STF: ecos do baile da Ilha Fiscal
Por Misa Boito
Há 137 anos, em 1889, em meio à crise do regime imperial, Pedro II organiza um fausto jantar na Ilha Fiscal (RJ). A elite e as instituições do Império deleitaram-se.
Todas as diferenças preservadas, há hoje no Brasil elementos do clima de baile da Ilha Fiscal, nos jantares e festas privadas, musicadas e bem abastecidas, em Lisboa, Londres, Nova York ou Trancoso.
Uma semelhança é que nos dois casos, enquanto o povo se esfola, os senhores da corte imperial com suas perucas, no caso, os senhores da Suprema Corte com suas togas (tem até ministro que usa peruca!), servem para bloquear que algo melhor possa nascer.
O baile da Ilha Fiscal entrou para a história. Já a lambança das instituições, acontece agora, gera indignação popular e argumentos para a luta para pôr fim nisso.
O Congresso Nacional faz lambança com as emendas parlamentares. O Senado puxa o freio de mão no projeto do fim da jornada 6 X 1. O STF afunda-se na promiscuidade com os donos do dinheiro. As instituições fétidas contaminam o ar e o povo segue sua dura vida.
“Vossa Excelência, data vênia…”
Depois do baile no STF da terça-feira gorda de carnaval, na quarta-feira de cinzas, é como se nada tivesse acontecido, risos são trocados. Hipocrisia! Como hipócrita é a moral da burguesia e de suas instituições.
As expressões pomposas de “vossa excelência e data vênia” servem de máscara de seriedade e civilidade. Mas o STF ficou nu e, diz a famosa peça teatral de Nelson Rodrigues, “toda nudez será castigada”.
Castigada pela luta dos trabalhadores, engazopados por fatos que não dizem respeito ao seu cotidiano, com horas perdidas em conduções lotadas, uma jornada extenuante, muitas vezes endividados quando não inadimplentes.
Do atual embate no STF os trabalhadores não tem o que esperar. Não é só pelas características individuais dos ministros, é pela lógica da instituição secular criada por Pedro I para prestar serviço à classe dominante.
5 de abril de 2018
Neste dia, o STF julgou um pedido de Habeas Corpus (HC) para Lula, então condenado pelo juiz salafrário ordinário Sérgio Moro. A votação estava 5 x 5, vem uma mensagem do general Villa Boas, comandante do Exército, ameaçando os togados, e a votação termina 6 x 5 contra Lula.
Votaram por negar o HC Carmem Lúcia, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Fachin, Luís Roberto Barroso, além de Rosa Weber que desempatou (os últimos dois depois saíram da corte).
20 horas depois, Sergio Moro decretou a prisão de Lula que ficou 580 dias numa cadeia, com a benção do STF. A mobilização pela defesa de Lula ganhou o país, ele foi libertado e eleito para seu 3º mandato.
Com Lula presidente prosseguir a luta contra estas instituições
Agora, no 4º mandato que disputamos, vamos lutar e chamar o nosso presidente reeleito a juntos colocar fim nestas lambanças institucionais. Com uma reforma política radical que dê ao povo o direito soberano de decidir o destino do país – inclusive reformar o Judiciária – numa Assembleia Constituinte. Uma luta do povo que não participa dos rega-bofes das elites.
Fonte: DAP






