Cresce a classe média no Brasil

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Segundo pesquisa 50,1% dos domicílios brasileiros tem renda familiar acima de R$ 3,4 mil mensal. Mas, segundo o Dieese, o salário necessário deveria ser de R$ 6.959,31.

Após quase uma década, em 2024 o Brasil voltou a ser  considerado um país de classe média, segundo levantamento da Tendências Consultoria. O estudo revelou que 50,1% dos domicílios brasileiros pertencem às classes C, B ou A, com renda familiar acima de R$ 3,4 mil mensal.

O país não alcançava essa marca desde de 2015, quando o percentual de famílias pertencentes à classe média chegou a 51%. Entre os brasileiros das classes C e B o trabalho é a principal fonte de renda familiar.

No último ano, a renda das famílias da classe C aumentou 9,5%. Já na classe B, grupo com rendimentos entre R$ 8,1 mil e R$ 25 mil, a renda familiar cresceu 8,7%.

Os números refletem a recuperação econômica do país, sob o governo Lula (PT). O mercado de trabalho se fortaleceu entre 2023 e 2024, nesse período foram criadas 3,6 milhões de vagas emprego formais.

Redação com Congresso em Foco e Dieese

Soldado israelense acusado de crimes de guerra em Gaza foge do Brasil após virar alvo da PF

Justiça brasileira determinou investigação contra Yuval Vagdani, que estava no Brasil a turismo, a partir de denúncia feita por fundação belga que defende os direitos dos palestinos

O soldado israelense Yuval Vagdani fugiu do Brasil após a Justiça Federal determinar uma investigação da Polícia Federal (PF) contra ele por supostos crimes de guerra cometidos em Gaza. Na noite do último sábado (4), Vagdani, que estava no país a turismo, embarcou em um voo comercial de Salvador para Buenos Aires. A saída do militar do Brasil foi articulada pela Embaixada de Israel. 

A decisão judicial, publicada em 30 de dezembro pela juíza federal Raquel Soares Charelli, atendeu a uma notícia-crime apresentada por advogados brasileiros em nome da Fundação Hind Rajab (HRF). A organização, sediada na Bélgica, acusou Vagdani de envolvimento em ações que incluem a demolição de residências civis na Faixa de Gaza. Segundo a HRF, essas ações constituem crimes contra a humanidade e genocídio, conforme tratados internacionais como a Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma.

Documentos apresentados pela HRF incluem vídeos, dados de geolocalização e mensagens postadas pelo soldado nas redes sociais. Em uma delas, Vagdani teria escrito: “Que possamos continuar destruindo e esmagando este lugar imundo sem pausa, até os seus alicerces”.

Em nota, o governo israelense criticou a ação judicial brasileira, acusando a HRF de explorar “de forma cínica os sistemas legais para fomentar uma narrativa anti-Israel”. https://d-22993903414116890263.ampproject.net/2410292120000/frame.html

Já a Fundação Hind Rajab destacou a importância histórica do caso, afirmando que esta é a primeira vez que o Brasil aplica diretamente disposições do Estatuto de Roma sem recorrer ao Tribunal Penal Internacional (TPI). 

Ataque a Lula 

Em publicação nas redes sociais, o jornalista Hananya Naftali, assessor do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela decisão da Justiça brasileira de investigar o soldado acusado de crimes de guerra. 

“Lula, o homem próximo de ditadores e terroristas do Hamas, agora usa o judiciário brasileiro como arma para atacar Israel enquanto protege seus aliados corruptos. Israel é alvo de terroristas, e Lula os defende”, escreveu. 

Lula foi defendido pela Federação Árabe Palestina no Brasil (Fepal), que classificou a fuga de Vagdani do Brasil como uma “ofensa à soberania brasileira”. 

“Em flagrante violação à soberania brasileira, Israel facilitou a fuga de soldado israelense Yuval Vagdani, acusado de crimes de guerra e alvo de investigação no Brasil. Agora, a gangue genocida vira sua máquina de propaganda contra Lula e contra o Estado Brasileiro. Quem está sendo investigado por genocídio é Israel, não o Brasil. Quem se esconde para evitar a prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional é o genocida Netanyahu, não o presidente Lula”, diz nota divulgada pela entidade. 

Fonte: Revista Fórum

OS ESCOLHIDOS

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 05 de Janeiro de 2025

O resultado das eleições municipais em 2024 foi conhecido de fato no dia 1° de Janeiro de 2025, entre Vereadores e Prefeitos temos para todos o gostos e sabores, basta dar uma voltinha em alguns municípios brasileiros que encontraremos algum ex candidato, agora eleito para o executivo ou legislativo com ou sem proposta alguma. Serão quatro anos de novos e velhos conhecidos da política e ao final veremos se valeu a pena votar em algum deles.

Alguns já começaram do mesmo jeito que terminaram seu primeiro mandato. É o caso do Prefeito reeleito de Porto Alegre que conseguiu desbancar sua adversária na cidade que esteve embaixo d’gua por causa de sua gestão incompetente e celebrou sua posse para o segundo mandato com a cidade inundada. O eleitor de Porto Alegre ainda teve que ouvir absurdos do Prefeito Sebastiao Melo que defensores da Ditadura não devem ser processados, porque isso representaria liberdade de expressão. Oi? O que passa na cabecinha do Tião Melo?
Porto Alegre foi inundada pelas águas do Guaíba e pela ignorância política de parte dos seus eleitores, haja bombas para escoar toda ignorância que deixou Porto Alegre submersa nas profundezas do fascismo.

Ja em Fortaleza, Evandro Leitão do PT toma posse e sabiamente usa sua liberdade de expressão para defender a igualdade entre os fotalezensses dizendo: “Nos sentimos abraçados pela honrosa missão de gerir a nossa amada cidade pelos próximos quatro anos, de transformar Fortaleza em uma só, sem o muro da desigualdade que maltrata tantas famílias”. Quanta diferença do Nordeste para o Sul, Evandro Leitão se apresenta com uma fortaleza, uma barreira intransponível do discurso de ódio e do divisionismo entre seus conterrâneos. Viva o Leitão!

A liberdade de expressão não pode dar liberdade para o cometimento de crimes, mas o que dizer da ex Vereadora Janaina Lima do PP que ao deixar seu gabinete na Câmara Municipal da capital paulista teve a grande ideia de arrancar uma pia e o vaso sanitário do “recinto”. Janaina usou da sua liberdade de expressão pra tentar justificar a retirada dos utensílios do gabinete, parlou, deu piruetas, cambalhotas, um duplo twist carpado, mas nada convenceu e ao final a ex Vereadora resolveu doa-los para a Câmara Municipal. O vaso foi testemunha viva dos trabalhos executados no gabinete por 8 anos, ele conhece como ninguem as obras deixadas pela parlamentar, ou seja, só viu…

Feliz Ano Novo!

Reflexões* Flávio Show 2025 , ano 05 – Edição 212

Fernanda Torres vence Globo de Ouro 2025 de melhor atriz

A atriz Fernanda Torres foi escolhida, neste domingo (5/1), como Melhor Atriz de Drama no Globo de Ouro de 2025 pela performance no filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, desbancando grandes nomes da indústria, como Angelina Jolie e Nicole Kidman.

Dessa forma, Fernanda se tornou a primeira brasileira a ganhar a categoria na premiação, indo um passo além da mãe, Fernanda Montenegro, que foi indicada na categoria em 1999, por Central do Brasil, também dirigido por Salles, mas não levou a estatueta para casa.

Ainda Estou Aqui nas premiações

O filme Ainda Estou Aqui estreou internacionalmente no Festival de Veneza de 2024, um dos mais prestigiados do mundo. Na ocasião, fez parte da seleção oficial e garantiu o prêmio de Melhor Roteiro.

Na campanha para a indicação do longa ao Oscar, Fernanda Torres foi agraciada como Melhor Atriz Estrangeira pela Critics Choice Association no Celebration of Latino Cinema & Television.

Além disso, Ainda Estou Aqui segue como forte candidato à categoria de Melhor Filme Internacional, já que integrou a lista de 14 filmes feita pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Os 10 filmes escolhidos para concorrer na cerimônia principal serão anunciados em 17 de janeiro.

Fonte: Metrópoles

Justiça brasileira determina que PF investigue soldado israelense acusado ​​de crimes de guerra em Gaza

A decisão é considerada marco na aplicação do direito internacional em território nacional

 Um tribunal federal brasileiro determinou que a Polícia Federal abra uma investigação imediata contra um soldado israelense acusado de cometer crimes de guerra em Gaza. Segundo a Fundação Hind Rajab (HRF), organização com sede na Bélgica que defende os direitos palestinos, a decisão se baseia no artigo 88 do Código de Processo Penal Brasileiro e reflete um pedido do Ministério Público Federal para atuação urgente, destaca o site The Cradle.co.

A HRF celebrou o que considera um “precedente poderoso” para a aplicação do direito internacional em casos de crimes de guerra. “Este não é um caso de comando à distância. Este indivíduo contribuiu para a destruição de lares e meios de subsistência em Gaza”, afirmou Maira Pinheiro, defensora da fundação. A organização designada que o soldado, cuja identidade não foi revelada, teria participado de demolições em larga escala de residências civis na região.

Conexão internacional amplia denúncias

A ação do tribunal brasileiro ocorre em paralelo a uma denúncia apresentada por uma coalizão de 620 advogados no Chile contra Saar Hirshoren, identificado como membro do 749º Batalhão de Engenharia de Combate de Israel. Ele teria sido localizado na região de Aysén, na Patagônia Chilena. Durante uma coletiva de imprensa em Santiago, o advogado e ex-embaixador Nelson Hadad pediu a prisão imediata de Hirshoren para evitar uma possível fuga.

“É nossa obrigação garantir que crimes internacionais tão graves não fiquem impunes. O princípio da justiça extraterritorial reforça a legitimidade da atuação dos tribunais nacionais”, declarou Hadad.

O senador chileno Francisco Chahuan, apoiador da denúncia, afirmou que o Ministério Público do país recebeu provas de conteúdo, incluindo vídeos e fotos da conta de Hirshoren no Instagram, que o mostram envolvidos na destruição de bairros, infraestruturas civis e locais culturais em Gaza. Segundo Chahuan, esses atos violaram as Convenções de Genebra e configuraram crimes de guerra e genocídio.

Israel sob pressão internacional

A repercussão desses casos ocorre por meio de um alerta emitido pelos comandantes militares israelenses no mês passado, que orientavam soldados e oficiais a evitar viagens ao exterior. O recebimento é de que ocorrem processos judiciais em outros países, como resultado de denúncias de grupos pró-Palestina. A tensão aumentou especialmente após a emissão de mandados de prisão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.

O caso brasileiro destaca o avanço de iniciativas internacionais para responsabilizar indivíduos por crimes cometidos em zonas de conflito. Para a Fundação Hind Rajab, a decisão judicial no Brasil é um “grande passo para quebrar o ciclo de impunidade” em situações de violência contra a população civil.

Fonte: Brasil 247

Bolsa Família reduziu mortalidade de tuberculose em 70%, mostra estudo

Programa de transferência de renda reconhecido internacionalmente diminui barreiras que dificultam o acesso a melhores condições de vida

Maior programa de transferência de renda do país e internacionalmente reconhecido, o Bolsa Família foi responsável por diminuir os casos e as mortes causadas por tuberculose em 60% e 70%, respectivamente. Os dados foram divulgados em um estudo publicado na revista Nature nesta sexta-feira (3).

O estudo dividiu as análises em raça, etnia, níveis de riqueza, sexo e idade. Os resultados mostraram que o grupo que sentiu o maior impacto do Bolsa Família na incidência e na mortalidade por tuberculose foram os indígenas. Entre essa população, a mortalidade diminuiu em 65% e a incidência em 63%.

Pessoas em extrema pobreza também sentiram os efeitos do Bolsa Família de forma mais significativa: redução de 60% em relação à incidência de tuberculose e 49% nos níveis de mortalidade. Já os índices entre a população negra (pretos e pardos) foram próximos aos verificados na população geral: 58% de redução nas infecções e 69% na taxa de mortalidade.

O estudo foi realizado por pesquisadores do Instituto de Saúde Global (ISGlobal), em Barcelona, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia. A pesquisa contou com apoio da Fundação “La Caixa” de Barcelona.

Os pesquisadores afirmam, no estudo, que o Bolsa Família contribuiu para a redução das infecções e da mortalidade por tuberculose nas populações indígenas, por exemplo, ao aliviar a pobreza extrema e a vulnerabilidade socioeconômica, reduzindo a insegurança alimentar e a desnutrição, taxas que são particularmente altas entre essas comunidades, além de diminuir as barreiras geográficas que dificultam o acesso a serviços básicos de saúde.

O grupo também ressalta que, em relação à população negra, o programa de transferência de renda atua diminuindo as desigualdades sociais, históricas e estruturais, aumentando a renda e melhorando a educação por meio de suas condicionalidades e fornecendo acesso a serviços de saúde.

Como foi feito o estudo

O estudo teve como base os dados de 54,5 milhões de brasileiros de baixa renda cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnido) entre 2004 e 2015. Os pesquisadores consideraram como baixa renda pessoas com renda de até R$ 218 por mês. Desse total de indivíduos, 43,8% eram beneficiários do Bolsa Família e os outros 56,2% não recebiam o auxílio. 

A partir disso, os pesquisadores cruzaram os dados com informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Desse modo, a equipe chegou aos resultados que 7.993 mortes foram registradas no período e a incidência total foi de 159.777. 

Por fim, o último cruzamento de dados mostrou que a taxa de novas infecções foi menor entre quem recebia o Bolsa Família (49,4 por 100 mil) em comparação com quem não recebia (81,4 por 100 mil). A taxa de mortalidade também foi menor entre o primeiro e o seguro grupo: 2,08 contra 4,68. Os pesquisadores também ajustaram dados sobre idade, sexo, escolaridade e raça/cor da pele para chegar a mais recortes sociais. 

Fonte: Revista Fórum

Prefeitura de Guarujá culpa Sabesp privatizada por virose e aumento de casos de gastroenterocolite

A empresa foi privatizada pelo governador Tarcísio de Freitas

A Prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, notificou a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) sobre a possibilidade de vazamentos e ligações clandestinas de esgoto na praia da Enseada. Segundo informações publicadas pela Folha, a gestão municipal acredita que essas irregularidades podem estar relacionadas ao aumento expressivo de casos de gastroenterocolite aguda, que têm sobrecarregado os hospitais da região.

A doença, comumente chamada de virose, é provocada, em 95% dos casos, por vírus como norovírus, rotavírus e adenovírus. Contudo, bactérias, parasitas ou alimentos contaminados também podem ser a causa. Para esclarecer a origem do surto, a prefeitura enviou amostras para análise no Instituto Adolfo Lutz e aguarda os resultados.

Em nota, a Sabesp afirmou que realizou ajustes para atender às demandas da prefeitura e prestou esclarecimentos à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A companhia descartou que o vazamento de esgoto registrado na quinta-feira (2), na praia da Enseada, esteja relacionado ao surto. Segundo a Sabesp, o problema foi pontual, e a limpeza da área já foi concluída. Além disso, destacou que fortes chuvas sobrecarregaram o sistema devido à entrada irregular de água pluvial.

A empresa, porém, não respondeu diretamente sobre a suposta existência de esgotos clandestinos. Ainda de acordo com a reportagem, a Sabesp reforçou que a contaminação simultânea em diferentes municípios não poderia ser atribuída a um único evento, como o vazamento ocorrido na Enseada.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou questionamentos às autoridades estaduais, incluindo Sabesp, Cetesb e Secretaria de Saúde, sobre o surto. No documento, Hilton exige explicações sobre as medidas adotadas para garantir a qualidade da água distribuída, a balneabilidade das praias e o monitoramento dos casos de virose no litoral paulista.

Em Guarujá, a Secretaria Municipal de Saúde relatou um aumento de 42% nos atendimentos de casos de virose nos pronto-atendimentos. Em dezembro de 2023, foram registrados mais de 2.000 atendimentos relacionados à doença. Para lidar com a demanda crescente, as UPAs da Enseada e Rodoviária receberam reforço na equipe médica desde o início de janeiro, e unidades de saúde em bairros estratégicos estenderam seu horário de funcionamento.

Fonte: Brasil 247

Brasileiros criam bioplástico feito de alimentos

Usando matérias-primas como linhaça e chia, projeto da UFRJ inventa embalagens que podem se decompor em até seis meses. Além de mais ecológico, produto promete também prolongar a vida útil de alimentos.

A preocupação com o impacto ecológico do descarte de plásticos tem impulsionado pesquisas que aliam sustentabilidade à inovação. Uma delas é conduzida por pesquisadores do Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IMA-UFRJ), que querem transformar o mercado de embalagens a partir de alimentos como linhaça, alho, pimenta e chia.

A promessa são bioplásticos produzidos com compostos bioativos extraídos de alimentos funcionais e que se degradam em questão de meses.

Compostos bioativos são moléculas de origem natural que desempenham diferentes papéis, como atividade antioxidante, estimulação do sistema imunológico, equilíbrio do nível hormonal e atividade antibacteriana e antiviral.

“Essa ideia surgiu por causa dos benefícios que os bioativos têm para a nossa saúde”, explica a professora Maria Inês Tavares, coordenadora do projeto.  “Por que não utilizá-los para embalagens alimentícias, mantendo sua biodegradabilidade?”

A invenção já está em processo de patenteamento e, além de mais sustentável –  segundo os pesquisadores, a extração não envolve o uso de solventes prejudiciais ao meio ambiente –, promete ainda prolongar a vida útil de alimentos.

O grupo aposta que a descoberta possa ser uma alternativa importante para a substituição de embalagens comuns. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), esse setor é o principal responsável pela geração de resíduos plásticos descartáveis globalmente.

Cerca de 36% de todo o plástico produzido destina-se a embalagens, incluindo recipientes descartáveis para alimentos e bebidas. Destes, 85% acabam em aterros sanitários ou como lixo mal gerenciado.

Menos desperdício e decomposição em 180 dias

Os pesquisadores da UFRJ afirmam que suas embalagens têm propriedades antioxidantes e protetoras que prolongam o tempo de prateleira dos alimentos e reduzem o desperdício.

Mariana Alves, pesquisadora e integrante da equipe, destaca os resultados do trabalho: “A embalagem aumentou o tempo de prateleira dos alimentos testes em torno de 16 dias fora da refrigeração e 14 dias na geladeira. Ela oferece resistência de barreira semelhante aos plásticos tradicionais, mas se decompõe em aproximadamente 180 dias em condições ambientais favoráveis, preferencialmente em sistema de compostagem.”

Durante o processo de decomposição do bioplástico, os cientistas monitoraram a segurança ambiental e as mudanças nos materiais, e concluíram que os bionanocompósitos – materiais criados a partir da combinação de elementos em escala nanométrica – não liberam substâncias tóxicas.

“Os polímeros biodegradáveis são transformados em CO2 e água na natureza por micro-organismos, ao contrário dos plásticos comuns, que apenas diminuem de tamanho, formando microplásticos que continuam poluindo o ambiente”, explica Alves.

A escolha da matéria-prima para a confecção do bioplástico também foi estratégica, evitando a demanda por alimentos básicos da dieta humana e explorando materiais como folhas e frutos que crescem rapidamente.

“No caso da chia, ela tem um potencial antioxidante muito grande, principalmente nos extratos da semente”, afirma Alves.

“Vale ressaltar que os bioplásticos têm diferentes materiais que podem fazer parte da composição, mas a degradabilidade dele no meio ambiente não produz nenhum malefício no meio físico, nem na atmosfera, nem no solo, nem na água e não contamina os recursos hídricos”, diz Leonardo Duarte, especialista em bioplásticos e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que não participou da pesquisa. 

Outras aplicações 

Além do setor alimentício, a pesquisa abre portas para aplicações em áreas como saúde, tecnologia e moda. Nesta última, ainda segundo a ONU, cerca de 60% das roupas são confeccionadas com materiais plásticos, incluindo poliéster, acrílico e nylon.

“Estamos animados com a versatilidade dos nanocompósitos e suas múltiplas aplicações. Isso reforça o potencial transformador dessa tecnologia para substituir materiais não renováveis em larga escala”, afirma Tavares, chefe do projeto.

Ela lista, entre possíveis usos futuros, próteses, filtros e acessórios biodegradáveis. 

Um estudo recente do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) da Unicamp publicado na revista Nature mostra que o Brasil pode substituir plásticos derivados do petróleo por bioplásticos até 2050, sem aumentar o desmatamento ou degradar o meio ambiente. 

Potencial de crescimento

Atualmente, os bioplásticos representam cerca de 0,5% das mais de 400 milhões de toneladas de plástico produzidas anualmente, segundo a associação European Bioplastics, que representa a indústria do setor.

No Brasil, onde os resíduos plásticos urbanos somaram 13,7 milhões de toneladas em 2022 — o equivalente a 64 quilos por habitante, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) —, ainda faltam dados oficiais sobre a produção ou comercialização de bioplásticos. 

Apesar disso, especialistas ouvidos pela reportagem apontam um aumento expressivo na demanda pelo material, impulsionado pela pressão de consumidores e mercados globais por alternativas sustentáveis.

Um deles é o professor Duarte, líder do grupo de engenharia e monitoramento de biossistemas da UFRRJ. Ele estuda o segmento há mais de 20 anos e desenvolveu um bioplástico feito a partir de resina de babosa (aloe vera) combinada com amido de batata-doce, ambos cultivados de forma orgânica.

Segundo ele, a biodiversidade brasileira é um diferencial significativo para o desenvolvimento de bioplásticos. “Essa riqueza aumenta nossa chance de obter resultados variados e materiais inovadores. Cada região do Brasil pode desenvolver soluções específicas, explorando sua matéria-prima local. Isso enriquece a pesquisa e reforça nosso papel no cenário internacional.”

Por outro lado, Cristiane Siqueira, doutora em engenharia de processos químicos e bioquímicos e coordenadora do mestrado em Ciências Ambientais da Univassouras, no Rio de Janeiro, pondera que desafios estruturais limitam a cadeia produtiva de bioplásticos no país. 

“Temos grande potencial graças à disponibilidade de matérias-primas, como resíduos agroindustriais. Contudo, os principais gargalos incluem o custo elevado, a infraestrutura insuficiente para descarte adequado e a falta de conscientização do consumidor e da indústria”, avalia.

Embora o Brasil já tenha iniciativas de uso de bioplásticos, como em embalagens de cosméticos, escovas de dente e cápsulas de café, Siqueira enfatiza que muitos projetos permanecem no universo acadêmico ou no estágio experimental de empresas.

“Uma parcela reduzida alcança o consumidor final. É necessário investir em políticas públicas e incentivos para viabilizar a aplicação em larga escala, especialmente em áreas como a médica, onde o impacto pode ser ainda maior”, diz.

Fonte: DW

MST denuncia ação violenta de fazendeiros e jagunços em Joaquim Gomes (AL)

Movimento dos Sem Terra divulgou alerta pelas redes sociais:

“ALERTA: ACAMPAMENTO FELIZ DESERTO É INVADIDO POR FAZENDEIROS E JAGUNÇOS ARMADOS

Na manhã de hoje, O Acampamento Feliz Deserto, em Joaquim Gomes (AL), com 20 anos de luta e resistência pela Reforma Agrária, sofreu uma invasão violenta por parte do fazendeiro e seus jagunços armados.

Bruno é o nome do suposto comprador da área que é da Massa Falida, o mesmo estava junto ao bando de homens armados destruíram um dos barracos e disse que “Agora os Sem Terra será na bala”.

No ano passado, o mesmo fazendeiro realizou diversas ameaças, querendo expulsar as famílias Sem Terra que produzem alimentos e vivem na área, para cercar a região e criar gado.

Repudiamos veementemente os ataques sofridos. A luta pela terra não será silenciada, seguiremos resistindo!

Denúncia #MSTAlagoas #TodosPelaReformaAgrária”

Fonte: MST/AL

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