PF investiga desvio de R$ 308 milhões do governo bolsonarista Mauro Mendes

Segundo a PF, recursos públicos passaram por estrutura de fundos criados para dificultar o rastreamento dos valores

A Polícia Federal afirma ter identificado uma estrutura composta por 15 fundos de investimento que teria sido utilizada para ocultar o suposto desvio de R$ 308 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso. 

Segundo a coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, o relatório da Operação Heritage aponta que a rede de fundos foi criada para dificultar o rastreamento dos recursos e esconder a identidade dos beneficiários finais da operação financeira. A ação tem como alvos de medidas judiciais o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), o desembargador Ricardo Gomes de Almeida e um procurador do Estado.

De acordo com a PF, dez dos 15 fundos foram constituídos especificamente durante a execução do acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. Os investigadores apontam que as datas de criação desses veículos coincidem com os repasses realizados pelo governo estadual.

Ainda conforme o relatório, esses fundos não tinham finalidade econômica efetiva nem buscavam captar investidores no mercado. Em alguns casos, os aportes iniciais eram considerados insuficientes até mesmo para cobrir os custos básicos de funcionamento.

A Polícia Federal sustenta que parte dessas estruturas funcionava como verdadeiras “contas de passagem”, permitindo que os recursos transitassem por diferentes empresas e fundos antes de chegarem aos destinatários finais.

“Foi estruturada uma camada de fundos de investimento, que se conectaria a outros veículos de mesma natureza, com o objetivo de promover a distribuição dos valores, sob múltiplos véus de opacidade, entre todos os envolvidos na operação financeira”, afirma o relatório da PF.

Entre os exemplos apresentados pelos investigadores está o Zurich FIM CP, apontado como um fundo utilizado para movimentar temporariamente os recursos antes de sua incorporação ao patrimônio de empresas ligadas aos investigados.

O relatório também descreve que, após percorrerem uma sequência de fundos, parte dos valores teria sido destinada a investimentos privados. Um dos fluxos identificados envolve o Royal Capital FIDC, que, segundo a PF, teria direcionado recursos para aquisição de participações na Parecis Bioenergia, empresa ligada aos filhos do ex-governador Mauro Mendes.

Outro caminho apontado pela investigação envolve o Lotte Word FIDC, que, de acordo com a Polícia Federal, teria direcionado recursos ao núcleo familiar do deputado federal Fábio Garcia.

Para os investigadores, a movimentação sucessiva entre diferentes fundos buscava conferir aparência de legalidade às operações financeiras, dificultando a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários finais.

Operação Heritage

Deflagrada nesta quinta-feira (6), a Operação Heritage apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos em um suposto esquema relacionado ao acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia para restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária.

Por determinação da Justiça, foram cumpridas medidas de busca e apreensão, quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os alvos da operação.

Segundo a PF, as investigações indicam que a operação financeira teria sido utilizada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas de fachada.

O Metrópoles informou que procurou o ex-governador Mauro Mendes para comentar as acusações, mas não havia recebido manifestação até a publicação da reportagem.

Fonte: Brasil 247

Bets se apropriaram de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025

Empresas de apostas movimentaram R$ 351 bilhões no período

As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado. O montante corresponde ao valor líquido, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio. Este valor equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, considerando o período de outubro de 2024 a março de 2026.

As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.

Os dados constam do Boletim Fiscal dos Estados, divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em estatísticas de pagamentos do Banco Central.

O estudo mostra que, desde a regulamentação das bets, em janeiro do ano passado, houve mudança no volume de transferências via Pix destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação, indicando maior comprometimento da renda das famílias com as apostas.

A lei que regulamentou as bets determina que as empresas bloqueiem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Segundo o advogado Júlio Leone, porém, isso não tem ocorrido.

“Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, que é viciada, compulsiva em apostas, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas faz o contrário: manda mais bônus, mais vouchers, mais incentivos para que ela continue apostando. É aí que ela perde todo o capital.”

O boletim mostra ainda que, desde outubro do ano passado, quando entrou em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, houve desaceleração no ritmo das transações.

Segundo o Comsefaz, o resultado indica que a medida teve efeitos concretos sobre o volume agregado de transações, sugerindo que as famílias de menor renda tinham participação significativa no mercado de apostas.

Fonte: Agência Brasil

Lula vive melhor momento em aprovação, avaliação e intenções de voto, aponta pesquisa Meio/Ideia

Presidente atinge 48,5% de aprovação e abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro, cuja rejeição bate recorde

O presidente Lula (PT) alcançou o seu melhor desempenho desde o início da série histórica da pesquisa Meio/Ideia. De acordo com o levantamento, a aprovação à gestão do chefe do Executivo subiu para 48,5%, enquanto a taxa de desaprovação recuou para 49%, registrando o menor índice já medido pelo estudo. Pela primeira vez na série histórica, a rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário político no momento, superou a do próprio presidente.

A pesquisa aponta um momento de consolidação para o governo federal, acompanhado pela melhora na avaliação geral da gestão e pelo crescimento da parcela da população que defende a continuidade de Lula na Presidência da República. O percentual de entrevistados que classifica a administração como “ótima” ou “boa” chegou a 36,6%, aproximando-se do grupo que a considera “ruim” ou “péssima”, que soma 37%. Esse empate técnico virtual representa a menor distância entre a avaliação positiva e a negativa em oito meses — em maio, a diferença desfavorável ao governo era de 15 pontos percentuais. Paralelamente, 48% dos brasileiros afirmam que Lula merece um novo mandato, atingindo o patamar mais alto já registrado pelo instituto.

No cenário eleitoral, o presidente mantém liderança e amplia vantagem nas simulações testadas. No primeiro turno estimulado, Lula aparece na frente com 43% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que soma 35%. Na sequência, figuram o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 5,7%; Renan Santos (Missão), com 4,7%; e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que registra 2,6%.

Em eventuais confrontos diretos de segundo turno, o presidente consolidou a dianteira diante do parlamentar do PL. Após um período de empate técnico registrado em abril e de uma liderança numérica de Flávio em maio, Lula assumiu a liderança isolada e atinge 48,5% das intenções de voto, contra 43% atribuídos ao seu oponente.

Demografia do voto e índices de rejeição

A análise detalhada dos dados demográficos expõe os nichos de maior apoio e resistência dos pré-candidatos. O presidente conserva sua maior força entre o eleitorado feminino, no qual atinge 55% das intenções de voto em um eventual segundo turno, ante 34,5% de Flávio Bolsonaro. Em contrapartida, no segmento masculino, a preferência se inverte: o senador lidera com 52,2% das intenções, enquanto Lula registra 41,5%. A aprovação do governo também se mostra mais sólida entre os católicos e no eleitorado da Região Nordeste, ao passo que as taxas de resistência continuam concentradas entre os evangélicos e os moradores das regiões Sul e Sudeste.

No quesito rejeição, o levantamento apontou que Flávio Bolsonaro atingiu o patamar mais elevado de sua série histórica, com 48% dos eleitores declarando que não votariam nele de jeito nenhum. O número supera o índice de rejeição de Lula, que se fixou em 47,4%.

Os dados da pesquisa foram coletados entre os dias 31 de julho e 3 de agosto.

Percepção sobre cenários internacionais e influência externa

O estudo da Meio/Ideia buscou medir ainda o impacto e a percepção dos eleitores brasileiros sobre eventuais pressões políticas e influências externas, em especial vindas dos Estados Unidos. Consultados sobre a hipótese de o governo norte-americano contestar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro, 31,5% dos entrevistados responderam que uma declaração nesse sentido traria prejuízos ao Brasil. Em sentido contrário, 29,8% avaliaram que tal postura não causaria danos, enquanto 24,2% adotaram uma posição de neutralidade.

Por fim, o levantamento investigou o peso de apadrinhamentos internacionais diretos na decisão do eleitorado. Diante da possibilidade de o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump manifestar apoio formal a algum pré-candidato no Brasil, 44,9% dos ouvidos afirmaram que a sinalização do líder republicano não aumentaria a chance de votarem no nome indicado. Por outro lado, 20% dos entrevistados declararam que a chancela de Trump influenciaria positivamente sua escolha na urna.

A pesquisa, contratada pelo Canal Meio, foi feita entre os dias 31 de julho e 3 de agosto de 2026, com 1,5 mil eleitores acima de 16 anos. A margem de erro máxima estimada é de 2,5% pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-04579/2026.

Fonte: Brasil 247

Vice de Flavio é investigado por estupro de vulnerável e desvio de R$ 6 milhões em emendas

Denúncia explorada por adversários do deputado, escolhido como vice na chapa de Flávio; ele também é citado em relatório do TCU sobre irregularidades em emendas Pix

O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), indicado para o posto de candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro (PL), é ex-promotor-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, na gestão de Renan Filho (MDB). Ele foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investigou suspeitas de fraudes no INSS, quando pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas.

Em abril, o parlamentar se tornou alvo de um pedido de investigação da Polícia Federal (PF) para apurar a suspeita de ter praticado estupro de vulnerável. O caso veio à tona durante uma sessão da CPMI, quando o deputado Lindbergh Farias (PT) chamou Gaspar de “estuprador”. A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) também fez a acusação. Na quarta-feira (5), a acusação voltou a ser lembrada por adversários, como o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Segundo as acusações, o parlamentar teria se relacionado, em 2018, com uma adolescente, fato que ele nega. A denúncia foi formalizada na PF, que viu necessidade de apurar as suspeitas levantadas e formalizou o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o processo tramita sob sigilo e é relatado pelo ministro Gilmar Mendes. Procurada, a defesa do deputado não respondeu.

O Valor apurou que o caso está em fase preliminar, isto é, formalmente não foi aberto nenhum inquérito para investigar o deputado. Novas medidas foram solicitadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e, ao final das diligências, a PF deve apresentar um relatório sobre o caso. Após o anúncio da candidatura do deputado como vice de Flávio, adversários exploraram as suspeitas.

Citação em auditoria sobre emenda Pix

Em outra frente, Gaspar foi citado em um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de julho. O nome dele veio à tona no julgamento de um relatório de auditoria sobre as chamadas emendas Pix executadas no âmbito dos ministérios dos Transportes e da Agricultura entre 2020 e 2024. A auditoria do tribunal constatou irregularidades e fragilidades em três emendas enviadas por Gaspar em 2024 ao município de São José da Laje (AL) e concluiu por alertar o município sobre as suspeitas envolvendo as emendas que somam R$ 6,2 milhões.

O TCU constatou que houve perda de rastreabilidade das emendas indicadas por ele “em razão da transferência de valores para contas diversas da conta específica, mas a equipe conseguiu rastrear da meta auditada por meio dos demais elementos examinados”.

Também foi constatado que não houve apresentação, na plataforma Transferegov, de relatório de gestão sobre como a verba foi gasta, uma das formas de se ter mais transparência no gasto. Diante disso, o TCU decidiu comunicar o município para “que sejam adotadas medidas internas com vistas à prevenção de outras ocorrências semelhantes”.

A partir do relatório de auditoria, divulgado em maio, o deputado Lindbergh Farias pediu à PGR que abrisse uma investigação contra Gaspar. O pedido, porém, foi rejeitado, pois a Procuradoria não viu “indícios concretos” de envolvimento do parlamentar nas possíveis irregularidades apontadas pelo TCU.

Em nota, a assessoria do parlamentar disse que as “emendas foram destinadas de forma regular ao município, conforme a legislação, cabendo exclusivamente à prefeitura a execução dos recursos e a respectiva prestação de contas”.

Fonte: Valor

Ex-padre recebe pena de 48 anos por estuprar e torturar enteados

O ex-padre Eric Araujo Siqueira Pereira foi condenado a 48 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão por crimes cometidos contra dois enteados em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. A 4ª Vara Criminal do município fixou a pena em 5 de agosto, por tortura, estupro de vulnerável, fornecimento de material pornográfico a criança para fins libidinosos e instigação ao suicídio.

Os crimes ocorreram entre outubro de 2020 e maio de 2021, quando Pereira vivia com a companheira, os dois enteados e uma filha do casal. A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro apontou agressões físicas e psicológicas, além de abusos sexuais dentro da residência da família.

O Conselho de Sentença também reconheceu que o réu colocava uma das vítimas de castigo em um terraço sem proteção e a incentivava a se jogar, dizendo que encontraria “Papai do Céu” e seria feliz. As investigações começaram após mudanças de comportamento em uma das crianças; uma equipe multidisciplinar relacionou os sintomas às violências sofridas.

Fonte: DCM

Caso Master: os elos entre Vorcaro e o contador que pagou R$ 500 mil a Flávio Bolsonaro

A família Borlenghi é o elo entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o contador Rogério Lourenço Novo, sócio da Contábil Corrêa, empresa que pagou R$ 500 mil ao escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Os Borlenghi controlam a Ambipar, multinacional de gestão ambiental que está em recuperação judicial e é investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento nas fraudes financeiras do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero.

As conexões societárias ligam a Contábil Corrêa à rede de negócios associada a Daniel Vorcaro.

Rogério Lourenço Novo é conselheiro fiscal da Ambipar desde abril deste ano. Ele assumiu a cadeira nove meses depois de substituir dois diretores da gestora de fundos Trustee DTVM na administração da Copenhagen e Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu um total de R$ 57,9 milhões do Banco Master.

Há registro de vínculo entre Rogério Novo e a família Borlenghi ao menos desde 2009. Naquele ano, o contador abriu uma transportadora em sociedade com Tércio Patini Borlenghi, filho do presidente da Ambipar. A parceria foi encerrada em 2016, conforme informações da Junta Comercial de São Paulo.

O presidente da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, já foi acusado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de atuar em conluio com Vorcaro.

Uma investigação da CVM, anterior à Operação Compliance Zero, apontou a existência de uma “relação comercial estreita” entre Tércio Borlenghi Júnior, a Trustee DTVM, o empresário Nelson Tanure, e o banco de Daniel Vorcaro. Nos autos, a diretora do órgão, Marina Copola, afirmou que os envolvidos “obviamente se mostram bastante confortáveis em fazerem negócios apoiando-se mutuamente”.

E é justamente essa rede de relações que conecta as empresas Contábil Corrêa e a Copenhagen e Assessoria e Consultoria, para as quais o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu notas fiscais que totalizam R$ 1,5 milhão, conforme revelou o portal Metrópoles.

As duas notas destinadas à Copenhagen, no valor total de R$ 1 milhão, no entanto, foram canceladas. O senador afirmou que optou por não prestar os serviços à empresa. Já à Contábil Corrêa, Flávio Bolsonaro teria prestado serviço de “assessoria jurídica”, conforme descrição da nota fiscal.

“Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por [Daniel] Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais”, justificou Flávio Bolsonaro em publicação nas redes sociais.

O ICL Notícias procurou a assessoria de imprensa do senador, que não respondeu às perguntas enviadas. Também entramos em contato com a Ambipar, com o Banco Master e com Rogério Novo, que também não deram retorno. A funcionária da empresa Contábil Corrêa que atendeu a ligação da reportagem informou que Novo está de férias e que a empresa não está comentando o caso.

As conexões da Copenhagen e Assessoria e Consultoria

Em menos de um mês após ser aberta, a Copenhagen e Assessoria e Consultoria passou por mudanças na diretoria, alterou o endereço e recebeu aporte milionário do Banco Master.

A empresa foi registrada pelo advogado Luis Guilherme de Souza Silva em novembro de 2024 com capital social de R$ 40. No mês seguinte, teve o comando alterado e recebeu R$ 11,2 milhões do banco de Daniel Vorcaro – que em 2025 transferiu outros R$ 46,6 milhões, conforme mostrou o portal Metrópoles.

Luis Guilherme informou ao ICL Notícias que seu escritório de advocacia constitui previamente algumas empresas, denominadas shelf companies, que posteriormente são vendidas a terceiros, responsáveis por assumir seu controle e sua operação.

Ainda em dezembro de 2024, dois executivos da Trustee DTVM assumiram a direção da consultoria: Artur Martins de Figueiredo e Luis Fernando de Almeida. Ambos mantêm participação em empresas e fundos de investimento ligados à rede de negócios de Daniel Vorcaro sob investigação, entre elas, a Banvox Holding Financeira.

A Copenhagen tem como acionista o fundo Estonia Multiestratégia, que é administrado pela Trustee DTVM. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o fundo pertence ao presidente da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior.

A gestora Trustee DTVM, que prestava serviços ao Banco Master, também foi alvo da Compliance Zero, assim como Artur Martins de Figueiredo e Luis Fernando de Almeida. Além disso, a corretora e Artur Figueiredo foram alvos de operações do Ministério Público de São Paulo e da PF, respectivamente,  deflagrada em agosto de 2025, que investigam um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Procurada, a Trustee DTVM informou por meio de nota que como  administradora do fundo Estônia Multiestratégia, que investe em ações da Copenhagen e Assessoria e Consultoria , “não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem da definição de qualquer pagamento ou  negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja”.

“Importante esclarecer que Artur Figueiredo exerceu o cargo de administração na empresa Copenhagen, representando o fundo Estônia — prática de governança amplamente  consolidada no mercado quando estruturas societárias recebem investimentos de fundos de participações”, destacou a corretora.

Ainda de acordo com a Trustee DTVM, “durante todo o período em que exerceu a função  na companhia, a atuação de Artur Figueiredo observou rigorosamente a legislação aplicável, os procedimentos de governança, controles internos e compliance então vigentes”.

O ICL Notícias entrou em contato por email com Artur Figueiredo e com Luis Fernando de Almeida, mas não obteve retorno.

Em 7 de abril de 2025, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen e as cancelou no mesmo dia. Dois dias depois, emitiu uma nova nota, no mesmo valor, em nome da Contábil Corrêa.

Naquele mesmo mês, uma empresa ligada a Daniel Vorcaro fez duas transferências no valor de 1,66 milhão de dólares cada para bancar o filme Dark Horse a pedido de Flávio Bolsonaro, segundo planilha publicada pelo Intercept Brasil. Também em abril, o Ministério Público do Distrito Federal instaurou um inquérito para apurar a compra do Banco Master pelo BRB.

Três meses depois, Copenhagen e Contábil Corrêa voltaram a se cruzar. Em julho de 2025, Artur Martins de Figueiredo e Luis Fernando de Almeida deixaram a diretoria da Copenhagen. No lugar deles, assumiu Rogério Lourenço Novo, que à época já era sócio da Contábil Corrêa.

No mês seguinte, Novo também assumiu a diretoria da MN Participações S/A. Assim como a Copenhagen, a empresa foi registrada na Junta Comercial de São Paulo com capital social de R$ 40 e teve como responsável pela abertura o advogado Luis Guilherme de Souza Silva.

Conforme mostrou o jornal O Globo, Rogério já foi acusado pela PF, em 2020, de usar notas fiscais falsas. O caso foi arquivado pela Justiça Federal de Sorocaba (SP) em 2021, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), depois que foram realizados os pagamentos dos débitos gerados pelas empresas de fachada.

Fonte: ICL

Operação desmobiliza grupo que pretendia atacar STF e Planalto nas eleições

Policiais civis fazem nesta terça-feira (4) uma operação contra suspeitos de participação em grupos nas redes sociais suspeitos de discutir atentado a bomba durante os debates eleitorais do segundo turno, nas eleições deste ano.

A operação Rede Interrompida, deflagrada hoje pela Polícia Civil em parceria com o Ministério da Justiça, desmontou um plano para atacar prédios públicos como o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Palácio do Planalto durante o período eleitoral. O grupo se dizia “contra o sistema” e atuava pelas redes sociais.

Os investigados se conheciam apenas pela internet. Os integrantes do grupo tinham idades entre 19 e 31 anos e articulavam as ações pelo Telegram. Eles pretendiam fazer os ataques em outubro, durante o período eleitoral, conforme informararm representantes do Ministério da Justiça e da Polícia Civil do DF, em entrevista coletiva hoje.

Um dos investigados é um seminarista vinculado a um mosteiro em Pernambuco. Segundo as investigações, ele participava ativamente de discussões sobre a estruturação nacional de uma rede extremista. Agentes fizeram buscas no alojamento usado por ele.

Nesta terça, estão sendo cumpridos oito mandados de busca e apreensão em cinco estados – Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul – em desfavor dos suspeitos de envolvimento com os grupos.

De acordo com as investigações, havia discussão de invasão de edificações, seleção de alvos, formação tática, recrutamento interestadual, análise de mapas e compartilhamento de plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios situados na região central da capital, como o Palácio do Planalto.

A investigação está sob a responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal e conta com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça.

Fontes: Uol e G1

Brasil denuncia interferência eleitoral e vê chantagem de Trump ao revogar visto de embaixadora

O governo Lula afirmou que os Estados Unidos apresentaram justificativas “falsas” para revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e acusou a gestão de Donald Trump de tentar interferir na eleição presidencial brasileira.

Em nota divulgada nesta terça-feira (4), o governo classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil”, motivada por razões ideológicas. “Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, diz o comunicado.

O primeiro argumento contestado envolve Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a embaixada estadunidense em Brasília. Segundo o governo brasileiro, Washington tornou pública a escolha antes de apresentar formalmente o pedido de agrément, o aval necessário para que um embaixador seja aceito pelo país anfitrião.

A nota afirma que não existe prazo previsto na Convenção de Viena para a concessão do agrément e que o pedido permanece sob análise. O Departamento de Estado acusa o Brasil de postergar a decisão e criar obstáculos para a posse de Perez.

Diplomatas brasileiros ouvidos pelo g1 classificaram a pressão estadunidense como “chantagem”. Na avaliação deles, o governo Trump usa a situação de Viotti para forçar o Brasil a aceitar Perez e transforma um procedimento diplomático confidencial e rotineiro em instrumento público de coerção política.

O governo também rebateu a alegação de reciprocidade relacionada à negativa de vistos para Riley Barnes e Samuel Samson, dois funcionários do Departamento de Estado. Segundo Brasília, eles pretendiam visitar o país para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro e interferir no processo político. Washington nega essa intenção.

O comunicado ainda cita as sanções impostas pelos Estados Unidos a ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do Executivo com base na alegação de perseguição política a Jair Bolsonaro. O governo afirma que Lula pediu pessoalmente a Trump, durante encontro em Washington, a retirada dessas medidas.

Apesar do tom duro, o governo brasileiro declarou que se opõe à lógica de confronto e reiterou a defesa do diálogo e da negociação. A revogação do visto de Viotti não representa sua expulsão imediata dos Estados Unidos, mas Washington condicionou a reversão da medida ao aval brasileiro para Daniel Perez.

Fonte: DCM

Trabalhadores da CPTM fazem greve contra privatizações de Tarcísio

A greve dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), iniciada nesta terça-feira (04) contra as privatizações promovidas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), paralisou as linhas 12-Safira e 13-Jade e reduziu o percurso da Linha 11-Coral, entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. O Expresso Aeroporto também sofreu impacto com a paralisação.

Os ferroviários representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil aprovaram a greve e organizaram um protesto em frente à Estação Brás, com bandeiras e faixas. A mobilização ocorre durante a transição das linhas para a concessionária Trivia Trens.

A Linha 10-Turquesa, que também pertence à CPTM, manteve a operação normal. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas por TIC Trens e ViaMobilidade, não entraram na paralisação, assim como as linhas do Metrô e do monotrilho.

Para absorver o aumento esperado de passageiros, o Metrô ampliou a oferta de trens nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos durante o dia, liberando a circulação de carros com placas finais 3 e 4.

Transição para concessionária motivou paralisação

O sindicato cobra garantias de manutenção dos empregos e dos direitos trabalhistas dos ferroviários durante a transferência da operação para a Trivia Trens. A CPTM e o governo estadual afirmaram, em nota, que apresentaram compromissos concretos e mantêm disposição para negociar.

Na manifestação conjunta, CPTM e governo criticaram a continuidade da greve e afirmaram que “a paralisação não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de trabalhadores”.

A CPTM acionou o Tribunal Regional do Trabalho, que determinou a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. O sindicato pode receber multa de R$ 400 mil por dia caso descumpra a decisão.

No mês anterior, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo suspendeu temporariamente a operação da Trivia Trens nas linhas afetadas pela greve. A medida devolveu à CPTM a responsabilidade temporária pela operação e manutenção, enquanto a concessionária retornou à fase pré-operacional do contrato.

A agência tomou a decisão após falhas nos primeiros dias de atuação da empresa, entre elas um incêndio em uma composição na altura da rua Bresser, no centro da capital, em 23 de julho. O fogo provocou o desligamento de subestações de energia; no mesmo dia, uma falha elétrica interrompeu a circulação das três linhas, restabelecida por volta das 14h.

Fonte: DCM

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