Instituto Butantan pede à Anvisa registro da sua vacina contra a dengue

Se aprovado, imunizante será o primeiro do mundo em dose única para enfrentar a doença

O Instituto Butantan concluiu, nesta segunda-feira (16), o pedido de registro à Anvisa de sua candidata à vacina contra a dengue, a Butantan-DV. Se aprovada, será a primeira vacina do mundo em dose única contra a dengue.

De acordo com o Butantan, o procedimento de submissão contínua permitiu o encaminhamento dos dados à medida em que foram gerados. A avaliação em fases tende a acelerar o processo de liberação do registro. A candidata à vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan é um imunizante tetravalente de dose única.

Os ensaios clínicos do imunizante foram encerrados em junho deste ano, quando o último participante completou cinco anos de acompanhamento. Recentemente, a candidata à vacina teve seus dados de segurança e eficácia divulgados no New England Journal of Medicine, que mostram 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática. Resultados da fase 3 do ensaio clínico publicados na The Lancet Infectious Diseases mostraram uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, além de eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos.

“É um dos maiores avanços da saúde e da ciência na história do país e uma enorme conquista em nível internacional. Que o Instituto Butantan possa contribuir com a primeira vacina do mundo em dose única contra a dengue mostra que vale à pena investir na pesquisa feita no Brasil e no desenvolvimento interno de imunobiológicos. Vamos aguardar e respeitar todos os procedimentos da Anvisa, um órgão de altíssima competência. Mas estamos confiantes nos resultados que virão”, afirmou Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.

A Anvisa é o órgão responsável por autorizar o registro de remédios e vacinas no Brasil e avalia a eficácia, segurança, qualidade e as condições de fabricação de imunobiológicos que podem futuramente ser comercializados e oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – como é o caso da vacina da dengue do Butantan.

Em caso de aprovação pela Anvisa, o Instituto Butantan diz que poderá disponibilizar cerca de 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde nos próximos três anos. Um milhão de doses da vacina poderão ser entregues já em 2025, em caso de aprovação. As outras cerca de 100 milhões de doses poderão ser entregues nos anos de 2026 e 2027. A definição dos critérios de vacinação da população deverá ser feita pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI).

As informações finais encaminhadas pelo Instituto detalham o processo de fabricação das doses da vacina, isto é, demonstram como os testes de formulação e envase cumprem os requisitos da Anvisa. A agência regulatória exige a fabricação de três lotes consecutivos do imunizante feitos de forma consistente e robusta e cumprindo todos os requisitos de qualidade.

A fábrica da vacina da dengue, localizada no Centro Bioindustrial do Butantan, já foi inspecionada e considerada adequada pela Anvisa, que emitiu um certificado de Boas Práticas de Fabricação (BPF).

Próximos passos

Após a submissão, a Anvisa deve avaliar a documentação e fazer possíveis questionamentos ao Butantan, que deverão ser esclarecidos pelo Instituto durante o processo. Depois disso, com a possível aprovação por parte da Anvisa, o Instituto deverá enviar uma solicitação de autorização de preço à Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos (CMED).C

Concluída a avaliação, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) irá estudar a possível incorporação da vacina ao SUS. Essa análise técnica leva em consideração uma série de pontos, entre os quais os resultados clinicamente relevantes, como a redução de internações e de absenteísmo ao trabalho; benefícios e riscos no longo prazo para a população brasileira; além do potencial de inovação tecnológica que a incorporação introduzirá no sistema.

Absurdo: juízes e desembargadores de SC participam de banquete na casa de Luciano Hang

empresário catarinense Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, recebeu em sua mansão em Brusque (SC) nesta semana, mais de dez juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em um jantar de Natal.

A reportagem confirmou a presença dos seguintes membros do Poder Judiciário catarinense: desembargadores Stephan Klaus Radloff, Saul Steil, José Everaldo Silva, Tulio José Moura Pinheiro, Haidée Denise Grin, Ernani Guetten de Almeida (ex-procurador do Ministério Público de Santa Catarina), Gilberto Gomes de Oliveira, André Carvalho (ex-procurador do MP-SC) e Jairo Fernandes Gonçalves, além dos juízes Sérgio Agenor de Aragão e Leandro Passig Mendes.

Alguns dos magistrados presentes no evento julgam ou já julgaram processos envolvendo Hang ou sua rede de lojas, dando ganho de causa ao empresário.

É o caso, por exemplo, do desembargador Saul Steil, que aparece sorrindo e brindando na foto do jantar de Hang, em primeiro plano, à direita.

Em decisão monocrática que proferiu em setembro de 2021, ele determinou que o jornal “Folha de S.Paulo” publicasse um texto a título de direito de resposta a Luciano Hang. O motivo: a publicação de reportagem que informava que o empresário teria sido alvo de um relatório elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência, a Abin.

No processo, o jornal afirmou que “o relatório da Abin foi obtido por meio de um integrante daquela agência e teve a sua veracidade corroborada por outras fontes da própria Abin, da Polícia Federal, do GSI – Gabinete de Segurança Institucional – e pelo senador Renan Calheiros, relator da CPI da Pandemia”.

Para o desembargador e comensal de Hang, porém, o fato de a Abin (então sob o comando do general Augusto Heleno) ter negado oficialmente a existência do relatório provava que se tratava de uma notícia que não poderia ter sua veracidade garantida, ainda que Renan Calheiros tivesse confirmado a existencia do relatório.

Assim escreveu o desembargador em sua decisão favorável a Hang:

“Somado à veracidade e ao interesse público, a mídia tem o dever de evitar que o conteúdo difundido afronte os direitos da personalidade de outrem. A liberdade de informação não pode ser exercida com o intuito de difamar, injuriar ou caluniar.”

Outro que já deu vitória a Luciano Hang contra a mesma “Folha de S.Paulo” é o desembargador Jairo Fernandes Gonçalves, que figura sorridente (à esquerda, em primeiro plano) na imagem do jantar bancado pelo empresário.

Em abril de 2021, ele julgou procedente um recurso de Hang que buscava obter direito de resposta contra o jornal, que havia publicado reportagem sobre disparos ilegais de mensagens via WhatsApp na eleição presidencial de 2018. O título e o subtítulo da reportagem eram: “Empresas bancam disparo de mensagens anti-PT nas redes – Serviços contratados efetuam centenas de milhões de disparos no WhatsApp e ferem a lei eleitoral”.

Para o magistrado, na ocasião, houve “ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, assim como do princípio da cooperação, preceitos fundamentais do atual Código de Processo Civil.”

Desembargador fã de Olavo de Carvalho estava entre os comensais

O desembargador Stephan Klaus Radloff, que figura no fundo à esquerda na foto do jantar de Hang, erguendo sua taça para o brinde, era um fã declarado do escritor falecido Olavo de Carvalho. O magistrado frequentemente comentava as postagens nas redes sociais do ideólogo da extrema direita.

Em uma delas, em que Olavo dizia que “a putada comunista universitária” era incapaz de refutar seus argumentos sobre as contradições do socialismo, o desembargador e comensal de Hang fez coro ao escritor, enaltecendo a “exatidão de sua sentença”, como pode se ver em reprodução abaixo.

Crédito: reprodução

Já em outra postagem, Olavo de Carvalho afirmava que Sigmund Freud, pai da psicanálise, “não entendia porra nenhuma” de assuntos ligados à sexualidade. “Ele só comia a cunhada”, afirmava o escritor, o que foi reputado como verdade pelo magistrado catarinense. Veja reprodução abaixo.

Crédito: reprodução

Nas redes sociais do convidado de Hang ainda é possível ler postagens de conteúdo negacionista em relação aos métodos preventivos utilizados durante a pandemia de covid-19 e foto do desembargador utilizando farda do Exército dos Estados Unidos, além de imagens que mostram seu gosto por artigos de luxo, como bebidas e charutos importados. Veja exemplo abaixo.

Crédito: divulgação

Tribunal de Justiça de Santa Catarina não se pronuncia

No início desta manhã (17), o DCM tentou contato telefônico e enviou mensagem de e-mail para o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, convidando o órgão e os desembargadores citados nesta reportagem a comentarem o episódio. As seguintes perguntas foram enviadas à assessoria de imprensa do TJ-SC:

– O TJ-SC considera correto, do ponto de vista ético, que tantos magistrados sejam recebidos em jantar oferecido por empresário que possui dezenas de processos julgados neste tribunal?

– É algo corriqueiro que magistrados deste tribunal atendam a jantares com pessoas que têm processos por eles julgados?

Até a publicação desta reportagem, não houve qualquer resposta. Caso o órgão venha a se pronunciar, o conteúdo será incluído nesta página.

Fonte: DCM

Câmera corporal é usada pela 1ª vez como prova contra PM acusado de tortura no RJ

Promotoria militar do MPRJ denunciou policial sob acusação de tortura utilizando imagens de câmeras corporais como prova

A promotoria militar do Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou à Justiça um policial sob acusação de crime de tortura, utilizando, pela primeira vez, imagens de câmeras corporais como prova.

De acordo com a denúncia apresentada neste mês, em 4 de julho do ano passado, o sargento Leilton Pereira de Oliveira teria dado um soco no peito de um suspeito e torcido seu braço de maneira extrema, com o objetivo de forçá-lo a revelar onde estaria o dinheiro que, supostamente, havia sido roubado de uma vítima. O caso ocorreu na cidade de Campos dos Goytacazes, norte fluminense.

Segundo o órgão, o PM escondeu a câmera, mas os gritos de dor do suspeito foram captados pelo áudio.

Testemunhas que passavam pelo local teriam demonstrado apoio ao agente. O segundo policial presente na ocasião também foi denunciado sob suspeita de prevaricação, por não ter prendido o colega em flagrante. A reportagem não conseguiu contato com os acusados, que, em depoimento, negaram as acusações.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que “o comando da corporação não compactua [com casos] nem tolera quaisquer desvios de conduta”.

O caso chegou à Promotoria após o suspeito afirmar, em audiência de custódia, que “já algemado, foi agredido com chutes e socos no corpo e na cabeça”. Inicialmente, a investigação foi conduzida por agentes do próprio batalhão, que concluíram que as lesões haviam sido causadas por uma luta com a vítima do roubo e com as pessoas que o detiveram.

Na análise das imagens das câmeras, os investigadores declararam que “nota-se que os policiais em nada contribuíram para as lesões”. No entanto, a apuração da PM omitiu o fato de o agente ter obstruído a lente da câmera.

A conclusão foi enviada ao Ministério Público, que discordou da avaliação e caracterizou a ação do policial como tortura.

“O crime de tortura, em sua definição jurídica, difere um pouco da noção comum. Ele busca criminalizar a conduta de quem, exercendo poder ou autoridade sobre a vítima, tenta obter dela algo ou algum comportamento. A coação física ou psicológica, mediante violência ou grave ameaça, já configura, ao menos em tese, o crime”, explicou o promotor Paulo Roberto Mello da Cunha.

Desde 2018, quando a lei 13.491 transferiu casos de tortura praticados por militares contra civis da Justiça comum para a militar, foram registradas 12 denúncias à Justiça Militar. A mudança ampliou a possibilidade de militares serem julgados na esfera militar por crimes cometidos no exercício da função.

“Na época, alguns setores da sociedade temeram que os casos não fossem denunciados, preocupados com possíveis corporativismos nas corregedorias e na Justiça militar”, ressalta o promotor. Só neste ano, seis denúncias foram registradas, representando metade do total.

As câmeras corporais têm sido um recurso importante para a obtenção de provas. “Esses dispositivos são ferramentas decisivas na apuração de denúncias de abuso, pois registram os fatos de forma objetiva e imparcial”, avalia Mello da Cunha.

Câmeras foram implantadas em 2022 no RJ

No Rio de Janeiro, as câmeras foram implantadas em 2022 e estão presentes em todas as unidades operacionais da corporação. Cerca de 13 mil câmeras em operação registram, de forma ininterrupta, as atividades diárias dos policiais.

Em maio, o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicou uma diretriz nacional que prevê que os equipamentos devem ser obrigatoriamente ligados em operações, atuações ostensiva e em contato com presos.

As novas normas nacionais admitem três modalidades de uso: acionamento automático, remoto e pelos próprios integrantes da força de segurança.

Na última segunda (9), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, determinou ao Governo de São Paulo a manutenção do modelo de gravação ininterrupta dos dispositivos e seu acionamento automático.

A decisão veio em meio a uma crise na segurança enfrentada pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com casos em sequência de violência policial. No último dia 5, o governador chegou a admitir que errou nas críticas que fez ao uso das câmeras corporais pela PM desde o período em que era candidato ao cargo.

“Eu admito, estava errado. Eu me enganei, e não tem nenhum problema eu chegar aqui e dizer para vocês que eu me enganei, que eu estava errado, que tinha uma visão equivocada sobre a importância das câmeras [corporais]”, disse o governador. “Eu era uma pessoa que estava completamente errada nessa questão. Eu tinha uma visão equivocada.”

Fonte: ICL

Ação ilegal de Israel demole 70 lojas e um prédio na Cisjordânia ocupada

Tropas israelenses conduziram demolições de larga escala na região de al-Dhahiriya, sul da Cisjordânia ocupada, nesta segunda-feira (16), ao destruírem ao menos 70 lojas, além de um prédio de três andares, em obras, pertencentes a palestinos nativos.

As informações são da agência de notícias Ma’an.

Segundo a prefeitura de al-Dhahiriya, as demolições resultaram em milhões de shekels — moeda de uso local — em perdas diretas, assim como grave impacto à renda de centenas de famílias que dependiam dessas lojas.

As forças ocupantes invadiram al-Dhahiriya no início da manhã, com dezenas de veículos militares e tratores. Então, isolaram a área e impediram a movimentação dos residentes, à medida que executavam as demolições.

Durante a operação, soldados ocupantes dispararam gás lacrimogêneo contra residentes que saíram em protesto. Ao menos duas pessoas foram levadas a hospitais por sintomas de asfixia devido ao gás lacrimogêneo.

As demolições na Cisjordânia e em Jerusalém ocupadas, além de pogroms realizados por colonos e soldados contra palestinos nativos, se intensificaram no contexto do genocídio em Gaza, com 45 mil mortos, 106 mil feridos e dois milhões de desabrigados.

Na Cisjordânia, são mais de 800 mortos, 6.600 feridos e 11 mil presos em uma campanha de massa que dobrou a população carcerária palestina. A maioria dos detidos permanece em custódia sem julgamento ou sequer acusação — reféns, por definição.

As ações de Israel seguem em desacato de medidas cautelares do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia, onde o Estado colonial é réu por genocídio sob denúncia sul-africana deferida em janeiro.

A mesma corte reconheceu em julho, em decisão histórica, a ilegalidade da ocupação na Cisjordânia e Jerusalém, ao ordenar evacuação imediata de colonos e soldados, além de reparações aos nativos.

A recomendação de Haia, em setembro, evoluiu a resolução aprovada por maioria de dois terços da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com prazo de um ano para ser implementada.

Fonte: Monitor do Oriente

Holocausto: Israel exterminou quase 13 mil estudantes palestinos em Gaza e na Cisjordânia desde 7 de outubro

O Ministério da Educação palestino disse que 12.799 estudantes foram mortos e 20.942 feridos desde o início do massacre israelense na Faixa de Gaza e na Cisjordânia em 7 de outubro do ano passado, segundo a Agência Palestina de Notícias e Informações (WAFA).

O Ministério palestino declarou que, só em Gaza, o número de estudantes mortos desde o início do massacre ultrapassou 12.681, com outros 20.311 feridos. Já na Cisjordânia, 118 estudantes foram mortos, 631 feridos e outros 538 presos. A pasta afirmou que 598 professores e administradores foram mortos e 3.801 feridos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, com mais de 158 detidos na Cisjordânia.

A pasta ainda destacou que 425 escolas governamentais, universidades e seus prédios, bem como 65 instalações afiliadas à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), foram bombardeadas e destruídas na Faixa de Gaza.

O órgão também confirmou que 788 mil estudantes na Faixa de Gaza continuam impedidos de frequentar escolas e universidades desde 7 de outubro, enquanto a maioria dos estudantes sofre de traumas psicológicos e enfrenta graves condições de saúde.

Final feliz para os reféns?

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse nesta segunda-feira (16) que negociadores israelenses “nunca estiveram tão perto de um acordo” para a libertação de reféns em Gaza desde a trégua de novembro de 2023.

“Nunca estivemos tão perto de um acordo sobre os reféns desde o acordo anterior”, disse o ministro diante dos membros da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento israelense, informou à agência AFP seu porta-voz, que confirmou as declarações de Katz nesta sessão a portas fechadas.

“No que diz respeito às possibilidades de se chegar a um acordo de troca de presos e de cessar-fogo entre a ocupação [Israel] e a resistência [o Hamas e outro grupos palestinos], acho que de fato estamos mais perto do objetivo como nunca estivemos até agora”, declarou à AFP, sob a condição do anonimato, um dirigente do Hamas contactado em Doha.

Mas isto “se [o primeiro-ministro israelense] Netanyahu não fizer descarrilar as coisas intencionalmente como fez a cada vez”, acrescentou.

Em novembro de 2023, uma trégua de uma semana, a única realizada até agora na guerra desencadeada em 7 de outubro daquele ano pelo ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas em território israelense, facilitou a libertação de 105 reféns retidos na Faixa de Gaza e 240 palestinos detidos em prisões israelenses.

Fonte: Brasil de Fato

Câmara aprova taxação de 15% sobre lucro de multinacionais

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (17) o projeto de lei que taxa em pelo menos 15% o lucro de empresas multinacionais instaladas no Brasil. A cobrança ocorrerá por meio de um adicional na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) que garantirá a tributação mínima efetiva de 15%, dentro do acordo global para evitar a erosão tributária estabelecido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Social (OCDE).

De autoria do deputado José Guimarães (PT-CE), o Projeto de Lei 3817/24 repetiu a Medida Provisória 1262/24, editada no início de outubro. Após a aprovação pelo plenário da Câmara, o texto será enviado ao Senado.

Pelo texto, os lucros das multinacionais serão submetidos a cálculos específicos para saber se a empresa paga pelo menos 15% de tributação. Caso a conta dê deficitária, o adicional da CSLL incidirá sobre o lucro de empresas no Brasil integrantes de grupos multinacionais cuja receita anual consolidada seja superior a 750 milhões de euros (cerca de R$ 4,78 bilhões) em pelo menos dois dos quatro anos fiscais consecutivos anteriores à apuração.

Um dos critérios de adesão à OCDE, grupo que sugere medidas políticas, econômicas e sociais a países, a tributação de multinacionais evita que as empresas façam manobras de evasão fiscal e remetam parte dos lucros a outros países, com alíquotas menores, ou a paraísos fiscais. Desde 2015, o Brasil tenta entrar na OCDE.

O relator do projeto, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), defendeu a prorrogação até 2029 do crédito presumido de 9% sobre lucros no exterior e a consolidação de resultados de empresas subsidiárias no exterior. Segundo ele, a manutenção desses instrumentos evita a perda de competitividade das multinacionais brasileiras e uma possível dupla tributação (pagamento de um mesmo tributo em dois países), garantindo que operem em igualdade com concorrentes estrangeiros.

Segundo o projeto, a cobrança começará no ano fiscal de 2025, e o pagamento deverá ocorrer até o último dia do sétimo mês após o fim do ano fiscal. Como o ano fiscal não coincide necessariamente com o ano civil para todas as empresas e grupos multinacionais, a data se torna variável.

Fonte: Agência Brasil

Manifestação cobra o fim da escala 6×1

Representantes de diversos sindicatos e da Central Única dos Trabalhadores organizaram hoje, 17/12, uma manifestação para cobrar o fim da escala 6×1. Os manifestantes se concentraram em frente ao antigo Produban e depois saíram em caminhada pelas ruas do Calçadão do Comércio.

O ato fez parte da mobilização nacional e para Luciano Santos presidente da CUT-AL, “estamos aqui para combater essa escala de trabalho que explora e adoece o trabalhador”.

Para Dafne Órion, presidenta do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas, “apoiamos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) que revoga essa jornada que escraviza o trabalhador”.

Para o professor Luizinho, presidente do Sindicato dos Docentes da Uneal, “apoiamos a luta pelo fim da escala 6×1, bem como a luta pela revogação da reforma previdenciária, trabalhista e as terceirizações. E nesse sentido, é fundamental a mobilização da classe trabalhadora”.

Para Izael Ribeiro, presidente do Sinteal, “queremos que essa escala possa ser reduzida para 36h para que o trabalhador possa ter tempo para lazer, tempo para estudar, para sua família”. 

A escala 6×1 estabelece uma jornada de 6 dias por semana, com apenas um dia de descanso, tirando o trabalhador do convívio familiar, e provocando adoecimento e superexploração da classe trabalhadora.

Estaleiro Enseada volta a produzir depois de 10 anos paralisado

STALEIRO ENSEADA VOLTA A PRODUZIR GRANDES EMBARCAÇÕES PARA A PETROBRAS E PODE RETOMAR A GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA NO RECÔNCAVO.

O Estaleiro Enseada, sediado em Maragojipe, vai voltar a construir embarcações de grande porte.

Em parceria com o Compagnie Maritime Monegasque (CMM), que venceu a licitação para entregar as embarcações à Petrobras, o Enseada vai construir o embarcações multipropósito híbridos de grande porte para a estatal.

O contrato será de 12 anos com a Petrobras, garantindo sua utilização a longo prazo no suporte às operações offshore. Com contratos firmes de 12 anos com a Petrobras, o Enseada poderá retomar seu papel de grande estaleiro, gerando empregos e renda no Recôncavo Baiano.

Serão embarcações modernas, projetadas para uma futura adaptação ao uso de etanol como combustível, o que poderá reduzir em até 70% as emissões de carbono após a implementação. “Estamos entusiasmados em contribuir para este projeto transformador, que não apenas fortalece nossa parceria com líderes globais como a CMM, mas também solidifica nosso compromisso em apoiar a economia brasileira, avançar a indústria local e impulsionar a inovação no setor marítimo”, disse Ricardo Ricardi, CEO do Estaleiro Enseada.

O Enseada terá apoio de outra empresa do grupo Novonor, a Tenenge, especializada em engenharia industrial com foco em projetos complexos em setores críticos como petróleo e gás, químico e petroquímico, papel e celulose, e energia. “Este projeto representa um marco significativo para os setores industrial e marítimo do Brasil. Ao unir as forças da Tenenge e do Enseada, estamos prontos para entregar embarcações que incorporam inovação, eficiência e sustentabilidade”, afirmou Maurício Almeida, CEO da Tenenge e presidente do conselho de administração do Enseada. Com informações do site Portos e Navios.

Fonte: Bahia Econômica

Braskem já demoliu quase 10 mil imóveis em Maceió

Ao pó voltaram 9.796 dos 14.549 imóveis condenados pelas atividades de mineração de sal-gema da empresa Braskem em Maceió. O número equivale a 67,33% do total, mas a tendência é que outros processos sejam finalizados.

No momento, está ocorrendo a demolição do Edifício Abarello que, para a execução da demolição, está sendo utilizada uma máquina específica, que possui uma tesoura hidráulica para fragmentar a estrutura dos andares da edificação de cima para baixo.

De acordo com a Defesa Civil de Maceió, o Cimadec (Centro Integrado de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil Municipal) é o setor responsável por realizar as vistorias e identificar quais dos imóveis precisam ser demolidos de forma preventiva.

“Essa identificação é parte do nosso trabalho de monitoramento em toda a região afetada. O objetivo é eliminar o risco para que não haja colapsos, evitando acidentes, principalmente para quem ainda utiliza a região como via alternativa”, explica o engenheiro civil da Defesa Civil Municipal, Guilherme Henrique.

A proprietária de um imóvel localizado no bairro do Pinheiro acusa a Defesa Civil de Maceió e a Braskem de demolirem sua residência sem autorização. De acordo com a advogada Andréa Karla Cardoso Amaral, ela não foi notificada sobre a demolição.

A moradora contou que, no mês de novembro, recebeu um email de uma empresa terceirizada pela Braskem com a notificação para que ela retirasse os pertences do imóvel.

“Eles me ameaçaram para eu tirar minhas coisas até o dia 25 de novembro, senão eles iriam derrubar assim mesmo. Fui na Defesa Civil, tentei falar com o coordenador, mas ele não me recebeu”, disse. Andréa gravou um vídeo mostrando o local onde a casa dela ficava. “Recebi muitas ameaças de advogado e funcionários da Braskem, de posse de um documento irregular, e do coordenador da Defesa Civil, mandando demolir. Vai ver a casa é dele e eu não estou sabendo”, disse ela no vídeo.

Conforme Andréa, há um processo tramitando na Justiça, que impedia que o imóvel fosse demolido ou que qualquer decisão referente a ele fosse tomada. “Houve um depósito judicial sem recebimento, inclusive, o valor do depósito está impugnado por uma planilha irregular juntada pela empresa. Não se sabe quando isso será resolvido, porque o processo está no Recife, podendo ir até para Brasília, e eles fizeram isso”, relatou.

Nessa sexta-feira (13), a advogada procurou a delegacia da Pitanguinha para registrar um Boletim de Ocorrência (BO). Na próxima semana, ela conta que levará documentos para que seja aberto um inquérito policial.

“Eu não fiz acordo, não recebi indenização, então, a Braskem não é dona da minha casa, eu sou a dona. Eu não fui notificada e nem me deram o direito de ampla defesa. Passaram por cima de tudo e derrubaram. Quero que eles me digam o porquê.”

Em nota, a Defesa Civil de Maceió informou que solicitou a demolição emergencial da edificação por apresentar rachaduras e por segurança, devido a sua proximidade com o raio de influência da demolição do Edifício Albarello, que necessita de maquinário específico que pode oferecer risco de colapso.

O órgão salientou, ainda, que as solicitações de demolições são parte da ações realizadas pela Defesa Civil de Maceió dentro da área 00 (realocação) do Mapa de Linhas de Ações Prioritárias (versão 5).

A Braskem afirmou que a demolição emergencial de imóveis com danos estruturais é determinada pela Defesa Civil de Maceió por uma questão de segurança. Sobre o caso de Andréa, disse que o imóvel foi periciado judicialmente e o valor determinado pelo perito teve a concordância de todas as partes, foi homologado pelo juízo e está depositado nos autos do processo.

“A demolição determinada pelo órgão não afeta o processo judicial em andamento, em que outras questões estão sendo discutidas, não o valor do imóvel.

Em relação à retirada de itens pessoais, é importante ressaltar que foi oferecido à proprietária serviço de guarda-volumes do Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF) e que ela sempre teve o direito de acesso ao imóvel garantido, desde que autorizado pela Defesa Civil”, afirmou a petroquímica.

Segundo a Braskem, o PCF (Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação) teve 19.178 propostas apresentadas até o fim de novembro aos moradores das áreas desocupadas. Do total, 19.007 foram aceitas e 18.855 indenizações foram pagas.

O valor passa de R$ 4 bilhões, somando os auxílios financeiros. A petroquímica acrescenta que a área de risco (criticidade 00) do mapa da Defesa Civil de 2020 está 100% desocupada. Há também um compromisso da empresa para não construir nas áreas desocupadas, seja para fins comerciais ou habitacionais enquanto seguirem os efeitos do afundamento do solo. Para que isso mude, será necessário uma aprovação no Plano Diretor de Maceió.

Fonte: Gazeta Web

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