A serviço das operadoras, Anatel libera mudança de preço durante vigência de planos de celular, internet e TV por assinatura

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu anular algumas das regras de direitos dos consumidores, aprovadas em 2023, atendendo a pedidos das operadoras.

Um dos pontos anulados é a proibição da prestadora de serviços de telecomunicações –como planos de celular, internet e TV por assinatura– alterar características da oferta durante o seu período de vigência. Com isso, o preço do plano, por exemplo, poderá ser modificado no meio do contrato. (veja as principais mudanças mais abaixo)

As novas regras entram em vigor em setembro de 2025.

As mudanças, aprovadas na quinta-feira (5), se referem a artigos do Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações (RGC).

Por maioria, o Conselho Diretor da Anatel aprovou o voto apresentado pelo conselheiro Alexandre Freire, que discordou do relator, Raphael Garcia. O relator havia votado por rejeitar os pedidos de anulação.

As novas regras mudam os seguintes pontos:

  • alteração da oferta
  • migração automática
  • suspensão por inadimplência
  • data de reajuste

Alteração da oferta

O trecho do regulamento vedava que as operadoras mudassem as características da oferta, como preço, acesso e fruição, durante o período de vigência do plano.

Para Freire, o Código de Defesa do Consumidor já trata do assunto ao limitar a modificação dos contratos a alterações unilaterais. Ou seja, a operadora não pode mudar os termos da oferta sem que o consumidor aceite as alterações.

Já a norma da Anatel vedava completamente qualquer alteração. Para Freire, esse trecho deve ser anulado porque proíbe alterações de “cláusulas contratuais para beneficiar o consumidor”.

“Eventualmente, será necessário alterar cláusulas contratuais para beneficiar o consumidor, como a inclusão de itens que ela precise, sem que necessite mudar sua oferta. Isso evita que o consumidor seja compelido, por exemplo, a aceitar uma oferta pior do que aquela oferta atual por falta de um item essencial em determinado momento”, justificou.

O coordenador do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Idec, Luã Cruz, destaca que há um desequilíbrio na relação entre operadoras e consumidores.

“Muitas pessoas não sabem dizer como é que funciona de fato a sua própria oferta. E essa alteração durante a própria vigência do contrato pode confundir o consumidor e até gerar custos inesperados”, declarou.

Para o especialista, é preciso mais transparência para as ofertas. “A gente defende, e sempre defendeu, que toda mudança deve ser precedida de uma análise mais transparente e permitir que o consumidor opte pela continuidade ou rescisão do contrato sem penalidade.”

Migração automática

O regulamento aprovado em 2023 permitia a migração automática para um novo plano, caso o consumidor não manifestasse adesão a uma nova oferta antes da extinção do plano contratado.

A migração automática, contudo, deveria ser feita para um plano que fosse de igual ou menor valor, sem prazo de permanência.

Esse trecho foi anulado pela Anatel. Segundo Freire, a norma é nula porque “permite a migração automática do consumidor sem permitir que a nova oferta seja compatível com suas necessidades. Embora o critério de igual ou menor valor seja econômico, ele pode não refletir a qualidade e utilidade do serviço para o consumidor.”

Mas a migração automática segue sendo possível. Para isso, o consumidor precisa ter concordado previamente, por meio da assinatura do contrato.

Freire também determinou que o grupo de acompanhamento do regulamento faça alterações no manual operacional.

“[Alterações] Tais como: empregar soluções das ciências comportamentais para incremento do bem-estar do consumidor, a fim de estimulá-lo a ter uma postura ativa perante o seu contrato, para não correr o risco de sofrer uma rescisão indesejada”, disse.

O coordenador do Idec afirma que a mudança pode abrir espaço para práticas abusivas. “As operadas podem migrar os consumidores para planos mais caros ou com características que atendam menos suas necessidades sem uma consulta adequada”, afirmou.

Suspensão por inadimplência

O regulamento proibia a cobrança da assinatura ou qualquer outro valor durante o período de suspensão parcial dos serviços de telecomunicações por inadimplência, ou seja, nos primeiros 30 dias.

  • 🔍 Funcionava assim: se o consumidor não pagasse o seu plano de celular, a operadora deveria manter o recebimento de chamadas e de mensagens de texto pelo prazo de 30 dias contados a partir do início da suspensão. Além disso, o consumidor não deveria ser cobrado pelos serviços prestados durante a suspensão.

Esse trecho do regulamento foi anulado completamente. Para Freire, cujo voto prevaleceu, a medida viola a Lei Geral de Telecomunicações e “interfere nos modelos de negócios das operadoras”.

“Proibir a cobrança impõe a prestação gratuita de serviços, como recebimento de chamadas e mensagens [por] 30 dias e acesso a serviços de emergência”, declarou.

Para o Idec, os consumidores perderem direitos com a anulação desse trecho, uma vez que os serviços de telecomunicações são essenciais.

“Quem são os consumidores que frequentemente são suspensos por falta de pagamento? É quem não tem dinheiro, são os mais pobres. Aqui, vemos uma penalização dos consumidores hiper vulneráveis”, afirmou Cruz.

Data de reajuste

Outra mudança foi o marco da data de contratação do plano como “data-base” para o reajuste. Antes, o regulamento usava a data em que o cliente contratou o plano como referência. Dessa forma, o reajuste só poderia ser feito 12 meses após a data-base.

Agora, com a alteração no texto, o reajuste não fica restrito à data de contratação do plano. Ou seja, a operadora poderá definir a data-base do plano no contrato.

“Essa nova abordagem torna mais difícil para o consumidor acompanhar e planejar os custos do contrato, especialmente se as datas de reajuste forem aplicadas de maneira generalizada e descoordenada”, afirmou Cruz.

Para o coordenado do Idec, a mudança não permite clareza ao consumidor, que pode ter dificuldade para entender quando os reajustes serão aplicados.

Ao anular o trecho, Freire determinou que o grupo de implantação do RGC inclua no manual operacional do regulamento “rotinas que permitam ao consumidor internalizar adequadamente a data-base do contrato, de modo a poder avaliar adequadamente se deve ou não contratar determinado produto de telecomunicações”.

Fonte: G1

Depois de matar quatro médicos, Israel expulsa doentes e trabalhadores de hospital em Gaza

Quatro médicos foram mortos no Hospital Kamal Adwan, no norte da Faixa de Gaza, na sexta-feira (6), após forças israelenses invadirem o complexo, matando e ferindo dezenas de pessoas nas áreas ao redor, disseram testemunhas à CNN.

As tropas de Israel também obrigaram trabalhadores da saúde e pacientes a deixar a instalação e destruíram suprimentos médicos essenciais, de acordo com um comunicado do Dr. Hussam Abu Saifya, diretor do hospital.

Nas primeiras horas de sexta-feira, o Exército israelense enviou dois mensageiros à paisana para o hospital, que usaram um megafone para pedir que as pessoas se retirassem do local, acrescentou Abu Saifya. O exército deteve um “grande número” de jovens durante o ataque de duas horas, incluindo trabalhadores da saúde e palestinos que haviam buscado refúgio, disse Abu Saifya.

Drones israelenses dispararam uma “barragem de fogo intenso e direto”, enquanto veículos militares cercavam a instalação, recordou Abu Saifya, antes de agrupar pacientes, pessoas deslocadas e trabalhadores da saúde no pátio e forçá-los a seguir para um posto de controle mais ao sul, em direção à Cidade de Gaza.

“Inicialmente, houve uma série de ataques aéreos nos lados norte e oeste do hospital, acompanhados por fogo intenso e direto”, disse Abu Saifya em um comunicado. “Eles se aproximaram de mim e me ordenaram a retirar todos os pacientes, pessoas deslocadas e a equipe médica, reunindo todos no pátio do hospital e levando-os à força para o posto de controle.”Play Video

Membros de uma delegação médica indonésia – a única equipe realizando cirurgias no Kamal Adwan – estavam entre os forçados a deixar o local e não foram autorizados a retornar, segundo Abu Saifya.

O ataque de sexta-feira foi o segundo desse tipo realizado pelo exército israelense desde que as forças iniciaram uma incursão renovada em três cidades no norte de Gaza no início de outubro, destruindo ruas inteiras, gerando fome severa e impedindo as equipes de emergência de resgatar as pessoas feridas pelo ataque.

Mais de 3.700 palestinos foram mortos lá, de acordo com o Escritório de Mídia do Governo de Gaza (GMO). Outras 10 mil pessoas ficaram feridas, informou o GMO na segunda-feira (2).

Horas depois, as Forças de Defesa de Israel (IDF) se retiraram de uma das últimas instalações funcionais no norte de Gaza. Funcionários e pacientes do hospital saíram do local para encontrar centenas de corpos e pessoas feridas nas ruas ao redor, acrescentou Abu Saifya.

Uma foto postada por Abu Saifya nas redes sociais mostrou pelo menos 17 corpos, deitados no pátio do hospital. Outras 20 pessoas ficaram feridas e “necessitando de cuidados urgentes”, disse ele. O exército israelense danificou gravemente os geradores de oxigênio durante a noite, informou Abu Saifya à CNN, dizendo que agora há apenas dois cirurgiões “inexperientes” disponíveis para administrar cuidados essenciais no hospital.

Pelo menos 30 pessoas foram mortas pelos bombardeios israelenses em casas ao redor do Kamal Adwan durante a noite, de acordo com o Dr. Munir Al Bursh, diretor-geral do Ministério da Saúde de Gaza.

Na quinta-feira (5), um drone israelense atingiu e matou um menino de 16 anos em um ataque separado, enquanto ele estava entrando no departamento de raios-X do hospital em uma cadeira de rodas, disse Abu Saifya à CNN.

CNN entrou em contato com o exército israelense para comentar sobre as alegações de Abu Saifya.

Pelo menos 1.050 trabalhadores da saúde foram mortos desde que Israel iniciou sua guerra em Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023, liderados pelo Hamas, de acordo com o Ministério da Saúde em Ramallah. O exército israelense iniciou uma incursão renovada em três cidades no norte de Gaza em 5 de outubro deste ano, alegando que está visando a presença renovada do Hamas na área.

Fonte: CNN Brasil

JHC vai gastar R$ 1 milhão para restaurar sede da OAB Alagoas

A prefeitura de Maceió vai reformar e restaurar a sede histórica da OAB em Alagoas, conforme publicação de ontem do Diário Oficial do Município de Maceió.

A obra terá o custo R$ 1 milhão e deve durar 12 meses, segundo convênio assinado ontem entre prefeitura e OAB/Alagoas.

O prédio, para quem não lembra, fica no Centro e abrigou a primeira Faculdade de Direito de Alagoas.

Em tempo: 

O blog recebeu a informação de que os recursos são provenientes  de uma emenda do senador Rodrigo Cunha.

AGÊNCIA DE LICITAÇÕES, CONTRATOS E CONVÊNIOS DE MACEIÓ – ALICC SÚMULA DO TERMO DE CONVÊNIO DE N°. 042/2024. / PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº. 12100.110009/2024. ANO XXIX – Maceió/AL, Sexta-Feira, 06 de Dezembro de 2024 – Nº 7063a – Edição Extraordinária www.diariomunicipal.com.br/maceio 2 

DAS PARTES: O MUNICÍPIO DE MACEIÓ, através da INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO DE MACEIÓ – IPLAN e a ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECCIONAL ALAGOAS. 

DO OBJETO: O presente Convênio tem por objeto a Reforma/Restauro da Sede Histórica da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Alagoas, conforme detalhado no Plano de Trabalho.

DO VALOR: O Valor do presente Convênio é de R$ 1.000.000,00 (Hum milhão de reais). 

DA VIGÊNCIA: 12(doze) meses 

DA DOTAÇÃO ORÇAMENTÁRIA: PROGRAMA: 09.001.15.127.0044.3076 – CONSTRUIR E REVISAR OS PLANOS DE ORDENAMENTO URBANO. 

ELEMENTO DE DESPESA: 33.90.39 – OUTROS SERVIÇOS DE TERCEIROS- PESSOA JURÍDICA. FONTE DE RECURSOS: 1.5.00.000001. 

DATA DA CELEBRAÇÃO: 06 de Dezembro de 2024. 

Maceió/AL, 06 de Dezembro de 2024. 

ANA CRISTINA DE AZEVEDO BARREIROS SILVA 

Diretoria Técnica de Gestão de Contratos, Convênios e Atas/ALICC Matrícula nº. 966115-8 

Fonte: Cada Minuto

Em decisão contra os trabalhadores, STF forma maioria para validar contrato de trabalho intermitente

O entulho foi criado na reforma trabalhista de 2017, durante o governo do golpista Michel Temer. O trabalho intermitente é uma modalidade de vínculo em que os períodos em que os trabalhadores prestam os serviços não são contínuos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (6) para validar o chamado contrato de trabalho intermitente.

Criado a partir da reforma trabalhista de 2017, esse contrato é uma modalidade de vínculo em que os períodos em que os trabalhadores prestam os serviços (horas, dias, meses) não são contínuos.

Na prática, as jornadas de trabalho se alternam com os de inatividade, sem uma frequência definida previamente, como no caso do contrato de trabalho regular. É usado em setores da economia que têm demanda de trabalhadores variável ao longo dos meses, por exemplo.

Quem atua neste modelo de jornada é remunerado por hora de trabalho, que não pode ser menor do que o valor horário do salário mínimo. O contrato deve ser celebrado por escrito, e o empregador convoca com antecedência o empregado quando é necessária sua atuação.

Prevalece o voto do ministro Nunes Marques, que abriu divergência em relação ao relator e considerou que as regras são compatíveis com a Constituição (veja mais detalhes abaixo). Seguem esta linha os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Gilmar Mendes. O julgamento está previsto para terminar na próxima sexta-feira (13).

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Especialista explica como funciona modalidade de trabalho intermitente

Ações

Os processos foram apresentados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), por federações de trabalhadores de postos de combustível e de operadores de telemarketing.

As entidades sindicais sustentaram que a criação de regimes flexíveis de trabalho violam princípios constitucionais, como o da dignidade humana e do valor social do trabalho.

Plenário virtual

O tema começou a ser analisado pelo tribunal em ambiente virtual em 2022. O relator, ministro Edson Fachin, votou para invalidar as regras que viabilizaram a criação do trabalho intermitente e estabeleceram o funcionamento da modalidade.

“Ante a ausência de fixação de horas mínimas de trabalho e de rendimentos mínimos, ainda que estimados, é preciso reconhecer que a figura do contrato intermitente, tal como disciplinado pela legislação, não protege suficientemente os direitos fundamentais sociais trabalhistas”, afirmou o ministro.

A ministra Rosa Weber acompanhou Fachin nestes pontos. Os ministros Alexandre de Moraes e Nunes Marques divergiram do relator.

O ministro André Mendonça chegou a pedir destaque, para que o caso fosse a julgamento presencial. Mas, posteriormente, o pedido foi cancelado e o tema voltou ao ambiente eletrônico.

Divergência

A corrente divergente do ministro Nunes Marques alcançou maioria nesta sexta-feira. O ministro entendeu que a modalidade é um “instrumento jurídico válido a fim de abrir novas possibilidades ao trabalhador”.

“A nova modalidade de contratação tem as vantagens de promover jornadas mais flexíveis aos empregados que queiram menos tempo de trabalho e de reduzir custos das empresas, ante a diminuição do quadro de empregados fixos em tempo integral”, afirmou.

“Ressalte-se, ainda, que o trabalho intermitente não é causa necessária de redução da renda. Ao contrário, trabalhadores mais experientes podem negociar salários maiores por seus serviços mais qualificados, bem como ter mais ofertas e oportunidades de trabalho”, completou Nunes Marques.

Redação com G1

Justiça condena ex-agentes da PRF por morte de Genivaldo de Jesus em ‘câmara de gás’

Penas vão de 23 a 28 anos de prisão. Homem morreu em maio de 2022 durante uma abordagem policial em que foi trancado no porta-malas de uma viatura da PRF e submetido à inalação de gás lacrimogêneo na BR-101, no município de Umbaúba.

Após 11 dias de julgamento na Justiça Federal de Sergipe, os três ex-agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) envolvidos na morte de Genivaldo de Jesus Santos foram condenados neste sábado (7), informa a Folha de S. Paulo. A decisão encerra um dos casos mais emblemáticos de violência policial no Brasil, ocorrido em maio de 2022, na cidade de Umbaúba, a 101 km de Aracaju.  

Paulo Rodolpho Lima Nascimento foi condenado a 28 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Kléber Nascimento Freitas e William de Barros Noia receberam penas de 23 anos, um mês e nove dias por tortura seguida de morte.  

Defesa tentou desacreditar laudos periciais – Ao longo do julgamento, a defesa dos réus argumentou que não houve intenção de matar, sustentando que as ações durante a abordagem seguiram “protocolos operacionais”. O advogado de Paulo Rodolpho, Gregório Ferraz, declarou: “o policial sai para trabalhar, ele não sai para matar. Ele deixa sua família em casa, tem que retornar para ela, não sabe o que irá acontecer, mas sempre agindo da melhor maneira possível”.  

Carlos Barros, defensor de Kléber Freitas, insistiu que “as provas coletadas mostram que seu cliente é inocente”. Já Glover Soares, advogado de William Noia, atacou os laudos periciais: “um perito admitiu que não entende nada de abordagem policial.”  

Um momento polêmico ocorreu quando advogados de defesa exibiram um vídeo em que um deles se trancava no porta-malas de um veículo similar ao usado no crime, enquanto outro ativava uma bomba de gás lacrimogêneo. A defesa alegava que a substância não seria capaz de matar uma pessoa.  

Família busca justiça em meio à dor – O julgamento foi marcado por depoimentos emocionantes dos familiares de Genivaldo. Sua irmã, Laura de Jesus, que esteve presente durante todo o processo, desabafou: “esses dias de idas e vindas foram difíceis… Só queremos justiça”.  

A mãe de Genivaldo, Maria Vicente de Jesus, também prestou um depoimento comovente: “Nós morremos junto com Genivaldo depois que ele se foi.” Ela ainda afirmou que nunca viu os acusados e que não aceitaria um pedido de desculpas: “Eu quero justiça.”  

O sobrinho de Genivaldo, Walison de Jesus Santos, que presenciou a abordagem, revelou a dor de reviver aquele dia: “Estar aqui já é muito difícil… Mas o mais difícil é ver meu sobrinho desenhar o pai morando no céu”.  

Uma tragédia que expôs violência policial – Genivaldo tinha 38 anos, era diagnosticado com esquizofrenia e pai de um menino de sete anos à época. Em 25 de maio de 2022, foi parado por policiais por trafegar de moto sem capacete. Durante a abordagem, foi imobilizado, atingido por spray de pimenta e jogado no porta-malas de uma viatura, onde uma bomba de gás foi acionada. Ele morreu após 11 minutos e 27 segundos exposto ao gás tóxico.  

Fonte: G1 e Brasil 247

Juízes não aceitam corte nos supersalários e ameaçam com aposentadoria em massa

Juízes ameaçam uma aposentadoria em massa caso seja aprovado o trecho da PEC que limita os supersalários na administração pública.

Em nota conjunta, conselhos de presidentes de tribunais indicam que os gastos futuros com previdência e novos concursos podem não compensar os cortes previstos na PEC.

Os magistrados manifestaram “profunda preocupação” com os impactos do pacote fiscal do governo no teto remuneratório, especialmente para membros do Judiciário.

Segundo a nota, 40% dos juízes já cumprem os requisitos para a aposentadoria e, caso a PEC seja aprovada, muitos poderão fazer essa opção “imediatamente”.

“Essa situação abrirá a necessidade de reposição dos quadros, resultado em custos ainda mais elevados para o sistema, contradizendo o objetivo fiscal da medida.”

Os presidentes dos tribunais também dizem que “uma saída massiva de magistrados ameaça agravar profundamente o congestionamento de processos no país”.

Isso poderia provocar, de acordo com a nota, ainda mais morosidade judicial, prejudicando a prestação dos serviços à sociedade e manchando a imagem da Justiça.

O texto fala que as iniciativas do governo para controlar a trajetória da dívida pública são “importantes”, mas que é preciso aprofundar os estudos técnicos.

“Alterações dessa magnitude, especialmente em um contexto de crise fiscal, precisam ser conduzidas com equilíbrio e responsabilidade.”

O texto é assinado por conselhos que reúnem juízes federais, estaduais, eleitorais, militares e do trabalho. Representantes do Ministério Público endossam a opinião.

O teto constitucional é equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje fixado em cerca de R$ 44 mil.

A PEC do corte de gastos diminui as hipóteses em que verbas podem ser pagas por fora, isto é, sem sofrer os descontos do chamado “abate-teto”.

Pelo texto do Ministério da Fazenda, serão exceções ao teto apenas as verbas indenizatórias que forem aprovadas em lei complementar, após a aprovação da PEC.

Atualmente, os salários no Poder Judiciário são regulamentados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas há brecha para “penduricalhos” principalmente nos Estados.

A corregedoria nacional de Justiça cobrou recentemente dos tribunais estaduais e do Distrito Federal explicações detalhadas sobre os supersalários.

A ideia de um pente-fino surgiu depois que um relatório do Transparência Brasil mostrou que, apenas em 2023, ao menos R$ 4,4 bilhões foram pagos além do teto.

De acordo com o relatório, quase 70% dos 13,2 mil juízes e desembargadores pesquisados receberam entre R$ 100 mil e R$ 499 mil acima do limite constitucional.

Nos últimos anos, o fim dos supersalários tem dependido da resposta do STF a ações que questionam as verbas pagas indevidamente.

Em 2019, por exemplo, a Corte suspendeu um adicional inusitado: no Acre, magistrados tinham direito a um bônus de 40% em seus salários apenas por terem curso superior.

Fonte: CNN Brasil

Deputadas querem tornar obrigatório o uso de câmeras por todos policiais do país

As deputadas federais Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) apresentaram à Câmara dos Deputados um Projeto de Lei que propõe a obrigatoriedade do uso de câmeras em uniformes e viaturas de integrantes de todos os órgãos de segurança pública no Brasil.

A iniciativa busca aumentar a transparência e garantir a segurança em operações policiais e de segurança em geral. A proposta foi protocolada em meio a uma semana marcada por graves denúncias de violência policial, especialmente no estado de São Paulo.

O governador Tarcísio de Freitas, em declaração à CBN nesta quinta-feira (30), afirmou ter mudado de posição sobre o tema. Ele admitiu que estava “completamente errado” ao criticar o uso de câmeras corporais pela Polícia Militar (PM) e destacou estar “convencido” de que a expansão do uso desses dispositivos é necessária para proteger a sociedade.

O texto apresentado pelas parlamentares estabelece regras de abrangência nacional para o uso de câmeras por agentes de segurança, abrangendo diversos órgãos, como a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), as Polícias Civis e Militares dos Estados e do Distrito Federal, os Corpos de Bombeiros, as Polícias Penais Federais e Estaduais, além das Guardas Municipais.

Um dos pontos principais do projeto é que as câmeras sejam equipadas com mecanismos que impeçam a interrupção manual das gravações pelos agentes. Essa medida visa evitar situações de abuso de poder em que os dispositivos são desligados intencionalmente.

“Não é possível que o país siga perpetuando a política de morte e de uso da força desmedida dentro das forças de segurança. É importante ressaltar que esse mecanismo é um benefício para o próprio policial, que poderá comprovar sua conduta, o risco ao qual pode ter sido exposto e, inclusive, pode inibir reações violentas dos cidadãos abordados. O que não pode é cidadãos rendidos e desarmados serem executados pela polícia, como tem ocorrido frequentemente ”, afirmou Fernanda Melchionna.

Fonte: DCM

Golpe fracassa e presidente da Coreia do Sul pode sofrer impeachment

Políticos de oposição na Coreia do Sul apresentaram nesta quarta-feira (4/12) uma moção pedindo o impeachment do presidente, Yoon Suk Yeol, depois que ele tentou impor uma lei marcial que colocaria a nação sob controle dos militares.

A medida causou uma reação pública negativa muito forte. Poucas horas depois, parlamentares votaram contra a lei marcial, e o presidente recuou em sua decisão.

Os parlamentares votarão a moção de impeachment nos próximos dias. Caso ela seja aprovada, Yoon será julgado em um tribunal constitucional. São necessários 200 votos favoráveis dos 300 parlamentares para aprovar a moção.

O tribunal constitucional é um órgão com nove integrantes que supervisionam o governo da Coreia do Sul. Para remover o presidente do cargo, são necessários seis votos neste tribunal.

O ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, que também era alvo de pedidos de impeachment, pediu demissão de seu cargo nesta quarta-feira. Diversos outros integrantes do governo também pediram demissão: o chefe de gabinete, o conselheiro de segurança nacional e o diretor de política nacional. Yoon ainda precisa aceitar os pedidos.

Reação de sul-coreanos

Os sul-coreanos têm manifestado preocupação, choque e confusão depois que o presidente mergulhou o país em caos político — declarando lei marcial e recuando horas depois, devido à repercussão negativa.

Em um pronunciamento na terça-feira, ao declarar a lei marcial, o presidente Yook Suk Yeol disse que era necessário colocar o país sob controle dos militares para proteger a nação das forças comunistas da Coreia do Norte e para eliminar os elementos anti-Estado. Mas a medida foi rapidamente rejeitada pelos parlamentares do país.

Moradores de Seul contaram à BBC que ficaram preocupados com os eventos do recentes.

Ra Ji-soo, residente da capital, disse ter ouvido helicópteros sobrevoando sua casa na terça-feira. Ela disse que sentiu que “o golpe de Estado de Mianmar estava acontecendo aqui na Coreia. Estou preocupada”.

Após o anúncio de Yoon, os militares do país declararam a suspensão de todas as atividades parlamentares.

Imagens mostraram forte presença policial do lado de fora da Assembleia Nacional (o parlamento sul-coreano), no distrito de Yeongdeungpo em Seul, com troca de empurrões entre a polícia e manifestantes. Os parlamentares conseguiram entrar no prédio e votar contra a medida.

Apesar do pronunciamento de Yoon, rapidamente ficou claro na Coreia do Sul que a medida drástica era uma resposta a diversos eventos políticos que haviam desestabilizado a sua liderança.

Uma sul-coreana que não quis revelar seu nome à BBC, por medo de retaliação, disse que Yoon estava “tentando restringir as liberdades de todo mundo e o direito de expressar preocupações e julgamentos em relação ao governo”.

“Eu tenho muito medo que a Coreia do Sul vire uma nova Coreia do Norte”, disse ela.

Outra moradora de Seul, Kim Mi-rim, disse à BBC que ela pegou às pressas um kit de emergência, temendo que a situação pudesse piorar.

A BBC também falou com jornalistas em Seul que estavam informando a população sobre como permanecer seguro durante a lei marcial, já que todas as atividades jornalísticas ficariam restritas e sob controle do governo.

Outras pessoas temiam sofrer indiretamente com repercussões do caos político.

“Como pode uma pessoa que diz trabalhar pelo país ser tão imprudente, agindo por impulso”, disse Don Jung Kang, um pequeno comerciante, à BBC.

“Como autônomo, acho que terei muito prejuízo no meu negócio. Só pelas falas dele, a moeda nacional desabou. Isso vai afetar bastante a importação de materiais.”

Na terça-feira à noite, o líder do principal partido de oposição da Coreia do Sul, o Partido Democrata, pediu aos legisladores e ao público que se reunissem do lado de fora do prédio da Assembleia Nacional em Seul.

Os manifestantes gritavam “não à lei marcial” e “derrubem a ditadura” enquanto as sirenes de dezenas de carros de patrulha da polícia soavam.

Confrontos entre a polícia e os manifestantes foram vistos em transmissões ao vivo nas primeiras horas de quarta-feira. Quando o presidente recuou da medida, houve cenas de júbilo do lado de fora do parlamento.

Fonte: BBC Brasil

PM de SP invade casa e espanca idosa

Uma ação policial em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, resultou na agressão de uma idosa de 63 anos, na noite desta quarta-feira (4). Lenilda Messias, que foi atingida no rosto e ficou ensanguentada, sofreu a violência dentro de sua própria casa, no Jardim Regina Alice. 

O caso, que foi registrado em vídeo por testemunhas, acontece em um momento em que a Polícia Militar paulista enfrenta críticas por outros episódios graves, como o arremesso de um homem de uma ponte por um policial e a morte de um estudante de medicina. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo.

Segundo relatos de testemunhas, o episódio teve início quando policiais militares tentaram apreender uma moto que, segundo eles, pertenceria ao filho de Lenilda, Juarez Higino Lima Júnior, empresário que também foi preso durante a confusão. Bianca de Lara, ex-mulher de Juarez, descreveu a abordagem como violenta e sem justificativa. “Eles vieram querendo arrancar a moto da garagem e pediram apoio. Quando chegou o apoio, eles entraram arrebentando o portão e batendo em todo mundo que estava lá”, disse ela ao Folha de S. Paulo.

Lenilda tentou interceder para proteger o veículo e impedir a invasão, mas foi brutalmente agredida por um dos agentes. Bianca destacou que o policial responsável pelo ataque parecia muito jovem e não parava de bater. “Agrediram sem motivo algum. Foi abuso de poder. Foi isso o que aconteceu. A intenção era machucar. E machucou”, declarou.

As cenas gravadas mostram familiares e vizinhos chorando e gritando, enquanto crianças também são ouvidas em meio ao caos. Um policial mais velho precisou intervir para que as agressões contra Lenilda cessassem. Mesmo ferida, ela foi colocada em uma viatura e levada pelos agentes. Outras pessoas da família também ficaram machucadas.

Violência policial em evidência

O caso em Barueri é mais um a somar às recentes denúncias de violência por parte da Polícia Militar de São Paulo. Apenas nos últimos dias, mais de dez agentes foram afastados após serem flagrados em atos que chocaram a opinião pública, como o lançamento de um homem de uma ponte e a execução de um estudante.

Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) não se pronunciou sobre o episódio envolvendo Lenilda Messias. No entanto, os vídeos e os depoimentos de testemunhas reforçam a necessidade de medidas urgentes para conter a escalada de abusos e restaurar a confiança da população na corporação.

Para Bianca, a gravidade da situação vai além das agressões físicas. “Foi um desrespeito total. Invadiram, agrediram, prenderam e deixaram marcas profundas, não só no corpo, mas também na alma da família”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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