Maior greve da França em anos junta 800.000 pessoas e paralisa país em meio a crise política

Diversos sindicatos franceses convocaram mais de 250 manifestações pelo país contra medidas orçamentárias nesta quinta-feira (18).

A greve paralisou setores de saúde, educação, transporte e os serviços públicos do Governo.

Em Paris, linhas de metrô foram suspensas durante grande parte do dia, com funcionamento apenas nos horários de pico. Trens regionais também foram afetados. O Ministério do Interior estimou a participação em até 800 mil manifestantes.

Cerca de 80 mil policiais foram deslocados, incluindo tropas de choque, drones e veículos blindados. Os atos fazem parte do movimento “Vamos bloquear tudo”.

Os manifestantes pedem que os planos fiscais do governo anterior sejam abandonados, que haja mais investimento em serviços públicos, aumento de impostos para os mais ricos e que a mudança que obriga as pessoas a trabalhar por mais tempo para receber a aposentadoria seja abandonada.

Essa nova onda de protestos acontece menos de duas semanas depois do novo primeiro-ministro Sébastien Lecornu assumir o cargo. A mudança gerou protestos no país. Lecornu foi nomeado pelo presidente Emmanuel Macron após a renúncia de François Bayrou.

O plano orçamentário para 2026 começou a ser discutido nesta quarta-feira (17). Essa seria uma tentativa de evitar a queda de seu governo, como ocorreu com seus dois antecessores. Para garantir uma maioria estável, o político de centro-direita busca o apoio da oposição socialista, que cobra diversas medidas, incluindo a implementação da chamada “taxa Zucman”.

A proposta prevê taxar em 2% ao ano fortunas acima de 100 milhões de euros (cerca de R$ 626 milhões), atingindo apenas 0,01% dos contribuintes, segundo seu idealizador, o economista francês Gabriel Zucman.

Contexto político

Estudantes seguram uma faixa com os dizeres “greve, bloqueio, sabotagem, quem poderia ter previsto?” enquanto bloqueiam a linha do bonde em Paris, como parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes previstos no próximo orçamento, com o apoio do movimento “Bloquons Tout” (Vamos Bloquear Tudo).

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, enfrentam forte pressão para corrigir o déficit público, que no ano passado quase dobrou o teto de 3% da União Europeia.

O plano orçamentário anterior, de corte de 44 bilhões de euros, foi rejeitado pelo parlamento, derrubando o então primeiro-ministro François Bayrou. Lecornu ainda não esclareceu se manterá esse plano, mas indicou abertura ao diálogo.

“Continuaremos mobilizados enquanto não houver uma resposta adequada”, disse Sophie Binet, líder da central sindical da Confederação Geral do Trabalho (CGT). “O orçamento será decidido nas ruas.”

Apoio popular

Um balão do sindicato CGT é visto enquanto manifestantes participam de um protesto em Nantes, como parte de um dia de greves e manifestações em todo o país contra o governo e os cortes previstos no próximo orçamento, com o apoio do movimento “Bloquons Tout” (Vamos Bloquear Tudo) — Foto: REUTERS/Stephane Mahe

O montante representaria quase metade da economia prevista pelo antecessor de Lecornu, François Bayrou, em seu plano orçamentário para 2026, que previa cortes sociais e a eliminação de dois feriados. O Parlamento, porém, rejeitou a proposta.

“Estamos diante de um bloqueio orçamentário, político, pela recusa em abordar seriamente o problema da não tributação dos super-ricos”, disse Zucman à rádio France Inter.

As exigências por “justiça fiscal” marcaram os protestos de 10 de setembro e também a greve convocada pelos sindicatos para quinta-feira (18). “O orçamento será decidido nas ruas”, afirmou Sophie Binet, líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT) da França.

As autoridades estimam a presença de 400 mil manifestantes, o dobro da mobilização anterior.

Segundo uma pesquisa da Ifop, contratada pelos socialistas e divulgada na terça-feira (16), 86% dos franceses são favoráveis à “taxa Zucman” e 79% apoiam a redução dos subsídios às grandes empresas.

Rejeição patronal

O novo primeiro-ministro prometeu “rupturas” em relação aos antecessores. Entre suas primeiras medidas estão a desistência da supressão de feriados e o fim dos benefícios “vitalícios” para ex-membros do governo.

Apesar de se declarar “disposto” a lutar por “justiça fiscal”, Lecornu rejeitou a taxa Zucman. Seus aliados republicanos de direita no governo também se opõem, assim como a extrema direita de Marine Le Pen.

A federação patronal Medef ameaçou organizar uma “grande mobilização” de empresários caso os impostos aumentem, classificando a taxa Zucman como uma “forma de expropriação”.

O alerta é inédito durante o mandato de Macron, que, desde 2017, reduziu impostos sobre empresas e grandes fortunas em nome da competitividade e da atratividade da segunda maior economia da União Europeia.

Segundo o Senado, que pediu maior fiscalização, os subsídios públicos a grandes empresas somaram pelo menos 211 bilhões de euros (cerca de R$ 1,32 trilhão) em 2023.

Fonte: Veja e G1

Espanha abre investigação sobre possíveis crimes de guerra em Gaza

As penalidades incluem “a proibição de entrada” no país europeu dos ministros israelenses da Segurança, Itamar Ben-Gvir, e das Finanças, Bezalel Smotrich.

A Espanha anunciou nesta quinta-feira que irá investigar supostas violações dos direitos humanos na Faixa de Gaza cometidas por Israel, de modo a cooperar com o Tribunal Penal Internacional (TPI).

A abertura do inquérito preliminar sobre “graves violações dos direitos internacionais humanos” foi autorizada pelo procurador-geral espanhol, Álvaro García Ortiz, após ser solicitada pela chefe do gabinete de Direitos Humanos e Memória Democrática do Ministério Público, Dolores Delgado, com base no princípio da jurisdição universal.

A missão da equipe investigativa espanhola será “reunir provas e disponibilizá-las ao órgão competente, cumprindo assim as obrigações de Madrid em matéria de cooperação internacional e direitos humanos”, afirmou o escritório de García em comunicado.

“Diante da atual situação nos territórios palestinos, todas as provas, diretas ou indiretas, que possam ser reunidas em nosso país” sobre “crimes cometidos” em Gaza “devem ser incluídas para possível utilização do caso no TPI”, acrescentou a nota, explicando que a decisão foi tomada após o MP receber um relatório da polícia em junho com “atos que poderiam constituir crimes contra a comunidade internacional” perpetrados pelo exército israelense no território palestino.

Sanções contra Israel

Na semana passada, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez oficializou nove sanções contra Israel “pelo genocídio” no enclave.

As penalidades incluem “a proibição de entrada” no país europeu dos ministros israelenses da Segurança, Itamar Ben-Gvir, e das Finanças, Bezalel Smotrich.

Além disso, entre as principais sanções estão o embargo de armas com Israel; a proibição do trânsito de navios e aviões transportando combustível ou materiais de defesa destinados ao território israelense pelos portos e céus espanhóis; e a proibição de entrada na Espanha de “todas as pessoas que participaram diretamente do genocídio em Gaza”.

Em retaliação, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, anunciou no X que a vice-premiê espanhola e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, e a ministra da Juventude de Madrid, Sira Rego, foram declaradas como personae non gratae pelo país judeu.

Fonte: MSN

Deputados federais de Alagoas votaram a favor da ‘PEC da bandidagem’

Uma da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, que, na prática livra a cara dos deputados federais e senadores que cometerem qualquer crime, foi aprovada na madrugada desta quarta-feira na Câmara dos Deputados. A proposta aumenta a proteção judicial de deputados e senadores, possibilitando que parlamentares travem a prisão de colegas determinada pela Justiça em votação secreta.

A PEC altera o texto constitucional, não permitindo prisões cautelares por decisão monocrática de ministros do STF e restringindo a prisão em flagrante a crimes inafiançáveis – como racismo, crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e ações de grupos armados contra a ordem constitucional. A proposta também estabelece que, antes de processar parlamentares, o STF deve solicitar autorização à Câmara ou ao Senado, com votação secreta e maioria absoluta. Além disso, cria foro privilegiado para presidentes de partidos.

Grande parte dos deputados federais de alagoanos votou a favor do texto. Votaram SIM: Arthur Lira (PP-AL), Marx Beltrão (PP-AL), Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL), Luciano Amaral (PSD-AL), Del. Fabio Costa (PP-AL) e Rafael Brito (MDB-AL).

Votaram NÃO: Paulão (PT-AL) e Daniel Barbosa (PP-AL). Alfredo Gaspar (União-AL) não compareceu a sessão.

Fonte: Sindprev/AL

Nas ruas contra a PEC da bandidagem, atos serão realizados em todo o país

Movimentos populares estão convocando manifestações para o próximo domingo (21) contra o  projeto de Lei 2162/23, que pode conceder anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e contra a PEC da Bandidagem. A Frente Povo Sem Medo já confirmou atos em várias cidades.

Nas redes, parlamentares como Talíria Perrone e Guilherme Boulos e movimentos sociais como o Mestão convocando para as manifestações contra a anistia e a PEC da Bandidagem.

“O povo não vai aceitar impunidade para golpistas! É hora de mostrar que quem manda é o povo nas ruas. Vamos juntos defender a democracia, barrar a anistia e enfrentar esse Congresso cúmplice dos golpistas”, escreve Talíria.

Para Guilherme Boulos, a votação do projeto de anistia é um “escândalo”: “O povo brasileiro já disse nas urnas: não aos golpistas! E repete hoje: PEC da Bandidagem NÃO! Sem anistia!  Os golpistas vão perder no horizonte da história. Pra nós: coragem ao campo democrático!”

Atos já confirmados pelo Brasil

São Paulo –14h no MASP

Rio de Janeiro –14h  em Copacabana (Posto 5)

Belo Horizonte — 9h na Praça Raul Soares.

Curitiba –14h na Boca Maldita

Fortaleza – 16h30 na Estátua de Iracema

Porto Alegre – 14h na Redenção

Recife – 14h na Rua da Aurora

Salvador – 9h no Morro do Cristo

Uberlândia – 9h – Feira Livre do Bairro Luizote

Macapá — 16 no Teatro das Bacabeiras

Maceió — 9h na praia de 7 coqueiros/Pajuçara

Cuiabá — 14 na Praça  Alencastro

Florianópolis — 13h na Ponte Hercílio Luz

Belém — 9h na Praça da República.

Brasília –10h no Museu da República

Vitória — 15h na ALES

Goiânia — 16h na Praça Universitária

Aracaju — 16h na Praia da Cinelândia

Natal — 9h na Ferreira Costa

Manaus — 8h na Avenida Getúlio Vargas

João Pessoa — 9h no Busto de Tamandaré

Dino manda PF abrir inquérito contra Bolsonaro por gestão da pandemia

O inquérito visa aprofundar as informações trazidas da CPI da Covid. Bolsonaro é um dos nomes que serão investigados

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (18/9) a conversão da Petição nº 10.064/DF em inquérito policial pela Polícia Federal (PF). A decisão acolhe requerimento da própria PF e visa aprofundar a investigação sobre indícios de crimes contra a administração pública que foram apontados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 23 aliados serão alvo do inquérito após serem indiciados pela CPI da Covid. Para Dino, a CPI trouxe fortes indícios de crimes contra a administração pública.

 “Notadamente em contratos, fraudes em licitações, superfaturamentos, desvio de recursos públicos, assinatura de contratos com empresas de ‘fachada’ para prestação de serviços genéricos ou fictícios, dentre outros ilícitos mencionados no relatório da CPI”, disse o ministro em decisão.

A Polícia Federal solicitou a instauração do inquérito para dar prosseguimento ao caso e pediu prazo para a realização de diligências, como a oitiva dos envolvidos e outras medidas que se mostrem necessárias. Dino acolheu o requerimento e fixou prazo inicial de 60 dias para as investigações.

Além de Bolsonaro, serão alvos do inquérito o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), senador Flávio Bolsonaro (PL), vereador Carlos Bolsonaro (PL), deputada federal Bia Kicis (PL), Carla Zambelli (PL), blogueiro Allan dos Santos, o ex-assessor de Bolsonaro Filipe Martins e o empresário Luciano Hang.

Fonte: Metrópoles

Piloto diz que presidente do União Brasil é dono de aviões operados por empresa de voos do PCC

Segundo o piloto, presidente do União Brasil era citado pelo dono e por funcionários da TAP como o líder de um grupo que financiou clandestinamente a compra de aeronaves particulares

Um piloto que transportava regularmente a dupla que liderava um mega-esquema de lavagem de dinheiro que atendia ao PCC afirmou em depoimento à Polícia Federal que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, está entre os verdadeiros donos de quatro dos dez jatos executivos operados por uma empresa de táxi aéreo.

Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias, Mauro Caputti Mattosinho, 38 anos, disse que Rueda era citado por seu chefe como o líder de um grupo que “tinha muito dinheiro que precisava gastar” na compra de aeronaves, avaliadas em dezenas de milhões de dólares.

“Havia um clima de ‘boom’ de crescimento na empresa. E isso foi justificado como sendo um grupo muito forte, encabeçado pelo Rueda, que vinha com muito dinheiro que precisava gastar. Então, a aquisição de várias aeronaves foi financiada”, diz Mattosinho na entrevista gravada em vídeo.

Rueda nega ser dono das aviões e “repudia com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com a prática de algum ilícito”, afirmou em nota oficial.

O presidente do União Brasil diz que “já voou em aeronaves particulares em voos fretados por ele ou como convidado”, mas que “nunca participou da compra das aeronaves”. E que costuma realizar seus deslocamentos “em voos comerciais”.

“A história que contei para vocês eu repeti para a Polícia Federal”, afirmou Mattosinho, na entrevista ao ICL Notícias. A reportagem teve acesso ao depoimento, prestado por ele há 17 dias no aeroporto Catarina, em São Roque (SP), antes de pedir demissão.

Mattosinho entrou na TAP (Taxi Aéreo Piracicaba) em 2023 e saiu há duas semanas, depois de transportar os parentes de Beto Louco para o Uruguai na véspera da mega-operação da PF, da Receita e do Ministério Público de SP, realizada no fim de agosto, que revelou um enorme esquema de lavagem de dinheiro que inclui o uso de fundos de investimento.

O piloto afirma ter transportado ao menos 30 vezes Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são apontados como líderes do esquema que atendia ao PCC e estão foragidos da Justiça.

O piloto, que se diz indignado pelo conteúdo das conversas que presenciou, procurou o ICL Notícias pela primeira vez em novembro do ano passado.

O ICL Notícias e o UOL apuraram que duas aeronaves atribuídas por Mattosinho a Rueda pertencem a fundos de investimentos que têm apenas um controlador, cujo nome não é divulgado.

Uma terceira aeronave está em nome de uma empresa registrada na periferia de Imperatriz (MA). Em entrevista, a única sócia da empresa disse desconhecer a firma e a aeronave.

Na entrevista em vídeo, Mauro Mattosinho reafirmou ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, conforme revelou o ICL Notícias no dia 1º deste mês.

O senador nega ter “tido proximidade de qualquer espécie” com Beto Louco e também nega ter recebido qualquer valor. Ciro ingressou com processo contra o ICL Notícias, pedindo pagamento de indenização por danos morais.

“O senador tem direito de buscar a Justiça em uma sociedade em pleno exercício do Estado Democrático de Direito. Não o teria em caso de ditaduras, nem armadas e nem ‘de toga’. O ICL não se intimida com tentativas de assédio judicial e reafirma a qualidade de suas práticas jornalísticas”, reagiu Leandro Demori, diretor de jornalismo do ICL Notícias..

O piloto trabalhou de novembro de 2023 até o começo deste mês na empresa Táxi Aéreo Piracicaba, conhecida pela sigla TAP. Ele começou atuando como piloto de voos do Primo e depois passou a atender Beto Louco. Os dois estão foragidos da Justiça.

A TAP é administrada pelo empresário Epaminondas Chenu Madeira. O ICL Notícias teve acesso a conversas de Whatsapp entre Mattosinho e Epaminondas, em que o dono da TAP cita “Beto” e “Moha”, referindo-se a Beto Louco e Mohamed (Primo).

“Irmão ta foda a situação Beto e Moha Velho. Eu voltando vamos trocar uma ideia. Pra nós alinhar. Mas os caras lá tão foda. Mas to carregando nas costas sozinho”, escreveu Epaminondas no dia 14 de março de 2025, às 16h50. A reportagem transcreveu a mensagem da maneira como ela foi escrita.

Procurada, a defesa de “Primo” informou que não irá se manifestar. Já o advogado de “Beto Louco”, Celso Vilardi, não retornou os contatos.

A TAP operava cinco aeronaves em 2023 e, neste ano, passou a operar dez, de acordo com Mattosinho.

Em nota, a empresa informou “desconhecer qualquer declaração atribuída a funcionário sobre aquisição de aeronaves” e atuar “em observância à lei”.  A empresa afirma que “não tinha conhecimento do envolvimento de investigados na Operação Carbono Oculto até sua deflagração”.

“Por fim, não pode fornecer informações sobre clientes ou passageiros sem autorização destes ou por requisição das autoridades competentes”, acrescentou, em nota.

Aeronaves em nome de terceiros

Mattosinho diz que Rueda viaja constantemente em jatos operados pela mesma empresa, embora ele não fosse o piloto destes voos. Era mencionado como “Ruedinha”, diminutivo de seu nome.

A vida de luxo e as polêmicas que envolvem o político foram relatadas no ano passado em reportagem do UOL.

“[Rueda] É uma pessoa que já fazia negócios com a Táxi Aéreo Piracicaba desde quando eu cheguei lá como funcionário, aproximadamente dois anos atrás. Ele já era um nome que circulava como [sendo] sócio em uma aeronave de pequeno porte”, lembra.

A aeronave à qual ele se refere é o jato bimotor Raytheon 390 Premier, matrícula PR-JRR.

De acordo com os registros da Anac, a aeronave pertence à empresa Fênix Participações, controlada pelo advogado Caio Vieira Rocha, filho do ex-ministro César Asfor Rocha; pelo ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos-CE) e por um dono de concessionárias de Pernambuco.

Falando em nome dos sócios, Vieira Rocha negou que Rueda tenha participação na aeronave ou tenha viajado nela.

”Antonio Rueda não é proprietário da aeronave e nem sócio de nenhuma das 3 empresas sócias da aeronave”, escreveu Vieira Rocha.

Conforme registros oficiais,o jatinho foi comprado pela Fênix por US$ 2,3 milhões (R$ 13 milhões), em 2 de outubro de 2024. A transação foi feita com a RZK Empreendimentos Imobiliários, que havia adquirido a aeronave em 2014.

A RZK pertence a José Ricardo Rezek, que é doador do União Brasil, dentre outros partidos, e próximo a Antônio Rueda. Rezek estava na lista de convidados do aniversário de 50 anos do presidente da legenda  este ano. A empresa informou por meio de nota que nunca vendeu nenhuma aeronave a Rueda. “Ele jamais atuou como intermediário em qualquer compra e venda e muito menos participou das negociações. A aeronave citada foi regularmente vendida à Fênix Participações Ltda., em conformidade com todas as normas legais, devidamente registrada na Anac”, acrescentou.

Os outros três jatinhos bimotores que, segundo o piloto, teriam sido adquiridos com participação de Rueda são: um Gulfstream G200, matrícula PS-MRL; um Citation Excel, matrícula PR-LPG; e um CitationJet 2, matrícula PT-FTC.

O Gulfstream G200 e o Citation Excel pertencem a empresas controladas pela Bariloche Participações S/A, empresa com capital social de R$ 110 milhões e controlada por fundos de investimentos geridos pelo banco Genial.

Um único cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado é dono do patrimônio da Bariloche, de acordo com a Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Sua identidade não é divulgada em documentos públicos.

“Rueda não tem relação com a Bariloche Participações S.A., tampouco é ou foi cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado”, informou a assessoria do presidente do União Brasil.

A quarta aeronave citada pelo piloto, o CitationJet, está em nome da Serveg Serviços.

Localizada em imóvel da periferia de  Imperatriz (MA), a empresa tem como atividade principal criação de bovinos, mas registra atividades secundárias diversas, que vão de serviços de malote não realizados pelos Correios a limpeza, conforme cadastro na Receita Federal. A firma está em nome de Antonia Viana Silva Soares.

Procurada, ela disse que desconhece as atividades da Serveg. “Não sei o que você está falando, não”, disse ela, desligando o telefone. Em seguida, bloqueou o número de contato da reportagem.

O uso de fundos de investimento para ocultar patrimônio ou para realizar operações de lavagem de dinheiro foi uma das principais descobertas das operações recentes da PF que miraram no PCC e em empresas financeiras sediadas na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

https://youtube.com/watch?v=ikUcr1mjV0U%3Ffeature%3Doembed

Interesse em aeronave que foi à Grécia

Mattosinho afirmou que o presidente do União Brasil tinha interesse em adquirir uma quinta aeronave, um Gulfstream de Série 550, matrícula PS-FSR, capaz de realizar viagens intercontinentais. A negociação desse modelo de luxo começa a partir de US$ 10 milhões (R$ 54,5 milhões). O piloto não sabe se a transação foi concretizada.

O jatinho foi colocado à venda em julho deste ano, conforme anúncio publicado nas redes sociais de uma empresa que comercializa aeronaves.

No entanto, o site da empresa informava nesta semana que ela não está mais disponível.

A aeronave está registrada em nome do agente de jogadores Luís Fernando Garcia, dono da Elenko Sports. Ele negou ao ICL Notícias que seu jatinho tenha sido vendido e que Rueda tenha realizado viagens nele.

Garcia bloqueou o contato da reportagem no aplicativo. Ele alegou que não responderia aos questionamentos por entender que se trata de negócios particulares.

Em agosto, Rueda reuniu políticos, empresários e artistas para comemorar seus 50 anos na ilha grega Mykonos, que faz parte de um arquipélago no Mar Egeu.

O site de monitoramento global de voos, Adsb Exchange, mostra que o Gulfstream viajou em 31 de julho de Brasília à região de Mykonos, na Grécia. O aniversário de Rueda foi comemorado do dia primeiro ao dia 4 de agosto na ilha.

Ainda segundo o site de monitoramento, a aeronave saiu dia 10 da região em direção ao Brasil, aparecendo próximo a Sorocaba (SP) no dia 11.

O dono da TAP enviou mensagens de Whatsapp a Mattosinhos no dia 6 de agosto, falando sobre o serviço na Grécia, aos quais também tivemos acesso. “Irmão. Tô numa correria absurda com avião lá na Grécia. Pode tocar com Brunão pfv Ta foda aqui. 2 dias varados.

“Acompanhando programação da Grécia”, escreveu Epaminondas ao funcionário.

À reportagem, Rueda disse ter viajado em voo comercial da British Airways para a Grécia, dias antes do voo identificado pela reportagem. E negou ter adquirido a aeronave citada pelo piloto.

Investigado do governo Bolsonaro

A TAP está oficialmente registrada no nome da mãe de Epaminondas Chenu Madeira. O empresário, e também piloto, no entanto, é quem toca os negócios. Ele é sócio de outras duas empresas de táxi aéreo, a ATL Airlines e a Aviação Alta.

Mattosinho afirma que pilotava o bimotor Israel G150, prefixo PR-SMG, que pertence aos donos da Copape Produtos de Petróleo. Primo e Beto Louco ainda seriam sócios ocultos de Epaminondas na compra de outros dois jatinhos.

Documentos públicos mostram que a ATL Airlines e a Aviação Alta são cotistas da Capri Fundo de Investimento em Participações, que tem como representante legal Rogério Garcia Peres, alvo da operação realizada pelo MP-SP contra o esquema do PCC. Ele está foragido.

Advogado, Peres é apontado pela promotoria como “administrador de fundos de investimento, amplamente envolvido com o grupo Mohamad, sócio em postos de combustíveis”.

Ele foi nomeado em 17 de setembro de 2019 pelo Secretário Executivo do Ministério da Economia, Marcelo Pacheco dos Guaranys, para exercer o mandato de Conselheiro, representante dos Contribuintes, junto à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do ministério.

A pasta à época era chefiada por Paulo Guedes.

Segundo o MP-SP, Peres também seria o controlador da Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros, também alvo da operação.

A gestora de fundos aparece como administradora do fundo Capri em um relatório de demonstração financeira de 2024, registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o nome Ruby Capital Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

A reportagem apurou, no entanto, que o CNPJ registrado no documento com  este nome é o mesmo da Altinvest.

Mattosinho afirma que o nome da Ruby foi citado por Epaminondas Madeira e por um advogado da TAP, durante um diálogo que mantiveram quando o piloto apresentou sua demissão.

De acordo com o piloto, o advogado de Epaminondas afirmou que o “Ruby estava intacto”, querendo dizer que o fundo não tinha sido identificado pelas operações da PF e do MPSP, o que revelou não ser verdade já que a Altinvest foi alvo da Operação Carbono Oculto.

Fonte: ICL

Lula cobra reforma da ONU e reafirma: “Não há guerra em Gaza; há genocídio”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (17/09/2025), em entrevista exclusiva à BBC News Brasil e à BBC News, que “não há guerra em Gaza”, mas “um genocídio”. O presidente criticou a atuação de Israel na região, afirmando que mulheres e crianças estão sendo mortas por um exército “altamente sofisticado”. A conversa ocorreu no Palácio da Alvorada, em Brasília, e abordou política externa, cenário doméstico e relações com os Estados Unidos.

Segundo Lula, até parte da comunidade judaica tem se manifestado contra as ações do governo de Benjamin Netanyahu. Ele citou protestos de judeus em diferentes países como exemplos da insatisfação com a ofensiva israelense.

Lula defendeu a criação de dois Estados como solução para o conflito no Oriente Médio. “É por isso que eu defendo a criação do Estado palestino para viver em harmonia com o Estado de Israel”, disse. Segundo o presidente, a Organização das Nações Unidas precisa de reformas para representar a geopolítica atual e ter força para incidir em crises como as de Gaza e da Ucrânia.

Na entrevista, Lula também criticou a paralisia da ONU diante das crises globais. “Agora, se nós tivéssemos uma ONU funcionando corretamente, certamente essa guerra não teria acontecido. Não tem ninguém negociando porque a ONU não representa muita coisa. Hoje, se tivesse uma ONU funcionando, essa guerra não precisaria ter existido. Se a ONU estivesse funcionando, não precisava estar acontecendo Gaza”. afirmou.

O presidente destacou ainda que a falta de atuação da ONU reduz a capacidade da comunidade internacional de intervir em conflitos. “Os cinco membros permanentes tomam decisões unilaterais. O que queremos é uma ONU que represente a geopolítica de hoje”.

Fonte: DCM

BRICS lança sistema de pagamentos para reduzir dependência do dólar

O BRICS vai lançar em setembro o Brics Pay, plataforma de pagamentos desenvolvida para diminuir a influência do dólar nas transações internacionais. O sistema foi criado a partir de um modelo descentralizado de mensagens fronteiriças (DCMS), desenvolvido pela Universidade de São Petersburgo.

A ferramenta reunirá diferentes tecnologias de pagamento, como o SBP, sistema russo que permite transferências por número de telefone e já é utilizado por mais de 200 instituições financeiras. O Brics Pay também deverá ter integração com o Pix, possibilitando que o mecanismo brasileiro seja usado fora do país.

Segundo o economista Adenauer Rockenmeyer, delegado do Corecon-SP, o objetivo é facilitar transações diretas em moedas locais entre os países do bloco, sem necessidade de conversão para o dólar, reduzindo custos e taxas. Ele avalia ainda que o modelo fortalece o uso do Pix internacionalmente e amplia as trocas comerciais dentro do grupo.

Para o especialista, o Brics Pay pode representar um desafio à supremacia da moeda norte-americana. “O sistema opera com infraestrutura independente do SWIFT, baseada em tecnologia descentralizada, o que dificulta o controle e a aplicação de sanções. Cada transação fora do sistema tradicional reduz a influência do dólar no comércio internacional”, afirmou.

Fonte: Metrô1

Israel faz bombardeio devastador e comemora: “Gaza está em chamas”

Divisões avançam após o bombardeio, informam os chefes das SS de Israel

A cidade de Gaza está sendo totalmente devastada ao ponto do ministro da “Defesa” (nome mais apropriado seria do Extermínio), Israel Katz, ter se vangloriado, nas primeiras horas da manhã após uma noite de intensos bombardeios, de que “Gaza está em chamas”.

O que os testemunhos dos que ainda resistem permanecendo na cidade relatam é de um cenário de morte e devastação.

“Não há lugar para onde ir em Gaza”, diz Hosni Mahna, falando a partir do que resta da cidade de Gaza à Rádio Ashams.

“Todo bairro é alvo. Não há mais onde se abrigar. Todos os prédios residenciais, inclusive o que eu morava, são agora um monte de escombros”, prossegue.

“A situação é catastrófica em todos os sentidos. As pessoas saem de suas casas e vão para a estrada em fuga sem nada de seus pertences”, diz Hosni.  

“Saímos sem nada, a não ser nossas roupas. Não deu tempo de arrumar nada. Não conseguimos trazer nada”, diz Umm Muhannad, uma mãe de cinco filhos, agora no campo de refugiados de Shati, a oeste da cidade de Gaza. “As crianças choram com fome e medo. Dormimos ao ar livre, o céu é o nosso único teto”, relata.

Fonte: Hora do Povo

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