PF indicia ex-diretores da PRF por tentarem impedir deslocamento de eleitores em 2022

Inquérito reúne indícios de crimes como desobediência e restrição ao exercício do voto; cabe à PGR decidir sobre denúncia. PF apura se blitzes no 2º turno, em 2022, tiveram motivação política.

Polícia Federal indiciou quatro ex-diretores e coordenadores da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acusados de tentar, em 2022, dificultar ou impedir o deslocamento de eleitores potenciais do então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva.

Foram indiciados:

  • Luis Carlos Reischak Junior, ex-diretor de Inteligência e ex-Superintendente da PRF no Rio Grande do Sul;
  • Rodrigo Cardozo Hoppe, ex-diretor de Inteligência Substituto;
  • Djairlon Henrique Moura, ex-diretor de Operações;
  • Adiel Pereira Alcantara, ex-coordenador de Análise de Inteligência da PRF.

Também foi indiciado Bruno Nonato dos Santos Pereira, ex-coordenador-geral de Inteligência e Contrainteligência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Em nota, a defesa de Djairlon Henrique Moura, Carlos Reischak Junior e Rodrigo Cardozo Hoppe afirmou que “desconhece qualquer ato formal de indiciamento nos autos em trâmite no Supremo Tribunal Federal” (leia na íntegra abaixo). A defesa de Adiel Pereira Alcantara informou que não vai se manifestar.

indiciamento é o momento em que a PF envia as conclusões da investigação para as próximas etapas. O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR). Cabe à PGR decidir se denuncia os citados, pede mais investigações ou arquiva o caso.

Ainda em 2023, o blog do Valdo Cruz mostrou mensagens obtidas pela PF em que Adiel Alcântara acusava Silvinei Vasques – diretor-geral da PF no governo Jair Bolsonaro – de ter “falado muita merda” e ter citado “policionamento direcionado” em reuniões anteriores ao segundo turno.

No inquérito, a Polícia Federal reuniu indicações de que os cinco indiciados praticaram os crimes de:

  • desobediência
  • prevaricação (quando um agente público desrespeita a lei ao agir ou se omitir)
  • restrição ao exercício do direito do voto
  • participação (por omissão) no crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

O indiciamento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro, mas não tinha sido divulgado. As conclusões foram reveladas nesta quarta-feira (22) pelo UOL e confirmadas pela TV Globo.

Em agosto de 2024, a PF já tinha indiciado o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques e quatro policiais federais cedidos ao Ministério da Justiça – todos, por tentar impedir o deslocamento de eleitores na região Nordeste até os locais de votação. Relembre abaixo:

Blitzes no dia da eleição

Em 30 de outubro de 2022, dia do segundo turno, a PRF realizou blitzes que interferiram na movimentação de eleitores – sobretudo no Nordeste, onde Lula (PT) tinha vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.

Na véspera, o diretor-geral da PRF havia declarado voto em Bolsonaro.

No domingo do segundo turno, Alexandre de Moraes determinou a suspensão imediata das blitze, sob pena de prisão de Vasques. A ordem, no entanto, foi desrespeitada pela PRF.

Relatório obtido pelo blog da Andréia Sadi na época mostra que a PRF fiscalizou 2.185 ônibus no Nordeste, onde Lula (PT) era favorito, contra 571 no Sudeste, entre 28 e 30 de outubro, vésperas e dia do 2º turno das eleições de 2022.

Até a última atualização desta reportagem a defesa dos envolvidos não tinha se pronunciado.

Fonte: G1

Israel destruiu 436.000 casas em Gaza. Reconstrução custará US$ 40 bilhões

Cerca de 92% das casas na Faixa de Gaza, ou cerca de 436.000 casas, foram destruídas ou danificadas como resultado da agressão israelense ao enclave, enquanto 90% dos cidadãos foram deslocados, disse ontem o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

O representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Palestina, Dr. Rik Peeperkorn, disse: “O cessar-fogo em Gaza traz esperança, mas imensos desafios estão por vir.”

“Atender às necessidades massivas e restaurar o sistema de saúde será uma tarefa extremamente complexa e desafiadora, dada a escala de destruição, complexidade operacional e restrições envolvidas.”

Desde a agressão israelense a Gaza em 7 de outubro de 2023, o bombardeio israelense da Faixa sitiada causou uma “quantidade de destruição sem precedentes na história moderna”, de acordo com um relatório da ONU.

De acordo com estimativas da ONU, o custo total da reconstrução do que foi destruído pela guerra chega a US$ 40 bilhões, com aproximadamente 37 milhões de toneladas de entulho na Faixa e mais de 70% do total de moradias em Gaza danificadas ou destruídas.

A ONU confirmou que a destruição na Faixa Palestina é enorme e assustadora, e que os setores de educação e saúde foram quase completamente destruídos.

De acordo com a última avaliação de danos conduzida pelo Centro de Satélites da ONU (UNOSAT), em 1º de dezembro de 2024, aproximadamente 69% dos edifícios na Faixa foram danificados ou destruídos, um total de 170.812 edifícios.

Com base em análise de satélite, os pesquisadores americanos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek contaram 172.015 prédios danificados ou destruídos em Gaza em 11 de janeiro, o que equivale a 59,8% dos prédios na Faixa.

A combinação de dados do UNOSAT e do banco de dados geográfico OpenStreetMap indica que mais de 83% das mesquitas de Gaza foram danificadas ou destruídas.

As escolas de Gaza, que têm sido usadas desde o início da guerra como abrigos para os deslocados, incluindo escolas da ONU, também pagaram um alto preço na guerra.

Fonte: Monitor do Oriente

Por reforma agrária, movimentos sem-terra ocupam a sede do Incra em Maceió

Pelo menos três movimentos de trabalhadores rurais participam da ocupação da sede do instituto

Cerca de 1.000 trabalhadores rurais sem-terra, do campo e da cidade, vindos de vários municípios de Alagoas, ocuparam, na manhã de ontem, a sede da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Centro de Maceió.

Segundo o coordenador da Frente Nacional de Luta (FNL), Marcos Antônio da Silva, a ocupação é pacífica e por tempo indeterminado, dependendo do comando nacional de luta e do atendimento às reivindicações do movimento.

Com faixas e bandeiras, famílias de sem-terra acompanharam no calçadão da Rua do Livramento, em tendas improvisadas, na frente da sede do Incra. Os integrantes do movimento pretendem pernoitar e permanecer na capital alagoana até o final de desta semana, participando de várias manifestações na cidade.

“Estamos acompanhando, aqui em Alagoas, uma manifestação nacional em defesa da reforma agrária, contra a violência no campo e por mais mais recursos para a agricultura familiar”, afirmou Marcos Antônio, mais conhecido como Marrom.

Ele disse que pelo menos três movimentos de sem-terra participam da ocupação à sede do Incra e estão acampados em tendas, no Centro da cidade: FNL, MSL [Movimento Social de Luta] e MPL [Movimento Popular de Luta].

“O intuito dessa mobilização é cobrar do governo federal o compromisso com a reforma agrária no estado e em todo País, pois mesmo com dois anos de governo Lula, Alagoas continua com a mesma gestão do governo Bolsonaro na frente do Incra, onde não se avança nada voltado para reforma agrária nem agricultura familiar”, explicou Marrom.

Segundo ele, essa grande mobilização acontece em todo Brasil, é uma ação coordenada pela FNL nacional. “Cobramos também a desapropriação das terras da usina Guaxuma e Laginha, em Coruripe, União dos Palmares, Branquinha e outras regiões”, acrescentou.

CASO LAGINHA

Entre as reivindicações estão também as negociações em torno da regularização das terras da antiga Usina Laginha, que pertenciam ao Grupo João Lyra e hoje fazem parte da massa falida, em tramitação no Tribunal de Justiça de Alagoas.

“Por isso, realizamos também um ato público na Praça Deodoro, na frente da sede do TJ/AL, para cobrar agilidade da Justiça alagoana, nas negociações de regularização fundiária das terras da Laginha, que se arrastam há cerca de 10 anos”, relatou Marrom.

Na opinião dele, a distribuição de terras está paralisada em Alagoas, bem como nos demais Estados da Federação, desde o governo anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Precisamos que o governo do presidente Lula reassuma o compromisso com a reforma agrária”, destacou.

Fonte: Tribuna Hoje

Edir Macedo quer censurar o documentário O Diabo no Tribunal da Netflix

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou uma liminar apresentada por Edir Macedo

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou uma liminar apresentada por Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e por Renato Cardoso, seu genro e braço direito na instituição, que solicitava a retirada do documentário O Diabo no Tribunal (2023) do catálogo da Netflix. A decisão foi revelada em matéria publicada pelo Notícias da TV.

Os religiosos argumentaram que o documentário associou suas imagens a um caso judicial norte-americano envolvendo um réu que alegou estar “possuído por um demônio” ao cometer um assassinato. A obra se baseia na história real que também inspirou o filme Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio (2021).

Argumentos rejeitados pela Justiça

Na ação, Macedo e Cardoso afirmaram que os trechos onde aparecem foram utilizados sem autorização e que a repercussão prejudicou suas imagens públicas. Porém, a juíza Paula da Rocha e Silva indeferiu o pedido, classificando a retirada do documentário como um ato de censura.

O documento judicial destacou que os trechos questionados são breves, ocorrendo nos minutos 23:40, 32:24 e 33:12 da produção, e que não há imagens claras dos rostos dos envolvidos, tornando a identificação difícil. “Ademais, considerando o curto tempo de aparição, o contexto em que aparecem, e a difícil identificação dos autores pela ausência de imagens dos rostos, entendo prescindível, a princípio, a necessidade de autorização para veiculação das imagens”, escreveu a juíza.

Ela também observou que as imagens exibidas no documentário refletem práticas amplamente divulgadas pela própria Igreja Universal: “Em rápida pesquisa na internet, é possível verificar vídeos disponibilizados na plataforma do YouTube, em conta do próprio autor Edir Macedo Bezerra, no qual ele estaria realizando a libertação de uma ‘possessão demoníaca’ em um de seus fiéis”.

Documentário segue disponível

Com a decisão, O Diabo no Tribunal continuará disponível na Netflix enquanto a ação judicial, que ainda está em andamento, não for concluída.

Apesar de procurados pela reportagem, Edir Macedo e Renato Cardoso não se manifestaram até o fechamento do texto. A decisão reacende debates sobre os limites entre liberdade de expressão e o direito à imagem, especialmente em produções audiovisuais que abordam temas religiosos e culturais sensíveis.

Fonte: Brasil 247

Trump toca o terror e autoriza prisões de imigrantes em escolas, hospitais e igrejas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou nesta terça-feira (21) um regulamento do governo Joe Biden que proibia a prisão de imigrantes em situação irregular em lugares considerados sensíveis, como escolas, hospitais e igrejas.

Agora, agentes responsáveis por identificar, apreender e deportar pessoas que estejam nos EUA irregularmente ficam autorizados a entrar nesses lugares para procurar imigrantes. De acordo com o diretor interino do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), Benjamine Huffman, “criminosos não poderão mais se esconder nas escolas e igrejas do país”.

Huffman também revogou uma série de moratórias estabelecidas pelo governo Biden que permitiam a permanência nos EUA de centenas de milhares de imigrantes em situação irregular.

Em seu primeiro dia de volta ao cargo, Trump assinou uma série de decretos voltados a combater a imigração -o mais polêmico deles suspendeu a cidadania americana para filhos de imigrantes ilegais nascidos em território do país.

O decreto, parte importante da investida de Trump contra imigrantes que deve ser pilar do novo governo, contraria abertamente a Constituição do país, e ao menos 22 estados governados por democratas entraram na Justiça contra o governo federal para derrubar a medida.

O DHS também disse nesta terça que vai acelerar deportações de imigrantes que cumpram os seguintes requisitos: ter entrado nos EUA de forma ilegal, não possuir status regularizado, e não conseguir provar que mora nos EUA há pelo menos dois anos.

Trump ordenou ainda que agentes federais não priorizem operações apenas contra criminosos acusados de crimes graves, mas sim de qualquer imigrante que já tenha recebido uma ordem de deportação.

Fonte: MSN

Lula reúne ministros e define prioridades para os próximos meses

Na abertura do encontro, transmitida ao vivo no canal do governo, pela internet, Lula afirmou que aquela não seria “uma reunião qualquer”.

— Esta será uma reunião em que a gente vai definir concretamente o que que a gente vai realizar até o final de 2026. Nós passamos dois anos arrumando a casa e agora temos que ter certeza de que vamos colher tudo aquilo que plantamos. Dois mil e vinte e cinco é o ano da grande colheita de tudo aquilo que a gente prometeu ao povo brasileiro e nós não podemos falhar. É importante que cada um de vocês reflita, porque depois eu vou chamar individualmente muita gente para conversar — avisou o presidente aos seus ministros.

Confusão

Ainda durante a abertura dos trabalhos, Lula ressaltou a polêmica envolvendo alterações no PIX. A advertência teve endereço certo.

— Nenhum ministro vai poder fazer portaria que depois crie confusão para o governo, sem que essa portaria passe pela presidência da República, através da casa civil. Muita gente pensa que não é casa, mas depois cai na presidência da República — observou.

A regulamentação vetada havia entrado em vigor no primeiro dia de 2025, incluía a exigência de informações de processadoras de pagamentos via cartão e fintechs na lista de instituições bancárias obrigadas a prestar informações à Receita. Até então, a demanda se limitava aos bancos.

A Receita Federal também determinava que as transferências via PIX deveriam ser informadas sempre que superassem R$ 5 mil no mês, no caso de pessoas físicas, e R$ 15 mil no caso de empresas de qualquer porte.

Fake news

A comunicação do governo foi outro assunto em pauta. Recentemente, o publicitário Sidônio Palmeira tomou posse na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Ele substituiu Paulo Pimenta, que deixou o cargo após críticas à sua gestão.  

O baiano de 66 anos chega à Secom com a tarefa de redesenhar as estratégias de comunicação do governo federal, que vêm sendo mal avaliadas internamente, e de aumentar a popularidade do presidente Lula, tendo em vista as eleições presidenciais do ano que vem. 

Lula chegou a comentar o assunto durante a abertura.

— Pelos adversários, a eleição do ano vem já começou. É só ver o que vocês assistem na internet para vocês perceberem que eles já estão em campanha. E nós não podemos antecipar a campanha porque nós temos que trabalhar. E a antecipação da campanha para nós é trabalhar, trabalhar, trabalhar e entregar para o povo aquilo que ele precisa. Eu tenho uma causa, e essa causa é o que vai me motivar em 2025. A causa é a gente não permitir, em hipótese alguma, que esse país volte ao horror que foi o mandato do nosso antecessor — resumiu.

Fonte: Correio do Povo

Magazine Luiza e Itaú são acusados de irregularidades trabalhistas

Uma denúncia protocolada no Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo aponta uma possível irregularidade na parceria entre a Magazine Luiza e o Itaú, por meio da LuizaCred, uma instituição financeira criada pelas duas empresas. A acusação sugere que a parceria estaria burlando normas trabalhistas, prejudicando milhares de empregados em todo o país.

De acordo com a denúncia, a LuizaCred oferece produtos financeiros como empréstimos consignados, cartões de crédito e títulos de capitalização, mas registra seus funcionários como vendedores da Magazine Luiza, enquadrados na categoria de comerciários. Essa prática evitaria custos associados às categorias de bancários e financiários, que possuem salários maiores e benefícios mais amplos.

Um dos documentos anexados à denúncia apresenta um panfleto com a mensagem: “Aproveitem 100% dos clientes aposentados dentro da loja, não espere ele sentar na LuizaCred, vá até ele e venda o consignado”. A citação ilustra a abordagem agressiva na busca por aposentados para oferecer crédito consignado, prática que estaria sendo incentivada pelos gestores.

Decisões judiciais recentes em São Paulo já reconheceram irregularidades semelhantes. Em alguns casos, o vínculo empregatício entre a LuizaCred, Magazine Luiza e Itaú foi oficialmente reconhecido, garantindo aos trabalhadores os benefícios da categoria de financiários e bancários, antes negados por sua contratação como comerciários do varejo.

A denúncia ainda aponta que o Itaú, ao operar unidades da LuizaCred nas lojas da Magazine Luiza, estaria ampliando sua rede de atendimento sem arcar com os encargos trabalhistas exigidos no setor financeiro. Isso incluiria salários abaixo do piso para bancários e a exclusão de direitos trabalhistas específicos dessas categorias.

Em nota, o Itaú afirmou que “não foi notificado e, portanto, não tem conhecimento do teor da denúncia”. A Magazine Luiza declarou que a LuizaCred opera “em total conformidade com a legislação trabalhista vigente” e reforçou seu compromisso com a transparência. Ambas as empresas afirmaram que estão à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.

Fonte: DCM

Em Joaquim Gomes (AL), Acampamento do MST sofre ameaça de fazendeiros e políticos da região

Com 20 anos de existência, famílias do Acampamento Feliz Deserto é intimidado por homens armados ameaçando a retirada dos trabalhadores do local

Mais um episódio de ameaça aos trabalhadores rurais volta a marcar Alagoas. Dessa vez em Joaquim Gomes, na Zona da Mata do estado, o Acampamento Feliz Deserto é alvo da investida de fazendeiros e grupo político do município que quer expulsar os camponeses e camponesas de seu território. Se apresentando como suposto proprietário da terra, um fazendeiro tem intimidado as famílias acampadas há 20 anos com a presença de homens armados, ameaçando e coagindo as famílias.

Conhecido como Bruno, o suposto proprietário voltou a ameaçar os trabalhadores no início de janeiro e com a justificativa de que a área é sua propriedade e as famílias estariam lá somente nos últimos meses.

Em articulação com o grupo político comandado pelo ex-prefeito da cidade, Adriano Barros (PTB), as ameaças desafiam a justiça sob argumento de que o conflito seria resolvido “na bala”, como relatam moradores das intimidações presenciadas no Acampamento.

Contrariando a alegação de que os Sem Terra estariam ocupando a área por pouco tempo, o Acampamento ocupado pelo MST em 2004 fazia parte de um conjunto de terras que pertenciam a Agro Industrial Serra Ltda (AGRISA), que abriu falência nos anos 2000 e que já existe uma ação de reintegração e posse em trâmite na Justiça Federal. Ainda nesse cenário, o suposto comprador da fazenda apresenta-se como proprietário da área denominada Gameleira, no entanto a área que as famílias estão acampadas era chamada Fazenda Feliz Deserto.

O MST já reivindicou junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) uma ação concreta de georreferenciamento e levantamento da cadeia dominial para elucidar a situação que põe em conflito as famílias acampadas.

Ao longo dos 20 anos de Acampamento, as famílias do Feliz Deserto resistiram a 8 tentativas de despejo a partir do trabalho coletivo na terra em que tiram o sustento pela produção de macaxeira, batata doce, banana, manga, coco, laranja e limão principalmente.

O Acampamento ainda possui uma casa de farinha onde as famílias produzem derivados da macaxeira e um viveiro de mudas de plantas nativas e frutíferas. Todo o conjunto dessa produção serve para o consumo das famílias, comercialização nas feiras dos municípios, além de doação para as iniciativas de solidariedade na região, onde o Acampamento participa com frequência.

Histórias que atravessam décadas

Vindo do trabalho no corte da cana-de-açúcar, Amaro Manoel e Maria Aparecida são casados e vivem no Acampamento Feliz Deserto desde o ano de 2004 e não escondem o orgulho de tudo que construíram juntos para a mudança da vida desde que chegaram no MST.

“Eu trabalhei 20 anos na usina e depois da falência dela eu saí, perdi várias semanas de serviço sem receber pelo que trabalhei e sem nenhum direito até agora”, comenta Seu Amaro, como é conhecido no Acampamento. “Desde que chegamos no Acampamento nossa vida mudou muito. Agora a gente tem a nossa própria lavoura para comer e tirar uns trocados”, explica enquanto mostra parte da sua produção no lote.

É o mesmo entusiasmo que Maria Aparecida lista tudo que tem na roça: macaxeira, batata, feijão, milho, abacaxi; e não esconde a comparação, “antes a gente trabalhava no corte da cana, saindo de casa cinco horas da manhã e voltando no fim da tarde. Hoje a gente trabalha, tem a nossa roça e a nossa vida, produzindo para mim e para quem precisa”.

Com quase a mesma idade do Acampamento, David Moura, aos 24 anos, carrega o mesmo orgulho ao falar do tempo que vive no Feliz Deserto e do aprendizado que teve desde que chegou com a família para viver na área. “Moro aqui há 3 anos com minha companheira e meu filho, conhecemos a história do Acampamento Feliz Deserto e estamos agora aqui lutando pelo nosso pedaço de terra, pelos nossos direitos e procurando ter uma vida melhor”, disse.

David é um dos responsáveis pela manutenção do viveiro Dorinha, um espaço de produção de mudas que ocupa o centro do Acampamento com capacidade para 3800 mudas destinadas para as ações de reflorestamento e comercialização da comunidade.

“Aqui eu aprendi muita coisa, aprendi sobre sustentabilidade e cuidado com a natureza. O MST me ensinou que é preciso cuidarmos do meio ambiente para nós e para as futuras gerações, preservando as nascentes e conviver bem com a natureza”.

O viveiro organizado no Acampamento apresenta que além da produção de comida saudável, a comunidade também se organiza para os cuidados com os bens da natureza. De acordo com David, tudo é organizado com divisão de tarefas, possibilitando que todas as famílias possam contribuir com a organização do viveiro, aprender com o trabalho e ser mais um combustível para a resistência popular que atravessa a história do Acampamento.

Fonte: MST

Palestinos começam a procurar desaparecidos em Gaza enquanto retornam para casas destruídas

“Não há nada além de escombros e alguns cadáveres ao redor e abaixo deles”, disse um jovem que perdeu seus pais e irmão no genocídio

Por Bethan McKernan em Jerusalém e Malak A Tantesh em Gaza*

Após a primeira noite em Gaza por mais de um ano sem o som de drones ou bombardeios após a implementação bem-sucedida de um cessar-fogo, as pessoas no território palestino sitiado começaram a retornar para casas destruídas e a procurar por entes queridos desaparecidos.

A trégua que entrou em vigor no domingo com a libertação dos três primeiros reféns mantidos pelo Hamas em troca de 90 palestinos de prisões israelenses foi recebida com euforia quando um grande fluxo de suprimentos de ajuda desesperadamente necessários entrou na faixa.

Na segunda-feira, no entanto, as celebrações deram lugar ao choque e à tristeza, enquanto a população de 2,3 milhões da faixa começou a avaliar a escala da devastação causada por Israel em retaliação ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Em Israel, a alegria pelo retorno seguro dos três reféns foi temperada pela raiva e surpresa pela demonstração de força do Hamas na entrega dos reféns após 15 meses de combate extenuante.

“A nação assistiu com não pouco medo quando dezenas de homens armados do Hamas, saudados por uma grande multidão animada, tomaram a Praça Saraya da Cidade de Gaza para uma selvagem e autoengrandecedora cerimônia à luz do dia diante de uma vasta audiência global”, disse um artigo de opinião do Times of Israel.

Colonos israelenses na Cisjordânia ocupada que se opõem ao acordo tentaram bloquear as entradas para a cidade palestina de Ramallah na noite de domingo antes do retorno de 90 mulheres e crianças mantidas em prisões israelenses.

Durante a noite, extremistas israelenses incendiaram casas e carros em três vilas da Cisjordânia. Em uma declaração, as Forças de Defesa de Israel disseram que agiram “rapidamente” para dispersar os manifestantes, prendendo duas pessoas, uma alegação contestada pela organização de direitos humanos Yesh Din.

Ainda não se sabe se o primeiro estágio de seis semanas do cessar-fogo será mantido após relatos isolados de violência na segunda-feira, incluindo o que os médicos disseram ter sido um incidente em que tropas israelenses atiraram em oito pessoas na área de Rafah. O exército israelense disse que estava verificando os relatórios.

Gaza ainda está cortada em duas pelo corredor Netzarim, que Israel instalou abaixo da Cidade de Gaza, e não se espera que o exército israelense comece a se retirar da área até o sétimo dia da trégua. No norte e sul de Gaza, no entanto, civis deslocados começaram a fazer a longa jornada de volta para suas cidades, vilas e campos de refugiados, a pé ou usando carroças puxadas por burros em estradas cheias de munições não detonadas.

Youssef, 22, da cidade de Beit Lahia, no norte, que perdeu seus pais e irmão durante a guerra, retornou da Cidade de Gaza para sua casa na segunda-feira.

“A primeira sensação que tive quando cheguei a Beit Lahia foi choque e pânico com o horror e os escombros. É como se um terremoto Richter nove tivesse atingido minha cidade… Não há ruas, lojas, parques, mercados, hospitais ou municípios. Não há nada além de escombros e alguns cadáveres ao redor e abaixo deles”, disse ele.

Mais tarde, ele voltou para a Cidade de Gaza. “Pretendo retornar somente quando houver um ambiente para a vida humana… água, comida, serviços médicos e infraestrutura para que possamos recomeçar nossas vidas”, disse ele.

O serviço de defesa civil disse na segunda-feira que uma busca oficial estava em andamento por cerca de 10.000 pessoas desaparecidas. Apesar do cessar-fogo, o número de mortos em Gaza continua a subir: médicos relataram que 62 corpos foram encontrados nas últimas 24 horas [até a publicação desta tradução, já eram 137 corpos encontrados], elevando o número de mortos para 47.000. Outros 110.000 estão feridos, com um quarto deles enfrentando ferimentos que podem mudar suas vidas, e 12.000 pessoas precisam ser evacuadas para tratamento urgente em outro lugar, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Umm Saber, uma viúva de 48 anos e mãe de seis filhos, conseguiu retornar a Beit Lahia no domingo, dizendo à Associated Press que viu vários corpos na rota, alguns dos quais pareciam estar caídos ao relento há semanas.

Sua casa estava completamente destruída, ela disse, acrescentando que os vizinhos já haviam começado a cavar os escombros em busca de parentes desaparecidos que se acredita estarem enterrados nos escombros dos ataques aéreos israelenses. Outros estavam tentando abrir espaço suficiente para armar barracas.

O hospital local Kamal Adwan também foi “completamente destruído”, ela disse. “Não é mais um hospital… Eles destruíram tudo.”

O alívio temporário está chegando na forma de suprimentos humanitários, com 630 caminhões entrando na faixa no domingo quase imediatamente após o cessar-fogo entrar em vigor às 11h15 (09h15 GMT). Cerca de metade das entregas foram levadas para o norte de Gaza, que Israel cortou quase completamente do mundo exterior.

Israel nega ter deliberadamente estrangulado suprimentos de ajuda ao território palestino, culpando agências de ajuda pelos atrasos e alegando que o Hamas desvia as entregas.

O número médio de caminhões por dia entrando no território caiu para 18, levando agências de ajuda a alertar que nove em cada 10 pessoas não estavam tendo acesso a alimentos suficientes. O número mínimo de caminhões por dia necessário para conter a crise humanitária da faixa é 500, diz a ONU, que deve chegar a cada dia da primeira fase de seis semanas do cessar-fogo.

Mas o fluxo de ajuda pode levar tempo para aumentar, disse David Miliband, chefe do Comitê Internacional de Resgate, na segunda-feira, citando problemas anteriores com saques e ameaças à segurança de gangues armadas.

Questões de longo prazo sobre a reconstrução e governança da faixa devem ser abordadas em negociações programadas para começar no início de fevereiro, antes que o estágio um do cessar-fogo expire no início de março.

De acordo com uma avaliação de danos da ONU do início deste mês, limpar mais de 50 milhões de toneladas de entulho deixados pelo bombardeio de Israel pode levar 21 anos e custar até US$ 1,2 bilhão (£ 980 milhões). A OMS disse que restaurar a infraestrutura médica dizimada de Gaza custará US$ 10 milhões, já que apenas metade dos 36 hospitais da faixa ainda estão parcialmente operando.

Fonte: Fepal

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