Lula deve impor medidas aos EUA em resposta ao tarifaço

O presidente Lula determinou que o Ministério da Fazenda, chefiado por Fernando Haddad, elabore uma lista de possíveis medidas de retaliação às tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A orientação é parte de uma análise para eventual aplicação da Lei da Reciprocidade, mecanismo legal que permite ao Brasil responder a sanções comerciais estrangeiras.

Em julho, um dia após o presidente Donald Trump assinar decreto que eleva para 50% a tarifa sobre produtos brasileiros (um acréscimo de 40% ao imposto atual), Lula reuniu ministros e pediu levantamentos detalhados sobre a dependência nacional de medicamentos e insumos dos EUA, além de dados dos setores de óleo e gás.

A preocupação é avaliar formas de proteger a economia brasileira diante da medida americana. Na última terça (5), Lula voltou a cobrar de sua equipe um inventário completo de possíveis retaliações comerciais. Durante a apresentação do plano de contingência elaborado pela Fazenda, o presidente reforçou que quer conhecer com precisão todas as medidas possíveis dentro dos limites legais da Lei da Reciprocidade.

Haddad explicou que a elaboração do inventário exige cooperação entre pastas, incluindo Indústria e Comércio, Relações Exteriores e Saúde. O ministro também sugeriu que a lista só fosse finalizada após a entrada em vigor do tarifaço, prevista para o dia seguinte, e conteúdo será apresentado a Lula na próxima semana.

Ainda no dia do anúncio da medida americana, Lula divulgou nota oficial afirmando que o Brasil não abrirá mão de seus instrumentos de defesa comercial. Ao mesmo tempo, declarou disposição para negociar com os EUA, mas sem descartar o uso da reciprocidade prevista em lei, caso considere necessário.

O presidente também determinou a criação de um grupo interministerial específico para discutir contramedidas econômicas e comerciais. O Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas será responsável por desenhar estratégias de reação às sanções. O foco são ações que protejam cadeias produtivas e setores estratégicos da economia nacional.

No caso dos medicamentos, Lula solicitou uma avaliação sobre a possibilidade de importações alternativas e a viabilidade de produção nacional, mesmo para fármacos patenteados por empresas dos EUA. A quebra, porém, não está sendo considerada neste momento, embora a Lei da Reciprocidade permita essa possibilidade em casos de ameaça grave à economia brasileira.

Fonte: DCM

Ataques israelenses continuam: 22 palestinos morrem em Gaza, incluindo duas crianças

Cerco israelense intensifica escalada na Palestina; ONU diz que 100 bebês prematuros estão em perigo por falta de combustível nos hospitais

Os bombardeios israelenses e as mortes relacionadas à fome se intensificam em Gaza. Pelo menos 22 pessoas morreram em ataques israelenses nesta quinta-feira (07/08), enquanto duas crianças desnutridas — incluindo uma menina de dois anos — faleceram, segundo autoridades médicas palestinas.

Um ataque israelense no município de Bani Suheila, a leste de Khan Younis (sul de Gaza), matou pelo menos duas pessoas, de acordo com uma fonte do Hospital Nasser. Segundo a emissora catari Al Jazeera, o ataque se soma a outras seis mortes em ofensivas anteriores na região.

Um ataque israelense em Jabalia, no norte de Gaza, matou pelo menos uma pessoa. Em al-Mawasi, no sul, uma barraca improvisada também foi alvo das Forças de Israel. Perto do campo de refugiados de Nuseirat, no centro, um enorme bombardeio aéreo atingiu um apartamento residencial. Cinco civis foram mortos, incluindo um pai, esposa e filhos.

Crise humanitária se agrava

Os hospitais registraram quatro novas mortes por fome e desnutrição nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, elevando o total para 197 vítimas (incluindo 96 crianças). Desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023, 61.258 palestinos foram mortos e 152.045 feridos.

Nas últimas 24 horas, 98 palestinos — incluindo 51 que buscavam ajuda humanitária — foram mortos, e 603 ficaram feridos em ataques israelenses. Desde 27 de maio, quando Israel implementou o polêmico mecanismo GHF para distribuição de ajuda, 1.706 pessoas morreram em filas por alimentos, e 12.030 foram feridas, informou o ministério.

Dois corpos também foram resgatados dos escombros de um ataque anterior, acrescentou o órgão em comunicado no Telegram.

Crianças e bebês em risco extremo

As Nações Unidas alertam que a falta de combustível em Gaza, causada pelo bloqueio israelense, impede operações de salvamento de vidas. 100 bebês prematuros estão em risco iminente devido à escassez de energia em hospitais.

Farhan Haq, porta-voz da ONU, disse à Al Jazeera: “Nos últimos dois dias, coletamos 300 mil litros de combustível em Kerem Shalom, mas isso é insuficiente. Parceiros de saúde alertam que 100 prematuros podem morrer sem eletricidade.”

A falta de fórmula infantil e suplementos nutricionais também está causando mortes, assim como a desnutrição de gestantes em condições extremas, segundo a Rede de ONGs em Gaza.

Por conta da fragilidade hospitalar, três crianças palestinas foram levadas à Califórnia (EUA) para tratamento emergencial. Mohammed Subeh, médico voluntário que as atendeu em Gaza, explicou à Al Jazeera: “Uma tem queimaduras graves; as outras, traumas complexos. Lutamos por mais de um ano para evacuá-las.”

Fonte: Ópera Mundi

Senado aprova isenção de IR para quem ganha até dois salários-mínimos

Após cerca de 48 horas de obstrução do funcionamento dos plenários pela oposição, o Senado aprovou, nesta quinta-feira (7), o projeto de lei (PL) que isenta do pagamento do Imposto de Renda (IR) os trabalhadores que ganham até dois salários-mínimos, o que equivale a R$ 3.036. O texto agora segue para sanção presidencial. A isenção de IR vai valer a partir de maio do mês-calendário 2025.

O PL 2.692/2025 foi apresentado pelo deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, e substituiu a medida provisória 1.294/2025, editada pelo governo federal, e cuja validade venceria na próxima segunda-feira (11). Caso a MP perdesse a validade, poderia prejudicar milhões de contribuintes – o IR passaria a ser obrigatório para aqueles que receberam, em média, R$2.606 por mês.

O relator da matéria no Senado, o líder do governo Jacques Wagner (PT-BA), comemorou o resultado da votação, que foi aprovada em votação simbólica sem manifestações contrárias.

“Depois, trabalharemos para aprovar a proposta de estender a isenção para quem ganha até R$ 5 mil. Seguimos trabalhando por mais justiça social e fiscal”, explicou o relator.

Isenção de IR para em ganha até R$ 5 mil está em tramitação na Câmara

A proposta de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil reais está em tramitação na Câmara, aguardando votação no plenário. Já aprovada em Comissão Especial, o texto prevê ainda uma redução do IR para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

A medida é uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A votação da matéria foi atrasada pelo motim da oposição, que ocupou as mesas diretoras dos plenários da Câmara e Senado após decretada a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado e investigado por obstrução do processo penal, devido às ações dos Estados Unidos contra o comércio brasileiro e a sanção da Casa Branca contra Moraes. Ele nega as acusações.

Fonte: ICL

563 trabalhadores são resgatados de trabalho escravo no Mato Grosso

Auditores encontraram operários do Norte e Nordeste vivendo em alojamentos precários, submetidos a jornadas exaustivas e a um sistema ilegal de pagamento.

Em uma das maiores ações de combate ao trabalho escravo de 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) resgataram ao menos 563 trabalhadores de condições análogas à escravidão em um canteiro de obras na zona rural de Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso. A operação, que teve início em 20 de julho, revelou um cenário de extrema precariedade nas obras de construção de uma usina de etanol.

Os trabalhadores, recrutados em sua maioria nas regiões Norte e Nordeste do país, viviam em alojamentos superlotados, mal ventilados e sem acesso regular a água potável e energia elétrica. A situação era tão crítica que, segundo as autoridades, um incêndio foi provocado pelos próprios operários em protesto contra as condições degradantes. O fogo atingiu parte dos dormitórios, que mediam apenas 12 m² e abrigavam até quatro pessoas em temperaturas elevadas e sem climatização.

Após o incêndio, parte do grupo foi transferida para casas e hotéis na região, a cerca de 30 quilômetros da obra. No entanto, muitos ainda continuaram em situação insalubre, dormindo em colchões no chão, sem camas, roupas de cama ou espaço adequado para guardar seus pertences. De acordo com o MTE, diversos trabalhadores perderam tudo que tinham no incêndio e alguns chegaram a ser realocados em um ginásio de esportes de uma cidade vizinha.

Servidão por dívida e jornadas exaustivas

A fiscalização também identificou um esquema de aliciamento e servidão por dívida, com indícios de tráfico de pessoas. Diante da dificuldade em contratar mão de obra local, a empresa responsável pelas obras promoveu um recrutamento em massa no Norte e Nordeste por meio de carros de som e mensagens em grupos de WhatsApp. A promessa era de salários altos com muitas horas extras.

Muitos trabalhadores relataram que pagaram intermediários para conseguir a vaga e custearam os próprios gastos com viagem e alimentação. Em alguns casos, a empresa até bancou o transporte, mas descontou integralmente os valores do salário, prática ilegal e abusiva, segundo os auditores.

Outro ponto grave foi a descoberta de um segundo sistema de controle de ponto, apelidado de “ponto 2”, no qual eram registradas horas extras que não apareciam nos registros oficiais. Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo ou cheques, sem anotação em contracheque, sem recolhimento de FGTS ou contribuições ao INSS.

Os trabalhadores relataram jornadas sem folga, inclusive aos domingos, em descumprimento direto à legislação trabalhista. As horas extras prometidas na contratação se mostraram parte de uma falsa promessa de altos rendimentos.

Empresa negocia compensações com o MPT

Diante da gravidade das violações, a empresa responsável pela obra manifestou interesse em firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho. Entre as medidas compensatórias previstas estão:

Custeio do retorno dos trabalhadores aos seus estados de origem;

Devolução dos valores descontados indevidamente das viagens;

Pagamento de R$ 1mil por trabalhador como indenização pelos bens perdidos no incêndio.

Além disso, a fiscalização garantiu que todos os direitos trabalhistas serão pagos, incluindo verbas rescisórias, horas extras registradas no “ponto 2”, férias proporcionais, 13º salário, FGTS e demais obrigações legais.

Os trabalhadores resgatados também terão direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, um benefício especial previsto em lei, pago em três parcelas no valor de um salário mínimo cada. Eles serão ainda encaminhados à rede de Assistência Social, que fará o acolhimento e a inclusão em programas públicos adequados ao perfil de cada um.

O que diz a lei sobre trabalho escravo

Conforme o Código Penal, caracteriza-se trabalho análogo ao de escravo quando há submissão a condições degradantes, jornadas exaustivas, restrição de liberdade por dívida ou trabalhos forçados. O combate a essas práticas é prioridade da fiscalização federal e pode envolver sanções civis, trabalhistas e criminais para os responsáveis.

Como denunciar

Qualquer cidadão pode denunciar casos de trabalho escravo de forma anônima pelo Sistema Ipê, na internet. É importante fornecer o maior número possível de informações, como localização e descrição da situação. A denúncia será analisada por auditores do trabalho, que poderão acionar uma operação para apuração e resgate, caso necessário.

Fonte: Correio do Brasil

Em nova carnificina, Israel mata 135 palestinos em Gaza em 24 horas

  • Pelo menos 135 palestinos, incluindo 87 requerentes de ajuda, foram mortos e 771 feridos em ataques israelenses em Gaza nas últimas 24 horas, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave.
  • O número de pessoas que morreram de fome no enclave durante a guerra de Israel subiu para 193, com as cinco novas mortes confirmadas relacionadas à fome ocorrendo nas últimas 24 horas, diz o ministério.
  • O secretário-geral adjunto da ONU, Miroslav Jenca, disse ao Conselho de Segurança da ONU que o suposto esforço do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para ocupar Gaza totalmente é “profundamente alarmante”. A vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, também descreveu o plano como uma “provocação inaceitável”.
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que “cabe a Israel” decidir se prosseguirá.
  • A guerra de Israel em Gaza matou pelo menos 61.158 pessoas e feriu 151.442. Estima-se que 1.139 pessoas foram mortas em Israel durante os ataques de 7 de outubro de 2023 e mais de 200 foram capturadas.
  • Fonte: Al Jazeera

Bolsonaristas ocupam Mesas Diretoras do Congresso por anistia e impeachment de Moraes

A promessa inicial de apenas obstruir os trabalhos legislativos se transformou, nesta terça-feira (5), em uma ocupação inédita das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. A ação, articulada por parlamentares bolsonaristas em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro — determinada pelo ministro Alexandre de Moraes —, suspendeu comissões, adiou sabatinas e travou ao menos 11 indicações para agências reguladoras como ANTT, ANAC, ANP, ANM e ANSN.

No centro da ofensiva está o chamado “Pacote da Paz”, apresentado pelo grupo oposicionista e dividido em três eixos: anistia ampla aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023; fim do foro privilegiado para parlamentares, por meio de uma PEC; e impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a anistia seria um “passo prático” para convencer os Estados Unidos a retirarem sanções impostas ao Brasil. Já deputados como Sóstenes Cavalcante e Altineu Côrtes avisaram que levariam o tema ao plenário caso assumissem, mesmo de forma interina, a presidência da Câmara.

A ausência do presidente da Casa, Hugo Mota (Republicanos-PB), que passou o dia em agenda na Paraíba e só retornaria à noite, alimentou suspeitas entre governistas. O temor é de que partidos como o União Brasil e o PP se alinhem à manobra.

Apesar do clima de tensão, líderes do Planalto avaliam que não há os 257 votos necessários para aprovar a anistia. Para um articulador da base, pautar o projeto sem maioria formada seria “bravata” — e até um favor ao Executivo, que eliminaria uma ameaça recorrente usada para barganhar emendas.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), reagiu com firmeza. “Obstrução parlamentar é legítima e prevista no Regimento; bloquear o plenário é vilipêndio e afronta à democracia”, declarou.

Para ele, a ação é um “novo 8 de janeiro, organizado pelos mesmos de 2023” e um desserviço ao país, já que impede a votação de pautas econômicas como a correção do Imposto de Renda: “tenho certeza de que não é a posição da maioria desta Casa paralisar o Brasil. Impedir que milhões de brasileiros paguem menos imposto é um desserviço.” e completou: “queremos votar a correção do Imposto de Renda já. Isso alivia ou zera a conta para 40 milhões de brasileiros.”

Randolfe afirmou ainda que a meta é chegar a 90 milhões de isentos, retirando da tributação quem ganha até R$ 5 mil. Diante do impasse, reforçou que a Constituição permite a reunião do Congresso em qualquer local do território nacional para deliberar. Também prometeu que o governo não hesitará em subsidiar setores como o café ou o aço, caso necessário, para proteger empregos diante do tarifaço dos EUA.

Nos bastidores, um senador do Centrão avalia que a crise empurra Davi Alcolumbre (União-AP) para mais perto do Planalto.

O presidente do Senado divulgou, ao fim do dia, uma nota classificando a tomada das mesas como “exercício arbitrário das próprias razões, alheio aos princípios democráticos” e um ato que “inviabiliza o funcionamento regular do Parlamento”.

No texto, pediu “serenidade e espírito de cooperação” e reafirmou que o Congresso tem “obrigações com o país na apreciação de matérias essenciais ao povo brasileiro”. O senador apelou para a retomada dos trabalhos “com respeito, civilidade e diálogo”, advertindo que bloquear a pauta é ferir a missão constitucional do Legislativo.

Alcolumbre anunciou que convocará “reunião de líderes para que o bom senso prevaleça” e garantiu espaço para “todas as correntes políticas se expressarem legitimamente” nas sessões. Caso a ocupação persista, lembrou que a Mesa pode transferir a sessão para outro local — prerrogativa prevista no artigo 14 da Constituição.

Ele também pediu “serenidade e espírito de cooperação” e convocou reunião de líderes para quarta-feira, com a promessa de garantir espaço para todas as correntes políticas.

Na Câmara, mesmo ausente de Brasília, Hugo Mota afirmou não se abalar com ameaças de Eduardo Bolsonaro e assegurou que os trabalhos retomam normalmente nesta quarta. Governistas, porém, temem que a oposição explore brechas regimentais para atrasar a pauta econômica.

Com o Congresso paralisado, matérias como a MP que amplia a faixa de isenção do IR e o crédito adicional para o PAC ficaram em espera. Enquanto o PL promete manter a ocupação até que o “Pacote da Paz” seja votado, o Planalto aposta no desgaste oposicionista e relembra, em vídeos, as cenas do 8 de janeiro para associar a imagem dos adversários à tentativa de golpe.

A expectativa é de que Alcolumbre tente abrir sessão ainda na tarde desta quarta sob reforço de segurança. Governistas articulam para esvaziar o quórum oposicionista e negociar com MDB e PSD o sepultamento da anistia. Caso a oposição insista, corre o risco de sofrer derrota no plenário e sair do embate ainda mais isolada.

Fonte: ICL

Morador de rua implorou antes de ser morto pela PM de Tarcísio

Na noite de 13 de junho de 2025, um morador de rua identificado como Jeferson de Souza foi morto com três tiros de fuzil por policiais militares, na região central de São Paulo. A abordagem policial, registrada por uma câmera corporal, mostra que a vítima estava desarmada e não resistia à ação dos agentes no momento dos disparos. Isso tem se tornado uma constante ao longo do governo do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As imagens da câmera corporal, obtidas pela TV Globo e também pela Folha de S.Paulo, revelam que Jeferson estava com as mãos à frente do corpo e aparentemente se entregando, quando foi atingido por três disparos – na cabeça, no tórax e no braço direito.

A abordagem começou por volta das 20h23, quando uma viatura da Força Tática do 7º Batalhão da PM parou próximo ao Viaduto 25 de Março, no bairro do Brás. Jeferson desceu de uma árvore e foi abordado pelos policiais, sendo conduzido para trás de uma pilastra — local fora do alcance das câmeras de segurança da rua.

Apesar de estar chorando e obedecendo às ordens dos policiais, Jeferson foi baleado às 21h25, após passar mais de uma hora em contato com os agentes, sem apresentar resistência.

Os PMs Alan Wallace dos Santos Moreira (tenente) e Danilo Gehrinh (soldado) alegaram, em depoimento, que Jeferson tentou tomar a arma de um deles, justificando os disparos. No entanto, a gravação não mostra qualquer atitude agressiva ou tentativa de reação por parte da vítima.

Inclusive, segundos antes dos tiros, o soldado Gehrinh aparenta se preparar para algemar Jeferson, que estava com as mãos na cabeça. A câmera utilizada por Moreira estava descarregada, fato que também está sendo apurado pela corporação.

A Corregedoria da Polícia Militar prendeu os dois policiais, que foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo por homicídio doloso qualificado. O promotor responsável pelo caso, Enzo de Almeida Carrara Boncompagni, classificou a conduta dos agentes como “sádica” e com “absoluto desprezo pela vida humana”.

“Os denunciados agiram por mero sadismo, deliberando matar a vítima, que já estava rendida, por motivo torpe”, afirmou o promotor na denúncia.

Segundo nota oficial, um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado, os policiais afastados de suas funções e a prisão preventiva foi solicitada e cumprida em 22 de julho.

A Secretaria de Segurança Pública destacou ainda que os equipamentos de Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) do 7º BPM foram substituídos por modelos com mais autonomia e funcionalidades, como parte da apuração sobre o uso correto desses dispositivos.

Fonte: DCM

Tarifaço e sanções de Trump contra o Brasil entram em vigor hoje

Medida inclui sanções políticas; Casa Branca alega ameaça à segurança nacional e violações à liberdade de expressão nos EUA

As tarifas de importação de 50% impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros começam a valer nesta quarta-feira (6). A medida foi oficializada no último dia 30 pelo presidente dos EUA, Donald Trump, por meio de um decreto que, segundo a Casa Branca, responde a supostas violações de direitos humanos e ataques à liberdade de expressão no Brasil, especialmente envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o comunicado oficial, o governo Trump considera que o Brasil representa, neste momento, uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”. A decisão cita diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusando-o de “perseguir, intimidar e censurar opositores políticos”, numa referência direta a investigações e decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.Play Video

A Casa Branca justifica o tarifaço com duras acusações: “Quando empresas americanas se recusaram a cumprir essas ordens, ele [Moraes] impôs multas substanciais, ordenou a exclusão dessas empresas do mercado de redes sociais no Brasil, ameaçou seus executivos com processos criminais e, em um caso, congelou os ativos de uma empresa americana no Brasil para forçar o cumprimento”.

O texto também menciona o caso do blogueiro Paulo Figueiredo, alvo de processo criminal no Brasil por declarações feitas enquanto residia nos EUA, como um exemplo de suposta violação à liberdade de expressão protegida constitucionalmente nos Estados Unidos.

“O presidente Trump está defendendo empresas americanas contra extorsão, protegendo cidadãos americanos contra perseguição política, salvaguardando a liberdade de expressão americana contra censura e protegendo a economia americana de ser sujeita a decretos arbitrários de um juiz estrangeiro tirânico”, afirma o comunicado oficial.

Além das tarifas, os EUA anunciaram sanções diretas contra autoridades brasileiras. No dia 18 de julho, os vistos americanos dos ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes foram revogados. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi incluído na lista. Apenas os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux ficaram de fora das sanções.

A ofensiva norte-americana ocorre num momento de crescente tensão diplomática entre os dois países e parece fazer parte de uma estratégia política mais ampla do governo Trump. A Casa Branca reafirma que “preservar e proteger os direitos de liberdade de expressão de todos os americanos e defender empresas americanas contra censura forçada continuará sendo prioridade na política externa” de seu governo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (5) que o Brasil segue aberto ao diálogo, mas não vê margem para avanços diante do endurecimento da posição dos EUA.

Apesar das barreiras comerciais anunciadas, o decreto presidencial inclui uma lista de quase 700 produtos brasileiros que foram poupados da tarifa adicional. Entre os principais itens isentos estão o suco de laranja, combustíveis, veículos, aeronaves civis, alguns tipos de metais e madeira.

A escalada nas sanções e nas tarifas revela uma tentativa do governo norte-americano de usar sua política comercial como instrumento de coerção política, e que isso pode ter desdobramentos negativos não apenas para as exportações brasileiras, mas para o ambiente institucional e diplomático entre os dois países.

A atitude também gera apreensão em setores do agronegócio e da indústria de transformação, que temem retaliações recíprocas ou uma retração nas exportações para o mercado norte-americano — destino de cerca de 12% das vendas externas do Brasil.

Por ora, o governo brasileiro ainda não anunciou contramedidas oficiais, mas o Itamaraty estuda possíveis ações jurídicas em organismos internacionais como a OMC (Organização Mundial do Comércio) e busca apoio de países aliados para enfrentar o que considera uma atitude unilateral, arbitrária e hostil.

Fonte: Brasil 247

Folguedos na Escola Sim “Sinhô”

O Projeto “Folguedos e Danças de Alagoas Dentro da Escola” leva gratuitamente a cultura popular para estudantes de Escolas Públicas, como forma de reconhecimento de sua identidade cultural. Por meio de concertos didáticos, folguedos e danças tipicamente alagoanas são apresentadas para crianças e jovens da rede pública estadual de ensino na cidade de Maceió/AL, alcançando o nível de educação infantil (de 0 a 6 anos) e o ensino médio, contemplando inclusive estudantes com deficiência. Essas apresentações acontecerão nos próximos dias 07 de agosto, a partir das 19h na Escola Municipal Professora Hévia Valéria Maia Amorim, localizada no Village Campestre I e 08 de agosto, a partir das 9h 30min. na Escola Estadual Onélia Campelo, localizada no bairro de Santos Dumont.

Este Projeto foi contemplado pela PNAB Alagoas (Política Nacional Aldir Blanc) e SECULT/AL. É uma iniciativa que tem autoria e coordenação do Prof. Ms. Luciano Falcão, executada em parceria com Mestre Peitika, referência no Guerreiro, e Mestra Vânia, referência no Pastoril, Coco de Roda e Marisqueira. Os Folguedos e danças escolhidos serão apresentados e cantados por eles, acompanhados pela harmonia da sanfona e pelas batidas dos instrumentos de percussão.

“Alagoas é considerado o estado brasileiro com o maior número de manifestações culturais, entre folguedos, brincadeiras e danças, porém, ainda carece de materiais na área de educação musical que falem sobre elementos da sua cultura popular para crianças em idade escolar.” Destaca o professor Luciano.

O objetivo principal é apresentar uma parte dessa riqueza cultural para as novas gerações. Os Concertos Didáticos pretendem fazer com que as crianças e jovens conheçam e identifiquem as músicas, danças e figurinos da cultura popular de Alagoas e tenham um momento de fruição musical e artística, que cause um impacto em suas memórias afetivas que fortaleça seus laços de pertencimento do povo e da cultura alagoana.

Conheça os realizadores

Luciano José Trindade Falcão, com mestrado em Música pela UFPE, graduado em Licenciatura em Música pela UFAL e finalizando a especialização em Musicoterapia pela Censupeg, tem 17 anos de experiência como professor de música e de Arte nos municípios de Arapiraca, Flexeiras, Marechal Deodoro e Maceió. Com 37 anos de carreira artística como multi-instrumentista (violão, harmônica, contrabaixo e guitarra) e compositor nas bandas Rock Postal, Epydemia, Segredo de Estado e Máfia Nordestina, além de sua carreira solo como gaitista, gravando CDs e DVDs.

Cícero Pinto da Silva, conhecido como Mestre Peitika é filho do saudoso Mestre Benon que ficou à frente do Guerreiro Treme Terra até a sua morte. Além de ter feito parte do Guerreiro Treme Terra, participou do Guerreiro da Mestre Iraci e do Guerreiro da Mestra Marilene fazendo diversas apresentações pelo estado de Alagoas. Também se destaca como compositor e músico instrumentista, tocando sanfona e zabumba.
Trabalha como artesão, vendendo suas peças em todo Brasil. Atualmente ele é mestre do Guerreiro da mestra Marlene e músico do Pastoril da Mestra Vânia.
Participou, em 2024, como oficineiro pelo projeto Folguedos na Rede, no ensino e desenvolvimento do Guerreiro Maria Carmelita Gama, formado por alunos e alunas daquela escola.

Vânia da Rocha Araújo, conhecida por Mestra Vânia, nascida no bairro do Bom Parto, desde os seus 9 anos faz parte do pastoril que existia naquele bairro. Desde então não deixou mais de ser uma brincante deste folguedo e bem depois começou a criar grupos de pastoril em escolas como a Padre Pinho na capital alagoana. Escreveu um livro sobre o pastoril, intitulado “Como nasce uma Mestra”, publicado em 2017 de forma independente.
É compositora e desenvolve um trabalho sobre as marisqueiras – influência dos seus tempos de Bom Parto, onde sua avó e sua mãe, além tantas outras mulheres, trabalhavam com o trato do sururu na lagoa Mundaú. Canta e dança coco de roda alagoano, fazendo diversas apresentações em escolas, eventos e simpósios pelo estado de Alagoas.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS