Concurso mais próximo: Uneal sorteia vagas reservadas em 23 de abril

A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) realizará em 23 de abril de 2025, às 10h, o sorteio público para distribuição das vagas reservadas a Pessoas com Deficiência (PcD) e candidatos autodeclarados negros, indígenas e quilombolas (NIQ) no concurso para professor. 

O evento acontecerá no Laboratório de Informática e Metodologias Ativas (LABIMA), sala 38, no Campus I em Arapiraca, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da Uneal no YouTube.

Do total de 127 vagas ofertadas no concurso, 32 são reservadas:

* 7 para PcD (distribuídas entre Arapiraca, Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios, São Miguel dos Campos e União dos Palmares)

* 25 para NIQ (com distribuição em todos os seis campi, incluindo Maceió).

As oportunidades abrangem diversas áreas como Letras, Pedagogia, História, Ciências Biológicas, Direito e Administração, entre outras.

O presidente da comissão organizadora, professor José Carlos Pessoa, reforçou o compromisso com transparência: “Garantimos um processo equitativo, alinhado às políticas de inclusão no serviço público”.

A expectativa é que o edital completo seja logo divulgado.

Redação com Agência Alagoas

Vereador Leonardo dias é isolado e derrotado em moção pró-anistia para golpistas

Allan Pierre confronta extremista no plenário

A Câmara Municipal de Maceió viveu um momento de tensão e embate direto durante a sessão desta quarta-feira (09), quando os vereadores derrubaram, por maioria, uma moção de apoio à anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, proposta pelo vereador Leonardo Dias (PL). A matéria, que tentava legitimar ações antidemocráticas, foi rechaçada pelo plenário após forte discussão entre o autor da moção e o vereador Allan Pierre (MDB).

O clima esquentou quando Allan Pierre reagiu de forma contundente à tentativa de Leonardo Dias de fazer da tribuna um palanque ideológico. O enfrentamento entre os dois vereadores levou à suspensão da sessão por cerca de 10 minutos, sendo necessária a intervenção dos demais parlamentares para conter os ânimos exaltados.

Em meio ao bate-boca, no microfone do plenário, Leonardo Dias mostrou-se visivelmente abalado após ser chamado de chantagista por Allan Pierre. O vereador extremista respondeu: “Ele [Allan Pierre] me chamava de chantagista, aí eu quero ver qual foi a chantagem que eu fiz? O vereador tem mania de botar palavra na boca dos outros. Eu não sou chantagista”.

A contundência do confronto com Allan Pierre pegou Leonardo Dias de surpresa, tanto quanto a derrota de sua moção. Acostumado a protagonizar embates especialmente com vereadoras, numa postura frequentemente questionada por sua agressividade direcionada às mulheres, o vereador sentiu o peso de um enfrentamento direto com um colega do plenário. Seu comportamento, segundo parlamentares presentes, se mostrou atordoado e agressivo após a rejeição da proposta.

O revés político representa mais do que a simples derrota de uma moção polêmica: sinaliza a resistência do parlamento municipal contra iniciativas que tentam reescrever a história recente do país sob a ótica da impunidade. A tentativa de anistiar os responsáveis pelos atos antidemocráticos que abalaram as instituições em janeiro de 2023 é parte de uma estratégia nacional de setores da extrema direita, que agora encontra cada vez mais resistência nas instâncias legislativas locais.

A sessão de ontem entra para os anais da Câmara como um exemplo de que nem todo projeto de natureza autoritária passará incólume. O vereador Leonardo Dias, acostumado a jogar com a opinião pública através de roteiros midiáticos e polêmicas fabricadas, desta vez teve que lidar com um embate real — e perdeu.

Fonte: 082 Notícias

Lula reúne-se com presidente do México e debatem tarifas dos EUA

Líder brasileiro aproveitou a participação na Cúpula da CELAC, em Honduras, para estreitar laços com o país latino-americano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, nesta quarta-feira, 9 de abril, antes de participar da 9ª Reunião da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos — a CELAC. Após o cumprimento das agendas em Tegucigalpa, capital de Honduras, Lula destacou, em entrevista à imprensa, que quer reforçar as relações comerciais entre o Brasil e o México.

“É muito importante que o México e o Brasil estejam juntos. Não apenas para ajudar a fortalecer a América Latina, mas para fortalecer o comércio entre os dois países”, afirmou. “O que eu propus para a presidenta Cláudia é que nós precisamos fazer dois grandes eventos empresariais, um no México e um no Brasil, para que os nossos empresários possam prospectar oportunidades de negócios e a gente possa aumentar a nossa relação comercial”, completou.

Lula pontuou que a ideia é realizar esses eventos a cada dois anos no Brasil e no México, num modelo semelhante ao que combinou com o governo japonês, durante a visita oficial que fez ao país asiático no fim de março. Na ocasião, Lula participou do Fórum Empresarial Brasil-Japão.

Fonte: Gov.br

Soldados israelenses dizem que Gaza foi transformado em uma enorme “zona de matar”

Testemunhos publicados pela agrupação de ex-soldados israelenses Breaking the Silence descrevem como as forças israelenses receberam ordens para arrasar casas, fábricas, mesquitas, escolas e terras agrícolas até 1,5 km dentro do perímetro de Gaza, criando o que os soldados chamaram de “uma zona de morte de enormes proporções”.

Os soldados disseram que receberam ordens para destruir metodicamente tudo na área – sem deixar estruturas, plantações ou civis para trás. Um deles descreveu a zona como “parecida com Hiroshima”.

As tropas teriam sido instruídas a atirar à vista em qualquer pessoa que entrasse na área. Algumas unidades foram informadas de que todos os homens adultos deveriam ser mortos, enquanto outras receberam ordens de usar fogo de tanques para “afastar” mulheres e crianças.

Um sargento disse: “Não sabíamos muito sobre os lugares que estávamos destruindo ou por quê. Do meu ponto de vista agora, o que vi lá… foi além do que posso justificar”.

Um capitão admitiu que não havia regras claras de engajamento: “Decidimos uma linha… além da qual todos eram suspeitos.”

Um oficial disse que eles dispararam repetidamente contra civis que vinham coletar plantas comestíveis, como malva, dos campos: “As pessoas estão com fome… Elas vêm com sacolas para colher malva.”

Esse mesmo oficial disse sobre a guerra:

“Não estamos apenas os matando – estamos assassinando suas esposas, seus filhos, seus gatos, seus cachorros. Estamos destruindo suas casas e urinando em seus túmulos”.

O exército israelense não comentou o relatório. Imagens de satélite e grupos de direitos humanos já haviam documentado destruição em larga escala na área, alertando que isso pode constituir punição coletiva e possíveis crimes de guerra.

“Apesar das ordens de atirar para matar, um suboficial estacionado no norte de Gaza disse que os palestinos continuavam voltando para a área “repetidas vezes depois que disparamos contra eles”.

O oficial disse que os palestinos pareciam querer colher plantas comestíveis que cresciam na área. Havia malva lá porque ninguém se aproximava. As pessoas estão com fome, então vieram com sacolas para colher malva, eu acho”.

Alguns fugiram com sua comida e salvaram as suas vidas, disse o militar. “O fato é que, nesse momento, as FDI estão realmente atendendo aos desejos do público (israelense), que afirma: “Não há inocentes em Gaza.”

Fonte: Monitor do Oriente

Glauber Braga anuncia greve de fome em protesto contra processo de cassação

Processo de cassação foi aberto após deputado agredir o militante do MBL em abril do ano passado

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) disse que iniciou greve de fome, nesta quarta-feira (9), em protesto contra o seu processo de cassação, aberto após ele agredir o militante do MBL (Movimento Brasil Livre) Gabriel Costenaro em abril do ano passado.

Glauber e deputados do PSOL acusam o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) de ter articulado pela perda do seu mandato.

“Estou o dia inteiro em jejum e a partir de agora não vou, até o fechamento desse processo, me alimentar. Vou permanecer aqui, aguardando, com uma decisão irrevogável de que não vou ser derrotado pelo orçamento secreto. Quem imaginou que utilizaria esse episodio, que eu seria um cadáver político ou zumbi, não sabe da minha convicção”, disse.

“Quem quiser chamar de greve de fome, chame como queira, mas vou dar manutenção a uma ação de não rendição ao orçamento secreto e a Arthur Lira e companhia”, completou.

O anúncio foi feito durante tumultuada sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que analisaria a discussão do relatório favorável à perda do mandato.

A sessão se iniciou às 11h, foi acompanhada por militantes do PSOL, e a expectativa é de que pudesse ser interrompida às 16h, quando começasse a ordem do dia no plenário.

Mas, numa rara exceção, até às 18h o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não havia iniciado os trabalhos.

O PSOL alega perseguição ao seu deputado. A líder Talíria Petrone (RJ) disse que o processo é injusto e ataca não apenas Glauber, mas toda a esquerda brasileira. E que vão recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) se for aprovado.

Glauber diz que Costernaro ofendeu sua mãe, que estava doente e morreu no mês seguinte, e que se viu obrigado a defender a honra dela.

Houve confusão no conselho quando os deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Fábio Costa (PP-AL) apresentaram requerimento de encerramento de discussão. O ato causou reação de parlamentares aliados de Glauber.

O requerimento foi aprovado por 14 votos contra 4. Depois, Glauber fez o seu anúncio. O discurso foi acompanhado de palmas, e a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) pediu a todos os aliados que continuassem com ele, em solidariedade, no plenário durante este período.

O parecer do relator Paulo Magalhães (PSD-BA), no último dia 2, foi favorável à cassação do deputado do PSOL, por entender que houve quebra de decoro de Braga pela agressão e desproporcionalidade em sua reação.

Mas Paulo Magalhães concluiu pela desproporcionalidade da reação do deputado. “A violência física cometida pelo deputado em resposta à ofensa verbal perpetrada por Gabriel Costernaro foi totalmente desproporcional e, portanto, injustificada”, disse.

Processo contra deputado Glauber Braga

Para efetivar a cassação do mandato de Glauber, o processo deve ser pautado no plenário da Casa, por determinação do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), e aprovado pela maioria absoluta dos deputados, 257.

A defesa do deputado do PSOL chegou a pedir a suspeição do relator do caso, com base em uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, que lembra um caso de 2001, em que o já deputado Paulo Magalhães agrediu um escritor na Câmara autor de um livro crítico ao seu tio, Antônio Carlos Magalhães.

O regimento diz que o prazo para deliberação do plenário é de 90 dias úteis. Mas, conforme reforçaram os deputados aliados de Glauber no Conselho de Ética, o pedido de cassação do deputado Chiquinho Brazão (Sem partido-RJ) está pronto para ser votado no plenário desde agosto do ano passado. Ele é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

A sessão foi acompanhada de militantes do PSOL e apoiadores do deputado -nem todos couberam no conselho e ficavam nos corredores das comissões gritando “Glauber fica”. O ator Marco Nanini também acompanhou a sessão, em apoio ao parlamentar.

Na semana passada, quando foi apresentado o parecer do relator, a votação foi interrompida por um pedido de vista do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), aliado de Glauber.

No ano passado, Glauber abriu mão de testemunhas no processo do conselho. À época, justificou suas decisões dizendo que a situação passou dos limites. Ele afirmou que se emocionou com a oitiva da colega parlamentar Luiza Erundina (PSOL-SP) ao conselho.

“Se hoje me emocionei de maneira profunda com ela no Conselho de Ética, eu não queria, nesse momento, estar decepcionando a deputada Luiza Erundina. Mas tudo tem um limite. E esse processo que se arrasta durante todo esse tempo para mim já foi o suficiente”, disse.

Fonte: ICL

Após protesto público, USP recua e cancela feira internacional que teria a participação de Israel

Por determinação da Reitoria, a Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) decidiu cancelar a realização da “Feira Cultural Internacional 2025”, evento que promoveria no próximo dia 23 de abril, no Centro Intercultural Internacional (CII). Foi despublicada matéria do Jornal da USP, publicação online oficial da Reitoria, que trazia informações a respeito da feira. “Informamos que a decisão foi tomada a pedido da Reitoria, considerando o atual contexto internacional”, declarou a Aucani quando consultada a respeito pelo Informativo Adusp Online.

O cancelamento ocorreu depois que o professor sênior Paulo Sérgio Pinheiro (FFLCH-USP), diplomata atuante na Organização das Nações Unidas (ONU), ex-ministro de Direitos Humanos (no governo de Fernando Henrique Cardoso) e integrante, posteriormente, da Comissão Nacional da Verdade (CNV), fez circular um texto de sua autoria com fortes críticas à anunciada participação, na feira, do Consulado Geral de Israel. O texto repercutiu intensamente e foi reproduzido também pelo Informativo Adusp Online.

Nele, Pinheiro acusa o governo israelense de “perpetrar um genocídio em Gaza”, e lembra que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teve sua prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional por “crimes contra a humanidade e crimes de guerra”. Assim, apelou à Aucani “que não permita a participação do consulado do Estado de Israel, cujas ações são frontalmente contrárias aos valores da comunidade acadêmica da USP”. O professor afirmou ainda que o Consulado Geral de Israel procurava “pateticamente” maquiar as atrocidades cometidas contra os palestinos ao oferecer, na feira, atividades como “Shalom & Sugar! Aprenda Hebraico e ganhe um doce!”.

Neste domingo, 6 de abril, Pinheiro comemorou em seu perfil no Facebook o recuo da USP, em texto intitulado, com ironia, “Não haverá mais distribuição de doces”. Graças ao cancelamento da feira, “o Consulado do Estado de Israel, que continua a promover o genocídio em Gaza, não poderá servir-se desse espaço na cidade universitária”, e “não poderá demonstrar na USP sua expertise em confeitaria de doces como anunciava”, observa, cáustico, o docente sênior da FFLCH. “Faz um mês que a população de Gaza não recebe nenhuma ajuda humanitária por causa de um bloqueio promovido por Israel, se valendo da fome como arma, para o genocídio. Além disso os bombardeios sobre Gaza foram retomados, provocando centenas de mortes de crianças e provocando o deslocamento forçado, crime de guerra, de 100 mil palestinos nas última semanas”.

Por intermédio da Aucani, a USP mantém atualmente quatro instrumentos de intercâmbio com Israel, que são objeto de condenação por parte dos movimentos sociais que defendem a Palestina. Além de um convênio acadêmico com o Consulado Geral israelense, que tem como propósito o “Israel Corner” montado no CII, há um acordo de cooperação e um convênio acadêmico com a Universidade Ariel, e outro convênio acadêmico com a Universidade de Haifa. Todos devem encerrar-se em 2026.

“Lamentamos informar que, por motivos alheios à nossa vontade, a Feira Internacional 2025 está cancelada. Agradecemos a todos que se inscreveram nas atividades e, em especial, aos consulados que confirmaram participação”, diz a agência em comunicado disponível no seu site. “Esperamos poder reprogramar a feira em um futuro próximo. Reforçamos que, independentemente desse cancelamento, o Centro seguirá com suas atividades culturais regulares”.

Fonte: Monitor do Oriente

Indígenas lotam plenário da Câmara em sessão que exalta mobilização

Acampamento Terra Livre e Apib foram homenageados

A Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (8), uma sessão em homenagem à 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL)Maior mobilização indígena do país, o evento, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), começou na segunda-feira (7) e segue até a sexta-feira (11), com a expectativa de atrair entre 6 mil e 8 mil participantes de ao menos 135 etnias de todo o país.

A sessão de homenagem foi proposta pela deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) e contou com as presenças de lideranças do movimento indígena; das ministras dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, além da presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, e do secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Ricardo Weibe Tapeba.

“Este é o Congresso Nacional que sonhamos para o futuro. O Congresso de um Brasil que começa conosco [indígenas], os primeiros brasileiros, e que, no entanto, somos o último [grupo] a chegar ao Congresso Nacional”, comentou a deputada Célia Xakriabá.

A parlamentar presidiu a sessão ─ marcada pela presença, no plenário, de dezenas de indígenas paramentados com adereços tradicionais, muitos deles usando as pinturas corporais típicas de seus povos.

Direitos

Durante a sessão da Câmara, um dos coordenadores executivos da Apib convidados a discursar, Dinamam Tuxá, criticou iniciativas parlamentares que afrontam os direitos indígenas. A seu ver, as proposições desfiguram o texto constitucional, com propostas como o chamado Marco Temporal – tese jurídica segundo a qual os indígenas só teriam direito às terras que ocupavam em outubro de 1988, quando a Constituição Federal foi promulgada.

Temos uma Constituição [Federal], aprovada por esta Casa, que ainda não foi implementada na sua totalidade. [Consequentemente] a violência impera dentro dos territórios indígenas. Neste exato momento, por exemplo, há fatos ocorrendo no território Pataxó [no sul da Bahia], bem como em outras áreas sob ataque. Esta violência se estende por todo o território nacional e nós sabemos quem são os mandantes. Enquanto isso, esta mesma Casa está se articulando e mobilizando proposituras de PECs [Propostas de Emenda à Constituição] e PLs [Projetos de Lei] que afrontam os direitos fundamentais dos povos indígenas”, afirmou Dinamam.

A defesa da Constituição em vigor desde 1988 é uma das pautas da atual edição do Acampamento Terra Livre. Em parte porque, embora não tenha sido integralmente implementada, pode ser considerada um marco na conquista e garantia de direitos pelos povos indígenas, estabelecendo que as diversas etnias têm direitos sobre os territórios tradicionalmente ocupados por seus antepassados, e que cabe à União proteger estas áreas.

Acampamento

Com o tema “Apib Somos Todos Nós: Em Defesa da Constituição e da Vida”, o 21º Acampamento Terra Livre está estruturado em cinco eixos: “Apib Somos Todos Nós”, “Resistência e Conquista”, “Desconstitucionalização de Direitos”, “Fortalecendo a Democracia” e “Em Defesa do Futuro – A Resposta Somos Nós”.

Segundo os organizadores do ATL, o evento “destaca o empenho dos povos indígenas na garantia dos seus direitos, previstos na Constituição Federal, além de celebrar a união e a resistência da Apib”, organização criada em 2005, durante a segunda edição do ATL.

“Quero saudar os 20 anos da Apib e os 21 anos do Acampamento Terra Livre, esta grande mobilização que já se tornou não só a maior assembleia dos povos indígenas do Brasil, como também a maior mobilização indígena do mundo”, comentou a ministra Sônia Guajajara.

“O ATL é sinônimo de luta, resistência, teimosia, denúncia, mas não podemos nos esquecer de que ele também é sinônimo de beleza, diversidade, cultura e sabedoria ancestral”, acrescentou a ministra

Sônia Guajajara atribui à mobilização política dos povos originários a eleição de um grupo de parlamentares indígenas que, hoje, forma a chamada “bancada do cocar”. Outra conquista dessa luta, na visão dela, é a própria criação do Ministério dos Povos Indígenas, em 2023, primeiro ano do terceiro governo Lula.
 

Indígenas de várias etnias participantes do Acampamento Terra Livre (ATL) fazem marcha no Eixo Monumental de Brasília Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Resistência

A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, lembrou que, há mais de 500 anos, os indígenas brasileiros resistem ao processo de colonização de seus modos de vida. Joenia também fez coro aos que defendem a demarcação de terras da União destinadas ao usufruto exclusivo indígena como “uma estratégia de enfrentamento às crises climáticas.

“Para isso, as demarcações [de terras indígenas] têm que ser respeitadas. Tem que haver investimento para a proteção dos territórios indígenas, para, assim, termos dignidade, soberania alimentar e para manter esta riqueza cultural que o Brasil sempre mostra nos cartões postais”, comentou Joenia, que, em 2022, foi reeleita deputada federal por Roraima com o apoio da Campanha Indígena, criada pela Apib para apoiar candidatos indígenas comprometidos com o movimento.

Uma das mais importantes lideranças indígenas do país, o cacique Raoni Metuktire, da etnia caiapó, apelou a todos os presentes para que prossigam com a luta de seus antepassados pelo cumprimento dos direitos indígenas.

“Temos que continuar defendendo nosso direito à terra para, um dia, podermos ter nossos territórios […] Temos que estar firmes para continuar lutando contra os não-indígenas que querem destruir o que é nosso. Vocês estão vendo, eu estou cada vez mais cansado. Agora, esta luta é com vocês, [indígenas] mais jovens […]. Vocês não podem entrar em conflitos entre vocês. Têm que se respeitar, lutar e estar juntos, unidos, fortes contra qualquer ameaça”, discursou Raoni.

Aldeamento

O secretário nacional de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, frisou que a criação do Ministério dos Povos Indígenas, comandado por uma indígena, bem como o fato de outros representantes indígenas ocuparem postos-chave na administração pública federal com o aval do movimento, é resultado da mobilização e organização indígena, no qual se insere o Acampamento Terra Livre e a criação da Apib.

“Estamos aldeando a gestão pública, aldeando este parlamento, por toda uma conjuntura de defesa dos direitos dos povos indígenas; de combater as violações. Eu queria reconhecer a importância do ATL e da Apib”, reconheceu.

Weibe lembrou que foi durante a edição do acampamento de 2022 que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então pré-candidato, “assumiu o compromisso de criar o Ministério dos Povos Indígenas e colocar a Funai e a Sesai sob o comando de gestores indígenas”.

“E aqui estamos nós. Isso demonstra a importância da articulação dos povos indígenas do Brasil, a importância do movimento indígena organizado e a importância de ocuparmos estes espaços”, finalizou o secretário nacional.

Fonte: Agência Brasil

Após pressão de órgãos ambientais, Braskem desiste de explorar mineração no Litoral Norte de AL

MPF anunciou o encerramento do procedimento investigativo que acompanhava o caso

A Braskem oficializou à Agência Nacional de Mineração (ANM) a desistência de pedidos para realizar pesquisas minerais nos municípios de Maceió, Paripueira e Barra de Santo Antônio, no Litoral Norte de Alagoas.

A decisão foi motivada por exigências ambientais, dificuldades operacionais e pela necessidade de novas autorizações. Com isso, o Ministério Público Federal (MPF) anunciou o encerramento do procedimento investigativo que acompanhava o caso desde 2019.

A apuração foi instaurada após a ANM informar ao MPF sobre as intenções da Braskem de pesquisar jazidas de sal-gema em áreas próximas a unidades de conservação, assentamentos rurais e comunidades tradicionais. Preocupado com os possíveis impactos ambientais e sociais, o órgão passou a monitorar o caso.

Durante o processo, o MPF recomendou à ANM medidas para proteger áreas sensíveis, como vistorias presenciais, análise técnica do solo e exclusão de zonas ambientais vulneráveis. Órgãos como ICMBio, IMA/AL, FUNAI, INCRA e IBGE também contribuíram com informações para embasar as decisões.

Em 2020, um acordo socioambiental firmado entre MPF e Braskem impediu a empresa de iniciar qualquer nova atividade de extração na região até a implementação de um Plano de Melhorias de Compliance Socioambiental, conforme previsto na cláusula 48 do acordo.

Em setembro de 2024, a Braskem protocolou a renúncia aos alvarás de pesquisa, e, em janeiro de 2025, a ANM confirmou o encerramento oficial das autorizações.

A empresa informou que, em 2019, paralisou a sua unidade do Pontal da Barra, retomando a sua produção em fevereiro de 2021 com sal importado do Chile, sem qualquer extração local. De acordo com relatório da companhia, nenhuma intervenção foi realizada nas áreas solicitadas, e os estudos foram limitados à análise de informações em escritório.

Com base no Código de Minas, o MPF reforçou que a renúncia à pesquisa extingue o direito de exploração de forma imediata, não restando motivos para continuar a investigação.

A decisão de arquivamento foi assinada pelas procuradoras da República Juliana Câmara, Júlia Cadete e Roberta Bomfim, e será enviada à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável pela área ambiental.

Fonte: Gazeta Web

China eleva tarifas contra EUA a 84% e intensifica guerra comercial

O Ministério das Finanças da China anunciou, nesta quarta-feira (9), o aumento das tarifas de importação de produtos dos Estados Unidos (EUA) de 34% para 84%, intensificando a guerra comercial iniciada por Washington. A nova taxa passa a valer a partir desta quinta-feira (10).

A medida foi tomada depois que o presidente Donald Trump elevou para 104% as tarifas de importação de produtos chineses após a China retaliar a tarifa dos EUA de 34% imposta no último dia 2 de abril. 

Erros em série

“A decisão dos EUA de aumentar as tarifas sobre a China é um erro atrás do outro. Ela infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China, prejudica seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e tem um impacto severo na estabilidade da ordem econômica global. É um exemplo típico de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica”, afirmou, em nota, o Ministério de Finanças chinês.    

Pequim pede que os EUA retirem as tarifas impostas contra o país asiático.

“A China pede que os EUA corrijam imediatamente suas práticas erradas, cancelem todas as medidas tarifárias unilaterais contra a China e resolvam adequadamente as diferenças com a China por meio de um diálogo igualitário com base no respeito mútuo”, completou o governo chinês.

Guerra de tarifas

Enquanto a maior parte das bolsas de valores do mundo segue operando em baixa em razão da guerra de tarifas iniciada por Trump, as bolsas chinesas operaram em alta nesta quarta-feira (9).

Para analistas consultados pela Agência Brasil, o tarifaço de Trump é uma tentativa de reverter a desindustrialização dos EUA, que viu sua economia perder competitividade para os mercados da Ásia nas últimas décadas. Porém, diversos economistas são céticos de que as medidas de Washington possam ter o efeito desejado e esperam o aumento da inflação dentro dos EUA.

Fonte: Agência Brasil

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