JBS é autuada por trabalho escravo na produção de frangos no RS

Vítimas tinham jornada de até 16 horas diárias e buscaram atendimento médico com sintomas de esgotamento físico

A JBS Aves, do grupo JBS, foi responsabilizada pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) por submeter dez pessoas a condições análogas à escravidão no Rio Grande do Sul. Os resgatados trabalhavam na coleta de frangos em granjas fornecedoras da empresa.

Segundo os auditores fiscais que realizaram o flagrante, o grupo tinha jornadas de até 16 horas diárias e comia frangos descartados por estarem fora do padrão da JBS. Alguns dos trabalhadores, segundo a fiscalização, chegaram a buscar ajuda hospitalar com sintomas de esgotamento físico.

Segundo a lei brasileira, submeter trabalhadores a jornadas exaustivas, que geram riscos à saúde ou mesmo à vida, é um dos elementos que caracteriza o emprego de mão de obra análoga à escravidão.

Além disso, também foi identificada a submissão dos resgatados a condições degradantes e a trabalhos forçados mediante a imposição de dívidas ilegais. O MTE afirma que as despesas de transporte e alimentação do grupo, desde seus municípios de origem até o local de trabalho, eram ilegalmente convertidas em dívidas a serem abatidas dos seus ganhos diários. A prática, segundo os fiscais, era usada para manter os trabalhadores o maior tempo possível a serviço do contratante.

O resgate ocorreu em dezembro de 2024, mas a responsabilização direta da JBS Aves pelo caso só foi formalizada em abril deste ano.

Originalmente, os trabalhadores foram contratados por uma terceirizada da empresa, a MRJ Prestadora de Serviços. No entanto, o MTE classificou a unidade da JBS Aves de Passo Fundo (RS) como a “principal responsável” pelas infrações que caracterizaram o emprego de mão de obra escrava, já que era ela quem estabelecia os locais, cronogramas e horários da apanha do frango em suas granjas fornecedoras.

Agora, a JBS terá a oportunidade de recorrer do auto de infração em duas instâncias administrativas antes de entrar na Lista Suja do Trabalho Escravo, cadastro do governo federal que lista os empregadores responsabilizados pela prática. Diversas empresas adotam políticas para restringir relações comerciais e de financiamento com as empresas incluídas no documento.

Em resposta à Repórter Brasil, a JBS disse que suspendeu imediatamente a prestação de serviços, encerrou o contrato e bloqueou a empresa terceirizada assim que tomou conhecimento das denúncias. A companhia afirmou que recorre da autuação e que os locais de trabalho disponibilizados pela JBS no caso mencionado “eram adequados e atendiam a legislação trabalhista”. A empresa também disse ter “tolerância zero com violações de práticas trabalhistas e de direitos humanos”.

A reportagem não localizou o contato da MRJ. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Esgotamento físico

A prestação de serviços ocorria desde, pelo menos, agosto de 2023, segundo registrado no auto de infração da JBS Aves, acessado pela Repórter Brasil.

Os resgatados eram responsáveis por recolher toneladas de aves vivas diariamente, colocá-las em caixas plásticas e carregá-las nos caminhões que entregariam os animais para o abate.

Além das longas e extenuantes jornadas, o documento aponta que eles não tinham intervalos fixos para alimentação. Comiam, quando possível, no trajeto entre as granjas ou no intervalo entre uma carga e outra.

Segundo o MTE, o cronograma de coleta era elaborado pela JBS Aves e enviado com 24h de antecedência para a MRJ. Diariamente, duas equipes de trabalhadores saíam de Arvorezinha (RS) para realizar a apanha nas granjas de fornecedores. O auto de infração ressalta que as equipes deveriam iniciar suas atividades nos horários fixados, “sob pena de multa pelos transtornos causados no processo produtivo” da JBS Aves.

Segundo a legislação que regulamenta terceirizações, cabe à empresa contratante fiscalizar e garantir condições adequadas de trabalho quando o serviço é realizado em suas dependências ou em locais designados por ela. Ao deixar de fazê-lo, a JBS Aves, segundo a auditoria fiscal, foi “responsável pela manutenção dos empregados terceirizados em condições análogas às de escravizados”.

O grupo de resgatados incluía migrantes de Pernambuco, Bahia, Maranhão e um trabalhador da Argentina. Aos auditores fiscais do Trabalho, eles relataram que sentiam tonturas e fraquezas pelo trabalho excessivo. Dois dos resgatados chegaram a ser atendidos em um hospital público, com sintomas de esgotamento. “Encontravam-se combalidos e extenuados pelo grande esforço físico, pouca ingestão de alimentos e sem descanso apropriado”, diz um trecho do auto de infração.

A maioria dos trabalhadores foi mantida na informalidade durante parte do período em que prestaram serviços à MRJ. Antes de terem seu contrato de trabalho formalizado, segundo o MTE, recebiam por diárias que variavam de R$ 130 a R$ 150. Se não aguentassem transportar uma das cargas durante a jornada, eles deixavam de receber por todo o dia de trabalho, conforme relataram aos auditores.

“Se não mata, aleja”

O auto de infração também explica que os trabalhadores carregavam, em média, 540 caixas por caminhão, o que somava cerca de 16 toneladas.

Um dos resgatados relatou ter carregado seis caminhões durante um dia de trabalho. De volta ao alojamento, foi recrutado para trabalhar também no turno da noite, realizando mais sete cargas. No total, foram 13 carregamentos sem intervalo sequer para alimentação, segundo relatou aos auditores.

Outro trabalhador contou que, quando relatava estar muito cansado, os seus supervisores respondiam com a seguinte frase: “MRJ, se não mata, aleja”. Para os auditores, isso “traduz o grau de naturalização da violência e do descaso nas relações de trabalho”, segundo trecho do auto de infração.

Quatro alojamentos da MRJ foram fiscalizados. Em um deles, os trabalhadores relataram que estavam sem água há duas semanas. Não havia cama para todos os contratados, os banheiros não tinham pia e um dos trabalhadores relatou que ficou “apavorado” quando viu as condições da casa.

Tráfico de pessoas

Parte do grupo resgatado foi aliciado em estados do Nordeste com promessas de salários altos, boas condições de trabalho e alojamento e alimentação garantidos. Segundo os auditores fiscais, eles começavam a contrair dívidas com o contratante já no transporte até o Rio Grande do Sul. Também tinham que pagar pelo alojamento e pela alimentação, diferentemente do que havia sido prometido.

“A constatação de que os trabalhadores foram levados a outras localidades para desempenhar atividade laboral sob condições descritas nesse auto de infração reforça a tipificação do tráfico de pessoas com fins de exploração laboral”, ressalta trecho do documento produzido pelos auditores fiscais do Trabalho.

O trabalhador estrangeiro relatou aos auditores fiscais ter sido confrontado e ameaçado pelo seu supervisor na MRJ ao afirmar que iria denunciar à polícia as condições enfrentadas: “(0 supervisor) falava que o declarante era argentino e que aqui no Brasil ele não teria direitos e que, se chamasse a polícia, ele seria enviado para Argentina e que então não receberia nada”, diz outro trecho do auto de infração.

A terceirizada da JBS Aves recebeu 20 autos de infração pelas condições encontradas, entre eles — assim como a JBS Aves — o de manter trabalhadores em situação análoga à de escravo.

A auditora fiscal ressalta que a JBS Aves realizou seis inspeções nas frentes de trabalho da MRJ entre agosto de 2023 a dezembro de 2024. Para os auditores, no entanto, esse era um “número manifestamente insuficiente diante da extensão, da rotatividade e da vulnerabilidade das atividades desenvolvidas”.

Fonte: ICL

Em meio ao genocídio em Gaza, senadores petistas votam por dia da Amizade Brasil-Israel

O Senado aprovou por unanimidade, em votação simbólica, sem registro nominal, o Projeto de Lei (PL) 5636/2019 que estabelece 12 de abril como Dia da Amizade Brasil-Israel no calendário oficial do país, em meio a nova etapa do genocídio de Israel contra o povo palestino. A proposta, agora aguarda sanção presidencial. A unanimidade incluiu a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT), além de todos os outros 11 partidos representados no Senado: MDB, Novo, PDT, PL, Podemos, PP, PSB, PSDB, PSD, Republicanos e União Brasil.

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), justificou o voto favorável a Opera Mundi como um “gesto simbólico da diplomacia”, ressaltando que a decisão não conflita com a “defesa intransigente de um Estado palestino soberano”.

A bancada do PT no Senado atualmente é composta pelos parlamentares Augusta Brito (CE), Beto Faro (PA), Fabiano Contarato (ES), Humberto Costa (SP), Jaques Wagner (RJ), Paulo Paim (RS), Randolfe Rodrigues (PE), Rogério Carvalho (SE) e Teresa Leitão (PE).

A votação ocorre em meio à escalada dos ataques israelenses ao território palestino, que desde 7 de outubro de 2023 já resultou em mais de 53 mil mortes na Faixa de Gaza, incluindo 17 mil crianças, segundo o Ministério da Saúde local.

“O momento é, sem dúvida, delicado. E é justamente por isso que precisamos reafirmar o papel do Brasil como um ator de equilíbrio”, argumentou Carvalho, acrescentando que a homenagem “não é um endosso ao sionismo bélico, mas um gesto diplomático de continuidade institucional”.

Questionado sobre possíveis contradições com críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao que classificou como “genocídio” em Gaza – posição que levou Israel a declará-lo persona non grata em fevereiro de 2024 –, Carvalho negou incongruência: “não há contradição; há complexidade”.

O Brasil mantém relações diplomáticas e comerciais com o Estado israelense, na contramão do pedido da sociedade civil palestina e de campanhas como o movimento BDS, que demanda boicote, desinvestimento e sanções. A Campanha “Brasil Abastece o Genocídio”, que integra o BDS, pede que Lula proíba as exportações de petróleo para Israel em conformidade com a responsabilidade frente à Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio.

O projeto de lei aprovado no Senado, com relatoria do senador Carlos Viana (Podemos-MG), surge de uma proposta aprovada em 2019 pela Câmara dos Deputados, o PL 5815/13, enviado em outubro de 2013 pelo governo de Dilma Rousseff (PT), por iniciativa do chanceler Antonio Patriota. Esse projeto substituía uma versão anterior, vetada pela então presidente, que sugeria o dia 29 de novembro para a celebração entre os dois países, por essa data ser identificada pela ONU como Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina.

A reportagem consultou alguns senadores da bancada petista no Senado. Jaques Wagner, líder do governo no Senado, ainda não retornou o contato. As assessorias de Humberto Costa e Fabiano Contarato afirmaram que o tema não foi discutido e remeteram a responsabilidade ao líder Rogério Carvalho, que respondeu via mensagens às perguntas de Opera Mundi.

Por que a bancada petista votou favoravelmente à instituição do Dia da Amizade Brasil-Israel?

Essa proposição foi elaborada ainda em 2013, por iniciativa do então chanceler Antonio Patriota e encaminhada ao Congresso pela presidenta Dilma Rousseff. Ela se insere numa tradição diplomática brasileira de diálogo bilateral, de construção de pontes, não de muros. Votamos favoravelmente por compreender que a diplomacia é feita também de gestos simbólicos — e que isso não contraria, em hipótese alguma, a nossa defesa intransigente de um Estado palestino soberano e de uma solução justa e negociada para o conflito no Oriente Médio.

Não é contraditória essa homenagem em meio aos ataques de Israel contra a Faixa de Gaza e diante das acusações de genocídio na Corte Internacional de Justiça?

O momento é, sem dúvida, delicado. E é justamente por isso que precisamos reafirmar o papel do Brasil como um ator de equilíbrio. A homenagem à amizade Brasil-Israel é um reconhecimento histórico, e não uma carta branca às ações recentes do governo de Israel, as quais, aliás, temos duramente criticado. O presidente Lula tem sido claro ao condenar o genocídio em Gaza. Essa homenagem não é um endosso ao sionismo bélico, mas um gesto diplomático de continuidade institucional. Além disso, é válido ressaltar que a homenagem é entre Israel e o Brasil, não entre o atual governo de Israel e o atual governo do Brasil. Israel — ou seja, sua população — deseja majoritariamente o fim da guerra (mais de 70%, segundo as pesquisas mais recentes), ao contrário do governo atual, que recentemente declarou sua intenção de remover mais de 2 milhões de palestinos da Faixa de Gaza, intensificando o conflito.

Essa decisão não representa, ao menos simbolicamente, um alinhamento brasileiro ao Estado de Israel?

Essa interpretação não se sustenta diante dos fatos. O governo brasileiro — e o PT, em especial — tem uma longa trajetória de apoio à causa palestina. Defendemos a coexistência de dois Estados, com fronteiras seguras e mutuamente reconhecidas. Essa medida, ao contrário do que alegam alguns críticos, reafirma o compromisso do Brasil com o diálogo, com a construção da paz e com a manutenção de relações diplomáticas maduras. Ser contra o genocídio em Gaza não nos obriga a romper laços históricos com o povo israelense.

Não há contradição entre o voto favorável da bancada petista a esse projeto de lei e as críticas duras do presidente Lula ao Estado de Israel?

Não há contradição. Há complexidade. É preciso compreender que essa proposição não trata da conjuntura atual, mas de um marco simbólico construído há mais de uma década, em um contexto de relações bilaterais estáveis. A crítica do presidente Lula ao genocídio em Gaza é legítima e necessária. Ao mesmo tempo, o Estado brasileiro — por meio de seus diversos governos — tem mantido relações com Israel e com a Palestina. O PL não rompe com os valores do PT. Ao contrário, reafirma nosso compromisso com uma diplomacia que respeita a soberania dos povos, inclusive do povo palestino.

Fonte: Ópera Mundi

“Mercado” pressiona e Haddad recua de cobrar IOF sobre aplicações de fundos no exterior

Fundos que aplicam no exterior voltam a ter alíquota zerada de IOF. As demais alterações no imposto e o bloqueio de R$ 31 bilhões no Orçamento foram mantidas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (23) que recuou no aumento da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para aplicações de fundos nacionais no exterior, por conta das pressões do mercado.

Na quinta-feira (22), o governo divulgou um decreto alterando o IOF para diferentes operações, incluindo as aplicações de fundos nacionais no exterior e remessas de pessoas físicas. Horas depois, a elevação da alíquota para os fundos foi retirada do decreto. As demais decisões sobre o IOF foram mantidas. A decisão com o recuo foi publicada em decreto presidencial em edição extraordinária do Diário Oficial nesta sexta-feira.

A alegação dos “operadores do mercado”, que teriam “alertado” o ministro durante a noite da quinta-feira (22), foi a de que a medida em relação aos fundos poderia sinalizar uma suposta intenção do governo de exercer algum tipo de controle de capital. Como o “mercado” não admite qualquer controle de capital, mesmo que essa não tenha sido a intenção do governo, a grita foi imediata.

Na entrevista coletiva no escritório do Ministério da Fazenda em São Paulo, Fernando Haddad explicou que a ação ocorreu após receber “subsídios de pessoas que operam nos mercados”, que alertaram sobre possíveis problemas e uma “mensagem indesejada” transmitida pela medida.

“Hoje sai um decreto logo cedo do presidente, a pedido da Fazenda, revendo um item do decreto de ontem a respeito de investimento no exterior. Depois do anúncio de ontem às 17h, recebemos uma série de subsídios de pessoas que operam nos mercados, salientando que aquilo poderia acarretar algum tipo de problema e passar uma mensagem que não era a desejada pelo Ministério da Fazenda”, afirmou o ministro. 

Agora, o IOF mais alto vale apenas para compra de dólar em espécie por pessoas físicas e remessas para contas no exterior. Nesses dois casos, o imposto passou de 1,1% para 3,5%. O ministro afirmou que a queda de arrecadação com o recuo sobre o fundos que aplicam no exterior será de R$ 2 bilhões.

Perguntado se o recuo no IOF poderia redundar e aumento do bloqueio no Orçamento, que somou R$ 31 bilhões, Haddad admitiu que sim. “Não temos nenhum problema em corrigir a rota desde que o rumo traçado pelo governo seja mantido, de reforçar o arcabouço fiscal e cumprir as metas para saúde financeira do Brasil”, completou. 

Na quinta-feira, Fernando Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, anunciaram o corte de R$ 31,3 bilhões no Orçamento de 2025 — sendo R$ 10,6 bilhões em bloqueios e R$ 20,7 bilhões em contingenciamento. Por enquanto, o valor do bloqueio está mantido. O detalhamento dos cortes será  apresentado no próximo dia 30.

Fonte: Hora do Povo

Governo Lula amplia isenção da conta de luz para 60 milhões de brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (21) uma medida provisória que amplia a isenção na conta de luz para famílias de baixa renda. A proposta, apresentada durante reunião no Palácio do Planalto com líderes do Congresso, pode beneficiar até 60 milhões de brasileiros. A medida é considerada estratégica pelo governo para ampliar o acesso à energia e atender camadas mais vulneráveis da população.

A nova regra estabelece que famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico que consumirem até 80 kWh por mês terão gratuidade total na conta de luz. Hoje, o desconto da tarifa social é escalonado e atinge quem consome até 220 kWh mensais. Com a MP, o benefício será mais direto e focalizado. “A gratuidade vale para os primeiros 80 kWh. Quem consumir mais que isso, paga apenas pelo excedente”, explicou um técnico do Ministério de Minas e Energia.

Segundo estimativas do governo, 17 milhões de famílias — cerca de 60 milhões de pessoas — devem ser contempladas. Dentre elas, 4,5 milhões de famílias (cerca de 16 milhões de pessoas) terão a conta de luz totalmente zerada. Além das famílias do CadÚnico com renda de até meio salário mínimo per capita, também entram no benefício indígenas, quilombolas e beneficiários do BPC.

Outro ponto da medida prevê a isenção da cobrança da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para famílias que consomem até 120 kWh por mês e tenham renda per capita entre meio e um salário mínimo. Com isso, cerca de 21 milhões de famílias podem ser alcançadas, elevando o custo total do programa em R$ 850 milhões anuais, segundo o MME.

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Apesar do impacto financeiro, o governo afirma que os recursos para a ampliação virão da própria conta de luz dos demais consumidores. O Ministério estima um aumento médio de 0,9% nas tarifas pagas pelos demais usuários do sistema regulado, com expectativa de compensação futura por meio da revisão de subsídios existentes.

A medida também abre caminho para que consumidores de baixa tensão — como residências e pequenos comércios — possam escolher livremente seus fornecedores de energia elétrica a partir de 2027, prática hoje restrita a grandes empresas. A abertura será gradual, começando por indústrias e comércios menores e, posteriormente, os demais consumidores.

Além disso, a proposta busca equilibrar o setor elétrico com novas regras para o rateio de encargos e subsídios. Um dos pontos é a participação de consumidores livres no custeio das usinas de Angra e da geração distribuída, além de mudanças nos descontos para uso da rede elétrica. O governo também quer limitar brechas que permitem a grandes empresas obter vantagens indevidas por meio de participações minoritárias em geradoras.

A reunião que marcou a assinatura da MP contou com a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, além de ministros e lideranças da base aliada. A participação dos parlamentares não estava prevista na agenda oficial, mas foi articulada pela ministra Gleisi Hoffmann na manhã desta quarta-feira.

Fonte: DCM

Moradores protestam contra a BRK e bloqueiam trecho da Av. Gustavo Paiva

A privatização do fornecimento de água e dos serviços de saneamento em Maceió, só tem gerado aumento da tarifa e transtorno para a população.

Um protesto por falta d’água bloqueiou no início da noite desta quinta-feira, 22, um trecho da avenida Comendador Gustavo Paiva, no bairro de Mangabeiras, em Maceió.

O grupo mora na Grota da Freira e relata estar enfrentando problemas de abastecimento há diversos dias. Sem respostas, eles atearam fogo a entulhos, pneus e móveis velhos nas proximidades do parque linear da comunidade.

O Alagoas24Horas entrou em contato com a BRK que enviou uma nota de posicionamento da a respeito da situação. Confira na íntegra:

NOTA

A BRK informa que um dos poços responsáveis pelo abastecimento do Jacintinho estava paralisado desde o último final de semana devido à falta de energia elétrica. Após a atuação da Equatorial, a concessionária aguarda uma verificação da Casal – responsável pelo equipamento – para retomar gradualmente a distribuição de água na região.

Além disso, durante a madrugada desta quarta-feira (21), o Sistema Pratagy também foi impactado pelas condições climáticas e passou a operar com vazão reduzida. A BRK segue monitorando ambas as situações e atuando para restabelecer o abastecimento o mais rápido possível.

BRK

A Polícia Militar já se encontra no local e tenta negociar a liberação da via e assegura que o ato transcorra de maneira pacífica, já que o trânsito causado pela manifestação já ocasiona grande congestionamento na região.

Redação com Alagoas24Horas

Mais de 100 palestinos são assassinados por Israel no campo de extermínio de Gaza

Os palestinianos afirmam que um dos dois hospitais que restam no norte de Gaza foi atingido na quinta-feira, causando danos consideráveis. Entretanto, a ONU diz que foram distribuídos 90 camiões de ajuda, mas afirma que é necessário muito mais para satisfazer as necessidades dos habitantes de Gaza.

Israel prosseguiu na quinta-feira com a sua nova ofensiva militar em Gaza, apesar das crescentes críticas internacionais. As autoridades sanitárias de Gaza, bem como o pessoal hospitalar, afirmam que foram lançados ataques aéreos em todo o enclave, matando pelo menos 107 palestinianos e ferindo cerca de 250 outros.

Grandes nuvens de fumo foram vistas a subir nas regiões orientais da cidade de Gaza – situada no norte da Faixa – à medida que os bombardeamentos prosseguiam. Um hospital no norte da Faixa de Gaza também foi fortemente atingido, de acordo com funcionários do hospital.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram tanques e drones israelitas a atacar o hospital de Al-Awda, causando danos consideráveis e incendiando partes do hospital. As imagens divulgadas por um membro do pessoal do hospital mostram paredes derrubadas e fumo negro espesso a subir por cima de uma estrutura reduzida a escombros.

Os militares israelitas afirmaram que as suas forças estavam a operar “adjacentes” ao Hospital Al-Awda e que tinham permitido que os trabalhadores de emergência viessem tentar apagar um incêndio no hospital. Negaram a responsabilidade pelo ataque, afirmando que “as circunstâncias do incêndio ainda estão a ser analisadas”.

Segundo Raafat Ali al-Majdalawi, diretor da Associação Comunitária e de Saúde de Al-Awda, as forças israelitas também atacaram os tanques de água do hospital e incendiaram as clínicas externas.

O hospital de Al-Awda era um dos dois únicos que restavam no norte do enclave. Não se sabe ao certo quantos feridos ou mortos foram atingidos por esses ataques.

Fonte: Euronews

Petrobras reassumirá duas fábricas de fertilizantes arrendadas por Bolsonaro

A Petrobras assinou acordo para reassumir a posse e a produção de duas fábricas de fertilizantes, em Camaçari, na Bahia, e em Laranjeiras, em Sergipe, que estão paradas desde 2023. As duas unidades estão arrendadas à iniciativa privada desde 2020.

A confirmação da estatal foi feita por meio de comunicado ao mercado. O acordo envolve a Proquigel, subsidiária da Unigel, uma das maiores empresas químicas do país, que tem fábrica também no México.

O acordo estabelece o “encerramento das controvérsias contratuais e litígios existentes entre as partes”.

Para entrar em vigor, o documento precisa ser homologado pelo Tribunal Arbitral (forma alternativa de resolução de conflitos, que resolve disputas por meio de arbitragem, utilizando árbitros em vez de juízes), o que já foi solicitado pela Petrobras e pela Proquigel.

Fim da disputa – Em comunicados anteriores, a Petrobras afirmou que o acordo tem como meta alcançar uma solução definitiva, rentável e viável para o suprimento de fertilizantes ao mercado brasileiro.

Após a homologação, a estatal fará uma licitação para contratar serviços de operação e manutenção das duas fábricas.

Retomada – As duas plantas de fertilizantes foram arrendadas pela estatal à Proquigel em 2019, mas estão paradas desde 2023 por causa de dificuldades financeiras. A retomada da operação segue o plano de negócios da Petrobras, que prevê “capturar valor com a produção e a comercialização de produtos nitrogenados, conciliando com a cadeia de produção de óleo e gás natural e a transição energética”.

Os fertilizantes nitrogenados, como ureia, são bastante usados por produtores agrícolas. Para a produção dos fertilizantes, é preciso matéria-prima resultante do gás natural, produzido pela Petrobras.

O Brasil é um dos principais consumidores de fertilizantes do mundo e importa cerca de 80% do volume que utiliza. Na primeira entrevista após assumir o cargo, em maio de 2024, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, manifestou o interesse da estatal em investir na produção doméstica do insumo agrícola. 

Em agosto do ano passado, a Petrobras reativou a fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A unidade estava fechada desde 2020.

Empregos – A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-Se) tem capacidade instalada de produção de 1,8 mil toneladas de ureia por dia e pode comercializar amônia, gás carbônico e sulfato de amônio. A Fafen-BA possui capacidade instalada de produção de ureia de 1,3 mil toneladas por dia, e pode comercializar amônia, gás carbônico e agente redutor líquido automotivo (Arla 32).

Enquanto o acordo era negociado, a Federação Única dos Trabalhadores (FUP), que representa sindicatos ligados à Petrobras, emitiu posicionamento em que comemorava a retomada.

De acordo com a FUP, serão criados cerca de 2,4 mil empregos diretos e indiretos nas duas fábricas. A FUP acredita que as operações podem ser retomadas a partir de outubro.

Fonte: Brasil 247

Ex-PM do Bope cobrava R$ 1.500 por hora para treinar chefes do tráfico no Rio

O ex-policial militar do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Ronny Pessanha de Oliveira, de 33 anos, cobrava até R$ 1.500 por hora para treinar chefes do tráfico no Rio, segundo a Polícia Civil. Os treinos incluíam exercícios físicos e instruções de tiro ao alvo, conforme revelado pelo RJ2, da TV Globo.

As investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) apontam que Ronny atuava em parceria com o Comando Vermelho (CV) e teria ingressado no crime após participar de extorsões e grilagem de terrenos na Zona Oeste do Rio, crimes pelos quais o deixam na prisão desde o início de 2024. Os fatos fazem parte da Operação Contenção, que busca desarticular quadrilhas em disputa por territórios na região.

“Ele inicialmente ingressa na milícia da Zona Oeste, nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema, no sentido de fazer extorsão e grilagem de terrenos”, afirmou Jefferson Teixeira, titular da DRF, em entrevista ao RJ2. “Temos informações de que cada treinamento de uma hora gira em torno de R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por hora”, completou.

Os investigadores encontraram mensagens e áudios nos quais Ronny detalhava sessões de treinamento com traficantes como William Sousa Guedes, o Corolla, preso em 2023, e Manoel Cinquine Pereira, o Paulista, líder do tráfico no Complexo da Penha e atualmente foragido.

Em um dos áudios, o ex-Bope reclama do cansaço após um treino com Corolla, que apareceu em vídeos da polícia correndo em esteira, usando colete à prova de balas e portando fuzis.

“Hoje fui na casa do Corolla. Porr*, cheguei lá em cima (do morro) morto, cara, morto. Isso não pode acontecer, não. Vai que preciso incursionar, fazer algum bagulho, eu vou morrer. Sou referência nessa questão de combate”, dizia.

Passado criminoso e prisões anteriores

Em março de 2024, Ronny foi preso durante uma abordagem do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes), na Estrada do Itanhangá, Barra da Tijuca. Em 2021, o Ministério Público do Rio já o acusava de cobrar taxas ilegais de construtores em favelas. Antes disso, ele havia passado pouco mais de um ano na cadeia.

Na última prisão, em flagrante por porte ilegal de arma, o ex-policial, conhecido como Caveira ou Neguinho do Bope, pagou R$ 8 mil de fiança e foi liberado. A arma foi encontrada dentro de seu carro, uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 220 mil, junto a uma identidade falsa de policial militar.

A Polícia Civil afirma que Ronny treinava traficantes do Comando Vermelho para auxiliar a facção em invasões a territórios de milícias e facções rivais.

O Ministério Público o acusa de ser aliado de Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, filho de Dalmir Pereira Barbosa, um dos chefes da milícia de Rio das Pedras. Ronny também usava sua influência para organizar eventos, como shows e festas, na favela.

Expulso da PM em setembro de 2023, Ronny já havia servido no 9º BPM (Rocha Miranda), no Bope e no 41º BPM (Irajá). O MP o aponta ainda como dono de um dos prédios demolidos durante operação na Muzema, em 2021.

Fonte: DCM

Ataques israelenses matam 50 palestinos no campo de extermínio de Gaza

Ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 50 palestinos em Gaza nesta terça-feira, segundo médicos locais, à medida que Israel continua seu bombardeio na faixa, apesar da crescente pressão internacional para interromper as operações militares e permitir a entrega desimpedida de ajuda.

Os ataques ocorreram em toda a Faixa de Gaza, e os médicos disseram que os locais atingidos incluíam duas casas onde mulheres e crianças estavam entre os 18 mortos, e uma escola que continha famílias desabrigadas.

Os militares israelenses, que na segunda-feira alertaram as pessoas na cidade de Khan Younis, no sul de Gaza, para deixarem a costa enquanto se preparavam para um “ataque sem precedentes”, não fizeram comentários imediatos.

Na Cidade de Gaza, imagens da Reuters mostraram homens, mulheres e crianças remexendo os escombros da escola do bairro de Daraj, onde estavam abrigados, e onde peças de roupa carbonizadas e um ursinho de pelúcia vermelho estavam entre os pertences espalhados.

No Hospital Al-Ahli, nas proximidades, homens faziam orações sobre corpos envoltos em mortalhas brancas, antes de carregá-los para seus túmulos.

“Qual é a nossa culpa? Qual é a culpa das crianças? Qual é a culpa das mulheres que encontramos nas escadas com seus cabelos e roupas rasgados e queimados?”, disse Omar Ahel, que estava abrigado na escola. “Por Deus, isso é injustiça.”

Do lado de fora de um hospital de Khan Younis, Younis Abu Sahloul contou que seu irmão, sua cunhada e seus quatro filhos foram mortos em um ataque aéreo que atingiu um acampamento próximo que abrigava palestinos deslocados sem aviso prévio.

Os ataques israelenses mataram mais de 500 pessoas nos últimos oito dias, com a intensificação da campanha militar, segundo médicos em Gaza.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse ao Parlamento que ele, juntamente com os líderes da França e do Canadá, estavam “horrorizados” com a escalada militar de Israel, reiterando os pedidos de cessar-fogo.

Os líderes de Reino Unido, França e Canadá advertiram na segunda-feira que poderiam tomar “medidas concretas” contra Israel se o país não interromper as operações militares em Gaza e suspender as restrições à ajuda.

Fonte: Uol

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