Cineasta palestino vencedor do Oscar é solto após sofrer ataque e ser torturado por Israel

Hamdan Ballal, cineasta palestino, foi libertado após ser agredido e detido pelas Forças de Defesa de Israel.

O cineasta palestino Hamdan Ballal, levado na  segunda na Cisjordânia pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), foi libertado nesta terça-feira, segundo publicação no X de Yuval Abraham, jornalista israelense e colega do diretor.

– Depois de ser algemado a noite toda e espancado em uma base militar, Hamdan Ballal agora está livre e prestes a voltar para casa com sua família – escreveu Abraham.

A informação foi confirmada pela advogada de Ballal, Lea Tsemel, que também reforçou que seu cliente e outros dois palestinos, com graves ferimentos, passaram a noite em uma base militar.

Ballal, um dos diretores do documentário Sem Chão, vencedor do Oscar, foi agredido por colonos israelenses e detido por militares das IDF na Cisjordânia segunda-feira.

Confrontos

O cineasta foi linchado nas proximidades de um vilarejo chamado Susya, que foi alvo de dezenas de israelenses que atiraram pedras em moradores, veículos e residências. Os palestinos responderam e, nos confrontos, o diretor acabou sendo ferido.

Abraham, que também dirigiu o documentário ganhador do Oscar, afirmou, logo após o confronto, que Ballal sofreu ferimentos na cabeça e na barriga.

O documentário Sem Chão, que é dirigido por israelenses e palestinos, conta a vida dos moradores de Masafer Yatta, um conjunto de aldeias palestinas na Cisjordânia ocupada, que foi destruída por israelenses.

Fonte: Correio do Brasil

‘Bolsonaro liderou organização criminosa para se manter no poder’, diz PGR em julgamento

PGR acusa ex-presidente e aliados de compor núcleo golpista que tentou impedir posse de Lula; STF julga se transforma denúncia em ação penal

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (25) o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados acusados de planejar e tentar executar um golpe de Estado para evitar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na abertura do julgamento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou uma dura exposição sobre os acontecimentos que, segundo ele, configuram uma ação criminosa liderada por Bolsonaro. “A denúncia retrata acontecimentos protagonizados pelo agora ex-presidente da República Jair Bolsonaro, que formou, com outros civis e militares, organização criminosa que tinha por objetivo gerar ações que garantissem a sua continuidade no poder, independentemente do resultado das eleições de 2022”, afirmou Gonet.

De acordo com o chefe do Ministério Público, a organização era liderada por Bolsonaro e seu então candidato a vice, o general da reserva Walter Braga Netto. “Todos aceitaram, estimularam e realizaram atos tipificados na legislação penal de atentado contra a existência e independência dos Poderes e o Estado Democrático de Direito”, declarou Gonet, ressaltando que “os delitos descritos na denúncia não são de ocorrência instantânea. Eles compõem uma cadeia de acontecimentos articulados para que, por meio da força ou da sua ameaça, o presidente da República, Jair Bolsonaro, não deixasse o poder ou a ele retornasse, contrariando o resultado das eleições”.

Gonet também destacou que, desde 2021, Bolsonaro passou a adotar um discurso de “crescente tom de ruptura com a normalidade constitucional”, sobretudo após a elegibilidade de Lula ser restabelecida. “Mostrava-se descontente com decisões de tribunais superiores e com o sistema eleitoral eletrônico em vigor. A escalada ganhou impulso mais notável quando Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se elegível e os cenários das pesquisas eleitorais se mostraram a ele inclinados”, afirmou o procurador. Ele completou: “Foram, então, postos em prática planos articulados para a manutenção, a todo custo, do poder do então presidente da República”.

A análise da denúncia está dividida em três sessões: a primeira ocorreu na manhã desta terça-feira, a segunda no período da tarde e uma terceira sessão extraordinária foi agendada para as 9h30 desta quarta-feira (26), quando o julgamento será retomado.

Compõem a Primeira Turma do STF os ministros Alexandre de Moraes (relator do caso), Luiz Fux, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin (presidente do colegiado). Caso a maioria dos ministros vote pela aceitação da denúncia, os oito acusados se tornarão réus e responderão a ações penais.

Segundo a PGR, os crimes cometidos pelos denunciados incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano ao patrimônio da União, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa. O foco atual está no chamado “Núcleo 1” da acusação, apontado como o centro da trama golpista.

Além de Bolsonaro e Braga Netto, também foram denunciados:

  1. Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin;
  2. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
  3. Augusto Heleno, general da reserva e ex-chefe do GSI;
  4. Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  5. Paulo Sérgio Nogueira, general da reserva e ex-ministro da Defesa;
  6. Almir Garnier, almirante da reserva e ex-comandante da Marinha.

Especialistas consultados por veículos da imprensa avaliam o julgamento como um divisor de águas. Caso o STF aceite a denúncia e Bolsonaro seja posteriormente condenado por todos os crimes apontados pela PGR, ele poderá enfrentar até 30 anos de prisão. O ex-presidente, que já está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nega todas as acusações e afirma ser vítima de “perseguição”. Ele também defende que o caso seja analisado pelo plenário do STF, e não por uma de suas turmas.

O desfecho do julgamento pode não apenas consolidar o entendimento jurídico sobre os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas também influenciar diretamente o futuro político da extrema-direita no Brasil.

Fonte: Brasil 247

JHC faz a Justiça aumentar multa à Prefeitura por descumprir ordem sobre transporte escolar

Descaso expõe alunos a riscos, resultando em multa maior para o município após ação do Ministério Público e Defensoria

A Justiça aumentou a multa imposta à Prefeitura de Maceió pela falha em regularizar o transporte escolar para os alunos da rede pública municipal, após descumprir ordens judiciais anteriores. Inicialmente fixada em R$ 10 mil por dia, a penalidade foi elevada para R$ 50 mil diários, podendo atingir até R$ 1 milhão.

A medida foi tomada após uma série de fiscalizações que evidenciaram condições precárias dos veículos e o risco constante à segurança dos estudantes. A multa foi agravada pela inércia da administração municipal em resolver os problemas, apesar das repetidas decisões judiciais.

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e a Defensoria Pública, que ingressaram com a ação civil pública, têm como objetivo garantir o direito à educação segura e ao transporte adequado para os estudantes. A situação se agrava a cada dia, com relatos de ônibus em péssimas condições, como falta de cintos de segurança, pneus desgastados, extintores despressurizados e defeitos mecânicos sérios. A gravidade das falhas nos veículos, somada à negligência por parte da Prefeitura, levou a Justiça a tomar uma postura mais enérgica.

Relatórios de inspeção revelam que o transporte escolar não oferece as mínimas condições de segurança. Em um dos casos, foi identificado um ônibus com a porta traseira amarrada com nylon, um claro risco de acidente. Outro problema apontado foi a falta de combustível nos ônibus, obrigando os alunos a esperar por horas após o horário de saída. A situação é ainda mais alarmante quando se verifica que estudantes, em dias de chuva, são obrigados a usar guarda-chuvas dentro do veículo devido às goteiras no teto.

A promotora de Justiça Alexandra Beurlen expressou sua indignação com a falta de compromisso da Prefeitura de Maceió, ressaltando que “não é aceitável que o município continue desrespeitando decisões judiciais e colocando em risco a vida de milhares de estudantes.” Além disso, a nova decisão judicial obriga a intimação pessoal do secretário municipal de Educação, do procurador-geral do Município e do prefeito, para que comprovem em cinco dias as adequações necessárias.

Essa nova medida visa garantir que os estudantes da rede pública de Maceió possam, finalmente, usufruir de um transporte escolar seguro e digno. O MPAL e a Defensoria Pública continuam acompanhando a situação e exigindo que as autoridades responsáveis tomem providências imediatas. O direito à educação e à segurança dos alunos não pode continuar sendo negligenciado, e a Justiça tem mostrado que tomará medidas cada vez mais rigorosas até que a situação seja resolvida.

Fonte: 082 Notícias

Milhares de argentinos tomam as ruas em protesto contra Milei

Multidão lembra 30 mil desaparecidos e rejeita cortes do governo Milei: ‘Ditadura nunca mais!’

Milhares de pessoas marcharam por toda a Argentina no novo aniversário do golpe de Estado de 1976, que deu início à última ditadura militar (1976-1983) no país.

O ato principal aconteceu na emblemática Praça de Maio, onde uma multidão lotou as ruas de Buenos Aires em uma das maiores manifestações dos últimos anos. A participação superou de longe a do ano passado — o primeiro 24 de março sob o governo de Javier Milei, que até então tinha sido a maior mobilização na data — tornando-se um marco na resistência contra as políticas de ajuste econômico, demissões em massa e as declarações negacionistas de autoridades do governo.

Sob o slogan “30 mil companheiros desaparecidos, presentes!”, os manifestantes uniram a luta histórica pela punição aos crimes da ditadura a uma forte rejeição às medidas do governo atual.

“Milei, lixo, você é a ditadura” foi um dos cantos mais repetidos durante o dia. Horas antes da mobilização, o governo havia divulgado um vídeo polêmico que, sob o eufemismo de uma “memória completa”, reforçava o discurso negacionista: tratava a ditadura como uma medida “necessária” em um contexto de guerra, negando que ela tenha sido um plano sistemático de extermínio contra militantes e trabalhadores organizados.

“Mães da Praça, o povo as abraça”

Desde a manhã, organizações sociais, sindicais e de bairro promoveram atividades em várias partes do país. “Não podemos esquecer. Viemos todos os anos para manter viva a memória dos nossos companheiros”, disse Daniel Ghigliazza, 78 anos, ao Brasil de Fato, segurando a foto de um parente desaparecido.

Como faz todo ano, Daniel foi à praça com a esposa e os netos, que hoje fazem parte do centro estudantil da escola deles. Um exemplo das pontes entre gerações que unem as lutas do passado e do presente.

Mais uma vez, a praça virou um mosaico de lutas e memórias. No ritmo lento das Mães da Praça de Maio — as primeiras a chegar, com seus lenços bordados com os nomes dos filhos —, a marcha seguiu em meio a cantos que misturavam palavras de ordem pela memória com protestos contra a situação atual do país. Ao redor da bandeira com as fotos em preto e branco dos desaparecidos, milhares entraram na praça gritando: “Mães da Praça, o povo as abraça”.

Às 16h30, começou o ato principal no palco montado atrás da Casa Rosada, sede do governo argentino. Na frente da multidão, Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio; Taty Almeida e Elia Espen, da Linha Fundadora das Mães da Praça de Maio; e Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, foram os quatro principais oradores que leram o documento de consenso.

“Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos” foi um dos slogans centrais do evento. O texto também pedia o fim das “demissões nos setores público e privado” e “justiça por Pablo Grillo”, o fotógrafo gravemente ferido pela repressão policial durante a marcha dos aposentados em 12 de março.

“Hoje, Pablo Grillo está lutando entre a vida e a morte. Acolhemos sua família e exigimos: justiça por Pablo Grillo e punição para os responsáveis! Fora Bullrich! Revogação do protocolo antipiquete inconstitucional!”, dizia o texto, em referência à ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que ordenou a repressão brutal contra a mobilização dos aposentados.

Com voz firme, Carlotto lembrou a luta incansável para recuperar a identidade dos netos roubados durante a ditadura. “Já resolvemos 139 casos”, afirmou, destacando que “há apenas dois meses, restituímos a identidade de um neto e uma neta que nunca desconfiaram de sua origem”. Ela também convocou a sociedade a ajudar a encontrar os netos que ainda estão desaparecidos.

Já Pérez Esquivel aproveitou para denunciar: “Rejeitamos a destruição da saúde pública, o esvaziamento dos hospitais e o ataque à educação gratuita”.

O documento das organizações foi duro na rejeição às medidas do governo, exigindo a revogação das principais leis e reformas promovidas por Milei.

“Há 48 anos, Rodolfo Walsh publicou sua Carta Aberta à Junta Militar, denunciando a miséria planejada, fruto do plano econômico da época. Conhecemos bem quem se beneficiou do sangue dos 30 mil: os Blaquier, os Noble Herrera, os Pérez Companc, os Rocca, os Macri, a Ford, a Mercedes Benz, os Martínez de Hoz, entre muitos outros”, dizia o texto.

E completava: “Hoje, são esses mesmos grupos econômicos que se beneficiam do governo de Javier Milei e Victoria Villarruel para impor o mesmo modelo de miséria e exclusão para a maioria, com uma concentração absurda de capital e lucros máximos, varrendo direitos conquistados”.

Fonte: Brasil de Fato

Palestino vencedor do Oscar de melhor documentário é espancado e preso por Israel

O palestino Hamdan Ballal, um dos diretores do documentário “Sem Chão”, vencedor do Oscar, foi linchado por colonos israelenses e detido por militares das Forças de Defesa de Israel que atuam na Cisjordânia. As informações são do jornal israelense “Haaretz”.

Os ataques teriam acontecido nesta segunda-feira (24), perto do assentamento israelense de Susya. As Forças de Defesa de Israel disseram que estão investigando o caso, mas não deram outros detalhes.

Segundo o relato de Yuval Abraham, jornalista israelense que também dirigiu o documentário, após ser ferido por colonos, Ballal foi colocado em uma ambulância, mas retirado por militares israelenses enquanto recebia tratamento.

Abraham afirma que Ballal tinha ferimentos na cabeça e na barriga e que estava sangrando.

“Colonos invadiram casas, atiraram pedras, quebraram janelas e veículos e agrediram violentamente moradores e ativistas de solidariedade. Várias pessoas ficaram feridas”, disse o ativista palestino Ihab Hassan, uma das testemunhas do ataque, na rede social X.”

“Quando a ambulância chegou para Hamdan, soldados israelenses a invadiram e o levaram. Não há sinal dele desde então.”

Segundo a Associated Press, testemunhas afirmaram que um grupo de 10 a 20 colonos mascarados atacou Ballal e outros ativistas judeus com pedras e bastões, além de quebrar os vidros de seus carros e furar os pneus.

“Não sabemos onde Hamdan está porque ele foi levado vendado”, disse Josh Kimelman, um dos ativistas que estavam no local, à agência.

Dirigido por israelenses e palestinos, o documentário “Sem Chão” mostra a vida de palestinos da Cisjordânia que convivem com a violência de colonos e militares israelenses.

Fonte: G1

Sem luta, Congresso livra mais ricos de pagarem imposto

A proposta de isenção do Imposto de Renda, apresentada pelo presidente Lula nesta terça-feira (18), tem potencial para ser a grande marca do governo Lula 3, seja pela justiça tributária que promove, seja pelo alto nível de aceitação entre a população brasileira.

Segundo a proposta governamental, quem possui renda de até 5 mil reais mensais estará isento de pagar imposto de renda. Para compensar, uma que se trata de proposta neutra, onde não perda nem ganho na arrecadação, o governo Lula propõe cobrar imposto de quem tem renda acima de 600 mil reais por ano, ou 50 mil reais por mês, incluindo aí dividendos.

Parece, e é, uma proposta excelente, seja sob o aspecto social, seja sob o aspecto fiscal. Mas nem assim, avalio, sua aprovação terá vida fácil.

Se a parte da isenção da proposta parece não sofrer oposição, até por seu poderio eleitoral, fazer os mais ricos pagar imposto no Brasil é tarefa hercúlea.

É sempre bom relembrarmos que o governo Lula conseguiu tirar uma lasquinha dos mais ricos ao aprovar cobrança de imposto de quem tem dinheiro em offshore, mas isso não tem o poder de promoção de justiça tributária que o projeto enviado ao Congresso Nacional agora tem.

E é justamente no Congresso Nacional que teremos uma arena de luta para deixar o projeto do governo Lula manco.

Para aprovar a parte da isenção, ninguém falará ou votará contra, apesar de parlamentares bolsonaristas estarem tentando levantar a tese demagógica de isentar quem recebe até 10 mil reais. Até aí tudo bem, desde que se baixe o corte da parte de cima do projeto. Por exemplo, baixar de 600 mil reais para 300 mil, mas o que ele não querem é cobrar imposto dos mais ricos.

Não é isso que a extrema-direita quer, mas somente criar dificuldade para a aprovação da lei e tentar vender a tese de que Lula não liga para a chamada classe média.

Tirando essa disputa de narrativa, a briga real será para aprovar a cobrança daqueles do andar de cima.

A proposta governamental fala em alíquotas de até 10%. Isso é troco para essa gente. Ainda mais levando em consideração que o cálculo começa a partir do corte de isenção e, principalmente, que a turma do topo da pirâmide vive mais de rendimento do que de salário. E com as taxas de juros que temos no Brasil, eles nem vão sentir nada.

A ojeriza é somente pelo topete do torneiro mecânico em ousar propor cobrar imposto deles e que esse imposto servirá para os mais pobres e a classe média terem um pouco mais de dignidade em suas vidas.

Além disso, temos outro problema objetivo para aprovar a proposta cheia: os parlamentares.

Como deputados e senadores vão aprovar algo que os atinge no bolso? Se não todos, a maioria esmagadora dos 513 deputados federais e dos 81 senadores têm renda mensal acima de 50 mil reais.

Na minha cabeça só uma maneira. Luta politica.

Partidos, sindicatos, movimentos populares em geral precisam abraçar esse tema como se fosse o último de suas vidas. Pautar esse debate em todo lugar, nos locais de moradia, de trabalho, nas ruas, nas redes, nos parlamentos.

Acumular força na sociedade e encorajar ou empurrar o governo a colocar a pauta no centro da luta política.

Só encurralando politicamente deputados e senadores, esse tema passa de forma integral.

Isso tem de ser feito de forma contundente, mas sem o voluntarismo que temos visto nas últimas tentativas de mobilização em torno de pautas que temos visto, a exemplo do fim da escala 6×1.

Não adianta chamar ato de rua se as pessoas não estiverem devidamente convencidas, seja pela justeza do tema, seja na disposição em ir para a rua.

Ir para rua fazer manifestação fraca em mobilização é o maior dos tiros no pé.

Então, além do governo, partidos, sindicatos, associações e movimentos populares em geral precisam ganhar a sociedade, ser hegemônicos, no sentido gramsciano do termo, nesse debate.

A mídia hegemônica vai empurrar goela abaixo uma série de argumentos fajutos sobre a cobrança de quem mora no andar de cima e isso desce até nós.

Como Marx já ensinou, as ideias dominantes de uma sociedade são as ideias da classe dominante.

Então, sem luta, esperando somente as negociações de Brasília, veremos ser aprovado uma chapa faltando dente.

Sem essa luta, a isenção até 5 mil reais vem, mas a cobrança dos mais ricos, sinceramente, penso que não. Como já afirmei, deputados e senadores não vão aprovar algo que os atinge diretamente. Isso sem falar de quem eles são prepostos.

Eleitoralmente, a parte da isenção cumpre papel, mas em termos de justiça social s tributária, não. E outra, deixa mais um problema fiscal para o governo e a solução que sempre empurram é tirar de algum programa social, dos salários, benefícios…

Lula visita Japão e Vietnã de olho em ampliar relações na Ásia

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta segunda-feira uma viagem ao Japão e ao Vietnã com os olhos voltados para ampliar a relação do Brasil com a Ásia, em meio um cenário geopolítico espinhoso e restrições comerciais, especialmente nos Estados Unidos.

Além de tentar abrir mercados específicos nos dois países, como o de carnes, entra na pauta da viagem a tentativa de avançar em acordos comerciais com o Mercosul, com a intenção de diversificar mercados.

“Já houve reuniões Mercosul-Japão. Agora temos que saber qual o próximo passo, que é ter uma negociação. A gente quer saber se vamos ficar nessa conversa ou vamos ter uma negociação de fato”, disse o embaixador Eduardo Sabóia, secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty.

Com o Vietnã já existe negociações de fato, mas ainda não há um cronograma para um acordo.

De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, este ano Lula deve voltar novamente os olhos para a Ásia. No segundo semestre, é possível que entre na pauta de viagens Malásia e Indochina, com uma participação — se o convite for confirmado — na Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

“Em um contexto de mundo que caminha para cenas de guerra comercial, você buscar parceiros alternativos aos mercados tradicionais nossos é fundamental. Então tem uma estratégia, essa agenda de 2025”, disse a fonte.

“Outro elemento importante é que é preciso que os atores internacionais percebam que o Brasil sempre vai buscar ter opções nas suas relações. Então, na Ásia, nós não temos só a China, nós temos outros grandes parceiros.”

A própria relação com a China, maior parceiro comercial do Brasil, não é “cristalizada” e apesar da proximidade com o país e da boa relação entre o presidente Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, o Brasil continuará buscando mais opções, analisou.

Em um momento de crescente ameaças de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, a busca de novos mercados cresce de importância, assim como a tentativa de um movimento a favor do comércio multilateral, o que deve acontecer também nessa viagem ao Japão.

“Tanto Japão quanto Vietnã e Brasil se beneficiam de um mundo onde o comércio regulado por normas, por regras. No caso do Japão, eu acho que a importância que eles dão à Organização Mundial do Comércio (OMC) nos aproxima muito. Provavelmente vai haver uma manifestação de apoio a um mundo onde o comércio é regulado por regras multilaterais”, disse Sabóia.

“Quando países importantes se reúnem e apóiam isso, ajuda. É um movimento de contraponto a tendências de desagregação”, completou o embaixador, sem citar diretamente os Estados Unidos.

Logo depois da viagem de Lula, o governo norte-americano deve anunciar mais uma rodada de tarifas que devem afetar diretamente o Brasil, e podem inclusive incluir o Japão, já que o presidente norte-americano, Donald Trump, já ameaçou incluir o país em uma lista de afetados por tarifas no setor automobilístico.

A visita de Lula à Ásia, desta vez, será de três dias no Japão e dois dias no Vietnã. Na comitiva, 11 ministros, vários deputados e senadores, incluindo os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), e os anteriores, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Fonte: MSN

Em novo crime de guerra, Israel bombardeia o maior hospital no sul de Gaza

exército israelense atacou o maior hospital no sul de Gaza na noite deste domingo, matando uma pessoa, ferindo outras e causando um grande incêndio. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde do território.

O ataque atingiu o prédio cirúrgico do Hospital Nasser na cidade de Khan Younis, disse o ministério, dias após o local ter sido inundado com mortos e feridos quando Israel retomou os ataques em Gaza com uma onda surpresa de ataques aéreos. Mais de 600 pessoas teriam morrido até então.

exército israelense confirmou o ataque ao hospital, dizendo que atingiu um militante do Hamas que operava no local. O estado genocida de Israel já assassinou mais de 50.000 palestinos.

Apesar da condenação mundial, Israel com apoio dos Estados Unidos continua exterminando o povo palestino em Gaza, na Cisjordânia e nos campos de refugiados.

Redação com Correio do Brasil

Ex-comandante da FAB fechou contratos com Airbus antes de assumir cargo na empresa

Filho do ex-comandante também atua em empresa com contratos milionários com a Aeronáutica

A relação entre as Forças Armadas e a indústria da defesa voltou ao centro do debate com a movimentação do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, para a Airbus. Durante sua gestão na Força Aérea Brasileira (FAB), contratos foram firmados com a empresa europeia, incluindo a conversão de aeronaves A330 para a versão KC-30 MRTT, um projeto avaliado em centenas de milhões de reais.

Pouco tempo após deixar o cargo, em janeiro de 2023, Baptista Júnior assumiu, em novembro do mesmo ano, uma posição na Airbus como Senior Advisor for Strategy, o que levanta questionamentos sobre a influência de militares da reserva na aprovação de contratos e a falta de regulamentação clara para evitar situações que possam comprometer a transparência na administração pública, criando episódios conhecidos como “portas giratórias”.

O caso não se restringe ao ex-comandante. Seu filho, Bruno Baptista, trabalha na AEL Sistemas, uma empresa que mantém contratos milionários com a FAB. A AEL atua na área de tecnologia militar e é responsável por projetos como a comunicação segura entre aeronaves e o desenvolvimento da frota de drones RQ-900.

Apenas durante o governo Bolsonaro, a AEL recebeu mais de R$ 300 milhões em contratos, valor que corresponde a mais da metade de tudo o que a empresa faturou com o governo federal nos últimos dez anos. Além disso, a empresa foi impulsionada com investimentos diretos em equipamentos militares de última geração, consolidando-se como uma fornecedora estratégica para as Forças Armadas.

O que é porta giratória?

A chamada “porta giratória” acontece quando uma pessoa que ocupava um cargo público passa a trabalhar em uma empresa privada que se beneficiou de suas decisões enquanto ele estava no governo. Isso pode gerar favorecimentos, conflitos de interesse e o uso indevido de informações privilegiadas.

No Brasil, a lei prevê um período de quarentena para evitar que ex-gestores assumam cargos imediatamente em empresas que possam ter sido beneficiadas por suas decisões. No entanto, a eficácia dessas normas é frequentemente questionada, especialmente quando se trata de setores estratégicos, como defesa e segurança nacional.

No caso de Baptista Júnior, a situação se encaixa nesse padrão. Durante seu tempo como comandante da Aeronáutica, a Airbus fechou contratos importantes com a FAB, incluindo a conversão de aeronaves para transporte militar e o fornecimento de suporte logístico.

Após deixar o comando em janeiro de 2023, ele foi trabalhar justamente na Airbus em novembro do mesmo ano, levantando suspeitas sobre a transparência dessas negociações e se houve algum tipo de favorecimento à empresa antes de sua saída. O fato de a Airbus ter recebido contratos de grande porte durante sua gestão reforça a necessidade de um escrutínio mais detalhado sobre essas movimentações.

O papel da AEL Sistemas

A AEL Sistemas, onde o filho do ex-comandante trabalha, também tem uma relação próxima com a FAB. A empresa é fornecedora de sistemas de comunicação e vigilância usados pelas Forças Armadas. Reportagens apontam que a AEL recebeu um grande volume de contratos federais, especialmente durante o governo Bolsonaro, e continua sendo uma das principais beneficiadas pelo setor de defesa.

Além dos contratos já conhecidos, a empresa participa de projetos estratégicos para modernização das forças militares brasileiras, como o desenvolvimento de novos sistemas de controle para aeronaves e sistemas avançados de comunicação digital para o Exército.

Especialistas afirmam que esse tipo de relação entre militares da reserva e fornecedores do governo pode comprometer a transparência dos contratos públicos.

“Se um comandante assina contratos milionários com uma empresa e depois vai trabalhar para ela, como garantir que essas negociações foram feitas sem benefícios indevidos?”, questiona um especialista em governança pública. Segundo ele, a falta de fiscalização mais rígida e de regras claras facilita que acordos desse tipo ocorram sem qualquer sanção.

O que pode mudar?

A falta de regras claras para militares que deixam cargos estratégicos e vão para a iniciativa privada é um dos principais problemas apontados por analistas. Ao contrário de outros servidores públicos, oficiais de alta patente que se aposentam não enfrentam muitas restrições para atuar no setor privado, o que facilita a prática da porta giratória.

No Brasil, a legislação vigente exige quarentena de apenas seis meses para alguns casos, o que, na prática, não impede oficiais da reserva assumam rapidamente funções em empresas beneficiadas por suas decisões.

No Congresso, há discussões sobre a necessidade de ampliar as regras de quarentena e criar mecanismos mais rigorosos de fiscalização. Em outros países, como nos Estados Unidos e na União Europeia, há normas mais rígidas para evitar que militares da reserva e ex-membros do governo assumam cargos em empresas privadas que possuem contratos diretos com o setor público.

Nos Estados Unidos, por exemplo, militares da reserva de alto escalão enfrentam restrições para atuar em empresas de defesa por pelo menos dois anos, além de terem que passar por um processo de aprovação caso queiram ocupar cargos estratégicos.

Enquanto isso, Airbus e AEL Sistemas seguem como fornecedoras estratégicas da FAB. O caso reforça a necessidade de maior fiscalização e transparência na relação entre as Forças Armadas e empresas do setor de defesa. Sem mecanismos eficazes de controle, situações como essa podem se repetir, comprometendo a confiança na administração pública e nos contratos militares.

A falta de uma legislação mais rígida para ex-militares pode abrir brechas para que essa relação próxima entre oficiais da reserva e empresas privadas continue acontecendo sem qualquer restrição.

Fonte: ICL

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