Enquanto a Califórnia está em chamas, bilionários lucram com a privatização da água

Enquanto a Califórnia está em chamas, um casal lucra sobre um reservatório, antes público, de água no estado

Os incêndios florestais que incineraram a Califórnia, nesta última semana, levantaram as responsabilidades de políticos e empresários na má gestão dos recursos hídricos do país. No centro dessas acusações, está o casal de bilionários da Califórnia, Stewart e Lynda Resnick, donos da The Wonderful Company, que controla o Kern Water Bank, ao sul do estado.

O Kern Water Bank é a autoridade responsável pelo maior banco de água da Califórnia, no Vale de San Joaquin, ao sul do estado. O banco de água contempla mais de 50 km² de área para armazenar 1,5 milhão de acre-pés de águas subterrâneas, o que equivale a 1,85 trilhão de litros.

A água é armazenada no Kern Water Bank durante os períodos chuvosos e tinha como finalidade ser utilizada durante a seca das cidades da Califórnia e, de forma secundária, para o uso agrícola e industrial.

Assim, o reservatório de água era, inicialmente, um bem público. E o conglomerado do casal Resnick, a The Wonderful, é – não por coincidência – a maior empresa agrícola do mundo, responsável pelo cultivo de laranjas, frutas e grãos que exigem muita água para o seu cultivo, como pistaches e amêndoas.

Em 1994, a empresa fechou o premiado acordo público-privado chamado “Monterey Plus Agreement” para controlar o reservatório de água que garantiria água suficiente para o seu império agrícola naquela conhecida árida região do país.

Além disso, a aquisição do banco de água permitia que, quando a água não fosse usada para as produções agrícolas, em períodos de seca, o Kern Water Bank poderia vender água para as cidades do estado da Califórnia.

Segundo reportagem da revista RollingStone, “os resultados desse arranjo são terríveis no que diz respeito ao acesso equitativo à água, especialmente no Vale Central, onde os Resnicks podem facilmente gastar mais do que os pequenos fazendeiros, que compram cerca de 9% de sua água total no mercado aberto”.

Para a publicação, contudo, o casal milionário e sua reserva privada que tiraram a água do controle estadual e direcionou para as suas produções econômicas, não foram os responsáveis diretos pelos incêndios, e sim a dificuldade de o estado de direcionar a água para os locais de grande seca e incêndios, além de problemas com os bombeiros, por falta de pessoal e de sistemas de hidrantes suficientes. “Os Resnicks podem ser vilões convenientes, mas não explicam essa catástrofe”, completou.

As associações da catástrofe à entrega da água, um bem público, ao grupo econômico de propriedade do casal, contudo, são inevitáveis. Há calculos de que a The Wonderful Company retém 60% de toda a água da Califórnia.

revista Forbes noticiou que, em abril de 2022, o patrimônio de Stewart e Lynda Resnick valia US$ 8 bilhões de dólares na The Wonderful Company. São, segundo o International Business Times, “os fazendeiros mais ricos dos Estados Unidos”. Para atingir este lucro, muita água foi necessária.

Segundo a mesma revista Forbes, a The Wonderful Company usa cerca de 150 bilhões de galões de água anualmente para os mais de 70 mil hectares de terras agrícolas.

O uso da água da empresa agrícola dos Resnicks é superior ao da soma de todas as “empresas, fazendas e até mesmo da cidade de Los Angeles”, informou a Curbed LA.

E, durante a seca da Califórnia, entre 2011 e 2017, os Resnicks perfuraram 21 novos poços de água para abastecer o Kern Water Bank, de propriedade majoritária deles. Naquele período, o casal foi amplamente criticado pelas práticas de uso descontrolado e venda da água, um bem que deveria ser público, e com os novos incêndios que devastaram a região, voltaram na mira das críticas.

Em contrapartida, ao longo de todos os anos, os Resnicks são conhecidos por suas volumosas doações e repasses filantrópicos a diversas entidades de assistência social e institutos de pesquisa e de saúde, que amenizam às críticas da população.

Fonte: Jornal GGN

Saiba como funciona o Mais Professores, programa do governo Lula que beneficiará 50 milhões de docentes e estudantes

A proposta foi estruturada em cinco eixos

O programa Mais Professores, lançado nesta terça-feira (14) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficiará cerca de 2,3 milhões de docentes em todo o país. A proposta foi estruturada em cinco eixos: seleção para o ingresso na docência, atratividade para as licenciaturas, alocação de professores, formação docente e valorização. De acordo com um estudo de 2024 da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o professor é responsável por 65,7% do resultado de aprendizagem no ensino fundamental e por 47% no ensino médio. Ao todo, 47,3 milhões de estudantes serão impactados positivamente.

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o investimento na valorização e na formação de professores da educação básica será de R$ 1,7 bilhão entre 2025 e 2026. O dinheiro será aplicado em iniciativas, como programas de formação continuada, bolsas de incentivo e compra de computadores.

No programa Mais Professores, a Prova Nacional Docente (PND) será realizada anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Estados e municípios poderão utilizá-la em seus processos de seleção de professores. Os docentes interessados deverão se inscrever diretamente no Inep.

Para atrair novos professores, o governo federal criou o programa Pé-de-Meia Licenciaturas, um apoio financeiro destinado a fomentar o ingresso, a permanência e a conclusão de licenciaturas por estudantes com alto desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

No Pé-de-Meia Licenciaturas, o participante receberá mensalmente R$ 1.050 durante o período regular de conclusão do curso. Desse total, o estudante poderá sacar imediatamente R$ 700. Os outros R$ 350 serão depositados como poupança e poderão ser resgatados após o recém-formado ingressar em uma rede pública de ensino em até cinco anos após a conclusão do curso.

A Bolsa Mais Professores oferecerá apoio financeiro para incentivar o ingresso de docentes nas redes públicas de ensino da educação básica, especialmente em regiões com carência docente. O participante receberá uma bolsa mensal de R$ 2.100, além do salário do magistério pago pela rede de ensino à qual estiver vinculado. Durante o período da bolsa, o professor poderá cursar uma pós-graduação lato sensu com foco em docência.

Formação e Valorização

Para a formação de professores, o Ministério da Educação (MEC) desenvolveu um portal com informações centralizadas sobre cursos referentes às formações inicial e continuada, além de pós-graduações ofertadas pelo MEC e instituições parceiras. A plataforma tem como objetivo fortalecer o desenvolvimento profissional de acordo com o perfil de cada docente.

Também foram anunciadas ações do MEC em parceria com outros ministérios e bancos públicos para promover a valorização dos professores. Por meio de cooperação com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, serão disponibilizados benefícios exclusivos, como cartão de crédito sem anuidade.

Em parceria com o Ministério do Turismo, os professores terão direito a descontos de até 10% em diárias de hotéis, inclusive em períodos de grandes eventos ou feriados. Também será criada a Carteira Nacional Docente.

Fonte: Brasil 247

Instituto ligado ao vereador Luciano Marinho vai receber R$ 5,8 milhões da Prefeitura

Ligado ao vereador Luciano Marinho, o Instituto Desenvolve Alagoas vai receber R$ 5,8 milhões da Prefeitura de Maceió para atender 900 crianças das escolas da rede municipal.

Segundo a Prefeitura, as crianças serão atendidas “no contraturno escolar atividades, pedagógicas, atividades esportivas, atividades de arte e cultura e acompanhamento escolar, de modo a fortalecer o projeto pedagógico já em prática na Rede Municipal, necessários a formação e crescimento sadio e digno de crianças e adolescentes”. As informações estão publicadas na edição de hoje (15/1/25) do Diário Oficial do Município.

O contrato tem duração de um ano.

A fonte de recursos será das escolas em tempo integral.

Luciano Marinho foi o vereador mais votado de Maceió. É da base do prefeito JHC e tem como prioridade no mandato as discussões sobre um novo plano diretor para a capital.

Fonte: Repórter Nordeste

Governo Lula cria bolsa de R$ 1.050 para estudantes de licenciatura

Medida faz parte de programa Mais Professores, de incentivo à docência

O governo federal lançou nesta terça-feira (14) o Pé de Meia Licenciaturas, uma bolsa mensal de R$ 1.050 para estudantes de graduação que ingressem em cursos de licenciatura via Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Desse valor, o aluno contemplado poderá sacar até R$ 700 por mês. Os outros R$ 350 ficarão depositados em uma poupança e poderão ser sacados após o professor recém-formado ingressar em uma rede pública de ensino e em até cinco anos após a conclusão do curso. A medida faz parte do Programa Mais Professores, que envolve uma série de ações para incentivar e valorizar a docência.

“Esse importante programa é para atrair, estimular e incentivar as pessoas a entrarem nas licenciaturas e permanecer”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana, durante cerimônia de anúncio do programa, no Palácio do Planalto. O Pé de Meia Licenciaturas reproduz a fórmula do programa de mesmo nome destinado a reter estudantes do ensino médio na escola, e que hoje alcança quase 4 milhões de alunos.

No caso da bolsa para estudantes de graduação, ela deve começar a valer a partir de 2025, conforme inscrição dos estudantes no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que começa na próxima sexta-feira (17). Os alunos aptos a receber a bolsa são aqueles com nota mínima de 650 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que se matricule em algum curso de licenciatura reconhecido pelo MEC. Ao todo, serão 12 mil vagas nessa primeira etapa e a primeira parcela deve ser paga a partir de abril.

“No último Enem, 19 mil alunos acima de 650 pontos escolheram fazer licenciatura. Apenas 5 mil se matricularam. E desses, os dados mostram que, ao longo dos anos, metade desiste. Então, a gente quer praticamente triplicar o número atual de ingressantes na licenciatura com notas do Enem acima de 650 pontos”, explicou o ministro a jornalistas após o evento.

R$ 2,1 mil para professores

Além do apoio financeiro a estudantes de licenciatura, o programa prevê a Bolsa Mais Professores, com apoio financeiro a docentes das redes públicas de ensino da educação básica e que pretende aumentar a atuação em regiões com carência de professores, em medida similar ao Programa Mais Médicos, que contrata profissionais de saúde para regiões desassistidas. O participante receberá uma bolsa mensal no valor de R$ 2,1 mil, mais o salário do magistério, pago pela rede de ensino a qual está vinculado. Além disso, durante o período da bolsa, o professor cursa uma pós-graduação lato sensu com foco em docência. A abertura de inscrições para essa bolsa está prevista para começar no segundo semestre, a partir da adesão das redes de ensino dos estados e municípios, por meio de edital que deverá ser aberto nos próximos dias.

“Quem dá aula na periferia das grandes metrópoles desse país sabe que ser professor é um risco. Ser professor é um risco. Esperar ônibus tarde da noite, pegar ônibus de manhã lotado, chegar na escola sabendo que as crianças estão com preocupação, muitos nem tomaram café em casa. E, às vezes, menino com violência, menino que sai de casa brigado com a mãe porque não comeu, porque não sei lá, e vai tentar jogar a sua raiva na professora e no professor”, afirmou o presidente Lula, durante o anúncio do programa.

“Se a gente não motivar que professor e professora sejam uma profissão, eu diria, promissora, uma profissão que dê a eles a certeza de que eles estão trabalhando em benefício das pessoas e que o Estado poderá ajudá-la através do município, através do próprio Estado, de que esse professor não vai ser molestado, não vai apanhar. Então, essas coisas que nós temos que cuidar e que nós estamos fazendo aqui”, acrescentou.

Prova Nacional

Outra medida anunciada é a Prova Nacional Docente (PND), criada para melhorar a qualidade da formação, estimular a realização de concursos públicos e induzir o aumento do número de professores nas redes públicas de ensino. A PND será realizada anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a mesma autarquia que realiza o Enem. Estados e municípios poderão utilizar a PND em seus processos de seleção de professores, substituindo concursos públicos. Docentes interessados se inscrevem diretamente no Inep. A primeira PND tem previsão de ser aplicada em novembro.

O Programa Mais Professores ainda prevê descontos em hotéis, a partir de uma parceria com o Ministério do Turismo e a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), para docentes das redes públicas. O valor dos descontos ainda não foi detalhado.

O MEC criou uma página na internet com informações sobre o programa..  

Fonte: Agência Brasil

Imagens inéditas de indígenas isolados são feitas em Rondônia e Mato Grosso

Divulgação dos registros busca reforçar a necessidade de proteção territorial contra ameaças à sobrevivência. O monitoramento é feito a partir de expedições

Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) capturou imagens inéditas de povos isolados na Terra Indígena (TI) Massaco, em Rondônia. As atividades de monitoramento também confirmaram a presença de isolados na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em Mato Grosso.

Segundo órgão, a divulgação dos registros busca reforçar a necessidade de proteção territorial contra ameaças à sobrevivência indígena. O monitoramento é feito a partir de expedições, sobrevoos e de presença permanente, em parceria com outros órgãos ambientais e de segurança pública, por via terrestre e aérea, por meio das Bases de Proteção Etnoambiental (Bapes).

As Bapes são estruturas físicas permanentes localizadas em pontos estratégicos dos territórios, visando a proteção ambiental, física e social dos povos indígenas isolados e de recente contato. As imagens foram feitas durante expedições de monitoramento no início de 2024, mas só foram divulgadas na quarta-feira (8/01).

Terra Indígena Massaco

A Terra Indígena Massaco está demarcada e regularizada pelo Decreto de 11 de dezembro de 1998, com área de 421.895 hectares, localizada nos municípios de Alta Floresta D’Oeste e São Francisco do Guaporé, no estado de Rondônia. A ocupação deste território é exclusiva do povo indígena isolado de etnia ainda desconhecida.

Entre janeiro e abril de 2024, uma equipe da Base Massaco, formada por oito profissionais especializados na proteção de indígenas isolados e de recente contato, realizou expedições para registrar vestígios e atividades desses grupos. A equipe da Funai percorreu cerca de 65 km em cinco dias para mapear os vestígios deixados pelos isolados e planejar as próximas ações de monitoramento.

Com cerca de 30 anos de atuação com monitoramento de indígenas isolados, o sertanista da Funai Altair Algayer foi quem liderou a expedição. Foi detectada a presença dos indígenas isolados em diversas ocasiões por meio de vestígios, como estrepes (armadilhas pontiagudas) colocados em trilhas e estradas nos limites da TI, além de abrigos temporários, pontos de coleta de mel e outros alimentos e atividades de caça.

Chamou a atenção da equipe a aproximação dos indígenas, cada vez mais frequente, nos extremos dos limites da Terra Indígena, o que os expõe ao contato direto e indireto com não indígenas. Pelo que os agentes observaram, essa aproximação, muitas vezes, é pela necessidade de expandirem sua área de ocupação em busca de recursos para a sobrevivência.

“Outro alerta visto com preocupação é a mudança climática, que altera significativamente o ciclo dos recursos naturais, dos quais este povo depende para sobreviver. Garantir a proteção integral dos recursos naturais deste território é fundamental para a sobrevivência deste povo”, destacou Altair Algayer.

O monitoramento do povo isolado da TI Massaco é feito pela Funai há mais de 35 anos. As expedições ocorrem anualmente. ltair Algayer ressalta que é fundamental para o êxito de uma atividade de monitoramento, como essa expedição na TI Massaco, ter uma equipe que disponha de conhecimento sobre o ambiente da floresta e dos seres que a habitam.

“Uma equipe que tenha conhecimento mínimo e básico sobre o comportamento e dos hábitos do povo isolado, que vão auxiliar na leitura dos vestígios deixados, facilitando a identificação e interpretação dos significados, artefatos, habitações e demais sinais deixados pelos isolados. Uma leitura com boa interpretação leva a equipe a tomar a decisão mais coerente durante a atividade, principalmente, no momento certo de recuar e não continuar e/ou quando se deve avançar, sempre pautado pela premissa de não surpreender e evitar que sua presença represente uma ameaça aos indígenas isolados”, diz o sertanista.

Terra Indígena Kawahiva

A Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo tem um área de 411.844 hectares e é localizada no município de Colniza, no estado do Mato Grosso. O território já teve os limites territoriais declarados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a partir dos estudos de identificação e delimitação feitos pela Funai. No momento, o processo de demarcação encontra-se judicializado.

Com oito dias de atividades, a equipe de monitoramento confirmou a ocupação dos isolados na região e os deslocamentos que realizaram. “Também encontramos sinais de invasão e uma pressão muito forte no entorno do território, evidenciando que a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo é mais do que uma urgência”, alertou o sertanista Jair Candor.

Essa constatação se deu logo nos dois primeiros dias de expedição, momento em que os agentes localizaram um ponto de acampamento não indígena – possivelmente de garimpeiros ou copaibeiros – para duas pessoas. Segundo os agentes da Funai, o acampamento foi encontrado em uma área onde a equipe havia registrado forte ocupação de isolados em expedições anteriores, reforçando a suspeita de que os indígenas se mudaram para outra área da TI.

Durante a missão, foram encontrados sinais claros de presença indígena, como pegadas, vestígios de coleta de mel e utensílios. A equipe também confirmou a presença de crianças e que o grupo indígena segue em boas condições, com evidências de reprodução e formação de novos núcleos familiares, indicando crescimento demográfico.

Antes de encerrar a expedição, os agentes da Funai deixaram ferramentas, como machados e facões, em pontos estratégicos e instalaram câmeras com sensores de movimento para monitorar os indígenas sem interferir na rotina.

Jair Candor explica que como os indígenas isolados que vivem na TI estão em uma área de muita pressão grileira e madeireira, eles já tiveram contato com esse tipo de ferramenta no passado, o que facilita nas atividades cotidianas.

Com o desgaste das ferramentas deles, há o risco de que eles tentem buscar outros utensílios nas fazendas do entorno. Essa tentativa, no entanto, os coloca em grave risco, seja por violência em possível contato com os “brancos” ou pelo contágio de doenças.

O que são povos isolados e de recente contato?

A denominação “povos indígenas isolados” se refere especificamente a grupos indígenas com ausência de relações permanentes com a sociedade ou com pouca frequência de interação, seja com não indígenas ou com outros povos indígenas já contatados.

“Esse ato de vontade de isolamento se relaciona com experiências traumáticas de violência colonial vivenciadas no passado, o que os leva a optar por um estado de autossuficiência social e econômica, quando a situação os leva a suprir de forma autônoma suas necessidades sociais, materiais ou simbólicas, evitando relações sociais que poderiam desencadear tensões ou conflitos interétnicos”, pontua a Funai. 

Já os indígenas de “recente contato” são aqueles que mantêm relações de contato permanente e/ou intermitente com segmentos da sociedade nacional e que, independentemente do tempo de contato, apresentam singularidades e seletividade (autonomia) na incorporação de bens e serviços. 

“São, portanto, grupos que mantêm fortalecidas as suas formas de organização social e suas dinâmicas coletivas próprias e que definem sua relação com o Estado e a sociedade nacional com alto grau de autonomia”, diz a Funai.

Atualmente, a Funai reconhece a presença de 114 registros de povos indígenas isolados no Brasil — a maioria na Amazônia, dos quais 28 estão confirmados. Além disso, são 22 os povos considerados como de recente contato.

Fonte: Correio Braziliense

Hospital Veredas anuncia demissão em massa

Mesmo com intervenção, setores estão fechados, salários não são pagos e 157 demissão já foram feitas

A intervenção no Hospital Veredas, em Maceió, determinada pela Justiça Federal em novembro do ano passado, ainda não produz frutos nem mudou ou amenizou a situação de caos na unidade, que deveria funcionar como suporte ao Hospital Geral do Estado (HGE). O hospital permanece com setores estratégicos fechados para o atendimento pelo SUS, como maternidade e UTI Neonatal, e iniciou o processo de demissão em massa dos trabalhadores de várias categorias, como a enfermagem.

Em reunião realizada nesta segunda-feira, 13, com sindicatos que representam os profissionais, como o Sateal (enfermagem), a direção do hospital informou que não tem data para reabrir os setores, não há recursos para compra de insumos e que deve demitir 289 funcionários para ajustar a folha de pagamento à realidade financeira da instituição.

De acordo com uma nota divulgada nesta segunda-feira, 13, pelo Sateal, dos 270 leitos disponíveis, apenas dois estão ocupados com pacientes. “Todos os serviços estão fechados, o hospital está parado. Os funcionários aguardam em casa o retorno das atividades”, diz o texto.

Segundo o presidente do Sateal, Mário Jorge, a direção do Hospital Veredas já demitiu 157 profissionais de todas as categorias. Essas pessoas estão deixando as atividades sem fazer o exame demissional, como determina a legislação trabalhista, e terão de recorrer à justiça para receber o que é de direito.

Além dos demitidos, o hospital não tem pago salários em dia e nem paga o complemento do piso salarial da enfermagem, cujos recursos são repassado pela União.

O Sateal encaminhou as informações ao Ministério Público do Trabalho para que sejam adotadas as providências cabíveis e vai realizar com os profissionais do hospital uma assembleia na próxima quarta-feira, às 10 horas, para tomada de decisão.

Mário Jorge avalia que a situação é crítica, pela questão financeira e demissões, mas também pela ameaça real de fechamento do hospital. Segundo ele, o principal reflexo para o caos administrativo e financeiro implantado no Hospital Veredas, é a superlotação de pacientes nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que não foram preparadas para funcionar como hospital e não conseguem dar respostas à demanda.

No final do mês de novembro, a Justiça Federal homologou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com órgãos públicos estabelecendo intervenção judicial provisória no Hospital Veredas. A decisão judicial destacou na época a relevância da intervenção como alternativa para solucionar os problemas estruturais e administrativos que comprometem o funcionamento do hospital.

O documento previa medidas para garantir a continuidade dos serviços de saúde e a reestruturação administrativa da unidade, o que não aconteceu, como:
● Manutenção dos serviços de saúde: Adotar providências emergenciais para garantir a continuidade da assistência médica, priorizando urgências e emergências, conforme a contratualização vigente com o município de Maceió.

● Diagnóstico institucional: Elaborar, no prazo de 30 dias, um plano detalhado sobre a real condição administrativa, financeira, patrimonial e estrutural do hospital. Uma auditoria independente também deve ser contratada para avaliar a gestão anterior.

● Pagamento de salários atrasados: Regularizar, com prioridade, os vencimentos e encargos trabalhistas de colaboradores ativos, além de assegurar o pagamento de salários futuros.

● Reestruturação da administração: Criar um plano emergencial de recuperação administrativa e financeira, observando rigorosamente as normas do TAC homologado.

Fonte: Maceió Não Para

Governo Lula sanciona lei que restringe uso de celular em escolas

Medida vai entrar em vigor neste ano letivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (13) o Projeto de Lei 104/2015, que restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis, sobretudo telefones celulares, nas salas de aula de escolas públicas e privadas do ensino básico em todo o país. Um decreto do presidente, que sairá em até 30 dias, vai regulamentar a nova legislação, para que passe valer para o início do ano letivo, em fevereiro. O projeto de lei foi aprovado no fim do ano passado pelo Congresso Nacional.  

“Essa sanção aqui significa o reconhecimento do trabalho de todas as pessoas sérias que cuidam da educação, de todas as pessoas que querem cuidar das crianças e adolescentes desse país”, afirmou o presidente, que fez questão de elogiar o trabalho dos parlamentares que aprovaram a medida.

“Imagina uma professora dando aula e, quando ela olha para os alunos, está cada um olhando para o celular, um tá na China, outro tá na Suécia, outro tá no Japão, outro está em outro estado conversando com gente que não tem nada a ver com a aula que ela está recebendo. A gente precisa voltar a permitir que o humanismo não seja trocado por algoritmo”, enfatizou Lula ao comentar sobre a nova lei.

Países como França, Espanha, Grécia, Dinamarca, Itália e Holanda já adotam legislações que restringem uso de celular em escolas. Apoiado pelo governo federal e por especialistas, o projeto alcançou um amplo consenso no Legislativo, unindo governistas e oposicionistas.

“Não dá para um aluno estar na sala de aula, no Tiktok, na rede social, quando o professor está dando aula. Toda vez que um aluno recebe uma notificação, é como se ele saísse da sala de aula. Toda vez que ele recebe uma notificação quando ele está numa roda de conversa, é como se a gente perdesse a atenção dele”, afirmou o secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, que é deputado federal licenciado e autor do projeto na Câmara. Ele classificou o projeto como uma das principais vitórias do século na educação brasileira.

O que diz a lei

De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, a lei restringe o uso em sala de aula e nos intervalos, para fins pessoais, mas há exceções, como o uso para finalidade pedagógica, sob supervisão dos professores, ou em casos de pessoas que necessitem de apoio do aparelho para acessibilidade tecnológica ou por alguma necessidade de saúde.  

“Nós não somos contra acesso a tecnologias, até porque não há mais retorno no mundo de hoje. Mas nós queremos que essa tecnologia, essa ferramenta, seja utilizada de forma adequada e, principalmente, nas faixas [etárias] importantes da vida das crianças e adolescentes”, afirmou o ministro, que alertou sobre o uso cada vez mais precoce e prolongado do celular por crianças.

“Estamos fazendo uma ação na escola, mas é importante conscientizar os pais de limitar e controlar o uso desses aparelhos fora de sala de aula, fora da escola”, acrescentou Camilo Santana.

O ministro pediu engajamento das famílias e das comunidades escolares para fazer valer a nova lei.

A secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, que coordena a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), afirmou que o colegiado vai publicar orientação para as redes públicas e privadas. “O Conselho Nacional de Educação vai fazer uma resolução que oriente as redes, as escolas, de como fazer isso sem parecer uma opressão”, disse. O MEC também deve publicar guias com orientações para as escolas de todo o país.

Fonte: Agência Brasil

Médicos de todo o mundo exigem que Israel liberte Kamal Adwan, diretor do hospital

Profissionais médicos e usuários de mídia social estão se unindo ao Dr. Hussam Abu Safiya de Gaza e apelando à comunidade internacional

Trabalhadores da saúde e usuários de mídia social de todo o mundo estão exigindo a libertação imediata do Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do hospital Kamal Adwan no norte de Gaza, que está atualmente detido pelo exército israelense.

Médicos, profissionais médicos e civis comuns foram às mídias sociais esta semana para compartilhar seu apoio a Abu Safiya, usando a hashtag “FreeDrHussamAbuSafiyeh”, bem como amplificando as demandas de que Israel pare de atacar os hospitais de Gaza em sua guerra contra o enclave sitiado que começou em outubro de 2023.

Além da hashtag de tendência, uma petição foi iniciada na plataforma Change.org.

A petição é endereçada à presidência norte-americana e apela à “comunidade internacional, particularmente os Estados Unidos, para usar sua influência e autoridade para forçar Israel a libertar imediatamente o Dr. Abu Safiya e outros profissionais médicos e pacientes detidos em Kamal Adwan”.

“A assistência médica não é um crime. Atacar deliberadamente hospitais, equipes médicas e pacientes é”, diz a declaração da petição.

Quase 2.000 pessoas assinaram a petição, citando leis internacionais que proíbem ataques deliberados ou intencionais a instalações e pessoal médico, bem como a feridos e doentes.

A família de Abu Safiya também apelou à comunidade internacional para tomar medidas pela libertação do médico.

Profissionais médicos compartilharam imagens on-line com mensagens escritas à mão dizendo #FreeDrHussamAbuSafiya para chamar mais atenção para a causa.

Forças israelenses detiveram Abu Safiya após invadirem o hospital Kamal Adwan. Durante o ataque israelense, vários departamentos pegaram fogo, matando e ferindo profissionais médicos e pacientes palestinos, de acordo com Munir al-Bursh, diretor-geral do Ministério da Saúde palestino em Gaza.

No ataque, as forças israelenses disseram que mataram pelo menos 20 palestinos.

De acordo com relatos, Abu Safiya está atualmente detido na notória prisão israelense de Sde Teiman, onde abusos, incluindo tortura, assassinatos e estupros, são frequentes, disseram detentos recentemente libertados.

Bursh disse que as forças israelenses espancaram violentamente Abu Safiya antes de prendê-lo.

Desde a notícia de que Abu Safiya foi detido em Sde Teiman, muitas pessoas online pediram responsabilização e uma explicação das autoridades israelenses.

O hospital Kamal Adwan, que era o último em funcionamento no norte de Gaza, agora está fora de serviço após ataques israelenses contínuos.

Abu Safiya ganhou destaque durante a guerra israelense em Gaza por meio de seus apelos por melhores cuidados de saúde para todos os palestinos e suas atualizações regulares do enclave devastado pela guerra.

Ele também foi elogiado por se recusar a negligenciar os pacientes no hospital Kamal Adwan, mesmo quando Israel o invadiu e removeu à força os profissionais de saúde de lá.

A última fotografia tirada dele antes de ser detido por Israel mostra Abu Safiya em seu traje médico caminhando sozinho em direção a dois tanques israelenses com escombros completamente ao seu redor. Essa imagem se tornou viral desde então.

Todos os funcionários médicos restantes, pacientes e seus parentes foram retirados do hospital sob a mira de uma arma, forçados a se despir até ficarem só de roupa íntima e transferidos para um local desconhecido.

Na época do ataque, havia 350 pessoas no hospital, incluindo 180 profissionais médicos e 75 feridos, de acordo com o Government Media Office, sediado em Gaza.

Um relatório do Ministério da Saúde palestino em junho disse que mais de 500 profissionais médicos foram mortos desde o início da guerra.

Fonte: Monitor do Oriente

Menores são agora metade da população de Gaza, dizimada em 6% por Israel

Com redução da população, tendência é de que o número de crianças exterminadas aumente exponencialmente.

Ao final de 2024, a Presidente do Escritório Central de Estatísticas da Palestina (PCBS), Dra. Ola Awad, divulgou um panorama alarmante sobre a situação do povo palestino, destacando as consequências catastróficas da agressão genocida “israelense” desde 7 de outubro de 2023. Este período representou uma das fases mais violentas da história do genocídio “israelense” contra o povo palestino.

Mais de 45 mil mortos e impacto demográfico na Faixa de Gaza

Desde o início da ofensiva israelense, mais de 45.000 palestinos foram mortos, dos quais 98% estavam na Faixa de Gaza. Entre as vítimas, 17.581 eram crianças e 12.048 mulheres. Ademais, há cerca de 11.000 desaparecidos. Esses números configuram a maior perda de vidas em um único período na história do conflito. Levando em consideração que os desaparecidos (quase todos sob escombros) já estão mortos, o número total de palestinos dizimados por “israel” ultrapassa os 56.000.

A população da Faixa de Gaza sofreu uma redução de 6%, totalizando 2,1 milhões de pessoas ao final de 2024, com mais de 100.000 pessoas deixando o território desde o início da ofensiva. Do total de habitantes que permanecem na Faixa de Gaza, mais de um milhão são menores de 18 anos, representando 47% da população local.

Isso significa que quase metade da população atual da Faixa de Gaza é composta por menores de idade. A perspectiva de que o genocídio mude de qualidade, sendo ainda mais criminoso, ao atingir majoritariamente crianças e adolescentes, é assombrosa. A tendência, se a máquina de extermínio de “israel” não for parada, é a de que o número de crianças exterminadas aumente exponencialmente.

Até o final de 2024, a porcentagem de indivíduos com idades entre 0 e 4 anos alcançou 14% da população total na Palestina, sendo 13% na Cisjordânia e 15% na Faixa de Gaza. Já a porcentagem de indivíduos com menos de 15 anos chegou a 37%, com 35% na Cisjordânia e 40% na Faixa de Gaza. O percentual de indivíduos com menos de 30 anos na Palestina alcançou 65% da população total, sendo 63% na Cisjordânia e 68% na Faixa de Gaza. Por fim, o de indivíduos com 65 anos ou mais atingiu 4%.

Condições humanitárias: saúde e segurança alimentar em colapso

A agressão também levou a um colapso dos serviços de saúde, colocando cerca de 60.000 mulheres grávidas em situação de risco devido à falta de atendimento. Em Gaza, 96% da população enfrenta altos níveis de insegurança alimentar, sendo que 22% vivem em condições catastróficas. Cerca de 3.500 crianças estão à beira da morte por desnutrição, e 36 já morreram devido à fome.

A educação também foi severamente impactada. Desde outubro de 2023, 77 escolas públicas foram completamente destruídas em Gaza, enquanto outras 191 foram bombardeadas ou vandalizadas. No total, mais de 11.796 estudantes palestinos perderam a vida, 11.714 em Gaza e 82 na Cisjordânia. Entre professores e administradores escolares, 466 foram mortos, a maioria em Gaza.

Isso significa que, sendo quase metade da população da Faixa de Gaza atualmente, e cujas condições biológicas os deixam mais vulneráveis que os que já são adultos, os menores de idade terão poucas possibilidades de se desenvolverem, inclusive do ponto de vista físico.

Em diversas ocasiões, o presidente da Fepal, Ualid Rabah, denunciou que o plano de “israel” é acabar com o futuro da Palestina, isto é, dizimar principalmente as novas gerações, para concretizar de modo efetivo o seu objetivo histórico de limpeza étnica. “É um plano para impedir que a sociedade palestina tenha a possibilidade de se reproduzir biologicamente. É um genocídio de novo tipo jamais visto na história da humanidade”, declarou em uma entrevista recente.

Economia em colapso

A economia palestina sofreu um colapso sem precedentes. Em Gaza, o PIB contraiu-se em mais de 85%, e na Cisjordânia, a queda foi de 22%. A taxa de desemprego atingiu 80% em Gaza e 35% na Cisjordânia, levando a uma média nacional de 51%.

População palestina global

Ao final de 2024, estima-se que 14,9 milhões de palestinos vivam ao redor do mundo, com 5,5 milhões na Palestina histórica e 7,6 milhões na diáspora, principalmente em países árabes (6,4 milhões).

Perspectivas sombrias

Os dados apresentados pela Dra. Ola Awad ilustram uma crise humanitária de proporções alarmantes, com impactos profundos na demografia, educação, saúde e economia palestina. O apelo é por uma intervenção internacional urgente para cessar a violência e prestar assistência às vítimas do genocídio cometido pelo exército “israelense”.

Fonte: Fepal

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