Aumenta a adesão à greve dos professores e Sinteal cobra valorização ao governo Paulo Dantas

A greve da rede pública estadual de educação de Alagoas, que teve início na terça-feira, 01/07, com a realização pelo Sinteal de um grande ato público pelas ruas da capital alagoana tem crescido com o aumento da adesão da categoria.

Com data-base em maio, profissionais da educação reivindicam avanço na pauta de reajuste salarial e outros pontos relacionados à infraestrutura, condições de trabalho e valorização.  A categoria rejeitou, em assembleia, percentual de 4,83% proposto por Paulo Dantas. Greve foi aprovada para iniciar hoje, após o recesso escolar.

Izael Ribeiro, presidente do Sinteal, reforçou a cobrança ao governo. “Nós estamos aqui para dizer que não aceitamos esta forma de negociação com as trabalhadoras, esta falta de respeito. Nós temos uma pauta extensa que precisa ser trabalhada, e só iremos voltar às nossas atividades quando o governador negociar cada item da nossa pauta. Chega de desvalorização em Alagoas, chega de mercantilização da educação, chega do dinheiro público ir para a mão dos institutos e para a mão das OSCS. Nós queremos valorização, já”.

Reunindo caravanas de todo o estado, o protesto iniciou na Praça do Centenário e saiu em caminhada em direção ao Centro de Maceió, fez uma parada na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), onde dirigentes do Sinteal e manifestantes cobraram que a secretária Renata Santos “abra o cofre”. “Renata, nós queremos dialogar, nós queremos o que é nosso, nós não estamos aqui com pires na mão, pedindo favor, nós queremos o recurso do Fundeb para ser aplicado efetivamente em educação. É um fundo que nos garante valorização. Não adianta dizer que não consegue dar para o conjunto de servidores. Nós temos uma condição sine qua non, ou seja, indispensável: nós temos algo diferenciado, que é o fundo, é recurso para valorização”, cobrou a vice-presidenta do Sinteal, Consuelo Correia.

A secretária não recebeu as/os manifestantes, e o protesto seguiu até à porta do Palácio do Governo, onde ficou concentrado até o início da tarde e reforçou a insatisfação da categoria com o governo Paulo Dantas. “Educação na rua, governador a culpa é sua!”. Entre as palavras de ordem, o gestor foi considerado um traidor da educação, porque prometeu valorizar a educação e não cumpriu.

Estiveram no ato manifestando apoio dirigentes da Central Única dos Trabalhadores de Alagoas (CUT/AL), e dos sindicatos dos urbanitários e bancários. “A greve segue firme até que o governador decida negociar nossa pauta. Amanhã vamos fazer um giro em todo o estado para avaliar a situação da greve, e, na próxima quinta-feira, dia 3, estaremos participando de um importante debate sobre o Plano Nacional de Educação”, finalizou Izael.

Plebiscito Popular

Durante a manifestação, o Sinteal levou as urnas do Plebiscito Popular Por um Brasil Mais Justo. A consulta pública, que começou nesta terça-feira (1) e será realizada até o dia 7 de setembro, propõe que o povo opine sobre o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, e a taxação dos super-ricos — medida que prevê isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e cobrança progressiva para quem recebe mais de R$ 50 mil mensais. O resultado do Plebiscito Popular será entregue ao presidente Lula, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal em outubro.

Lula se encontra com Cristina Kirchner, vítima de lawfare

Alvo de lawfare no passado, na Lava Jato, presidente Lula fez questão de manifestar sua solidariedade em visita à ex-presidente argentina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em Buenos Aires, se encontrou nesta quinta-feira (3) com a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre pena em regime domiciliar. Lula e Kirchner, aliados históricos, trocaram abraços e o presidente manifestou solidariedade à ex-presidente, alvo, segundo ele, de perseguição judicial.

Alvo ele mesmo de lawfare no passado, na Lava Jato, Lula fez questão de manifestar sua solidariedade a Kirchner. O presidente também destacou o apoio popular que a ex-presidente argentina vem recebendo nas últimas semanas, em postagem nas redes sociais:Play Video

Por Lula, no X – Visitei hoje a companheira e ex-presidenta Cristina Kirchner (@CFKArgentina) em sua residência, em Buenos Aires. Fiquei muito feliz em revê-la e encontrá-la tão bem, com força e gana de luta. Tenho por Cristina uma amizade de muitos anos que vai muito além da relação institucional. Um carinho e afeto de amigos, companheiros de campo político e de ideais de justiça social e combate às desigualdades. Além de prestar minha solidariedade a ela por tudo que tem vivido, desejei toda a força para seguir lutando com a mesma firmeza que tem sido a marca de sua trajetória na vida e na política. Pude sentir nas ruas o apoio popular que tem recebido e sei bem o quanto é importante esse reconhecimento nos momentos mais difíceis. Que fique bem e siga firme na sua luta por justiça.

Em Buenos Aires, Lula também participou da cúpula do Mercosul. O Brasil recebeu do anfitrião a presidência pro tempore do bloco comercial.

Desde que a condenação contra a ex-presidente foi confirmada pela Corte Suprema de Justiça da Argentina, Lula vinha considerando a oportunidade de aproveitar a cúpula do Mercosul para se encontrar com Kirchner.

Mais cedo, a Justiça argentina autorizou o presidente Lula a visitar Kirchner. Ela foi foi condenada a seis anos por uma acusação de envolvimento em um esquema de desvio de recursos para obras inacabadas na Patagônia. Desde então, milhares de pessoas foram às ruas para denunciar o que consideram uma perseguição política contra a ex-presidente.

Fonte: Brasil 247

Israel ataca com mísseis local onde ocorria festa infantil em Gaza e mata 39 palestinos

Ao menos 95 palestinos, incluindo mulheres e crianças, foram mortos nas últimas 24 horas em ataques israelenses em Gaza. Entre os locais atingidos na segunda-feira (30), há um café onde acontecia uma festa de aniversário infantil. Além disso, foram registrados ataques em um hospital, um abrigo e um centro de distribuição de ajuda humanitária mantido pelo próprio governo em parceria com os Estados Unidos.

No ataque mais mortal do dia, jatos militares israelenses atacaram com mísseis a cafeteria Al-Baqa durante uma festa infantil acontecia. 39 pessoas morreram, incluindo o jornalista Ismail Abu Hatab, além de homens, mulheres e crianças que se reuniam para a comemoração. Uma testemunha ouvida pela rede Al Jazeera disse ter encontrado “pessoas despedaçadas” após os ataques. O café, de acordo com a testemunha, “não era afiliado a ninguém, sem nenhuma associação política ou militar”. Imagens mostram o local completamente destruído, ainda com elementos infantis espalhados e uma cratera no chão. Ainda segundo a Al Jazeera, e o ataque ocorreu sem aviso, impedindo a proteção das pessoas presentes.

Com a morte de Hatab, chega a 228 o número de jornalistas mortos na guerra de Israel contra o povo palestino, segundo o Escritório de Informações do Governo de Gaza.

Também na segunda-feira, um ataque aéreo atingiu, mais uma vez, um espaço de distribuição de alimentos mantido pelo próprio governo israelense. Ao menos 15 pessoas foram mortas na fila que aguardava ajuda humanitária. O espaço é um dos poucos locais onde palestinos famintos podem buscar alimento, devido ao bloqueio de ajuda externa imposto por Israel que, há meses, chega a impedir outros postos de distribuição. Quase 600 palestinos já foram mortos nos centros de ajuda gerenciados pela parceria entre Estados Unidos e Israel desde o final de maio.

Ainda na segunda, uma escola utilizada como abrigo para centenas de palestinos deslocados também foi atacada. Neste caso, disse uma das pessoas que conseguiu sobreviver ao ataque afirmou que israelenses teriam ordenado a evacuação do espaço cinco minutos antes de atacá-lo.

O mesmo aconteceu com o pátio de um hospital, utilizado como abrigo para famílias palestinas, também bombardeado por Israel. Um vídeo mostra a destruição. “Esta não é a primeira vez que o pátio do hospital é atacado. Pelo menos 10 vezes, esta instalação foi diretamente atacada pelas forças israelenses”, disse Abu Azzoum, da Al Jazeera. “É uma concentração impressionante de ataques a instalações médicas, adicionando um fardo ainda maior sobre hospitais que mal funcionam”.

Fonte: Brasil de Fato

Justiça Federal determina nova inspeção no Bom Parto

A Justiça Federal autorizou a inspeção nos imóveis do Bom Parto, que sofrem os efeitos da mineração da Braskem e estão localizados nas bordas da área de risco de afundamento do solo, em Maceió. A informação foi divulgada ontem (1) pelo defensor público estadual Ricardo Melro.

“A inspeção foi determinada pelo juiz da 3ª Vara Federal, a partir de requerimento da Defensoria, que foi acionada pelas vítimas em reunião com a Justiça Federal”, informou o defensor.

“Após a inspeção judicial marcada para o dia 22 de julho, às 15 horas, no bairro Bom Parto, a Justiça Federal vai analisar o pedido da Defensoria Pública de Alagoas para ampliar a área de realocação, incluindo toda a zona classificada como ‘Criticidade 01’ — não apenas no Bom Parto, mas também em outras regiões afetadas, como a Rua Marques de Abrantes”, acrescentou Melro.

Ele disse ainda que “o objetivo é verificar de perto os imóveis que apresentam afundamento, rachaduras, trincas e fissuras — situação já amplamente documentada no processo pela Defensoria em vídeos, imagens e reportagens”.

LAUDO DO SGB

Ricardo Melro informou ainda que a Justiça Federal também intimou o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) para prestar apoio técnico durante a vistoria nos imóveis do Bom Parto.

Segundo ele, a pedido da Defensoria Pública do Estado, o juiz da 3ª Vara Federal, André Granja, mandou que os técnicos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizassem um novo laudo sobre o Bom Parto – considerado por especialistas em solo como bairro que afunda com mais rapidez na cidade.

A possibilidade de incluir a área 01 na realocação foi assegurada no 2º aditivo ao Termo de Acordo, cuja cláusula permissiva só foi inserida nos autos do processo graças ao pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e à persistente atuação da Defensoria Pública da Alagoas (DPE).

Para o defensor Ricardo Melro, essas últimas decisões da Justiça Federal, representam um grande avanço no restabelecimento da verdade e da justiça. “A busca pela verdade continua. Seguimos firmes ao lado das vítimas, exigindo respeito e justiça”, enfatizou.

RETORNO DO SGB

Sobre o retorno dos técnicos do Serviço Geológico do Brasil a Maceió, para verificar a situação das minas e dos imóveis atingido pela mineração da Braskem, Ricardo Melro disse que “é obrigação deles”.

“Estamos insistindo há algum tempo. O SGB precisa retornar. Aqui está o maior problema em área urbana do Brasil. Como pode o SGB não trabalhar aqui?”, questionou o defensor, lembrando que foi a Defensoria Pública do Estado quem entrou com uma ação civil pública (ACP) contra o SGB, para que seus técnicos retornem a Maceió.

O último laudo assinado pelos técnicos do SGB, a nota técnica número 4, confirmando o avanço do afundamento do solo nas bordas da área de risco, foi engavetada pela Defesa Civil de Maceió; só veio à toma graças a iniciativa do defensor Ricardo Melro que decidiu divulga-lo e torná-lo público.

Nota técnica mostra afundamento preocupante na região fora do mapa de risco

A nota técnica Nº 4 demostra o afundamento do solo em escalada preocupante na região dos Flexais ao bairro da Levada, passando pelo Bom Parto, Vila Saem e Rua Marquês de Abrantes, em Bebedouro.

Por isso, o defensor espera que os técnicos do SGB retornem a Maceió e tragam equipamentos sofisticados, de tecnologia de ponta. O trabalho da equipe técnica será de fundamental importância para verificar as rachaduras nos imóveis das bordas e como está a situação das 35 minas da Braskem, algumas delas em processo de colapso, como alertou o engenheiro Abel Galindo, professor aposentado do Curso de Engenharia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e especialista em solo.

PEDIDO DA DPU

De acordo com a assessoria da Defensoria Pública do Estado, no processo em tramitação na 3ª Vara da Justiça Federal, também tem um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) com o mesmo objetivo: reavaliar a inclusão da área de realocação.

“A reavaliação do pedido de realocação não será para toda a área 01, incluindo outras regiões afetadas, como a Rua Marques de Abrantes, pois o juiz entendeu que a DPE deve figurar no processo como amicus curie [amigo da Corte] e, portanto, deixou de analisar o nosso pedido para todo o perímetro 01”, esclareceu Melro.

A área de realocação, é onde estão os imóveis foram interditados e os donos inseridos no Programa de Compensação Financeira (PCF) da Braskem. No entanto, a DPE pediu à Justiça que essa área fosse ampliada, para incluir os imóveis das bordas.

Com a última decisão da Justiça Federal, o pedido da DPU prevaleceu, mas há uma possibilidade para quem se encontra na área 01, que figura como opcional para morador, no segundo aditivo do acordo.

A possibilidade de incluir a área 01 na realocação foi assegurada no 2º aditivo ao Termo de Acordo, cuja cláusula permissiva só foi inserida graças atuação conjunta da Defensoria Pública de Alagoas e da Defensoria Pública da União (DPU).

Fonte: Tribuna Hoje

Lula defende taxação dos super-ricos

“Mais justiça tributária e menos desigualdade. É sobre isso”, declarou o presidente

Durante a celebração do 2 de Julho na Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a enfatizar o combate à desigualdade como eixo de sua gestão e, possivelmente, de sua futura campanha à reeleição. Em uma imagem publicada nas redes sociais, Lula aparece segurando um cartaz com os dizeres: “taxação dos super ricos!”. Na legenda da postagem, escreveu: “mais justiça tributária e menos desigualdade. É sobre isso”.

A manifestação simbólica ocorreu um dia após um discurso incisivo feito em Brasília, durante o lançamento do Plano Safra 2025/2026. Em tom emocionado, Lula abordou a resistência de setores da elite econômica à proposta de maior progressividade nos impostos e defendeu abertamente os programas sociais de seu governo.

“Quando a gente coloca que as pessoas que ganham mais de R$ 1 milhão têm que pagar um pouquinho mais, há uma rebelião”, disse o presidente, ao criticar a reação de grupos contrários à taxação de grandes fortunas. “Estamos querendo que 140 mil pessoas paguem uma parcelinha a mais para beneficiar 10 milhões de pessoas. É tão pouco…”.

Lula denunciou o que classificou como “ganância” de parte da elite econômica, ressaltando que a concentração de riqueza é um obstáculo à justiça social. “Todo mundo é muito bem informado, letrado. Só pode ser ganância, a desgraça da doença da acumulação de riqueza”, afirmou.

Programas sociais sob ataque – Lula também reagiu com firmeza às críticas que associam o desequilíbrio fiscal aos programas sociais. Ele defendeu o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o Bolsa Família e o Pé-de-Meia como mecanismos essenciais para promover inclusão e cidadania. “Fico triste quando vejo as pessoas jogarem a culpa em cima dos doentes, do BPC, do Bolsa Família, do Pé-de-Meia, para garantir que 500 mil moleques que desistiam da escola para trabalhar não desistam”, declarou.

Justiça fiscal como pacto nacional – Encerrando seu pronunciamento, Lula defendeu a necessidade de um novo pacto fiscal com foco na redução de privilégios. “Esse país será o que a gente quiser que ele seja. […] Para isso é preciso diminuir os privilégios”, disse. E resumiu sua proposta com clareza: “ninguém está querendo tirar nada de ninguém. Queremos apenas diminuir os privilégios de alguns para dar um pouco de direitos para os outros”.

Fonte: Brasil 247

Batidas contra imigrantes esvaziam fazendas nos EUA; colheitas estão apodrecendo, dizem produtores

Fazendeiros relatam perdas após operações da Imigração norte-americana afastarem trabalhadores imigrantes. Frutas e verduras estão apodrecendo nos campos, segundo produtores e funcionários.

Lisa Tate representa a sexta geração de uma família de fazendeiros no condado de Ventura, região na Califórnia que produz bilhões de dólares em frutas e verduras todos os anos.

Grande parte desses produtos é colhida manualmente por imigrantes que estão ilegalmente nos EUA.

Tate conta que viu de perto os impactos das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), realizadas neste mês como parte da política migratória do presidente Donald Trump.

Segundo ela, as batidas assustaram os trabalhadores rurais. “Nos campos, eu diria que 70% dos trabalhadores foram embora. Se 70% da sua força de trabalho não aparecer, 70% da sua safra não será colhida e pode estragar em um dia.”

Tate diz que a maioria dos norte-americanos não quer fazer o trabalho de colheita, e acrescenta que os produtores podem ir à falência por falta de mão de obra. “A maioria dos fazendeiros daqui mal está conseguindo sobreviver.”

Nas terras agrícolas ao norte de Los Angeles, dois fazendeiros, dois supervisores e quatro funcionários imigrantes do campo disseram à Reuters que as batidas do ICE levaram a maioria dos trabalhadores a parar de comparecer.

Isso significa que as plantações não estão sendo colhidas e as frutas e verduras estão apodrecendo na época de pico da colheita, disseram eles.

Um mexicano que trabalha como supervisor de fazenda e preferiu não se identificar contou que costuma coordenar 300 trabalhadores na preparação de um campo de morangos. No dia da entrevista, tinha apenas 80.

Em outra fazenda, um colega relatou que a equipe habitual de 80 pessoas foi reduzida a apenas 17.

Quebra no abastecimento de alimentos

Economistas e políticos reconhecem que muitos dos trabalhadores agrícolas dos Estados Unidos estão no país ilegalmente. Segundo eles, uma queda brusca nesse número pode causar prejuízos graves à cadeia de abastecimento de alimentos e à economia das regiões agrícolas.

Douglas Holtz-Eakin, ex-diretor do Escritório de Orçamento do Congresso e integrante do Partido Republicano, estima que 80% dos trabalhadores do campo nos EUA são estrangeiros, e quase metade está em situação irregular. Segundo ele, a perda dessa mão de obra pode encarecer os alimentos para os consumidores.

“Isso é ruim para as cadeias de suprimentos, ruim para o setor agrícola”, disse Holtz-Eakin.

Mais de um terço dos vegetais dos EUA e mais de três quartos das frutas e nozes do país são cultivados na Califórnia, de acordo com o Departamento de Alimentos e Agricultura do estado. As fazendas e ranchos da região movimentaram quase US$ 60 bilhões em 2023.

Entre quatro trabalhadores imigrantes ouvidos pela Reuters, dois estão em situação irregular e aceitaram falar sob anonimato, com medo de serem detidos pelo ICE.

Um deles, de 54 anos, trabalha nos campos agrícolas dos EUA há 30 anos e tem esposa e filhos no país. Ele disse que a maioria de seus colegas deixou os campos.

“Se eles aparecem para trabalhar, não sabem se voltarão a ver sua família”, disse ele.

O outro trabalhador que está em situação irregular disse que os trabalhadores já acordam com medo.

“Nos preocupamos com o sol, o calor e, agora, com um problema muito maior: muitos não voltam para casa. Eu tento não me meter em problemas. Agora, quem for preso por qualquer motivo será deportado.”

Segundo cinco grupos comunitários que apoiam os trabalhadores rurais, muitos imigrantes voltam aos campos, dias depois das operações, por não terem outra fonte de renda.

Os trabalhadores também estão adotando outras medidas para reduzir a exposição, como pegar carona com pessoas com status legal para trabalhar ou enviar filhos de cidadãos norte-americanos para fazer compras no supermercado, disseram os grupos.

Trump admitiu em uma postagem nas redes sociais, neste mês, que as batidas contra imigrantes rurais e funcionários de hotéis estavam “tirando trabalhadores muito bons e de longa data” desses setores, “sendo quase impossível substituir esses empregos”

Depois, Trump disse a repórteres: “Nossos fazendeiros estão sendo muito prejudicados. Eles têm trabalhadores muito bons.” E acrescentou: “Eles não são cidadãos, mas acabaram se tornando ótimos.”

Trump se comprometeu a emitir uma ordem para lidar com o impacto das ações, mas nenhuma mudança na política foi anunciada até o momento.

Fonte: G1

Gasto com juros vai a R$ 946 bilhões nos últimos 12 meses

O gasto do setor público consolidado (União, Estados/municípios e estatais) com juros atingiu em maio deste ano a soma de R$ 92,1 bilhões – um aumento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2024 (R$ 74,4 bilhões), segundo dados do Banco Central (BC), divulgados nesta segunda-feira (30).

Nos últimos 12 meses até maio, a despesa com os juros que, na prática, é uma transferência de renda do Orçamento para os bancos e detentores de títulos públicos, chegou a R$ 946 bilhões, o equivalente a 7,8% do PIB. Essa escalada reflete o ciclo de alta da taxa Selic, iniciado pelo BC em setembro de 2024,  época em que a taxa básica de juro estava em 10,5%.

“Contribuíram para essa evolução os aumentos da taxa Selic e do estoque da dívida líquida no período”, informou o BC, em seu recente relatório de “Estatísticas Fiscais”.

Reprodução: BCB

Hoje a Selic já se encontra em 15% e torna proibitivos os investimentos públicos e privados, enfraquece a economia e a geração de novos empregos. Tudo sob o argumento de combate à inflação e de ancorar as expectativas do “mercado”. Estas “expectativas” do mercado pressionam o governo por cortes de investimentos públicos e programas sociais. Por outro lado, não se fala nada sobre limitar os gastos com os juros, este sim o principal responsável  pelo crescimento da dívida pública.

Em sua última reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,75% para 15% ao ano. Essa decisão, que onerará os cofres públicos em R$ 14,2 bilhões nos próximos 12 meses, veio acompanhada de cobranças do BC ao governo Lula por maior rigor fiscal.

A cada 1 ponto percentual a mais na Selic significa R$ 56,8 bilhões a mais sobre a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), ao longo de 12 meses, conforme o relatório de “Estatísticas Fiscais” do BC.

Em maio deste ano, o governo registrou um déficit primário de R$ 33,7 bilhões, que se transforma numa dívida total de R$ 125,9 bilhões, quando se incluem os gastos para pagamento de juros.

Embora o setor público consolidado tenha apresentado um superávit primário de R$ 24,1 bilhões em 12 meses até maio – sobre o custo de arrochar os investimentos em saúde, educação e infraestrutura, além de programas sociais -, quando incluído o peso dos juros, o déficit nominal chega a R$ 922 bilhões (7,58% do PIB) no período.

Com o BC sobrecarregando os cofres públicos com seus juros elevados, a dívida do setor público consolidado registrou alta de 0,2 ponto percentual em abril, atingindo 76,1% do Produto Interno Bruto (PIB). “A evolução no mês foi decorrente sobretudo dos juros nominais apropriados (+0,8 p.p.) e da variação do PIB nominal (-0,6 p.p.)”, diz outro trecho da nota.

Vale destacar, ainda, que a inflação no Brasil segue controlada, mesmo diante das pressões recorrentes de preços administrados e de alimentos (voláteis por fatores sazonais e especulativos). Tais elementos não são influenciados pela política monetária, ou seja, não respondem a elevações da taxa de juros, o que torna a decisão do BC de permanecer com os juros altos “por período bastante prolongado” ainda mais criminosa.

Fonte: Hora do Povo

Israel usa pontos de distribuição de ajuda para assassinar palestinos em Gaza

Exército israelense reconheceu ataques, mas atribuiu incidentes a disparos ‘imprecisos’; justificativa surgiu após reportagem do Haaretz revelando que soldados recebiam ordens para atirar em civis

O Exército de Israel admitiu nesta segunda-feira (30/06) que seus soldados dispararam contra civis palestinos que buscavam ajuda humanitária em pontos de distribuição na Faixa de Gaza, mesmo estes não apresentando ameaça alguma às tropas. O esclarecimento foi feito por meio de nota.

De acordo com a reportagem, oficiais não identificados do Comando Sul israelense reconheceram “que civis foram mortos devido ao fogo de artilharia”, mas atribuíram os incidentes a disparos “imprecisos e não calculados”, alegando que “os bombardeios visavam manter a ordem nos locais de distribuição”, além de culpar o Hamas de divulgar números inflados.

Já “no incidente mais grave”, os militares de alto escalão relataram que “entre 30 e 40 pessoas foram alvejadas – algumas mortas, outras feridas em graus variados”.

O Exército somente admitiu esses ataques porque, na última sexta-feira (27/06), o jornal Haaretz publicou uma apuração revelando que soldados de Tel Aviv recebiam ordens de seus superiores para atirar em civis que esperavam por suprimentos básicos próximo aos centros de ajuda em Gaza. 

“É um campo de matança. Onde eu estava, entre uma e cinco pessoas eram mortas todos os dias”, relatava um dos soldados. “Eles atiram com tudo que você pode imaginar: uma metralhadora pesada, um lançador de granadas, morteiros.”

Israel bloqueou a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza em 2 de março. Após ser condenado pela comunidade internacional por usar a fome como arma, que pelo direito internacional configura “crime de guerra”, em 27 de maio, o regime sionista e os Estados Unidos implementaram a Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês) um programa de distribuição de ajuda no enclave. Entretanto, agências internacionais como as Nações Unidas (ONU) têm rejeitado parcerias por se tratar de um órgão controlado por tropas militares.

Desde sua operação, a GHF foi diversas vezes denunciada por grupos de direitos humanos e chegou a ser considerada uma “armadilha mortal” para matar palestinos que buscam suprimentos básicos.

O Ministério da Saúde de Gaza registra diariamente mortes em meio às filas nos centros de ajuda, nas quais palestinos devem escolher entre a fome e o risco de serem baleados. Segundo a pasta, até o momento, aproximadamente 600 palestinos foram assassinados por disparos israelenses.

Fonte: Ópera Mundi

Supersalários no Judiciário crescem 49,3% em 2024, mostra estudo

Valor extrateto saltou de R$ 7 bilhões para R$ 10,5 bilhões em um ano

Os gastos do Judiciário com salários acima do limite constitucional aumentaram 49,3% entre 2023 e 2024. O valor extrateto saltou de R$ 7 bilhões para R$ 10,5 bilhões em apenas um ano, muito acima da inflação oficial do período, que atingiu 4,83%.

Os valores constam de estudo inédito do Movimento Pessoas à Frente, organização suprapartidária que propõe melhoras na gestão do serviço público. A pesquisa foi realizada em parceria com o pesquisador Bruno Carazza, professor, economista e jurista com pós-doutorado em Harvard, com foco em políticas públicas e governança.

Com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o levantamento expôs o avanço dos chamados penduricalhos – verbas indenizatórias e adicionais que permitem aos magistrados receber além do teto legal do funcionalismo público.

Segundo o estudo, os auxílios e benefícios correspondem a mais de 43% do rendimento líquido dos magistrados, devendo ultrapassar 50% em breve. Na prática, grande parte da remuneração ultrapassa o teto constitucional (hoje em R$ 46.366,19) de forma indireta e muitas vezes não tributada.

Evolução

De 2023 para 2024, o rendimento líquido médio de juízes subiu de R$ 45.050,50 para R$ 54.941,80, aumento de 21,95%. O crescimento continuou neste ano, e o valor chegou a R$ 66.431,76 em fevereiro de 2025.

A pesquisa destaca que esses aumentos são impulsionados por verbas classificadas indevidamente como indenizatórias, que escapam do teto e da tributação de Imposto de Renda. As distorções criam um cenário de disparidade dentro do funcionalismo público, considerando que apenas 0,06% dos servidores se beneficia dessas brechas.

De acordo com a diretora executiva do Movimento, Jessika Moreira, os supersalários representam um problema estrutural que se arrasta desde a Constituição de 1988. Apesar de várias tentativas legislativas, nenhuma foi eficaz em conter esses abusos. A organização alerta que, se a tendência continuar, o valor de supersalários poderá dobrar novamente em apenas dois anos.

Reforma administrativa

Diante desse cenário, o Movimento Pessoas à Frente defende que o fim dos supersalários seja prioridade na reforma administrativa em discussão no Congresso Nacional. A proposta está sendo debatida por um grupo de trabalho na Câmara dos Deputados, coordenado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).

Em parceria com uma coalizão de dez organizações da sociedade civil, o movimento elaborou um manifesto em que sugere nove medidas para combater os supersalários.

Entre as medidas propostas estão:

•     Classificação adequada das verbas entre remuneratórias e indenizatórias;

•     Limitação das verbas indenizatórias a critérios como natureza reparatória, caráter transitório e criação por lei;

•     Aplicação correta do Imposto de Renda sobre verbas remuneratórias;

•     Reforço da transparência e da governança na remuneração pública;

•     Exigência de lei para criação de qualquer adicional salarial;

•     Eliminação de classificações indevidas e transformação de verbas em remuneratórias;

•     Fim da vinculação automática entre subsídios;

•     Enquadramento como improbidade administrativa de pagamentos acima do teto sem respaldo legal;

•     Criação de barreiras ao pagamento de retroativos, com limite temporal.

O movimento também propõe o fim de benefícios concentrados no sistema de Justiça, como férias de 60 dias (frequentemente convertidas em dinheiro), licenças por tempo de serviço, aposentadoria compulsória como punição (que mantém os vencimentos) e gratificações por acumulação de funções.

No início de junho, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que a reforma administrativa comece pela discussão dos supersalários. No ano passado, o governo enviou proposta de emenda à Constituição para limitar os supersalários dentro do pacote de corte de gastos, mas o Congresso desidratou a proposta e incluiu uma regulamentação por lei ordinária, que pode ser mudada mais facilmente que uma lei complementar.

Organização da sociedade civil plural e suprapartidária, o Movimento Pessoas à Frente trabalha com especialistas, acadêmicos, parlamentares e representantes da sociedade civil. A organização tem como objetivo propor políticas que melhorem a gestão de pessoas no setor público, com foco especial em lideranças e equidade.

Fonte: Agência Brasil

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS