2025 termina com a taxa de desemprego da série histórica

Índice do desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, superando as previsões de analistas; renda da população cresce e também bate recorde

O Brasil registrou no fim de 2025 o menor nível de desemprego desde o início da série histórica do IBGE. Segundo dados da PNAD Contínua divulgados nesta terça-feira (30), a taxa de desocupação caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o patamar mais baixo já observado desde 2012. O indicador vem renovando mínimas sucessivas desde o trimestre encerrado em junho.

Ao todo, 5,6 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho, o menor contingente já registrado pela pesquisa. Para efeito de comparação, no auge da pandemia de Covid-19, no trimestre encerrado em março de 2021, o país chegou a ter quase 15 milhões de desempregados.

A queda do desemprego ocorre em meio a um mercado de trabalho aquecido. O número de pessoas ocupadas atingiu 103,2 milhões, outro recorde histórico, elevando o nível de ocupação para 59% da população com 14 anos ou mais. Em relação ao trimestre anterior, houve aumento de 601 mil ocupados, e, na comparação anual, o avanço foi de 1,1 milhão.

De acordo com a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, a manutenção do emprego em patamar elevado ao longo do ano reduziu a pressão por novas vagas. “Isso contribui de forma decisiva para a queda da taxa de desocupação”, afirmou.

O crescimento do emprego foi puxado principalmente pelo setor de administração pública, educação e saúde, que registrou aumento significativo no trimestre e também na comparação anual. Já o trabalho doméstico apresentou recuo, enquanto os demais setores permaneceram estáveis.

Outro destaque foi a redução da informalidade, que caiu para 37,7% da população ocupada, influenciada pelo novo recorde de trabalhadores com carteira assinada, que somaram 39,4 milhões em 2025.

Desemprego em queda, renda em alta

A melhora do mercado de trabalho também se refletiu na renda. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.574, o maior valor da série, com alta de 1,8% no trimestre e de 4,5% em um ano, já descontada a inflação. Segundo o IBGE, a combinação entre mais pessoas trabalhando e salários maiores impulsiona a massa de rendimentos e reforça a recuperação da economia brasileira.

Fonte: Revista Fórum

Promessa de campanha de Lula, Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil entra em vigor

Sancionada em novembro, a reforma do Imposto de Renda (IR) entra em vigor nesta quinta-feira (1º). O novo modelo, que aumenta a faixa de isenção para cerca de 15 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil por mês, traz mudanças relevantes tanto para os trabalhadores quanto para investidores e contribuintes de alta renda.

As novas regras afetam desde a retenção mensal no salário até a tributação de dividendos. Para compensar a perda de arrecadação, quem ganha a partir de R$ 50 mil por mês passará a pagar mais Imposto de Renda, assim como parte das pessoas que recebem dividendos (parcela de lucro das empresas distribuídas aos acionistas). Ao todo, 141 mil brasileiros, segundo o governo, passarão a pagar mais IR.

Em relação à Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, nada muda para o documento deste ano, porque a declaração se refere ao ano-base 2025. Somente em 2027 (ano-base 2026), o novo modelo de IR será ajustado definitivamente na declaração.

A seguir, veja o que muda na prática e como isso pode impactar o seu bolso.

Quem passa a ficar isento do IR?

A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção:

  • Renda mensal de até R$ 5.000: isenção total do Imposto de Renda;
  • Atualmente, a isenção vai apenas até dois salários mínimos (R$ 3.036).

Segundo o governo, cerca de 15 milhões de brasileiros ficam totalmente isentos com a nova regra, o que representa uma renúncia fiscal de R$ 25,4 bilhões.

Economia estimada:

Quem ganha até R$ 5 mil pode economizar até R$ 4 mil por ano, considerando o décimo terceiro salário.

Desconto gradual para salários até R$ 7.350

A reforma cria uma faixa intermediária de alívio tributário:

  • De R$ 5.000,01 a R$ 7.350 por mês: isenção parcial, com desconto decrescente no imposto;
  • Acima de R$ 7.350: nada muda; segue a tabela progressiva atual (até 27,5%).

O desconto diminui gradualmente conforme a renda sobe, evitando o chamado “degrau tributário”, quando pequenos aumentos salariais geram saltos grandes no imposto.

Exemplos práticos:

  • Salário de R$ 5.500: imposto mensal cai cerca de 75%;
  • Salário de R$ 6.500: economia aproximada de R$ 1.470 por ano;
  • Salário de R$ 7.000: economia em torno de R$ 600 por ano.

O valor exato do desconto depende do cálculo individual e de outras rendas e deduções.

O que muda no desconto em folha já em janeiro?

A mudança é sentida imediatamente:

Quem se enquadra na nova isenção ou no desconto parcial já deixa de sofrer a retenção integral do IR na fonte sobre o salário de janeiro, pago no fim do mês ou no início de fevereiro.

Atenção:

Mesmo isento, o contribuinte terá de declarar IR em 2026, pois a declaração será referente ao ano-base 2025, quando a nova regra ainda não valia.

Imposto mínimo para alta renda

Para compensar a perda de arrecadação, a reforma cria o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado à alta renda:

  • Renda anual acima de R$ 600 mil (R$ 50 mil/mês): entra na regra
  • Alíquota progressiva de até 10%
  • Renda acima de R$ 1,2 milhão por ano: alíquota mínima efetiva de 10%

Estimativa do governo:

Cerca de 141 mil contribuintes serão afetados.

O que entra no cálculo do IRPFM?

  • Salários;
  • Lucros e dividendos;
  • Rendimentos de aplicações financeiras tributáveis;

Em relação aos salários acima de R$ 50 mil por mês, essa fonte de renda gera desconto no IRPFM a pagar, mesmo incluída na base de cálculo. Isso porque o Imposto de Renda já foi descontado na fonte, com alíquota de 27,5%.

Ficam fora:

  • Poupança, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), fundos imobiliários, Fiagro e outros investimentos incentivados;
  • Heranças e doações;
  • Indenizações por doença grave;
  • Ganhos de capital na venda de imóveis, exceto fora da bolsa;
  • Aluguéis atrasados
  • Valores recebidos acumuladamente, por meio de ações judiciais;.

O imposto mínimo será apurado apenas na declaração de 2027.

Tributação de dividendos

Outra novidade relevante é a tributação de dividendos na fonte:

  • 10% de imposto retido sobre dividendos;
  •  Apenas quando superarem R$ 50 mil por mês;
  • Valor pago por uma única empresa à pessoa física.

A maioria dos investidores não será afetada. A medida mira sócios e empresários que recebiam altos valores em dividendos, até então isentos.

O imposto retido poderá ser compensado na declaração anual.

Pontos de atenção e possíveis disputas

Dividendos relativos a lucros apurados até 2025 só permanecem isentos se a distribuição tiver sido aprovada até 31 de dezembro de 2025. Especialistas alertam para possíveis questionamentos judiciais, por possível efeito retroativo da regra.

>> Resumo rápido: o que muda a partir desta quinta

  • Isenção total até R$ 5 mil por mês;
  • Desconto gradual até R$ 7.350;
  • Nada muda para salários acima disso;
  • Imposto mínimo de até 10% para renda acima de R$ 600 mil por ano;
  • Dividendos acima de R$ 50 mil por mês passam a ser tributados.

A reforma redesenha a tributação da renda no país e começa a ser sentida agora no salário, mas os efeitos completos aparecerão apenas na Declaração do Imposto de Renda de 2027.

Fonte: Agência Brasil

BC apontou fraudes do Master com Reag, investigada por ligação com PCC

Operações somam R$ 11,5 bilhões e envolvem fundos da Reag

O Banco Central (BC) encaminhou ao TCU (Tribunal de Contas da União) um relatório que aponta operações suspeitas atribuídas ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., empresa investigada por ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). As informações são da jornalista Catia Seabra, em reportagem publicada na Folha de S. Paulo.

O documento obtido pela reportagem mostra que a autoridade monetária acionou o Ministério Público Federal (MPF) após identificar indícios de fraude em negócios realizados pelo Master com fundos administrados pela Reag.

De acordo com o relatório, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e a Reag estruturaram operações com falhas consideradas graves, em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional.

Operações somam R$ 11,5 bilhões

As transações analisadas integram um conjunto de operações estruturadas que totalizam R$ 11,5 bilhões, envolvendo fundos do Banco Master, dos quais dois são ligados à Reag. Esta é a segunda comunicação do Banco Central ao MPF apontando indícios de irregularidades na atuação do Master.

A primeira denúncia tratou da revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB (Banco de Brasília), no contexto da tentativa de venda do Master à instituição estatal.

No relatório enviado ao TCU, o Banco Central aponta inadequado gerenciamento de capital e de riscos, além da realização de negócios sem garantias suficientes, liquidez ou diversificação. Segundo o órgão regulador, essas práticas teriam contribuído para o agravamento da crise enfrentada pelo banco e justificam a abertura de processos administrativos sancionadores, que se encontram em fase de instrução.

Em um dos trechos do documento, o BC afirma que, em 17 de novembro de 2025, houve nova comunicação ao MPF por indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta, relacionados às operações estruturadas no montante de R$ 11,5 bilhões.

A reportagem ainda aponta que uma das suspeitas é que os fundos teriam sido utilizados para pulverizar recursos em nome de terceiros, por meio de “laranjas”. Entre os fundos citados estariam o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, ambos administrados pela Reag.

Em outra frente, parte desses recursos teria sido realocada na tentativa de viabilizar a venda do Banco Master ao BRB, operação posteriormente vetada pelo Banco Central.

Reag foi alvo de operação policial

A Reag Trust também foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que investiga relações entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas do setor financeiro.

Paralelamente, o TCU conduz um processo que apura possíveis falhas e omissões do Banco Central no caso envolvendo o Banco Master.

Na segunda-feira (29), o BC apresentou ao TCU as justificativas sobre a liquidação do banco Master. O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, apontou inconsistências na condução do processo pelo BC, questionando se alternativas de mercado, como a proposta de aquisição do Master pelo Grupo Fictor, estimada em R$ 3 bilhões, foram adequadamente avaliadas antes da liquidação ser anunciada. O processo corre sob sigilo.

Depoimentos e versões conflitantes no STF

Nesta terça-feira (30), Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central Ailton de Aquino Santos prestaram depoimento à Polícia Federal na sede do STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília. Vorcaro e Costa foram posteriormente submetidos a uma acareação, após a identificação de versões conflitantes.

Os depoimentos foram acompanhados por um membro do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das investigações relacionadas ao Banco Master na Corte. O processo é sigiloso.

Desde o início de dezembro, todas as diligências relacionadas à investigação do Banco Master e de Vorcaro passaram a depender de autorização de Toffoli, por decisão do próprio ministro.

As investigações apontam que, antes mesmo da formalização da tentativa de venda do Banco Master ao BRB, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado à instituição estatal. Do total, R$ 6,7 bilhões seriam contratos falsos, e R$ 5,5 bilhões corresponderiam a prêmios, valor atribuído à suposta carteira.

Fonte: ICL

25 palestinos morrem de frio em Gaza devastada por Israel

Pelo menos 25 palestinos, incluindo seis crianças, morreram na Faixa de Gaza em decorrência das severas condições climáticas desde o início de dezembro.

Equipes de defesa civil e resgate afirmaram que Gaza tem experimentado um clima excepcionalmente rigoroso neste mês, marcado por fortes chuvas, ventos intensos e frio extremo, algo que o território não via há anos.

Eles relataram que 18 prédios residenciais, já danificados por ataques aéreos israelenses anteriores, desabaram completamente durante as tempestades e chuvas. Outros 110 prédios sofreram desabamentos parciais graves, representando uma ameaça direta à vida de milhares de moradores que vivem dentro ou perto dessas estruturas.

Equipes de resgate também informaram que cerca de 90% das tendas que abrigavam famílias deslocadas foram levadas pelo vento ou inundadas pelas fortes chuvas e ventos em diferentes partes da Faixa de Gaza.

Como resultado, milhares de famílias perderam seus abrigos temporários, juntamente com seus poucos pertences restantes, incluindo roupas, cobertores e colchões, agravando ainda mais a já crítica situação humanitária na Faixa de Gaza.

Autoridades locais alertaram que a piora das condições climáticas, combinada com a destruição e o deslocamento generalizados, continua a colocar civis em grave risco, particularmente crianças, idosos e aqueles que vivem em prédios danificados ou abrigos improvisados.

Fonte: Monitor do Oriente

Pilar está com medo depois da autorização de estocagem subterrânea de gás natural

A população da cidade de Pilar, na Região Metropolitana de Maceió, não esconde o temor de um desastre, de pior consequências do que o provocado pela Braskem, depois que uma empresa privada conseguiu licença para estocagem subterrânea de gás.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aprovou, em reunião de sua Diretoria Colegiada, a minuta de autorização para projeto de estocagem subterrânea de gás natural (ESGN) a ser desenvolvido pela Origem Energia Alagoas S.A., no campo de Pilar, na Região Metropolitana de Maceió.

Será o primeiro projeto de armazenamento subterrâneo de gás natural operacional do país e, segundo a ANP, será um importante passo para a inserção, no Brasil, de uma atividade pioneira e fundamental para o mercado de gás.

Ainda não se trata de autorização para início efetivo das operações — a vigência da autorização está condicionada à sua publicação no Diário Oficial da União, após o cumprimento de todos os requisitos exigidos pela ANP para a operação das instalações.

A competência para a ANP autorizar a atividade de ESGN consta da Lei n° 14.134/2021 (Nova Lei do Gás). E o Decreto n° 10.712/2021, alterado pelo Decreto n°12.153/2024, deu à ANP a possibilidade de adotar soluções individuais que visem ao atendimento da Nova Lei do Gás, até que seja editada regulação específica da Agência sobre determinado tema.

Uma vez que ainda não existe regulamentação específica da ANP que cubra todos os aspectos de ESGN, a Agência se baseou em uma série de normativos que contemplam regras referentes a autorizações de instalações. Esses regulamentos foram utilizados para definir os requisitos necessários à outorga de autorização.

O Campo de Pilar está localizado na porção terrestre da Bacia de Alagoas, nos municípios de Marechal Deodoro, Pilar, Satuba e Rio Largo, a cerca de 20 quilômetros a oeste de Maceió.

Redação com Tribuna Hoje

Israel destruiu 80% das casas em Gaza, palestinos sofrem com chuvas e inundações

Estima-se que cerca de 1,5 milhão dos 2,2 milhões de habitantes de Gaza perderam suas residências; moradores relatam ‘frio e medo’

Apesar do cessar-fogo entre Israel e o movimento islâmico Hamas, que vigora desde 10 outubro, os habitantes da Faixa de Gaza seguem enfrentando uma crise humanitária. Nesta época do ano, é o frio e as chuvas que castigam ainda mais a vida da população local, que já vinha sofrendo ao longo dos dois anos de genocídio.

As chuvas de inverno pioraram a vida precária de pessoas como Khamil al Sharafi, que está entre as centenas de milhares de deslocados pela guerra no território palestino, muitos dos quais sobrevivem agora graças à ajuda proporcionada por organizações humanitárias.

“Meus filhos tremem de frio e medo (…) A nossa tenda inundou completamente em questão de minutos”, lamentou Sharafi, de 47 anos, neste domingo (28/12).

Ele teve sua moradia, situada no sul de Gaza, inundada após uma forte chuva noturna, molhando sua comida e suas mantas. Assim como Sharafi, a maioria das pessoas que foram obrigadas a abandonar suas casas por conta do conflito perdeu quase tudo.

“Perdemos nossas mantas e toda a comida está ensopada”, acrescentou o homem, pai de seis filhos, que mora com eles em um refúgio improvisado na zona costeira de Al Mawasi.

As famílias se amontoam em acampamentos de barracas feitas com lonas, que frequentemente ficam cercadas de barro e água empoçada quando chove.

“Como mulher idosa, não posso viver em tendas de campanha. Viver assim significa morrer de frio quando chove e de calor no verão”, explicou Umm Rami Bulbul. “Não queremos reconstrução imediata, só que deem a nós e aos nossos filhos casas móveis”, acrescentou.

“Vejam o estado em que se encontram meus filhos e a tenda. Durmo no frio e a água inunda e molha as nossas roupas. Não tenho roupa para vesti-los. Estão gelados. O que as pessoas de Gaza e seus filhos fizeram para merecer isto?”, questiona Samia Abu Jabba, outra moradora da região afetada pelas chuvas.

Ajuda humanitária insuficiente

Dados da ONU apontam que quase 80% dos prédios na Faixa de Gaza foram destruídos ou danificados pela guerra. E cerca de 1,5 milhão dos 2,2 milhões de habitantes da região perderam suas casas, segundo Amjad Al Shawa, diretor da Rede de ONG Palestinas (PNGO) em Gaza.

Das mais de 300 mil tendas de campanha solicitadas para abrigar os deslocados, “só recebemos 60 mil”, declarou Shawa à AFP, apontando para as restrições impostas por Israel à entrega de ajuda humanitária no território.

A agência da ONU para os refugiados palestinos, a Unrwa, afirmou que as duras condições meteorológicas agravaram o sofrimento dos habitantes do enclave. Nos últimos dias, por exemplo, as temperaturas noturnas oscilaram entre 8º C e 12º C.

“A população de Gaza sobrevive em tendas de campanha frágeis e inundadas, em meio a ruínas. Isto não é inevitável. Não se está permitindo a entrada de ajuda humanitária no nível necessário”, alertou o diretor da Unrwa, Philippe Lazzarini, no X.

O COGAT, organismo do Ministério da Defesa israelense responsável por assuntos civis palestinos, afirmou em meados de dezembro que “quase 310 mil tendas de campanha e lonas entraram recentemente na Faixa de Gaza” como parte do aumento da ajuda em virtude do cessar-fogo.

No início do mês, Gaza sofreu um episódio similar de fortes chuvas e frio que deixou ao menos 18 mortos devido ao desabamento de edifícios danificados pela guerra ou à exposição às baixas temperaturas, segundo a Defesa Civil do território, que opera sob a autoridade do Hamas.

Fonte: ICL

Gonet não vê ‘ilicitude’ e arquiva pedido para investigar Moraes e esposa no caso Master

Representação pedia investigação por supostos crimes de tráfico de influência e violação a princípios da Administração Pública

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar o pedido de investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no âmbito do caso envolvendo o Banco Master. A solicitação foi apresentada pelo advogado Enio Murad e não guarda relação direta com os processos que tramitam na Suprema Corte sobre o tema.

Na representação, Murad afirma que, segundo reportagens da imprensa, Moraes teria mantido contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para defender interesses privados do Banco Master.

O pedido também menciona que a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato de prestação de serviços advocatícios com a instituição financeira.

A representação buscava a abertura de investigação por supostos crimes de tráfico de influência e violação aos princípios da Administração Pública.

Ao justificar o arquivamento, Gonet destacou a “absoluta ausência de lastro probatório mínimo” capaz de sustentar as acusações, tanto contra Galípolo quanto contra Moraes.

“Apesar da repercussão midiática do caso, os veículos de imprensa não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que confirmem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”, afirmou o procurador-geral em documento assinado em 27 de dezembro.

Gonet também ressaltou que o sigilo da fonte citado nas reportagens limita a possibilidade de aprofundamento das apurações.

Por fim, o procurador-geral avaliou que a relação contratual entre a esposa de Moraes e o Banco Master não configura ilegalidade. “Não cabe à Suprema Corte interferir em negócios jurídicos firmados entre particulares, especialmente quando protegidos pela autonomia própria da atividade liberal da advocacia”, concluiu.

Fonte: ICL

Receita Federal e Fazenda desmentem fake news sobre taxação do pix acima de R$ 5 mil

Jovem Pan pede desculpas após divulgar informação falsa e governo reforça que não existe imposto nem multa sobre transações financeiras

A Receita Federal voltou a alertar, nesta segunda-feira (29), para a circulação de fake news que afirmam, de forma equivocada, que transações financeiras acima de R$ 5 mil — incluindo operações via Pix — seriam tributadas pelo governo federal. O esclarecimento foi feito em nota oficial do órgão, em meio ao ressurgimento de boatos nas redes sociais e aplicativos de mensagens. As informações foram publicadas inicialmente pelo jornal Valor Econômico.

De acordo com a Receita, as mensagens falsas têm como objetivo enganar a população e provocar pânico financeiro. “Com o objetivo de enganar as pessoas, voltaram a circular nas redes sociais mentiras de que transações financeiras a partir de R$ 5 mil seriam taxadas”, afirma o comunicado. O órgão também desmentiu a existência de uma suposta multa de 150% e de uma alíquota de 27,5% sobre essas movimentações, classificando ambas como invenções.

As fake news que estão circulando inventaram, desta vez, uma multa de 150% para quem não pagar o falso tributo”, diz a Receita Federal, que reforça ainda que “a Constituição Federal proíbe a tributação de movimentações financeiras; isso não existe e nunca irá existir nos termos da Constituição atual”.

O tema ganhou novos desdobramentos após a Rede Jovem Pan publicar um pedido público de desculpas e um comunicado intitulado “Erramos”, reconhecendo a disseminação de informações falsas sobre a suposta taxação do Pix. A retratação ocorreu depois de alertas divulgados pelo Ministério da Fazenda e pela Receita Federal, dias após o apresentador Emílio Surita, do programa Pânico, voltar a afirmar que transações acima de R$ 5 mil seriam tributadas.

“A Jovem Pan pede desculpas pelo erro e reafirma o compromisso com a correção e a veracidade das informações veiculadas em sua programação”, destacou a empresa de comunicação em nota oficial. O programa Pânico é transmitido pelas rádios e canais digitais da Jovem Pan, além da Jovem Pan News, canal por assinatura do grupo.

Em manifestação publicada em seu portal, o Ministério da Fazenda também classificou os boatos como uma tentativa deliberada de enganar a população. O órgão reiterou que não existe cobrança sobre transferências financeiras nem qualquer multa de 150% por falta de declaração, reforçando que esse tipo de tributação é vedado pela Constituição Federal.

A única verdade que mensagens falsas não querem contar é que: a partir de janeiro quem ganha até R$ 5 mil estará completamente isento do imposto de renda e quem ganha até R$ 7.350 terá desconto. Isso é o que os autores dessas mensagens falsas não querem que a população saiba. Não caia em fake news!”, diz o comunicado oficial do Ministério da Fazenda.

A Receita Federal também ressaltou que a disseminação de desinformação e pânico financeiro prejudica o debate público e beneficia apenas grupos interessados em espalhar mentiras, reforçando a importância de buscar informações em canais oficiais do governo.

O ministério lembrou ainda que, em 15 de janeiro, foi revogada uma normativa da Receita Federal que vinha sendo usada de forma distorcida para sustentar os boatos. A regra apenas elevava os valores mínimos das movimentações financeiras que os bancos devem informar ao Fisco — de R$ 2 mil para R$ 5 mil no caso de pessoas físicas e de R$ 6 mil para R$ 15 mil para pessoas jurídicas — sem qualquer relação com criação de impostos ou cobrança adicional.

Segundo o Ministério da Fazenda, o foco atual da política tributária é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que passará a beneficiar contribuintes com rendimentos de até R$ 5 mil mensais a partir de janeiro, além de conceder descontos para quem ganha até R$ 7.350.

Fonte: ICL

Correios planejam demitir 15 mil e fechar agências

Mesmo após empréstimo de R$ 12 bi com garantia da União, estatal prevê nova captação

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou, nesta segunda-feira (29) durante coletiva de imprensa em Brasília, que a empresa ainda precisará levantar R$ 8 bilhões adicionais até 2027, mesmo após a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos, com garantia da União.

Segundo Rondon, o plano de recuperação financeira demanda até R$ 20 bilhões para restabelecer a sustentabilidade da estatal.

A forma de obtenção dos recursos restantes ainda não foi definida e pode envolver aporte direto da União ou nova rodada de financiamento bancário, a partir de 2026.

Paralelamente à captação de recursos, o plano prevê um forte ajuste de custos, com impacto estimado de R$ 7,4 bilhões positivos nas contas da empresa.

As despesas com pessoal representam atualmente 62% dos gastos totais dos Correios, o que, segundo a direção, impõe elevada rigidez orçamentária.

Demissões e redução do quadro

Está prevista a implementação de dois PDVs (Programas de Demissão Voluntária), em 2026 e 2027. A meta é reduzir o quadro em até 15 mil funcionários em dois anos, o equivalente a 18% da folha de pagamentos.

“A gente tem 90% das despesas com perfil de despesa fixa. Isso gera uma rigidez para a gente fazer alguma correção de rota quando a dinâmica de mercado assim exige”, disse Rondon.

Com as medidas, a estatal espera economizar R$ 2,1 bilhões por ano em custos com pessoal, com impacto pleno a partir de 2028.

O plano inclui ainda revisão de cargos de média e alta remuneração e mudanças nos planos de saúde e previdência, considerados financeiramente insustentáveis no formato atual.

Fechamento de agências e reconfiguração da rede

O plano prevê o fechamento de mil agências próprias, cerca de 16% a 20% da rede atual, composta por aproximadamente 6 mil unidades.

“A gente vai fazer a ponderação entre resultado [financeiro das agências] e o cumprimento da universalização para a gente não ferir a universalização ao fecharmos pontos de venda da empresa”, explicou o presidente dos Correios.

A estatal estima uma economia anual de R$ 2,1 bilhões com o encerramento de agências deficitárias e a otimização da malha logística.

Segundo Rondon, o fechamento será feito sem violar o princípio da universalização do serviço postal, obrigação legal da empresa.

Além das agências próprias, os Correios contam com cerca de 10 mil pontos de atendimento operados por parceiros em todo o país.

Venda de imóveis e parcerias

O plano inclui também a alienação de imóveis não estratégicos, com expectativa de gerar R$ 1,5 bilhão em receitas anuais.

Também estão previstas novas parcerias com o setor privado, com projeção de R$ 1,7 bilhão por ano em receitas adicionais, principalmente nas áreas de logística e diversificação de serviços.

Situação financeira e perspectiva de resultados

Os Correios acumulam 12 trimestres consecutivos de prejuízo e enfrentam um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, atribuído pela empresa ao custo da universalização do serviço postal. Em 2025, o déficit estimado é de cerca de R$ 9 bilhões, com possibilidade de piora em 2026.

A estatal só projeta retorno ao lucro a partir de 2027, após a implementação integral das medidas.

O financiamento de R$ 12 bilhões foi contratado com Bradesco, Itaú, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Do total, R$ 10 bilhões devem ser liberados ainda este ano e R$ 2 bilhões, em 2026.

Os recursos serão usados inicialmente para recompor a liquidez, pagar salários, precatórios e dívidas em atraso, permitindo que a empresa volte à adimplência e recupere credibilidade no mercado.

Além disso, a partir de 2027 os Correios estudam uma mudança no modelo societário, com a possibilidade de abertura de capital e transformação em empresa de economia mista, nos moldes de Petrobras e Banco do Brasil.

Crise no setor postal

A direção da empresa atribui a crise financeira à digitalização das comunicações, que reduziu drasticamente o envio de cartas, e ao aumento da concorrência no comércio eletrônico.

Rondon citou o exemplo do serviço postal dos Estados Unidos (USPS), que também enfrenta prejuízos bilionários, como evidência de que a crise afeta o setor globalmente.

Fonte: ICL

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