Condenado por morte de sindicalista é o maior destruidor de área indígena no PA

Décio José Barroso Nunes, conhecido como Delsão, foi condenado em primeira instância por assassinato de líder sindical em 2000, mas responde em liberdade. Uma de suas fazendas responde por 71% do desmatamento na Terra Indígena Amanayé, no sudeste do Pará

NA TERRA INDÍGENA AMANAYÉ, no sudeste do Pará, a promessa de demarcação continua no papel desde 1945. Enquanto a área não é oficialmente reconhecida, árvores são cortadas para abastecer as madeireiras de Décio José Barroso Nunes, o Delsão, fazendeiro com histórico de crimes ambientais e trabalhistas. 

Condenado em 2019 como mandante do assassinato de um sindicalista no sul do estado, Delsão é dono da fazenda Lacy. A propriedade concentra 71% da exploração madeireira registrada entre 2007 e 2023 no território Amanayé, de acordo com levantamento feito a partir de imagens de satélite pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), a pedido da Repórter Brasil.

Dos 38 mil hectares desmatados em 26 anos dentro da área reivindicada pelos indígenas, 27 mil estão no interior da fazenda Lacy, segundo cruzamento de dados com base no Simex (Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira).

Outro estudo do Imazon, publicado em julho, mostra que nos últimos quatro anos a reserva Amanayé foi a mais afetada pela extração ilegal de madeira em todo o Pará. Foram desmatados quase 3 mil hectares (o equivalente a cerca de 3 mil campos de futebol), aponta a pesquisa.

“Delsão é um dos maiores exploradores de madeira na Amazônia”, afirma Ronaldo Anamaye, um dos coordenadores da Fepipa (Federação dos Povos Indígenas do Pará) e líder do povo Amanayé. Ele denuncia a falta de ação por parte das autoridades, que têm permitido o avanço das ameaças ao território, incluindo a derrubada de mata nativa, a grilagem de terras e a violência contra os indígenas.

O fazendeiro já foi autuado 15 vezes por desmatamento ilegal pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), entre 2001 e 2020 – as multas somam R$ 10,7 milhões. Em oito casos, as autuações também resultaram em embargos (interdição) de 1,7 milhão de hectares de suas propriedades. 

Delsão também já figurou na Lista Suja do trabalho escravo, cadastro oficial do governo federal que torna públicos os dados de empregadores responsabilizados por esse crime. Ele teve seu nome incluído na relação após dez trabalhadores serem resgatados de uma de suas fazendas, no Pará, em 2010. Os trabalhadores dormiam ao lado de agrotóxicos e estavam em situação de servidão por dívida, segundo os auditores-fiscais do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). 

Repórter Brasil solicitou um posicionamento para o escritório de advocacia que representou Delsão no julgamento do caso de homicídio. Contudo, o escritório informou que não atende mais o fazendeiro.

A reportagem também tentou contato com outra advogada, que defende o fazendeiro em processos trabalhistas, mas ela não retornou as mensagens, nem atendeu às ligações. A matéria será atualizada se um posicionamento for enviado.

MPF pressiona por demarcação da TI Amanayé

Em agosto, após pressão dos indígenas, o MPF (Ministério Público Federal) ingressou com uma ação civil pública na Justiça para que a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas)  atualize os estudos necessários à demarcação da Terra Indígena Amanayé. 

Além da demarcação, o MPF pede também o bloqueio dos Cadastros Ambientais Rurais (CAR) que se sobrepõem ao território. Os CARs são registros obrigatórios autodeclaratórios realizados por proprietários de fazendas. Em alguns casos, são usados de forma fraudulenta para legitimar a posse de terras públicas.

A ação civil pública aponta a existência de 37 CARs sobrepostos à reserva, indicando a apropriação ilegal de áreas dentro do território. Dentre eles, está o da fazenda Lacy, de Delsão.

“Alguns fazendeiros têm georreferenciado a área e têm se valido da terra para o cultivo de monoculturas”, afirma o procurador da República responsável pela ação, Sadi Machado. “Com isso, existe uma dispersão dos próprios indígenas, existe uma saída forçada, até por uma questão de autoproteção”, complementa.

Para Ronaldo Amanayé, a desintrusão (retirada dos invasores) e a demarcação do território são ações urgentes para proteger a vida das famílias que residem na reserva. “Depois também será preciso fazer a recuperação das áreas degradadas e desmatadas”, completa. “Espero que a gente consiga ter o nosso território livre dos fazendeiros, dos sojeiros e dos madeireiros, que estão destruindo e desmatando”, afirma.

Segundo a liderança, as invasões para exploração de madeira ocorrem há décadas. Atualmente, a chegada das plantações de soja e o uso de agrotóxicos também têm afetado os indígenas do território. 

A ação do MPF solicita ainda que a União e a Funai paguem uma indenização de R$ 3 milhões em danos morais pela demora da demarcação. Os recursos seriam destinados a políticas públicas para os indígenas Amanayé. 

A reportagem procurou a Funai, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto a manifestações.

Processo de demarcação se arrasta há oito décadas

A espera pela demarcação da terra indígena já dura quase 80 anos. O Decreto de 1945, que delimitou o território Amanayé, ainda não foi efetivado. Por causa do imbróglio, fazendeiros realizaram por conta própria, em 2021, o georreferenciamento das áreas abertas dentro da reserva, na expectativa de se apropriarem do território. 

Enquanto isso, o povo Amanayé vê sua cultura e seu modo de vida tradicional ameaçados. O Censo 2022 apontava uma população de apenas 244 pessoas da etnia.

Fazendeiro responde em liberdade por assassinato de sindicalista

Atualmente, Delsão recorre em liberdade da sentença de primeira instância que o condenou pela morte do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, em novembro de 2000. 

Já a viúva do líder assassinado, Maria Joel Costa, conhecida como Joelma, vive sob escolta policial há 20 anos. “Não tenho mais liberdade de ir e vir”, conta. Após o assassinato do marido, ela assumiu a presidência do sindicato. 

Aos 52 anos, Joelma se tornou um símbolo de resistência na luta contra o avanço do agronegócio e contra a violência no campo. Na última eleição, foi a única vereadora do PT eleita em Rondon do Pará.

Fonte: Repórter Brasil

UPA do Jacintinho: usuários denunciam condições precárias e cobram melhorias

Usuários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jacintinho, em Maceió, estão revoltados com as condições precárias do local. Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ver a infraestrutura deteriorada, com chuveiros quebrados e aparelhos de ar condicionado inoperantes.

O Jacintinho é um dos bairros mais populoso de Maceió, com mais de 70 mil Moradores e precisam dos serviços da saúde pública. Por isso, que muitos usuários, revoltados, gravaram vídeos mostrando a situação de precariedade da UPA. Nas imagens são mostradas equipamentos que não funcionam, como os aparelhos de ar condicionado quebrados, e a infraestrutura danificada.

Diante das denúncias, a Secretaria de Estado da Saúde (SESAU) emitiu uma nota informando que já está tomando as providências necessárias para solucionar os problemas.

Enquanto isso, a população está atento e cobrando ampliação dos serviços públicos no bairro.

Redação com AL102

Justiça Militar decide enviar ao STF investigação contra coronéis suspeitos de fazer carta golpista

Justiça Militar entendeu que a análise do caso cabe ao Supremo, onde já tramita o inquérito do golpe. Militares foram indiciados pelo Exército sob suspeita de criar documento para pressionar o comando em 2022.

A Justiça Militar decidiu enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a investigação sobre quatro coronéis do Exército Brasileiro suspeitos de elaborar uma carta que pressionava o comando a aderir a um golpe de Estado após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022.

Na prática, a Justiça Militar decidiu que não vai julgar os crimes militares supostamente praticados pelos oficiais militares. Para o juízo da 2ª Auditoria da 11ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM), cabe ao STF analisar esses fatos.

A carta investigada, intitulada “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, foi usada para pressionar o então comandante do Exército, general Freire Gomes, a aderir à tentativa de golpe, segundo as apurações.

Os suspeitos de elaborar a carta golpista são:

  • Anderson Lima de Moura, coronel da ativa;
  • Carlos Giovani Delevati Pasini, coronel da reserva;
  • José Otávio Machado Rezo, coronel da reserva; e
  • Alexandre Castilho Bitencourt da Silva, coronel da ativa.

O caso havia chegado à Justiça Militar depois que o próprio Exército abriu um inquérito para investigar a elaboração e a divulgação do documento por quatro coronéis — dois da ativa e dois da reserva.

Em outubro, o Exército concluiu o inquérito e indiciou três coronéis. O quarto havia conseguido uma decisão liminar (provisória) para suspender a investigação relacionada a ele.

Exército indicia três coronéis por participar da elaboração de carta após vitória de Lula em 2022

O Exército apontou que os oficiais cometeram dois crimes previstos no Código Penal Militar:

  • “publicar, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar” (com pena de 2 meses a 1 ano de prisão); e
  • incitar à desobediência, à indisciplina ou à prática de crime militar (com pena de 2 a 4 anos de prisão).

O relatório do Exército foi remetido ao Ministério Público Militar para a eventual apresentação de denúncia, mas a Justiça Militar decidiu enviar o caso ao STF.

“A 2ª Procuradoria de Justiça Militar havia pedido quebra dos sigilos telefônico e telemático dos envolvidos, mas o juízo da 2ª Auditoria da 11ª CJM declinou da competência, em favor do Supremo Tribunal Federal”, informou o Ministério Público.

Na decisão que envia o caso ao STF, o juiz Alexandre Quintas afirmou que a Corte Constitucional já “fixou sua competência para processo e julgamento dos crimes que culminaram nos atos do dia 08.01.2023, independente de os investigados serem civis ou militares, das Forças Armadas ou dos estados (policiais militares)”.

O juiz citou também que, em decisão anterior sobre outro caso envolvendo atos antidemocráticos, o Superior Tribunal Militar (STM) remeteu o julgamento de um militar ao STF.

“Em caso que guarda similaridade com o presente, por envolver a divulgação, por oficial do Exército, de declarações atinentes aos atos ocorridos em 08.01.2023 nas redes sociais e em portais eletrônicos, o STM reconheceu a incompetência da Justiça Militar da União e determinou a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal”, escreveu o juiz.

“Portanto, diante de todo o exposto, não há que se falar em crime de competência da Justiça Militar da União”, concluiu.

Inquérito do golpe no STF

Três dos quatro coronéis investigados no inquérito do Exército também já foram indiciados pela Polícia Federal no inquérito sobre a tentativa de golpe, que tramita no Supremo sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

  • Anderson Lima de Moura foi indiciado pelo Exército e pela PF;
  • Carlos Giovani Delevati Pasini foi indiciado pelo Exército e pela PF;
  • José Otávio Machado Rezo foi indiciado pelo Exército;
  • Alexandre Castilho Bitencourt da Silva conseguiu suspender a investigação do Exército, mas foi indiciado pela PF.

Nesse caso, a PF apontou a prática de crimes comuns, previstos no Código Penal e que têm penas maiores que os crimes militares:

  • abolição violenta do Estado Democrático de Direito (4 a 8 anos de prisão);
  • tentativa de golpe de Estado (4 a 12 anos de prisão);
  • além de participação em organização criminosa (crime da Lei das Organizações Criminosas, com pena de 3 a 8 anos de prisão, podendo ser maior em caso de funcionários públicos).

Na ocasião em que o Exército concluiu seu relatório, os advogados dos coronéis afirmaram que eles não cometeram crimes, que não havia provas do envolvimento deles na confecção da carta e que os fatos seriam esclarecidos na Justiça.

‘Vamos ser presos’

De acordo com o relatório da Polícia Federal, apresentado ao Supremo em novembro, houve uma reunião de militares na Asa Norte, em Brasília, para tratar da carta, em 28 de novembro de 2022.

Vários oficiais — além dos quatro investigados no inquérito do Exército — passaram os dias anteriores trocando mensagens sobre minutas da carta, estratégias para coletar assinaturas e uma forma de “vazar” o documento para o público de modo que não parecesse proposital.

Nessas trocas de mensagem, o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, outro indiciado pela PF sob suspeita de ter coletado assinaturas, disse ao tenente-coronel Sérgio Cavaliere que temia que essa carta passasse a fazer parte de algum inquérito relatado por Moraes no Supremo — o que, dois anos depois, acabou acontecendo.

“Vamos ser presos por ele”, escreveu Araújo Júnior, embaixo de uma foto do ministro.

Já em outra mensagem de áudio para Cavaliere, Araújo Júnior sugeriu que preferia que o caso fosse parar na Justiça Militar em vez do STF.

“P…, [a carta] pode ir para a justiça militar. Car…, será que a justiça militar, os generais vão fu… a gente [?]. Eu acho que não. O problema é o cabeça de p… [Moraes] pegar essa p… e meter no inquérito das fake news, né cara! Aí a gente tá fu… O inquérito do fim do mundo, essa p… lá dos atos antidemocráticos”, disse o tenente-coronel, segundo a transcrição feita pela PF.

O advogado de Araújo Júnior, Lissandro Sampaio, afirmou que o militar “jamais participou de qualquer reunião ou ato para elaborar carta golpista ou participou de qualquer movimento para desacreditar as eleições de 2022”.

Fonte: G1

Lula sanciona lei que cria a Alada, empresa estatal aeroespacial brasileira

Na avaliação da Defesa, a Alada não apenas fortalecerá a segurança nacional e a proteção do espaço aéreo, mas também impulsionará o desenvolvimento econômico e social do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou na sexta-feira (3) a lei autorizando a criação da Alada, uma empresa estatal voltada a projetos no setor aeroespacial.

A nova empresa será uma subsidiária da estatal NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea, que é vinculada ao Ministério da Defesa. Ela será responsável por Investir na infraestrutura e na navegação aeroespacial, além de promover atividades ligadas à criação de projetos e equipamentos.

Com esse marco, o governo brasileiro busca “assegurar a autossuficiência do país em materiais aeronáuticos, espaciais e bélicos”, informaram as fontes oficiais do ministério. “Outra meta é minimizar a forte dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente para materiais que envolvem tecnologias sensíveis e que sofrem restrições para a exportação, por critérios políticos dos governos dos seus fabricantes”, acrescenta o órgão.

A empresa terá a função de gestão e operação de redes de satélites, proteção e gestão da propriedade intelectual de inovações na área, pesquisa e certificação de equipamentos aeroespaciais. O comando da Aeronáutica pretende melhorar o controle do espaço aéreo. Na avaliação da Defesa, a Alada não apenas fortalecerá a segurança nacional e a proteção do espaço aéreo, mas também impulsionará o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Nos primeiros quatro anos de operação, a subsidiária poderá contratar técnicos e funcionários administrativos de forma temporária para garantir seu funcionamento inicial. Essas contratações serão consideradas de interesse público e seguirão as regras definidas pelo Conselho de Administração da NAV Brasil.

A lei também permite que servidores públicos e militares sejam cedidos para trabalhar na nova empresa. Caso isso aconteça, a subsidiária terá que reembolsar os órgãos de origem pelos custos com esses profissionais.

Além disso, a subsidiária poderá oferecer planos de previdência complementar aos seus funcionários, por meio da adesão a uma entidade fechada de previdência já existente.

Outro ponto da lei é a possibilidade de a União assumir o controle direto da subsidiária. Isso poderá ocorrer por meio da transferência das ações da NAV Brasil para o governo federal, sem custos para a União. Essa medida permitiria ao governo ter maior controle sobre os projetos da subsidiária e sua integração com políticas nacionais para o setor aeroespacial.

Projeto

A criação da Alada foi proposta pelo PL 3.819/2024, de autoria do Poder Executivo. O texto foi aprovado pelo Plenário do Senado em dezembro de 2024, após parecer favorável do senador Esperidião Amin (PP-SC), e já havia sido aprovado na Comissão de Relações Exteriores (CRE). 

Durante a tramitação, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro da Ciência e Tecnologia, elogiou a iniciativa de criação da Alada. Ele disse que, como ministro entre 2019 e 2022, participou da concepção da empresa. O senador destacou a importância da estatal para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro, ressaltando que a exploração comercial de voos espaciais pode gerar bilhões de dólares em receitas para o país.

Fonte: Agência Senado

Soldados israelenses em férias deixam outros países além do Brasil por suspeitas de crimes de guerra

O caso do soldado israelense Yuval Vagdani, que interrompeu suas férias na Bahia às pressas, no sábado (4), depois de a Justiça brasileira pedir a abertura de uma investigação à Polícia Federal por supostos crimes de guerra em Gaza, não é o único desse tipo ocorrido nas últimas semanas no exterior, segundo o jornal francês Le Figaro. Com a ajuda da embaixada israelense, o reservista de 21 anos teria embarcado em um voo de Salvador para Buenos Aires. 

O ministro israelense de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo de Israel, Amichai Chikli, enviou uma carta ao deputado Eduardo Bolsonaro condenando a decisão da Justiça brasileira contra o militar que passava férias na Bahia, e ainda acusou o governo Lula de perseguir israelenses. Mas, de acordo com o jornal francês, pelo menos três soldados que participaram de operações suspeitas em Gaza precisaram encurtar suas férias em Chipre, na Eslovênia e na Holanda, nas últimas semanas, por recomendação dos serviços de inteligência israelenses. 

Dezenas de soldados israelenses estão sujeitos a investigações semelhantes em vários países do mundo, diz o Le Figaro, em decorrência de ações judiciais promovidas por várias ONGs pró-palestinas ou de defesa dos direitos humanos. 

O governo da Austrália, por exemplo, antes de conceder vistos de entrada a militares israelenses, tem exigido que eles respondam a um questionário detalhado que inclui perguntas se “participaram ou testemunharam genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.

Por enquanto, o exército israelense não está proibindo seus soldados de permanecerem no exterior. Mas os casos considerados de potencial problemático têm passado por uma avaliação de risco em relação ao país para onde os militares pretendem viajar. Essa precaução foi reforçada na sequência dos mandados de detenção emitidos em 21 de novembro pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza. 

Apesar do Estado-Maior israelense recomendar aos militares discrição em relação às operações que efetuam em Gaza e na Cisjordânia, muitos soldados e reservistas divulgam abertamente nas redes sociais fotos e vídeos de abusos, saques, ameaças feitas contra civis, soldados dançando entre escombros ou posando com bichos de pelúcia de crianças palestinas. Segundo reportagem do portal de notícias FranceInfo, em casos extremos que envolvem infrações penais, uma investigação é aberta pela polícia militar israelense.

Foi com base em imagens publicadas nas redes sociais pelo soldado Yuval Vagdani que a ONG belga The Hind Rajab Fondation (HRF) pediu a abertura da investigação contra o reservista durante suas férias na Bahia. 

Fonte: RFI

Protesto de 600 mil israelenses exige acordo com Hamas para libertação de reféns

Milhares de pessoas realizaram protestos neste sábado (04/01), nas cidades de Tel Aviv e Jerusalém, para exigir que o governo de extrema direita do premiê Benjamin Netanyahu aceite firmar um acordo com o grupo de resistência palestino Hamas para libertar os cerca de cem reféns que ainda se encontram sequestrados.

Segundo a imprensa local, cerca de 600 mil pessoas participaram das diferentes manifestações. Uma delas, em Jerusalém, aconteceu perto da residência do primeiro-ministro do governo sionista, e enfrentou forte resistência da polícia.

As manifestações para pedir um acordo de libertação dos reféns israelenses foram frequentes durante o ano de 2024. Estes primeiros atos de 2025, porém, acontecem no mesmo dia em que se iniciou nova rodada de diálogos no Catar, buscando um cessar-fogo permanente em Gaza.

Na negociação, Israel exige a libertação imediata dos cerca de 100 reféns, e também defende que a reconstrução de Gaza deve ser financiada e realizada pelo Estado de Israel, proposta que é rechaçada pelos palestinos, que consideram a iniciativa como uma tentativa de anexar o território.

Por sua parte, o Hamas pede o fim da ocupação no território palestino, condição que tem sido apresentada reiteradamente pelo grupo palestino nas diversas mesas de negociação realizadas desde novembro de 2023, e também reiteradamente negada por Tel Aviv, que insiste em só aceitar um acordo que inclua a manutenção de forças militares do país no território palestino.

Outra condição apresentada pelo Hamas para se chegar a um acordo de cessar-fogo diz respeito aos crimes de guerra e violações de acordos anteriores cometidos por Israel desde o início do massacre, em outubro de 2023.

O grupo palestino pede que Tel Aviv seja responsabilizada por esses episódios diante de tribunais internacionais, com ênfase nos diversos casos de bombardeios e ataques terrestres contra hospitais e campos de refugiados.

Fonte: Ópera Mundi

Cresce a classe média no Brasil

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Segundo pesquisa 50,1% dos domicílios brasileiros tem renda familiar acima de R$ 3,4 mil mensal. Mas, segundo o Dieese, o salário necessário deveria ser de R$ 6.959,31.

Após quase uma década, em 2024 o Brasil voltou a ser  considerado um país de classe média, segundo levantamento da Tendências Consultoria. O estudo revelou que 50,1% dos domicílios brasileiros pertencem às classes C, B ou A, com renda familiar acima de R$ 3,4 mil mensal.

O país não alcançava essa marca desde de 2015, quando o percentual de famílias pertencentes à classe média chegou a 51%. Entre os brasileiros das classes C e B o trabalho é a principal fonte de renda familiar.

No último ano, a renda das famílias da classe C aumentou 9,5%. Já na classe B, grupo com rendimentos entre R$ 8,1 mil e R$ 25 mil, a renda familiar cresceu 8,7%.

Os números refletem a recuperação econômica do país, sob o governo Lula (PT). O mercado de trabalho se fortaleceu entre 2023 e 2024, nesse período foram criadas 3,6 milhões de vagas emprego formais.

Redação com Congresso em Foco e Dieese

Soldado israelense acusado de crimes de guerra em Gaza foge do Brasil após virar alvo da PF

Justiça brasileira determinou investigação contra Yuval Vagdani, que estava no Brasil a turismo, a partir de denúncia feita por fundação belga que defende os direitos dos palestinos

O soldado israelense Yuval Vagdani fugiu do Brasil após a Justiça Federal determinar uma investigação da Polícia Federal (PF) contra ele por supostos crimes de guerra cometidos em Gaza. Na noite do último sábado (4), Vagdani, que estava no país a turismo, embarcou em um voo comercial de Salvador para Buenos Aires. A saída do militar do Brasil foi articulada pela Embaixada de Israel. 

A decisão judicial, publicada em 30 de dezembro pela juíza federal Raquel Soares Charelli, atendeu a uma notícia-crime apresentada por advogados brasileiros em nome da Fundação Hind Rajab (HRF). A organização, sediada na Bélgica, acusou Vagdani de envolvimento em ações que incluem a demolição de residências civis na Faixa de Gaza. Segundo a HRF, essas ações constituem crimes contra a humanidade e genocídio, conforme tratados internacionais como a Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma.

Documentos apresentados pela HRF incluem vídeos, dados de geolocalização e mensagens postadas pelo soldado nas redes sociais. Em uma delas, Vagdani teria escrito: “Que possamos continuar destruindo e esmagando este lugar imundo sem pausa, até os seus alicerces”.

Em nota, o governo israelense criticou a ação judicial brasileira, acusando a HRF de explorar “de forma cínica os sistemas legais para fomentar uma narrativa anti-Israel”. https://d-22993903414116890263.ampproject.net/2410292120000/frame.html

Já a Fundação Hind Rajab destacou a importância histórica do caso, afirmando que esta é a primeira vez que o Brasil aplica diretamente disposições do Estatuto de Roma sem recorrer ao Tribunal Penal Internacional (TPI). 

Ataque a Lula 

Em publicação nas redes sociais, o jornalista Hananya Naftali, assessor do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela decisão da Justiça brasileira de investigar o soldado acusado de crimes de guerra. 

“Lula, o homem próximo de ditadores e terroristas do Hamas, agora usa o judiciário brasileiro como arma para atacar Israel enquanto protege seus aliados corruptos. Israel é alvo de terroristas, e Lula os defende”, escreveu. 

Lula foi defendido pela Federação Árabe Palestina no Brasil (Fepal), que classificou a fuga de Vagdani do Brasil como uma “ofensa à soberania brasileira”. 

“Em flagrante violação à soberania brasileira, Israel facilitou a fuga de soldado israelense Yuval Vagdani, acusado de crimes de guerra e alvo de investigação no Brasil. Agora, a gangue genocida vira sua máquina de propaganda contra Lula e contra o Estado Brasileiro. Quem está sendo investigado por genocídio é Israel, não o Brasil. Quem se esconde para evitar a prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional é o genocida Netanyahu, não o presidente Lula”, diz nota divulgada pela entidade. 

Fonte: Revista Fórum

OS ESCOLHIDOS

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 05 de Janeiro de 2025

O resultado das eleições municipais em 2024 foi conhecido de fato no dia 1° de Janeiro de 2025, entre Vereadores e Prefeitos temos para todos o gostos e sabores, basta dar uma voltinha em alguns municípios brasileiros que encontraremos algum ex candidato, agora eleito para o executivo ou legislativo com ou sem proposta alguma. Serão quatro anos de novos e velhos conhecidos da política e ao final veremos se valeu a pena votar em algum deles.

Alguns já começaram do mesmo jeito que terminaram seu primeiro mandato. É o caso do Prefeito reeleito de Porto Alegre que conseguiu desbancar sua adversária na cidade que esteve embaixo d’gua por causa de sua gestão incompetente e celebrou sua posse para o segundo mandato com a cidade inundada. O eleitor de Porto Alegre ainda teve que ouvir absurdos do Prefeito Sebastiao Melo que defensores da Ditadura não devem ser processados, porque isso representaria liberdade de expressão. Oi? O que passa na cabecinha do Tião Melo?
Porto Alegre foi inundada pelas águas do Guaíba e pela ignorância política de parte dos seus eleitores, haja bombas para escoar toda ignorância que deixou Porto Alegre submersa nas profundezas do fascismo.

Ja em Fortaleza, Evandro Leitão do PT toma posse e sabiamente usa sua liberdade de expressão para defender a igualdade entre os fotalezensses dizendo: “Nos sentimos abraçados pela honrosa missão de gerir a nossa amada cidade pelos próximos quatro anos, de transformar Fortaleza em uma só, sem o muro da desigualdade que maltrata tantas famílias”. Quanta diferença do Nordeste para o Sul, Evandro Leitão se apresenta com uma fortaleza, uma barreira intransponível do discurso de ódio e do divisionismo entre seus conterrâneos. Viva o Leitão!

A liberdade de expressão não pode dar liberdade para o cometimento de crimes, mas o que dizer da ex Vereadora Janaina Lima do PP que ao deixar seu gabinete na Câmara Municipal da capital paulista teve a grande ideia de arrancar uma pia e o vaso sanitário do “recinto”. Janaina usou da sua liberdade de expressão pra tentar justificar a retirada dos utensílios do gabinete, parlou, deu piruetas, cambalhotas, um duplo twist carpado, mas nada convenceu e ao final a ex Vereadora resolveu doa-los para a Câmara Municipal. O vaso foi testemunha viva dos trabalhos executados no gabinete por 8 anos, ele conhece como ninguem as obras deixadas pela parlamentar, ou seja, só viu…

Feliz Ano Novo!

Reflexões* Flávio Show 2025 , ano 05 – Edição 212

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