PF investiga evasão de divisas e lavagem de R$ 1,1 bilhão por meio de bets

São cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara Federal da Paraíba

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Arena, em conjunto com o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

A ação investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar empresas e movimentações financeiras no exterior para esconder a origem e o destino de valores obtidos com jogos de azar e apostas esportivas.

Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara Federal da Paraíba. Os mandados são cumpridos na Paraíba (João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca), em São Paulo (capital), no Rio de Janeiro (capital e Niterói), em Sergipe (Aracaju) e no Paraná (Curitiba).

A operação também inclui medidas de quebra dos sigilos bancário e telemático, além do bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão.

Um dos alvos seria o advogado Nelson Wilians, suspeito de lavar dinheiro do esquema envolvendo empresas de bets. Os agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na mansão do advogado em São Paulo. Sua esposa, a advogada Anne Wilians, sócia do escritório, também é citada como alvo.

Em julho, Willians foi alvo de uma operação voltada a desarticular uma organização suspeita de comercializar créditos de ICMS fraudulentos.

A  sede da empresa de apostas PixBet, em Campina Grande, foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação. A transação criminosa investigada também envolve a PixStar, empresa fantasma sediada na ilha de Curaçao, no Caribe. A PF detectou pagamentos entre as duas empresas.

A casa de um homem apontado como “laranja” do grupo suspeito dos crimes também foi alvo. A informação é da TV Cabo Branco.

Os suspeitos podem responder pelos crimes de evasão de dívidas, lavagem de dinheiro, além de outros crises contra o sistema financeiro nacional.

Segundo a Receita Federal, as investigações começaram em 2022 para apurar a atuação de pessoas físicas e jurídicas de Campina Grande (PB) na comercialização de créditos de jogos online formalmente sediados no exterior e na manutenção de sites de apostas esportivas no Brasil.

Gráfico detalha fluxo financeiro de esquema de lavagem de dinheiro e bets • Receita Federal
Gráfico detalha fluxo financeiro de esquema de lavagem de dinheiro e bets. (Foto: Receita Federal)

A defesa de Nelson Wilians afirmou, em nota, que a relação entre o escritório de Wilians e a PixBet “é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia”. “A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes”, declarou.

“É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”, completou.

Operação Arena

A operação realizada nesta quinta-feira é uma ação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal. Segundo as investigações, a estrutura teria sido montada para dar a aparência de que as atividades eram conduzidas no exterior, enquanto a gestão operacional, administrativa e as principais decisões ocorreriam, em tese, no Brasil.

De acordo com a Receita Federal, empresas registradas no exterior teriam sido usadas para justificar o envio de grandes volumes de recursos para outros países. Os elementos reunidos até o momento, porém, indicam que essas empresas não teriam atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.

As apurações apontam ainda para o uso de uma estrutura financeira complexa, com empresas brasileiras e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outros mecanismos. A suspeita é de que esses recursos tenham sido utilizados para dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.

A investigação também encontrou possíveis indícios de omissão de rendimentos e de uso de estruturas empresariais para reduzir ou evitar irregularmente a tributação sobre as atividades desenvolvidas.

A Receita Federal afirma que, embora o mercado de apostas de quota fixa tenha passado recentemente por um processo de regulamentação no Brasil, há indícios de que atividades ligadas ao setor já eram realizadas antes das novas regras. Segundo o órgão, teriam sido empregados mecanismos para ocultar operações, receitas e os beneficiários finais dos recursos.

Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados e poderão subsidiar novas medidas fiscais, como a cobrança de tributos eventualmente devidos e o compartilhamento de informações com os órgãos responsáveis.

Fonte: ICL

Encontro Nacional em São Paulo discute Reforma Política Radical e Constituinte

O Encontro Nacional foi realizado no dia 08 de agosto e reuniu 80 delegados eleitos em 14 Estados, além de parlamentares do PT e do PSOL, lideranças sindicais e populares de diferentes origens.

Abaixo publicamos o Manifesto por uma Reforma Política Radical adotada por unanimidade pelos participantes do Encontro.

ENCONTRO NACIONAL, SÃO PAULO, 8 DE AGOSTO DE 2026

MANIFESTO POR UMA
REFORMA POLÍTICA RADICAL!

Reunidos em São Paulo, 80 delegados (as) indicados em reuniões em 14 Estados, parlamentares do PT e do PSOL, lideranças sindicais e populares de diferentes origens, nos dirigimos a toda a militância para uma discussão urgente.

O Brasil entra em período eleitoral frente a uma escalada de guerras – da Ucrânia ao Irã – cujo principal responsável é Donald Trump. Sequestrou Maduro, ameaça Cuba, e se ingeriu nas últimas eleições em vários países do continente.

Mas é verdade que existe uma resistência, a começar dos Estados Unidos, em manifestações gigantescas contra as guerras, em defesa dos migrantes e pelos direitos. Com há ao longo do continente;

O Brasil não fica à parte do tumulto, como se vê no abastecimento de combustíveis e fertilizantes. Trump adotou pesadas taxações unilaterais. Decretou caráter terrorista a grupos criminosos sinalizando intervenções, e está escalando atritos diplomáticos.

Esse cenário é desafiador para a reeleição de Lula e a eleição dos candidatos de esquerda em outubro.

A extrema-direita pretende atrair votos explorando um sentimento de frustração que existe. Afinal, houve certo crescimento e queda do desemprego, mas grande parcela do povo não sente melhorias substanciais – o salário não alcança os preços, os jovens só conseguem empregos com baixos salários e desregulamentados. Apesar dos programas sociais – como o recente Pé-de-Meia-, a desigualdade social é enorme: o 1% mais rico tem 37% da renda nacional e os 50% mais pobres só tem 9%!!!

Para mudar isso, é preciso enfrentar o sistema assentado no agronegócio, na mineração exportadora, nas Big Techs e no capital financeiro da Faria Lima. São eles que comandam o show no Congresso Nacional, amparados nos privilégios do judiciário, sob a sombra da tutela militar (Artigo 142).

Lula deve ser o candidato antisistema, em que os super-ricos exploradores não pagam impostos, e o agronegócio faz as leis.

O sistema político está podre. O Congresso Nacional chantageia o governo e bloqueia pautas populares. As emendas parlamentares sequestraram o orçamento, amputaram os investimentos do governo, e aprofundaram a prevalência do poder econômico nas eleições. Elas distorcem e oligarquizam a representação.

É inaceitável que o Senado nobiliárquico – câmara revisora herdada do Império – e que custa R$ 7 bilhões ao ano, bloqueie o fim da escala 6X1, um anseio de 70% do povo: Para que Senado?

As reformas populares não podem continuar sendo adiadas. A esquerda tem que lutar para incluir na agenda do novo governo a reversão das privatizações da Eletrobrás e do sistema Petrobras; a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária, e triplicar o salário mínimo rumo ao nível do Dieese; acabar com os privilégios no judiciário e no exército; estabelecer a soberania digital e a industrialização soberana das terras raras; generalizar a Casa da Mulher Brasileira; o fim da violência policial; destinar os recursos necessários para Saúde, Educação, Moradia e Reforma Agrária; acabar o arcabouço fiscal derrubando os juros que comem R$ 1 trilhão por ano; e criar o Imposto sobre Grandes Fortunas para financiar as despesas do Estado.

Nós vamos fazer a maior campanha eleitoral para Lula e os candidatos (as) da esquerda. Mas com as atuais regras eleitorais é muito difícil mudar a relação de forças no Congresso. E não serão as figuras do Centrão que fecharão o bloco das mudanças populares.

A luta por uma Reforma Política Radical deve estar em debate na campanha.

Uma reforma que institua, pelo menos, o financiamento público exclusivo de campanha, o voto em lista partidária pré-ordenada (gênero, raça e etnia), a revisão da desproporcionalidade da representação estadual, e o direito de voto ao migrante.

Essa plataforma será desenvolvida com os aliados que teremos nos movimentos populares, associações, outras forças políticas e na opinião pública progressista.

Vamos juntos lutar pela reeleição de Lula e pela eleição de nossos (as) candidatos (as).

Queremos uma ruptura pela via democrática.

Lançamos aqui o MOVIMENTO por uma reforma política radical dentro da agenda do novo governo, e que desague numa Assembleia Constituinte Soberana – que não é o Congresso Constituinte de 1988 – para fazer, aí sim, as mudanças profundas que o Brasil precisa.

Apresentado pela mesa

  • José Genoíno Neto, ex-presidente do PT
  • Rui Falcão, ex-presidente e deputado federal do PT-SP
  • Markus Sokol, fundador do PT
  • Luiza Erundina, deputada federal do PSOL-SP
  • Marcos Pereira, Diretório Municipal do PT de Conde-PB
  • Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, militante do PT-MG
  • Vereadora Carla Ayres, PT-Florianópolis
  • Priscilla Chandretti, do Diretório Nacional do PT


Aprovado por aclamação

Pesquisa CNT/MDA mostra que Lula está muito próximo de vencer no primeiro turno

Presidente lidera cenários e atinge 52,6% de potencial de voto

O presidente Lula (PT) lidera todos os cenários de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026 e registra números que o deixam no limite de uma vitória em primeiro turno, segundo dados da 169ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA e contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Na pesquisa estimulada de primeiro turno, Lula aparece na liderança isolada com 42,4% das intenções de voto. Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), figura em segundo lugar com 28,7%. Na sequência, aparecem Ronaldo Caiado (4%), Romeu Zema (3,3%), Renan Santos (2,8%), Augusto Cury (1,2%). Os demais não chegam a 1%. Os votos brancos e nulos somam 6,8%, enquanto os indecisos representam 7,2%.

Matematicamente, a definição da eleição no primeiro turno exige que o candidato vencedor obtenha mais de 50% dos votos válidos, superando a soma de todos os seus concorrentes diretos. Na amostragem da pesquisa CNT/MDA, a soma de todos os adversários de Lula atinge 43,4% das intenções de voto. Dessa forma, caso Lula consiga atrair apenas 0,6% dos votos que hoje estão distribuídos entre seus oponentes, ele alcançará 43,0% contra 42,8% do conjunto da oposição, garantindo numericamente a maioria absoluta necessária para vencer o pleito em primeiro turno. Essa pequena margem de crescimento pode ser alcançada ao longo da própria campanha eleitoral, impulsionada pelo início da propaganda no rádio e na televisão, pelo fortalecimento dos palanques regionais e pela mobilização de sua base aliada. Cabe destacar que o Instituto MDA foi o que apresentou o maior índice de acerto no resultado final das últimas eleições presidenciais, o que confere ainda maior relevância estratégica e precisão analítica a esse cenário.

O levantamento revela ainda a força do potencial eleitoral de Lula: 52,6% dos entrevistados afirmam que votariam nele com certeza ou que poderiam votar na sua candidatura.

Nas simulações de segundo turno, o presidente vence com folga todos os adversários testados:

  • Lula x Flávio Bolsonaro: Lula lidera com 48% contra 39,1% de Flávio Bolsonaro (brancos/nulos: 10,6%; indecisos: 2,3%).
  • Lula x Romeu Zema: Lula marca 49,1% frente a 34,9% do ex-governador mineiro (brancos/nulos: 11,8%; indecisos: 4,2%).
  • Lula x Ronaldo Caiado: Lula vence por 47,9% a 35,9% (brancos/nulos: 11,7%; indecisos: 4,5%).
  • Lula x Renan Santos: Lula soma 48,5% contra 33% (brancos/nulos: 13,6%; indecisos: 4,9%).
  • Lula x Augusto Cury: Lula alcança 48,6% diante de 32,4% (brancos/nulos: 13,4%; indecisos: 5,6%).

O levantamento do Instituto MDA para a CNT foi realizado de maneira presencial entre os dias 5 e 9 de agosto de 2026, com 2.002 entrevistas distribuídas proporcionalmente pelo país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06935/2026.

Fonte: Brasil 247

PM de Tarcísio tenta intimidar Fernando Haddad

Candidato ao Governo de SP relata que seu motorista foi seguido por viatura por cerca de 40 minutos e cobrará explicações da gestão Tarcísio

 O candidato ao Governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, afirmou ter sido abordado de forma ostensiva por agentes da Polícia Militar armados com fuzis, na porta de sua residência na zona sul da capital paulista. O caso ocorreu na noite de terça-feira (11), quando o político retornava de um compromisso acadêmico.

Conforme relatado por Haddad durante entrevista coletiva a jornalistas na manhã desta quarta-feira (12), ele voltava de uma aula magna realizada na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) a bordo do veículo oficial utilizado em sua agenda de campanha. Ao chegar ao seu endereço, o ex-ministro e seu motorista foram surpreendidos por uma viatura da Polícia Militar que “jogou luz no carro”. Na sequência, o candidato desceu do automóvel e entrou em sua residência, enquanto o funcionário seguiu viagem.

A partir desse momento, contudo, a viatura passou a acompanhar o motorista de maneira ostensiva ao longo do trajeto. “O meu carro, depois que me deixou em casa, foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo. De uma forma um pouco ostensiva e intimidadora. Quero crer que possa ter havido alguma confusão. Mas o meu motorista ficou muito assustado pela maneira como isso aconteceu”, relatou o ex-prefeito.

De acordo com as informações detalhadas pelo candidato, a ação dos policiais militares durou cerca de 40 minutos. Durante a abordagem, os agentes estavam armados com fuzis e teriam dito para o motorista “vazar” do local após a verificação.

Diante do episódio e do constrangimento gerado à sua equipe de campanha, Fernando Haddad destacou que entrará em contato com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo para entender a motivação oficial e os critérios utilizados pela Polícia Militar para a realização da abordagem.

Fonte: Brasil 247

Maceió lidera mortes evitáveis por falhas na atenção básica entre as capitais 

Maceió registrou o pior desempenho entre as capitais brasileiras no indicador de mortalidade por condições sensíveis à atenção primária, durante a gestão do então prefeito João Henrique Caldas, o JHC. Segundo o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, a capital alagoana ficou na última posição entre as 27 capitais no indicador que mede mortes que poderiam ser reduzidas com uma rede de atenção básica mais eficiente.

O levantamento avaliou os 5.570 municípios brasileiros e apontou que Maceió ocupa a 27ª colocação entre as capitais no indicador de Mortalidade Ajustada por Condições Sensíveis à Atenção Primária, resultado que coloca a cidade no pior desempenho nacional entre as capitais nesse quesito.

De acordo com o estudo, são considerados casos de mortalidade evitável aqueles em que o óbito poderia ser impedido ou reduzido por meio de ações como diagnóstico precoce, acompanhamento preventivo, tratamento adequado e busca ativa de pacientes pelas unidades básicas de saúde.

O indicador é utilizado para avaliar a capacidade da atenção primária em identificar riscos e acompanhar doenças que, quando tratadas no momento adequado, podem não evoluir para quadros graves ou fatais.

Fonte: 082 Notícias

Clubes militares são questionados por usarem dinheiro público

Requerimento cobra da Defesa dados sobre imóveis, pessoal e recursos destinados às entidades; canais das Forças Armadas já foram usados para divulgar atividades dos clubes

Deputados querem que o Ministério da Defesa informe quais estruturas e recursos das Forças Armadas são colocados à disposição do Clube Militar, Clube Naval e Clube de Aeronáutica, associações privadas que divulgaram, na semana passada, uma nota conjunta com críticas ao governo, ao Judiciário e às instituições. O requerimento pede informações sobre imóveis, militares, servidores, veículos, serviços e outros recursos públicos utilizados pelas entidades desde janeiro de 2023.

Levantamento do ICL Notícias mostra que os clubes mantêm diferentes relações com as Forças Armadas. A Marinha, por exemplo, mantém serviços dentro de instalações do Clube Naval, já abriu uma unidade de formação para dirigentes apresentarem benefícios da entidade a futuros oficiais e hospeda a revista do clube em uma plataforma institucional. Canais oficiais do Exército e da Aeronáutica também já foram usados para divulgar atividades de seus respectivos clubes.

É justamente a dimensão dessa relação que os deputados Padre João (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) querem conhecer. No requerimento apresentado à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, eles pedem informações sobre o apoio material e humano eventualmente destinado às três entidades desde janeiro de 2023.

É essa relação entre as associações privadas e a estrutura pública que os deputados Padre João (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) querem detalhar. No requerimento apresentado à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, eles pedem documentos e informações que permitam identificar quais recursos das Forças Armadas são destinados aos clubes e quais custos recaem sobre a União.

Os parlamentares querem saber quais imóveis da União são utilizados pelas entidades, quantos militares da ativa ou da reserva e servidores atuam nos clubes e se há prestadores de tarefa por tempo certo (PTTCs) vinculados às associações. O pedido inclui ainda informações sobre veículos, combustível, segurança, tecnologia, manutenção, cerimonial e serviços administrativos.

Os deputados também questionam o sistema de desconto em folha das mensalidades dos clubes. Eles querem saber quanto é movimentado por meio dessas operações e se a União tem custos para realizar os descontos.

O requerimento ainda precisa ser aprovado pela comissão antes de ser encaminhado formalmente ao Ministério da Defesa.

Nota golpista levou relação à mira da Câmara

O requerimento foi apresentado uma semana após Clube Naval, Clube Militar e Clube de Aeronáutica divulgarem conjuntamente a nota “Os riscos à Nação”, assinada pelos presidentes das três associações.

Publicado em 3 de agosto, o documento afirma que o país vive uma “grave deterioração política, institucional e econômica”, critica governo, Judiciário, política externa e setores da imprensa. Também acusa uma tentativa de “desmoralização das Forças Armadas” e relaciona esse processo às investigações e condenações decorrentes da tentativa de golpe após as eleições de 2022.

A nota não convoca explicitamente à violência ou a uma ruptura institucional e termina defendendo diálogo e consenso, mas reproduz ataques às instituições e elementos do discurso que cercou a ofensiva contra o resultado eleitoral de 2022.

O requerimento não afirma que recursos públicos tenham financiado a manifestação. O questionamento é sobre qual estrutura estatal está à disposição das associações privadas que a assinaram.

Marinha mantém serviços e abre portas ao Clube Naval

Parte dessa relação aparece nos próprios canais oficiais das Forças. O Serviço de Veteranos e Pensionistas da Marinha mantém postos de atendimento em instalações do Clube Naval. A relação divulgada pela Força identifica determinados atendimentos nesses locais como destinados “somente [a] sócios”.

O Clube Naval também já teve acesso direto a oficiais em formação. Em maio de 2025, dirigentes da entidade foram recebidos no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW) e apresentaram a todos os 194 alunos do Curso de Formação de Oficiais os benefícios oferecidos aos associados e dependentes.

Há precedente. Em 2018, o presidente do clube esteve no mesmo centro de instrução. Segundo a própria Marinha, a apresentação incluiu informações sobre a estrutura da entidade e “orientações sobre os procedimentos para admissão de novos sócios”.

A relação alcança ainda a comunicação. A Revista do Clube Naval é hospedada no Portal de Periódicos da Marinha, plataforma institucional que oferece gerenciamento, manutenção, treinamento, indexação e suporte técnico às publicações nela instaladas.

A revista já foi usada para manifestações políticas. No fim de 2022, o então presidente do clube, Luiz Fernando Palmer Fonseca, classificou a recuperação dos direitos políticos de Lula como uma “absurda descondenação”, atacou setores da imprensa, criticou o Judiciário e alertou para a volta da esquerda ao poder. O conteúdo continua disponível na infraestrutura digital da Marinha.

A publicação ressalva que opiniões assinadas não representam necessariamente a posição da Força. A questão é a utilização de infraestrutura estatal por uma publicação produzida por associação privada.

Exército e FAB também abriram canais aos clubes

No Exército, canais institucionais como o Informex, utilizado para transmitir informações aos militares, já foram usados para divulgar agendas, eventos, avisos e comunicados relacionados ao Clube Militar.

A relação também envolve questões administrativas. Em 2020, foi publicado contrato entre o Comando do Exército e o Clube Militar para o processamento de descontos autorizados de mensalidades de militares vinculados à Força — justamente uma das modalidades agora questionadas pelos deputados.

Na Aeronáutica, o portal oficial da FAB também divulga atividades do Clube da Aeronáutica. Em abril deste ano, publicou reportagem institucional sobre o lançamento de um livro comemorativo dos 50 anos do clube em Brasília. O material foi produzido pelo próprio Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), com texto e imagens de militares.

Há exemplos ainda mais diretos. Em 2017, o site da FAB divulgou uma regata organizada pelo Clube da Aeronáutica de Brasília e informou que as inscrições estavam abertas. No ano anterior, também havia divulgado prazo de inscrição em atividade da entidade.

Deputados querem documentos e valores

O requerimento tenta transformar esses registros dispersos em um levantamento completo. Padre João e Pedro Uczai pedem, além dos dados sobre imóveis, pessoal e serviços, cópias de convênios, termos de cessão, pareceres jurídicos e outros instrumentos que autorizem as relações entre Estado e clubes.

Também querem conhecer os valores movimentados por descontos em folha e o eventual custo administrativo dessas operações para a União.

Os clubes militares são associações privadas, mas mantêm relações históricas com as Forças que passam por instalações, serviços e comunicação institucional. Depois da manifestação política conjunta das entidades, os deputados querem saber qual é hoje a dimensão dessa estrutura, quanto ela custa e sob quais regras é mantida.

Fonte: ICL

Depois do futebol, bets avançam sobre a cultura e já destinam milhões diretos e via Lei Rouanet

Casas de apostas ampliam investimentos em shows, festivais e projetos culturais. Alguns artistas reagem e governo estuda restrições.

Depois de ocuparem camisas de clubes, estádios e transmissões esportivas, as empresas de apostas on-line ampliam sua presença em outro território de grande visibilidade: a cultura. Festivais, shows, festas populares e projetos beneficiados pela Lei Rouanet passaram a receber recursos do setor, num movimento que já provoca resistência de artistas e preocupação dentro do governo.

Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, com base no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), mostra que empresas ligadas às apostas destinaram R$ 6 milhões a projetos incentivados em 2025 e R$ 5,8 milhões em 2026. Em menos de dois anos, portanto, os aportes pela Rouanet chegam a R$ 11,8 milhões.

Entre os projetos contemplados estão o Réveillon de Copacabana, a Oktoberfest de Blumenau e eventos realizados no litoral paulista. A Kaizen Gaming, responsável pela Betano, destinou R$ 5 milhões ao Réveillon carioca. Outras empresas do setor também aparecem entre patrocinadores de iniciativas culturais.

Investimentos vão muito além da Rouanet

O avanço é ainda maior quando considerados os patrocínios realizados diretamente pelas empresas. A Superbet afirma ter investido quase R$ 150 milhões em cultura entre 2025 e 2026, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. A marca esteve associada a grandes eventos, entre eles Rock in Rio, Lollapalooza e Carnaval do Rio.

A estratégia representa uma expansão do espaço ocupado pelas bets na sociedade brasileira. Depois da forte associação com o futebol, shows e festivais oferecem às empresas contato com públicos diferentes e permitem vincular suas marcas ao entretenimento e a manifestações culturais de grande alcance.

A presença na Lei Rouanet acrescenta outra dimensão à discussão. O mecanismo permite que empresas patrocinem projetos culturais aprovados pelo governo e abatam os valores, dentro das regras estabelecidas, do Imposto de Renda devido. Assim, parte da expansão das bets sobre a cultura ocorre por meio de incentivo fiscal.

Artistas reagem e governo estuda restrições

O avanço já encontra resistência no próprio setor cultural. A campanha “Block no Tigrinho”, organizada pelo movimento 342 Artes, recebeu apoio de artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Emicida e Camila Pitanga. Anitta também criticou publicamente a publicidade das plataformas e seus impactos principalmente sobre famílias de menor renda.

Há artistas recusando diretamente contratos. O empresário e marido de Simone Mendes, Kaká Diniz, afirmou que a cantora rejeitou uma proposta de R$ 64 milhões por dois anos para associar sua imagem ao setor.

A crescente ocupação dos espaços culturais pelas casas de apostas também chegou ao poder público. Segundo a Folha, o Ministério da Cultura analisa mecanismos jurídicos para regular ou restringir a utilização da Lei Rouanet por empresas de apostas.

O debate coloca frente a frente a necessidade de financiamento da produção cultural e as consequências sociais atribuídas à expansão das apostas on-line. Se no futebol as bets já se tornaram presença quase permanente, a nova fronteira dessa disputa passa agora pelos palcos, festivais e projetos culturais brasileiros.

Fonte: Rede Estação Democrática

PF apura aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Banco Master

Um dos alvos é o secretário de Fazenda da capital alagoana

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.

Pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central (BC), que ao anunciar a medida, informou que o Master havia violado às normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com uma grave crise de liquidez.

Oito mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo.

São alvos da operação:

– João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, Borges integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos investigados.

– Ronnie REYNER Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;

– Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;

– Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado;

– Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;

– Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

Mendonça autorizou os agentes federais a apreenderem computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias; telefones pessoais ou corporativos; documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios em endereços residenciais e comerciais ligados aos seis investigados e também nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Segundo a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master, caracterizando a “terceirização indevida da competência administrativa” do instituto de previdência.

Além de autorizar as buscas e apreensões, Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores de Borges, Mota, Souza, Calamia, Alves e de Santos, até o limite global de R$ 97 milhões.

Segundo a PF, as suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões. Em maio de 2024, mais R$ 17 mil.

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos.

Em sua decisão, o ministro André Mendonça afirma que, ao pedir autorização judicial para realizar as buscas e apreensões, a PF assegura ter indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”.

“De acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master”, assinalou Mendonça, em seu despacho.

Em nota, o Iprev informou que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis”. Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante “a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas”. O Iprev disse ainda que está colaborando com as autoridades. 

A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

Fonte: Agência Brasil

Terremoto de magnitude 7,4 deixa 132 mortos e mais de 570 feridos na Colômbia

Sismo com epicentro no departamento de Chocó foi o mais forte sentido no país na última década; governo de Gustavo Petro mobiliza militares, aeronaves e equipes de emergência em busca de sobreviventes

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia, deixando pelo menos 132 mortos e mais de 570 feridos, além de provocar destruição em diferentes regiões do país. O epicentro foi localizado no departamento de Chocó, e operações de busca e resgate foram intensificadas diante da possibilidade de haver sobreviventes presos sob os escombros.

Segundo a Telesur, o tremor foi o mais forte sentido na Colômbia na última década e afetou nove departamentos. Cidades como Pereira, Cali, Quibdó, Manizales e Armenia estão entre as mais atingidas, enquanto as autoridades mantêm alertas diante das réplicas e da continuidade das avaliações dos danos.

O presidente Gustavo Petro assumiu a direção da resposta governamental à emergência, estabelecendo como prioridade o resgate das pessoas soterradas. Ministros e integrantes do governo foram enviados às áreas atingidas para coordenar as ações com forças de segurança e organismos de socorro.

Pereira concentra maior número de mortes

Pereira aparece, até o momento, como a cidade com o maior número de vítimas fatais.

De acordo com as informações disponíveis, 60 mortes foram registradas na cidade. Cali aparece em seguida, com pelo menos 15 mortos.

Os números ainda são preliminares e podem aumentar à medida que equipes de emergência consigam alcançar regiões afetadas e avancem na inspeção de prédios e áreas atingidas.

O balanço nacional indica mais de 570 pessoas feridas.

A dimensão dos danos levou várias cidades a adotar medidas de emergência e alerta vermelho.

Cali registra centenas de feridos

Cali também sofreu danos severos.

Na cidade, pelo menos 20 estruturas foram destruídas e aproximadamente 380 pessoas ficaram feridas, de acordo com as informações divulgadas.

Hospitais passaram a enfrentar forte pressão diante da chegada das vítimas.

Prédios desabaram e diferentes vias sofreram danos, dificultando a circulação das equipes encarregadas do atendimento emergencial.

As autoridades trabalham para avaliar a segurança das estruturas que permaneceram de pé e identificar construções sob risco de novos desabamentos.

Epicentro foi registrado em Chocó

O epicentro do terremoto foi localizado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó.

Depois do tremor principal, foram registradas réplicas de magnitudes 4,6 e 4,8, ampliando a preocupação das autoridades com novos danos.

As réplicas representam risco adicional especialmente nas regiões onde construções já foram comprometidas pelo terremoto inicial.

O impacto também atingiu instituições de ensino. Universidades em Chocó, Manizales e outras localidades tiveram instalações danificadas, com registros de destruição em edifícios e outras estruturas.

Segundo o Serviço Geológico Colombiano, os efeitos do terremoto foram sentidos nas capitais do país.

Mais de 180 militares participam das buscas

As operações de resgate foram reforçadas com a mobilização de mais de 180 militares, além de equipes especializadas em localização e retirada de pessoas presas sob os escombros.

A Força Aeroespacial Colombiana também disponibilizou aeronaves para apoiar as operações.

A prioridade é alcançar as áreas mais afetadas, localizar sobreviventes e garantir o transporte de feridos para unidades hospitalares.

A presença das forças de segurança se soma ao trabalho dos bombeiros, equipes médicas e demais organismos responsáveis pela resposta a desastres.

O trabalho torna-se especialmente delicado diante das réplicas, que podem provocar novos desabamentos em construções já fragilizadas.

Petro assume comando da resposta à tragédia

Diante da dimensão do desastre, Gustavo Petro assumiu diretamente a coordenação política da resposta governamental.

A orientação prioritária é concentrar recursos na localização e no resgate das vítimas que ainda possam estar sob estruturas destruídas.

Equipes de ministros e integrantes do alto escalão do governo foram enviadas às regiões atingidas para organizar a resposta emergencial e articular as ações entre autoridades nacionais e locais.

Também foi declarado alerta vermelho em Antioquia, enquanto diferentes departamentos permanecem mobilizados diante dos impactos do terremoto.

A resposta envolve forças militares, organismos de socorro, autoridades de saúde e equipes responsáveis pela avaliação de infraestrutura.

País enfrenta maior terremoto da última década

Segundo o Serviço Geológico Colombiano, o terremoto foi o mais forte sentido no país nos últimos dez anos.

A magnitude de 7,4 e a extensão geográfica dos impactos fizeram com que o tremor fosse percebido em diferentes regiões da Colômbia.

O balanço inicial de 132 mortos e mais de 570 feridos ainda poderá ser atualizado conforme avançarem as buscas, especialmente nas localidades onde edifícios desabaram e as equipes de emergência continuam procurando pessoas sob os escombros.

Com cidades em alerta, hospitais sobrecarregados e centenas de integrantes das forças de emergência mobilizados, o governo colombiano concentra seus esforços na localização de sobreviventes e no atendimento às populações das áreas mais atingidas.

Fonte: Brasil 247

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