PF vai abrir inquérito sobre influenciadores pagos para atacar o BC e defender banco Master

Investigação mira possível ação coordenada paga para questionar a liquidação do Banco Master e defender interesses da instituição

A Polícia Federal vai instaurar um inquérito para investigar a possível contratação de influenciadores digitais com o objetivo de atacar o Banco Central (BC) e defender o Banco Master, instituição que teve a liquidação decretada pela autoridade monetária. A abertura da apuração foi confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e busca esclarecer se houve pagamento e coordenação nas ações realizadas nas redes sociais. As informações são do G1.

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A iniciativa surge após relatos de influenciadores que afirmaram ter recebido propostas para difundir uma narrativa crítica à decisão do Banco Central. Segundo esses relatos, a estratégia consistiria em divulgar vídeos e publicações que colocassem em dúvida a atuação do BC e ecoassem posições favoráveis ao banco liquidado.Play Video

Na mesma semana, os influenciadores de direita Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite tornaram público que teriam sido procurados para impulsionar conteúdos com esse teor em seus perfis. A ideia, conforme apurado, era questionar a rapidez da decisão do Banco Central e reforçar argumentos contrários à medida adotada pela autoridade financeira.

Procurada, a defesa do Banco Master afirmou não ter conhecimento sobre qualquer contratação de influenciadores para difamar o Banco Central. Ainda assim, a apuração ganhou força após a identificação, pela GloboNews, de publicações semelhantes feitas por outros influenciadores no mesmo período. Somados, esses perfis alcançam mais de 36 milhões de seguidores apenas no Instagram, o que levantou suspeitas sobre a dimensão e o impacto da possível campanha.

Além de mapear quem participou das postagens, a Polícia Federal pretende apurar se houve remuneração e atuação coordenada entre os influenciadores. O foco é verificar se a mobilização nas redes configurou um ataque articulado contra o Banco Central em meio à crise envolvendo o Banco Master.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também se manifestou sobre o episódio. Em nota, a entidade afirmou que “foi identificado, no final de dezembro, volume atípico de postagens com menções à entidade e seus representantes, referentes ao noticiário sobre liquidação de instituição financeira”. A federação acrescentou que “está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”.

Paralelamente a esse novo inquérito, a Polícia Federal dará continuidade às investigações sobre possíveis fraudes praticadas pelo Banco Master antes de sua liquidação. Conforme revelou o blog do jornalista Valdo Cruz, no g1, a expectativa é colher novos depoimentos ainda neste mês de janeiro para aprofundar as apurações.

Integrantes da corporação avaliam já existirem indícios concretos de irregularidades bancárias cometidas pela instituição financeira. Estão previstos novos depoimentos de ex-diretores do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB), que deverão ocorrer após a acareação realizada no Supremo Tribunal Federal entre Daniel Vorcaro, proprietário do banco liquidado, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

A condução dessa acareação, determinada pelo ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no STF, foi alvo de críticas de juristas, que apontaram a realização do procedimento antes da tomada de depoimentos formais no curso da investigação. Enquanto isso, a Polícia Federal segue analisando documentos, celulares e computadores apreendidos durante a operação “Compliance Zero”, deflagrada em 18 de novembro do ano passado. Na ocasião, Daniel Vorcaro e outros dirigentes do Banco Master chegaram a ser presos, mas foram liberados posteriormente mediante medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Fonte: Brasil 247

Agora é lei: entregadores não são obrigados a subir até os apartamentos no Rio

Norma prevê que produtos de pequeno porte podem ser deixados na portaria ou em um local designado pela administração do condomínio

O prefeito Eduardo Paes (PSD) sancionou, nesta quarta-feira (07), a lei que proíbe clientes do Rio de exigirem que entregadores de aplicativos de delivery subam até a porta dos apartamentos para realizar entregas. Aprovada pela Câmara em novembro, a nova norma prevê que produtos de pequeno porte, como refeições e compras de mercado, podem ser deixadas na portaria ou em um local designado pela administração do condomínio.

As novas regras já estão em vigor e devem ser comunicadas pelas plataformas de entrega aos clientes no momento da compra. Segundo o texto, os condomínios do município também devem orientar os moradores sobre as novas normas e buscar prevenir situações de hostilidade contra entregadores.

Entregadores ainda devem subir quando produtos forem de médio ou grande porte

Uma das exceções previstas na nova lei é para a entrega de produtos de médio e grande porte, como eletrodomésticos e móveis. Nesses casos, os entregadores terão acesso garantido para realizar a entrega na porta do endereço de entrega, de acordo com as regras de segurança e horário estabelecidas pelo condomínio.

Além disso, a lei também assegura que idosos, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida continuem recebendo qualquer tipo de encomenda na porta de suas unidades, sem custos adicionais.

A lei é assinada pelos vereadores Rocal (PSD), Felipe Pires (PT), Flávio Pato (PSD) e Thais Ferreira (PSOL), além do ex-vereador Felipe Michel e das comissões envolvidas.

Agora é lei: entregadores não são obrigados a subir até os apartamentos no Rio
Agora é lei: entregadores não são obrigados a subir até os apartamentos no Rio

Fonte: ICL

Deu no The New York Times: Acusações contra Maduro de chefiar “Cartel de Los Soles” é retirada

Cadu Amaral – Jornalista

Como dizia Marx, tudo que é sólido se desmancha no ar. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos retirou a acusação de que Nicolás Maduro chefiava o “Cartel de los Soles” porque seuqer pode provar a existência da organização criminosa.

Por meses, Donald Trump acusou Maduro de chefiar este cartel, mas com esse recuo do Estado estadunidense, restou provado que tudo nunca passou de propaganda do MAGA.

Tanto é assim que mesmo com a retirada desta acusação, Marco Rubio segue insistindo que o “cartel” é real.

Leia abaixo, traduzido eletronicamente para o português, a notícia do The New York Times.

Departamento de Justiça desiste da alegação de que o ‘Cartel de los Soles’ da Venezuela é um grupo real

O Departamento de Justiça recuou de uma afirmação duvidosa sobre o presidente Nicolás Maduro que o governo Trump promoveu no ano passado ao lançar as bases para removê-lo do poder na Venezuela: acusando-o de liderar um cartel de drogas chamado Cartel de los Soles.

Essa afirmação remonta a uma acusação do grande júri de 2020 do Sr. Maduro elaborado pelo Departamento de Justiça. Em julho de 2025, copiando a linguagem dele, o Departamento do Tesouro designado Cartel de los Soles como organização terrorista. Em novembro, Marco Rubio, secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional do presidente Trump, ordenado o Departamento de Estado para fazer o mesmo.

Mas especialistas em questões de criminalidade e narcóticos na América Latina disseram na verdade, é uma gíria inventada pela mídia venezuelana na década de 1990 para autoridades corrompidas pelo dinheiro das drogas. E no sábado, depois que a administração capturou o Sr. Maduro, o Departamento de Justiça divulgou uma acusação reescrita isso pareceu admitir tacitamente o ponto.

Os promotores ainda acusaram Maduro de participar de uma conspiração de tráfico de drogas, mas abandonaram a alegação de que o Cartel de los Soles era uma organização real. Em vez disso, a acusação revisada afirma que se refere a um “sistema de clientelismo” e a uma “cultura de corrupção” alimentados pelo dinheiro das drogas.

Enquanto a antiga acusação se refere 32 vezes ao Cartel de los Soles e descreve o Sr. Maduro como seu líder, a nova a menciona duas vezes e diz que ele, assim como seu antecessor, o presidente Hugo Chávez, participou, perpetuou e protegeu esse sistema de clientelismo.

Os lucros do tráfico de drogas e a proteção dos parceiros do tráfico de drogas “fluem para funcionários civis, militares e de inteligência corruptos, que operam em um sistema de clientelismo administrado por aqueles no topo – conhecido como Cartel de los Soles ou Cartel dos Sóis, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes de altos funcionários militares venezuelanos,” a nova acusação dizia.

A retirada coloca em maior questão a legitimidade da designação do Cartel de los Soles pelo governo Trump como uma organização terrorista estrangeira no ano passado. Porta-vozes da Casa Branca e dos Departamentos de Justiça, Estado e Tesouro não responderam aos pedidos de comentários.

Elizabeth Dickinson, o vice-diretor para a América Latina do International Crisis Group, disse que o retrato do Cartel de los Soles feito pela nova acusação era “exatamente fiel à realidade”, diferente da versão de 2020.

“Acho que a nova acusação acerta, mas as designações ainda estão longe da realidade”, disse ela. “As designações não precisam ser provadas em tribunal, e essa é a diferença. Claramente, eles sabiam que não poderiam provar isso em tribunal.”

Ainda assim, o Sr. Rubio novamente se referiu ao Cartel de los Soles como um cartel real em uma entrevista no programa “Meet the Press” da NBC no domingo, um dia após a acusação revisada ter sido revelada.

“Continuaremos a reservar-nos o direito de realizar greves contra barcos de drogas que trazem drogas para os Estados Unidos e que são operados por organizações criminosas transnacionais, incluindo o Cartel de los Soles,” disse ele. “É claro que o seu líder, o líder desse cartel, está agora sob custódia dos EUA e enfrenta a justiça dos EUA no Distrito Sul de Nova Iorque. E esse é Nicolás Maduro.”

Relatório Anual da Administração de Combate às Drogas

Avaliação Nacional da Ameaça de Drogas, que detalha as principais organizações de tráfico, nunca mencionou o Cartel de los Soles. O Relatório Mundial sobre Drogas também não o fez pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

Mas a acusação de 2020, que expôs uma longa narrativa sobre uma conspiração que durou anos, retratou o Cartel de los Soles como uma organização de tráfico de drogas, liderada pelo Sr. Maduro. Afirmou que o grupo tomou medidas como fornecer armas às FARC, um grupo rebelde marxista na Colômbia que financiou as suas atividades militantes através do tráfico de drogas, e tentar “inundar” os Estados Unidos com cocaína “como arma”.

A elaboração da acusação de 2020 foi supervisionada por Emil Bove III, então promotor da unidade internacional de terrorismo e narcóticos em Nova York. O Sr. Bove comandou o Departamento de Justiça nos primeiros meses do segundo governo Trump e teve um mandato turbulento, que incluiu a demissão de dezenas de funcionários e a ordem de rejeição das acusações de suborno contra Eric Adams, então prefeito de Nova York, antes do Sr. Trump nomeou-o para um cargo vitalício em um tribunal federal de apelações.

Embora os especialistas em questões criminais e narcóticas na América Latina tenham elogiado a correção sobre o Cartel de los Soles, alguns também criticaram outros aspectos da acusação revisada.

Por exemplo, a acusação acrescentou como réu – e suposto co-conspirador com o Sr. Maduro – o chefe de uma gangue prisional venezuelana chamada Tren de Aragua. A ligação descrita na acusação é tênue: diz apenas que o líder da gangue, em telefonemas em 2019 com alguém que ele pensava ser um funcionário venezuelano, ofereceu serviços de escolta para proteger os carregamentos de drogas que passavam pela Venezuela.

No ano passado, Trump declarou que Maduro dirigia as atividades do Tren de Aragua, embora a comunidade de inteligência dos EUA acredita que o oposto é verdadeiro.

Jeremy McDermott, cofundador do InSight Crime, um think tank latino-americano sobre crime e segurança, disse que a inclusão do líder do Tren de Aragua como co-conspirador acusado com Maduro em uma conspiração de tráfico de drogas “reflete a retórica do presidente Trump”, mas foi enganosa. Ele apontou para a análise do Tren de Aragua feita pelo seu think tank isso diz que a gangue não possui propriedade de grandes carregamentos de cocaína.

Corte de verba no orçamento da Ufal impactará em serviços e na assistência estudantil

Reitor Josealdo Tonholo está preocupado com situação e cobra a recomposição orçamentária deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ) foi escolhida relatora do decreto presidencial

O reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo, demonstrou grande preocupação com os rumos da instituição neste ano, após o anúncio dos cortes orçamentários às universidades federais, considerando que o orçamento para 2026 está 13% menor em relação ao ano passado.

Josealdo Tonholo adiantou que a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) está prevendo uma reunião com o MEC no final do mês de janeiro para tratar do problema com o ministro Camilo Santana, que está devidamente atualizado sobre a situação de cada instituição.

Segundo análise preliminar da Andifes, divulgada em 23 de dezembro, as 69 universidades federais sofreram um corte de R$ 488 milhões. A redução corresponde a 7,05% dos recursos discricionários das instituições, apesar de o MEC ter proposto um aumento de 43% em comparação com 2022.

O reitor disse ainda que a Ufal e as demais universidades vão continuar conversando com o Ministério da Educação (MEC) e com a bancada federal. “Também vamos trabalhar com todas as prefeituras das cidades onde estamos instalados presencialmente, e vamos continuar com a parceria estratégica que temos com o governo do estado de Alagoas”, afirmou, ao confirmar que a articulação é fundamental para avançar:

Segundo ele, os recursos tiveram corte de quase R$ 7 milhões, e isso vai impactar nos contratos de limpeza, segurança, além do forte impacto que teremos na assistência estudantil, com cerca de R$ 600 mil de corte. Começaremos 2026 com um orçamento bastante inferior ao mínimo necessário para fazer a universidade funcionar a contento.

Saímos com uma perda de pelo menos 13% em relação ao ano passado, considerando o corte da Lei Orçamentária Anual -LOA e a perda inflacionária”, reforçou o reitor da Ufal.

Tentando mudar este cenário, os reitores das universidades federais do Nordeste estão unidos lutando pela recomposição orçamentária. Tonholo está neste grupo. Ele se uniu aos demais reitores e reitoras das universidades federais do Nordeste e também assinou nota conjunta que pede a recomposição orçamentária das Instituições Federais de Educação Superior (Ifes) para garantir inclusão e desenvolvimento regional.

“Entendemos que Alagoas e nossos estudantes merecem muito mais do que é possível oferecer com este orçamento, considerando os preceitos de uma universidade contemporânea. por isto reclamamos do exíguo orçamento. Teremos um ano de muitos desafios, mas o que não falta é capacidade de trabalho e resiliência. Vamos mais uma vez nos superar”, adiantou.

O reitor da Ufal explicou que a maior preocupação é em relação aos recursos de manutenção que mantêm o funcionamento regular da Universidade.

Na avaliação do reitor da Ufal, as universidades federais constituem instrumentos estratégicos para o enfrentamento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, bem como para a promoção da inclusão social. Nas últimas décadas, essas instituições passaram por um intenso processo de expansão e interiorização, ampliando de forma significativa o acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade.

“A expectativa da Ufal era poder contar com o orçamento de 2026 como sendo o orçamento executado no ano de 2025 mais uma suplementação que incluísse parte do passivo demandado para a recomposição orçamentária em relação ao estrangulamento que fomos submetidos desde 2014, além de incluir a inflação do ano passado. Isto porque o orçamento atualmente praticado para as Universidades Federal tem sido cerca de 50% do que foi executado há mais de 10 anos. Para se ter uma ideia, o orçamento de 2025 foi equivalente ao que tivemos em 2009”, comparou.

Josealdo Tonholo reforçou que a Ufal já não é mais uma universidade pequena e vem se empenhando a cada ano para formar bons profissionais e atender as demandas da sociedade, por meio das pesquisas e das ações de extensão.

Esperançoso, Tonholo disse que a universidade vai trabalhar com dificuldades, mas vai sobreviver. “Somos o maior vetor de desenvolvimento do estado de Alagoas! O que não falta é competência e capacidade de trabalho para todo o time da Ufal, estudantes, técnicos e docentes. E a sociedade sabe da nossa importância. Pergunte a quem usa o HU [Hospital Universitário Professor Alberto Antunes]. Nosso HU teve 98% de avaliações excelentes pelos usuários”, destacou.

O reitor da Ufal disse ainda que é triste ver a situação claudicante das universidades federais. “Todas com os mesmos gargalos, com situação orçamentária que difere muito da qualidade do trabalho que apresentamos. Veja como exemplo os excelentes resultados que estamos tendo na área de pesquisa e pós-graduação, com aumento substancial de oferta de cursos e aumento da nota destes cursos junto à Capes. Ou então a abertura de novos cursos que vão fazer a diferença para Alagoas, como a graduação em Inteligência Artificial, que começa no segundo semestre deste ano, com a seleção pelo Enem/Sisu. Isto faz parte do pacote na área de inovação, de uma revolução silenciosa que está acontecendo em Alagoas, a partir da Ufal e seus parceiros”, completou.

Josealdo Tonholo ressaltou, inclusive, o apoio que a Ufal recebeu da bancada federal, com aporte de emendas. “Contamos com apoio de emendas importantíssimas dos deputados e senadores, especialmente do deputado Daniel Barbosa, que sempre nos apoia na manutenção do Campus Arapiraca, do senador Fernando Farias, que apoia toda a estrutura da Ufal no Sertão), do deputado Alfredo Gaspar, que apoia um importante projeto dos estudos sobre a ELA [Esclerose Lateral Amiotrófica], e o deputado Paulão, que apoia as ações culturais da nossa Universidade e é o padrinho do Campus do Sertão. Fora isto, recebemos também o aporte de R$ 6 milhões. A bancada federal é sempre parceira da Ufal, sabe da nossa importância para transformar o estado, por isso está sempre atenta ao que estamos fazendo”, finalizou.

Nota da Andifes

Em nota recente, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) alertou toda a sociedade brasileira para sua profunda preocupação com os cortes promovidos pelo Congresso Nacional no orçamento das universidades federais durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2026.

Em especial, a manifestação destacou a grave situação do orçamento destinado à Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), cujo nível de financiamento compromete diretamente a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica nas instituições federais de ensino superior.

Fonte: Tribuna Hoje

Moraes manda Malafaia se explicar por ataques ao Alto Comando do Exército

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o pastor Silas Malafaia apresente defesa em até 15 dias após ser denunciado por calúnia e injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva. Com informações da Folha de S.Paulo.

A medida atende à solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, autor da denúncia encaminhada no dia 18 de dezembro.

A queixa partiu de Tomás Paiva, que relatou ter sido atacado por Malafaia durante um ato bolsonarista na Avenida Paulista, em abril do ano passado. No discurso, o pastor criticou o Alto Comando do Exército sem citar nomes.

“Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, disparou.

O ato foi convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para pressionar por anistia aos responsáveis pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, está preso desde novembro na Superintendência da PF em Brasília.

Argumentos da PGR e encaminhamento ao STF

Para Gonet, o discurso de Malafaia atingiu diretamente os generais e ainda sugeriu prevaricação. O procurador destacou que o pastor divulgou o vídeo nas redes sociais, onde o conteúdo já ultrapassou 300 mil visualizações. Por ligação com os inquéritos das fake news e das milícias digitais, Gonet enviou o caso a Moraes.

No dia 20 de dezembro, durante o recesso do Judiciário, Moraes determinou a notificação de Malafaia e fixou o prazo para a defesa. O pastor recebeu a intimação em 23 de dezembro.

Malafaia nega crime e diz ser perseguido

Malafaia alega que o processo deveria tramitar na primeira instância, por ele não ter prerrogativa de foro. Ele afirma não ter citado Tomás Paiva nominalmente: “A minha fala não cita o nome de ninguém. Eu não citei o nome do comandante do Exército”.

O pastor sustenta ainda que está sendo alvo de perseguição por parte de Gonet e Moraes: “Isso se chama liberdade de expressão, que Alexandre de Moraes transformou em crime de opinião com esse inquérito imoral e ilegal de fake news. Isso é perseguição política, é conluio”.

Durante o recesso do STF, apenas casos urgentes são decididos pela presidência ou vice-presidência da corte, atualmente sob Edson Fachin e Alexandre de Moraes, respectivamente.

Fonte: DCM

Israel avança com plano para roubar mais terra dos palestinos na Cisjordânia

Projeto E1 prevê 3.401 casas e pode dividir o território palestino, aprofundando o isolamento de Jerusalém Oriental

O governo de Israel voltou a dar passos concretos para ampliar a construção de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, em uma iniciativa que ameaça aprofundar a fragmentação territorial palestina e inviabilizar a criação de um Estado soberano. O plano envolve a edificação de milhares de novas moradias em uma área estratégica, com impacto direto sobre a continuidade geográfica entre o norte e o sul da Cisjordânia.

Segundo a Telesur, a Autoridade de Terras de Israe lançou de forma discreta, em meados de dezembro, um edital para a construção de 3.401 unidades habitacionais no chamado projeto E1, localizado a leste de Jerusalém.

De acordo com o levantamento, a licitação não foi anunciada publicamente e estabelece as condições para que empresas apresentem propostas até meados de março. Caso o projeto seja executado, a área de E1 passará a separar efetivamente o norte e o sul da Cisjordânia para a população palestina, além de intensificar o isolamento de Jerusalém Oriental, território considerado parte fundamental de um futuro Estado palestino.

Para Yonatan Mizrachi, codiretor do Settlement Watch, iniciativa do grupo israelense Peace Now, a abertura do edital indica uma aceleração deliberada do plano. Segundo ele, a licitação “reflete um esforço acelerado para avançar com a construção em E1”, avaliação feita após a entidade localizar o documento disponibilizado online.

A proposta de ocupação dessa região não é recente. A ideia surgiu ainda na década de 1990, durante o governo de Yitzhak Rabin, então primeiro-ministro de Israel, assassinado em 1995 por um extremista de direita. Desde então, o projeto tem recebido apoio de diferentes espectros políticos israelenses, apesar das reiteradas críticas da comunidade internacional.

O atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já declarou em diversas ocasiões que “não haverá um Estado palestino”, posicionamento que contraria frontalmente resoluções e pareceres de organismos internacionais. A construção de assentamentos em territórios ocupados é considerada uma violação do direito internacional humanitário, entendimento reafirmado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) da ONU, que determinou o fim dessas iniciativas classificadas como colonialistas.

Além das decisões da CIJ, mais de 20 países já se manifestaram formalmente contra o avanço do projeto E1, entre eles aliados históricos de Israel como França, Canadá, Itália e Austrália. Apesar disso, até o momento não houve um posicionamento público do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a nova licitação.

No campo palestino, o Ministério do Interior reiterou recentemente que não aceitará qualquer tipo de interferência externa ou ações de grupos e entidades sionistas que, segundo o órgão, representem ameaça direta à integridade nacional e aos direitos do povo palestino.

Fonte: Brasil 247

EUA recuam da mentira de que Maduro lidera suposto Cartel de Los Soles

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) recuou em acusar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar o suposto Cartel de Los Soles. A nova peça da denúncia contra o venezuelano por narcotráfico, apresentada após o sequestro de Maduro pelos EUA, excluiu a acusação feita na peça anterior, apresentada em 2020.

Na primeira denúncia, o termo “Cartel de Los Soles” aparece 33 vezes e Maduro é apontado como líder dessa suposta organização.

“Nicolas Maduro Moros, o réu, ajudou a administrar e, por fim, a liderar o Cartel de Los Soles à medida que ganhava poder na Venezuela”, dizia a denúncia, apresentada ainda no primeiro mandato de Trump.

Na nova peça do Departamento de Justiça, apresentada nesta semana, o Cartel de Los Soles aparece apenas duas vezes, em citações de menor importância, sem qualquer menção à liderança de Maduro em relação ao suposto cartel.

“Nicolas Maduro Moros, o réu – assim como o ex-presidente Chávez antes dele – participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual poderosas elites venezuelanas se enriquecem com o tráfico de drogas e a proteção de seus parceiros traficantes”, diz o texto.

A peça do Departamento de Justiça dos EUA afirma, em seguida, que os lucros dessa atividade foram para funcionários corruptos.

“[Esses funcionários] operam em um sistema de clientelismo administrado por aqueles no topo – referido como o Cartel de Los Soles ou Cartel dos Sóis, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente”, diz o documento oficial de Washington.

Fumaça sobe após múltiplas explosões em Caracas
03/01/2026 Vídeo Obtido pela Reuters/via REUTERS
Caracas 3/1/2026 – Fumaça sobe após múltiplas explosões durante invasão dos EUA – Vídeo Obtido pela Reuters/Proibida reprodução

A mudança na linguagem e no teor da acusação do Departamento de Justiça chamou a atenção, uma vez que o suposto cartel foi designado como grupo terrorista pelo governo Trump. A acusação de que Maduro lideraria a organização justificou, no plano discursivo, a invasão da Venezuela.

Especialistas no mercado mundial de drogas vêm rejeitando chamar a Venezuela de narcoestado ou mesmo reconhecer a existência do Cartel de Los Soles.

Não há qualquer menção a esse grupo nas publicações do Escritório para Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (ONU). O Relatório Anual Sobre Ameaças de Drogas da DEA (Administração de Combate às Drogas) de 2025, do governo dos EUA, também não menciona o suposto cartel venezuelano.

Dificuldade em provar existência do cartel

A consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, a advogada Gabriela de Luca, avalia que, ao evitar tratar o cartel como uma organização “real”, o Departamento de Justiça reconhece os limites para provar essa tese.

“Até agora, não emergiram evidências suficientes para caracterizar uma organização criminosa – lacuna apontada por especialistas e, inclusive, por parceiros de inteligência dos próprios EUA”, explicou.

Gabriela destacou que a mudança na denúncia passa a enquadrar Maduro como posicionado no “topo” de um sistema criminoso, tratado como uma aliança de corrupção e tráfico, e não como uma entidade formal com personalidade jurídica, como um cartel.

“Essa escolha fortalece a acusação, uma vez que desloca o foco para condutas individualizadas e comprováveis [narcotráfico, corrupção e associação criminosa] em vez de sustentar um rótulo amplo e conceitualmente frágil de ‘cartel’”, ponderou a consultora.

Advogada Gabriela de Luca, consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe – Foto: Gabriela de Luca/Arquivo pessoal

A advogada disse ainda que a mudança dialoga ainda com as preocupações de especialistas da ONU com o uso indiscriminado do termo cartel, “advertindo que isso poderia justificar medidas amplas de criminalização generalizada do Estado venezuelano, com efeitos colaterais severos sobre uma população já profundamente vulnerabilizada”.

Apesar da mudança, os EUA seguem acusando Maduro de uma série de crimes ligados ao narcotráfico, incluindo relação com narcoguerrilhas colombianas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN), e cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas.

“Maduro Moros e seus cúmplices, durante décadas, fizeram parceria com alguns dos traficantes de drogas e narcoterroristas mais violentos e prolíficos do mundo, e contaram com a corrupção de funcionários em toda a região, para distribuir toneladas de cocaína para os EUA”, diz a acusação.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, comparecem à audiência de instrução no Tribunal Federal, em Nova York, conforme ilustrado em desenho da sala do tribunal – Reuters/Jane Rosenberg/Proibida reprodução

Maduro diz que é inocente

Em depoimento à Justiça dos EUA, Maduro disse que é inocente e se classificou como um prisioneiro de guerra após ser sequestrado por militares estadunidenses no último sábado (3).

O governo de Caracas acusa Washington de criar a acusação de narcotraficante contra lideranças do país para justificar a intervenção na Venezuela com objetivo de controlar as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Trump tem exigido ao novo governo de Delcy Rodríguez, que tomou posse na terça-feira (6) como presidente interina, acesso aos campos de óleo do país.

Em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, admitiu que o petróleo do país sul-americano não pode ficar nas mãos de “adversários” do Hemisfério Ocidental.

“Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de adversários do Hemisfério Ocidental”, disse o diplomata na terça.

Fonte: Agência Brasil

Ação dos EUA na Venezuela ameaça paz na América do Sul, diz embaixador

Colômbia e Cuba repudiam sequestro de Maduro; Argentina defende EUA

O governo brasileiro voltou a condenar a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, assim como o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores, no último sábado (3).

Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5), o embaixador Sérgio França Danese disse que a paz na América do Sul está em risco.

Segundo o diplomata, intervenções armadas anteriores no continente resultaram em regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, declarou Danese.

“Reafirmamos com plena determinação o compromisso com a paz e a não intervenção em nossa região”.

Linha inaceitável

Para o Brasil, os Estados Unidos cruzaram uma “linha inaceitável” do ponto de vista do direito internacional. Danese afirmou que a ação norte-americana viola frontalmente normas das Nações Unidas.

“A Carta da ONU estabelece como pilar da ordem internacional a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas. Essas normas não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, disse Danese.

O representante brasileiro afirmou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu povo, por meio do diálogo e sem interferência externa, dentro do marco do direito internacional.

“O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, disse Danese.

Colômbia e Cuba

Outros países sul-americanos adotaram argumentos semelhantes ao do Brasil, ao condenar as ações dos Estados Unidos na Venezuela no último final de semana. Entre eles Colômbia e Cuba, ameaçados recentemente pelo presidente Donald Trump como possíveis novos alvos de Washington.

A embaixadora colombiana Leonor Zalabata Torres disse que os EUA violam o direito internacional e a soberania venezuelana.

“Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força nem para cometer um ato de agressão”, disse Torres.

A embaixadora alertou para os impactos humanitários e regionais da crise.

“Ações unilaterais contrárias ao direito internacional colocam em risco a estabilidade regional e agravam as já complexas condições da população civil, com efeitos devastadores que transcenderão as fronteiras soberanas da Venezuela”, disse Torres.

“A Colômbia tem sido e continuará sendo um receptor solidário da população venezuelana, mas um fluxo migratório massivo exigiria um esforço significativo de recursos e capacidades”, complementou.

O embaixador cubano Ernesto Soberón Guzmán acusou os Estados Unidos de terem como objetivo principal o controle da produção de petróleo venezuelano.

“O objetivo final dessa agressão não é a falsa narrativa de combate ao narcotráfico, mas o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela, como foi declarado aberta e descaradamente pelo presidente Trump e por seu secretário de Estado”, disse Guzmán.

“Falar em uma transição ‘segura e prudente’ significa, na visão dos Estados Unidos, impor um governo fantoche funcional a seus objetivos predatórios, particularmente o acesso irrestrito e a pilhagem dos recursos naturais que pertencem ao povo venezuelano”, complementou.

O diplomata também negou que o país atue de forma secreta no território venezuelano, como dito pelo governo estadunidense.

“Rejeitamos categoricamente as acusações de que Cuba mantém ativos de inteligência na Venezuela. Essas declarações não têm base factual e buscam desviar a atenção dos atos criminosos cometidos pelos Estados Unidos na região”, disse Guzmán.

Argentina

Um dos poucos países a se manifestar em defesa da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela foi a Argentina. O embaixador na ONU Francisco Fabián Tropepi classificou o sequestro de Nicolás Maduro como um passo decisivo no combate ao narcoterrorismo e uma oportunidade para a restauração da democracia no país.

“A República Argentina confia que esses fatos representem um passo decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permitirá ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos”, declarou o diplomata argentino.

Tropepi relembrou a concessão de asilo diplomático a seis líderes da oposição venezuelana em março de 2024 e a expulsão de diplomatas argentinos da Venezuela, depois que o governo de Buenos Aires reconheceu Edmundo González Urrutia como presidente eleito da Venezuela.

“Apesar das pressões, a República Argentina manteve sua convicção inabalável de continuar denunciando a situação na Venezuela e de atuar em todos os fóruns internacionais disponíveis”, disse Tropepi.

Fonte: Agência Brasil

Após Venezuela, Trump ameaça tomar Groenlândia e atacar Colômbia

Após sequestrar Maduro, EUA ameaçam tomar território da Dinamarca

Um dia após bombardear a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e sugeriu uma ação militar contra o governo da Colômbia, de Gustavo Petro.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, emitiu nota afirmando que os EUA não têm qualquer direito de anexar nenhum dos países do Reino da Dinamarca.

“Tenho que dizer isso muito diretamente aos Estados Unidos: não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre a necessidade de os EUA tomarem posse da Groenlândia”, disse Frederiksen

A chefe do Estado europeu lembrou que a Dinamarca faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e está coberta pela garantia de segurança da aliança militar, que é encabeçada pelos próprios EUA.

“Já temos um acordo de defesa entre o Reino e os Estados Unidos, que concede aos EUA amplo acesso à Groenlândia. E nós, por parte do Reino, investimos significativamente em segurança no Ártico”, completou.

A primeira-ministra da Dinamarca ainda apelou para o fim das ameaças.

“Insisto veementemente para que os EUA cessem as ameaças contra um aliado histórico e contra outro país e outro povo que já deixaram bem claro que não estão à venda”, finalizou.

Em uma rede social, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, disse que a ameaça é inaceitável.

“Quando o presidente dos Estados Unidos fala “precisamos da Groenlândia” e nos liga com a Venezuela e intervenção militar, não é só errado. Isto é tão desrespeitoso. Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, comentou.

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou, nesse domingo (4), que Washington “precisa” da Groenlândia para a segurança nacional.

“[Precisamos da Groenlândia] não por causa dos minerais, temos vários lugares para minerais e petróleo, mais que qualquer país do mundo. Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, afirmou o chefe da Casa Branca.

As ameaças para anexar o território no extremo-norte do continente americano vêm desde que Trump assumiu o governo, em janeiro de 2025.

A nova ameaça desse domingo foi rejeitada por outros chefes de Estado europeus, como dos vizinhos Finlândia, Noruega e Suécia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que somente a Groenlândia e a Dinamarca devem decidir o futuro do território.

“E a Dinamarca é uma aliada próxima na Europa, é uma aliada da Otan e é muito importante que o futuro da Groenlândia seja para o Reino da Dinamarca e para a própria Groenlândia, e somente para a Groenlândia e o Reino da Dinamarca”, disse Starmer à emissora pública inglesa BBC.

O cientista político Ali Ramos, autor de estudos sobre a Ásia, informou à Agência Brasil que o derretimento das calotas polares na Rota do Norte, que liga a Ásia à Europa, passando pela Groenlândia, vai baratear o frete marítimo entre os continentes em mais de um terço. 

“Rússia tem mais que o dobro de bases da Otan no Ártico e a China recentemente emitiu um documento se considerando um país do entorno do Ártico, provavelmente em colaboração com os russos. O Trump precisa do Canadá e da Groenlândia para dissuasão, bases, mísseis e etc”, comentou.

Colômbia

Além da Groenlândia, Trump ameaçou também de uma ação militar na Colômbia, do presidente esquerdista Gustavo Petro, crítico das políticas da Casa Branca para a América Latina. O presidente dos EUA disse que uma ação militar contra o governo Petro “parece bom”.

“A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, disse Trump a jornalistas.

O presidente da Colômbia rejeitou as acusações do presidente estadunidense.  

“Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas; meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram tornados públicos”, lembrou.

“Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, completou.

Fonte: Agência Brasil

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