Manifestação em frente ao Assaí, protesta contra discriminação racial ocorrida na loja da cidade de Limeira-SP
Ocorreu hoje, 15, uma manifestação organizada pelos movimentos sociais contra o racismo na cidade de Limeira, interior de São Paulo. Os participantes denunciaram o caso de racismo ocorrido no dia 6/8, onde um homem negro de 56 anos, foi acusada de furto por seguranças do atacadista Assaí.
A segurança do supermercado obrigou o homem a tirar todas roupas. O operário Luis Carlos da Silva teve que se despir para provar que não estava levando nada sem pagar. Dezenas de pessoas presenciaram e filmaram o caso.
Os manifestantes cobram punição ao supermercado Assaí por racismo e constrangimento ilegal.
Reportagem do Poral Uol mostra um desvio milionário nas Forças Armadas brasileiras. A reportagem Corrupção nos quartéis Ministério Público detecta desvios de R$ 191 milhões nas Forças Armadas mostra a corrupção por dentro da engrenagem militar e coloca no chão a crença de que as Forças Armadas são imunes corruptas.
Investigações conduzidas pelo MPM (Ministério Público Militar) e um levantamento inédito do STM (Superior Tribunal Militar) feito a pedido do UOL mostram, porém, que, assim como as demais instituições brasileiras, as Forças Armadas também sofrem com os casos de corrupção.
Para especialistas, além das denúncias de corrupção, o envolvimento das Forças Armadas com o bolsonarismo é outro fator de perda de prestígio da corporação.
People stand in front of a collapsed building following an earthquake, in Les Cayes, Haiti, in this still image taken from a video obtained by Reuters on August 14, 2021. REUTERS TV via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. MANDATORY CREDIT.
Ontem, dia 14, um terremoto de 7,2 graus na escala Richter atingiu o Haiti. Como se não bastasse a difícil situação atravessada pelo valente povo haitiano – uma sucessão de golpes de Estado a serviço dos interesses do imperialismo, a falta absoluta de vacinas para a Covid-19, a situação precária das infraestruturas e dos serviços públicos – agora ele sofre as consequências em nada naturais, de um terremoto.
As informações são ainda iniciais, mas se registram dezenas de mortos e muitos edifícios e casas que desabaram. Diante da imensa destruição, o povo hatiano vai necessitar de apoio e solidariedade internacional.
A responsabilidade pela inexistência de condições de infraestrutura e sanitárias diante de um fenômeno natural que ocorre repetidas vezes na região (recorde-se o terremoto de 2010 no Haiti) é exclusivamente dos sucessivos governos que, sob a capa protetora de tropas da ONU até 2017 e depois dos governos dos EUA e da OEA, seguem pilhando o povo haitiano ao mesmo tempo que lhe nega a soberania popular e a democracia.
O site Metrópoles informa que o “Ministério Público pediu ao Tribunal de Contas da União a apuração do repasse de R$ 3,1 milhões do governo federal para a TV Record. A verba seria destinada para a ‘preservação e digitalização’ do acervo da emissora, contudo, o mesmo já está todo digitalizado”.
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado pediu que o TCU apure para onde foi a grana do Fundo Nacional de Cultura, que visa estimular a produção cultural nos Estados e financiar projetos de aperfeiçoamento profissional, entre outros objetivos. Ele solicitou ainda a “responsabilização cabível em caso de comprovação de uso indevido de recursos públicos”.
O site Metrópoles relata que “a representação apresentada pelo MP afirma que o governo Jair Bolsonaro usa recursos públicos para favorecer a TV Record, uma de suas principais apoiadoras. Os privilégios dados para a emissora citada e para o SBT já foram apontados previamente em auditoria do TCU”.
Em abril passado, a mídia noticiou que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil – hoje transformada em TV Bolsonaro – havia pagado R$ 3,2 milhões à emissora do “bispo” Edir Macedo para exibir duas temporadas da novela bíblica “Os dez mandamentos”. A denúncia causou abalo na ocasião, mas depois sumiu do noticiário.
Natércia Lopes – Professora da Uneal e da Semed Maceió
Já não se pode confiar em ninguém se o poder é organizado como uma máquina funcionando de acordo com engrenagens complexas, em que é o lugar de cada um que é determinante, não sua natureza. […] trata-se de um aparelho de desconfiança total e circulante, pois não existe ponto absoluto (FOUCAULT, 2013, p. 332 – 333).
Quem está no poder tem a capacidade de influenciar e fazer com que as pessoas ajam de acordo com seus interesses. Para Weber (1995), os motivos que levam pessoas tida como esclarecidas a se sujeitarem aos caprichos de seus superiores vão desde a obtenção de vantagens particulares que se sobrepõem aos interesses do coletivo até a prática inveterada de se oprimir, ratificando Beauvoir (2005, p. 82), “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”.
Mesmo as instituições públicas tendo como prerrogativa zelar pelos princípios constitucionais: equidade e respeito à igualdade de direitos, elas não escapam desta realidade. Nem mesmo as instituições públicas de ensino, vistas como espaços de transformação social, estão afastadas destas práticas.
Para se manter no controle, de acordo com Weber (1995), alguns gestores usam da violência simbólica e até da violência física com o intuito de dominar, ou seja de encontrar obediência às suas ordens. A violência simbólica se apresenta de forma mais sutil. Nestas os indivíduos tentam persuadir outros a partir de uma ideia de poder desapercebida e naturalizada, um poder baseado na conveniência e que mascaram uma violência velada. O poder simbólico, para Bourdieu (2007, p. 14), é o poder de produzir o dado através da “enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, desse modo, a ação sobre o mundo, portanto o mundo, poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica)”.
Mas por que dentro de ambientes educativos, existem situações como estas? Para Foucault (2013), todos os grupos desenvolvem desejo de poder, a conquista da capacidade de disciplinar o saber orienta as ações dos grupos sociais e impulsionam diversos conflitos. Bourdieu (1983, p. 8), traz que “As teorias e as escolas, como os micróbios e os glóbulos, se devoram entre si e com sua luta asseguram a continuidade da vida”, a partir do momento que um grupo manifesta o desejo de poder, criam-se instrumentos para que suas vontades sejam atendidas, daí vem o uso da violência simbólica como forma de garantir suas vontades.
Os grupos que exercem a dominação buscam disciplinar o saber, ou seja, impor suas narrativas que se sobrepõem aos corpos excluídos, silenciados e invisibilizados. Porém, embora exista uma força aparentemente mais poderosa pelo cargo que ocupa, não significa que todos os grupos vão respeitar as imposições dessas hierarquias imaginárias.
Romper com esse ciclo de cabresto gera um conflito que vai nortear as disputas entre os diversos grupos. É uma ação necessária, mas que depende de um olhar vigilante, atento, e de discernimento. É preciso pensar formas de atuação que combatam práticas violentas, afinal as instituições de ensino devem se constituir como espaços democráticos e plurais de interação.
BEAUVOIR, Simone. Por uma moral da ambiguidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
BOURDIEU, Pierre. Campo de poder, campo intelectual. Buenos Aires: Folios, 1983. _______. O poder simbólico. 10 ed. Rios de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. São Paulo: Ed. Graal, 2013
WEBER, Max. Metodologia das Ciências Sociais. Parte 2. 2 ed. São Paulo: Ed. Cortez, 1995
Em tempos de pandemia e fome, o Movimento dos Sem Terra, realizou no dia 13, em Maceió, uma importante ação de solidariedade doando cerca de 20 toneladas de alimentos, vindo dos assentamentos e acampamentos do MST do estado de Alagoas, às famílias vítimas do crime ambiental da Braskem.
A ação ocorreu no bairro Bom Parto, onde os integrantes do MST entregaram alimentos como macaxeira, feijão, milho, além de outras frutas e raízes. A ação tem como objetivo levar comida saudável para moradores mais necessitados do bairro, que sofrem com os impactos da realocação urbana causado pela instabilidade no solo na região.
A ação de solidariedade faz parte das atividades da 12° Jornada da Juventude do MST que ocorre em todo o país, até o dia 14, e que em Alagoas, tem como objetivo denunciar o governo genocida de Bolsonaro, os crimes da Braskem e defender a agricultura familiar.
O governo de Jair Bolsonaro vai cortar verba de prefeituras e destruir o sistema público de creches
Uma das medidas do programa Auxílio Brasil para substituir o Bolsa Família é o corte de recursos destinados às prefeituras para a educação de crianças carentes, estabelecendo o pagamento de voucher (ajuda financeira) diretamente para creches privadas. Assim, Bolsonaro poderá depois a reduzir a quantidade de pessoas que terão acesso e/ou reduzir o valor do voucher.
No novo programa, ficam revogadas as disposições que obrigavam a União a repassar aos municípios uma ajuda financeira adicional para vagas em creches e desenvolvimento educacional de crianças de zero a dois anos de idade que sejam de famílias beneficiárias de programas sociais.
Agora, Bolsonaro quer que sejam feitos repasses de dinheiro público diretamente para as creches privadas credenciadas pelo governo.
Levantamento do Instituto Escolhas mostra que metal deixou o país sem registros adequados
No ano de 2020, das 110.591 toneladas de ouro exportadas pelo Brasil, 17% eram ilegais. Os dados são de um estudo do Instituto Escolhas, um think thank que desenvolve pesquisa sobre economia sustentável. O levantamento mostrou que 19.123 toneladas do minério não tiveram sua produção registrada ou não estavam vinculadas a algum título que autorizasse a extração. Entre os países que receberam estão Canadá, Suíça, Polônia, Reino Unido, Emirados Árabes, Itália e Índia.
O estudo aponta que o ouro ilegal foi exportado principalmente dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Amazonas, Distrito Federal e Goiás. Isso porque essas regiões ou não produziram o ouro ou exportaram muito mais do que sua produção, um indicativo de que estão vendendo ouro sem registro ou extraído em outros estados.
“A análise mostra que exportamos ouro ilegal em grande quantidade, por isso é urgente que tenhamos um sistema de rastreabilidade para o ouro”, disse Larissa Rodrigues, gerente de projetos e produtos do Instituto Escolhas. “Caso contrário, não será possível comprovar se ele foi produzido legalmente ou se veio de Terras Indígenas e Unidades de Conservação na Amazônia”, completou.
A partir da análise da produção e das exportações de ouro de cada estado, os pesquisadores constataram que os estados da Amazônia produziram muito mais ouro do que exportaram e estados de outras regiões, como a Sudeste, exportaram muito mais minério do que produziram.
Isso mostra, segundo o estudo, que as exportações excedentes dos estados do Sudeste incluem o ouro ilegal, que não possui registro de origem ou título minerário, além de parte da produção que vem da Amazônia e que também pode estar vinculada a ilegalidades que, por sua vez, podem estar impactando o meio ambiente e povos indígenas locais.
Mas não apenas o Brasil precisa ser vigilante, afirma o instituto. Os importadores também precisam assumir suas responsabilidades. “Os países importadores precisam exigir do Brasil a implementação de sistemas para controlar a legalidade das exportações”, pontua Rodrigues. Ela ressalta que o ouro é o principal item brasileiro da pauta de importação da Suíça, por exemplo, por isso as exigências devem ser feitas, já que a exposição à ilegalidade é alta.
Os dados para a realização da análise das exportações por estado foram retirados do Comex Stat, portal oficial das estatísticas de comércio exterior do Brasil. Para a produção do minério por estado, foram feitas estimativas de volume com base nos dados de recolhimento da Contribuição Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) disponibilizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
Protestos violentos no país têm origem na pobreza e na fome, não na prisão de Jacob Zuma
*Por Lybon Mabassa, presidente do Partido Socialista da Azânia
Há que se questionar a causa dos protestos violentos e a razão pela qual nosso povo tem saído às ruas para protestar dessa forma. Os que foram corajosos para desafiar a mídia identificaram a pobreza e fome como a verdadeira causa. No entanto, a retórica oficial diz que tudo o que está acontecendo foi desencadeado pela prisão do ex-presidente do Congresso Nacional Africano (CNA) e do país, Jacob Zuma.
De nossa parte, entendemos que a corrupção é inerente ao sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção, no qual lobos comem lobos. É um sistema sem escrúpulos, motivado pelo desejo de rápido enriquecimento individual à custa de tudo e de todos. Esse sistema econômico foi privilegiado e escolhido pelo partido no poder, sob as ordens do imperialismo internacional, hoje encabeçado pelos Estados Unidos.
Na África do Sul, a pilhagem é um fenômeno constante no governo do CNA. É impossível nomear um único representante do partido no poder que não esteja envolvido nessa tendência. Para eles, pilhar é quase tão fácil quanto respirar.
Todos os dias ouve-se falar de corrupção de membros do governo, bilhões de rands [moeda sul-africana] evaporam, e mesmo assim nenhum deles é acusado, condenado e preso. Pode-se ler a história dos descalabros financeiros na Eskom, SAA, Denel, a lista é interminável. Essas empresas ruíram em virtude da espoliação e de desfalques escandalosos cometidos em plena luz do dia por executivos nomeados pelo partido no poder. (…)
Hoje, todo o país sofre com apagões devido à corrupção e à pilhagem máxima. A política do partido no poder nada mais é do que um esquema para enriquecimento rápido. É comum que ministros e alguns altos funcionários fiquem ricos de um dia para outro. A questão da prisão de Zuma é na verdade uma cortina de fumaça para encobrir a real cólera do povo, que vive no país mais desigual do mundo, em condições miseráveis, sem terra, sem moradia e sem sistema de saúde adequado.
Povo se ergueu Ao longo dos anos, o CNA fomentou a pobreza e a miséria da esmagadora maioria da população e até se gabou disso, dizendo que enquanto houvesse pobreza permaneceria no poder. O governo continua a acreditar no poder das cestas básicas, mas não consegue entender que as pessoas querem mais do que isso. O CNA não entendeu que o monstro que criou e alimentou poderia um dia se voltar contra ele. O povo sempre terá a possibilidade e a capacidade de erguer e de reivindicar. O som de sua voz agora é alto e claro: somos pobres e estamos com fome.
Apesar da origem da mobilização inicial, o povo conseguiu impor suas verdadeiras reivindicações, derrotando aqueles que se propuseram a manipulá-los.
Com ou sem Zuma, o que acontece hoje era inevitável. Centros comerciais foram construídos no país em meio a uma pobreza insuportável. Esses shoppings centers são cercados por uma urbanização descontrolada, estimulada por motivos eleitorais. A grande maioria da população que mora no entorno desses centros comerciais está desempregada, e esses jovens estão entre os 74,9% desempregados da África do Sul. Eles ainda sonham e esperam encontrar um emprego que lhes permita comprar nesses shoppings. Isso não corresponde aos planos e aspirações da oligarquia dominante, que continuará a prosperar se sua situação permanecer inalterada. (…)
O verdadeiro culpado é o governo de ladrões, que continua a roubar bilhões de rands. Os membros do governo que tomaram emprestados 500 bilhões de dólares do FMI e do Banco Mundial e dividiram entre si, depois de dizer que o dinheiro havia sido emprestado em nome de nosso povo para ajudar a combater a pandemia de Covid-19.
O governo não apenas roubou o dinheiro, foi ainda mais longe ao se submeter à tirania das patentes; como na Índia, a vacina é produzida na África do Sul, mas não em benefício da população, e sim das grandes corporações farmacêuticas estrangeiras, já que enfrentamos uma devastação total em nosso país.
O saque e o incêndio de shoppings centers mostram o real problema de um governo que não tem feito do povo a sua prioridade (…).