Cármen Lúcia muda voto e STF declara Moro suspeito

Ministra alterou seu entendimento de 2018 sobre a suspeição de Sergio Moro e considerou que o ex-juiz foi parcial ao julgar Lula. Placar já é de maioria a favor do habeas corpus do ex-presidente Lula

Apesar da manobra do ministro Kássio Nunes Marques que pediu vistas ao processo e votou a favor de Moro, o voto da ministra Carmen Lúcia impõe uma derrota histórica a Lava Jato e aos bolsonaristas.

A ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, alterou seu voto de 2018 no julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e entendeu que o então magistrado, no âmbito da Lava Jato, foi parcial na condução dos processos contra o ex-presidente Lula. Com isso, a Corte declara Moro suspeito por um placar de 3 a 2.

Com rejeição em alta, Bolsonaro aumenta orçamento militar e categoria será a única a ter aumento

Com a rejeição em alta e as acusações de genocídio ganhando força no Brasil e no mundo, Bolsonaro aumentará em 22% dos recursos para investimentos do governo para os militares das Forças Armadas e a categoria será a única a ter reajuste. Os gastos subirão de R$ 8,17 para R$ 8,32 bi.

O relatório do senador Márcio Bittar (MDB-AC) para o Orçamento de 2021 destina mais de 1/5 das verbas federais para investimentos (22%) ao Ministério da Defesa.

Os oficiais das Forças Armadas também são a única categoria que deve ser contemplada com reajuste salarial, já que o restante dos servidores está com o salário congelado até dezembro.

O montante destinado a investimentos pelos militares será de R$ 8,32 bilhões caso o texto seja aprovado por deputados e senadores. O valor total de investimentos para todo o governo federal será de R$ 37,6 bilhões.

O Ministério da Saúde, responsável pela condução das políticas de combate à pandemia, terá incremento de apenas R$ 1,2 bilhão em relação ao ano passado.

A CONEXÃO SOMBRIA DE EDUARDO BOLSONARO NA TENTATIVA DE GOLPE NOS EUA

Pablo Gomes – Jornalista e cineasta

No início de março deste ano, uma reportagem publicada pelo jornalista americano Seth Abramson sugere que houve participação do Brasil na insurreição nos EUA, no dia 6 de janeiro. Na reportagem, intitulada “A Conexão Sombria do Brasil com o Secreto Conselho de Guerra de Trump do dia 5 de Janeiro está ficando mais evidente- e também traz alguns questionamentos”, Abramson revela que Trump e seus aliados podem ter tido ajuda do Brasil no planejamento da tentativa de golpe no dia 6 de janeiro.

A reportagem mostra que o encontro com aproximadamente 20 pessoas no Trump International Hotel em Washington na véspera da insurreição do dia 6 contou com a presença de Eduardo Bolsonaro, o filho “zero três” do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. A reportagem indica que Trump pretendia encontrar ajuda estrangeira caso o golpe desse certo e que o Brasil seria um dos aliados. Quem confirmou a lista de presença foi um dos participantes do evento, Charles W. Herbster, um político republicano do estado de Nebraska.

Além de Eduardo Bolsonaro, Donald Trump Jr e Eric Trump (filhos do ex-presidente norte americano) e do senador republicano pelo Alabama Tommy Tuberville, a reunião golpista contou com a presença do empresário Michael Lindell, um dos principais articuladores da tentativa de golpe. Lindell esteve com Eduardo Bolsonaro um dia antes da invasão do Capitólio e chegou a confirmar a reunião em um vídeo publicado por ele mesmo nas redes sociais. Eduardo Bolsonaro também confirmou o encontro com Lindell e postou em suas redes sociais uma foto com o empresário. No entanto, não deixou claro o que foi discutido na reunião.

Lindell além de ser um dos articuladores da insurreição também é um dos conselheiros de Donald Trump. No dia 15 de janeiro, o jornal The Washington Post publicou uma foto de Michael Lindell enquanto ele visitava a Casa Branca. A foto mostrava que os documentos que Lendell carregava tinham aparentemente propostas para os últimos dias do presidente no governo. De acordo com o Washington Post, tais propostas seriam a implantação do Insurrection Act – que permitiria a convocação das forças armadas e a declaração de lei marcial se fosse necessária. O documento também acusava a China e o Irã de estarem por trás da suposta fraude eleitoral, criando mais um pretexto para convocar as forças de emergência e as forças nacionais caso os EUA escalasse uma agressão militar contra esses países.

A presença de Eduardo Bolsonaro na tentativa de golpe nos EUA não é uma coincidência. Abertamente golpistas, a família Bolsonaro até hoje apoia o sangrento golpe militar de 1964, que durou 20 anos, e que matou e torturou inimigos políticos. No dia da votação da abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro dedicou o seu voto ao Coronel Brilhante Ustra, torturador da então ex-presidente.

A todo o momento, os Bolsonaros não somente apoiam o golpe de 64 como ameaçam o país com o novo golpe sem nenhum pudor. Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro ameaça convocar as forças armadas para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal alegando ter condições legais para isso ao fazer uma interpretação golpista do artigo 142 da Constituição Federal. Ensaiando uma narrativa parecida com a que Trump usou nos EUA em 2020, Jair Bolsonaro já admite não aceitar uma provável derrota nas próximas eleições. Em 2018, ele chegou a alegar que as eleições que o elegeram foram fraudadas. “A minha eleição foi fraudada. Eu tenho indícios de fraude na minha eleição. Era para eu ter ganho no primeiro turno.”

No dia da Insurreição em Washington, Jair Bolsonaro apoiou o movimento golpista nos EUA, e escreveu em seu twitter: “Eu acompanhei tudo. Você sabe que eu sou ligado ao Trump. Você sabe da minha resposta. Agora, muita denúncia de fraude, muita denúncia de fraude. Eu falei isso um tempo atrás”.

A presença de Eduardo Bolsonaro em Washington no dia da invasão do Capitólio faz parte de uma estratégia política deliberada que não se limita apenas em apoiar um golpe nos Estados Unidos, mas também serve de ensaio para o que poderá acontecer em 2022 no Brasil.

Enquanto isso, nos EUA, nenhum congressista republicano que participou indiretamente da insurreição do dia 6 ou articuladores próximos a Donald Trump foram punidos. A tentativa dos democratas de tentarem minimizar a crise através de uma abertura de processo de impeachment semanas após a invasão do Capitólio, foi sabotada pelo  próprio partido ao dispensar testemunhas fundamentais que provariam a participação não somente de aliados muito próximos a Trump como também de congressistas republicanos.

Uma investigação em andamento conduzida pelo FBI aponta que uma pessoa próxima a Donald Trump esteve em contato com membros do “Proud Boys” nos dias que antecederam a invasão do Capitólio. No entanto, até o momento, nenhuma liderança foi indiciada, presa ou condenada, embora o FBI tenha em mãos conversas de celulares entre grupos fascistas e lideranças do gabinete do ex-presidente norte americano.

Semelhantemente, no Brasil, o congresso tampouco pediu explicações a Eduardo Bolsonaro sobre sua viagem aos Estados Unidos dias antes do ataque ao Capitólio. No dia 4 de janeiro, o jornal O Globo publicou uma matéria chamando a viagem de Bolsonaro aos EUA de “visita surpresa” à Casa Branca. No dia seguinte, Eduardo Bolsonaro postou uma foto dele e de sua esposa Heloísa ao lado de Ivanka Trump (filha do ex-presidente) segurando a filha bebê do casal. Embora nem a imprensa brasileira nem o congresso tenha questionado a presença de Bolsonaro na Casa Branca na semana da tentativa de golpe, Heloísa revelou em uma de suas postagens que a viagem foi planejada de última hora. “Essa viagem foi confirmada recentemente, de última hora. Nós estávamos no verão, tive que pensar em roupas de frio”, escreveu.

Não há duvidas de que Eduardo Bolsonaro estava em Washington arquitetando junto com outros golpistas, a invasão do Capitólio e até onde eles isso chegaria na tentativa de anular o resultado das eleições que elegeram  Joe Biden como presidente dos Estados Unidos. Mas o mais revelador desse episódio é a cumplicidade do congresso e da polícia americana em não punir os verdadeiros conspiradores. Há indícios que Eduardo Bolsonaro também esteja sendo investigado pelo FBI, mas até o momento nada leva a crer que tanto ele quanto outros criminosos serão processados e julgados por tentativa de golpe de estado. Um dos motivos é a própria cumplicidade do partido democrata e da administração Joe Biden, que até o momento não agiu para que os conspiradores fossem punidos. Tal irresponsabilidade está abrindo caminho para uma reação fascista muito maior e violenta que a de 6 de janeiro.

Da mesma forma, no Brasil, com a cumplicidade da imprensa brasileira e do congresso nacional, Eduardo Bolsonaro retorna ao país sem prestar contas de sua viagem golpista. Em 2022, ele não somente tentará algo parecido com a insurreição no Capitólio, como aparentemente já desenha estratégias que com certeza serão mais eficientes do que as que falharam em Washington no dia 6 de janeiro.

CUT e sindicatos colocam outdoors contra a reforma administrativa de Bolsonaro

A CUT Alagoas, Adufal, Sintufal, Sintietfal e Sinteal, colocaram outdoors por Maceió e no interior do estado denunciando, dessa vez, o deputado federal alagoano e presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que é o principal articulador da PEC 32/20 no Congresso Nacional, representando os projetos do governo Bolsonaro de enfraquecer o serviço público e culpar os servidores pelo desmonte.

O movimento sindical convoca toda a população a lutar em defesa dos serviços públicos que estão ameaçados pela política do governo Bolsonaro e Paulo Guedes. Segundo as entidades sindicais, a reforma administrativa não combate privilégios e penaliza os mais pobres que é quem mais precisa dos serviços públicos, como educação e saúde.

No dia 24, a CUT e os movimentos sociais realizarão uma jornada nacional de luta em defesa dos serviços públicos, por auxílio emergencial d R$ 600,00, por vacina e contra a alta dos preços da gasolina e do gás de cozinha.

Policiais civis vão paralisar suas atividades contra a reforma administrativa

Sindpol orienta policiais civis a paralisarem serviços por 1 hora na segunda (22)

A diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas – Sindpol, seguindo a Cobrapol, orienta por paralisação nacional de uma hora, das 15 às 16 horas, na segunda-feira (22), em protesto contra as medidas do governo federal que atacam os direitos dos policiais civis.

A Cobrapol, que faz parte da União dos Policiais do Brasil – UPB, está engajada na mobilização contra a reforma administrativa (PEC 32), contra a Emenda Constitucional 109 (PEC 186) e pela vacinação dos policiais civis que até agora não foi definida pelo governo federal.

O presidente do Sindpol, Ricardo Nazário, ressalta que a PEC Emergencial (PEC 186) foi aprovada, prejudicando os direitos dos policiais civis. “Não foi levado em consideração que os policiais civis vêm realizando as atividades em meio a pandemia. A reforma administrativa vem para destruir os serviços públicos e a estabilidade do servidor público. Já não basta a reforma da Previdência, que retirou os direitos previdenciários da categoria e aumentou a alíquota previdenciária, sacrificando os aposentados, pensionistas e os futuros policiais civis. A maldade continua com o governo federal que não leva em consideração, a questão da atividade essencial da Polícia Judiciária”, destaca o presidente.

O dirigente ressalta que a diretoria do Sindpol, preservando a vida dos policiais civis, decidiu não convocar a categoria para o ato público em frente à Central de Flagrantes. A manifestação terá a presença de alguns diretores, evitando assim, a aglomeração de pessoas e risco aos familiares dos policiais civis, respeitando também o decreto do governo do Estado, que retomou a fase vermelha em Alagoas.

“O ato será nas redes sociais, e os policiais civis, que estiverem trabalhando em seus locais de trabalho, devem paralisar as atividades das 15 às 16 horas na segunda-feira (22)”, reforça Ricardo Nazário.

Nota da UPB

Em nota, a UPB informou que, graças à mobilização, conseguiu ao longo das últimas semanas evitar a redução de 25% do salário e da carga horária, além da vedação de direitos por dois exercícios financeiros após período de calamidade e vedações relacionadas às promoções e progressões.

A entidade registra a “indignação com a forma desproporcional por meio da qual a proposta continua atingindo o serviço público, entre eles, a área de segurança pública. O texto mantém vedações que poderão congelar vencimentos e a criação de novas vagas por até 15 anos, levando ao sucateamento do serviço público e das polícias brasileiras”.

A UPB informa que “jamais celebrou qualquer acordo com o governo federal, sendo sequer chamada para negociação nesse sentido”.

Fonte: Assessoria de Comunicação Sindpol/AL

Rússia deve deixar de usar o dólar e os sistemas de pagamento do Ocidente, diz chanceler russo

“Os riscos das sanções dos EUA precisam ser aliviados, mudando para moedas alternativas e deixando de usar o dólar”, disse Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia.

 “Os riscos das sanções dos EUA precisam ser aliviados, mudando para moedas alternativas e deixando de usar o dólar”, disse Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia.

Diante das sanções norte-americanas junto à Rússia e a China, o chanceler russo Sergei Lavrov instou os países a responderem aos “ataques”.

“Você vê como os Estados Unidos declaram sua tarefa de limitar as possibilidades de desenvolvimento tecnológico tanto da Rússia quanto da China”, disse o ministro.

O chanceler explicou que a vida obriga ambos Estados a construir uma linha de desenvolvimento econômico e social de forma a não depender dos “caprichos dos parceiros ocidentais”.

Segundo ele, “precisamos reduzir os riscos de sanções fortalecendo nossa independência tecnológica, mudando para pagamentos em moedas nacionais e em moedas mundiais, alternativas ao dólar”.

Fonte: Sputnik

Em seguida, ele instou Rússia e China a adotarem medidas para reduzir a influência dos EUA. “Precisamos deixar de usar sistemas de pagamentos internacionais controlados pelo Ocidente”, disse Lavrov.

O ministro disse que os EUA pretendem limitar o desenvolvimento tecnológico da Rússia e da China, por isso os dois países precisam fortalecer sua independência.

“Eles [EUA] estão promovendo sua agenda ideologizada com o objetivo de manter seu domínio, impedindo o desenvolvimento de outros países. Essa política vai contra a tendência objetiva e, como se costuma dizer, está do lado errado da história”, concluiu o chanceler.

Vídeos colocam imparcialidade do juiz do caso Samarco sob suspeita

Nos vídeos, obtidos com exclusividade pelo Observatório da Mineração, o juiz da 12ª Vara Federal de Minas Gerais admite que muita gente que não deveria receber nada vai receber e quem deveria receber vai ficar de fora.

Registros de reuniões feitas entre o juiz responsável pelo caso do desastre de Mariana e advogados do Espírito Santo em 2020 e 2021 indicam uma possível suspeição do juiz Mário de Paula Franco Júnior. Nos vídeos, obtidos com exclusividade pelo Observatório da Mineração, o juiz da 12ª Vara Federal de Minas Gerais admite que muita gente que não deveria receber nada vai receber e quem deveria receber vai ficar de fora. A informação é do portal UOL. 

Os encontros também revelam que Mário de Paula orientou uma comissão de São Mateus (ES) antes da sua criação em 2020 e, em janeiro de 2021, se reuniu com membros e advogados de comissões de várias cidades para acalmar os ânimos, garantindo a continuidade de pagamentos de indenizações. 

Fonte: Brasil 247

Europa submerge em outra onda de covid-19, impelida pelas novas variantes

Incidência de casos no continente aumentou 34% em três semanas. OMS alerta para a necessidade de não flexibilizar as medidas que evitam o contágio

França e Itália mais uma vez confinaram boa parte de sua população, enquanto a Alemanha suspenderá as tímidas aberturas planejadas para deixar para trás os mais de três meses de estritas restrições que o país vivencia. A terceira onda de coronavírus já está golpeando com força toda a Europa. Em três semanas, a incidência de casos no continente subiu 34%, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para a necessidade de não flexibilizar as medidas de prevenção de infecções. A vacinação avança muito lentamente e não será suficiente para evitar o aumento de casos graves e mortes, dizem os especialistas. As novas variantes do coronavírus, mais contagiosas, explicam em grande parte essa terceira onda, que em alguns lugares, como a Alemanha, ocorre apesar de o país ter mantido o fechamento da vida pública.

Joan Caylà, da Sociedade Espanhola de Epidemiologia, alerta que a Espanha também pode estar entrando na onda em que já está a maioria dos países europeus. Nesse caso, seria a quarta. Espanha e Portugal viveram o pico de sua terceira onda no final de janeiro. Caylà observa sobretudo o efeito que a França pode ter, pois é um país vizinho com o qual há muito intercâmbio. A França tem uma incidência de quase 500 casos por 100.000 habitantes em 14 dias, o que é praticamente o triplo da espanhola.

“Aprendemos que, se as medidas forem relaxadas, vai aumentar”, diz José María Martín Moreno, doutor em Epidemiologia e Saúde Pública pela Universidade de Harvard. “O problema é que esse bicho não entende de fronteiras. Estamos permitindo voos para países que têm uma situação complexa. Estamos vendo ondas e fluxos que vão passando de um país para outro, mas é natural, é um germe que passa de uma pessoa para outra. É por isso que é tão importante compreender que os países em desenvolvimento devem ser ajudados com vacinas; não só pela ética e pela solidariedade, mas porque não vamos sair disto até que o último país saia”, acrescenta.

Na Alemanha, onde a curva de novos casos passou a ser ascendente há três semanas, os especialistas já falam em “crescimento exponencial” e o atribuem em grande parte às novas variantes do vírus, como a britânica, que se espalhou por todo o país (já representa 75% dos casos analisados) e é mais contagiosa. O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, alertou em uma entrevista coletiva na sexta-feira que a Europa não tem vacinas suficientes para conter esta terceira onda. O continente viu seus planos de vacinação irem para o espaço pelo intervalo no uso da imunização da AstraZeneca. A maioria dos países europeus parou de aplicar a vacina após o surgimento de vários episódios de trombose. Na quinta-feira, a Agência Europeia de Medicamentos tomou a decisão de administrá-la novamente, após declarar que é “eficaz e segura”. Na melhor das hipóteses, perderam-se apenas quatro dias de vacinação. Alemanha, França e Itália, por exemplo, retomaram suas agendas no dia seguinte, sexta-feira. A Espanha, porém, ainda vai esperar até a próxima semana para injetar novamente o imunizante.

“Quase todos os países da Europa estão em ascensão, e muito alta, com enormes pressões para o setor da saúde”, diz Fernando Rodríguez Artalejo, professor de Medicina Preventiva da Universidade Autônoma de Madri. “Não é muito fácil entender o que está acontecendo, mas é provável que em toda a Europa tenha havido um relaxamento que também estamos vendo agora. Simplesmente por causa desse mecanismo de contágio social, com uma fase eufórica da vacinação, fadiga pandêmica, é normal que as pessoas relaxem, a gente está vendo isso. Não é tanto que venham infectados da Itália ou da França, mas provavelmente os fenômenos que estão subjacentes ali podem nos afetar, e esse é mais um motivo para manter a tensão.”

Depois de comprovar que as medidas cirúrgicas (confinamentos de fim de semana) impostas em algumas áreas não serviam para conter o vírus, o Governo francês decidiu esta semana aplicar um terceiro confinamento em Paris e em 15 outros departamentos com números preocupantes de internações hospitalares. Afetará 23 milhões de pessoas, durará um mês e as escolas permanecerão abertas. Cerca de metade dos italianos também viverá em áreas confinadas até pelo menos 6 de abril, de acordo com decisão de seu novo governo há poucos dias. O confinamento significa que todos os negócios não essenciais devem permanecer fechados e que só se poderá sair de casa por motivos de saúde ou de trabalho, ou para fazer exercícios, mas apenas perto de casa. A Itália tem uma incidência aproximada de 500 casos por 100.000 habitantes, de acordo com os dados mais recentes do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

Este órgão alerta em seu relatório mais recente que, no final da semana 10 (que se encerrou no domingo, 14 de março), 20 países do espaço econômico europeu relataram aumento no número de contágios diários e/ou na positividade dos testes, ou seja, na porcentagem com resultado positivo em relação ao total. Quando este indicador aumenta, isto significa que está sendo perdido o controle sobre a pandemia. Outros 15 países informaram o ECDC que as suas internações hospitalares e a ocupação de leitos na UCI estão crescendo. “Os valores absolutos dos indicadores continuam elevados, o que sugere que a transmissão ainda é generalizada”, diz o órgão europeu, que lembra ainda que os países que agora detectam que a incidência está aumentando verão as internações hospitalares e os óbitos aumentarem nos próximos semanas.

Fonte e foto: El País

Datafolha: 82% dos brasileiros têm medo de contrair o coronavírus

Em meio ao pior momento da crise sanitária no Brasil, com recordes de mortes e colapso hospitalar, 79% dos brasileiros dizem que pandemia está fora de controle, e 82% têm medo de contrair o coronavírus.

Em meio ao pior momento da crise gerada pela covid-19 no Brasil, que vive o que foi classificado como o maior colapso sanitário e hospitalar de sua história, 79% dos brasileiros acham que a pandemia está fora de controle no país, segundo levantamento do Instituto Datafolha divulgado nesta quinta-feira (18/03).

A parcela dos que veem a pandemia fora de controle é maior entre os mais pobres (82%), que ganham até dois salários mínimos, do que entre os mais ricos (69%), que ganham mais de dez salários mínimos.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, que publicou a pesquisa, mesmo entre os que vivem sem adotar nenhuma medida de isolamento social, a maioria vê a pandemia fora de controle. 

O Datafolha ouviu 2.023 pessoas por telefone em todos os estados do país em 15 e 16 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Medo do vírus é recorde

Diante de recordes de mortes diárias por covid-19, mais de 280 mil óbitos contabilizados, hospitais superlotados  e profissionais da saúde alertando para a falta de medicamentos utilizados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), 55% dos ouvidos pelo Datafolha disseram ter muito medo de contrair o coronavírus – a maior taxa registrada desde o início da pandemia, há um ano. Já a parcela dos que sentem apenas um pouco é de 27%, e somente 12% dizem agora não ter medo algum de serem infectados.

Fonte: DC.COM

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