Ainda Estou Aqui vence Oscar de melhor filme estrangeiro

O cinema brasileiro fez história na noite de hoje (3) na 97ª edição do Oscar, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, foi o grande vencedor na categoria de melhor filme internacional. Uma conquista inédita para o cinema brasileiro. 

O filme brasileiro superou Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha), A Garota da Agulha (Dinamarca) e Flow (Letônia).

Walter Salles dedicou a conquista para Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva desaparecido na ditadura, cuja busca em saber o destino do marido norteou o roteiro do filme. Em seu discurso de agradecimento, o cineasta brasileiro também ressaltou os trabalhos de Fernanda Torres, e sua mãe, Fernanda Montenegro.

Indicado também para a estatueta de melhor filme, Ainda Estou Aqui perdeu para Anora, maior vencedor da festa com cinco estatuetas no total.

Fernanda Torres, indicada ao prêmio de melhor atriz, não levou a estatueta, que acabou nas mãos de Mikey Madison, de Anora. Mesmo assim Fernanda Torres entra na história do cinema repetindo sua mãe, Fernanda Montenegro, que foi indicada na edição de 1999 do Oscar como melhor atriz, mas a laureada foi a estadunidense Gwyneth Paltrow.

Clima de Copa do Mundo

A coincidência das datas da maior premiação do cinema com o carnaval brasileiro acabou em clima de torcida da Copa do Mundo. Máscaras de Fernanda Torres e de Selton Mello (intérprete de Rubens Paiva), fantasias da estatueta dourada do prêmio, boneco gigante de Olinda, entre outras referências ao Oscar, estiveram presentes em desfiles e blocos carnavalescos pelo país inteiro.

Com suas indicações, o filme de Walter Salles sobre o desaparecimento do deputado Rubens Paiva (1929-1971) e a saga de sua esposa Eunice Paiva (1929-2018) já chegou vitorioso à festa da indústria cinematográfica.

Especialistas consultados pela Agência Brasil disseram que, entre as qualidades do filme, estão a capacidade de abordar o passado de uma forma diferente e a maneira como a obra conseguiu dialogar com os tempos atuais.

O livro autobiográfico que nomeia o filme, de autoria de Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens e Eunice,  foi para o topo das listas dos mais vendidos. O próprio caso Rubens Paiva ganhou novos desdobramentos recentemente. Por determinação da Justiça, em janeiro deste ano a certidão de óbito do ex-deputado foi corrigida. Na versão original do documento, ele foi tido como “desaparecido político”. Na nova redação, consta agora que sua morte foi violenta, causada pelo Estado brasileiro.

Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu analisar se a Lei da Anistia, adotada com o fim do regime de exceção, se aplica ou não a crimes de sequestro e cárcere privado cometidos na época da ditadura militar brasileira.

Os premiados nas 23 categorias foram:

Ator coadjuvante – Kieran Culkin, em A verdadeira dor

Animação – Flow

Curta-metragem animado – In The Shadow of Cypress

Figurino – Wicked

Roteiro original – Anora

Roteiro adaptado – Conclave

Maquiagem e penteado – A substância

Edição – Anora

Atriz coadjuvante – Zoe Saldaña, por Emília Pérez

Design de produção – Wicked

Canção original – El Mal, de Emilia Pérez

Documentário de curta-metragem – A única mulher na orquestra

Documentário   – No other land

Som – Duna: Parte 2

Efeitos visuais: Duna: Parte 2

Curta-metragem em live-action – I´m not a robot

Fotografia – O Brutalista

Filme internacional – Ainda estou aqui

Trilha sonora  – O Brutalista

Ator –Adrien Brody, em O Brutalista

Direção – Sean Baker, de Anora

 Atriz – Mikey Madison, em Anora

Filme – Anora

Fonte: Agência Brasil

Bolsonarista é preso por tentar invadir STF com bomba

Um homem de 52 anos foi preso ontem, em Brasília, por ter tentado invadir a sede do Supremo Tribunal Federal.

O que aconteceu
O suspeito pulou a cerca do tribunal e tentou entrar no prédio na última quarta-feira. O homem, que não teve o nome revelado, “proferiu diversas ameaças, ofensas e hostilizações a ministros do Supremo”, segundo a Polícia Civil do DF.

Homem foi preso dois dias depois da invasão. Ele foi encontrado ontem em sua casa em Samambaia, na região metropolitana de Brasília, após a investigação apontar que ele “planejava ações extremistas”. Os agentes fariam apenas buscas e apreensões, mas o suspeito resistiu à abordagem e tentou agredir os policiais. A PCDF afirma, então, que fez “uso moderado da força” e o prendeu em flagrante por resistência e desacato.

Preso tinha materiais perigosos em casa. Segundo a PCDF, ele estava com “bilhetes confirmando as suas intenções violentas, bem como um artefato para a construção de bomba caseira”, além de um casaco de uso exclusivo da Polícia Militar do DF.

Polícia apura motivações do ataque. A PCDF afirma que as investigações buscam “mais elementos de informação que corroborem o crime de apologia ao crime e ameaças aos ministros do Supremo”.

Redação com Uol

ACONTECEU AQUI E LÁ

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 02 de março de 2025

Duas vergonhas viraram noticia essa semana, uma vinda da terra do Tio Sam e outra produzida aqui mesmo em terras genuinamente tupiniquim.
Não sei por onde começar, acho que vou fazer um bem bolado, pois os dois se locupletam ou nem tanto.

Aqui no Brasil o inelegível teve a brilhante ideia de ser entrevistado por ninguém menos que Léo Dias, uma cópia masculina da Sônia Abrão, guardadas todas as proporções de língua e de fala, é claro! Uma saraivada de caras e bocas que não foi ensaiada nos camarins do SBT, Léo Dias é o famoso; “sem papas na lingua”, um moedor de cana sem freio para o bem e para o mal, que colocou o ex presidente em situações vexatórias com algumas verdades sobre sua iminente prisão, golpe, inegelebilidade, etc.
Ah, mas audiência bombou, sim verdade, mas prefiro a discrição com meia dúzia de internautas assistindo sem dar like, que passar tamanha vergonha no crédito, no débito e no pix.

A outra vergonha foi mundial, uma novela escrita pelos americanos ao longo de décadas com um roteiro tão conhecido que a mais antiga profissão no mundo.
Funciona assim; os EUA acham um “palhaço” em outro país e investem nele, convencendo a população que o elemento é ideal para governar o país, gastam muito dinheiro e no meio do mandato aparece uma guerra e mais uma vez os gringos derramam dólares e no final da trama a conta vem com uma fatura detalhada e o alvo são as riquezas naturais do país subalterno.
Aqui no Brasil o script tava pronto e o circo armado, mas não contavam que Lula rasgaria a lona e destruiria o picadeiro expulsando qualquer chance de ver os americanos transformarem o brazucas outra vez em colonizados.

Zelensky caiu como um patinho nessa arapuca e o golpe fatal veio ao vivo direto da Casa Branca, um bombardeio de Trump e seu vice, J. D Vance foi lançado em direção ao ucraniano, que ficou acuado em saber que o amigo de ontem, agora é o franco atirador de hoje. Zelensky pagou pra ver e vai pagar mais ainda, porque se ele correr os EUA pegam e se ficar s Rússia come. Triste fim de palhaço eleito presidente de um país, agora sem graça.

Em 2026 Trump vem com tudo pra cima da gente e um novo palhaço tupiniquim vai surgir, podendo ser um ator, um apresentador, um “cristão” e até mesmo um cantor sertanejo.
Abramos os olhos, pois um “Zé Lensque” verde amarelo tá sendo ensaiado. “ouremos”

Reflexões* Flávio Show 2025 , ano 05 – Edição 220

Filme Ainda Estou Aqui pode afetar Lei da Anistia, levando 18 ações a julgamento

O legado do filme “Ainda Estou Aqui” pode ser muito maior que as três estatuetas inéditas que a película pode garantir ao cinema brasileiro no Oscar neste domingo (2). O filme provocou ampla discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) e a Corte decidirá se a Lei da Anistia se aplica a casos de desaparecimento de vítimas da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Um levantamento da Agência Pública mostra que das 56 ações criminais divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2012 e 2024, 18 seriam destravadas, caso a Corte decida afastar a Lei de Anistia nestes casos.

No último dia 24 de fevereiro, o STF, por unanimidade, decidiu que vai analisar se a Lei de Anistia se aplica a casos de desaparecimento, mas ainda não há data para o julgamento. O STF analisou recursos do MPF, que tramitam na corte sobre as ações penais envolvendo os desaparecimentos de Rubens Paiva e Mario Alves e o assassinato de Helber José Gomes Goulart, cujo corpo ficou desaparecido por 19 anos. A Corte seguiu o relatório do ministro Alexandre de Moraes e entendeu que cabe a repercussão geral do assunto, ou seja, o que o STF vier a decidir vai se aplicar a casos semelhantes que tramitam na Justiça e que estão travados por diferentes motivos.

Ganhador de prêmios internacionais, o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, conta como Eunice Paiva (viúva de Rubens Paiva, interpretada por Fernanda Torres) liderou a família em meio ao luto e se transformou em uma advogada respeitada na luta por direitos humanos no Brasil, e é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho do deputado cassado que foi morto sob tortura em janeiro de 1971. O corpo do político jamais foi encontrado. 

Por que isso importa?

  • Popularidade do filme indicado ao Oscar jogou nova luz sobre a ditadura e, em um período em que a cessão de anistia volta a ser uma pauta, o Brasil ganha nova chance de responsabilizar e punir autores de crimes até então impunes, reforçar a importância da defesa da democracia e prestar respeito a familiares e vítimas do regime militar.

Entre 2012 e 2024, o MPF ajuizou ao menos 56 ações penais contra ex-agentes da repressão da ditadura. A instituição entende que a Lei de Anistia não se aplica para beneficiar os autores de violações de direitos humanos no período da ditadura militar brasileira, marcado por ataque sistemático a uma parcela da população que, com ou sem armas, se opunha ao regime. Os crimes praticados neste contexto seriam contra a humanidade e não prescreveriam, cabendo às autoridades brasileiras processá-los e julgá-los. 

A prescrição é o limite de tempo previsto no artigo 189 do Código Civil que define até quando uma ação judicial pode ser movida para que um direito seja assegurado – vale desde cobranças até para a punição por crimes.

Em dezembro, ao analisar um recurso em uma ação sobre um caso de ocultação de cadáver de uma vítima da campanha militar das Forças Armadas contra a Guerrilha do Araguaia na ditadura, o ministro do STF Flávio Dino citou o filme ao decidir que o tema era de repercussão geral.  

“No momento presente, o filme ‘Ainda Estou Aqui’ tem comovido milhões de brasileiros e estrangeiros. A história do desaparecimento de Rubens Paiva, cujo corpo jamais foi encontrado e sepultado, sublinha a dor imprescritível de milhares de pais, mães, irmãos, filhos, sobrinhos, netos, que nunca tiveram atendidos seus direitos quanto aos familiares desaparecidos. Nunca puderam velá-los e sepultá-los, apesar de buscas obstinadas como a de Zuzu Angel à procura do seu filho”, afirmou. 

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região já decidiu afastar a Lei da Anistia para casos de desaparecimento ao julgar recurso sobre o desaparecido Carlos Zaniratto, um ex-soldado do Exército que desertou para seguir Carlos Lamarca na Vanguarda Popular Revolucionário (VPR), como mostrou a Pública.

Até 200 novas ações ainda poderiam buscar culpados por crimes na ditadura 

O levantamento feito pela reportagem da Pública apontou que, além dos casos de Rubens Paiva, Mario Alves e Helber Goulart, outras 15 ações penais poderão ser afetadas – 32% das ações propostas pelo MPF – e os acusados poderiam ser responsabilizados e punidos. Outros 15 casos permanecerão impunes, uma vez que os envolvidos faleceram ou as ações já transitaram em julgado.  

São 15 ações semelhantes às três já em discussão no STF: 

  • Oito são como o processo de Rubens Paiva, nos quais o MPF denunciou crimes como homicídio e incluiu a ocultação de cadáver, a exemplo de Virgílio Gomes da Silva, que participou do sequestro do embaixador dos EUA, Charles Burke Ellbrick, e que foi morto sob tortura, em 1969, mas o corpo, sepultado como desconhecido no cemitério de Vila Formosa, nunca encontrado;
  • Três são como o de Mário Alves, jornalista e dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, possivelmente morto em janeiro de 1970 e cujo corpo jamais foi encontrado. No caso de Alves, o MPF denunciou o desaparecimento como sequestro qualificado, por entender que não havia informações sobre o paradeiro do corpo e das circunstâncias da morte presumida. Outro caso semelhante é o do corretor de valores Edgar Aquino Duarte, preso que ficou por mais tempo no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) de São Paulo, entre 1971 e 1973, e cuja data da morte e desaparecimento é incerta;
  • Quatro são como o de Helber Goulart, ex-militante do PCB, e que foi preso quando integrava a ALN e morto por agentes do Doi-Codi em 1973. No caso dessas vítimas, o MPF denunciou ex-legistas, como Harry Shibata, que alterou informações no laudo de necropsia de Goulart, o que dificultou por 19 anos a localização de seus restos mortais, sepultados no Cemitério de Perus. 

Se a discussão no STF tivesse iniciado mais cedo, o número de casos poderia ser bem maior, uma vez que 33 das ações movidas pelo MPF (59% do total) são de desaparecimento. 

O Brasil perdeu a oportunidade de julgar os responsáveis pelo desaparecimento de 15 vítimas. Em nove casos, os réus já morreram e as ações se extinguem com a morte dos acusados (aqui se enquadram, por exemplo, quatro ações contra Sebastião Curió Rodrigues de Moura, que comandou a campanha de extermínio contra a Guerrilha do Araguaia, e morreu em 2022, aos 87 anos). Outros seis foram extintos por decisões da Justiça. O MPF não pode pedir reabertura de ações penais que transitaram em julgado. 

“Se as decisões que bloquearam a continuidade das ações penais transitaram em julgado  não tem muito o que fazer porque não há revisão penal em prol da acusação em nosso sistema de processo penal”, afirma o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça e ex-Vice-Procurador-Geral Eleitoral. 

Aragão ressalta, porém, que novas ações poderão ser propostas pelo MPF relativas a outros casos de desaparecimento, que giram em torno de 200 dos 434 registros apontados no relatório da Comissão Nacional da Verdade e essas ações “não terão qualquer obstáculo prescricional”. 

A procuradora regional da República Eugênia Augusta Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, concorda: “tem muita gente viva ainda que não foi processada”, referindo-se a agentes da repressão autores de graves violações de direitos humanos na ditadura.

Ações criminais que podem ser destravadas caso o STF julgue que a Lei da Anistia não vale para casos de desaparecimento:

  1. Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher;
  2. Ana Rosa Kucinski Silva, Armando Teixeira Frutuoso, David Capistrano da Costa, Eduardo Collier Filho, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, João Batista Rita, João Massena Melo, Joaquim Pires Cerveira, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Thomaz Antonio da Silva Meirelles Netto e Wilson Silva;
  3. André Grabois, João Gualberto Calatrone e Antonio Alfredo de Lima;
  4. Aylton Adalberto Mortati;
  5. Carlos Nicolau Danielli;
  6. Carlos Roberto Zanirato;
  7. Divino Ferreira de Souza;
  8. Edgar Aquino Duarte;
  9. Elson Costa;
  10. Helber José Gomes Goulart;
  11. Joaquim Alencar de Seixas;
  12. Manoel Lisboa de Moura e Emanuel Bezerra dos Santos;
  13. Mário Alves de Souza Vieira;
  14. Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão);
  15. Paulo de Tarso Celestino da Silva;
  16. Rubens Beyrodt Paiva;
  17. Sônia Maria de Moraes Angel Jones e Antônio Carlos Bicalho Lana;
  18. Virgílio Gomes da Silva.

Familiares de vítimas do período da ditadura militar ainda lutam por respostas e respostas do Estado quanto à punição dos responsáveis por desaparecimentos e mortes

Lei da Anistia: casos sem desaparecimento não poderão ser revistos

Pela forma como os ministros do STF votaram para que os casos de desaparecimento sejam analisados na repercussão geral não é possível afirmar que a Lei de Anistia será afastada em plenário, mas já é possível observar que 23 ações (41% do total) ficariam de fora do entendimento, já que não envolvem desaparecimento. São casos em que os corpos das vítimas foram entregues às famílias ou em que não houve homicídio, como em denúncias de tortura feitas pelo MPF.

Não seriam atingidos pelo resultado da repercussão geral casos rumorosos como o do Atentado do Riocentro, o processo que apura os estupros sistemáticos sofridos por Inês Etienne Romeu, a única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis (RJ), o processo que denuncia os acusados pela morte de Vladimir Herzog, ou processar os torturadores de Frei Tito, frade dominicano acusado de integrar a Aliança Nacional Libertadora, de Carlos Marighella, torturado por um mês e que, após ser trocado pela liberdade do embaixador suíço Giovanni Bucher, exilou-se na França, onde se matou aos 28 anos.  

Segundo o advogado Eugênio Aragão, uma vez analisada a repercussão e decidido que a Lei de Anistia não se aplica a casos de desaparecimento, o efeito de decisão é imediato e “poderão ter curso normal” as 18 ações. Um outro cenário é de que a decisão pode ser modulada, ou seja, aplicada a casos de desaparecimento, mas com ressalvas, a exemplo dos casos em que houve também ocultação de cadáver, crime entendido como contínuo até a localização do corpo – nesse caso, apenas nove ações poderiam prosseguir.

Uma outra possibilidade seria a de afastar a Lei da Anistia em casos de desaparecimento, mas também internalizar decisões de cortes internacionais sobre violações de direitos humanos no Brasil, permitindo que todas as ações penais em que os réus não morreram ou não foram arquivadas pela Justiça terminassem, o que destravaria 39 ações. 

“Quando vejo o número de processos que ainda teriam chance de punição a depender do resultado da repercussão geral, entendo que é mais um reflexo da não-Justiça”, reflete a procuradora Eugênia Gonzaga, que desde 2007 defende que crimes cometidos por ex-agentes da ditadura são passíveis de punição. 

Fonte: Agência Pública

Eleições na Alemanha: uma grande rejeição

Diferente da abordagem da grande mídia, publicamos um resumo do artigo de Stéphane Marati, do semanário francês Informations Ouvrières (n° 847), órgão do Partido Operário Independente – A Redação

O apoio à guerra do governo de coligação do SPD (socialista), dos Verdes e do FDP (liberal) levou o país à desindustrialização massiva. A política de liquidação dos serviços públicos e de conquistas em nome do financiamento do esforço de guerra, sob ordens dos EUA, foi severamente sancionada nas urnas: o SPD teve seu pior resultado desde 1990 e perdeu 3,8 milhões de votos. Os Verdes perderam um milhão. O FDP desapareceu do Parlamento. Não é muito melhor para a direita CDU/CSU que avança em relação à crise de 2021, mas teve a segunda pior pontuação da história com 28,5%.

A rejeição é imensa. Os compromissos e os recuos em nome da estabilidade do poder, arruinaram aqueles que nisso se afundaram e, pior, fortaleceu a reação: o partido de extrema direita AfD, apoiado por Elon Musk, obteve 5,5 milhões de votos.

Já a Aliança Sarah Wagenknecht (BSW) que concorreu pela primeira vez ao Bundestag recebeu 2,5 milhões de votos, 4,97%, ficando pouco abaixo da barreira de 5% para entrar no parlamento. Na verdade, seu voto a favor da lei apresentada pela CDU no começo do mês, e apoiada pelo AfD, com o objetivo de restringir a imigração, teve um papel decisivo e gerou uma crise interna. 

Essa votação – que quebrou o isolamento histórico da AfD – ajudou a normalizar a extrema direita e desencadeou grandes mobilizações que reuniram mais de 800.000 alemães. Denunciar a imigração no lugar e ao invés da política do capital – que precisa de mão de obra estrangeira e a utiliza para dividir a classe trabalhadora – é um beco sem saída. O partido Die Linke (A Esquerda) beneficiou-se entre os jovens dessa rejeição legítima da AfD, dos partidos estabelecidos e do vácuo político – partindo de 3% nas pesquisas algumas semanas antes de participar das enormes manifestações, terminou com 8,7%, dois milhões de votos.

“AS EXIGÊNCIAS ESTÃO DEFASADAS EM RELAÇÃO AOS TEMPOS” (GOVERNO)

Diante de greves e disputas salariais no setor público, a resposta do governo é que “as demandas estão fora de sintonia com os tempos”.

Christiane Benner, presidente do poderoso sindicato IG Metall, deu o tom: “Estamos correndo contra o tempo. A indústria e os trabalhadores não podem esperar meses por perspectivas claras”. Ainda mais surpreendente, Heidi Reichinnek, a estrela parlamentar do Die Linke, declarou: “Estamos prontos para cooperar com todos os partidos democráticos no Bundestag a fim de garantir a estabilidade política”. Um refrão já ouvido na França e em outros lugares. O deputado do Die Linke, Bodo Ramelow, ex-presidente do Land da Turíngia, até considera trabalhar com um governo liderado pela CDU, pois o Die Linke no Bundestag é “tão capaz de fazer concessões quanto o minha bancada n a Turíngia” (Der Spiegel). O medo, os compromissos e os recuos levarão ao desastre. Para eles e para a sociedade. Os trabalhadores não aceitarão isso.

Fonte: Petista.org.br

Com superlotação e sobrecarga de trabalho, Unidade de Emergência do Agreste pede socorro

A Unidade de Emergência do Agreste em Arapiraca está literalmente na UTI.

Pede socorro ou os serviços podem colapsar a qualquer momento, como mostram as imagens, gravadas na última terça-feira, 25/2/2025.

  • Pacientes em macas ficam na fila, aguardando ou sendo atendidos. Um deles está em uma cadeira, porque não há leitos para todos;
  • Acompanhantes ficam sentados em cadeiras improvisadas ao lado de camas. Cadeiras, aliás, improvisadas, quebradas ou remendadas.

Mas a situação fica pior entre sexta e domingo.

A maioria dos funcionários é contratada, sem direito a férias, atestado médico, décimo terceiro, licença maternidade.

Para eles, a cruel lei da selvageria do mercado: ficou doente, é demitido.

A demissão dos vigilantes nas unidades de saúde- medida adotada pelo Governo para conter despesas- tornou a Unidade de Emergência do Agreste lugar ainda mais difícil de trabalhar. Porque houve servidores agredidos, ameaçados, tentativa de estupro e assaltos no estacionamento, além de roubos de motocicletas e bicicletas.

Fonte: Repórter Nordeste

PF deflagra ação para apreender madeira ilegal de terra indígena no Pará

A operação foi deflagrada com apoio da Funai para reprimir crimes ambientais voltados à exploração de floresta Kayapó.

A Polícia Federal, com o apoio da Funai, deflagrou a operação Excelsa na quinta-feira. O objetivo é reprimir a extração e comercialização de madeira extraída da Terra Indígena Kayapó, no município de Cumaru do Norte/PA.

Três caminhões foram apreendidos saindo de terra indígena carregados com toras de castanheira, cedro e cumaru, com destino a madeireiras de Cumaru do Norte/PA. Em duas madeireiras foram encontradas dezenas de toras, possivelmente castanheiras, e madeira serrada pronta para transporte, sem funcionários presentes. Em uma terceira madeireira, havia grande quantidade de toras, centenas de metros cúbicos de madeira serrada e um caminhão sendo carregado, possivelmente com tábuas de castanheira.

Ao final da operação, foram apreendidos quatro caminhões, dezenas de toras de madeira e dois aparelhos celulares. A responsável pela terceira madeireira estava no local no momento da abordagem policial.

Os responsáveis pelas madeireiras foram identificados, mas as investigações prosseguem visando a identificação e responsabilização dos compradores da madeira serrada.

PF e IBAMA concluem fiscalização no Rio São Francisco

Nesta sexta-feira, a Polícia Federal e o Ibama encerraram a Operação Carrancas, realizada entre os dias 24 e 28 de fevereiro, com o objetivo de fiscalizar as margens do Rio São Francisco e combater crimes ambientais, especialmente a pesca ilegal durante o período de defeso.

Durante a operação, foram apreendidos e destruídos cerca de mil covos irregulares, equipamentos utilizados para capturar pitu, mas que também retêm outras espécies, como traíra, tilápia, tucunaré e siri. Além disso, aproximadamente 5 mil pitus foram resgatados e devolvidos ao rio.

Os apetrechos apreendidos estavam em desacordo com as normas ambientais. O uso desses equipamentos inadequados compromete a biodiversidade, altera a cadeia alimentar do rio e reduz os estoques naturais, ameaçando a sustentabilidade da pesca na região.

A Operação Carrancas reforça a importância da fiscalização contínua para coibir práticas predatórias e incentivar métodos de pesca mais responsáveis e a Polícia Federal intensificará as ações ao longo do Rio São Francisco.

Denúncias de crimes ambientais podem ser feitas anonimamente através da canal Comunica PF, disponibilizado no site da Polícia Federal.

Fonte: Correio do Brasil

Gaza vacina 600 mil crianças contra a poliomielite

Uma recente campanha de vacinação contra a poliomielite na Faixa de Gaza alcançou ao menos 602.795 crianças nos últimos cinco dias, confirmou nesta quinta-feira (27) o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus.

Segundo Ghebreyesus, o cessar-fogo, em curso desde 19 de janeiro, via acordo entre Israel e o grupo palestino Hamas, permitiu que crianças que haviam perdido a campanha prévia recebessem uma dose do imunizante.

O oficial das Nações Unidas reiterou que erradicar a pólio depende de garantir que todas as crianças de Gaza recebem a imunização completa, para além de seus direitos ao acesso a água limpa, higiene e nutrição adequada.

Ghebreyesus destacou, porém, que o único tratamento de que as crianças de Gaza realmente precisam é uma “paz duradoura”.

A bem-sucedida campanha de vacinação contra a pólio ocorreu por meio de uma colaboração entre o Ministério da Saúde de Gaza, a OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

O Ministério da Saúde lançou a campanha no sábado (22), ao citar apreensões sobre o ressurgimento da pólio após encontrar traços do vírus em sistemas de esgoto, destruídos pelos bombardeios indiscriminados de Israel.

O poliovírus foi detectado em esgotos a céu aberto de Gaza no fim de julho de 2024, quando Israel assumiu medidas para vacinar suas tropas.

Duas rodadas de imunização, em setembro e outubro, alcançaram 95% da meta, no entanto, com restrições de acesso a áreas ao norte, sobretudo Jabalia, Beit Lahiya e Beit Hanoun, deixando sete mil crianças não vacinadas.

Em agosto, um bebê de dez meses foi identificado como o primeiro caso sintomático de poliomielite em Gaza em mais de 25 anos.

Fonte: Monitor do Oriente

Lula anuncia Gleisi ministra, responsável pela articulação política do governo

Chefe do Executivo nomeou a atual presidente nacional do PT para substituir Alexandre Padilha. Posse da nova ministra da SRI ocorre dia 10 de março

O presidente Lula (PT) fez mais um movimento da reforma ministerial nesta sexta-feira (28). Com a troca no Ministério da Saúde — saiu Nísia Trindade e entrou o deputado federal licenciado Alexandre Padilha (PT-SP) — ficou vaga a SRI (Secretaria de Relações Institucionais) da Presidência da República, que era ocupada por Padilha.

O Planalto acaba de anunciar a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) como nova ocupante da SRI. Atual presidente nacional do PT, Gleisi toma posse na SRI, dia 10 de março.

Lula já havia demonstrado intenção de nomear Gleisi para a pasta, o que foi sinalizado quando o presidente a convidou para acompanhá-lo em viagem ao Uruguai, nesta sexta-feira. Além disso, Lula defendeu a necessidade de postura mais firme na articulação política do governo, em particular no Congresso Nacional.

RAPIDEZ E COMBATIVIDADE

O presidente elogiou a competência de Nísia e defendeu a mudança em entrevista ao programa Balanço Geral Litoral, da Record.

Nos bastidores, aliados do presidente apontam que ele tem se mostrado insatisfeito com a falta de embates políticos na relação com o Congresso. Durante as discussões sobre o novo comando da SRI, Lula destacou que a nomeação de Gleisi é oportunidade para que ela demonstre essa habilidade de articulação.

Lula também vê na escolha reconhecimento ao trabalho da deputada na presidência do partido, tarefa que ocupa desde 2017.

PAPEL DA SRI

A SRI (Secretaria de Relações Institucionais) é responsável pelo diálogo entre o Executivo e o Legislativo.

Durante as negociações, Lula lembrou que Gleisi teve papel fundamental na construção das alianças para as eleições presidenciais de 2018 e 2022, mantendo o contato com todos os partidos que integraram a coalizão em torno da candidatura dele.

O presidente também ressaltou o bom trânsito da petista com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Durante a celebração do aniversário do PT, Lula elogiou a capacidade de negociação de Gleisi, e destacou a habilidade política dela.

PRESIDÊNCIA DO PT

Em 2022, além de articular a aliança que levou Lula de volta à Presidência da República, Gleisi conduziu a aprovação do nome de Geraldo Alckmin (PSB) como vice, garantindo 84% dos votos dentro do PT.

A expectativa é que, na nova função, ela trabalhe para consolidar apoios a Lula, com vistas à eleição de 2026.

POR QUE A REFORMA MINISTERIAL

No início do terceiro ano do governo Lula 3, a reforma ministerial visa atender os novos movimentos da política nacional após o pleito municipal, com a eleição dos novos prefeitos, em particular os das capitais.

E também com a mudança na liderança do Congresso, com a eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), para conduzir o Senado.

Com a saída do deputado Arthur Lira (PP-AL) e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente, das presidências da Câmara e do Senado, Lula quer achar vaga para ambos na Esplanada dos Ministérios.

Fonte: Hora do Povo

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