Luiz Fux precisa escolher melhor seus amigos

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, precisa escolher melhor que ele tem como amigos, já que parte dos atuais aparentam ter a mania de falar mais do que a quantidade de orifícios da cabeça.

Após suas 13 horas de contorcionismo jurídico e político para absolver Jair Bolsonaro e outros cinco réus do núcleo 1 da trama golpista, nesta quarta-feira, 10 de setembro, amigos do ministro “neogarantista” tiveram suas falas divulgadas que põem em xeque o longo voto que ele deu.

Primeiro, foi um vídeo do lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie no qual ele afirma que Fux falou em “dar um soco” em Alexandre de Moraes, isso depois de afirmar que ele mesmo, Renzo Gracie, teria participado de uma articulação de fuga para país estrangeiro do agora capitão do Exército condenado a 27 anos e três meses de cadeia por tentar dar um golpe de Estado no Brasil.

Ora, por que um ministro do STF mantêm contato com alguém que afirma ter articulado a fuga de um réu ao qual ele julga? E pelo narrado por Renzo Gracie, a relação com Fux é bem próxima. “É com um tio meu”.

Não seria oportuno, ao menos assim que o julgamento de todos os núcleos da trama golpista acabar, que se investigue até onde Fux sabia dessa articulação de fuga? Evidente, levando em conta que a história contada pelo Gracie seja verdade. Muita gente adora contar histórias em que se colocam como super-heróis.

Mas ao que parece, Fux tem mais amigos falastrões do que o “sobrinho” valentão. Em entrevista à CNN Brasil, Valdemar da Costa Neto presidente nacional do PL, afirmou que “amigos” ligaram para ele para que Fux seja candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Qual a chance de serem amigos em comum, entre o dirigente do PL e o ministro do STF?

Após deixar o STF, Fux tem todo o direito de se candidatar ao que bem entender, mas uma fala dessa vir logo após um voto que, além de extremamente longo, causar um grito de 180º em sua postura como magistrado e eivado comparações factuais e de tipos penais esdrúxulas, não parece de bom tom uma figura que neste momento histórico está no centro da política nacional aventar com uma candidatura.

Se os apoiadores de golpistas querem anular o julgamento, com essa declaração de Valdemar da Costa Neto, é mais fácil o voto de Fux ser anulado.

Em tempos de redes sociais, onde quase todos querem ser celebridades e mostrar trânsito em círculos aos quais não pertencem, ter amigos que saibam o peso de seu trabalho ou função é uma ajuda e tanto.

Luiz Fux, aparentemente, não tem amigos que entendam a proporção de orifícios que temos na cabeça. Então, deixe-me explicar: temos dois olhos, dois ouvidos e uma boca. Devemos, portanto, ver mais, ouvir mais e falar menos.

Está na hora de o ministro do STF se preocupar menos com a cabeleira e mais com os amigos que gostam de falar mais do que devem, até porque a preocupação com a coerência jurídica, ele já atirou pela janela.

Ex-chefe do Exército de Israel confirma mais de 200 mil vítimas na Faixa de Gaza

O ex-comandante do Exército de Israel Herzi Halevi afirmou que mais de 200 mil palestinos foram mortos ou feridos desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. A estimativa, feita em encontro comunitário no sul de Israel nesta semana, corresponde a cerca de 10% da população do enclave, que soma 2,2 milhões de habitantes.

Halevi, que deixou o cargo de chefe do Estado-Maior em março após liderar as forças israelenses nos primeiros 17 meses do conflito, declarou que “nenhuma vez” as operações militares foram limitadas por conselhos jurídicos. “Nenhuma vez alguém me restringiu. Nenhuma vez. Nem a advogada-geral militar [Yifat Tomer-Yerushalmi] que, aliás, não tem autoridade para me restringir”, disse.

O número relatado por Halevi se aproxima dos divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas. Até agora, segundo os dados oficiais da pasta, 64.718 palestinos foram mortos e 163.859 ficaram feridos. O balanço não distingue civis de combatentes, mas informações de inteligência militar israelense vazadas em maio indicavam que mais de 80% das vítimas fatais eram civis. Além disso, milhares estariam soterrados sob escombros ainda não removidos.

Halevi, em suas declarações, classificou a ofensiva como dura desde o início. “Esta não é uma guerra branda. Tiramos as luvas desde o primeiro minuto. Infelizmente não antes”, afirmou. Segundo ele, Israel deveria ter adotado medidas mais duras antes do ataque que desencadeou a guerra, em 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram o território israelense, matando cerca de 1.200 pessoas -das quais 815 eram civis israelenses ou estrangeiros.

O encontro ocorreu em Ein HaBesor, uma cooperativa agrícola no sul de Israel que conseguiu repelir os combatentes do Hamas há dois anos. Um áudio da reunião foi publicado pelo site israelense Ynet. “Ninguém está agindo com suavidade”, declarou Halevi, acrescentando que, apesar da intensidade, as ações do Exército seguiriam “os limites do direito humanitário internacional”.

No entanto, ele reconheceu que pareceres jurídicos nunca interferiram em suas ordens ou nas de seus subordinados diretos. Em trecho citado pelo Ynet, mas não presente no áudio, o general aposentado teria dito que a principal função dos advogados militares é fornecer respaldo externo: “Há assessores jurídicos que dizem: Saberemos como defender isso legalmente no mundo, e isso é muito importante para o Estado de Israel”.

O jornal Haaretz publicou, na última quarta (3), que Eyal Zamir, sucessor de Halevi, também teria ignorado alertas da assessoria jurídica. Segundo a reportagem, a advogada-geral Tomer-Yerushalmi teria recomendado adiar ordens de evacuação de cerca de 1 milhão de habitantes da Cidade de Gaza até que houvesse condições adequadas no sul para recebê-los. Ainda assim, a operação prosseguiu.

Muitos dos palestinos mortos nos ataques mais recentes estariam entre os que não conseguiram deixar o norte ou se recusaram a abandonar casas e abrigos para deslocar-se a áreas sem proteção contra os bombardeios.

As declarações de Halevi provocaram críticas internas. Para o advogado de direitos humanos Michael Sfard, ouvido pelo jornal britânico The Guardian, “as falas de Halevi confirmam que os assessores jurídicos servem como carimbos de borracha”. “Os generais os veem como conselheiros comuns, cujas opiniões podem ser adotadas ou descartadas, e não como juristas profissionais cujas posições delimitam o que é permitido e o que é proibido”.

A posição oficial de Israel, reiterada desde o início da guerra, é a de que o Exército atua em conformidade com o direito internacional. Procuradas pelo Guardian para comentar as falas de Halevi, as forças israelenses não responderam.

Fonte: MSN

Após condenação, base bolsonarista perde força nas redes sociais

Estudo revela queda na confiança dos apoiadores do ex-presidente e sentimentos de retração e desânimo

A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) afetou o ânimo da sua base digital. Dados da AP Exata – Inteligência Digital mostram que 69% das menções ao ex-presidente na semana final do julgamento tiveram tom negativo. Se antes a militância reagia com entusiasmo e confiança, agora os sinais predominantes são de retração e desânimo.

As informações são do CEO da empresa, Sergio Denicoli, no jornal O Estado de S. Paulo. As manifestações de apoio ao ex-presidente perderam intensidade. Apenas 8% dos comentários que citavam Bolsonaro transmitiram confiança, uma queda de oito pontos percentuais em relação ao período anterior à decisão da Primeira Turma do STF.

Por outro lado, hashtags e expressões como “Bolsonaro condenado” e “Grande dia” dominaram o debate nas redes sociais, representando 48,3% de todo o tráfego analisado. Muitos usuários ainda aproveitaram para relembrar falas polêmicas do ex-presidente ou perdas durante o período da pandemia de covid-19.

O que a condenação de Bolsonaro ensina sobre líderes golpistas no mundo

Entre os apoiadores, a narrativa girou em torno da ideia de perseguição política, com termos como “Suprema perseguição” e “Querem matar Bolsonaro”. Embora esse bloco tenha concentrado 24,4% das publicações, o ruído produzido não foi suficiente para equilibrar a predominância de mensagens celebrando a condenação. 

Segundo Denicoli, “sem Bolsonaro ativo o ímpeto da direita no debate digital fica enfraquecido, pois a militância se mostra cansada do embate e desiludida com a política”. Para ele, a base do ex-presidente “não enxerga nas lideranças que se colocam à direita a mesma força mobilizadora” 

Fonte: Revista Fórum

Condenado por golpe, Bolsonaro ainda é alvo de sete investigações no STF; conheça todas

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL) continua a ser alvo de outras sete investigações em andamento na Corte. As apurações envolvem casos que vão desde a atuação de seus filhos em esquemas ilegais até episódios de sua gestão durante a pandemia da Covid-19.

Um dos inquéritos trata da atuação nos Estados Unidos, em que Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram indiciados por coação após articularem sanções junto ao governo estadunidense contra ministros do STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia se apresentará denúncia por obstrução de Justiça e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.

Outro processo de grande repercussão é o da chamada “Abin paralela”. A Polícia Federal apontou indícios de que Bolsonaro tinha conhecimento de um esquema de espionagem ilegal montado dentro da Agência Brasileira de Inteligência, utilizando o sistema FirstMile para rastrear desafetos políticos sem autorização judicial. O caso também envolve seu filho Carlos Bolsonaro e o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Bolsonaro ainda responde por suspeita de envolvimento na venda ilegal de joias e presentes recebidos durante o governo. Em julho de 2024, ele foi indiciado junto a 11 pessoas por participação no suposto esquema. Outro inquérito apura sua responsabilidade na incitação aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando o ex-presidente compartilhou nas redes sociais um vídeo com acusações falsas contra o STF e o TSE.

O ex-presidente também é investigado por declarações durante a pandemia, quando associou vacinas contra a Covid-19 ao vírus da Aids e desencorajou o uso de máscaras. Além disso, responde por divulgar dados sigilosos de um inquérito sobre ataque hacker ao TSE em 2021 e por suposta interferência política na Polícia Federal, denunciada pelo então ministro da Justiça, Sergio Moro.

Apesar da condenação já imposta no caso da trama golpista, as outras sete frentes mantêm Bolsonaro em situação delicada no Judiciário. O ex-presidente nega irregularidades em todas as investigações e alega perseguição política, mas cada processo pode ampliar sua exposição judicial e reforçar seu isolamento no cenário político.

Fonte: DCM

STF aciona Justiça Militar para perda de patentes de Bolsonaro e generais golpistas

Ex-mandatário, que é capitão reformado, foi condenado a 27 anos; generais podem perder patentes

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) pediu nesta quinta-feira (11) a retirada da patente militar de Jair Bolsonaro (PL), capitão reformado do Exército, e de quatro generais condenados pela tentativa de golpe de Estado. A decisão também cassou o mandato de deputado federal de Alexandre Ramagem (PL-RJ) e determinou a perda dos cargos dele e do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, ambos delegados da Polícia Federal.As informações são da Folha de S. Paulo

De acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão. A análise do caso pela Justiça Militar só poderá ocorrer após o trânsito em julgado da ação da trama golpista, ou seja, após o esgotamento de todos os recursos possíveis contra a condenação.

Militares condenados podem perder patente no STM

Dos oito condenados no âmbito da ação penal sobre a trama golpista, seis são militares: Bolsonaro (capitão reformado), Paulo Sérgio Nogueira (general), Augusto Heleno (general), Walter Braga Netto (general), Almir Garnier (almirante) e Mauro Cid (tenente-coronel), este último beneficiado pela delação premiada.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e mais quatro acusações. Apesar de estar na reserva desde 1988, ele ainda recebe remuneração de R$ 12.861 como capitão reformado.

O caso será encaminhado ao Superior Tribunal Militar (STM), que deverá confirmar a perda das patentes. Militares expulsos da carreira judicialmente são chamados de “mortos fictícios”, perdem benefícios e têm os salários convertidos em pensão para os familiares.

Cassação do mandato de Alexandre Ramagem

No julgamento, o relator Alexandre de Moraes também ressaltou que a execução da pena em regime fechado torna inviável a permanência de Ramagem no exercício da função parlamentar.

“Uma vez que se a pena é em regime fechado, isso não corresponde à possibilidade de continuar exercendo o mandato. É o número de faltas que o artigo prevê […]. Eu proponho aplicarmos nosso precedente decretando a perda do mandato, sendo declarada pela Mesa da Câmara dos Deputados”, afirmou Moraes.

O deputado foi condenado por três crimes, enquanto os militares enfrentaram cinco acusações. O processo dele segue parcialmente suspenso na Câmara, que ainda não deliberou sobre crimes de dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.

Decisão se soma a outros casos no STF

A medida amplia a lista de parlamentares cassados pelo Supremo. Em junho, Moraes já havia determinado a perda do mandato de Carla Zambelli (PL-SP), condenada por planejar a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para expedir alvarás e mandados falsos.

Fonte: Brasil 247

STF forma maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes da Trama Golpista

Maioria de 3 a 1 foi formada após voto da ministra Cármen Lúcia nesta quinta-feira (11).

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (11) para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por todos os crimes dos quais foram acusados pela Procuradoria-Geral da República na Trama Golpista.

O placar chegou a 3 votos a 1 após a ministra Cármen Lúcia acompanhar o relator, Alexandre de Moraes, e o ministro Flávio Dino. Os três votaram pela condenação de Bolsonaro e de seus ex-auxiliares por todos os crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República:

  • Golpe de Estado
  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Organização criminosa
  • Dano qualificado contra patrimônio da União
  • Deterioração de patrimônio tombado

O ministro Luiz Fux havia divergido, votando pela absolvição de todos os réus em todos os crimes, menos Mauro Cid e Braga Netto, que ele votou por condenar por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Quem ainda falta votar

O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, será o último a se manifestar. A expectativa é de que o julgamento seja concluído até sexta-feira (12).

Contexto

A denúncia da PGR apontou que o núcleo crucial da trama — formado por Bolsonaro e sete ex-ministros e militares — organizou e executou uma série de ações para tentar impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2021 e 2023.

Para os ministros que já votaram pela condenação, as provas apresentadas — como lives, reuniões, documentos, planos golpistas e atos violentos — configuram uma tentativa concreta de ruptura da ordem democrática.

Fonte: G1

Israel matou 72 palestinos nas últimas 24 horas no campo de extermíno de Gaza

Pelo menos 39 palestinos, incluindo duas crianças pequenas, estão entre as mortes mais recentes no bombardeio israelense ininterrupto na Faixa de Gaza sitiada, somando-se aos 72 palestinos mortos nas últimas 24 horas, disseram fontes médicas.

Dez dos mortos desde o amanhecer de quinta-feira estavam na Cidade de Gaza, onde as forças israelenses estão atualmente realizando um cerco e ataques diários contra prédios residenciais enquanto preparam uma grande ofensiva contra o grupo palestino Hamas.

O Times of Israel, citando dados militares israelenses, informou que um total de 200.000 palestinos já foram forçados a sair da Cidade de Gaza nas últimas semanas, em uma operação descrita pelo grupo de direitos humanos Anistia Internacional na quarta-feira como “ilegal e desumana”.

Em um ataque israelense na manhã de quinta-feira, dois palestinos foram mortos, incluindo uma criança, e vários outros ficaram feridos depois que tendas que abrigavam pessoas deslocadas foram atingidas perto da Rua Yarmouk, na Cidade de Gaza.

Outra criança palestina foi morta depois que forças israelenses abriram fogo no campo de Bureij, no centro de Gaza, disse uma fonte do Hospital al-Awda à Al Jazeera.

Fontes dos hospitais al-Awda e al-Mahmoudiyah também relataram na manhã de quinta-feira várias mortes e ferimentos após bombardeios israelenses no distrito de Shujayea, a leste da Cidade de Gaza.

Mais ao sul, pelo menos quatro palestinos que esperavam por ajuda foram mortos em dois incidentes separados em Rafah, enquanto uma pessoa foi morta em um bombardeio israelense a noroeste de Khan Younis.

Anteriormente, autoridades palestinas e fontes médicas relataram que pelo menos 72 palestinos foram mortos em ataques israelenses em Gaza em um período de 24 horas na quarta-feira.

Esses números elevam o número de pessoas mortas em ataques israelenses desde o início da guerra para pelo menos 64.718, com 163.859 feridos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

Fonte: Al Jazeera

Em Brasília, Caso Braskem é denunciado por violação dos direitos humanos

Tragédia do afundamento do solo entra na pauta da audiência pública do marco legal sobre direitos humanos e empresas

A tragédia do afundamento do solo, provocado pela mineração predatória da Braskem, foi denunciada em audiência pública, ontem em Brasília, como um caso grave de violação dos direitos humanos. Os crimes da mineradora, que expulsou de suas casas mais de 60 mil pessoas e provocou o fechamento de mais de 15 mil imóveis, foram listados, durante a audiência, pelo empresário Alexandre Sampaio, presidente da Associação dos Empreendedores Vítimas da Mineração em Maceió.

“Mostramos os crimes da Braskem, o que chamou bastante a atenção do público presente. A gente inicia agora uma articulação nacional, com outras entidades, para que não deixar que esses tipos de crime caíam no esquecimento”, afirmou Sampaio. Segundo ele, o evento começou na terça-feira e continuou ontem, com o debate na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados. “Ficou patente que a legislação brasileira não está preparada para o enfrentamento de grandes tragédias”, resumiu.
Segundo Sampaio, a audiência pública teve como objetivo ouvir o relato das vítimas de várias tragédias ambientais e especialistas no assunto, para discutir o Projeto de Lei 572/22, que cria um marco legal sobre direitos humanos e empresas no Brasil. O debate atendeu ao pedido do deputado federal Helder Salomão (PT/ES), um dos autores do projeto, que tramita na Câmara dos Deputados. Esta semana, a proposta começou a ser analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Segundo o deputado Helder Salomão, o objetivo é ampliar o debate sobre a necessidade de aprimorar mecanismos de prevenção e responsabilização de violações de direitos humanos cometidas por empresas. Para Salomão, ainda que o país possua legislação sobre proteção ambiental, trabalhista e demais direitos fundamentais, existem lacunas significativas na regulação da atuação empresarial no território brasileiro e na reparação das vítimas.

“Muito da falta de responsabilização se deve à inexistência de um diploma legal unificado, que possa suprir algumas dessas brechas e facilitar a aplicação da lei por parte do Judiciário”, afirmou Salomão. “O PL 572/22 é um instrumento fundamental para o alcance desse objetivo, e a realização da audiência auxiliaria a fortalecer esforços em prol do maior conhecimento e da futura aprovação dessa iniciativa legislativa”, acrescentou o deputado.

Além de Alexandre Sampaio, participaram do debate representantes de vítimas de várias tragédias, além de especialistas em questões climáticas, desastres ambientais e direitos humanos, do Brasil e do Exterior. “Tinha representantes de vários países e de vários Estados do Brasil. Um evento muito importante, que incentivou a criação de um projeto de lei para criar o marco legal dos direitos humanos e empresa, como uma ferramenta para enfrentar crimes socioambientais, como esse da Braskem”, destacou Sampaio.

PARTICIPANTES:

1) Renan Lisboa (Coordenador de Direitos Humanos e Empresas), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania – MDHC;
2) Alírio Uribe Muñoz (Parlamentar) da Câmara de Representantes da Colômbia;
3) Jandyra Uehara Alves (Secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos) da Central Única dos Trabalhadores – CUT;
4) Manoela Roland (Coordenadora Geral) do Instituto de Direitos Humanos e Empresas – HOMA, organizador do evento;
5) Diego Pereira (Coordenação Estadual do Movimento no Espírito Santo), do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB.

Fonte: Tribuna Hoje

Tarcísio oficializa grilagem e entrega 2,5% do território de São Paulo a fazendeiros

Com descontos de até 90%, governo beneficia grandes fazendeiros e causa prejuízo bilionário aos cofres públicos, enquanto reforma agrária é abandonada em SP

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, tem executado uma política imoral de regularização fundiária no Pontal do Paranapanema que, na prática, legaliza a grilagem de terras públicas. Sob o argumento de promover segurança jurídica e evitar custos com indenizações judiciais, o Governo paulista consolida uma reforma agrária às avessas — uma espécie de “Bolsa-Latifúndio” — ao conceder até 90% de desconto para a compra de terras devolutas por grandes proprietários rurais e empresas que ocupam essas áreas há décadas.

Estima-se que a área total envolvida na “regularização” atinja cerca de 600 mil hectares — o equivalente a quatro vezes a área da cidade de São Paulo. O custo dessa política aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 18 bilhões, de acordo com estimativas técnicas feitas com base nos valores de mercado das terras. Porém, os compradores pagarão frações desse valor, em alguns casos menos de 10%.

De acordo com a coluna de Adriana Ferraz, no UOL, as terras, utilizadas principalmente para criação de gado, cultivo de soja e cana, além da produção de etanol, passaram a ser oferecidas por valores reduzidos desde o início da gestão de Tarcísio, em 2023.

Segundo levantamento realizado pelo portal UOL a partir dos valores mínimos estimados no Mapa de Terras 2023 elaborado pelo INCRA, a área em negociação corresponde a 2,5% do território estadual — quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

A medida tem gerado forte reação de movimentos do campo, especialistas em questão agrária e parlamentares de oposição, que denunciam a legalização da grilagem de terras públicas, historicamente destinadas à reforma agrária ou à proteção ambiental. “Uma das maiores doações de terras da história do Brasil”, critica a deputada estadual Mônica Seixas (PSOL). Segundo Mônica, “o governador Tarcísio de Freitas está aplicando mais uma etapa do seu PL da Grilagem, ou lei dos Desmatadores, que ele chama de Lei de Regularização Fundiária”. “Serão mais de um milhão de quilômetros de terras públicas entregues sem nenhuma transparência ou participação popular”, denuncia. 

Ela ressalta que essas áreas deveriam ser destinadas à reforma agrária e ao cumprimento da função social da terra, como prevê a Constituição. “A Constituição brasileira diz que terras públicas, terras devolutas devem servir primeiro para a reforma agrária e segundo para cumprir uma função social”, reforça a deputada. “Tarcísio destrói a lei de Reforma Agrária do Estado de SP e quer entregar para desmatadores”, aponta. “Repito: gente pobre não vai ganhar terra do Tarcísio, só fazendeiro, latifundiário do boi e da cana”, afirma categoricamente. 

ANISTIA À GRILAGEM

O Pontal do Paranapanema é uma das regiões com maior concentração de conflitos agrários no estado de São Paulo. As terras públicas ocupadas por grandes fazendeiros ao longo das décadas deveriam, por lei, ser destinadas à reforma agrária. No entanto, sob a gestão de Tarcísio, essas áreas estão sendo “legalizadas” com benefícios escandalosos aos grileiros históricos, transformando crimes fundiários em negócios altamente lucrativos.

O governador argumenta que os descontos são uma forma de “resolver litígios antigos” e “evitar indenizações bilionárias”. Mas o que se vê é uma verdadeira anistia à grilagem, transformando em banquete milionário para grileiros aquilo que deveria ser tratado como crime contra o patrimônio público.

A prática segue uma lógica perversa: quem ocupou a terra pública ilegalmente por tempo suficiente, agora tem o direito de comprá-la quase de graça. O que era crime se converte em posse legalizada — e com incentivo fiscal.

Relatórios da oposição na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) apontam que a regularização beneficia principalmente grandes fazendeiros, muitos dos quais apoiadores políticos do atual governo. Há também denúncias de que algumas dessas propriedades foram fracionadas entre familiares para burlar limites estabelecidos por lei, mantendo o controle sob diferentes CPFs.

Em alguns casos divulgados, propriedades avaliadas em R$ 6 milhões foram regularizadas com pagamento de menos de R$ 1 milhão ao Estado. O prejuízo aos cofres públicos não se limita à arrecadação direta: com a perda dessas terras, o Estado deixa de poder destiná-las a políticas públicas como reforma agrária, moradia rural e preservação ambiental.

Os valores praticados na regularização revelam um enorme prejuízo aos cofres públicos. Os descontos concedidos incidem sobre os preços estabelecidos pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), que são significativamente inferiores aos valores mais altos fixados pelo Incra. Desde o início do programa, a arrecadação do governo ficou muito aquém do valor de mercado: foram recolhidos R$ 187 milhões pela venda de 73 mil hectares, enquanto o preço real do hectare no mercado alcança R$ 33,4 mil — mais de 12 vezes acima do valor efetivamente pago pelas terras regularizadas.

Além disso, a falta de transparência no processo de avaliação dos imóveis rurais levanta suspeitas. Os valores usados para calcular os descontos têm sido considerados muito abaixo dos preços de mercado, o que acentua ainda mais o caráter de favorecimento aos grandes proprietários.

A legalização da grilagem no Pontal também tem implicações ambientais. Muitas dessas terras ficam próximas a áreas de proteção e reservas ambientais, e sua ocupação predatória, muitas vezes voltada à monocultura ou à criação extensiva de gado, compromete a biodiversidade local. O Cerrado e os remanescentes da Mata Atlântica no estado estão entre os biomas mais ameaçados por esse tipo de ocupação.

Enquanto isso, centenas de famílias sem-terra seguem à espera de assentamentos. Apesar da grande demanda social e da disposição de trabalhadores rurais para produzir alimentos saudáveis e sustentar a agricultura familiar, o governo de São Paulo praticamente abandonou os programas de reforma agrária. Na prática, substituiu uma política de justiça fundiária por um programa de entrega de patrimônio público aos grandes do agro.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) já cobrou explicações sobre a concessão dos descontos e a metodologia usada na avaliação das propriedades. Mas até agora, o governo estadual não apresentou dados suficientes que justifiquem tamanha generosidade com aqueles que se apropriaram de terras públicas.

REGIÃO DE CONFLITO

A situação é ainda mais grave considerando o histórico da região. O Pontal do Paranapanema é um dos maiores símbolos da luta por reforma agrária no estado de São Paulo. Por décadas, movimentos camponeses denunciaram a grilagem sistemática e a expulsão de comunidades rurais para dar lugar a fazendas de gado e monoculturas voltadas à exportação.

Ao portal Brasil de Fato, Gilmar Mauro, dirigente nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra), afirmou que “o projeto representa uma entrega do patrimônio público para alguns latifundiários, puxas-sacos, financiadores da campanha do governador”. Ele ressalta que, em vez de premiar a destruição, o estado deveria investir em reflorestamento e em assentamentos cooperativos, que geram empregos e produzem alimentos saudáveis.

Nos últimos anos, enquanto o governo federal travou a política de assentamentos, os governos estaduais alinhados ao bolsonarismo têm acelerado a legalização da grilagem. Tarcísio, vinculado à pauta ruralista, se tornou um dos principais expoentes desse crime no Estado de São Paulo.

A entrega de títulos com desconto foi celebrada por representantes do agronegócio, que falam em “segurança jurídica” e “incentivo à produção”. Mas, para os trabalhadores do campo, significa o aprofundamento da desigualdade, da concentração fundiária e da injustiça social.

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, disse que existe uma demanda imensa por assentamentos no Pontal do Paranapanema e que a Constituição determina a realização da reforma agrária em terras devolutas.” É uma atribuição dos estados também, não só da União. O governo de São Paulo deveria atender às exigências constitucionais”, afirma Teixeira

Por fim, enquanto o governador tenta apresentar a proposta como uma “modernização”, opositores enfatizam que ela apenas intensifica a concentração fundiária, aprofunda a desigualdade e entrega terras públicas do povo paulista a preço de banana. Como destaca a deputada do PSOL, “benefício, terra, bem público: só para quem já tem muito dinheiro. Para pobre, o governador Tarcísio vem aplicando a política do Estado zero”.

Fonte: Hora do Povo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS