Jovem acusa PMs de estupro carona na saída de bloco de carnaval; policiais estão presos

Dois policiais militares do 24º Batalhão, de Diadema (SP), foram presos após darem carona para uma jovem de 20 anos que deixava um bloco de Carnaval na noite de domingo. Ela os acusa, por meio de denúncia, de est*pro. De acordo com relatos de familiares, a mulher foi encontrada apenas no dia seguinte, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro da Liberdade, em São Paulo, depois de mandar áudio para o tio em que relatava o suposto abuso.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou, por meio de nota, que a denúncia será “rigorosamente apurada”, mas esclareceu que a detenção ocorre, neste momento, por abandono de posto e descumprimento de missão, ao deixarem a área de patrulhamento “sem autorização e sem motivo justificado”.

Ambos os crimes estão previstos no Código Penal Militar, mas com penas consideravelmente mais baixas (três meses a um ano de detenção por abandono de posto e seis meses a dois anos por descumprimento de missão) do que uma eventual condenação por estupro (crime hediondo com pena mínima de seis a dez anos de prisão).

“A jovem (nome não foi divulgado) foi submetida a exame de corpo de delito, assim como os policiais, que permanecem presos no PMRG [Presídio Militar Romão Gomes] após terem a prisão preventiva decretada pela Justiça. Todas as circunstâncias dos fatos são apuradas, inclusive com a análise das câmeras corporais”, afirma a pasta.

De acordo com informações da TV Globo, a jovem foi encaminhada para a UPA por um escrivão do 26º Distrito Policial (DP), depois de ficar desaparecida por algumas horas. Ela estaria embriagada no momento da carona e também acusou os agentes de consumirem álcool em serviço.

A versão dos policiais, ainda segundo a emissora, é de que a mulher teria surtado no interior da viatura. Na sequência, teriam pedido que ela saísse do carro, em área próxima à Rodovia Anchieta, que liga a região do ABC paulista à capital. Eles disseram que a moça teria ameaçado divulgar a história como um est*pro e exigido que a levassem para casa. A jovem ou familiares não foram localizadas pela reportagem.

Fonte: O Globo

Pastor mata jovem após culto por dívidas em programas de prostituição

Márcio havia empenhado seu próprio carro na casa de prostituição em troca de drogas, bebidas e serviços sexuais

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) finalizou a investigação sobre o assassinato da estudante Natany Alves Sales, de 20 anos, ocorrido em Quixeramobim. O inquérito revelou que o crime foi motivado por uma dívida de R$ 4,5 mil que Francisco Márcio Freire, ex-pastor evangélico e um dos suspeitos, possuía com uma casa de prostituição em Quixadá (CE).

Márcio, junto com dois cúmplices, foi indiciado e preso.

O sequestro de Natany aconteceu por volta das 13h do dia 16 de fevereiro. Horas depois, às 16h30, seu veículo, um Renault Kwid branco, foi localizado na Rua Enéas de Lima, em Quixadá, próximo à Rodoviária Municipal. Segundo os investigadores, o local onde o carro foi abandonado não foi escolhido ao acaso.

De acordo com o relatório policial, dias antes do crime, Márcio havia penhorado seu próprio carro na casa de prostituição como pagamento por drogas, bebidas e serviços sexuais. Para reaver o veículo e quitar a dívida, ele teria planejado um latrocínio (roubo seguido de morte), utilizando o carro da vítima como moeda de troca.

As investigações apontam que Márcio já era alvo de outro inquérito, no qual sua conexão com prostíbulos de Quixadá foi comprovada. Esses locais são conhecidos pelo tráfico de drogas e exploração da prostituição. O proprietário do estabelecimento onde o ex-pastor penhorou seu carro também é suspeito de tráfico de drogas e agiotagem, estando atualmente sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A polícia revelou que Márcio e seus cúmplices planejaram o crime com antecedência, tendo como objetivo principal a obtenção do veículo de Natany para usá-lo como pagamento da dívida. O relatório reforça que o assassinato foi premeditado.

Repercussão

A morte da jovem gerou forte comoção em Quixeramobim. Em resposta à tragédia, o prefeito Cirilo Pimenta (PSB) anunciou, no dia 20 de fevereiro, o cancelamento do Carnaval na cidade.

A decisão foi tomada como forma de luto e respeito à família da vítima, além de um protesto simbólico contra a violência que chocou a comunidade.

O caso continua repercutindo na região, levantando debates sobre segurança e criminalidade.

A prisão de Márcio e seus comparsas trouxe um alívio parcial à população, mas também expôs a necessidade de medidas mais rígidas para combater atividades ilícitas como tráfico de drogas e exploração sexual. As autoridades seguem monitorando possíveis desdobramentos do caso, enquanto a família de Natany busca justiça para a jovem vítima desse crime brutal.

Fonte: br.keeping-health.com

África do Sul acusa Israel de usar fome como arma de guerra em Gaza

A África do Sul acusou hoje Israel de utilizar a fome como arma de guerra em Gaza por estar a bloquear desde domingo a ajuda humanitária ao enclave palestiniano.

“Ao impedir a entrada de alimentos em Gaza, Israel continua a utilizar a fome como arma de guerra”, acusou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul em comunicado, que “condena veementemente a recusa de Israel em permitir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza”, quando os 2,4 milhões de habitantes sob cerco têm “necessidade urgente de alimentos, abrigo e material médico”.

Como consequência do impasse nas negociações sobre o seguimento do acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel, o Governo de Benjamin Netanyahu impede, desde domingo, a entrada de ajuda humanitária à população palestiniana.

Relativamente à ofensiva israelita na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada, a África do Sul também condena as “operações militares israelitas em curso”, que “representam uma perigosa escalada”.

Em 21 de janeiro, as forças armadas israelitas lançaram uma operação contra grupos palestinianos armados no norte da Cisjordânia, um território ocupado por Israel desde 1967.

A África do Sul denunciou também a “violação contínua da soberania e da integridade territorial da Síria” por parte de Israel, onde os ataques aéreos israelitas contra instalações militares no sul do país se intensificaram nos últimos dias.

Após a queda do Presidente Bashar al-Assad, em dezembro, Israel enviou tropas para a zona-tampão desmilitarizada dos Montes Golã, no sudoeste da Síria, no limite da parte do planalto ocupada por Israel desde a guerra de 1967 e anexada em 1981. Esta anexação não é reconhecida pela ONU.

A campanha militar israelita contra Gaza foi desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas em 07 de outubro de 2023, que fez mais de 1.200 mortos e mais de 250 reféns.

A retaliação militar israelita fez mais de 48 mil mortos no enclave palestiniano.

Fonte: RTP Notícias

Governo Lula critica decisão de Israel de suspender entrada de ajuda em Gaza

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, divulgou nesta segunda-feira (3) uma nota em que critica a decisão israelense de suspender a entrada de ajuda humanitária em Gaza. O que, pelo Itamaraty, “exacerba a precária situação humanitária e fragiliza o cessar-fogo em vigor”.

No texto, o Brasil recorda que Israel “tem obrigação – conforme reconhecido pela Corte Internacional de Justiça em suas medidas provisórias de 2024 – de garantir a prestação de serviços básicos essenciais e assistência humanitária à população de Gaza, sem impedimentos”.

Ainda de acordo com o Itamaraty, a obstrução deliberada e o “uso político da ajuda humanitária” constituem grave violação do direito internacional humanitário.

“O Brasil insta as partes ao estrito cumprimento dos termos do acordo de cessar-fogo e ao engajamento nas negociações a fim de garantir cessação permanente das hostilidades, retirada das forças israelenses de Gaza, libertação de todos os reféns e estabelecimento de mecanismos robustos para ingresso de assistência humanitária desimpedida, previsível e na necessária escala”, completa a nota.

Resposta ao Hamas

Israel anunciou, no domingo (2), a interrupção da entrada de ajuda humanitária em Gaza após o Hamas rejeitar a extensão da primeira fase de cessar-fogo.

O acordo iniciou em janeiro e finalizou após dezenas de reféns israelenses e centenas de prisioneiros e detidos palestinos serem libertados no período.

O Hamas insistiu em avançar para o segundo estágio, acusando Israel de “manipulação contínua” com extensão proposta para cobrir o mês sagrado islâmico do Ramadã e o feriado judaico da Páscoa.

Fonte: CNN Brasil

Israel suspende toda a entrada de ajuda humanitária em Gaza

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciou ontem o congelamento de toda a ajuda que entra em Gaza em uma grande violação do acordo de cessar-fogo. A primeira fase de seis semanas do acordo de cessar-fogo, que entrou em vigor em 19 de janeiro, terminou oficialmente à meia-noite de sábado. No entanto, Israel não concordou em avançar para a segunda fase do acordo para pôr fim à guerra em Gaza.

“Nenhum caminhão entrou em Gaza nesta manhã e nenhum entrará” até novo aviso, escreveu Omer Dostri, porta-voz de Netanyahu, no X.

O Hamas denunciou imediatamente a decisão como “uma chantagem barata, um crime de guerra e um ataque descarado contra o acordo” de trégua.

O movimento palestino, que governa Gaza desde 2007, pediu que “os mediadores e a comunidade internacional pressionem” Israel para que “ponha fim às suas medidas punitivas e imorais contra mais de dois milhões de pessoas na Faixa de Gaza”, devastada após 15 meses de guerra, iniciada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra o sul de Israel.

O acordo inicial de cessar-fogo compreende três fases, cada uma com duração de 42 dias.

Durante a primeira fase, que esteve à beira do colapso várias vezes, o Hamas libertou 25 reféns e devolveu os corpos de outros oito a Israel, em troca da libertação de cerca de 1.800 prisioneiros palestinos.

A segunda fase, por enquanto hipotética, prevê a libertação dos reféns que permanecem em Gaza, em troca de vários centenas de prisioneiros palestinos, e o fim definitivo da guerra.

A última etapa deve focar na reconstrução do território palestino.

O acordo inicial inclui uma cláusula que prolonga automaticamente a primeira fase enquanto a segunda ainda estiver em negociação.

Fonte: Monitor do Oriente e Jornal de Brasília

Braskem em Maceió: 7 anos de crime, impunidade e massacre de suas vítimas

Lucro da empresa segue inabalável, enquanto as vítimas da mineradora resistem lutando por justiça

Por Neirevane Nunes*

Neste dia 3 de março de 2025, completam-se sete anos que o crime da Braskem veio à tona. São sete anos de impunidade e massacre das vítimas, especialmente, daquelas que ainda permanecem na área atingida, como as comunidades dos Flexais, Marques de Abrantes, Vila Saem e Bom Parto. A negligência da Braskem e do poder público perpetua um ciclo de violação de direitos, onde o lucro da empresa segue inabalável, enquanto as vítimas da mineradora resistem lutando por justiça.

A Braskem não cumpre sequer o acordo firmado em 2020 com a Força-Tarefa. Esse acordo, desde sua origem, abriu espaço para que a empresa conduzisse as indenizações de forma conveniente aos seus interesses, estabelecendo um precedente para outros acordos espúrios que se seguiram. Nós, vítimas, fomos obrigadas a assinar documentos de desocupação de nossos imóveis e entrega de chaves, nos quais estava registrado que a Braskem realizava essas ações com base no acordo com as autoridades, mas SEM QUALQUER ASSUNÇÃO DE RESPONSABILIDADE.

O acordo, homologado pela Justiça Federal em 2021, resultou na extinção da Ação Civil Pública n.º 0800139-45.2020.4.05.8000, movida contra a Braskem no sistema de justiça de Alagoas. No momento, o que permanece em andamento é a queixa-crime subsidiária movida pela Associação dos Empreendedores e Vítimas da Mineração em Maceió. No entanto, os atingidos pelo crime da Braskem ainda aguardam que o Ministério Público Federal também ingresse com uma ação penal, fundamentada nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.

O acordo excluiu diversos atingidos e não garantiu uma reparação integral com parâmetros claros e justos, como também não assegurou a participação efetiva das vítimas no processo. Nesse sentido, surgem as ações da Defensoria Pública de Alagoas (DPE) e do MUVB, que buscam corrigir essas injustiças. A DPE ingressou com ações para garantir a realocação dos moradores dos Flexais, o reajuste dos valores de indenização por danos morais e a compensação dos possuidores de jazigos no Cemitério Santo Antônio, que também foram afetados pelo crime da Braskem. O MUVB ainda entrou com uma ação exigindo a construção de um novo cemitério, assegurando um espaço digno para as famílias.

Sendo assim, sobre o acordo, podemos levantar sérias questões jurídicas e éticas. Ao omitir outros grupos afetados, além de moradores e empreendedores, e ao dar um “salvo-conduto” à empresa, podemos considerar que o acordo tem caráter parcial e contraria os princípios de justiça social e reparação integral. Por isso, como vítimas avaliamos esse acordo como ilegal e lesivo, o que reforça a necessidade de uma revisão criteriosa do acordo, com a inclusão de todos os grupos atingidos, para garantir uma reparação justa e integral.

O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) e a Associação de Empreendedores e Vítimas da Mineração solicitaram a revisão desse acordo através de um pedido de autocomposição, mas a Força-Tarefa se recusou a revisá-lo, consolidando a exclusão de muitas comunidades que continuam sendo lesadas pela Braskem. A situação se assemelha à retratada no filme “O Quanto Vale”, que narra a exclusão de vítimas do acordo de indenização do 11 de setembro. A diferença é que, em Maceió, a falta de ação é evidente e resulta de um alinhamento de interesses entre a empresa e instituições.

Para piorar, na última quinta-feira, 27 de fevereiro, a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) julgou um agravo de instrumento interposto pela Braskem e, por unanimidade, reformou a liminar da 3ª Vara Federal de Alagoas, de 30 de novembro de 2023. Essa é mais uma decisão tomada sem ouvir as comunidades lesadas pela mineradora e ignorando os riscos aos quais estas são submetidas, além de ignorar a situação de vulnerabilidade em que vivem. Ou seja, mesmo diante do risco geológico e da comprovação dos danos, a Braskem continua desrespeitando os direitos da população, contando com a anuência do sistema de justiça.

A Braskem, ao recorrer ao TRF5 contra a decisão que ampliou o programa de compensação, viola o espírito do acordo firmado com as autoridades em 2020. O acordo prevê o acompanhamento contínuo do processo de subsidência e estabelece que, conforme novos estudos comprovem a necessidade de inclusão de mais imóveis, haverá a ampliação da área afetada e do programa de compensação, com a realocação e indenização das famílias conforme a evolução do risco geológico. A recusa em reconhecer essa decisão fere os princípios da precaução e da reparação integral dos danos, desrespeitando o direito das vítimas à segurança e à indenização justa.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem reconheceu que a Braskem pode ter responsabilidade criminal, isso foi um passo fundamental para que a justiça seja feita. No entanto, de nada adianta esse reconhecimento se não houver punição efetiva. A Braskem não pode continuar impune. Além de responder pelos crimes que cometeu, deve ser responsabilizada também pelo descumprimento do acordo de 2020 e pela permanência de vítimas em situação de extrema vulnerabilidade.

As vítimas da Braskem exigem justiça. Não aceitaremos mais omissão, não aceitaremos mais acordos dos quais não participamos e que beneficiam apenas a mineradora, não aceitaremos mais a perpetuação da impunidade. Chega de massacre! Chega de negligência! A Braskem precisa pagar pelos seus crimes e reparar integralmente todas as suas vítimas.

*Bióloga e militante do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração – MAM

Fonte: 082 Notícias

PM é preso por estupro de adolescente de 13 anos em SP

Um policial militar da reserva foi preso acusado de estuprar uma adolescente de 13 anos em Peruíbe, no litoral paulista.

O caso teria acontecido no sábado (1º) na casa do acusado. Ele convidou familiares e vizinhas para beber em casa, e uma das convidadas notou o sumiço da filha de 13 anos.

Ao procurar a menina, ela a teria encontrado com sangramento genital e um estado de vulnerabilidade que poderia ser causado por álcool ou drogas, e o policial estaria acima da menina.

A mãe, então, começou a gritar, e o policial fugiu de carro do local. A mãe então foi até o Distrito Policial registrar o boletim de ocorrência. O filho do suspeito entrou em contato com o pai, que se entregou. Ele foi detido no Batalhão da PM.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a prisão, mas não deu detalhes. “O caso é investigado pela delegacia da cidade. Demais detalhes serão preservados devido à natureza do crime”.

Fonte: Metrópoles

Eduardo Bolsonaro se desespera com possível apreensão de seu passaporte

Foragido nos EUA, o blogueiro Allan dos Santos já aconselha o filho de Jair Bolsonaro a não retornar ao Brasil para não ser preso

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está em pânico diante da possibilidade de ter seu passaporte apreendido e ser investigado e até mesmo preso por conspiração contra o Brasil. Em uma série de declarações nos últimos dias, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificou ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tenta se vitimizar por ser alvo de representações na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Eduardo Bolsonaro viajou ao menos três vezes aos Estados Unidos desde a posse do presidente Donald Trump, em janeiro, e segue no país da América do Norte – abandonando completamente seu “trabalho” como deputado federal em Brasília. Ele tem articulado com políticos do Partido Republicano sanções contra o próprio país e tentando impedir a entrada de Moraes em território americano. Essa conduta resultou em ações recentes contra ele no Conselho de Ética da Câmara e na PGR, protocoladas por deputados petistas, que pedem a cassação de seu mandato e apreensão de passaporte por crime de lesa-pátria e tentativa de coação ao Judiciário brasileiro.

Diante da iminência de Eduardo Bolsonaro ter seu passaporte apreendido ou ser preso, o blogueiro foragido Allan dos Santos, que fugiu para os EUA para evitar o cumprimento de ordem de prisão no Brasil, não hesitou em aconselhar Eduardo a permanecer no exterior. Em uma publicação curta, mas reveladora, o extremista de direita escreveu: “O @BolsonaroSP não deveria voltar para o Brasil.” O recado, vindo de alguém que já buscou refúgio nos EUA para escapar da Justiça brasileira, escancara o temor de que o deputado bolsonarista possa acabar atrás das grades caso retorne ao país.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, parece cada vez mais acuado. Em um vídeo publicado nesta segunda-feira (3), tentou minimizar sua atuação contra o Brasil no exterior e disparou ataques a Moraes. Em tom de indignação, afirmou:

“Obviamente, isso não tem nada a ver com a possibilidade de eu ser presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Afinal de contas, eles sabem que nessa posição, muitas portas, não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro, se abririam para mim. E é um perigo para todo regime uma pessoa denunciar os crimes que esse regime tem feito”. 

Além de tentar se apresentar como vítima, Eduardo usou a retórica conspiratória para sugerir que Moraes estaria manipulando os processos contra ele em conluio com deputados petistas.

A postura do parlamentar destoa do tom desafiador que adotava anteriormente. Em outra gravação recente, em que tentava se mostrar valente, chegou a dizer que só seria silenciado se “mandassem cortar sua língua”. Agora, com a recomendação explícita de Allan dos Santos para que não volte ao Brasil, a narrativa mudou: o que antes era um embate “pela liberdade” parece estar se transformando em medo real da cadeia. 

A PGR analisa a possibilidade de apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro e, caso a medida seja deferida, ele poderá perder o direito de continuar viajando aos Estados Unidos para conspirar contra o Brasil. A representação apresentada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) acusa o filho de Bolsonaro de atentar contra o interesse nacional e buscar embaraçar investigações conduzidas pelo STF que apuram tentativa de golpe de Estado e que devem levar o pai do deputado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, à cadeia. 

Entenda 

Na última quinta-feira (27), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma representação à PGR solicitando uma investigação contra Eduardo Bolsonaro. No documento, ele pede que o Ministério Público Federal adote providências contra o deputado do PL e avalie a apreensão de seu passaporte, impedindo-o de continuar viajando aos EUA para conspirar contra o Brasil.

Correia argumenta que Eduardo Bolsonaro “patrocina, em Estado estrangeiro, retaliações contra o País e também contra um dos integrantes do Supremo Tribunal Federal”, além de buscar “causar embaraço à investigação em curso no STF”.

A representação cita uma reportagem da Fórum revelando que Eduardo Bolsonaro já esteve nos EUA ao menos três vezes desde a posse de Donald Trump, em 20 de janeiro de 2025, articulando com deputados republicanos a aprovação de um projeto de lei para impedir a entrada de Alexandre de Moraes no país. O documento foi aprovado em um Comitê da Câmara dos EUA e segue agora para votação no plenário da Casa Legislativa americana.

Correia argumenta que a conduta do filho de Bolsonaro pode ser enquadrada como crime contra o interesse nacional e cita os artigos 2º da Lei 12.850/2013, que trata de organização criminosa, e o artigo 344 do Código Penal, que pune a coação no curso do processo.

Ação no Conselho de Ética

O PT, representado pela presidenta Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), ingressou, também na última quinta-feira (27), com pedido de abertura de procedimento para investigar uma possível quebra de decoro parlamentar de Eduardo Bolsonaro por conspirar contra o Brasil na articulação que tem feito junto a parlamentares republicanos e o governo Trump nos EUA.

Na representação, entregue ao presidente da Câmara Hugo Motta, o PT pede a “abertura de processo ético disciplinar, por quebra de decoro parlamentar do Deputado ora Representado” para ser analisado “à luz das penalidades descritas no art. 10 do Código de Ética e Disciplina Parlamentar”.

O artigo citado prevê quatro penalidades ao deputado, caso seja condenado: censura verbal ou escrita, suspensão de prerrogativas regimentais por até seis meses, suspensão do exercício do mandato por até seis meses ou perda de mandato.

Fonte: Revista Fórum

Prêmio para ‘Sem Chão’ incomoda o governo de Israel e seus aliados

Os codiretores, o ativista palestino Basel Adra e o jornalista israelense Yuval Abraham, passaram cinco anos fazendo o filme, que mostra soldados israelenses destruindo casas e despejando moradores para criar um campo de treinamento militar e a invasão de colonos judeus na comunidade palestina.

“Sem Chão” (No Other Land, no título original), um filme sobre o deslocamento de uma comunidade palestina em Israel, ganhou o Oscar de melhor documentário no domingo, e seus diretores fizeram um apelo ao mundo para ajudar a acabar com o conflito e acusaram os Estados Unidos de bloquear uma solução. A premiação, para o ministro da Cultura de Israel, Miki Zohar, trata-se de “um momento triste para o mundo do cinema”, disse, visivelmente incomodado com a repercussão mundial do atos extremistas levados pelas forças israelenses aos palestinos.

Os codiretores, o ativista palestino Basel Adra e o jornalista israelense Yuval Abraham, passaram cinco anos fazendo o filme, que mostra soldados israelenses destruindo casas e despejando moradores para criar um campo de treinamento militar e a invasão de colonos judeus na comunidade palestina. A premiação também foi mal recebida na Casa Branca, aliada a Tel Aviv.

O documentário destaca as realidades paralelas em que os dois amigos vivem — Abraham com sua placa amarela israelense que o deixa viajar para qualquer lugar, Adra confinado em um território que só fica menor para os palestinos.

Gaza

“‘Sem Chão’ reflete a dura realidade que temos enfrentado por décadas e ainda resistimos enquanto pedimos ao mundo que tome medidas sérias para acabar com a injustiça e a limpeza étnica do povo palestino”, disse Adra ao subir ao palco.

Ao lado de seu codiretor, Abraham acrescentou: “Fizemos este filme, palestinos e israelenses, porque juntos nossas vozes são mais fortes. Nós vemos uns aos outros, a destruição atroz de Gaza e seu povo, que deve acabar, os reféns israelenses brutalmente capturados no crime de 7 de outubro, que devem ser libertados”.

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