Desaprovação de Trump vai a 63%, aponta nova pesquisa nos EUA

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira 3 pela emissora norte-americana CNN aponta que a desaprovação ao presidente Donald Trump subiu para 63%, enquanto 37% o aprovam.

O levantamento, feito com 1.245 adultos entre 27 e 30 de outubro, mostra que 68% dos entrevistados consideram que “as coisas estão indo muito ou muito mal” no país, enquanto 32% acreditam que a situação está “muito ou razoavelmente bem”.

A pesquisa indica que a economia e o custo de vida são as principais preocupações dos americanos, citadas por 47% dos participantes. Em seguida, estão o estado da democracia (26%) e a imigração (10%).

Questões de criminalidade e segurança foram mencionadas por apenas 7% dos entrevistados, enquanto saúde e política externa somam 5% e 1%, respectivamente.

Quanto à política econômica do governo, 27% acreditam que as medidas de Trump melhoraram a situação do país, enquanto 61% afirmam que as políticas pioraram a economia. O levantamento aponta ainda uma preocupação crescente em áreas rurais republicanas, onde tarifas aplicadas pelo governo resultaram em demissões em fábricas e desaceleração da produção em diversos setores.

Em relação à política externa, 32% consideram que as decisões do presidente beneficiaram a posição global dos EUA, enquanto 56% acreditam que prejudicaram, e 12% entendem que não houve impacto.

Fonte: Carta Capital e Metrópole

Sem mortes, operação na Bahia prende 31 membros do Comando Vermelho

A Polícia Civil da Bahia deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Freedom, que tem como objetivo desarticular os núcleos armado e financeiro do Comando Vermelho no estado. Sem mortes, a ação resultou na prisão de 31 suspeitos e no cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão em cidades da Bahia e do Ceará. Ao todo, a Justiça autorizou 90 ordens judiciais, incluindo o bloqueio de 51 contas bancárias ligadas à facção.

À Folha, a corporação informou que os alvos são investigados por crimes como homicídio e tráfico de drogas em Salvador e outras cidades baianas. As autoridades afirmam que os resultados da operação poderão ajudar na elucidação de cerca de 30 assassinatos ocorridos recentemente na capital. Nenhuma pessoa morreu durante a ação policial.

Em Salvador, as ações se concentraram nos bairros da Liberdade, Pernambués, Narandiba, Uruguai e Areia Branca, áreas consideradas estratégicas para o Comando Vermelho. Mandados também foram cumpridos nos municípios de Aratuípe e Ilhéus, na Bahia, e em Eusébio, no Ceará.

Mais de 400 agentes das polícias Civil e Militar participaram da operação, que contou ainda com o apoio da Polícia Civil do Ceará e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-BA). O grupo reúne forças de segurança estaduais e federais em uma frente unificada de combate às organizações criminosas.

Segundo as investigações, a Operação Freedom busca atingir diretamente a estrutura financeira do Comando Vermelho na Bahia, com a apreensão de armas, veículos, bens e recursos ilícitos.

“O objetivo é enfraquecer a capacidade de atuação da facção, prender lideranças e interromper o fluxo de dinheiro que sustenta o domínio territorial e os homicídios”, afirmou a Polícia Civil.

A ofensiva baiana ocorre poucos dias após a megaoperação no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão e se tornou a mais letal da história do país.

A Operação Contenção, realizada no Rio, revelou indícios de articulação entre líderes do Comando Vermelho e suas bases no Norte e Nordeste, o que motivou a intensificação de ações integradas em outros estados.

De acordo com o Relatório do Mapa de Orcrim 2024, elaborado pelo Ministério da Justiça, o Comando Vermelho atua hoje em pelo menos 22 estados brasileiros.

Na Bahia, a facção passou a se consolidar a partir de 2020, após absorver o grupo local Comando da Paz. A aliança abriu novas rotas para o tráfico de drogas e armas, ampliando a influência da organização e agravando disputas territoriais com rivais.

A principal adversária do Comando Vermelho no estado é a facção Bonde do Maluco (BDM), aliada do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. A rivalidade entre os dois grupos é apontada como uma das causas da escalada da violência em bairros periféricos de Salvador e em municípios do interior.

O relatório do Ministério da Justiça também revelou que pelo menos 21 facções criminosas operam na Bahia, tornando o estado um dos epicentros da atividade de organizações criminosas no país.

A Bahia lidera o ranking nacional de letalidade policial em números absolutos. Entre janeiro e setembro deste ano, foram registradas 1.252 mortes resultantes de ações das forças de segurança, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Diante do cenário, o governo Jerônimo Rodrigues (PT) estabeleceu como meta reduzir em 10% por semestre os índices de mortes decorrentes de confrontos policiais nos próximos três anos. A nova operação é vista como parte da estratégia de enfraquecer financeiramente as facções sem ampliar o número de vítimas.

Fonte: DCM

iFood paga quase R$ 1 bilhão após derrota sobre benefício tributário indevido

O iFood pagou quase R$ 1 bilhão em tributos à Receita Federal após o governo obter vitória na Justiça, que considerou indevido o uso de benefícios fiscais desde 2023 pela gigante de intermediação de entregas no Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos).

Apesar de ter tido as suas receitas fortemente multiplicadas durante a pandemia de Covid-19 diante do boom das entregas de alimentos em domicílio, o iFood foi a empresa que mais deixou de recolher impostos sob o programa, criado com o objetivo declarado de socorrer setores impactados pelas restrições de circulação nas cidades. Originalmente uma empresa brasileira, o iFood passou a ser 100% controlado pelo grupo holandês Prosus em 2022.

Decisão de agosto do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que ainda não havia sido levada a público confirmou a tese do governo de que o iFood não tinha direito à isenção de impostos sob o programa após a edição de uma portaria que limitou as atividades elegíveis. O entendimento do tribunal é que os pagamentos deveriam ter sido retomados a partir de maio de 2023, mas a companhia continuou se beneficiando sob o amparo de liminares.

Em documento visto pela Reuters, a Receita Federal citou no processo “enorme dano ao erário” e apontou que a empresa deixou de recolher, de maneira indevida, mais de R$ 900 milhões em tributos federais.

Em resposta sobre a decisão da Justiça, o iFood informou que já fez os pagamentos dos valores devidos em parcelas nos meses de setembro e outubro, ressaltando que está “em dia com todas as suas obrigações junto à Receita”.

“O iFood esclarece que os recursos utilizados para o pagamento desses tributos estavam provisionados no seu balanço e, portanto, não houve impacto financeiro na operação,” disse em nota.

A empresa acrescentou ainda que usufruiu do benefício somente enquanto esteve vigente a decisão judicial que o autorizava a fazê-lo, tendo interrompido seu uso desde janeiro deste ano.

Os pagamentos ajudam o governo na busca pela meta de déficit fiscal zero neste ano, enquanto a equipe econômica avalia soluções para cobrir o buraco aberto no Orçamento depois que o Congresso Nacional derrubou a medida provisória 1303, que elevava tributos e previa alguns cortes de despesas.

Procurada, a Receita Federal afirmou que não comenta temas em discussão no Poder Judiciário nem situações que envolvam contribuintes específicos.

Fonte: Uol

STF marca julgamento de Eduardo por articulação golpista nos EUA

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 21 de novembro o início do julgamento da denúncia contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de atuar para pressionar a Corte por meio de articulações com autoridades dos Estados Unidos, pedindo sanções a ministros do tribunal. O caso será analisado pela Primeira Turma, em sessão virtual, com previsão de término em 1º de dezembro.

Segundo a PGR, Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo tentaram atrapalhar o andamento das investigações sobre a trama golpista que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. A denúncia contra Figueiredo foi desmembrada e será julgada separadamente devido à dificuldade de sua intimação nos Estados Unidos, onde mora há cerca de dez anos.

O processo examinará inicialmente se há indícios suficientes para transformar a denúncia em ação penal. Caso o STF aceite a acusação, Eduardo passará a ser réu e o mérito do caso (uma eventual condenação ou absolvição) será analisado posteriormente.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, determinou que a Defensoria Pública da União (DPU) representasse o deputado, já que ele não constituiu advogado. Em petição protocolada na sexta (31), o órgão pediu a rejeição da denúncia, afirmando que o parlamentar “não é autor das sanções” e que suas manifestações nos EUA se enquadram no “exercício legítimo da liberdade de expressão e do mandato parlamentar”.

A Procuradoria, no entanto, sustenta que Eduardo usou sua posição política e presença em Washington para tentar constranger ministros do STF, em especial Moraes. As ações ocorreram enquanto o tribunal julgava figuras ligadas aos atos golpistas de 8 de janeiro.

O blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo, também foi citado pela PGR como parte do mesmo esforço de pressão. Moraes determinou que ele seja intimado por meio de carta rogatória, um instrumento de cooperação internacional que envolve a diplomacia e o Judiciário americano, o que deve atrasar a tramitação do processo.

Fonte: DCM

Enquanto STF avalia recursos, Papuda prepara espaço para prisão de Bolsonaro

O Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, reservou uma área para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro. A estrutura fica no mesmo bloco utilizado anteriormente por deputados, doleiros e empresários que passaram pelo local. A medida foi organizada antes da conclusão da análise de recursos relacionados ao caso. Com informações da Veja.

Os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal vão analisar nesta semana os recursos apresentados por Bolsonaro e por outros sete envolvidos na trama golpista de janeiro de 2023. Essa etapa processual deve definir a continuidade dos procedimentos judiciais relacionados ao caso.

Com o encerramento da análise dos recursos, o colegiado poderá definir o início do cumprimento de pena. Até o momento, Bolsonaro permanece em prisão domiciliar, medida definida em etapas anteriores do processo e cumprida com monitoramento e restrições legais.

A possibilidade de transferência do ex-presidente para o presídio depende da deliberação judicial. Caso a Primeira Turma determine o início do cumprimento de pena em regime fechado, a Papuda já possui um espaço preparado para recebê-lo em condições de segurança controlada.

A Polícia Federal também reservou uma sala especial para a eventual prisão de Bolsonaro. A estrutura é semelhante à utilizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no período em que cumpriu pena após condenação na Lava-Jato, em Curitiba, em 2018.

Essa sala especial segue normas federais de custódia e permanece sob responsabilidade direta da corporação. O ambiente é monitorado e isolado de áreas comuns, garantindo controle de acesso e registro contínuo de movimentação interna.

O período de análise dos recursos foi definido anteriormente pelo STF. Os demais envolvidos na ação também aguardam a deliberação da Primeira Turma para o início de pena de privação de liberdade, caso seja determinada pelo colegiado.

As autoridades penitenciárias informaram que, caso a decisão seja emitida, a execução será realizada seguindo os protocolos habituais. A proximidade entre STF, Polícia Federal e sistema prisional permite deslocamento imediato após ordem judicial.

Fonte: DCM

STJ julga no dia 04/11, quebra de sigilo do advogado de Adélio Bispo

Investigação busca identificar quem financiou o advogado do responsável pela facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro; OAB fala em desrespeito às prerrogativas

A 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) julga na 3ª feira (4.nov.2025) um recurso do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) sobre a quebra de sigilo do advogado de Adélio Bispo, responsável pela facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha eleitoral de 2018. 

A ação questiona a decisão do TRF1 (Tribunal Regional da 1ª Região) que autorizou a quebra do sigilo bancário e os mandados de busca e apreensão contra o advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que fez a defesa de Adélio. A medida valeria para movimentações bancárias feitas entre 6 de setembro de 2018 e 1 de dezembro de 2018. Bolsonaro foi esfaqueado em 6 de setembro daquele ano, durante comício em Juiz de Fora (MG).

A apuração busca identificar o patrocinador financeiro dos serviços do advogado em favor de Adélio Bispo. Ao analisar os pedidos da PF (Polícia Federal), a 3ª Vara Federal de Juiz de Fora considerou que Júnior tem o dever de informar o financiador porque o interesse público da investigação “deve prevalecer sobre o interesse privado da relação contratual”. As medidas têm como finalidade “esclarecer a participação, ou não, de outras pessoas no crime de atentado praticado contra Jair Bolsonaro”.

Para o juízo da 1ª instância, houve uma “injustificada resistência” por parte do advogado em prestar as informações necessárias para a identificação do patrocinador da defesa de Adélio Bispo. “As representações estão motivadas em suposta prática de crime cometido pelo financiador da defesa técnica de Adélio Bispo de Oliveira -cuja identidade se busca revelar – e não pelo advogado, no exercício de sua profissão, sendo certo que somente nesta última hipótese caberia a violação de seu escritório”, escreveu.

Leia mais em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/stj-julga-quebra-de-sigilo-do-advogado-de-adelio-bispo-na-3a/

Fonte: Poder360

Amizade, religião, política e a relação entre JHC e Lira estremecida “graças a Deus”

CADU AMARAL

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), ainda no PL, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) estavam distanciados, sem aparições públicas juntos por descumprimento de acordo entre eles em relação aos espaços na prefeitura de Maceió. Nem Lira entregou o que prometera, nem JHC deu musculatura combinada. O distanciamento entre eles ficou mais evidente quando iniciou o beija-mão para Marluce Caldas ser indicada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Lira, segundo o noticiário, não endossava a indicação. Mas em 8 de outubro, no palco das redes sociais, JHC e Lira trocaram elogios e um caloroso abraço. Pronto, estava selada a (re) união.

Contudo, bastou a filiação de Gunnar Nunes, ligado à Assembleia de Deus, ao PP, saído do PL, ainda comandando por JHC, para a relação entre o prefeito de Maceió e o líder do centrão em Brasília estremecer novamente.

Gunnar, segundo consta o noticiário, seria peça-chave na chapa para deputado federal que JHC tenta montar para eleger a primeira-dama de Maceió, Marina Candia. Como torna ao acinte, o prefeito de Maceió exonerou, de bate-pronto, 52 cargos comissionados ligados à Assembleia de Deus. As indicações também era do deputado estadual Mesaque Padilha, do União Brasil, que ainda mantém federação com o PP, de Arthur Lira, que também corre atrás de montar uma boa chapa para a Câmara dos Deputados a fim de eleger seu filho, Álvaro Lira.

Arthur Lira é pré-candidato ao Senado e quer repetir a dobradinha que teve com seu pai, o finado Benedito de Lira. Pai no Senado, filho na Câmara dos Deputados.

Além dos cargos, que rendiam cerca de R$ 200 mil aos comissionados, em agosto deste ano, JHC doou um terreno no valor de R$ 15 milhões à Assembleia de Deus para construção de sua sede. A vultuosidade dessa relação, além do potencial de votos aqui envolvidos – Assembleia de Deus tem cerca de 200 mil fiéis em Alagoas –, foram fatores determinantes para o desconforto de JHC com a filiação de Gunnar ao PP.

Esse episódio escancara dois aspectos da política. O primeiro é que ninguém é amigo de ninguém nesse meio, apesar do que as falas públicas fazem parecer junto ao eleitorado. No máximo, se há relação pessoal de amizade, ela fica secundarizada perante os interesses políticos. Estamos falando de profissionais da política e, até aí, está tudo certo.

O segundo é a mistura de política com religião, cujo objetivo é manipular a fé das pessoas, especialmente aquelas que não sabem bulhufas sobre como funcionam as engrenagens da política. Por religião, entenda as estruturas organizacionais das igrejas, não o credo (cristianismo, catolicismo, evangélicos, espíritas, candomblé etc).

JHC se diz evangélico e sempre publica trechos bíblicos em suas redes sociais – “se diz” porque não o conheço, logo, não sei se a fé que demonstra em público condiz com a verdade – e sempre fez uso político dessa seara.

Fosse somente o prefeito de Maceió, a mistura entre religião e política nem deveria ser tema de discussão, mas não é o caso. É, cada vez mais, crescente a exploração da fé como cesta de votos, o que rebaixa o debate público a questões morais e à imposição de uma crença sobre as outras acerca de como o Estado deve funcionar, que serviços deve prestar e como prestar.

Já há algum tempo não é raro vermos candidatos de todas os matizes partidárias e ideológicas, especialmente a cargos majoritários, fazer beija-mão entre líderes religiosos; a vermos casas legislativas aprovarem leis sob a ótica da leitra bíblica que cada vertente do cristianismo diz possuir ou a aprovações isenções fiscais e até – como o caso do prefeito de Maceió e a Assembleia de Deus – doações de imóveis públicos.

No Renascimento, passou-se a tratar o ser humano com o centro das coisas públicas, das expressões artísticas à atuação do Estado, deixando de lado o poder da igreja nas decisões políticas, dando vez ao Iluminismo. Agora, em pleno século 21, estamos à beira histórica de voltar aos padrões de relação entre fé e Estado da Idade Média, mas com o plus das tecnologias de comunicação deste século.

E sobre amizades na política, quando os interesses coadunam, tudo certo nada errado. Quando, não, “nos vemos nas festas de fim de ano”.

No caso entre JHC e Arthur Lira, o que vale muito mais amizade – se é que existe – são as eleições de 2026. Lira quer ser Senador numa disputa, se possível, tendo somente Renan Calheiros (MDB) como adversário num pleito que se elegem dois senadores. JHC até agora não fala abertamente para qual cargo irá concorrer. Fala-se que será a governador contra Renan Filho (MDB), apesar de ser mais fácil para ele concorrer ao Senado, ameaçando Arthur Lira.

Por conta a reação de JHC à filiação de Gunnar ao PP, Lira, segundo o noticiário, já foi atrás de Davi Davino Filho (Republicanos) para “trocar uma ideia” sobre o ex-deputado estadual concorrer ao Governo de Alagoas. A família Davino é dona da Funbrasil, que realiza serviços médicos – pagos, ao menos majoritariamente, pelo SUS – a idosos em toda Maceió, o que rende muitos votos à família. É oóbvio ululante que a sondagem a Davi Davino Filho por Arthur Lira é para ir para cima de JHC, que tem sua principal cesta de votos na capital alagoana.

 E se for para jogar o jogo nesses moldes, não custa muito para JHC se bandear para o lado de Renan Calheiros, até como parte do cumprimento do acordo político que fez Marluce Caldas ir para o STJ: JHC num partido da base de Lula.

Mas se a Assembleia de Deus garantir votar em JHC e JHC não se colocar numa posição que Arthur Lira entenda que lhe atrapalhe, a “amizade” volta. “Graças a Deus”.

Pejotização forçada: 5,5 milhões de trabalhadores deixam CLTs e perdem direitos

Entre 2022 e julho de 2025, cerca de 5,5 milhões de trabalhadores brasileiros migraram diretamente do regime formal da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para o de pessoas jurídicas, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O órgão suspeita que boa parte dessas mudanças ocorreu sob pressão de empregadores, em uma prática conhecida como “pejotização forçada”, usada para reduzir encargos trabalhistas e tributários.

Segundo a Folha de S.Paulo, o MTE monitora os movimentos por meio dos CPFs dos trabalhadores, acompanhando a transição desde a saída do registro formal até o ingresso no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ).

Dos 5,5 milhões de migrantes, cerca de 4,4 milhões (80%) se tornaram Microempreendedores Individuais (MEIs), grupo considerado mais vulnerável a pressões por não possuir poder de barganha diante das empresas.

Criado em 2008 para formalizar autônomos e pequenos empreendedores, o regime do MEI permite o pagamento reduzido de impostos e contribuições previdenciárias. Já para o empregador, o modelo transforma o trabalhador em prestador de serviços, reduzindo custos em até 70% sobre o salário, de acordo com levantamento da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV (Eaesp-FGV).

O fenômeno, no entanto, vem impactando as contas da Previdência Social. Quando foi instituído, o MEI contribuía com 11% de um salário mínimo para o INSS, mas a alíquota foi reduzida para 5% em 2011, durante o governo Dilma Rousseff (PT).

Com isso, enquanto um trabalhador CLT recolhe cerca de R$ 400 por mês, o MEI paga apenas R$ 70. Segundo estimativas do MTE, a pejotização dos 5,5 milhões de trabalhadores já resultou em uma perda de arrecadação superior a R$ 70 bilhões.

Os dados foram apresentados recentemente ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá relatar uma decisão sobre a legalidade da pejotização.

Em abril, o ministro suspendeu todos os processos trabalhistas que tratam da contratação de pessoas jurídicas ou autônomos para avaliar a licitude dessas relações. Entre 2020 e março deste ano, 1,2 milhão de ações trabalhistas — 8,3% do total — pediram reconhecimento de vínculo empregatício.

“A pejotização é um problema quando ocorre de forma fraudulenta, como no caso de garis contratados como MEIs por prefeituras. Esses trabalhadores não têm condições de negociar com os empregadores”, afirmou Lorena Guimarães, diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho do MTE, em entrevista à Folha.

Trabalhadores de indústria. Foto: reprodução

Alternativas e efeitos no mercado de trabalho

Para o ex-secretário da Previdência e ex-presidente do INSS, Leonardo Rolim, uma revisão das alíquotas poderia amenizar as perdas previdenciárias. Ele propõe que apenas os trabalhadores informais registrados no Cadastro Único continuem contribuindo com 5%, enquanto os demais voltariam à alíquota de 11%.

“Aqueles que têm faturamento próximo ao teto de R$ 81 mil anuais deveriam migrar para um regime mais robusto, semelhante ao Simples Nacional”, sugeriu.

Apesar das suspeitas de fraude, há também uma parcela expressiva de trabalhadores que escolhe voluntariamente deixar o regime CLT.

Segundo pesquisa Datafolha realizada em junho, 59% dos brasileiros preferem trabalhar por conta própria, contra 39% que valorizam mais a estabilidade da carteira assinada. Entre os jovens, o índice de preferência pela autonomia chega a 68%.

Estudo do economista Nelson Marconi, da FGV, mostra que, em muitos casos, os rendimentos dos PJs chegam a ser o dobro dos salários de empregados formais em funções equivalentes. “Nos casos em que há maior escolaridade e poder de negociação, há uma clara preferência pela autonomia e pela liberdade de jornada”, explicou Marconi.

Ainda assim, o MTE alerta que a pejotização em massa pode desfigurar a estrutura de proteção social do país. O órgão estuda medidas para reforçar a fiscalização e coibir práticas fraudulentas, sem desestimular a formalização de profissionais autônomos que atuam de forma legítima.

Fonte: DCM

Gastança com juros consumiu R$ 985 bilhões dos cofres públicos em 12 meses

EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO

Quase 8% do PIB no acumulado de doze meses

O gasto do setor público (União, Estados, municípios e estatais) atingiu a soma de R$ 984,8 bilhões (quase 8% do PIB), no acumulado de doze meses até setembro deste ano, conforme dados do relatório de “Estatísticas Fiscais” do Banco Central (BC), divulgado nesta sexta-feira (31).

São R$ 165,1 bilhões a mais do que foi pago de juros para o mesmo intervalo de tempo de 2024.  

Em setembro, a despesa com juros – que na prática é a transferência de renda de todos os contribuintes aos detentores de títulos da dívida pública, majoritariamente bancos, foi de R$ 84,7 bilhões – um aumento de 82,5% em relação a agosto deste ano (R$46,4 bilhões). Se considerado os últimos nove meses, foram R$ 684,6 bilhões, um ganho de 5,3% frente ao mesmo período do ano passado.  

A gastança com os juros avança por conta da taxa básica de juros da economia (Selic) do BC, hoje fixada em 15% ao ano. Em setembro de 2024, a taxa estava em 10,5%.  

“Contribuíram para esse crescimento a elevação da taxa Selic e o aumento do estoque do endividamento no período”, confirma o BC, em seu relatório.     

A Selic é um dos principais indexadores da dívida pública. Sendo assim, quanto maior estiver o nível da taxa nominal, mais o setor público terá de pagar juros, o que consequentemente aumenta a dívida. A cada 1 ponto percentual (p.p) acrescido no nível da Selic, há um aumento de R$ de 60,3 bilhões sobre a dívida líquida do setor público (DLSP), em 12 meses. Assim, a DLSP atingiu 64,8% do PIB (R$8,1 trilhões) em setembro, elevando-se 0,6 p.p. do PIB no mês. 

Já na dívida bruta do governo geral (DBGG), 1 p.p corresponde a um impacto de 54,7 bilhões na dívida bruta do governo geral (DBGG). Em setembro, a DBGG atingiu 78,1% do PIB (R$9,7 trilhões) em setembro de 2025, elevando-se 0,6 p.p. do PIB no mês.  

Com o pagamento de juros tomando uma fatia maior do Orçamento, menos dinheiro sobra para serviços públicos, que beneficiam diretamente a população, principalmente, os mais pobres deste país.    

No entanto, o resultado do aumento da dívida do setor público consolidado foi usado no dia de hoje pelos porta-vozes do mercado financeiro na mídia para pressionar o governo a realizar cortes nas despesas primárias – isto é investimento em programas sociais, em saúde, educação, obras de infraestrutura, entre outros. Já a despesa financeira segue sem propostas de limitação, ou quaisquer outras medidas de contenção.  

Em setembro, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 1 7,5 bilhões, com o governo federal registrando um saldo negativo de R$ 15 bilhões; enquanto Estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 3,5 bilhões. As empresas estatais marcaram um superávit de R$ 996 milhões. 

Quando considerado o resultado primário e os juros, o déficit vai a R$102,2 bilhões.  No acumulado em doze meses, o déficit alcançou R$ 1.02 trilhão (8% do PIB), ante déficit de R$ 969,6 bilhões em agosto de 2025.  

Nesta semana, a Câmara dos Deputados aprovou novas medidas de cortes de gastos, por meio da redução do acesso ao seguro defeso e auxílio-doença. Além de mudanças no Pé de Meia (concedidos a estudantes do Ensino Médio) via a inclusão do programa no cálculo do piso constitucional de investimentos em educação, tornando-o permanente. Assim, as verbas do programa passam a esmagar outros investimentos em educação.  

Caso sejam aprovados pelo Senado na próxima semana, essas medidas, propostas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode gerar para 2026 uma economia de R$ 19 bilhões – quando o corte da taxa no nível da Selic poderia gerar uma soma maior e um impacto positivo nas contas públicas, além de garantir o aumento das receitas por meio do destravamento dos investimentos e da demanda de bens de consumo no país.

Fonte: Hora do Povo

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