Bolsonaro vira réu: saiba os próximos passos da ação no STF

Processo é aberto e julgamento não tem data para ocorrer

Com a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira (26), o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete passaram a ser réus pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

>> Veja os próximos passos:

Abertura de ação penal

Com a aceitação da denúncia, Bolsonaro e mais sete acusados passam à condição de réus, ou seja, irão responder a uma ação penal na Corte Suprema pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Indicação de testemunhas e provas 

A fase seguinte é a instrução do processo, quando são colhidos depoimentos, é feita a análise de documentos e a realização de perícias apresentadas pelas partes. Os advogados poderão, por exemplo, indicar testemunhas e pedir a produção de novas provas para comprovar as teses de defesa. As testemunhas são ouvidas por um juiz auxiliar, integrante do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. 

Julgamento

Com o fim da instrução, o processo vai a julgamento. No julgamento, os ministros da Primeira Turma do STF irão decidir se o ex-presidente e os demais réus serão condenados à prisão ou absolvidos.

Não há data definida para o julgamento, pois depende do andamento processual. A data é marcada pelo presidente da Primeira Turma do STF, Cristiano Zanin. 

Além de Zanin, o colegiado é composto pelo relator da denúncia, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Prisão

Conforme entendimento do próprio Supremo, o réu só pode ser preso após a decisão final do julgamento, depois do trânsito em julgado da ação penal. Isto é, quando não for mais possível apresentar nenhum recurso contra eventual condenação.

 Até lá, os réus respondem ao processo em liberdade. Além disso, a prisão depende do tamanho da condenação. 

A qualquer momento, contudo, é possível que o magistrado responsável pelo caso determine a prisão preventiva de algum réu, mas para isso é preciso que a medida seja justificada conforme critérios definidos pela legislação, como por exemplo o risco ao andamento do processo criminal.  É o caso do general Walter Braga Netto, único dos oito réus que se encontra preso em uma instalação militar. Ele foi acusado pela Polícia Federal de obstruir as investigações.

Fonte: Agência Brasil

Justiça cobra que Prefeitura de Maceió atenda crianças e adolescentes indígenas venezuelanos

A ação foi motivada pela grave crise alimentar e os riscos de desnutrição que comprometem a saúde e o desenvolvimento dessas crianças.

O Ministério Público do Estado Alagoas (MPAL), em parceria com a Defensoria Pública do Estado (DPE/AL), ajuizou uma Ação Civil Pública em caráter urgente para garantir os direitos das crianças e adolescentes indígenas Warao, que migraram da Venezuela para Maceió, em situação de vulnerabilidade social em Maceió. A ação foi motivada pela grave crise alimentar e os riscos de desnutrição que comprometem a saúde e o desenvolvimento dessas crianças.

Assinada pelos promotores de Justiça Alexandra Beurlen e Alberto Tenório Vieira, e pelos defensores públicos Lucas Valença e Isaac Souto, a ação visa a garantia da segurança alimentar imediata e a criação de condições mínimas de dignidade, saúde e alimentação para os Warao.

O MPAL e a DPE pedem que o Município de Maceió forneça, de forma imediata, alimentos adequados para atender às necessidades nutricionais das crianças, garantindo a segurança alimentar. Também foi solicitado acompanhamento médico, psicológico e nutricional especializado para evitar danos irreversíveis à saúde. Além disso, o Município deverá fornecer diagnóstico nutricional atualizado e cronograma de entregas de alimentos, com novas avaliações a cada 30 dias.

A ACP pede que o Município, caso não cumpra as exigências, receba multa diária de R$ 10.000,00 e a proibição de uso de verba pública em publicidade ou festividades até que a segurança alimentar seja garantida.

A Justiça, antes de analisar os pedidos de urgência, determinou que a Prefeitura de Maceió, representada pelo Procurador-Geral do município, se manifeste sobre a ação em até 72 horas. Após a manifestação do Município ou o decurso do prazo, o processo será analisado em caráter de urgência, considerando a necessidade de tratamento prioritário para o caso.

Gravidade da situação

A promotora Alexandra Beurlen ressaltou a gravidade da insegurança alimentar, destacando que “a insegurança alimentar de crianças e adolescentes é uma das formas mais cruéis de aniquilar o futuro de alguém, condenando-os a sequelas irreversíveis”.

A ação reflete o compromisso do MPAL e da DPE com a proteção dos direitos humanos, buscando assegurar que as crianças indígenas Warao possam crescer em condições dignas e com um futuro saudável e livre da fome. O caso segue em análise urgente pela Justiça, com a expectativa de que medidas eficazes sejam adotadas.

FONTE: Ascom MP-AL

Pastor que usava ‘limpeza espiritual’ como desculpa para estuprar crianças e jovens é preso em MS

De acordo com a polícia, homem, de 59 anos, usava a posição de líder religioso para atrair jovens em estado de vulnerabilidade social, com a desculpa de que as ajudaria.

Um pastor, de 59 anos, foi preso por suspeita de estuprar crianças e adolescentes, em Campo Grande. Segundo a polícia, o acusado utilizava de sua posição de líder religioso para atrair jovens em estado de vulnerabilidade social, com a desculpa de que as ajudaria.

A investigação apontou que o suspeito convencia as vítimas de que elas precisavam realizar limpezas espirituais e com isso as forçava a morar com ele. As vítimas eram ameaçadas pelo líder religioso, que usava a desculpa de que as vítimas teriam um “mal espiritual”.

Durante as buscas, equipes da polícia encontraram anotações sobre o ciclo menstrual das vítimas. As investigações apontam que os crimes começaram em 2023. Ainda conforme a polícia, o homem ameaçava familiares próximos das vítimas, dizendo que os mataria, caso elas contassem o que estava acontecendo.

Informações sobre a prisão do suspeito e a dinâmica dos crimes serão repassadas durante uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (21).

A polícia orienta que denúncias podem ser feitas à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente (Depca) pelo telefone 3323-2500 ou pessoalmente na rua Vinte e Cinco de Dezembro, 474, no Jardim dos Estados.

Fonte: G1

Itamaraty chama embaixador de Israel para esclarecer morte de brasileiro

O Itamaraty pediu esclarecimentos ao embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, sobre o caso do brasileiro Walid Khaled Abdallah Ahmad, de 17 anos, que morreu em uma prisão israelense em Megido.

A reunião aconteceu na segunda-feira (24) com o secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, Carlos Duarte. A conversa com o embaixador israelense já estava marcada antes do caso vir à tona. Portanto, também trataram de outros assuntos.

O pedido de explicações faz parte dos contatos feitos pelos postos brasileiros na região, como em Tel Aviv e Ramala, com autoridades locais para tentar esclarecer a situação.

Ahmad morava na Cisjordânia. Segundo o Itamaraty, ele foi detido em 30 de setembro do ano passado na Palestina ocupada e levado à prisão em Israel.

Ainda não se sabe como nem quando exatamente ele morreu. O Itamaraty disse que vai continuar a exigir explicações do governo de Israel.

É o governo de Israel quem vai conduzir a investigação do caso.

Atualmente, 11 brasileiros residentes da Palestina estão presos em Israel. A maioria não foi formalmente acusada ou julgada, o que o Itamaraty ressalta ser uma violação do direito internacional humanitário.

O ministério disse ainda que o escritório do Brasil na Palestina está em contato com a família de Walid Khalid para prestar toda a assistência cabível.

Fonte: CNN

Bolsonaro fica mais perto da prisão após primeiro dia de julgamento no STF

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitou, nesta terça-feira (25/3), todos os questionamentos preliminares apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros investigados por participação na tentativa de golpe de Estado. O julgamento marca a abertura do processo em que o STF analisa se os acusados se tornarão réus por crimes graves contra a democracia. 

Entre os principais pontos decididos está a validação da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que se tornou peça central na denúncia da Procuradoria-Geral da República. Os ministros também negaram pedidos de anulação do acordo de colaboração, de impedimento dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, e de deslocamento do julgamento do caso para o Plenário do STF.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou que a colaboração de Cid foi voluntária e seguiu todos os critérios legais. “A iniciativa de colaborar com as investigações foi de Mauro Cid. Como ele estava preso, fazia sentido que a celebração do acordo implicasse sua liberdade”, afirmou Moraes, que também garantiu não ter interferido “na forma e no conteúdo da colaboração”.

Durante seu voto, Moraes aproveitou para criticar as delações premiadas da extinta operação Lava Jato. “Não há muito tempo, havia colaborações que previam penas inexistentes. Alguns membros do Ministério Público inventavam sanções, inventavam benefícios”, declarou o ministro. Ele ainda explicou que convocou Cid para prestar esclarecimentos adicionais porque havia suspeitas de omissões dolosas, o que poderia levar à rescisão do acordo, conforme prevê a Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013).

Todos os demais ministros da 1ª Turma acompanharam o voto do relator. Flávio Dino afirmou que Moraes tinha competência para conduzir o depoimento do delator. Cristiano Zanin destacou que cabia ao juiz responsável verificar se havia alguma irregularidade que justificasse o rompimento do acordo. Já Luiz Fux e Cármen Lúcia ressaltaram que o conteúdo da delação ainda será submetido ao contraditório no decorrer da ação penal.

Durante a sessão, o advogado Celso Vilardi, que defende Bolsonaro, negou que o ex-presidente tenha participado de qualquer trama golpista. “Não é possível imputar a responsabilidade ao presidente da República, colocando-o como líder de uma organização criminosa, quando ele não participou dos eventos daquele dia. Pelo contrário, ele os repudiou”, afirmou o criminalista, referindo-se aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Vilardi ainda alegou que Bolsonaro colaborou com a transição nas Forças Armadas e citou uma entrevista do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ao programa Roda Viva, em que o ministro reconhece que Bolsonaro facilitou o contato com os militares. “Foi o presidente quem determinou a transição e que os chefes militares atendessem ao novo ministro da Defesa”, disse o advogado.

A defesa também criticou a delação de Mauro Cid por supostas contradições e por seu conteúdo ter sido divulgado pela imprensa. “O delator rompeu o acordo quando permitiu o vazamento da delação. Ele disse que foi um desabafo, mas esse termo é questionável, pois na própria declaração ele sugere que sua confissão não foi voluntária”, argumentou Vilardi.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reafirmou que Bolsonaro liderou uma organização criminosa formada por civis e militares, com o objetivo de se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022. Segundo Gonet, os ataques às urnas e ao sistema eleitoral começaram em 2021 e culminaram com os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Além de Bolsonaro e Mauro Cid, também são alvos da denúncia Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Almir Garnier e Paulo Sérgio Nogueira. Eles são acusados por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e destruição de patrimônio público, com penas que somam mais de 30 anos de prisão.

O julgamento prossegue nesta quarta-feira (26/3), quando os ministros irão decidir se aceitam a denúncia da PGR. Caso isso ocorra, os investigados se tornarão réus e o processo seguirá para a fase de instrução, com coleta de provas e depoimentos de testemunhas. A decisão final sobre a condenação ou absolvição será tomada apenas após essa nova etapa.

Fonte: Brasil 247

Cineasta palestino vencedor do Oscar é solto após sofrer ataque e ser torturado por Israel

Hamdan Ballal, cineasta palestino, foi libertado após ser agredido e detido pelas Forças de Defesa de Israel.

O cineasta palestino Hamdan Ballal, levado na  segunda na Cisjordânia pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), foi libertado nesta terça-feira, segundo publicação no X de Yuval Abraham, jornalista israelense e colega do diretor.

– Depois de ser algemado a noite toda e espancado em uma base militar, Hamdan Ballal agora está livre e prestes a voltar para casa com sua família – escreveu Abraham.

A informação foi confirmada pela advogada de Ballal, Lea Tsemel, que também reforçou que seu cliente e outros dois palestinos, com graves ferimentos, passaram a noite em uma base militar.

Ballal, um dos diretores do documentário Sem Chão, vencedor do Oscar, foi agredido por colonos israelenses e detido por militares das IDF na Cisjordânia segunda-feira.

Confrontos

O cineasta foi linchado nas proximidades de um vilarejo chamado Susya, que foi alvo de dezenas de israelenses que atiraram pedras em moradores, veículos e residências. Os palestinos responderam e, nos confrontos, o diretor acabou sendo ferido.

Abraham, que também dirigiu o documentário ganhador do Oscar, afirmou, logo após o confronto, que Ballal sofreu ferimentos na cabeça e na barriga.

O documentário Sem Chão, que é dirigido por israelenses e palestinos, conta a vida dos moradores de Masafer Yatta, um conjunto de aldeias palestinas na Cisjordânia ocupada, que foi destruída por israelenses.

Fonte: Correio do Brasil

‘Bolsonaro liderou organização criminosa para se manter no poder’, diz PGR em julgamento

PGR acusa ex-presidente e aliados de compor núcleo golpista que tentou impedir posse de Lula; STF julga se transforma denúncia em ação penal

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (25) o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados acusados de planejar e tentar executar um golpe de Estado para evitar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na abertura do julgamento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou uma dura exposição sobre os acontecimentos que, segundo ele, configuram uma ação criminosa liderada por Bolsonaro. “A denúncia retrata acontecimentos protagonizados pelo agora ex-presidente da República Jair Bolsonaro, que formou, com outros civis e militares, organização criminosa que tinha por objetivo gerar ações que garantissem a sua continuidade no poder, independentemente do resultado das eleições de 2022”, afirmou Gonet.

De acordo com o chefe do Ministério Público, a organização era liderada por Bolsonaro e seu então candidato a vice, o general da reserva Walter Braga Netto. “Todos aceitaram, estimularam e realizaram atos tipificados na legislação penal de atentado contra a existência e independência dos Poderes e o Estado Democrático de Direito”, declarou Gonet, ressaltando que “os delitos descritos na denúncia não são de ocorrência instantânea. Eles compõem uma cadeia de acontecimentos articulados para que, por meio da força ou da sua ameaça, o presidente da República, Jair Bolsonaro, não deixasse o poder ou a ele retornasse, contrariando o resultado das eleições”.

Gonet também destacou que, desde 2021, Bolsonaro passou a adotar um discurso de “crescente tom de ruptura com a normalidade constitucional”, sobretudo após a elegibilidade de Lula ser restabelecida. “Mostrava-se descontente com decisões de tribunais superiores e com o sistema eleitoral eletrônico em vigor. A escalada ganhou impulso mais notável quando Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se elegível e os cenários das pesquisas eleitorais se mostraram a ele inclinados”, afirmou o procurador. Ele completou: “Foram, então, postos em prática planos articulados para a manutenção, a todo custo, do poder do então presidente da República”.

A análise da denúncia está dividida em três sessões: a primeira ocorreu na manhã desta terça-feira, a segunda no período da tarde e uma terceira sessão extraordinária foi agendada para as 9h30 desta quarta-feira (26), quando o julgamento será retomado.

Compõem a Primeira Turma do STF os ministros Alexandre de Moraes (relator do caso), Luiz Fux, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin (presidente do colegiado). Caso a maioria dos ministros vote pela aceitação da denúncia, os oito acusados se tornarão réus e responderão a ações penais.

Segundo a PGR, os crimes cometidos pelos denunciados incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano ao patrimônio da União, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa. O foco atual está no chamado “Núcleo 1” da acusação, apontado como o centro da trama golpista.

Além de Bolsonaro e Braga Netto, também foram denunciados:

  1. Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin;
  2. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
  3. Augusto Heleno, general da reserva e ex-chefe do GSI;
  4. Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  5. Paulo Sérgio Nogueira, general da reserva e ex-ministro da Defesa;
  6. Almir Garnier, almirante da reserva e ex-comandante da Marinha.

Especialistas consultados por veículos da imprensa avaliam o julgamento como um divisor de águas. Caso o STF aceite a denúncia e Bolsonaro seja posteriormente condenado por todos os crimes apontados pela PGR, ele poderá enfrentar até 30 anos de prisão. O ex-presidente, que já está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nega todas as acusações e afirma ser vítima de “perseguição”. Ele também defende que o caso seja analisado pelo plenário do STF, e não por uma de suas turmas.

O desfecho do julgamento pode não apenas consolidar o entendimento jurídico sobre os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas também influenciar diretamente o futuro político da extrema-direita no Brasil.

Fonte: Brasil 247

JHC faz a Justiça aumentar multa à Prefeitura por descumprir ordem sobre transporte escolar

Descaso expõe alunos a riscos, resultando em multa maior para o município após ação do Ministério Público e Defensoria

A Justiça aumentou a multa imposta à Prefeitura de Maceió pela falha em regularizar o transporte escolar para os alunos da rede pública municipal, após descumprir ordens judiciais anteriores. Inicialmente fixada em R$ 10 mil por dia, a penalidade foi elevada para R$ 50 mil diários, podendo atingir até R$ 1 milhão.

A medida foi tomada após uma série de fiscalizações que evidenciaram condições precárias dos veículos e o risco constante à segurança dos estudantes. A multa foi agravada pela inércia da administração municipal em resolver os problemas, apesar das repetidas decisões judiciais.

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e a Defensoria Pública, que ingressaram com a ação civil pública, têm como objetivo garantir o direito à educação segura e ao transporte adequado para os estudantes. A situação se agrava a cada dia, com relatos de ônibus em péssimas condições, como falta de cintos de segurança, pneus desgastados, extintores despressurizados e defeitos mecânicos sérios. A gravidade das falhas nos veículos, somada à negligência por parte da Prefeitura, levou a Justiça a tomar uma postura mais enérgica.

Relatórios de inspeção revelam que o transporte escolar não oferece as mínimas condições de segurança. Em um dos casos, foi identificado um ônibus com a porta traseira amarrada com nylon, um claro risco de acidente. Outro problema apontado foi a falta de combustível nos ônibus, obrigando os alunos a esperar por horas após o horário de saída. A situação é ainda mais alarmante quando se verifica que estudantes, em dias de chuva, são obrigados a usar guarda-chuvas dentro do veículo devido às goteiras no teto.

A promotora de Justiça Alexandra Beurlen expressou sua indignação com a falta de compromisso da Prefeitura de Maceió, ressaltando que “não é aceitável que o município continue desrespeitando decisões judiciais e colocando em risco a vida de milhares de estudantes.” Além disso, a nova decisão judicial obriga a intimação pessoal do secretário municipal de Educação, do procurador-geral do Município e do prefeito, para que comprovem em cinco dias as adequações necessárias.

Essa nova medida visa garantir que os estudantes da rede pública de Maceió possam, finalmente, usufruir de um transporte escolar seguro e digno. O MPAL e a Defensoria Pública continuam acompanhando a situação e exigindo que as autoridades responsáveis tomem providências imediatas. O direito à educação e à segurança dos alunos não pode continuar sendo negligenciado, e a Justiça tem mostrado que tomará medidas cada vez mais rigorosas até que a situação seja resolvida.

Fonte: 082 Notícias

Milhares de argentinos tomam as ruas em protesto contra Milei

Multidão lembra 30 mil desaparecidos e rejeita cortes do governo Milei: ‘Ditadura nunca mais!’

Milhares de pessoas marcharam por toda a Argentina no novo aniversário do golpe de Estado de 1976, que deu início à última ditadura militar (1976-1983) no país.

O ato principal aconteceu na emblemática Praça de Maio, onde uma multidão lotou as ruas de Buenos Aires em uma das maiores manifestações dos últimos anos. A participação superou de longe a do ano passado — o primeiro 24 de março sob o governo de Javier Milei, que até então tinha sido a maior mobilização na data — tornando-se um marco na resistência contra as políticas de ajuste econômico, demissões em massa e as declarações negacionistas de autoridades do governo.

Sob o slogan “30 mil companheiros desaparecidos, presentes!”, os manifestantes uniram a luta histórica pela punição aos crimes da ditadura a uma forte rejeição às medidas do governo atual.

“Milei, lixo, você é a ditadura” foi um dos cantos mais repetidos durante o dia. Horas antes da mobilização, o governo havia divulgado um vídeo polêmico que, sob o eufemismo de uma “memória completa”, reforçava o discurso negacionista: tratava a ditadura como uma medida “necessária” em um contexto de guerra, negando que ela tenha sido um plano sistemático de extermínio contra militantes e trabalhadores organizados.

“Mães da Praça, o povo as abraça”

Desde a manhã, organizações sociais, sindicais e de bairro promoveram atividades em várias partes do país. “Não podemos esquecer. Viemos todos os anos para manter viva a memória dos nossos companheiros”, disse Daniel Ghigliazza, 78 anos, ao Brasil de Fato, segurando a foto de um parente desaparecido.

Como faz todo ano, Daniel foi à praça com a esposa e os netos, que hoje fazem parte do centro estudantil da escola deles. Um exemplo das pontes entre gerações que unem as lutas do passado e do presente.

Mais uma vez, a praça virou um mosaico de lutas e memórias. No ritmo lento das Mães da Praça de Maio — as primeiras a chegar, com seus lenços bordados com os nomes dos filhos —, a marcha seguiu em meio a cantos que misturavam palavras de ordem pela memória com protestos contra a situação atual do país. Ao redor da bandeira com as fotos em preto e branco dos desaparecidos, milhares entraram na praça gritando: “Mães da Praça, o povo as abraça”.

Às 16h30, começou o ato principal no palco montado atrás da Casa Rosada, sede do governo argentino. Na frente da multidão, Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio; Taty Almeida e Elia Espen, da Linha Fundadora das Mães da Praça de Maio; e Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, foram os quatro principais oradores que leram o documento de consenso.

“Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos” foi um dos slogans centrais do evento. O texto também pedia o fim das “demissões nos setores público e privado” e “justiça por Pablo Grillo”, o fotógrafo gravemente ferido pela repressão policial durante a marcha dos aposentados em 12 de março.

“Hoje, Pablo Grillo está lutando entre a vida e a morte. Acolhemos sua família e exigimos: justiça por Pablo Grillo e punição para os responsáveis! Fora Bullrich! Revogação do protocolo antipiquete inconstitucional!”, dizia o texto, em referência à ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que ordenou a repressão brutal contra a mobilização dos aposentados.

Com voz firme, Carlotto lembrou a luta incansável para recuperar a identidade dos netos roubados durante a ditadura. “Já resolvemos 139 casos”, afirmou, destacando que “há apenas dois meses, restituímos a identidade de um neto e uma neta que nunca desconfiaram de sua origem”. Ela também convocou a sociedade a ajudar a encontrar os netos que ainda estão desaparecidos.

Já Pérez Esquivel aproveitou para denunciar: “Rejeitamos a destruição da saúde pública, o esvaziamento dos hospitais e o ataque à educação gratuita”.

O documento das organizações foi duro na rejeição às medidas do governo, exigindo a revogação das principais leis e reformas promovidas por Milei.

“Há 48 anos, Rodolfo Walsh publicou sua Carta Aberta à Junta Militar, denunciando a miséria planejada, fruto do plano econômico da época. Conhecemos bem quem se beneficiou do sangue dos 30 mil: os Blaquier, os Noble Herrera, os Pérez Companc, os Rocca, os Macri, a Ford, a Mercedes Benz, os Martínez de Hoz, entre muitos outros”, dizia o texto.

E completava: “Hoje, são esses mesmos grupos econômicos que se beneficiam do governo de Javier Milei e Victoria Villarruel para impor o mesmo modelo de miséria e exclusão para a maioria, com uma concentração absurda de capital e lucros máximos, varrendo direitos conquistados”.

Fonte: Brasil de Fato

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