Serial Killer de Maceió frequentava igreja evangélica, idolatrava Bolsonaro e usou arma do pai PM nos crimes

Vítimas do maior serial killer da história de Maceió tinham idades entre 13 e 25 anos. Para cometer os crimes, ele usava a pistola de propriedade do pai, um PM. Nas redes, o homem idolatrava Jair Bolsonaro e Israel e postava mensagens de cunho religioso e de ódio ao PT. No momento da prisão, o homem tentou persuadir os agentes com a seguinte frase: “Calma, eu sou evangélico”. Uma das sobreviventes frequentava a mesma igreja: “Eu sempre dizia que uma hora iam descobrir algo muito grave dele, porque era nítido. Ele sempre foi muito esquisito”

A Polícia Civil de Alagoas investiga uma série de homicídios cometidos por Albino Santos de Lima, de 42 anos, considerado o maior serial killer da história do estado.

Ex-segurança do Sistema Penal do Estado de Alagoas, Albino já confessou a autoria de oito assassinatos, e a polícia já confirma que 10 vítimas foram mortas pelo homem – sete mulheres e três homens. No entanto, as autoridades encontraram novos indícios que sugerem que o número de vítimas pode ser ainda maior, podendo chegar até 18, conforme as investigações avançam.

A polícia revelou que Albino escolhia suas vítimas com base em características físicas específicas, como mulheres jovens, morenas, geralmente de cabelo cacheado, além de ter matado também uma mulher trans.

Para cometer os crimes, Albino utilizava uma pistola .380 do seu pai, um policial militar aposentado. Todas as vítimas moravam na mesma região periférica de Maceió, nos bairros Vergel do Lago, Ponta Grossa e Levada. Elas foram mortas a tiros entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Em depoimento, Albino Santos admitiu que monitorava as vítimas por meio das redes sociais.

Um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra o momento da prisão do Serial Killer. Quando os agentes tentam arrombar a porta de Albino para efetuar a prisão, ele aparece na varanda e pede calma aos policiais, utilizando o seguinte argumento: “Eu sou evangélico”.

SOBREVIVENTES

Uma jovem de 24 anos, vizinha do serial killer, é uma das sobreviventes. Em 2021, ela foi incluída sem o seu consentimento em um grupo de pornografia no WhatsApp. Ao tentar saber quem a teria colocado no grupo, descobriu que o responsável foi Albino — que morava em uma casa na frente da sua.

O medo tomou conta de Ana, frequentava a mesma igreja evangélica que ele. Por essa relação religiosa, eles participavam de um mesmo grupo, onde Ana diz que ele pegou o seu contato.

Logo após reconhecer Albino, ela conta que teve falta de ar e ficou extremamente nervosa. Ana procurou então a polícia e denunciou o caso, o que levou Albino a ser intimado. No depoimento, ele alegou que o celular dele teria sido clonado — o que não foi confirmado.

Na polícia, ele foi alertado para manter distância da jovem e da igreja. Apesar dele não ter entrado em contato depois da denúncia, Ana passou a viver com receio.

Ana afirma que, após saber que Albino foi quem a colocou no grupo, ela começou a ligar os fatos. Naquele mesmo dia que foi inserida no primeiro grupo, ele mandou uma mensagem privada no seu WhatsApp, sobre um evento que ocorreria na igreja, e ela ignorou.

“Mostrei até aos meus pais, estava claro que era para puxar assunto porque a informação que ele queria tinha no cartaz do evento. Eu ignorei”, relata. Além disso, ela conta que ele chegou a fazer menções a ela no grupo de WhatsApp da igreja, mas, que não eram respondidas.

Ana conta que Albino mantinha três perfis no Instagram. Nesses perfis, Albino postava mensagens de ódio contra o PT e de apoio a Israel e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em meio a isso, rotineiramente também postava figuras com frases religiosas.

Ana diz acreditar que o que a salvou foi o fato de ter denunciado à polícia e de ter tornado o caso público entre pessoas próximas. “Minha mãe, com medo que acontecesse algo, contou para todos os vizinhos possíveis porque se algo acontecesse, saberiam que foi ele. E o fato de eu ter o bloqueado, também impediu dele me monitorar.”

“Eu sempre dizia que uma hora iam descobrir algo muito grave dele, porque era nítido. Ele sempre foi muito esquisito, impossível não ver que tinha algo de errado”.

Uma outra sobrevivente relatou ter sido alvejada por quatro tiros no dia 12 de junho de 2024. A vítima foi atingida por quatro disparos de arma de fogo, sendo dois na cabeça e dois nas costas. Em razão dos ferimentos, ela ficou internada em coma, por um mês, no Hospital Geral do Estado (HGE).

“Quando eu estava chegando perto da casa da minha avó, senti aquela pessoa correndo. Quando olhei, ele deu o primeiro tiro”, relatou a vítima. “O Albino tentou matá-la, inclusive conseguiu alvejar a vítima com quatro disparos, mas ela sobreviveu. Estamos aprofundando as investigações para coletar o máximo de indícios possíveis”, informou o delegado que preside o inquérito do caso, Gilson Rego Souza.

Selfie em lápides

A Polícia Civil encontrou selfies de Albino em frente à lápide de algumas de suas vítimas. Em seu aparelho celular, Albino tinha três pastas específicas: ‘Odiadas Instagram’, ‘mortes especiais’ e ‘prints reportagens’. Em alguns casos, ele chegou a ir até o cemitério e tirou selfies nas lápides das vítimas que fazia. Albino também marcava no calendário a data de cada um dos crimes.

“Os peritos encontraram no celular dele fotografias de indivíduos que ainda estão vivos, mas que seriam vítimas em especial. […] É um predador, assassino em série, frio, calculista”, afirma o delegado Souza. “Ele não demonstra nenhum arrependimento”, acrescenta.

Fonte: Pragmatismo Político

“Máfia das creches”: Justiça autoriza PF a investigar Ricardo Nunes

A Polícia Federal (PF) obteve autorização da Justiça na segunda-feira (18) para investigar o envolvimento do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), no caso da “máfia das creches”, iniciado em 2019. A informação foi divulgada pela TV Globo.

A decisão da 8ª Vara Criminal Federal de São Paulo acatou o pedido da PF para desmembrar a investigação sobre o emedebista do restante do inquérito, que abrange outros investigados, incluindo representantes de organizações da sociedade civil, empresas contratadas pela Prefeitura de São Paulo para gerenciar escolas municipais e contadores.

Na época dos supostos desvios, Nunes era vereador da capital paulista.

Além disso, a decisão também autorizou a investigação de um contador suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro, que prestava serviços para as creches de São Paulo.

Segundo a defesa de Nunes, a continuidade das investigações tem teor político. A defesa disse ainda que os delegados federais não apresentaram justificativas para pedir o desmembramento do inquérito.

Fonte: DCM

Israel matou mais de 200 crianças no Líbano em dois meses

Ações do exército sionista de Israel amplia rastro de crianças assassinadas. “O intolerável está silenciosamente se transformando em aceitável”

Mais de 200 crianças foram assassinadas e outras 1.100 ficaram feridas no Líbano nos últimos dois meses, segundo dados divulgados nesta hoje (19) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). As vítimas da violência do Estado de Israel somam-se às mais de 40 mil mortes de civis, maioria crianças e mulheres, resultados da ação sionista na Faixa de Gaza. A declaração vem em meio a uma escalada violência no país do Levante desde setembro.

“Apesar de mais de 200 crianças mortas no Líbano em menos de dois meses, um padrão desconcertante surgiu: suas mortes são recebidas com inércia por aqueles capazes de parar essa violência”, afirmou James Elder, porta-voz do Unicef, durante uma coletiva de imprensa em Genebra. “Para as crianças do Líbano, tornou-se uma normalização silenciosa do horror.”

Elder destacou que o impacto sobre as crianças é evidente para qualquer um que acompanhe a mídia. Ele também traçou paralelos entre a situação no Líbano e em Gaza, onde ataques que duram 13 meses de Israel já deixaram mais de 43 mil mortos.

No Líbano, os combates se intensificaram no último ano, mas atingiram níveis críticos após o aumento das tensões entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã. Essa escalada transformou o país em mais um palco de tragédias humanitárias.

Crianças na mira de Israel

Frente ao cenário devastador, o Unicef intensificou seus esforços. A organização tem oferecido apoio psicossocial, suprimentos médicos, refeições e kits de dormir para centenas de milhares de crianças deslocadas pela violência. “No Líbano, muito parecido com o que acontece em Gaza, o intolerável está silenciosamente se transformando em aceitável”, afirmou Elder.

As palavras do porta-voz ressaltam uma crescente apatia internacional diante do sofrimento das crianças nas zonas de conflito. Enquanto a comunidade global hesita em agir, a infância de milhares de jovens está sendo apagada em meio à destruição e à violência.

Fonte: TVTNews

Feriado do Dia Nacional da Consciência Negra tem festas em todo o país

Data é celebrada pela primeira vez como feriado nacional

Nesta quarta-feira (20), o Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra será celebrado pela primeira vez como feriado nacional. Até 2023 a data era celebrado em apenas seis estados e pouco mais de 1.200 cidades, e passou a ser comemorado em todo o país após a sanção da Lei n° 14.759, em dezembro de 2023, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o Ministério da Igualdade Racial, a conquista do feriado marca a relevância da cultura e história afro-brasileira para o país. “A celebração em nível nacional é um chamado para que toda a população possa refletir sobre a identidade do Brasil, sobre a importância de valorizar as diferenças e agir coletivamente para que tenhamos uma nação cada vez mais desenvolvida e diversa”, comemora a pasta.

A data de 20 de novembro é um reconhecimento à história de resistência do Quilombo dos Palmares, formado na Serra da Barriga, na então Capitania de Pernambuco, hoje estado de Alagoas, por volta de 1580.

Palmares foi o maior refúgio de negros da América Latina, chegando a reunir 20 mil pessoas, a maioria delas escravizados que fugiram dos engenhos da Bahia e de Pernambuco.

Em 1694, o quilombo foi destruído e, em 20 de novembro do ano seguinte, seu líder, Zumbi dos Palmares, foi assassinado, daí a relevância simbólica da data para a população afrodescendente.

Uma programação especial ocorrerá na Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), região onde está o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. 

Realizada pelos ministérios da Cultura e da Igualdade Racial, Fundação Palmares, Secretaria Estadual de Cultura de Alagoas, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a programação inclui uma série de atividades culturais, com apresentações de maracatus, grupos de caco, samba de roda, afoxés, reggae e hip hop, bem como homenagens que exaltam a história e o legado do povo negro e de grandes figuras como Zumbi e Dandara dos Palmares.

A Fundação Palmares lançou um aplicativo que permite ao usuário fazer uma visita virtual pelos espaço onde se encontram peças arqueológicas que contam a história dos diferentes povos que habitaram a Serra da Barriga, como cachimbos, panelas de barro, ferramentas de pedra lascada e polida e outros artefatos.

Para o público presencial, o aplicativo possibilita o registro de uma selfie com uma das personalidades que fizeram a história do Quilombo Palmares: Aqualtune, Zumbi, Ganga Zumba, Acotirene ou Dandara (suas representações).

Vídeos, áudios e fotos também registram aspectos e depoimentos sobre Serra da Barriga, área de réstia de Mata Atlântica, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1985 e pelo Mercosul, em 2017.

Para a secretária da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, Melina Freithas, a programação reflete a responsabilidade e o orgulho de celebrar a data, tão significativa para a cultura e a identidade do povo brasileiro.

“As atividades organizadas em parceria com o governo federal refletem o compromisso em preservar e honrar a memória do Quilombo dos Palmares e de tudo o que ele representa para a luta e a resistência negra no Brasil”.

Programação

Em todo o país também acontecem atividades relacionadas ao Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra. O Ministério da Igualdade Racial, em parceria com os ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania e da Cultura, lançou o hotsite e o mapa da igualdade racial, onde é possível verificar a programação de diversas ações e eventos agendados por todo o Brasil.

Na Região Nordeste, onde se concentra boa parte da população negra do país, debates, rodas de conversa, festivais e apresentações culturais também celebram a data.

Em São Luís, movimentos sociais do campo e da cidade homenageiam Zumbi dos Palmares com o Festival Zumbi Vive, voltado para o reconhecimento das contribuições históricas e artísticas do povo negro e o legado de resistência e liberdade deixado por Zumbi. O festival também reforça a importância de combater o racismo e a desigualdade social. 

Na programação, o destaque fica por conta da apresentação de roda de capoeira, artistas como Joãozinho Ribeiro, Rosa Reis, Mestre Roxa, o Tambor de Crioula Filhas de São Benedito e bloco Afro Akomabu, o mais antigo do estado.

Na Bahia, a celebração do legado de Palmares já teve início com a exposição O povo negro é o meu povo. Lita Cerqueira, 50 anos de fotografia, em cartaz até 20 de dezembro. Aberta em outubro, a exposição apresenta o trabalho da primeira fotógrafa negra profissional do Brasil, que se destacou com a série Tipos Humanos e registros das festas e da capital baiana.

De 21 a 23 de novembro, ocorrerão debates com a realização do Fórum Pró-Igualdade Racial e Inclusão Social do Recôncavo 2024, realizado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Na Paraíba, o governo do estado assinou nesta terça-feira (19), a cessão de uso do Casarão dos Azulejos, importante imóvel histórico da capital para ser transformado no Museu da Diáspora Negra, das Etnias e das Comunidades Tradicionais da Paraíba. 

Esse novo museu será dedicado à valorização e preservação das culturas afro-brasileira e indígena, funcionando como um ponto de memória, educação e identidade para a comunidade.

E desde o dia 14, a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (SEMDH-PB), realiza a 4ª edição do Festival Pretitudes, evento que vai até o dia 27 de novembro com o objetivo de visibilizar a produção cultural feita por artistas negras e negros do estado.

Em Teresina, a programação tem no dia 22 de novembro a realização da Festa da Beleza Negra, que será realizada no Memorial Esperança Garcia, mulher escravizada considerada uma heroína piauiense na luta pela igualdade e justiça racial.

Em Recife, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra tem como destaques a 14ª Marcha da Capoeira Zumbi de Palmares, cuja concentração será às 14h, no Marco Zero.

Mais cedo, às 9h, também haverá mais um roteiro especial, batizado de Recife Afro. Os participantes vão conhecer algumas das principais personalidades negras de Recife, como Naná Vasconcelos, e também haverá visita aos pátios com maior influência afro na cidade, como o Pátio do Terço e o Pátio de São Pedro.

O Pátio de São Pedro também será o palco do Festival de Cultura Negra de Pernambuco, que chega a sua 2ª edição, com shows a partir das 15h.

Já a Pracinha de Boa Viagem vai abrigar as apresentações do espetáculo Referências do Fuzuê – Mestras, Mestres e Terreiros, do Grupo Fuzuê de Dança, que começarão às 18h30 e seguirão até as 22h30.

Em Sergipe, as atividades começam pela manhã, às 9h, com uma roda de conversa intitulada Novembro Negro, no Centro de Criatividade, localizado ao entorno da Maloca, o primeiro quilombo urbano de Sergipe e o segundo do Brasil, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Aracaju.

No final da tarde, a Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) fará a reinauguração do Museu Afro-Brasileiro de Sergipe, em Laranjeiras. Criado em 1976, o acervo do museu inclui objetos de transporte, utensílios como pilões, vestimentas religiosas e de época, além de peças históricas utilizadas para castigos e torturas das pessoas escravizadas.

A programação também terá apresentações culturais dos grupos Populart e Maculelê de Laranjeiras, show musical do artista Vitor Santana e a premiação do Concurso Poesia Negra Estudantil.

Em Fortaleza, a programação é marcada pela segunda edição do Festival Afrocearensidades, no Complexo Cultural Estação das Artes, das 14h às 21h. Com o tema Na Ginga dos Saberes Ancestrais, o festival reúne mais de 200 ações em diversos equipamentos culturais do estado.

A exibição do documentário Bença, abre a programação. O filme retrata a tradição e ancestralidade das benzedeiras no Ceará, destacando a história de mulheres que, por meio da fé e da espiritualidade, promovem a cura através do benzimento. Após a exibição, duas das protagonistas do documentário, Mãe Zimá e Verônica Quilombola, participarão de uma roda de conversa para dialogar com o público sobre a cura pela reza.

A musicalidade também está presente no festival com apresentações de roda de samba, rap e hip hop, com a Batalha de Rima, conduzida pelo movimento Cururu Skate Rap.

Em Natal, o destaque fica para a 7ª edição do Festival Mungunzá, no Largo Ruy Pereira. O evento, com acesso gratuito, reúne artistas periféricos da cidade para celebrar a criatividade, arte e resistência cultural. A programação mistura a cultura popular com movimentos contemporâneos; indo de canções tradicionais a música eletrônica, hip-hop, reggae, entre outros ritmos.

Fonte: Agência Brasil

Declaração final do G20 exalta combate à fome, taxação de super-ricos e mudanças na governança global

Prioridades brasileiras na presidência do grupo ficaram expressas no documento assinado em consenso pelos líderes presentes à cúpula do Rio de Janeiro. Texto também enfatiza compromissos ambientais, com trabalho decente e defesa dos direitos humanos

Consolidação dos conceitos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que foi lançada com a adesão confirmada de mais de 80 nações. Reafirmação do papel do G20 como fórum de cooperação com vocação para apoiar países em desenvolvimento e atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Ênfase na transição energética e na premência de ações ambientais. Taxação de grandes fortunas como uma das formas de financiar as mudanças necessárias no cenário internacional. Reforma na governança de instituições multilaterais para dar eficiência aos esforços de paz e garantia de preservação dos direitos humanos.

“Nós nos reunimos no berço da Agenda de Desenvolvimento Sustentável para reafirmar o nosso compromisso de construir um mundo justo e um planeta sustentável, sem deixar ninguém para trás”

Trecho da declaração de líderes do G20

Esses foram alguns dos consensos expressos na declaração final da Cúpula do G20, publicada no início da noite desta segunda-feira, 18 de novembro, no Rio de Janeiro. O documento com 85 pontos inclui as principais prioridades da presidência do Brasil à frente do grupo e reconhece que a desigualdade dentro dos países e entre eles está na raiz da maioria dos desafios globais.

“O mundo requer não apenas ações urgentes, mas medidas socialmente justas, ambientalmente sustentáveis e economicamente sólidas. Por esse motivo, nós trabalhamos em 2024 sob o lema “Construindo um mundo justo e um planeta sustentável” –, colocando a desigualdade, em todas as suas dimensões, no centro da agenda do G20”, indica um dos trechos.

O texto enfatiza a necessidade de esforços globais para reduzir disparidades de crescimento entre as nações. “Reconhecemos que as crises que enfrentamos não afetam igualmente o mundo, sobrecarregando desproporcionalmente os mais pobres e aqueles que já estão em situação de vulnerabilidade”.

INTEGRIDADE – O documento condena ataques contra civis e à ameaça ou uso da força contra a integridade territorial, a soberania ou a independência política dos Estados. Expressa preocupação com a situação humanitária na Faixa de Gaza e a escalada de violência no Líbano, assim como cobra a necessidade de ampliar a assistência humanitária e a proteção de civis e o cumprimento pleno de resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU). “Destacamos o sofrimento humano e os impactos negativos da guerra. Afirmando o direito palestino à autodeterminação, reiteramos nosso compromisso inabalável com a visão da solução de dois Estados, onde Israel e um Estado palestino vivem lado a lado, em paz, dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, consistentes com o direito internacional e resoluções relevantes da ONU”.

ALIANÇA GLOBAL – O comunicado enaltece os conceitos e potenciais da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada oficialmente nesta segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. com 148 adesões, incluindo 82 países. A iniciativa proposta pelo Brasil na presidência do G20 tem como meta erradicar a fome no mundo até 2030.  “A fome é produto de decisões políticas que perpetuam a exclusão de grande parte da humanidade. O G20 representa 85% dos 110 trilhões de dólares do PIB mundial. Responde por 75% dos 32 trilhões de dólares do comércio de bens e serviços e dois terços dos 8 bilhões de habitantes do planeta. Compete aos que estão aqui em volta desta mesa a inadiável tarefa de acabar com essa chaga que envergonha a humanidade”, afirmou o presidente Lula no lançamento da Aliança.

SUSTENTABILIDADE – O texto de consenso do G20 ainda reforça um compromisso de apoio aos países em desenvolvimento para produção agrícola sustentável, reforça mecanismos de cooperação internacional nas modalidades norte-sul, sul-sul e trilateral e cobra uma mobilização adicional de recursos.

SANEAMENTO – A publicação registra, pela primeira vez na história, a necessidade de mobilização de recursos para saneamento básico e acesso à água potável.  No plano das relações com o mundo do trabalho, o texto faz um chamado à proteção de trabalhadores, incluindo o combate ao trabalho forçado, à escravidão moderna e ao trabalho infantil.

IGUALDADE – Nas relações de gênero, reconhece a contribuição das mulheres para a economia e a necessidade de tornar os sistemas de cuidados mais igualitários. Faz um forte chamado ao combate à misoginia e à violência contra mulheres.

MEIO AMBIENTE – Na seara das mudanças climáticas, destaca a urgência de uma mobilização global, reafirma o G20 com o multilateralismo climático e o Acordo de Paris, reafirmando o princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas. Reforça  ainda a necessidade de implementação dos resultados da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Dubai, principalmente do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris (GST-1), e reitera o compromisso de se atingir a neutralidade de carbono até meados do século por meio de contribuições nacionalmente determinadas ambiciosas.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – No mesmo tema, o texto reconhece a necessidade reduzir emissões dos gases de efeito estufa e reafirma a urgência de medidas de adaptação, fortalecimento do financiamento público e cooperação internacional para ajudar os países em desenvolvimento em sua ação climática e o apoio aos esforços para triplicar a capacidade de energia renovável e duplicar a média anual global de eficiência energética até 2030.

FINANCIAMENTO –  Uma das medidas para ampliar a disponibilidade financeira citada no documento é a tributação progressiva dos chamados “super-ricos”, outra prioridade levantada pelo Brasil na presidência do G20. “Com total respeito à soberania tributária, nós procuraremos nos envolver cooperativamente para garantir que indivíduos de patrimônio líquido ultra-alto sejam efetivamente tributados”, indica um dos trechos.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Na Inteligência artificial, exalta a promoção da cooperação internacional com vistas à redução das desigualdades no meio digital, reconhece que a inteligência artificial pode gerar oportunidades econômicas, mas também gera preocupações de ordem ética e riscos aos direitos e ao bem-estar dos cidadãos. Encomenda ao Grupo de Trabalho de Emprego um documento com princípios para o uso confiável e seguro da inteligência artificial no mundo do trabalho e cria uma instância de Alto Nível / Força-Tarefa sobre Governança da Inteligência Artificial.

GOVERNANÇA GLOBAL  Em uma das principais prioridades da presidência brasileira, a declaração reconhece que a reforma da governança global deve decorrer de soluções multilateralmente acordadas. Afirma que as instituições internacionais devem ser reformadas para refletir as realidades políticas, econômicas e sociais do século XXI e se tornarem mais representativas, efetivas e transparentes. “Nós nos comprometemos a reformar o Conselho de Segurança (da ONU) por meio de uma reforma transformadora que o alinhe às realidades e demandas do século XXI, que o torne mais representativo, inclusivo, eficiente, eficaz, democrático e responsável, e mais transparente para toda a comunidade das Nações Unidas, permitindo uma melhor distribuição de responsabilidades entre todos os membros, ao mesmo tempo que melhora a eficácia e a transparência dos seus métodos de trabalho. Reivindicamos uma composição ampliada do Conselho de Segurança que melhore a representação das regiões e grupos sub-representados e não representados, como a África, Ásia-Pacífico e América Latina e Caribe”, indica o documento.

Fonte: Gov.br

Militares bolsonaristas queriam assassinar Lula, Alckmin e Moraes e monitoraram passos de autoridades

PF prendeu policial e quatro ‘kids pretos’ do Exército nesta terça; grupo teria tramado golpe de Estado e assassinato de autoridades para impedir posse de Lula em janeiro de 2023.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STFAlexandre de Moraes tornou pública nesta terça-feira (19) a decisão que autorizou a operação da Polícia Federal que prendeu quatro militares do Exército e um agente da PF.

O grupo é suspeito de tramar um golpe de Estado em 2022 para prender e assassinar Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente eleito, seu vice, Geraldo Alckmin, e o próprio Moraes, que à época presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O documento cita, por exemplo, que os golpistas começaram a monitorar o deslocamento de autoridades ainda em novembro de 2022, após a eleição e antes da posse de Lula.

O monitoramento teve início após uma reunião na casa do ex-ministro da Defesa Walter Souza Braga Netto, que foi candidato a vice de Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais.

“As atividades anteriores ao evento do dia 15 de dezembro de 2022 indicam que esse monitoramento teve início, temporalmente, logo após a reunião realizada na residência de Walter Braga Netto, no dia 12 de novembro de 2022”, diz a PF no documento.

A PF diz que, entre as ideias cogitadas pelo grupo, estava a de envenenar o ministro Alexandre de Moraes.

“Foram consideradas diversas condições de execução do ministro Alexandre de Moraes, inclusive com o uso de artefato explosivo e por envenenamento em evento oficial público. Há uma citação aos riscos da ação, dizendo que os danos colaterais seriam muito altos, que a chance de ‘captura’ seria alta e que a chance de baixa (termo relacionado a morte no contexto militar) seria alto”, afirma trecho.

Para os investigadores, os envolvidos admitiam inclusive a possibilidade de eles morrerem no andamento da suposta operação golpista.

“Ou seja, claramente para os investigados a morte não só do ministro, mas também de toda a equipe de segurança e até mesmo dos militares envolvidos na ação era admissível para cumprimento da missão de ‘neutralizar’ o denominado ‘centro de gravidade’, que seria um fator de obstáculo à consumação do golpe de Estado”, prossegue a PF em trecho citado por Moraes.

O grupo cogitou também “neutralizar” (assassinar) Lula e Geraldo Alckmin, então presidente e vice-presidente eleitos. Mais uma vez a hipótese de envenenamento foi levantada, segundo as investigações.

“Para execução do presidente Lula, o documento descreve, considerando sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico”, descreve a PF.

Ainda de acordo com os investigadores, para que a tentativa de golpe tivesse êxito, os suspeitos tratavam da necessidade de também assassinar o vice-presidente Geraldo Alckmin, que assumiria a Presidência da República em caso de morte de Lula.

“Já o codinome Joca, por sua vez, é uma referência ao citado vice-presidente Geraldo Alckmin. […] Como, além do presidente, a chapa vencedora é composta, obviamente, pelo vice-presidente, é somente na hipótese de eliminação de Geraldo Alckmin que a chapa vencedora estaria extinta”.

Operação para prender Moraes

Mensagens obtidas pela Polícia Federal em celulares dos militares investigados por articular um golpe de Estado em 2022 indicam que, naquele ano, o grupo chegou a se posicionar nas ruas de Brasília para uma “ação clandestina” – que teria como alvo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Pelo menos seis pessoas participaram do plano no dia 15 de dezembro daquele ano, segundo a PF.

As mensagens indicam que o plano foi abortado, mas não deixam claro o motivo da desistência.

Conversa entre suspeitos de tramar golpe e prisão de autoridades — Foto: PF/Reprodução

‘Gabinete de crise’ pós-golpe

Os militares presos nesta terça planejavam, após esse golpe que seria dado em 15 de dezembro de 2022, criar um “gabinete de crise” ainda no governo Bolsonaro como resposta às mortes de Lula, Alckmin e Moraes.

Investigação da PF aponta que os golpistas previam colocar no comando do grupo de crise:

  • o general Augusto Heleno, então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • e o general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e candidato a vice na chapa derrotada de Bolsonaro.

“O documento também coloca a necessidade de constituir um gabinete de crise para restabelecer a ‘legalidade e estabilidade institucional'”, diz trecho da decisão de Moraes.

Como o golpe em 15 de dezembro não foi bem-sucedido, a ideia também foi abortada naquele momento.

O plano previa envenenar Lula e Moraes e, em seguida, instituir o “Gabinete Institucional de Gestão da Crise”. Havia, inclusive, uma minuta pronta para a sua criação – documento encontrado com o general Mário Fernandes, preso nesta terça.

Cinco núcleos

Segundo a PF, a organização era dividida em cinco núcleos:

  • ataques virtuais a opositores;
  • ataques às instituições (STF, Tribunal Superior Eleitoral), ao sistema eletrônico de votação e à higidez do processo eleitoral;
  • tentativa de Golpe de Estado e de Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • ataques às vacinas contra a Covid-19 e às medidas sanitárias na pandemia; e
  • uso da estrutura do Estado para obtenção de vantagens, o qual se subdivide em: a) uso de suprimentos de fundos (cartões corporativos) para pagamento de despesas pessoais; b) e inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde para falsificação de cartões de vacina; c) desvio de bens de alto valor patrimonial entregues por autoridades estrangeiras ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou agentes públicos a seu serviço, e posterior ocultação com o fim de enriquecimento ilícito”.
  • Fonte: G1

Professores “monitores” de Maceió protestam por direitos na Semed

Diretoras/es da executiva estadual do SINTEAL participaram, na manhã desta 2ª feira (18/11), de um ato de protesto organizado e realizado por profissionais aprovados/as no Processo Seletivo Simplificado (PSS) da Educação de Maceió, em frente à Secretaria Municipal de Educação (Semed). O objetivo da manifestação, pacífica, foi reivindicar da Prefeitura de Maceió e da Semed direitos trabalhistas devidos à categoria, a merecida valorização profissional e melhores condições de trabalho. Durante o protesto, uma comissão de trabalhadores e sindicalistas foi recebida por representantes do Departamento de Recursos Humanos da Semed, e foram acordados os próximos encaminhamentos de luta da categoria.

Protesto e Fala

O ato de luta, protesto e reivindicação – que teve a presença de professores/as, auxiliares de sala, merendeiras e profissionais de atendimento escolar (PAEs)  – foi iniciado às 09h, chamando a atenção de quem passava em frente à  Semed, no centro de Maceió, principalmente por causa das palavras-de-ordem faladas pelos/as trabalhadores/as e pelos discursos de lideranças dos movimento e sindicalistas presentes. Representando o Sinteal, discursaram as companheiras Consuelo Correia (Vice-presidenta) e Girlene Lázaro (da Secretaria de Assuntos Educacionais).

Em sua intervenção, a companheira Girlene Lázaro cobrou a realização da reunião com o RRHHs da Semed (que em seguida haveria) e reforçou para os/as trabalhadoras/es que o SINTEAL iria “continuar ao lado da classe cobrando direitos, porque não estamos cobrando nada que não seja direito, porque décimo-terceiro e férias são direitos do trabalhador. Assim, de forma pacífica, mas firme, vamos continuar cobrando direitos e mostrando para a população que existe dentro da Semed um grande número de trabalhadores e trabalhadoras contratados, que não estão recebendo estes direitos”.

Cobranças

Ainda durante o protesto público em frente à sede da Semed e antes da reunião no Departamento de Recursos Humanos do órgão, uma grande liderança do movimento, o auxiliar de sala Ronyel Rodrigues discursou cobrando, além de melhores condições de trabalho, “o urgente pagamento de auxílio-transporte, a redução da carga horária para vinte e cinco horas semanais, a garantia do terço de férias, o aumento do tempo de contrato com garantia e estabilidade, dentre outras legítimas e urgentes reivindicações”.

Denúncias

Denunciando no protesto a falta de valorização por parte da Prefeitura de Maceió e da Secretaria Municipal de Educação (Semed), os/as profissionais do PSS denunciaram, mais uma vez, de maneira pública, que o contrato de trabalho (de 02 anos; em regime 1 + 1) não dá direito a férias, 13º salário, auxílio ou vale-transporte nem direito à licença-maternidade.

Reunião no RRHH’s

Mais de uma hora depois de iniciado o protesto, uma comissão de trabalhadores/as e sindicalistas foi recebida por representantes do Departamento de Recursos Humanos (RRHHs) da Semed. Logo em seguida, foi liberada a participação de todos/as os/as trabalhadores/as presentes, com a reunião sendo realizada ao auditório Paulo Freire.

Em uma de suas participações na reunião, Consuelo Correia reforçou e apoiou firmemente o sentimento de indignação da categoria pela falta de valorização e de condições de trabalho, traduzidas em um salário miserável de R$ 1.309,00 (com os descontos previdenciário e do auxílio-transporte). “Quando a gente fala numa educação com qualidade social para os filhos da classe trabalhadora, como é que se pode cobrar de trabalhadores e trabalhadoras o bom trabalho na escola, pagando um parco salário como o atual, e não reconhecendo direitos trabalhistas nem garantindo melhores condições de trabalho?”

Consuelo cobrou a urgente valorização dos/as profissionais do PSS, e reforçou a necessidade urgente de mudanças na Lei nº 6.292/2011, de autoria da própria Prefeitura de Maceió, que “dispõe sobre a contratação por prazo determinado, para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público”. “A lei, quando foi pensada e feita, foi para uma emergência, mas já se passaram treze [13] anos e nenhum concurso público foi realizado, nem esses profissionais são valorizados e têm garantidos direitos de trabalho”, disse Consuelo.

Encaminhamentos da reunião

Ao final da reunião, foi constituída uma Comissão formada por trabalhadores/as do PSS, por diretoras/es do Sinteal e representantes da Gestão Municipal (membros do setor de Recursos Humanos da Semed e o próprio secretário municipal de Educação, Victor Braga.

Um dos primeiros objetivos da Comissão é manter contato com a Câmara de Vereadores de Maceió para a realização de uma audiência pública, “no menor prazo de tempo possível”, segundo Consuelo Correia, para que sejam expostos aos vereadores e vereadoras todos os problemas e irregularidades que estão sendo praticados contra os/as profissionais do PSS da Educação em Maceió.

Fonte: Sinteal

Trabalhadores são resgatados em condições análogas à escravidão em operação na Bahia

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), em parceria com o Ministério do Trabalho, finalizou uma operação de combate ao trabalho escravo que resultou no resgate de seis trabalhadores em condições análogas à escravidão. A ação, que durou três dias, ocorreu nas cidades de Salvador e Lauro de Freitas e buscou coibir práticas de exploração laboral e garantir os direitos dos trabalhadores.

Durante a operação, as equipes de fiscalização encontraram os trabalhadores submetidos a condições precárias, sem qualquer garantia de direitos trabalhistas ou medidas básicas de segurança e saúde. A ação teve como objetivo principal assegurar a retirada imediata dos trabalhadores dos locais onde estavam sendo explorados, além de realizar os procedimentos necessários para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas e o acesso à assistência necessária.

Durante a operação, as equipes de fiscalização encontraram os trabalhadores submetidos a condições precárias, sem qualquer garantia de direitos trabalhistas ou medidas básicas de segurança e saúde. A ação teve como objetivo principal assegurar a retirada imediata dos trabalhadores dos locais onde estavam sendo explorados, além de realizar os procedimentos necessários para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas e o acesso à assistência necessária.

Fonte: Portal do Tupiniquim

Estelionato, abusos e agressões: quem foi Rina, fundador da Bola de Neve que morreu em SP

Apóstolo Rina, ex-surfista e fundador da Igreja evangélica Bola de Neve, morreu após sofrer um acidente de moto na tarde de domingo (17), no interior de São Paulo.

O religioso tinha 52 anos e foi o criador da Igreja Bola de Neve, em 1994. A aliança religiosa nasceu de uma experiência de superação pessoal, quando Rina enfrentou um diagnóstico grave de hepatite no início da década de 1990. Ele descreveu a experiência como “a existência real do inferno”. Após se recuperar, decidiu dedicar sua vida a “pregar a salvação”. Em 1993, começou a organizar reuniões que mais tarde dariam origem à Bola de Neve.

Antes de fundar a Bola de Neve, Rina foi membro da Igreja Renascer, onde liderou o Ministério de Evangelismo e organizava eventos voltados aos jovens.

O nome singular da igreja, que foi estabelecida oficialmente em 1999, no bairro do Brás, em São Paulo, reflete a ideia de algo pequeno que, ao ganhar força, se torna grandioso, como uma bola de neve. Um dos elementos marcantes nos primeiros cultos foi o uso de uma prancha de surfe como púlpito, simbolizando a ligação do líder com o esporte. Além de surfista, ele era escritor, autor de livros sobre religião e autoconhecimento.

Com o passar dos anos, a igreja se expandiu para mais de 560 unidades em 34 países, atraindo fiéis de perfis variados, incluindo celebridades como o surfista Gabriel Medina e João Lucas, genro de Xuxa. Apesar do crescimento, a trajetória de Rina também foi marcada por controvérsias pessoais e institucionais, que o colocaram em evidência de forma negativa.

Agressão e afastamento

Em junho de 2024, Rina foi afastado das funções da igreja após denúncias de agressão contra sua esposa, a pastora Denise Seixas. As acusações incluíam lesão corporal, violência psicológica e ameaças, o que levou à concessão de uma medida protetiva e à apreensão de uma arma que estava em posse do líder religioso. Denise relatou episódios recorrentes de violência física e verbal durante o casamento.

O caso ganhou repercussão quando Nathan Gouvea, filho de Denise de um relacionamento anterior, divulgou um vídeo expondo discussões e acusações contra Rina.

Nathan afirmou ter sido vítima de agressões durante sua infância e adolescência, além de alegar que o padrasto tentou internar sua mãe em uma clínica psiquiátrica contra sua vontade.

Fraude e estelionato

Além dos problemas familiares, Rina enfrentou críticas relacionadas à administração da Bola de Neve. Acusações de fraude em doações destinadas a projetos sociais vieram à tona em uma live transmitida por ex-membros da igreja. Márcio Bieda e Thiago Santana denunciaram que valores arrecadados para ajudar mulheres carentes foram desviados para financiar empreendimentos pessoais ligados à liderança da instituição.

“Recebi várias denúncias de pessoas dizendo que doaram para um instituto que supostamente ajudaria mulheres carentes a se tornarem empreendedoras. Vamos ver no que esse instituto se transformou”, disse Bieda. Segundo ele, o local agora é um salão de alto padrão, sem ligação com atividades sociais.

Morte de Rina

No dia de sua morte, Rina participava de um passeio com o motoclube Pregadores do Asfalto, ligado à Bola de Neve. Ele perdeu o controle da moto na Rodovia Dom Pedro e foi levado ao Hospital de Clínicas da Unicamp com múltiplas fraturas. Apesar dos esforços médicos, não resistiu aos ferimentos.

Diversos líderes religiosos lamentaram sua partida. Luciano Manga, ex-vocalista do Oficina G3, destacou a amizade de longa data com Rina, enquanto Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, ofereceu palavras de conforto à família, reforçando a importância da fé em momentos de dor.

Fonte: DCM

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