato com a defesa de Andrea Cristina da Cruz Martins.

Fonte: DCM

Lula lidera com 41% e Flávio Bolsonaro registra 30% no 1º turno, diz Indexa Pesquisas

A terceira rodada da Indexa Pesquisas indica um cenário de estabilidade na disputa pela Presidência da República em 2026. Segundo levantamento divulgado na terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 41% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 30%. As informações são do JOTA.Play Video

Na sequência da pesquisa aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, Romeu Zema (Novo), com 3%, Renan Santos (Missão), também com 3%, Joaquim Barbosa (DC), com 1%, e Augusto Cury (Avante), igualmente com 1%. Samara Martins (UP), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Brancos e nulos somam 8%, enquanto 7% dos entrevistados disseram estar indecisos ou preferiram não responder.

A série histórica apresentada pela Indexa mostra poucas mudanças entre maio e julho. Lula passou de 39% em maio para 42% em junho e chegou a 41% na rodada mais recente. Flávio Bolsonaro registrou 30% em maio, avançou para 32% em junho e voltou a 30% em julho.

Entre os demais candidatos, Ronaldo Caiado foi de 5% para 6% no período. Romeu Zema oscilou de 3% para 5% e retornou a 3%, enquanto Renan Santos permaneceu com 3% nas três rodadas. O percentual de votos brancos e nulos permaneceu em 8%, e o índice de indecisos variou entre 6% e 10%.

Segundo Arilton Freres, CEO da Indexa Pesquisas, “as oscilações registradas entre maio, junho e julho são pequenas e não alteram a configuração da disputa, que continua concentrada em torno de Lula e Flávio Bolsonaro”.

Lula vence em todas as simulações de segundo turno

Nas quatro projeções de segundo turno realizadas pelo instituto, Lula aparece à frente de todos os adversários testados. No confronto contra Flávio Bolsonaro, o presidente registra 46% das intenções de voto, enquanto o senador tem 39%.

Diante de Romeu Zema, Lula alcança 46% contra 32%. Na simulação contra Ronaldo Caiado, o placar é de 45% a 37%. Já em um eventual segundo turno contra Renan Santos, o presidente aparece com 47%, enquanto o adversário registra 27%.

Maioria afirma já ter definido o voto

A pesquisa também aponta um eleitorado com alto grau de definição. Atualmente, 66% dos entrevistados afirmam que já decidiram em quem votar para presidente, enquanto 26% dizem que ainda podem mudar de candidato. Outros 8% não souberam responder.

Entre os eleitores de Lula, 77% afirmam que o voto é definitivo. No grupo dos apoiadores de Flávio Bolsonaro, esse percentual é de 75%.

Lula e Flávio concentram maiores índices de rejeição

O levantamento mostra ainda que Lula e Flávio Bolsonaro reúnem os maiores índices de rejeição entre os nomes avaliados. Segundo a pesquisa, 49% dos entrevistados afirmam que jamais votariam em Lula, enquanto 50% dizem o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro.

Os demais candidatos apresentam índices menores de rejeição. Ronaldo Caiado registra 35%, enquanto Romeu Zema e Renan Santos aparecem com 40% cada.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre quinta-feira (16) e domingo (19). A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02904/2026.

Fonte: Brasil 247

Flávio emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas ligadas a Vorcaro

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL) emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para duas empresas ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo, apontado como elo de uma companhia usada por Daniel Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões do Banco Master. Com informações do Metropóles.

Duas notas, de R$ 500 mil cada, saíram em 7 de abril de 2025 em favor da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. e acabaram canceladas no mesmo dia. Em 9 de abril, o escritório emitiu uma terceira nota, também de R$ 500 mil, para a Contábil Correa; nesse caso, não há registro de cancelamento.

Os documentos ampliam as conexões conhecidas entre Flávio e Vorcaro na crise do Dark Horse. Até então, a ligação divulgada entre os dois envolvia recursos obtidos junto ao dono do Master para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

Rogério Lourenço Novo aparece na Receita Federal como único diretor responsável pela Copenhagen e afirma ser dono da empresa. Ele também consta como único sócio da Contábil Correa e integra o conselho fiscal da Ambipar, outra companhia citada na rede de negócios de Vorcaro.

A Copenhagen foi criada em novembro de 2024 com capital de R$ 40 e se tornou uma das dez empresas que mais receberam dinheiro do Banco Master. Daniel Vorcaro depositou R$ 58 milhões na companhia, com os primeiros aportes, de R$ 11,2 milhões, logo após a abertura da empresa.

No papel, a Copenhagen pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM. A gestora é investigada pela Polícia Federal por movimentar e ocultar patrimônio do grupo de Daniel Vorcaro.

A empresa não tem sede própria nem site e está registrada na Receita Federal no endereço da Contábil Correa, em um prédio comercial de São Caetano do Sul. Rogério Lourenço Novo já foi investigado pela Polícia Federal por suspeita de operar notas fiscais falsas de empresas de fachada para evasão de impostos entre 2013 e 2015, em fraude estimada em mais de R$ 100 milhões.

A defesa de Flávio afirmou que ele firmou contrato de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, “empresa de contabilidade e auditoria que atende mais de 200 empresas e clientes em São Paulo”. Sobre a Copenhagen, disse que houve consulta para possível prestação de serviço, mas “a contratação não avançou” e o escritório não recebeu valores, “razão pela qual as notas fiscais foram cancelas”.

Flávio também negou vínculo com o Banco Master. “Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático e será tratada com as medidas judiciais cabíveis”, declarou.

Rogério Lourenço Novo disse que é dono da Copenhagen desde setembro de 2025 e afirmou ter contratado o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços “aos clientes do seu escritório de contabilidade”, em uma operação que chamou de “quarteirização”. Questionado sobre quais clientes receberam os serviços e o que foi feito, disse ter mais de 200 clientes, pediu tempo para buscar as informações e não retornou.

A Trustee DTVM sustentou que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre a definição de pagamentos ou negociações entre a empresa e o Banco Master para ocultar patrimônio de qualquer pessoa.

Fonte: DCM

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