Câmara de BH analisa projeto para implantar transporte público gratuito

A Câmara Municipal de Belo Horizonte discute um projeto de lei que pode tornar o transporte coletivo totalmente gratuito na capital mineira até 2028. A iniciativa se baseia em um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que indica alternativas para custear o sistema, sem onerar a maioria das empresas locais. A proposta já passou por três comissões e está em análise na Comissão de Orçamento e Finanças; se aprovada, seguirá para votação no plenário.

Segundo a apuração do g1, o texto estabelece que a tarifa zero entraria em vigor no próximo contrato de concessão do transporte público. O modelo teria como principal fonte de receita a cobrança de R$ 185 mensais por funcionário de empresas com mais de nove empregados, enquanto microempresas ficariam isentas. Estima-se que cerca de 80% dos negócios da cidade não pagariam a contribuição.

De acordo com o professor e urbanista da UFMG Roberto Andrés, o impacto financeiro para as empresas seria reduzido. “O custo para as empresas, segundo estudo da UFMG, é de menos de 1% da folha salarial. E muito setor público que hoje não contribui vai passar a contribuir com o transporte”, afirmou. Ele acrescenta que a cobrança fixa substituiria o vale-transporte, o que poderia reduzir despesas para alguns empregadores.

O economista André Veloso reforça que a medida redistribuiria a responsabilidade de financiamento. “A gente traria o setor público, que hoje não contribui muito com o vale-transporte, para contribuir – setores que empregam com altos salários, como é o caso do TJ, da Assembleia Legislativa, da Câmara Municipal. Essa conta seria mais bem dividida entre as empresas da cidade e o setor público”, disse.

O estudo da UFMG e dados da Fundação Getulio Vargas, que analisou experiências em 52 cidades, apontam efeitos positivos da tarifa zero, como aumento no comércio, mais empregos formais, abertura de empresas e redução da emissão de gases de efeito estufa.

Para atender à demanda extra, o projeto prevê melhorias na frota, mais horários e viagens, integração com outros modais e reforço na fiscalização.

Na Região Metropolitana de BH, oito municípios já adotam o transporte gratuito, incluindo Ibirité, onde o modelo foi implantado em 2023. Lá, o custo anual de R$ 13 milhões é bancado pela prefeitura e, segundo a administração municipal, já resultou em aquecimento do comércio e geração de empregos.

Fonte: Brasil 247

Líder religioso é preso por suspeita de estuprar pelo menos seis mulheres

Investigações apontam que o homem se valia de sua posição de autoridade espiritual para abusar da confiança das vítimas, utilizando o ambiente religioso como meio de manipulação

Um líder religioso suspeito de cometer diversos crimes sexuais contra, pelo menos, seis seguidoras foi preso. Investigações da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Deam I) apontam que o homem aproveitava de sua posição de autoridade espiritual para abusar da confiança das vítimas, utilizando o ambiente religioso como meio de manipulação. A prisão preventiva ocorreu na manhã dessa sexta-feira (8/8). 

Durante a apuração, seis mulheres prestaram depoimento à polícia, relatando episódios que se enquadram nos crimes de estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Relatos dão conta de que os abusos ocorriam em contextos ritualísticos e eram justificados pelo suspeito com base em supostos preceitos religiosos, dificultando a percepção imediata das vítimas sobre o caráter criminoso das condutas.

A constante mudança de endereço do terreiro onde o líder realizava suas atividades também chamou atenção da polícia. A estratégia visava dificultar a atuação das autoridades e a localização de possíveis vítimas, conforme destaca a investigação, fato que motivou o pedido de prisão preventiva, acatado prontamente pelo Judiciário.

Não está descartado o surgimento de novas vítimas. A operação, nomeada “Sórdida Oblatio”, refere-se a uma expressão em latim que remete a uma “oferta impura” — alusão direta à deturpação da fé e da espiritualidade como instrumentos de exploração e violência.

Fonte: Correio Braziliense

Polícia de Tarcísio cometeu 1 em cada 4 assassinatos em São Paulo no início de 2025

Número de homicídios dolosos registrados no 1º semestre em São Paulo representa a maior proporção desde 2013, início da série histórica divulgada pela SSP-SP

Victoria Manoelly dos Santos, de 16 anos, levou um tiro durante uma abordagem policial em Guaianases, na zona leste de São Paulo. Imagens da câmera corporal do sargento Thiago Guerra registraram o momento em que ele deu uma coronhada no irmão da adolescente e a arma disparou. Victoria chegou a ser levada ao Hospital Geral de Guaianases, mas não resistiu. O caso, ocorrido em janeiro, não é isolado.

No primeiro semestre de 2025, 26% dos homicídios dolosos registrados em São Paulo foram causados por policiais — o maior percentual desde 2013, início da série histórica divulgada pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

Especialistas consideram esse índice alarmante: segundo o sociólogo Ignacio Cano, a proporção ideal de mortes causadas por agentes do Estado não deve ultrapassar 10%. Para o pesquisador Paul Chevigny, percentuais acima de 7% já são considerados abusivos.

Entre janeiro e junho deste ano, 365 pessoas foram mortas por policiais no estado de São Paulo. A média é de duas mortes por dia. Embora o número represente uma queda de 1,8% em relação ao mesmo período de 2024, o cenário é mais grave quando comparado a 2022, ano anterior à posse do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite. Em relação àquele período, a letalidade em 2025 foi 78% maior.

policia

Do total de vítimas da letalidade policial no semestre, 84% foram mortas por policiais em serviço, que são as que o Estado têm maior controle. A Polícia Militar respondeu por 96% das mortes; e a Polícia Civil, por 4% — o equivalente a 16 casos.

Ao longo da gestão Tarcísio-Derrite, São Paulo viu retrocesso em políticas que ajudavam a reduzir a letalidade policial. Um dos exemplos é o enfraquecimento do uso de câmeras corporais pela Polícia Militar. A tecnologia, antes com gravação ininterrupta, passou a funcionar por acionamento manual. A mudança foi criticada por especialistas em segurança pública.

A dupla também esteve à frente de operações letais na Baixada Santista — como a Escudo e a Verão — que deixaram 84 mortos. Diante das denúncias de execuções, agressões e invasões de domicílio durante essas ações, Tarcísio reagiu afirmando: “Pode ir na ONU que não tô nem aí”.

Ouvidor aponta incentivo à violência na PM de SP

São Paulo segue entre os estados com maior letalidade policial do país, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número de pessoas mortas por policiais no estado subiu de 504 para 813, um aumento de 61%.

Para o ouvidor das polícias do estado de São Paulo, Mauro Caseri, essa alta foi puxada pelas operações Escudo e Verão na Baixada, mas também reflete fatores de comando e estrutura. Ele cita declarações de autoridades que naturalizam ou incentivam a violência policial, como a de Tarcísio em desdém às críticas e as do atual vice-prefeito da capital, Ricardo Mello Araújo (PL), defensor de abordagens diferentes nas periferias. Soma-se a isso, ressalta Mauro, a precarização das condições de trabalho e da saúde mental dos policiais, submetidos a baixos salários e jornadas extenuantes.

“Sem alterar esse quadro, incluindo o pleno funcionamento das Câmeras Corporais e o uso da força progressiva nas abordagens, com armas menos letais, corremos o risco de ver esses números continuarem sua escalada de morte e destruição, à margem da justiça, das boas práticas policiais e do respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana”, diz Mauro.

Jovens e negros seguem como principais alvos

Jovens e negros seguem como os principais alvos da letalidade policial em São Paulo. No primeiro semestre de 2025, das 365 pessoas mortas por policiais, 191 eram negras (52%). A imensa maioria das vítimas, 98%, era formada por homens. Apenas três mulheres foram assassinadas no período e, em dois casos, o sexo da vítima não foi identificado. A faixa etária predominante também reforça o perfil das vítimas: 58,4% tinham entre 19 e 35 anos, enquanto cerca de 9% eram adolescentes com até 18 anos.

Entre os jovens mortos está Nicolas Alexandre Pereira dos Santos de Oliveira, de 19 anos. Negro e morador de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, ele foi morto em maio por policiais militares que patrulhavam a comunidade. Três agentes admitiram ter atirado, dois deles com fuzis. Nicolas foi atingido na mão esquerda, braço direito, cintura e perna esquerda. Segundo um familiar ouvido pela Ponte, o jovem não estava armado.

“A exploração capitalista se estrutura em cima da exploração racial, antes o projeto era explorar os corpos negros até a morte, agora com o avanço das tecnologias que dispensam uma grande quantidade de mão de obra, é necessário descartar esta mão de obra. O genocídio do povo negro agora ganha outro desenho: a eliminação destes corpos através da execução policial. Uma outra forma é o encarceramento em massa que além de aprisionar os corpos indesejáveis, negros pobres e periféricos, ainda alimenta a reprodução do lucro”, diz Regina Lucia Santos, coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado (MNU) em São Paulo.

Em uma nota técnica sobre a letalidade no primeiro semestre, o Instituto Sou da Paz destacou que é a capital paulista quem concentra a maior parte das mortes pela policia no estado: foram 148 casos no primeiro semestre, o que representa 40% do total.

Os distritos policiais com mais registros na cidade de São Paulo foram o 37º DP (Campo Limpo) e o 49º DP (São Mateus), ambos com seis vítimas, seguidos pelo 90º DP (Parque Novo Mundo), com cinco, e pelo 11º DP (Santo Amaro) e 12º DP (Pari), com quatro cada um. Em todas essas regiões, os homicídios cometidos por agentes do Estado representaram ao menos um terço das mortes violentas intencionais no período. Nos DPs de Santo Amaro e São Mateus, a proporção foi ainda maior: 80% e 60%, respectivamente.

Para Rafael Rocha, coordenador de projetos do Sou da Paz “ainda que com uma leve redução das mortes cometidas por policiais em serviço na capital, a manutenção destas ocorrências em um patamar altíssimo, com o dobro de mortes cometidas por policiais em serviço no 1º semestre deste ano do que na comparação com 2022 e 2023, e a concentração destas mortes em bairros periféricos é mais uma prova que a atual gestão optou não apenas por uma política de segurança pública pautada no confronto, mas pelo enfraquecimento de mecanismos e políticas de profissionalização do uso da força criadas pela própria PMESP”, analisa.

MP-SP registra número diferente

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), também registra e divulga dados sobre letalidade policial. No primeiro semestre de 2025, o órgão contabilizou 366 mortes causadas por agentes do Estado — uma a mais do que o número divulgado pela SSP-SP.

Em geral, os dados do MP-SP são disponibilizados antes dos da SSP, que costuma consolidar os números apenas ao final do mês seguinte ao período analisado.

Segundo o MP, das mortes registradas, 350 foram causadas por policiais militares e 16 por policiais civis. O levantamento também aponta que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi responsável por 17 mortes no semestre.

O que dizem as autoridades

A reportagem questionou a SSP-SP sobre os dados de letalidade policial, o perfil das vítimas e as denúncias envolvendo a atuação de agentes em serviço. Em nota, a pasta disse que desde o início da gestão mais de mil policiais civis e militares foram presos, demitidos ou expulsos, “reforçando o compromisso de São Paulo com a legalidade”.

Leia na íntegra a nota da SSP-SP

A Secretaria de Segurança Pública investe continuamente na recomposição e capacitação do efetivo, além da atualização de protocolos operacionais e na aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo visando à redução da letalidade. Além disso, há comissões direcionadas para análise das ocorrências, visando ajustar procedimentos, revisar treinamentos e aprimorar as estruturas investigativas. Desde o início da atual gestão, mais de mil policiais civis e militares foram presos, demitidos ou expulsos, reforçando o compromisso de São Paulo com a legalidade.

Fonte: ICL

Polícia de Londres prende mais de 365 pessoas em protesto contra o genocídio em Gaza

Polícia Metropolitana de Londres prendeu mais de 365 manifestantes neste sábado (9), no centro da capital britânica, no maior ato relacionado ao grupo “Palestine Action” desde que a organização foi classificada como terrorista, em julho deste ano. As informações são do jornal “The Guardian” e da agência de notícias Reuters.

O protesto, convocado pelo movimento “Defend Our Juries”, reuniu centenas de pessoas na Praça do Parlamento, onde manifestantes exibiram cartazes pró-Palestina e expressaram oposição à postura do governo do Reino Unido nos conflitos em Gaza.

O que á “Palestine Action”?

É um grupo ativista pró-Palestina que organiza ações diretas contra empresas britânicas envolvidas com Israel, especialmente desde o início do conflito em Gaza.

  • O grupo ficou conhecido por invadir e vandalizar instalações militares do Reino Unido, como bases da Força Aérea britânica, com o objetivo de chamar atenção para o envolvimento britânico no apoio militar a Israel.
  • O “Palestine Action” justifica suas ações afirmando que o Reino Unido é cúmplice e participante ativo nos crimes de guerra em Gaza, ao fornecer apoio logístico e militar a Israel.

Por ordem do governo britânico, filiar-se ao grupo ou apoiá-lo é crime, com pena de até 14 anos de prisão. Segundo o Ministério do Interior afirmou à época da proibição, a medida “não é sobre a Palestina” e não restringe manifestações em defesa dos direitos palestinos.

Neste sábado, um porta-voz do “Defend Our Juries” destacou que a presença “sem precedentes” de pessoas no ato, correndo o risco de encarceiramento, demonstra “o quão enojadas e envergonhadas elas estão com a contínua cumplicidade do nosso governo [o britânico] em um genocídio transmitido ao vivo”.

Fonte: G1

TCU recomenda que Eduardo Bolsonaro seja investigado por desvio de recursos

O TCU solicita que a Câmara investigue Eduardo Bolsonaro por suposto uso indevido de recursos públicos em viagem aos EUA. Entenda os detalhes.

O TCU pediu que a Câmara envie o resultado da investigação e as providências adotadas. Instância auxiliar do Congresso, o Tribunal respondeu a uma representação do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP).

O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que a Câmara investigue o uso indevido de recursos públicos, direta ou indiretamente, pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mais conhecido como filho ’03′. O Tribunal vê indícios de irregularidade na estadia do parlamentar nos Estados Unidos e quer saber se a viagem está sendo custeada com dinheiro público.

O TCU pediu que a Câmara envie o resultado da investigação e as providências adotadas. Instância auxiliar do Congresso, o Tribunal respondeu a uma representação do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP). Por unanimidade, na véspera, o TCU decidiu que o julgamento de eventuais irregularidades não é da competência do órgão, por violar o devido processo legal e a separação dos Poderes. No entanto, encaminhou a denúncia à Câmara dos Deputados e apontou a necessidade de investigação pelo Ministério Público Federal (MPF).

Na representação, Boulos argumentou que Eduardo Bolsonaro comete crime, ao promover articulações políticas contra a soberania nacional.

Desconto

Segundo o deputado do PSOL, a negociação com governos ou grupos estrangeiros para provocar atos hostis contra o Brasil é tipificada pelo Código Penal como crime de atentado à soberania, com pena de três a oito anos de prisão.

Conforme o parecer do TCU, Eduardo Bolsonaro justificou apenas uma das cinco faltas às sessões da Câmara em março. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro já estava nos Estados Unidos, mas não tinha pedido licença parlamentar de 122 dias.

O TCU, no entanto, pediu que a própria Câmara apure o caso, já que a falta de desconto para as quatro ausências não justificadas não somou R$ 120 mil de prejuízo aos cofres públicos, valor mínimo para a abertura de investigações pelo órgão.

Articulação

Boulos havia pedido ao TCU a investigação da responsabilidade penal de Eduardo Bolsonaro, mas o plenário negou o pedido, citando falta de competência do órgão para definir o cometimento de crimes.

Caso a Câmara apure o caso, essa será a segunda investigação contra o deputado. Em julho, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes prorrogou o inquérito que investiga a viagem do deputado aos Estados Unidos como meio de articulação contra autoridades brasileiras.

Fonte: Correio do Brasil

Estudo aponta que Bom Parto e Flexais também estão afundando

Estudo independente de cinco cientistas apresentado em audiência pública aponta para necessidade de atualização do mapa de risco

O afundamento do solo começou a dar sinais, de que iria comprometer a vida urbana de pelo menos cinco bairros de Maceió, muito antes dos tremores de terra de 2018, quando a tragédia veio à tona e foi associada à mineração predatória de sal-gema, praticada pela Braskem. No entanto, só no ano seguinte, em 2019, as rachaduras nas residências e as fissuras nas ruas desses bairros, seriam atribuídas à mineração, pelos técnicos do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

A informação foi divulgada na sexta-feira pelo professor de geologia da Universidade Federal do Espírito Santo, Marcos Eduardo Hartwig, durante a apresentação do relatório independente sobre o processo de subsidência do solo em Maceió.

Segundo ele, desde 2004 (no mínimo) que o afundamento do solo começou a provocar rachaduras nos imóveis e nas ruas dos bairros que afundam em Maceió.

O professor disse ainda que a subsidência do solo comprometeu também os imóveis dos Bom Parto e da região dos Flexais. Por isso, os moradores dessas localidades também têm direito à indenização por danos morais e materiais, a exemplo das demais vítimas influídas no Programa de Compensação Financeira (PCF), da Braskem.

O relatório técnico-científico sobre o fenômeno de subsidência foi apresentado à sociedade alagoana na sexta-feira (8/8), em audiência pública realizada no auditório do Cesmac, no bairro do Farol. O documento, elaborado de forma independente por dois cientistas brasileiros e três estrangeiros, sugere a atualização do mapa de risco, por parte do Comitê de Acompanhamento Técnico (CAT), coordenado pela Defesa Civil de Maceió e com a participação de representantes da própria Braskem.

O estudo que resultou no relatório foi iniciado em fevereiro deste ano, após articulação do Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria, tendo à frente o defensor público estadual Ricardo Melro, que requisitou dados oficiais da Defesa Civil de Maceió para embasar a análise. Os cientistas afirmam que o relatório segue padrões internacionais de rigor científico e independência metodológica.

REVISÃO DO MAPA

“A gente faz essa sugestão de revisão desse mapa. Ele, como qualquer produto, tem suas limitações. A gente procurou apontar essas limitações e essa é uma recomendação que a gente faz, sim. Um estudo bem embasado que mostra que os números, às vezes, não condizem com a realidade, porque altera muito essas faixas. É um problema complexo, são vários fatores que se combinam”, disse o professor Marcos Hartwig.

Segundo ele, mesmo que alguns dados apresentem um cenário de estabilização na movimentação da terra, eles não refletem a realidade. O relatório é assinado também pela professora Magdalena Vassileva (PhD), pelo professor Fábio Furlan Gama (Doutor em Ciência), e pelos cientistas Djamil Al-Halbouni (PhD) e Mahdi Motagh (PhD).

De acordo com os cientistas, os estudos mostraram que a movimentação do solo acontecia desde o início do ano 2000, mas como não foram registrados, ficou difícil produzir dados comparativos, que pudesses dimensionar a evolução do fenômeno.

“Utilizamos dados de junho 2019 até dezembro de 2024. Os números, se analisados em média, mostram que a movimentação não é grande. Mas se analisarmos as situações isoladas, vemos que a realidade é diferente”, destacou Hartwig.

Documento será entregue à Prefeitura para atualização do mapa de risco

Para o defensor público, Ricardo Melro, a apresentação do documento foi de grande importância, já que as comunidades atingidas pela mineração perderam a confiança nas instituições de defesa locais.

“Se o relatório independente disser que está tudo ok, vamos ter que aceitar. Mas, se apontar correções de rumo, as vítimas saberão que é hora de cobrar, seja da Prefeitura, da Defesa Civil Municipal ou na Justiça”, pontuou Melro, acrescentando que vai entregar o relatório dos notáveis à Prefeitura de Maceió, para a atualização do mapa de risco, mas se houver indiferença, o documento será apresentado à Justiça.

Em nota, a Braskem disse que desde 2019 atua em Maceió com foco em segurança das pessoas e no desenvolvimento de medidas para reparar ou compensar os efeitos da subsidência. Veja integra da nota abaixo.

Nota Braskem

A Braskem esclarece que desde 2019 atua em Maceió com foco na segurança das pessoas e no desenvolvimento de medidas para mitigar, reparar ou compensar os efeitos da subsidência do solo nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Pinheiro, Mutange e Farol. O trabalho desenvolvido dentro e fora do mapa definido pela Defesa Civil Municipal – órgão público que detém a competência para a definição de áreas de risco e de monitoramento – é baseado em critérios e estudos técnicos e amparado por acordos firmados com as autoridades e homologados pelo Judiciário. Tanto a área definida pela DCM como seu entorno são constantemente monitorados por uma rede de equipamentos robusta, capaz de detectar movimentos milimétricos do solo. Além disso, o Comitê de Acompanhamento Técnico (CAT) faz vistorias regulares no entorno da área e, até o momento, não houve indicação de adoção de um novo mapa.

A Defesa Civil de Alagoas disse que não teve acesso ao documento até o momento. A Defesa Civil Municipal também não se manifestou sobre a apresentação do estudo independente.

A audiência pública contou com a participação dos movimentos em defesa das vítimas da Braskem e de estudiosos no assunto, a exemplo do professor Abel Galindo, professor aposentado do curso de Engenharia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), da bióloga Neirevane Nunes (MAM), do coordenador do Movimento Unificado das Vítimas das Braskem (MUVB), Cássio Araújo, e do empresário Alexandre Sampaio, presidente da Associação dos Empreendedores Vítimas da Mineração em Maceió.

Participaram também políticos e lideranças comunitárias, entre eles o deputado estadual Cabo Bebeto, a vereadora Teca Nelma e o vendedor ambulante Valdemir Alves, morador dos Flexais e integrante do MUVB.

As lideranças comunitárias levantaram faixas e cartazes, no final da audiência, em protesto contra a exoneração do defensor público Ricardo Melro e sua equipe do núcleo da defensoria que estava à frente da investigação do caso Braskem. “Assisti à apresentação on-line, pois estou fora do estado participando de um evento de trabalho. Na minha avaliação, a apresentação foi bombástica e extremamente reveladora! Saber que foi utilizada uma metodologia própria, sem base científica, para a delimitação das áreas de ‘criticidades’, evidencia a urgente necessidade de novos estudos independentes, conduzidos com seriedade e com a participação efetiva das vítimas”, finalizou Maurício Sarmento, integrante do MUVB.

Fonte: Tribuna Hoje

Nagasaki marca 80 anos do maior ataque terrorista da história

Há 80 anos, os EUA com duas bombas atômicas, arrasaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki

O prefeito Shiro Suzuki pediu à comunidade internacional que “interrompa imediatamente os conflitos armados”, alertando para o risco crescente de uma guerra nuclear.

Neste sábado (9), Nagasaki relembrou os 80 anos do bombardeio atômico que destruiu a cidade em 9 de agosto de 1945, às 11h02, com uma cerimônia marcada pelo soar do sino restaurado da catedral da Imaculada Conceição. Foi a primeira vez que o som ecoou desde a tragédia.

Há 80 anos os EUA lançaram duas bombas atômicas contra alvo civis das cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

No dia 6 de agosto de 1945, quando o avião bombardeiro B-29 chamado de “Enola Gay” jogou uma bomba de urânio de 4,4 toneladas apelidada de “Little Boy” sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, mais de 70 mil pessoas morreram instantaneamente pela explosão, que causou um raio de destruição de cerca de 1,3 quilômetro. Dois terços dos cerca de 60 mil edifícios de Hiroshima, fora reduzidos a escombros. Até 1950, o número de vítimas aumentaria para 200 mil, em decorrência das queimaduras fatais e doenças radiativas.

Dias depois, os EUA lançaram outra bomba atômica, dessa vez sobre a cidade de Nagasaki, deixando cerca de 50 mil mortos. “O lugar se transformou em um mar de fogo. Era o inferno. Corpos queimados, vozes pedindo ajuda em edifícios derrubados, pessoas com as entranhas caindo do corpo…”, disse à BBC Sumiteru Taniguchi, sobrevivente de Nagasaki.

Os EUA nunca foram julgados, nem condenados pelo monstruoso crime de guerra provocado. Até hoje, sua hegemonia mundial segue fundamentada no terror, na violência e na exploração econômica dos países submissos.

Redação com O Globo

Líderes mundiais criticam decisão de Israel de tomar a cidade de Gaza

Os líderes mundiais criticaram a decisão de Israel de tomar o controlo da cidade de Gaza, alertando para o risco de exacerbar a já catastrófica crise humanitária na Faixa de Gaza.

O gabinete de segurança israelita aprovou o controverso plano na sexta-feira, marcando uma nova escalada na guerra de quase dois anos contra o Hamas.

O anúncio do gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, foi feito após horas de debate entre os altos responsáveis pela segurança.

A decisão de se deslocar para a cidade de Gaza foi tomada à luz das anteriores sugestões de Netanyahu de que os militares iriam “assumir o controlo de toda a Faixa de Gaza”, mas também da sua afirmação de que Israel não tinha intenção de ocupar a Faixa permanentemente.

Governo português garantiu estar “profundamente preocupado” com a decisão israelita de ocupar Gaza, pedindo a suspensão desse plano e a aplicação de um cessar-fogo. A mensagem foi publicada na conta do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) na rede social X.

Para o executivo, a decisão do Governo de Benjamin Netanyahu “põe em causa os esforços para o cessar-fogo e agrava a tragédia humanitária” na Faixa de Gaza, onde vivem mais de dois milhões de palestinianos.

O plano, refere ainda o comunicado do ministério liderado por Paulo Rangel, “deve ser suspenso, dar lugar a um cessar-fogo, à libertação dos reféns e à entrada urgente de ajuda”.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, já reagiu condenando veementemente a ação. “A decisão de Israel de intensificar a sua ofensiva em Gaza é errada e instamo-lo a reconsiderar imediatamente.”

“Esta ação não contribuirá em nada para pôr fim a este conflito ou para garantir a libertação dos reféns. Só trará mais derramamento de sangue”, disse Starmer no comunicado.

“O que precisamos é de um cessar-fogo, um aumento da ajuda humanitária, a libertação de todos os reféns pelo Hamas e uma solução negociada”, afirmou

Starmer acrescentou que o Hamas “não pode desempenhar qualquer papel no futuro de Gaza e deve sair e desarmar-se”.

O Reino Unido é um dos países que está a trabalhar com os seus aliados numa estratégia de longo prazo para estabelecer a paz na região “como parte de uma solução de dois Estados..

A ministra finlandesa dos Negócios Estrangeiros, Elina Valtonen, fez eco destas preocupações, afirmando estar “extremamente preocupada” com o agravamento das condições humanitárias em Gaza.

“Esperamos um cessar-fogo imediato em Gaza e a libertação imediata dos reféns israelitas”, afirmou.

Na Austrália, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, apelou a Israel para recuar, alertando que “a deslocação forçada permanente é uma violação do direito internacional”.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, criticou a medida, afirmando que “o plano do governo israelita para a tomada militar total da Faixa de Gaza ocupada deve ser imediatamente interrompido.”

“É contrário à decisão do Tribunal Internacional de Justiça de que Israel deve pôr termo à sua ocupação o mais rapidamente possível, à concretização da solução acordada de dois Estados e ao direito dos palestinianos à autodeterminação”, acrescentou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou no início desta semana que a decisão era “realmente de Israel” e culpou o Hamas por atrasar as negociações. “Eles não queriam fazer um acordo”, disse.

Declaração de um crime de guerra

As reações em Israel dividiram-se. O líder da oposição, Yair Lapid, denunciou na sua conta do X, que a decisão israelita ” é um desastre que levará a muitos outros desastres e que ia contra o conselho da liderança militar.

“O plano é completamente contrário à posição das forças armadas e da instituição de defesa, sem ter em conta o esgotamento e a exaustão das tropas de combate”, afirmou.

O chefe do Estado-Maior General, tenente-general Eyal Zamir, advertiu na quinta-feira que o plano colocaria em risco a vida dos reféns e sobrecarregaria ainda mais os militares.

Nos últimos dias, Zamir entrou repetidamente em conflito com o Gabinete de Segurança, nomeadamente por causa da proposta relativa a Gaza.

Netanyahu diz que “não quer governar” Gaza

Antes da sessão do gabinete de segurança de quinta-feira, Netanyahu negou que Israel tivesse intenções de controlar permanentemente Gaza na sua totalidade.

“Não queremos mantê-la. Queremos ter um perímetro de segurança”, disse o líder israelita à Fox News. “Não queremos governá-la. Não queremos estar lá como um corpo governante”.

Israel tenciona entregar a Faixa de Gaza a uma coligação de “forças árabes amigas” que a governará.

O anúncio surge no momento em que as organizações humanitárias continuam a alertar para as graves condições existentes em Gaza, onde a fome e as deslocações se multiplicam diariamente.

A atual guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza deslocou quase toda a população da Faixa de Gaza, destruiu mais de 60% dos edifícios e das infraestruturas do enclave e colocou a maior parte dos seus 2 milhões de habitantes à beira da fome.

A guerra começou quando militantes liderados pelo Hamas atacaram o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, matando cerca de 1200 pessoas e fazendo 251 reféns.

Cinquenta reféns ainda estão detidos, embora se acredite que menos de metade deles estejam vivos.

A ofensiva subsequente de Israel resultou na morte de mais de 60 mil palestinianos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, gerido pelo Hamas, cujos números não distinguem entre combatentes e civis.

O exército israelita afirma que cerca de 900 dos seus soldados morreram desde o início da guerra.

Fonte: Euronews

Governo Lula convoca e repreende chefe da Embaixada dos EUA após ameaças ao Brasil

Itamaraty subiu o tom com o representante da diplomacia estadunidense no país após tentativa de intimidação ao judiciário brasileiro

O governo Lula reagiu de forma dura às mais recentes ameaças dos Estados Unidos contra o judiciário brasileiro. Na manhã desta sexta-feira (8), o Ministério das Relações Exteriores convocou o chefe interino da Embaixada dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, para prestar explicações sobre as declarações hostis de Washington, amplificadas pela própria representação diplomática no país.

Escobar foi recebido às 9h pelo embaixador Flavio Goldman, que comanda interinamente a Secretaria de Europa e América do Norte do Itamaraty. Segundo relatos, Goldman expressou “profunda indignação” com o tom e o conteúdo das postagens feitas pelo Departamento de Estado e pela embaixada estadunidense, classificadas como “clara ingerência” em assuntos internos e “ameaças inaceitáveis” a autoridades brasileiras.

Entenda

O governo dos Estados Unidos voltou a fazer ameaças graves e explícitas ao judiciário brasileiro. Na noite desta quarta-feira (6), Darren Beattie, assessor do presidente Donald Trump e subsecretário de Estado para a Diplomacia Pública, órgão do Departamento de Estado dos EUA, atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tentou intimidar aliados do magistrado “no Judiciário e em outras esferas”. https://10ec855d0f10ada7c3de3e55bf12a5fa.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-45/html/container.html?n=0

“O ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”, escreveu Beattie em seu perfil na rede X (antigo Twitter). https://d-23324990091118356225.ampproject.net/2507172035000/frame.html

O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que desde março vive nos EUA para conspirar contra o Brasil e que é um dos pivôs do tarifaço de Trump aos produtos brasileiros e às retaliações a Moraes, agradeceu o fato de Beattie ter mencionado que até mesmo pessoas de fora do judiciário que apoiarem o ministro serão alvo de sanções de seu país. 

“Aliados de Moraes em qualquer lugar”, escreveu o brasileiro extremista, junto a um emoji representando aplausos. 

O perfil da Embaixada dos EUA no Brasil, por sua vez, compartilhou a ameaça do assessor de Trump com uma tradução para o português. 

Fonte: Revista Fórum

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS