A Polícia Civil prendeu o líder de uma igreja evangélica por suspeita de abuso sexual contra uma menina de 10 anos. Segundo informações da polícia, ele teria ido até a casa da vítima, enquanto os pais dela não estavam presentes, para cometer o crime. Ele atuava como líder do grupo de jovens da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, na comunidade Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Após o abuso, a menina teria procurado a mulher do pastor da igreja para relatar o ocorrido. Na ocasião, a menina chegou a falar que Rodrigo, de 40 anos, teria lhe entregado uma pílula do dia seguinte. A mulher comunicou o ocorrido aos responsáveis pela vítima, que denunciaram o caso na delegacia.
Os agentes da 10ª DP (Botafogo) realizaram diligências e ouviram testemunhas e familiares. A partir dos depoimentos, eles descobriram que Rodrigo confessou o crime à sua esposa, que solicitou o divórcio.
— A esposa dele confirmou tudo. Segundo a nossa investigação, ele já estava praticando abusos sexuais contra a menina há cerca de três meses. Agora, estamos apurando se outras crianças da igreja que também foram vítimas — explica o delegado Alan Luxardo.
Com a investigação, ele teria tentado fugir, mas foi preso na manhã desta terça-feira, na estrada de Petrópolis.
A PGR já deu andamento à denúncia, encaminhando-a para o grupo estratégico de combate aos atos antidemocráticos, que será responsável por investigar as acusações
O pastor Silas Malafaia foi denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR) sob a acusação de envolvimento em atos antidemocráticos e por proferir ofensas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A denúncia foi apresentada por Leonardo Bastos, integrante do conselho de ética do Partido dos Trabalhadores (PT) de Sapucaia do Sul.
De acordo com Bastos, a iniciativa busca responsabilizar figuras públicas que, segundo ele, incitam desordem e desrespeitam as instituições democráticas. “A denúncia contra Silas Malafaia visa a manutenção do estado de direito e o respeito às autoridades constituídas”, afirmou o denunciante em declaração pública. O processo corre sob o número 20240046878/2024
A PGR já deu andamento à denúncia, encaminhando-a para o grupo estratégico de combate aos atos antidemocráticos, que será responsável por investigar as acusações. Segundo fontes próximas ao caso, os atos atribuídos a Malafaia incluem discursos que questionam a legitimidade do STF e incentivam a população para desobedecer a decisões judiciais.
Além disso, o empresário da fé teria feito diversas declarações ofensivas direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes, o que reforçou a gravidade das acusações.
Silas Malafaia é conhecido por sua influência no meio evangélico e por utilizar sua plataforma para divulgar suas posições políticas. No entanto, suas declarações têm frequentemente gerado controvérsias, especialmente quando ultrapassam os limites do debate democrático, o que tem sido cada vez mais comum.
O Brasil de Fato preparou uma lista de produções audiovisuais sobre a história do movimento camponês brasileiro
A história do Brasil é a história da luta pela terra. Nesse sentido, no dia em que se celebra o nascimento da líder camponesa Margarida Maria Alves, o Brasil de Fato preparou uma lista de dez de filmes que ajudam a compreender a história da luta pela terra e do movimento camponês brasileiro.
Veja a seguir:
Nos Caminhos de Margarida (2017) – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag)
Documentário mostra a trajetória de vida e militância de Margarida Maria Alves, a partir de depoimentos e imagens que revelam um pouco da história da heroína brasileira.
Cabra marcado para morrer(1984) – Eduardo Coutinho
O filme conta a história das Ligas camponesas de Galiléia e de Sapé e a vida de João Pedro Teixeira, assassinado por ordem de latifundiários da região nordeste. As filmagens foram interrompidas por causa do golpe militar de 1964, e retomadas 17 anos depois, a partir de entrevistas com a viúva, Elizabeth Teixeira.
O filme faz parte de uma trilogia, junto a O Sonho de Rose – 10 Anos Depois… (2000) e Fruto da Terra (2008), em que a diretora registra a ocupação da fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, em 1985, por um grupo de 4 mil agricultores, considerada a primeira ocupação de terras deu origem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Brasil. Com destaque para a atuação de Roseli Celeste Nunes da Silva, a Rose, uma das lideranças mais importantes da história do MST.
Filme conta a história Marcos Tiarajú, primeiro bebê nascido na Fazenda Annoni, em 1985, primeira ocupação do MST no Brasil. Sua mãe, Rose, foi morta durante essa luta. Hoje, com 22 anos, Marcos é médico, formado pela Escola Latino-americana de Medicina, em Cuba.
O documentário retrata a luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pela área de uma usina prestes a falir, enquanto um grupo de pessoas ligadas a latifundiários conspira contra os ocupantes.
O documentário retrata a trajetória de Shirley Krenak e Maria Zelzuita, duas mulheres que lideram a luta pela terra em seus territórios, e que levantam questões fundamentais sobre o futuro do planeta. “Que tipo de adubo você quer ser para a Mãe Terra?”, questiona Shirley Krenak.
O documentário apresenta a trajetória de Kátia, cacica do povo Akrãtikatêjê, Manoel, cacique do povo Munduruku, e José Manuyama, professor de origem Kokama. Três lideranças indígenas da Amazônia que narram as ameaças aos seus territórios promovidas pela grande mineração, pelo monocultivo, pelo garimpo, pela exploração de petróleo, pela extração de madeira e pela construção de usinas hidrelétricas.
O documentário conta a história do massacre de cinco trabalhadores rurais sem terra por um fazendeiro e seus jagunços em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha (MG). O filme foi produzido com o auxílio da brigada audiovisual da Via Campesina.
Raiz Forte(2000) – de Aline Sasahara e Maria Luisa Mendonça
Documentário registra o encontro de trabalhadores sem terra com o movimento social em busca de uma vida digna no campo. As diretoras resgatam as memórias dessas pessoas para revelar os motivos que os fizeram se somar às fileiras do MST.
Memórias camponesas(2020) – Comissão Memória e Verdade da UFRJ e Programa de Antropologia do Museu Nacional
Filme retrata a formação do movimento camponês e das entidades de organização e defesa dos direitos dos trabalhadores rurais. O documentário descreve ainda como foi a repressão logo após o golpe de 1964 e a resistência do movimento camponês à ditadura militar.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela informou na noite da última terça-feira (5) que entregou ao Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) as atas eleitorais que confirmam a vitória do presidente Nicolás Maduro nas eleições de 28 de julho.
Segundo o CNE, Maduro obteve cerca de 51% dos votos, superando Edmundo González, candidato da oposição liderada por Maria Corina Machado, que teria conquistado cerca de 43% dos votos.
Contudo, Edmundo González não aceitou o resultado divulgado e, em uma medida semelhante à de Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente da Venezuela, rejeitando a legitimidade da vitória de Maduro.
O presidente do CNE, Elvis Amoroso, informou que, a pedido do TSJ, foram entregues todos os documentos eleitorais necessários para que a Corte possa validar o resultado das eleições. “Entregou-se tudo o que foi solicitado pelo máximo Tribunal da República”, disse Amoroso durante uma audiência.
O TSJ solicitou ao CNE a entrega das atas de apuração de todas as mesas eleitorais, além das atas de totalização final, julgamento e proclamação das eleições.
Já Caryslia Rodríguez, presidente do TSJ, confirmou que o material foi recebido e declarou que o tribunal investigará as denúncias de fraude, com um prazo de até 15 dias para a conclusão da apuração.
Inicialmente, o TSJ convocou Edmundo González e outros três candidatos da oposição para comparecerem ao tribunal na quarta-feira (7). A audiência com Maduro está marcada para a sexta-feira (9).
A Corte Suprema ressaltou que o objetivo é “consolidar todos os registros eleitorais em posse dos partidos e candidatos”. Todos os convocados “deverão fornecer as informações exigidas e responder às questões formuladas”.
Edmundo González, entretanto, não compareceu à última convocação, que ocorreu na sexta-feira (2), onde os candidatos derrotados deveriam assinar um termo aceitando os resultados apresentados pelo CNE.
Vale destacar que tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia se recusaram a reconhecer a vitória de Maduro, acusando o governo venezuelano de fraudar as eleições. Já o Brasil adotou uma posição mais cautelosa, exigindo a apresentação das atas eleitorais detalhando os votos em cada urna antes de reconhecer qualquer resultado.
A ausência dessas atas eleitorais no domínio público tornou-se um ponto central nas acusações de fraude feitas pela oposição venezuelana.
Um pedaço do campo no coração de Maceió: a Feira Camponesa está de volta à Praça da Faculdade!
A 33ª Feira Camponesa, realizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), na Praça da Faculdade, será nesta semana; na quarta, quinta e sexta-feira, dias 7, 8 e 9 de agosto.
A feira contará com 50 bancas com alimentos sadios, casa de farinha artesanal, restaurante camponês e atrações culturais.
A programação começa na quarta-feira a partir das 6h, mas a solenidade de abertura será às 16h no local, com a presença de figuras públicas, representantes de órgãos do governo do estado, instituições de ensino parceiras, dirigentes sindicais e lideranças de movimentos sociais.
O horário de funcionamento da feira será das 6h às 22h. O restaurante camponês terá café da manhã, almoço e jantar. No cardápio, galinha velha, carneiro, buchada, saratapel. Todas as refeições são completas, tendo acompanhamentos.
Nos três dias do evento, a programação noturna começará a partir das 19h. No dia 7, show com Xameguinho; no dia 8, Samba da Periferia; e no dia 9, Pinóquio do Acordeon e banda. Antes do encerramento, na sexta-feira, haverá o bingo de um carneiro no intervalo da apresentação.
A Feira Camponesa é um projeto que acontece desde o ano de 2004 na Praça na Faculdade e, desde 2009, na versão Itinerante, passando por bairros como a Serraria – onde se fixou, Antares, Pinheiro, Santos Drummond e, recentemente, Jatiúca.
Plantar, colher e repartir! É a Feira Camponesa, na Praça da Faculdade! Produtos da roça, direto para sua mesa!
Artistas que participavam da pintura de uma empena de edifício na rua da Consolação, região central de São Paulo, sofreram o que descrevem como um “ataque sionista”, na tarde deste domingo (4). De acordo com relatos, um homem se aproximou do trabalho, um mural de quase 30 metros em homenagem ao povo palestino, chutou latas de tinta, agrediu a equipe que estava em solo e chegou a mexer nas cordas que mantinham o artista visual Kleber Pagu no alto da parede.
A atividade compõe a Jornada Nacional de Muralismo em defesa da Palestina, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em diferentes cidades brasileiras. O edifício que recebe o mural é o mesmo que abriga a ocupação Penha Pietra’s, que também compõe a programação política.
“O que aconteceu foi um ato de intolerância à expressão, uma agressão sionista e ao artista, mas o mais grave é que havia uma pessoa pendurada nas cordas e o agressor forçou aquelas cordas. Ou seja, há um atentado à vida”, aponta o coordenador da Jornada Nacional do MST, Luciano Carvalho.
O caso foi encaminhado para a 78ª Distrito Policial, no bairro dos Jardins, onde um boletim de ocorrência foi registrado. Até o momento da conclusão desta matéria, porém, a reportagem não conseguiu resposta da Polícia sobre o assunto.
O artista visual Kleber Pagu, que sofreu a principal agressão, comenta que “em outros momentos existiram xingamentos, carros que buzinavam, mas há uma diferença muito grande quando alguém se aproxima e nos agride. Outro limite foi cruzado”, diz.
Uma inauguração da obra estava marcada para as 14h deste domingo. Após o ataque, porém, a programação da tarde foi reformulada para um ato em protesto à violência sofrida pelo grupo. “Vamos terminar a obra e fazer um ato político. Mas vamos precisar de reforços, de seguranças populares para lidar com esse estado de violência”, reforça Luciano Carvalho.
Imagens que circularam na mídia palestina mostraram corpos espalhados dentro do pátio de uma das duas escolas destruídas pelas explosões
Um ataque aéreo israelense atingiu duas escolas na Cidade de Gaza neste domingo, matando pelo menos 30 pessoas, informou a agência de notícias oficial palestina, enquanto os militares israelenses disseram ter atingido um complexo militar do Hamas disfarçado dentro das escolas.
Outro ataque aéreo israelense havia atingido um acampamento dentro de um hospital no centro de Gaza no início do dia. Autoridades de saúde de Gaza disseram que pelo menos 44 palestinos foram mortos neste domingo, apenas um dia depois de uma rodada de negociações no Cairo visando um cessar-fogo terminar sem resultado.
Imagens que circularam na mídia palestina mostraram corpos espalhados dentro do pátio de uma das duas escolas destruídas pela explosão, enquanto os moradores corriam para carregar os feridos, incluindo crianças, e os colocavam em ambulâncias para pelo menos dois hospitais próximos.
A agência de notícias oficial palestina WAFA e a mídia do Hamas disseram que dezenas de pessoas ficaram feridas, além das 30 vítimas fatais nas escolas de Hassan Salama e Al-Nasser, que abrigavam famílias palestinas desalojadas. Eles disseram que o ataque destruiu várias estruturas dentro das instalações.
As Forças Armadas israelenses disseram que atingiram membros do Hamas cujo comando estava instalado dentro destas escolas, acusando o Hamas de operar disfarçado dentro de instalações civis. O Hamas nega o uso de instituições civis para fins militares.
O escritório de comunicação do governo palestino disse que Israel atingiu 172 abrigos designados, a maioria escolas, que alojam milhares de famílias deslocadas pela guerra desde 7 de outubro.
No início do dia, um ataque israelense dentro do complexo do Hospital Al-Aqsa provocou um incêndio e feriu pelo menos 18 pessoas, além de matar cinco, segundo autoridades médicas.
Os militares israelenses disseram que atingiram um militante que “conduzia atividades terroristas” e que explosões secundárias foram identificadas, indicando a presença de armas na área.
O complexo hospitalar fica em Deir Al-Balah, uma área repleta de milhares de pessoas desalojadas pelos combates em outras partes do enclave.
Em outro lugar em Deir Al-Balah, três palestinos foram mortos quando um míssil israelense atingiu uma casa. Novos ataques israelenses mataram oito pessoas dentro de suas casas no campo de Jabalia, no norte da Cidade de Gaza, e três dentro de um carro.
Moradores de áreas ao sudeste da cidade de Khan Younis, no sul de Gaza, e ao norte de Rafah, onde houve fortes combates no mês passado, relataram ter recebido ordens de retirada dos militares israelenses.
O porta-voz do Exército israelense publicou ordens no X pedindo aos moradores dessas regiões que se dirijam à zona humanitária, dizendo que as tropas logo agirão com força contra os militantes que realizam ataques a partir delas.
O Exército israelense também disse que está trabalhando no desmantelamento de um túnel no corredor de Philadelpi, na fronteira com o Egito, descoberto na semana passada por tropas que procuravam infraestrutura subterrânea do Hamas na região.
Insuflados por políticos ruralistas e bolsonaristas locais, ataques deixam indígenas gravemente feridos. Atitude da Força Nacional é questionada
“Pega teu povo e sai daqui ou vocês vão morrer”. Este foi o aviso dado a um indígena Guarani e Kaiowá das retomadas de Douradina (MS), no início da tarde deste sábado (3), por um agente da Força Nacional pouco antes do destacamento se retirar da área dando liberdade para um ataque de jagunços fortemente armados, que empoleirados em camionetes atiraram com munição letal e balas de borracha deixando dez Guarani e Kaiowá feridos – em apuração inicial.
Dois indígenas estão em estado grave: um levou um tiro na cabeça e outro um tiro no pescoço. Aparentemente alvejados com munição letal. Além deles, mais seis feridos foram encaminhados ao Hospital da Vida, em Dourados. Após pressões, a Força Nacional voltou a montar guarda nas retomadas. “Queremos saber a razão da Força Nacional ter saído daqui. Os agentes saíram e o ataque aconteceu. Parece que foi combinado. Queremos entender”, diz um indígena Guarani e Kaiowá por áudio no WhatsApp.
O ataque deste sábado ocorreu na retomada Pikyxyin, uma das sete na Terra Indígena Lagoa Panambi, identificada e delimitada desde 2011, e a mesma onde nesta sexta-feira (2) um ataque já havia ocorrido, mas sem ferir os indígenas, e também local em que um casal de jagunços armado foi detido pela Força Nacional na quinta (1). Ou seja, os agentes federais sabiam que o ambiente seguia tenso, com incursões de jagunços nas retomadas.
A Defensoria Pública da União (DPU) anunciou que entrará com representação pedindo a destituição do comando da Força Nacional no Mato Grosso do Sul. Na retomada Yvy Ajere, onde há um acampamento de jagunços, mais camionetes chegaram para reforçar o grupo que lá estava. “A jagunçada se mexe na frente de todo mundo. A gente observa eles manuseando armamentos pesados. Vão e voltam com liberdade”, diz o indígena.
Foram acionados o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério dos Povos Indígenas, Ministério dos Direitos Humanos, Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) cuidou do pronto atendimento das vítimas do ataque, mobilizando duas ambulâncias de terapia intensiva para cuidar dos dois feridos com mais gravidade.
Falso comunicado
Pela manhã, conforme apuração, a Força Nacional comunicou a Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de que os Guarani e Kaiowá tinham avançado nas retomadas. Uma equipe do órgão indigenista foi enviada às retomadas para averiguar a informação da Força Nacional. Contudo, os servidores da Funai não confirmaram a informação e constataram que, ao contrário, os indígenas seguiam nos mesmos locais.
Ocorre que durante a semana, na segunda reunião mediada pelo MPF em Dourados, a Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul) e políticos ruralistas, caso do deputado federal Marcos Pollon (PL/MS), boicotaram um acordo de permuta de terras envolvendo as propriedades incidentes na Terra Indígena – que contou com o aceite por parte de três proprietários, sendo um quarto incluído posteriormente. Com bolsonaristas locais, que usam o caso para visibilidade eleitoral, insuflaram uma cruzada contra os Guarani e Kaiowá.
Polícia agiu sem ordem judicial; de três pessoas presas, uma ainda aguarda liberação
O Tribunal de Justiça do Maranhão concedeu, na noite desta quinta-feira (1º), liberdade a três militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Eles foram presos em ação policial violenta no acampamento Salete Moreno, no município de Itinga.
Os setores jurídico e de direitos humanos do movimento dizem que a ação foi ilegal, uma vez que um comboio com cerca de cinco viaturas entrou no acampamento sem apresentação de ordem judicial. De acordo com testemunhos dos trabalhadores, os policiais agrediram fisicamente integrantes do acampamento.
Militantes do MST
Os militantes permaneceram na Unidade Prisional de Açailândia durante dois dias, em cela sem cama, colchões, comida ou água à disposição. Foram obrigados a dormir no chão, sobre urina e com a presença de ratos.
A ação aconteceu na tarde de terça-feira (30). Em imagens gravadas com celulares é possível ver policiais encapuzados. Foi flagrado também o momento em que um deles agride fisicamente uma defensora de direitos humanos do estado, incluída no serviço de proteção à vida.
No dia seguinte, áudios divulgados nas redes sociais anunciam a convocação de ruralistas da região para coagir as famílias do acampamento. Nas mensagens, há a garantia do apoio da Polícia Militar para forçar um despejo.
“A polícia vai entrar, já solicitamos os ônibus. A polícia vai entrar com os ônibus para fazer a retirada e os helicópteros já estão lá na região, sobrevoando a fazenda. Então, pessoal, vamos nos unir”, diz um dos áudios.
A área foi ocupada há cerca de uma semana, durante a Jornada de Lutas por Alimentos Saudáveis e pela Reforma Agrária, e compreende as Fazendas União e Amaralina. Segundo levantamento do movimento, a área pertence à União e, em diálogo com o Incra, deve ser destinada à reforma agrária.
“Estes foram dias de luta, solidariedade e liberdade aos nossos companheiros e companheira. O acampamento Salete Moreno seguirá resistindo, denunciando a injustiça e violência praticada nesta ação, assim como em todo o campo maranhense, que é um dos mais violentos do país. Seguiremos também em defesa da garantia de reforma agrária popular, para a vida digna de trabalhadoras e trabalhadores rurais”, pontua Divina Lopes, da direção nacional do movimento.
O que diz a PM?
A PM afirma que a ação teve início a partir da informação de que o caseiro das fazendas estaria em cárcere privado. No entanto, chegando ao local eles constataram que a informação era falsa. A guarnição alega ter sido coagida por homens armados, o que teria motivado o retorno com mais policiais.
Os três acampados detidos apontaram, em depoimento, que os policiais chegaram ao acampamento com os seus nomes em mãos, em busca de dois militantes que deveriam ser presos.
As cerca de 100 famílias do Acampamento Salete Moreno seguem em ocupação na área, onde reivindicam garantia de segurança e destinação de espaço para a reforma agrária. Na região, movimentos sociais e sindicais se reuniram durante toda a tarde em apoio ao movimento.
A Superintendência Regional do Incra no Maranhão publicou nota de repúdio à ação, exigindo “providências urgentes das autoridades para coibir esse tipo de ação repressiva contra os movimentos sociais que lutam pelo direito à terra e os direitos humanos de trabalhadores e trabalhadoras rurais do Maranhão”.
Questionado em relação às denúncias apontadas, o governo do Maranhão informou, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-MA) que está apurando as denúncias e monitorando a ocorrência no acampamento Salete Moreno através da Comissão Estadual de Prevenção à Violência no Campo e na Cidade (Coecv) e da Superintendência de Combate a Violência Institucional (SCVI).
Informou ainda que a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) “tão logo tomou conhecimento do caso, determinou ao Batalhão da Polícia Militar do Maranhão que atua na região, o envio do relatório detalhado da ocorrência para esclarecer a dinâmica dos fatos”.
Sobre as denúncias de violência praticada pelos policiais contra acampados, acrescentou que “a Polícia Militar é treinada para atuar no estrito cumprimento do dever legal e qualquer ação dos agentes que não coadunem com as normas e leis são apuradas pela corporação. Sendo provada qualquer irregularidade na ação, os envolvidos responderão por seus atos, em conformidade com a lei”.