Bahrein expulsa embaixador de Israel e corta laços econômicos

(COMBO) This combination of pictures created on September 11, 2020, shows (L) Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu in Jerusalem on August 13, 2020, and (R) Bahrain's King Hamad bin Isa Al Khalifa in the Saudi capital Riyadh on May 21, 2017. - US President Donald Trump announced todaya "peace deal" between Israel and Bahrain, which becomes the second Arab country to settle with its former foe in just the last few weeks. (Photos by Abir SULTAN and Mandel NGAN / various sources / AFP)

O Bahrein chamou de volta seu embaixador em Israel e suspendeu os laços econômicos com Tel Aviv, anunciou o parlamento do país na quinta-feira.

A declaração publicada no site do parlamento do Bahrein confirmou que o embaixador israelense deixou o Bahrein, enquanto o Bahrein chamou de volta o seu embaixador de Israel e decidiu suspender todas as relações econômicas com Israel.

Acrescentou que a sua decisão de destituir o seu enviado e suspender as relações econômicas se baseia na “postura sólida e na histórica do reino que apoia a causa palestina e os direitos legítimos do povo palestino”.

Em setembro de 2020, o Bahrein assinou o Acordo de Abraão com Israel e os Emirados Árabes Unidos nos EUA com o seu anfitrião, o então presidente Donald Trump.

O objetivo do acordo era normalizar os laços entre as duas nações árabes e Israel – e mais tarde o Sudão e o Marrocos.

Os acordos mediados pelos EUA, destinados a obter um reconhecimento mais amplo de Israel no mundo árabe, abriram caminho para acordos comerciais e cooperação militar com o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos a partir de 2020.

A Jordânia determinou na quarta a saída de seu embaixador em Tel Aviv de Israel, em protesto contra a ofensiva militar na Faixa de Gaza. A medida representa uma das maiores derrotas diplomáticas de Netanyahu e, segundo especialistas, podia desencadear um efeito cascata entre países árabes na região.

Ayman Safadi, ministro das Relações Exteriores da Jordânia, afirmou que a decisão será mantida até o fim do conflito e da crise humanitária em Gaza. O embaixador israelense em Amã, por sua vez, havia deixado o território jordaniano há duas semanas alegando motivos de segurança e está proibido de voltar.

Fonte: DCM

Pastor é preso com 300kg de maconha no MS

Allan Koch, de 44 anos,

Allan Koch, de 44 anos, é pastor e também policial penal. Ele foi preso em flagrante na segunda-feira (30) com quase 300 quilos de drogas, duas pistolas e 91 munições em Dourados, no Mato Grosso do Sul. O agente, que trabalhava no Presídio Estadual de Dourados (PED) desde 2017, era pastor e ministrava palestras contra o uso de drogas.

Formado em teologia, o pastor deu uma palestra sobre conscientização, prevenção das drogas e da criminalidade em agosto.

O pastor e policial foi abordado por uma equipe do DOF (Departamento de Operações de Fronteiras) ao chegar em sua casa. No imóvel, os policiais encontraram cerca de 290 quilos de maconha e 3 quilos de cocaína.

Já havia suspeita de que o agente estava envolvido com o tráfico de drogas. Após a prisão em flagrante, ele foi conduzido para a Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron).

Fonte: DCM e O Dia

Desemprego cai para 7,7% em setembro, menor taxa desde 2015, diz IBGE

Segundo dados do IBGE, desemprego no país atingiu 8,3 milhões em setembro deste ano, queda de um ponto percentual ante setembro de 2022

A taxa média de desemprego no Brasil ficou em 7,7% no trimestre encerrado em setembro deste ano, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta terça-feira (31/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em agosto de 2023, o índice havia ficado em 7,8%.

O desemprego recuou um ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado, quando estava em 8,7%. Trata-se da menor taxa de desemprego desde o trimestre móvel terminado em fevereiro de 2015.

A taxa de desemprego veio em linha com as estimativas do mercado. O consenso Refinitiv, que reúne as principais projeções, estimava índice de desocupação exatamente de 7,7%.

A população desocupada (8,3 milhões) recuou tanto na comparação trimestral (-3,8%) quanto na anual (-12,1%).

Já a população ocupada (99,8 milhões) cresceu 0,9% em relação ao trimestre anterior e 0,6%, na comparação com o mesmo período de 2022. É o maior contingente de ocupados desde o início da série histórica, em 2012.

Desempenho por atividade

Na comparação com o trimestre móvel anterior, de acordo com o levantamento do IBGE, houve aumento da população ocupada no segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (3,5%). Os demais grupos não apresentaram variação significativa.

Rendimento real

O rendimento real habitual foi de R$ 2.982 em setembro, segundo o IBGE. Na comparação com o trimestre móvel anterior, houve aumento do rendimento real na indústria (5,3%) e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,7%). Os demais segmentos não tiveram variação significativa.

Em relação ao mesmo período de 2022, houve aumento do rendimento real nas seguintes categorias: indústria (6,3%) alojamento e alimentação (12,3%) administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (4,2%) e serviços domésticos (3,9%). Os demais segmentos não apresentaram variação significativa.

Análise

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílio do IBGE, a queda do desemprego em agosto consolida a recuperação do mercado de trabalho no pós-pandemia, com o aumento do número de pessoas trabalhando.

“A queda na taxa de desocupação foi induzida pelo crescimento expressivo no número de pessoas trabalhando e pela retração de pessoas buscando trabalho no terceiro trimestre de 2023”, explicou Beringuy.

“Em relação ao trimestre móvel anterior, mais da metade das pessoas que foram inseridas no mercado de trabalho foram provenientes do crescimento da carteira assinada. Isso fez com que a expansão da ocupação formal fosse muito maior que a da informal.”

Para Maykon Douglas, economista da Highpar, “os dados reforçam a trajetória dos últimos meses e a avaliação de resiliência do emprego e da renda ao longo do ano, que explicam boa parte da expansão do consumo das famílias”. “Esperamos um leve aumento da taxa para 8% até o fim do ano”, pondera.

Igor Cadilhac, economista do PicPay, afirma que “a leitura qualitativa do indicador é a de que o mercado de trabalho segue forte e com uma composição saudável, recuperando suas características intrínsecas”.

“Olhando à frente, entendemos que os efeitos defasados da política monetária contribuirão para um aumento da taxa de desemprego, que ainda resistirá em patamares historicamente baixos por mais um bom tempo. Para 2023, projetamos taxa média de desemprego de 8,1%”, diz.

Principais resultados da pesquisa

  • Taxa de desocupação: 7,7%
  • População desocupada: 8,3 milhões de pessoas
  • População ocupada: 99,8 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,8 milhões
  • População desalentada: 3,5 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 37,4 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,3 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 25,5 milhões
  • Trabalhadores domésticos: 5,8 milhões
  • Trabalhadores informais: 39 milhões
  • Taxa de informalidade: 39,1%

Diferença em relação ao Caged

Ao contrário do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que considera apenas os trabalhadores com carteira assinada, a pesquisa do IBGE mede a taxa de desemprego entre todos os trabalhadores na economia, incluindo o mercado informal.

Na segunda-feira (30/10), foram divulgados os dados do Caged referentes a setembro. O Brasil criou 211.764 empregos com carteira assinada no período, acima do esperado.

Fonte: Metrópoles

Bolsonaro é condenado de novo pelo STF

Presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio do Alvorada 05/05/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

Maioria do TSE condena Bolsonaro por uso político do 7 de setembro

A maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) votou nesta terça-feira (31) pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo uso eleitoreiro das comemorações de 7 de setembro de 2022.

É a segunda condenação de Bolsonaro à inelegibilidade por oito anos. Contudo, o prazo de oito anos continua valendo em função da primeira condenação e não será contado duas vezes. O ex-presidente está impedido de participar das eleições até 2030.

Até o momento, por 4 votos a 1, prevalece na votação a manifestação do relator, ministro Benedito Gonçalves. No voto proferido na sessão de 24 de outubro, o ministro citou as irregularidades que Bolsonaro cometeu durante o 7 de setembro em Brasília e no Rio de Janeiro. 

Entre elas as ilegalidades, Gonçalves citou a autorização do governo para que tratores de agricultores apoiadores do ex-presidente participassem do desfile militar e para entrada de um trio elétrico na Esplanada dos Ministérios para realização do comício de Bolsonaro após o desfile. 

No caso do general Braga Netto, vice na chapa de Bolsonaro, a votação está indefinida. O placar é de 3 votos a 2 pela inelegibilidade.

O voto do relator foi seguido pelos ministros Floriano de Azevedo Marques, André Ramos Tavares e Cármen Lúcia. Raul Araújo votou pela rejeição da ação contra Bolsonaro. 

A sessão continua para a tomada dos votos dos ministros Nunes Marques e Alexandre de Moraes. 

Bolívia rompe relações diplomáticas com Israel por genocídio em Gaza

O governo da Bolívia rompeu os laços diplomáticos com Israel nesta terça-feira (31), informou o Ministério das Relações Exteriores boliviano em uma coletiva de imprensa.

A decisão foi anunciada pela ministra da presidência, María Nela Prada, e pelo vice-chanceler Freddy Mamani.

“A Bolívia decidiu romper relações diplomáticas com o Estado de Israel. Diante disso, vamos comunicar oficialmente, através dos canais diplomáticos estabelecidos entre os dois países, este comunicado alinhado com os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas”, declarou Mamani.

O vice-chanceler afirmou que o rompimento das relações diplomáticas é “um repúdio e condenação da ofensiva militar israelense agressiva e desproporcional que está sendo levada a cabo na Faixa de Gaza”.

A Bolívia é o primeiro país da América Latina a fazer isso.

Em 2009, o governo boliviano havia rompido com Israel em protesto contra seus ataques à Faixa de Gaza. Em 2020, o governo da presidente Jeanine Anez restabeleceu as relações.

O ex-presidente Evo Morales defendeu no último dia 20, em mensagem endereçada ao presidente Luis Arce, que o país rompesse os laços com Israel “diante da horrorosa situação que sofre o povo palestino”.

Morales ainda solicitou outras medidas, a exemplo de “declarar Israel como um Estado terrorista” e apresentar uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por “crimes de guerra e de lesa-humanidade”.

O político também solicitou que a Bolívia enviasse ajuda humanitária à Faixa de Gaza. “Devemos compartilhar o pouco que temos com nossos irmãos palestinos”, assinalou.

Fonte: DCM

É preciso deter a mão assassina do estado sionista de Israel!

Luiz Gomes – Professor da Uneal

Em sua ofensiva contra o povo palestino, o estado sionista de Israel já assassinou mais de 10 mil pessoas, sendo a maioria crianças e adolescentes. A pretexto de combater o Hamas, Israel bombardeia prédios, escolas e hospitais. Promove todo tido de atrocidade e segue com sua política de genocídio contra os palestinos.

Mas, porque Israel comete todo tipo de crime de guerra e segue impune? Israel é um estado vassalo dos Estados Unidos no Oriente Médio, bancado por bilhões de dólares para ser um fator permanente de desestabilização da região inteira.

Nesse momento em que por terra, por mar e por, o estado sionista de Israel pretende esmagar o povo palestino, é preciso fortalecer as mobilizações de massa, que tem ocorridas no mundo inteiro, exigindo o cessar-fogo imediato e o fim do bloqueio à Gaza.

O objetivo de Israel em dificultar a entrada de ajuda humanitária e força o deslocamento de milhares de palestinos de Gaza, é provocar a maior mortandade possível e se apoderar da Faixa de Gaza, empurrando os palestinos para mais um campo de refugiados.

O o povo palestino tem direito a viver em paz em toda Palestina, em um estado laico, onde as componentes palestina e judia, tenham os mesmos direitos.

MST doa 2 toneladas de alimentos para vítimas na Faixa de Gaza

As primeiras doações foram enviadas nesta segunda-feira (30), pelo avião da Força Aérea Brasileira (FAB), com cerca de 2 toneladas de arroz, farinha de milho e leite

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) doou cerca de duas toneladas de alimentos para as vítimas da crise humanitária na Faixa de Gaza. Entre os alimentos, estão o arroz, farinha de milho e leite em pó. O carregamento foi levado por avião da Força Aérea Brasileira (FAB) nesta segunda-feira (30).

Além desta doação, o Movimento diz que pretende enviar 100 toneladas de alimentos para a Palestina, em ação viabilizada pelo apoio do Ministério das Relações Exteriores, a partir do governo federal, em novas contribuições para os esforços internacionais de assistência humanitária.

A ação pretende atender parcela das cerca de 2,2 milhões de pessoas que vivem na Faixa de Gaza, que sofrem uma grave crise humanitária causada pelos bombardeiros de Israel e pelo cerco imposto ao enclave palestino, em meio à escassez de água, gás de cozinha e alimentos.

A dirigente nacional do MST, Cássia Bechara, ressaltou a importância da solidariedade ao povo palestino: “As pessoas que não estão morrendo nos bombardeios estão sob profundo risco de morrer de fome, de falta de água potável e por falta de alimentação”, afirmou ao destacar a urgência das ações.

Desde o dia 21 de outubro começou a entrar ajuda humanitária pela fronteira com o Egito, mas as organizações que atuam em Gaza defendem que o volume é insuficiente para atender a população local. “Então, agora, nesse momento central para todo o povo brasileiro, é exigir o cessar fogo e garantir a solidariedade à população de Gaza”, afirmou Bechara.

Fonte: Jornalistas Livres

PROFESSORA É PERSEGUIDA POR APOIAR INCLUSÃO DE ALUNA TRANS EM ESCOLA PÚBLICA DE SC

Inflamada por políticos de direita, fake news sobre banheiro unissex causa revolta entre pais e um inferno na vida de uma orientadora.

NO DIA SEGUINTE AO PRIMEIRO TURNO das últimas eleições, a orientadora educacional Juliana Andozio, da Escola de Educação Básica de Muquém, em Florianópolis, foi confrontada pela mãe de dois estudantes. A mulher estava indignada por uma aluna trans de 16 anos, do nono ano, utilizar o banheiro feminino. Conforme relato da orientadora no boletim de ocorrência, a mãe, exaltada, chegou à escola para ameaçá-la, utilizando expressões como “você não vale nada” e “passa pano para coisas erradas dentro da escola”. 

Segundo Andozio, seis famílias queriam saber “qual banheiro a aluna trans usava”. “Queriam proibir as discussões sobre gênero na escola. E sobre orientação sexual, diversidade, a questão da mulher, da democracia, do grêmio estudantil”, afirmou. A orientadora foi denunciada à Ouvidoria Geral do Estado por outra mãe por comportamento antiético. A mãe alegou que a orientadora teria chamado seu filho de machista e homofóbico. 

Andozio, então, procurou o Núcleo de Educação e Prevenção às Violências na Escola, o Nepre, da Coordenadoria Regional da Grande Florianópolis, para mediação dos conflitos. A desavença foi temporatiamente resolvida – até que, no ano seguinte, as famílias alegaram que Andozio estaria promovendo doutrinação ideológica, com a implantação de um banheiro unissex e a indução de sexualização de crianças na escola. 

Nos primeiros dias de 2023, a orientadora educacional visitou as salas para compartilhar informações sobre as atividades planejadas para o período, incluindo a criação do grêmio estudantil. Ela falou sobre o Disque 100, canal destinado à denúncia de violações dos direitos humanos. Ela relatou ter, mais uma vez, enfrentado resistência das famílias.

Em 10 de fevereiro, outra mãe ameaçou agredir a servidora durante uma reunião, questionando seu trabalho na prevenção da violência na escola e desaprovando a conduta da orientadora por afirmar aos alunos que “os pais devem respeitar seus filhos”. “Aqui você é funcionária, na rua é outra coisa […] te pego na porrada”, teria dito a mulher. O caso foi registrado pela orientadora no B.O. 

A Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina, então, anunciou em 17 de fevereiro o afastamento da servidora por 60 dias, com remuneração integral, alegando riscos à sua segurança. Uma semana depois, foi publicada a portaria que instaurou um processo administrativo disciplinar contra ela. Andozio é acusada de falta de ética, doutrinação política e de ter chamado um aluno de homofóbico e machista.

Reclamações têm transfobia como pano de fundo  

A chefe de padaria Bruna da Silva, mãe solo de dois meninos e da adolescente trans, disse que a escola tentou amenizar a situação para sua família. “Elas [diretora e orientadora escolar] tentavam me proteger. Diziam que eu era tão legal e tinha tanto cuidado com a minha filha. Então, sempre cuidaram muito. Eu soube mesmo [do conflito] quando estourou”.

A filha de Silva está na escola desde a infância e, em 2016, teve seus registros escolares alterados para incluir o nome social. Aos 16 anos, iniciou a transição hormonal com o acompanhamento do Ambulatório Trans de Florianópolis. Mas, nessa fase, evitava usar o banheiro feminino por medo de rejeição. Após uma conversa entre família e escola, a adolescente passou a usá-lo, desencadeando discussões sobre o uso de acordo com a identidade de gênero.

Em resposta às reclamações, a orientadora informou às famílias que a escola tem como premissa ser acolhedora e inclusiva, seguindo a legislação nacional. “Temos uma série de documentos que nos orientam a fazer o debate constitucional das diferentes famílias, de acolher todas as pessoas, independentemente da sua orientação, da sua raça. A Proposta Curricular de Santa Catarina, bem como a Base Nacional Comum Curricular, têm a diversidade como princípio formativo”, afirmou. 

A orientadora comunicou o Conselho Tutelar Norte sobre as reclamações em 21 de outubro de 2022. A Secretaria de Educação confirmou ao Intercept que “compreende a diversidade como princípio formativo do currículo da educação básica”. 

Apesar disso, as situações de constrangimento a Andozio só aumentaram. Em diferentes declarações nas casas legislativas e nas redes sociais, parlamentares como o vereador João Paulo Ferreira, do União Brasil, conhecido como Bericó; a vereadora Maryanne Mattos, do PL; e o deputado estadual Sargento Lima, também do PL, atribuem à profissional a responsabilidade pela criação de um banheiro unissex e pela suposta indução da sexualização de crianças. 

Durante a transição de sua filha, Silva reconheceu publicamente o apoio da escola em suas redes sociais. Ela enfatizou que a escola acolheu a adolescente, mas não interferiu na transição, contrariando as alegações feitas pelos parlamentares.

“Eles [pais e parlamentares] falam como se a Juliana tivesse interferido, tivesse feito uma hormonização. Não. A escola abraçou [minha filha], mas nunca se envolveu nessa transição”, afirmou em entrevista. A instituição tampouco implementou um banheiro unissex – não há orientação normativa a respeito disso na rede estadual de ensino.

Orientadora foi suspensa sem remuneração

Como resultado do processo administrativo, a orientadora especializada em gênero e diversidade foi suspensa por 15 dias sem remuneração, conforme divulgado no Diário Oficial. A comissão de avaliação do caso considerou que a profissional faltou com a ética profissional por usar “um linguajar que não condiz com a sua função”.  

Uma testemunha não identificada afirmou no relatório conclusivo que a servidora teria dito “quem gosta de comer banana tem que comer banana, melancia tem que comer melancia e que, se ninguém aceitar, é para discar 100”. 

A orientadora contesta a interpretação: “Disse que iríamos fazer o grêmio neste ano e que eles iriam aprender a democracia na prática. Surgiu a pergunta de como seria isso, usei fruta como exemplo pedagógico. Falei que se você gosta de melancia e o outro gosta de banana, você não vai brigar com o seu colega, vocês vão continuar comendo as suas frutas preferidas, vão continuar conversando, que isso é democracia”, detalha Andozio. 

O assessor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores da Educação e advogado da servidora, Rodrigo Timm, argumentou que a fala foi retirada de contexto. “Se um professor for tolhido por dizer o óbvio, a gente vai estar limitando a liberdade de cátedra, que é um princípio base da educação brasileira”.

O relatório não confirmou o uso de adereços políticos pela servidora, nem sua manifestação política e ideológica na escola. A acusação de doutrinação político-partidária não se sustentou, embora o documento tenha sugerido que o simples uso de uma camiseta do sindicato poderia ser interpretado como manifestação política. Durante a investigação, a orientadora afirmou ter usado a camiseta em sala de aula. 

Para Rodrigo Timm, as famílias buscaram limitar a liberdade de expressão da educadora, especialmente relacionada a posicionamentos políticos fora do ambiente escolar. Nas últimas eleições, Andozio fez campanha para a chapa Lula e Alckmin no bairro e nas redes sociais. Em 19 de outubro, o Juizado Especial de Fazenda Pública de Santa Catarina determinou a anulação do processo administrativo. De acordo com a decisão, o processo está repleto de ilegalidades. O estado ainda pode recorrer.

Parlamentares também constrangeram orientadora

Políticos de direita e extrema direita desempenharam papel significativo na promoção de uma narrativa de pânico moral e preconceito contra a orientadora. O vereador Bericó ganhou destaque nas redes sociais e na Câmara Municipal de Florianópolis por ataques à profissional e aos direitos das pessoas trans. O parlamentar tem conexão pessoal com a escola, onde seu filho é aluno, e com a região, que constitui seu reduto eleitoral. Lá, ele conseguiu 1.402 dos 2.172 votos que o elegeram em 2020.

Em 1º de março, ele utilizou a tribuna durante uma sessão ordinária para mobilizar a base contra Andozio. “Professor é professor. Tem que ensinar matemática, português, biologia. Não ideologia de gênero”, disse. Ele ainda parabenizou o deputado estadual Sargento Lima, que foi responsável por levar as denúncias contra a orientadora à Secretaria de Estado da Educação. 

Em um vídeo publicado no seu Instagram em 8 de maio, Bericó questionou a competência da orientadora. “A Juliana tentou implementar no colégio do Muquém o tal do banheiro binário, banheiro trans. Enfim, ela quis botar um menino com a menina, tudo junto. Para ela, tudo vale”. Em outra publicação, ele insultou a orientadora como “mau-caráter”. 

Já o deputado estadual Sargento Lima usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em 15 de março, para engrossar o coro das alegadas induções à sexualização na escola. “Fosse a minha neta, uma das minhas enteadas, meu filho, numa hora dessa, um suplente estaria assumindo a minha vaga aqui, porque eu estaria na cadeia”, ameaçou. Posteriormente, o vídeo foi levado às redes sociais. 

Em abril, a vereadora Mayanne Terezinha Mattos também entrou no debate, acusando a orientadora de “doutrinação” nas escolas e alegando que ela prioriza suas agendas políticas em detrimento da educação e da segurança das crianças. 

As fake news, o discurso de ódio e as agressões contra a orientadora não se limitaram ao ambiente virtual. Após o seu retorno à escola, em 28 de abril, grupos de pais explodiram fogos de artifício em direção ao prédio da instituição como forma de intimidação. Em 2 de maio, a saída de Andozio só foi possível com escolta da polícia. 

Mesmo assim, o seu carro foi alvo de ovos, pedras, limões e xingamentos, até de cunho sexual. Em um dos vídeos do ataque, uma das pessoas grita: “É para matar mesmo!”. Nos dias 4 e 5 do mesmo mês, as aulas noturnas foram canceladas por falta de segurança. 

Devido à tensão extrema, a educadora teve que se afastar novamente em 9 de maio. Dessa vez, por motivos de saúde. “Fiquei bastante receosa e constrangida. Eu me senti humilhada. Tive crise de pânico, fui à  psiquiatra, e ela me afastou para fazer um tratamento”, contou a servidora.

A educadora registrou sete boletins de ocorrência contra três mães e um pai de estudantes da escola, que representam quatro famílias, além dos três parlamentares. A servidora denunciou crimes de ameaça, injúria, difamação, calúnia e desacato. Os pais também registraram cinco denúncias por injúria, difamação, calúnia e ameaça contra a orientadora.

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que há um inquérito em curso na 8ª Delegacia de Polícia. Devido às características do caso e por adolescentes estarem envolvidos, a delegacia não revelou mais detalhes. 

Em 26 de setembro, os quatro pais envolvidos e a orientadora chegaram a um acordo, formalizado por meio de um termo de compromisso de respeito mútuo durante uma audiência conciliatória. Até o momento, a audiência de conciliação com o vereador Bericó não foi agendada. O Ministério Público de Santa Catarina investiga a ocorrência que envolve o deputado estadual Sargento Lima.

A educadora busca responsabilização pela violação da sua honra e da sua imagem. “A gente entende que os parlamentares deverão ser condenados por todo o dano moral que geraram. Também requeremos que se retratem nas redes sociais para ter um caráter pedagógico”, explicou seu advogado. 

Ao Intercept, o Conselho Tutelar da Região Norte de Florianópolis destacou por e-mail, que, devido à natureza sigilosa dos casos, não pode fornecer detalhes. No entanto, ressaltou parcerias de trabalho com Andozio, sem observações negativas sobre sua conduta profissional.

Fizemos contato com os pais dos estudantes envolvidos no caso. Porém, eles não quiseram contar a sua versão dos eventos. Nenhum dos parlamentares citados quis se manifestar.

Escola sem partido 

Em 31 de julho, a portaria nº 2082 criou um grupo de trabalho para acompanhar a escola até dezembro. A medida faz parte de um plano de ação da Secretaria de Estado da Educação para mediar conflitos, visando melhorar o clima organizacional e o relacionamento na escola.

A vereadora Maryanne Mattos, do PL, atribuiu a criação do grupo à Lei 18.637/2023, conhecida como a Lei da Escola Sem Partido, na sessão de 22 de agosto na Câmara Municipal de Florianópolis. “No nosso estado, não pode ter militância”, disse. 

Sancionada em fevereiro pelo governador Jorginho Mello, a norma estava sob julgamento em uma Ação Direta de Constitucionalidade proposta pelo Psol no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Porém, na quarta-feira, 18, o judiciário decidiu por maioria pela improcedência da ação. 

O doutor em direito e advogado responsável pela ADI, Rodrigo Sartoti, disse que vai recorrer ao Supremo. “A lei é inconstitucional, porque coloca vários embaraços ao exercício da docência, que chamamos de liberdade de cátedra”, afirmou. A Corte declarou inconstitucionais leis inspiradas no Escola Sem Partido em ao menos 10 casos.

Cerca de um ano após a primeira queixa transfóbica relacionada ao uso do banheiro, a situação persiste na escola. Em 4 de setembro, Bruna da Silva e sua filha foram chamadas pelo grupo de trabalho. Segundo a mãe, os funcionários da Secretaria de Estado da Educação sugeriram que a aluna usasse o banheiro das professoras ou para pessoas com deficiência, alegando falta de lei que garanta o uso correspondente à identidade de gênero.

‘Ela é uma menina trans, cabe à escola aceitar e incluir’.

A mãe da estudante relata que a abordagem foi intimidadora, mencionando riscos e desafios enfrentados por mulheres trans. “Fizeram um terrorismo na cabeça dela. Eu me senti muito mal da minha família ouvir todas aquelas coisas. A minha filha tem peito, toma hormônio, é uma mulher. Como ela vai entrar em um banheiro masculino?”, questionou Silva. 

A pós-doutora em democracia e direitos humanos da Universidade de Coimbra, Melina Fachin, considera a sugestão do grupo de trabalho discriminatória e segregacionista. “A jurisprudência e os princípios de igualdade e dignidade da pessoa humana destacam a importância de respeitar a identidade de gênero das pessoas trans e garantir seu acesso igualitário a instalações públicas, como banheiros”, afirmou a advogada, que também é professora da Universidade Federal do Paraná. Para ela, caso seja proibido à estudante usar o banheiro feminino de uma escola pública, o estado estaria cometendo múltiplas violações. 

O tratamento social das pessoas trans tramita no STF por meio do Recurso Extraordinário nº 845.779, que tem repercussão geral – ou seja, a decisão afetará casos semelhantes. Até o momento, os ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin votaram a favor do direito das pessoas trans usarem banheiros de acordo com a sua identidade de gênero. 

Andozio, que até então evitava chamar a família de Silva à escola, diante das dificuldades enfrentadas por ambas, também participou da reunião. Segundo a orientadora, ela e a gestão da escola fizeram “a defesa da estudante e decidimos que não vamos aceitar o banheiro alternativo que eles querem colocar. Ela é uma menina trans, cabe à escola aceitar e incluir”, defendeu. 

Durante a reunião, o grupo de trabalho aconselhou a família a redigir uma solicitação oficial à secretaria para garantir o direito da estudante de usar o banheiro feminino. O documento foi enviado em 5 de setembro, e Silva garantiu que, se houver recusa, ela tomará medidas legais.

Andozio destacou uma preocupação que permanece: “Como o uso de banheiros por pessoas trans está sendo abordado nas escolas brasileiras? Não basta apenas conceder o direito ao nome social. É crucial garantir que, ao utilizarem espaços como banheiros, esse direito seja respeitado integralmente”. 

A filha de Silva não é a única estudante trans na escola, tampouco é a única aluna trans da rede nacional de ensino. Portanto, a mãe acredita que essa luta não se restringe à menina: “Várias outras mulheres e homens trans têm esse direito”.

Fonte: The Intercept Brasil

Israel promove carnificina de palestinos em ataque por terra, mar e ar em Gaza

Tanques de guerra de Israel avançam na principal cidade do território da Faixa de Gaza. Este é o quarto dia de operação terrestre de Israel dentro do território palestino.

Israel iniciou uma grande investida em Gaza na noite de sexta-feira (27) e exigiu para que os civis se deslocassem do Norte para o Sul. No entanto, muitos palestinos continuaram na Cidade de Gaza com medo de perder as suas casas. Assustados com os ataques, eles passaram a buscar abrigo ao lado de milhares de feridos.

O objetivo do Estado sionista de Israel, ao deslocar a população de Gaza para Sul, é se apropriar do território palestino de Gaza, abrindo caminho para ocupação total de região.

Testemunhas também disseram para a agência de notícias AFP que tanques de guerra entraram nos arredores da Cidade de Gaza.

Autoridades israelenses afirmam perseguir o Hamas que estariam escondidos em um labirinto de túneis debaixo da cidade. Segundo os militares, os ataques dos últimos dias atingiram mais de 600 alvos vinculados ao Hamas.

Explosões perto de hospital

No domingo (29) o Crescente Vermelho, braço da ONG Cruz Vermelha para países de maioria islâmica, recebeu avisos do governo israelense para retirar todas as pessoas de dentro do hospital Al-Quds, em Gaza.

Segundo o órgão, cerca de 14 mil pessoas procuraram abrigo no hospital. Nesta segunda, o Crescente Vermelho divulgou um vídeo que mostra explosões acontecendo nas proximidades do hospital.

Conflitos na Cisjordânia

O Hamas e o grupo Jihad Islâmica disseram que também estavam lutando contra as forças israelenses na cidade de Jenin, na Cisjordânia, ocupada por Israel.

O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, disse que quatro pessoas foram mortas em Jenin na segunda-feira. Já Israel disse que vários combatentes foram mortos em um ataque aéreo.

Autoridades israelenses também dizem ter prendido 700 militantes do Hamas na Cisjordânia.

Cerca de 10 mil palestinos, sendo a maioria crianças, já foram assassinados pelo Estado sionista de Israel.

Redação com informações do G1

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