Segundo a PF, recursos públicos passaram por estrutura de fundos criados para dificultar o rastreamento dos valores
A Polícia Federal afirma ter identificado uma estrutura composta por 15 fundos de investimento que teria sido utilizada para ocultar o suposto desvio de R$ 308 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso.
Segundo a coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, o relatório da Operação Heritage aponta que a rede de fundos foi criada para dificultar o rastreamento dos recursos e esconder a identidade dos beneficiários finais da operação financeira. A ação tem como alvos de medidas judiciais o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), o desembargador Ricardo Gomes de Almeida e um procurador do Estado.
De acordo com a PF, dez dos 15 fundos foram constituídos especificamente durante a execução do acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. Os investigadores apontam que as datas de criação desses veículos coincidem com os repasses realizados pelo governo estadual.
Ainda conforme o relatório, esses fundos não tinham finalidade econômica efetiva nem buscavam captar investidores no mercado. Em alguns casos, os aportes iniciais eram considerados insuficientes até mesmo para cobrir os custos básicos de funcionamento.
A Polícia Federal sustenta que parte dessas estruturas funcionava como verdadeiras “contas de passagem”, permitindo que os recursos transitassem por diferentes empresas e fundos antes de chegarem aos destinatários finais.
“Foi estruturada uma camada de fundos de investimento, que se conectaria a outros veículos de mesma natureza, com o objetivo de promover a distribuição dos valores, sob múltiplos véus de opacidade, entre todos os envolvidos na operação financeira”, afirma o relatório da PF.
Entre os exemplos apresentados pelos investigadores está o Zurich FIM CP, apontado como um fundo utilizado para movimentar temporariamente os recursos antes de sua incorporação ao patrimônio de empresas ligadas aos investigados.
O relatório também descreve que, após percorrerem uma sequência de fundos, parte dos valores teria sido destinada a investimentos privados. Um dos fluxos identificados envolve o Royal Capital FIDC, que, segundo a PF, teria direcionado recursos para aquisição de participações na Parecis Bioenergia, empresa ligada aos filhos do ex-governador Mauro Mendes.
Outro caminho apontado pela investigação envolve o Lotte Word FIDC, que, de acordo com a Polícia Federal, teria direcionado recursos ao núcleo familiar do deputado federal Fábio Garcia.
Para os investigadores, a movimentação sucessiva entre diferentes fundos buscava conferir aparência de legalidade às operações financeiras, dificultando a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários finais.
Operação Heritage
Deflagrada nesta quinta-feira (6), a Operação Heritage apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos em um suposto esquema relacionado ao acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia para restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária.
Por determinação da Justiça, foram cumpridas medidas de busca e apreensão, quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os alvos da operação.
Segundo a PF, as investigações indicam que a operação financeira teria sido utilizada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas de fachada.
O Metrópoles informou que procurou o ex-governador Mauro Mendes para comentar as acusações, mas não havia recebido manifestação até a publicação da reportagem.
Fonte: Brasil 247






