Médicos Sem Fronteiras denuncia que Gaza virou ‘vala comum’ para palestinos

A ONG francesa Médicos Sem Fronteiras (MSF) faz uma forte denúncia nesta quarta-feira. Segundo a coordenadora de emergência da organização na Faixa de Gaza, Amande Bazerolle, o enclave se tornou “uma vala comum para os palestinos e todos aqueles que chegam para ajudá-los“. Apesar dos apelos da comunidade internacional de proteção aos civis, o ministro Israel prossegue com sua política de genocídio em Gaza.

– Assistimos, em tempo real, à destruição e ao deslocamento forçado de toda a população de Gaza – declarou Amande Bazerolle da MSF. Ela relatou que a resposta humanitária aos moradores do território palestino está “gravemente obstruída pela insegurança constante e pela escassez crítica”. Os estoques de alimentos, água potável, combustíveis e medicamentos estão esgotados, segundo a MSF.

Os ataques israelenses mais recentes demonstram “um flagrante desprezo pela segurança dos trabalhadores humanitários e médicos em Gaza”, acrescentou a organização, que perdeu 11 colaboradores desde o início da guerra no território palestino.

“Pedimos às autoridades israelenses que acabem imediatamente com o cerco desumano e mortal imposto a Gaza, que protejam as vidas dos palestinos, assim como as dos trabalhadores humanitários e médicos, e que trabalhem em conjunto com todas as partes para restabelecer e manter um cessar-fogo”, prosseguiu a ONG.

Há dois dias, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) disse que o território palestino estava enfrentando “provavelmente a pior” situação humanitária desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023.

Redação com Carta Capital

Maldivas proíbe entrada de turistas israelenses em protesto por genocídio em Gaza

Maldivas banem a entrada de cidadãos israelenses como sinal de solidariedade à população de Gaza, após a guerra entre Israel e Hamas.

Para barrar os israelenses, o arquipélago turístico aprovou um projeto de lei que foi promulgado de forma imediata pelo presidente Mohamed Muizu.

As Maldivas anunciaram, nesta terça-feira, a proibição da entrada de cidadãos israelenses como um sinal de sua “forte solidariedade” com a população de Gaza, afetada pela guerra entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.

Os parlamentares do arquipélago turístico do Oceano Índico aprovaram um projeto de lei promulgado de forma imediata pelo presidente Mohamed Muizu.

– Esta ratificação reflete a postura decidida do governo frente às repetidas atrocidades e aos atos de genocídio perpetrados por Israel contra o povo palestino – declarou a presidência.

“As Maldivas reafirmam sua solidariedade resoluta com a causa palestina”, acrescentou em um comunicado.

Cidadãos israelenses

A proibição da entrada de cidadãos israelenses, apoiada tanto pelo governo quanto pela oposição, entrou em vigor imediatamente, disse um porta-voz da presidência à agência francesa de notícias AFP.

Conhecida por suas praias de areia branca, lagoas azul-turquesa e recifes de coral, a República Islâmica das Maldivas recebeu cerca de 214 mil turistas estrangeiros em fevereiro, incluindo 59 israelenses.

Uma proibição semelhante a turistas de Israel foi suspensa no início da década de 1990, e as autoridades retomaram brevemente as relações diplomáticas com o país em 2010.

No ano passado, o Ministério das Relações Exteriores de Israel aconselhou seus cidadãos a evitarem viajar para as Maldivas.

Fonte: Correio do Brasil

Harvard se nega a cumprir exigências de Trump, e governo congela mais de US$ 2 bi

Gestão Trump tem pressionado universidade a reduzir políticas de inclusão e adotar uma agenda alinhada à do presidente. Instituição questiona legalidade das medidas governamentais.

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (14) o congelamento de cerca de US$ 2,3 bilhões (R$ 13,1 bilhões) em subsídios e contratos com a Universidade de Harvard. Mais cedo, a instituição disse que não vai cumprir exigências da gestão de Donald Trump, como o fim de programas de inclusão e equidade.

As exigências também incluem a proibição do uso de máscaras — uma medida vista como direcionada a manifestantes pró-Palestina. O governo alega que manifestações contra a guerra na Faixa de Gaza em 2024 foram movidas por antissemitismo.

As exigências impostas a Harvard fazem parte de um esforço mais amplo para usar dinheiro público como forma de pressionar grandes instituições acadêmicas a seguir a agenda política de Trump e influenciar as políticas nos campi.

EUA congelam bilhões de Harvard por não adotar políticas alinhadas ao governo

O presidente de Harvard, Alan Garber, afirmou em uma carta que as exigências violam os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA e “excedem os limites legais da autoridade do governo sob o Título VI”, que proíbe discriminação contra estudantes com base em raça, cor ou origem nacional.

“Nenhum governo — independentemente do partido que estiver no poder — deve ditar o que universidades privadas podem ensinar, quem podem admitir ou contratar, e quais áreas de estudo e pesquisa podem seguir”, escreveu Garber.

“Esses objetivos não serão alcançados por meio de imposições de poder, desvinculadas da lei, para controlar o ensino e a aprendizagem em Harvard e ditar como operamos”, afirmou.

“A tarefa de enfrentar nossas falhas, cumprir nossos compromissos e incorporar nossos valores cabe a nós, enquanto comunidade.”

Na sequência, o Departamento de Educação dos Estados Unidos anunciou o congelamento dos recursos, afirmando que a declaração de Harvard mostra que a “mentalidade” da instituição desrespeita leis de direitos civis.

Campanha de pressão

Harvard é uma das várias universidades da Ivy League alvo de uma campanha de pressão, que já levou à suspensão de financiamentos federais para as universidades da Pensilvânia, Brown e Princeton, como forma de forçar a adesão à agenda do governo.

A carta de exigências enviada a Harvard é semelhante à que motivou mudanças na Universidade Columbia sob ameaça de cortes bilionários.

As medidas do governo Trump levaram um grupo de ex-alunos a escrever para os dirigentes da universidade, pedindo que “contestem legalmente e se recusem a cumprir exigências ilegais que ameaçam a liberdade acadêmica e a autonomia universitária”.

“Hoje, Harvard defendeu a integridade, os valores e as liberdades que sustentam o ensino superior”, disse Anurima Bhargava, uma das ex-alunas por trás da carta.

“Harvard lembrou ao mundo que o aprendizado, a inovação e o crescimento transformador não se curvam à intimidação e a caprichos autoritários.”

A decisão do governo também provocou um protesto no fim de semana, com a participação de membros da comunidade de Harvard e moradores de Cambridge, além de um processo judicial movido na sexta-feira pela Associação Americana de Professores Universitários contestando os cortes.

Na ação, os autores argumentam que a administração Trump não seguiu os procedimentos exigidos em lei antes de iniciar os cortes de financiamento, incluindo o envio de notificações tanto à universidade quanto ao Congresso.

“Essas exigências amplas e, ao mesmo tempo, indefinidas, não são medidas corretivas direcionadas às causas de qualquer descumprimento da lei federal. Em vez disso, visam claramente impor à Universidade Harvard visões políticas e preferências ideológicas do governo Trump, comprometendo a universidade a punir discursos que o governo desaprova”, escreveram os autores da ação.

Fonte: G1

A favor dos empresários, Gilmar Mendes prepara o fim da CLT

A bomba de nêutron contra a CLT, por Luís Nassif

Ontem, o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF),  tomou uma decisão que poderá significar o fim definitivo da legislação trabalhista. Mandou suspender todos os processos trabalhistas sobre pejotização – a substituição do contrato de trabalho por um contrato entre pessoas jurídicas.

O próximo passo lógico será o julgamento da legalidade ou não da pejotização. Com exceção de Flávio Dino e Luiz Fachin, todos os Ministros do Supremo têm uma posição mais próxima do libertarianismo do que da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Entendendo que é legal, e não definindo limites para a pejotização, o STF sepultará, de uma só penada, os últimos resquícios de proteção ao trabalho. E colocará um contrato entre as partes acima do que diz a Constituição.

A decisão equivalerá a uma bomba de nêutron, com implicações tão vastas e perigosas, que é inacreditável a anomia da área econômica, das centrais sindicais e dos setores ligados aos direitos humanos.

Se prevalecer o entendimento sobre a legalização da pejotização, os resultados são óbvios: acabará com todos os direitos dos trabalhadores, que só sobrevivem se ancorados em uma relação de trabalho.

A pejotização se estenderá por toda a economia. Mesmo empresas que decidam preservar o direito ao trabalho terão que aderir, para não serem engolidas pelos concorrentes.

Esse movimento, se posto em marcha, inviabilizará definitivamente a Previdência Social e derrubará a arrecadação do Imposto de Renda.

Acabará com:

  • o salário mínimo;
  • a jornada de trabalho de no máximo 8 horas diárias e 44 horas semanais;
  • as horas extras com acréscimo de no mínimo 50% em domingos e feriados;
  • o descanso semanal remunerado e com as férias anuais;
  • o 13o salário;
  • o seguro-desemprego e com o aviso prévio;
  • licença maternidade e auxílio doença;
  • a fiscalização do trabalho análogo à escravidão.

Mais que isso. No plano político e social significará a generalização do precariado, aquela massa amorfa que canaliza sua falta de esperanças no bolsonarismo mais violento.

É possível que, quando confrontado com esses desdobramentos, o STF decida por critérios mais moderados. Mas, nesses tempos de libertarianismo desvairado, pode-se temer pelo pior.

O contrato de trabalho

Um contrato de trabalho define-se pelas seguintes características:

  1. Bilateralidade
    • Envolve duas partes: o empregador (que oferece o trabalho e remuneração) e o empregado (que presta serviços de forma pessoal e subordinada).
  2. Onerosidade
    • O trabalho deve ser remunerado (salário, comissões, benefícios etc.).
  3. Pessoalidade
    • O empregado deve realizar as tarefas pessoalmente, sem substituição por terceiros, salvo em casos excepcionais.
  4. Subordinação
    • O empregado está sob a direção do empregador, seguindo ordens, horários e normas da empresa.
  5. Não eventualidade
    • O trabalho deve ser prestado de forma contínua e não esporádica (caracterizando vínculo empregatício).
  6. Formalização (escrita ou verbal)
    • Pode ser feito verbalmente, mas o contrato escrito é obrigatório em alguns casos (como trabalho temporário ou estágio).

Os direitos trabalhistas nos Estados Unidos e União Europeia:

Fonte: GGN

Juristas se manifestam contra cassação de Glauber: “Punição com viés político”

Um grupo de juristas criticou o processo de cassação contra o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) que tramita na Câmara. O Conselho de Ética da Casa aprovou um parecer a favor da perda de mandato do parlamentar na última semana.

Em nota pública, os juristas afirmam que o conselho já analisou casos envolvendo acusações de agressões físicas e “comportamentos considerados incompatíveis com o decoro parlamentar”, mas sempre aplicou “sanções mais brandas”.

O grupo, formado por juristas como Tarso Genro, Carol Proner e Kakay, aponta que uma eventual cassação do psolista pode “violar o princípio da confiança legítima” e configuraria uma “punição com viés político ou simbólico excessivo”. Leia a nota na íntegra:

NOTA PÚBLICA DE JURISTAS EM FACE DA AMEAÇA DE CASSAÇÃO DE MANDATO DO DEPUTADO GLAUBER BRAGA

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (9) representação que pede a cassação do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) por quebra de decoro parlamentar. Por 15 votos favoráveis e 4 votos contrários, os integrantes do Conselho aprovaram o parecer do relator, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), que recomenda a perda do mandato do deputado Glauber Braga.

No parecer o Relator trouxe como fundamentos ter havido agressão física, considerando que o deputado teria agido de forma desproporcional ao expulsar  militante do Movimento Brasil Livre (MBL), das dependências da Câmara dos Deputados.

Considerou pois ter havido violação ao decoro parlamentar, entendendo que as ações do parlamentar seriam “incompatíveis com o decoro exigido dos parlamentares, conforme o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara”. 

Formalmente o parecer se fundamenta no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, que estabelece que os parlamentares devem manter conduta compatível com o decoro, tratando com respeito os colegas, servidores e cidadãos que visitam a Casa. 

Esse enquadramento formal não tem sido o modo material como se fixa a jurisprudência da própria Comissão de Ética, e é caracterizada mais por um juízo político sobre valorizar e ponderar as condutas. Assim que, nos debates, precedentes à deliberação, a disputa se deu exatamente em relação ao alcance da materialidade necessária, se proporcional a conduta, principalmente quando comparada a situações equivalentes em registros de ocorrências já examinadas pela Comissão, pela CCJ e pelo Plenário da Câmara.

Com efeito, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados já analisou casos semelhantes ao do deputado Glauber Braga, envolvendo alegações de agressão física ou comportamentos considerados incompatíveis com o decoro parlamentar.

No geral, em todos esses casos, sem carrear juízos comparativos entre os indiciados ou a suas inscrições partidárias – empurrões em reunião, ofensas verbais, comportamentos agressivos – o Conselho optou por arquivar as representações ou a aplicar penalidades não capitais, mas penalidades graduais – censura verbal, suspensão de mandato – considerando o contexto das ações e a proporcionalidade das sanções. 

A decisão do Conselho de Ética de recomendar a cassação de Glauber Braga, mesmo diante de precedentes em que penalidades mais brandas foram aplicadas, indica uma interpretação mais rigorosa da quebra de decoro parlamentar neste caso específico, mais ainda, indica um afastamento que só se justifica por uma intensificação polarizada de antagonismos políticos, que acaba por retirar justa causa ao sistema de sanções principalmente no plano ético.

A questão posta nesses termos, toca fundamentos centrais da teoria do delito, do devido processo legal substancial e dos princípios constitucionais e convencionais de limitação do poder punitivo do Estado, inclusive em sua manifestação no parlamento.

Primeiro, pelo afastamento dos precedentes e imprevisibilidade das sanções, ao exame de posicionamentos anteriores do próprio Conselho. Mesmo na teoria do delito e, especialmente, no campo da dogmática penal garantista, como pensada por Luigi Ferrajoli, Eugenio Raúl Zaffaroni, e em certa medida por Claus Roxin, a sanção deve observar um princípio de proporcionalidade, não só com o fato praticado, mas com os precedentes aplicados a condutas similares.

Se a Câmara vinha aplicando sanções mais brandas em casos semelhantes — empurrões, agressões verbais ou até físicas em certos contextos — a intensificação agora pode violar o princípio da confiança legítima e da previsibilidade da sanção, que compõem o devido processo legal substancial.

Em segundo lugar, pela afronta à justa causa e à tipicidade sancionatória, voltando à teoria do delito penal, uma vez que a justa causa é o que dá fundamento legítimo à persecução penal ou sancionatória. Na seara ética-parlamentar, ela se traduz na existência de elementos concretos que, juridicamente, justifiquem o uso do poder punitivo disciplinar de forma proporcional e necessária.

Se a conduta do deputado se deu em reação a uma provocação direta, num contexto de forte tensão emocional — e se isso for reconhecido — pode haver elementos de atenuação de culpabilidade (como o estado de emoção violenta), o que deveria ser considerado na dosimetria da sanção.

Em terceiro lugar, do ponto de vista dos princípios constitucionais e convencionais no âmbito internacional dos direitos humanos, há importantes princípios  que limitam a severidade da pena:

Princípio da proporcionalidade (CF/88, art. 5º, LIV + jurisprudência do STF e STJ).

Proibição de penas cruéis, desumanas ou degradantes (Pacto de San José da Costa Rica, art. 5º).

Princípio da intervenção mínima (última ratio), também aplicável em contextos sancionatórios administrativos ou parlamentares.

A sanção tem função remissiva da pena— tão valorizada na doutrina humanista, na jurisprudência do STF, naquela da Corte Europeia de Direitos Humanos e nas decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos. No Brasil, essa proporcionalidade tem fundamento no princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF), e nos Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos. A pena não deve ser instrumento de represália institucional, de lawfare (cuidado essencial, em época de polarização tensa das relações políticas), mas de reprovação ética proporcional, considerando a complexidade dos fatos, antecedentes e contexto de provocações e reações recíprocas. O princípio da proporcionalidade, desde que enunciado pelo Tribunal Constitucional Federal da Alemanha tornou-se, pelo diálogo saudável dos Tribunais nacionais e internacionais, fundamento de todo o direito sancionatório. A desatenção a tal equilíbrio entre conduta e sanção pode levar à intervenção judicial – nacional e subsidiária internacional -, prejudicando o andamento da vida parlamentar, que se deve valorizar sobremaneira, na medida da legitimidade da representação política.

Em conclusão, a intensificação da sanção sem observância dos precedentes, da proporcionalidade e da função ético-pedagógica da pena pode ser caracterizada como violação do princípio da legalidade material, do devido processo substancial e da dignidade da pessoa humana. Além disso, pode configurar uma punição com viés político ou simbólico excessivo, que se afasta dos fundamentos racionais e garantistas que deveriam reger o sistema de responsabilização parlamentar, desfigurando o equilíbrio que o Parlamento deve sublinhar em suas deliberações, tão importante para o juízo democrático de legitimidade da representação.

Para esses fundamentos, desde que o deputado Glauber Braga já se manifestou em sentido recursal, além de sua estoica objeção à própria moralidade da situação, é de se esperar um juízo ad quem da CCJ e em instância final parlamentar, do nobre Plenário da Câmara dos Deputados.

Brasília, 15 de abril de 2025

  • José Geraldo de Sousa Junior, professor Emérito da Universidade de Brasília, ex-Diretor da Faculdade de Direito e Ex-Reitor da UnB; membro benemérito do Instituto dos Advogados Brasileiros;
  • Alfredo Attié, Presidente da Academia Paulista de Direito;
  • Alexandre Bernardino Costa, Diretor da Faculdade de Direito da UnB;
  • Cezar Britto, advogado,  integrante da Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia (ABJD) e da , Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP).  Ex-presidente da OAB NACIONAL e da União dos Advogados da Língua Portuguesa (UALP)Ana Paula Daltoé Inglêz Barbalho, advogada, presidente da Comissão Justiça e Paz de Brasília;
  • Tarso Genro, ex-Governador do Rio Grande Do Sul e ex-Ministro da Justiça;
  • Carol Proner, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD.;
  • Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, advogado;
  • Melillo Dinis do Nascimento, advogado em Brasília-DF, Doutor em Ciências Sociais e Jurídicas, Diretor do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE);
  • José Eymard Loguércio, advogado, sócio de LBS, assessor jurídico nacional da CUT/Brasil, integrante da Rede Lado;
  • Pedro Armando Egydio de Carvalho, Procurador do Estado de São Paulo;
  • Benedito Mariano, ex-Ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo;
  • Antonio Escrivão Filho, professor da Faculdade de Direito e Coordenador do Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos da UnB;
  • Lívia Gimenes Dias da Fonseca, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília;
  • Gladstone Leonel Jr – Professor de Direito da UnB;
  • Renata Vieira, advogada OAB/DF e Mestre em Direitos Humanos e Cidadania/UnB;
  • Talita Tatiana Dias Rampin, professora da Faculdade de Direito da UnB.;
  • Diego Vedovatto, advogado;
  • Miguel Pereira Neto, Advogado;
  • Rafael Modesto dos Santos, advogado;
  • Edemir Henrique Batista, advogado;
  • Gabriel Dário, Advogado e articulador da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares – RENAP/DF;
  • Iara Sanches Roman, advogada.;
  • Charlotth Back, advogada e integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD;
  • Ney Strozake, advogado integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD

Fonte: DCM

Mais uma derrota para o vereador de extrema direita de Maceió

Projeto do vereador bolsonarista e de extrema direita, Leonardo Dias, foi suspenso pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.

Essa é a segunda derrota do vereador extremista. No dia 09/04, a Câmara Municipal de Maceió derrubou uma moção de apoio à anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a matéria, que tentava legitimar ações antidemocráticas, foi rechaçada pelo plenário após forte discussão entre o autor da moção e o vereador Allan Pierre (MDB).

Agora, o Tribunal de Justiça de Alagoas suspendeu, por unanimidade, a lei municipal que instituía o “Dia em Memória das Vítimas do Comunismo”, de autoria do vereador.

Essa lei era, na verdade, um ataque político disfarçado, uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais de esquerda e particular os comunistas e sua histórica luta por uma sociedade justa.

A liminar foi uma grande vitória e mostra que extremismo do vereador vai perdendo força na sociedade alagoana.

Candidata da oposição denuncia fraude e não reconhece o resultado eleitoral no Equador

Luisa González denuncia fraude eleitoral, não reconhece o resultado e exige recontagem dos votos

A candidata à presidência do Equador pelo movimento Revolução Cidadã, Luisa González, anunciou publicamente que não reconhece os resultados do segundo turno das eleições presidenciais, divulgados neste domingo pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). informa a Telesur.

“O Equador vive um momento sombrio da sua democracia”, afirmou González diante de apoiadores. “Eu me recuso a acreditar que existam pessoas que preferem mentiras à verdade. Vamos pedir recontagem e a reabertura das urnas”, declarou com firmeza.

Daniel Noboa, que ocupa atualmente o cargo de presidente, foi declarado vencedor pelo CNE, com 55% dos votos. No entanto, González acusa o mandatário de ter manipulado o processo eleitoral desde o início. “Em nome dos jovens, homens, mulheres e crianças que represento, não reconhecemos os resultados apresentados”, enfatizou.

A candidata afirmou que houve fraude no processo de registro de eleitores, o que, segundo ela, teria sido feito para favorecer o atual presidente. “Quero ser muito clara e enfática: a Revolução Cidadã sempre reconheceu a derrota quando as pesquisas mostraram isso. Hoje, não reconhecemos os resultados”, disse ela.

Segundo González, Noboa cometeu “abuso de poder” ao não se licenciar do cargo para fazer campanha, além de utilizar recursos estatais em benefício próprio. “Ele declarou estado de emergência de maneira arbitrária, com o único objetivo de cometer uma fraude colossal. É uma ditadura. Esta é a maior fraude eleitoral que nós, equatorianos, estamos testemunhando”, denunciou. 

A candidata reiterou que solicitará formalmente uma recontagem de votos. “Defenderemos nosso direito à democracia. O Equador não pode continuar sendo governado por uma pessoa incapaz de conduzi-lo rumo à paz e ao desenvolvimento, alguém que prioriza apenas seus negócios e o bem-estar de sua família.”

Durante o pronunciamento, González também fez um alerta à população: “Hoje, mais do que nunca, temos que estar vigilantes sobre o que faz a pessoa que se diz Presidente da República. Denuncio publicamente que ele está cometendo fraude. Continuamos na luta.”

A denúncia de González ecoa outras reclamações feitas por membros de seu movimento. No dia anterior, o Parlamento equatoriano e o bloco legislativo da Revolução Cidadã acusaram o presidente de violar direitos fundamentais ao decretar estado de emergência em províncias onde teve menor apoio eleitoral, sem que houvesse motivo legal para tal medida. Além disso, criticaram o fechamento de fronteiras às vésperas da votação, o que impediu a chegada de observadores internacionais.

Outro ponto levantado pela candidata é o descumprimento constitucional por parte de Noboa ao não nomear a vice-presidente eleita, Verónica Abad, tampouco solicitar licença à Assembleia Nacional para realizar sua campanha à reeleição.

A grave denúncia de irregularidades ganhou mais força com a participação do ex-candidato presidencial Andrés Arauz, também da Revolução Cidadã. Após o encerramento da votação, Arauz publicou imagens de atas eleitorais sem as assinaturas obrigatórias do presidente e do secretário das Juntas Receptoras de Voto (JRV), como estabelece o artigo 127 do Código da Democracia.

“Essas atas não deveriam ter sido consideradas válidas. Todas favorecem o presidente Daniel Noboa. Trata-se de um golpe contra a transparência eleitoral e contra o povo equatoriano”, denunciou Arauz.

A Revolução Cidadã, movimento político liderado pelo ex-presidente Rafael Correa, já venceu 11 pleitos eleitorais no país — inclusive em momentos nos quais o governo controlava os mecanismos eleitorais. Agora, seus integrantes afirmam que os princípios democráticos estão sendo violados de forma sistemática.

Enquanto isso, o CNE segue sem se pronunciar sobre as denúncias, inclusive sobre as atas sem assinatura e os indícios de manipulação no registro de eleitores.

Luisa González, que obteve forte respaldo popular nas urnas do primeiro turno, reforçou sua disposição de seguir em frente com a mobilização democrática: “Diante do meu povo, de pé como sempre, seguimos lutando. Não desistiremos do Equador, porque o povo equatoriano merece respeito e verdade.”

A crise política no país se agrava e coloca o sistema democrático equatoriano sob os olhos atentos da comunidade internacional. Observadores regionais e organizações de direitos humanos já expressaram preocupação com os relatos de irregularidades e o cerceamento à fiscalização externa. A oposição promete judicializar o processo e levar as denúncias aos foros internacionais, enquanto o governo, até o momento, opta pelo silêncio.

Fonte: Brasil247

Movimentos bloqueiam rodovias para que governo de Alagoas avance na Reforma Agrária

Trechos da BR 104 e BR 101 estão interditados por camponeses e camponesas que cobram cumprimento de acordo de 2016 para assentamento nas áreas do Grupo João Lyra.

Trechos das BR 104, em União dos Palmares, e da BR 101, em Teotônio Vilela, em Alagoas, amanheceram bloqueados em ação unificada dos movimentos de luta pela terra do estado. Camponeses e camponesas acampados nas terras que antes pertenciam à massa falida do Grupo João Lyra, realizam a manifestação em cobrança ao não cumprimento do acordo junto ao Governo do Estado em destinar as áreas para a Reforma Agrária.

Os bloqueios organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Popular de Luta (MPL), Movimento Social de Luta (MSL), Movimento Via do Trabalho (MVT), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e Movimento Terra Livre (TL), mobilizam centenas de pessoas nos dois pontos do estado, como parte da agenda da Jornada Nacional de Luta em Defesa da Reforma Agrária, que ocorre durante o mês de abril em todo o país.

De acordo com a direção das organizações, a ação pretende chamar a atenção do Governo do Estado de Alagoas para que as negociações em torno das terras da massa falida do Grupo João Lyra possam avançar.

“Temos um acordo firmado desde 2016 que sinalizava a destinação de parte das terras que antes pertenciam à Usina Guaxuma e a área da antiga Usina Laginha para fins de Reforma Agrária, mas até hoje não temos avanços significativos nesse tema”, destaca a coordenação do MST

“Essa é mais uma demonstração de que, em unidade, as organizações que lutam pela Reforma Agrária em Alagoas seguirão firmes e em pressão para que de fato a gente garanta o assentamento das famílias que hoje vivem acampadas na região que antes era dominada pela Usina”.

Entenda o caso

Desde o anúncio da abertura de falência do Grupo João Lyra, os movimentos do campo reivindicam o assentamento de milhares de famílias camponesas nos hectares de terras do grupo em Alagoas. De 2011 a 2014, os movimentos ocuparam áreas das três usinas falidas no estado: Guaxuma, na região de Coruripe, Teotônio Vilela e Junqueiro; Uruba, no município de Atalaia; e Laginha, em União dos Palmares e Branquinha.

Somente em 2016 foi iniciado o processo de negociações entre os movimentos, o governo do estado, a representação da massa falida e o Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Na tratativa, propôs-se um acordo que levou em conta a necessidade de pelo menos uma das usinas voltar a moer cana-de-açúcar visando gerar recursos para honrar o pagamento aos credores. A proposta de acordo foi que as famílias Sem Terra desocupassem a Usina Uruba, em Atalaia, que tinha maior possibilidade de retomar o trabalho de imediato, e como contrapartida, seriam destinados cerca de 1500 hectares de terra da Usina Guaxuma para que as organizações que a ocupavam e toda a Usina Laginha seria destinada para fins de Reforma Agrária, acordo que até então não foi cumprido.

Jornada de Lutas

Com o lema “Ocupar para o Brasil alimentar”, os camponeses em todo o país mobilizam-se no mês de abril pautando o papel e a necessidade da Reforma Agrária para a garantia de produção de alimentos saudáveis. A Jornada acontece ainda no marco dos 29 anos do massacre de Eldorado do Carajás, episódio que repercutiu internacionalmente com o assassinato de 21 trabalhadores rurais no estado do Pará.

“Relembrar Eldorado é manter viva nossa história e memória de luta, além de reafirmar a atualidade da luta pela Reforma Agrária em nosso país”, comentam os manifestantes.

Fonte: Assessoria MST/AL

Câmeras registram PMs furtando placas de carro na Zona Leste de SP

Dono do veículo foi parado poucas horas depois por outra viatura da PM por estar trafegando sem as placas. Corregedoria da PM investiga.

A Corregedoria da Polícia Militar investiga policiais militares que foram flagrados furtando as placas de um carro que estava estacionado na Zona Leste de São Paulo no fim de março.

As câmeras de segurança registraram o momento em que os policiais pararam em frente ao único carro estacionando em uma rua da Vila Itaim.

Pelas imagens, é possível ver que eles apontam a lanterna para dentro do veículo. Em seguida, a viatura acelera, parece que vai deixar o local, mas para, dá ré e estaciona atrás do mesmo carro. Três PMs descem e, à força, eles abrem duas portas e o porta-malas. Depois, os policiais retiram as duas placas, que são levadas para dentro da viatura. Em seguida, vão embora.

O veículo ficou parado por pelo menos três horas depois que as placas foram retiradas. O motorista saiu com o carro por volta das 6h, levou a namorada até a estação Itaquera do Metrô e foi para casa. Foi neste momento que, segundo o dono do carro, que outra viatura da polícia o abordou. Ele conta que os policiais viram que o veículo não tinha placas.

“A princípio foram com aquele jogo psicológico, né? ‘Por que você está andando sem placa?’ ‘Qual é o motivo de você estar andando sem placa?’ ‘Você está achando que nós somos bestas?’ Mas eu expliquei e ficou tudo certo, fizeram um trabalho de rotina normal e me orientaram a ir fazer o BO”, contou.

O motorista registrou o boletim e o caso chegou à Corregedoria da PM. A vítima não foi ouvida, mas, com base no boletim de ocorrência, a Corregedoria fez um relatório. Nele, consta que o motorista tinha estacionado naquele local porque é perto da casa da namorada dele. Ele mesmo conseguiu as imagens que mostram o furto das placas.

“É uma revolta, uma indignação. Você vê a própria polícia que deveria estar te defendendo, roubando as placas do seu carro, né? Eu só quero justiça. Eu não estou levantando nenhuma bandeira contra a polícia, eu só quero que seja feita a justiça”.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que os detalhes da investigação vão ser preservados e que não compactua com desvios de conduta e pune todos os policiais que descumprem os protocolos.

Fonte: G1

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