NATAL INDEPENDENTE

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 22 de Dezembro de 2024

Chegou ao fim a gestão “independente” do Campos Neto à frente do Banco Central que ficou marcada pela parcialidade politico partidária, “elevando” os mais pobres ao abismo da pobreza e “afundando” os milionários em suas gordas contas bancárias incalculáveis. Campos Neto usou o Banco Central como se fosse o seu brinquedo de fabricar fatos, falas e opiniões que sempre caiam no colo da Faria Lima milhões de gorjetas produzidas pelo ócio do rentismo.
A Independência do Banco Central se transformou na indecência do banqueiro mortal.

Por falar em mortal, uma cena de uma cidadã de bem em frente a residência do Presidente Lula em São Paulo foi digna do mais completo grau de insanidade que vive os brasileirinhos idosos em nosso país. Essa coroa levou uma coroa de flores encenando a morte de Lula, depois saiu de lá presa por cometer ofensas racistas a um policial Agora como pensionista por ser filha de militar vai ter que pagar as flores e ainda um advogado com os seus 14 mil que recebe por mês sem fazer absolutamente nada.
Selva!

Já no Congresso o pacote de ajuste fiscal foi aprovado pelos parlamentares, mas a contribuição dos militares, os super salarios e a isenção do Imposto de renda pra quem ganha até 5 mil reais, como queria o Governo, ficou para o próximo ano, foi aquele famoso “compro na volta”. Lula enviou um pacote robusto, mas os parlamentares acharam pequenas as liberações das emendas e por isso endureceram o jogo. No Brasil é assim, pra fazer um ajuste fiscal é preciso primeiro combinar com os russos tupiniquins.

Pra finalizar o Xandão e o PGR Gonet suspenderam suas férias para intensificarem os esforços no processo sobre a tentativa de Golpe. Creio que o Natal do Bolsonaro vai ter papai noel descendo da chaminé com a arma na mão e vestido no uniforme da PF gritando how, how, how ou seria toc, toc, toc?
“Ouremos” na véspera!

Reflexões* Flávio Show 2024 , ano 04 – Edição 210

Papa não se intimida com críticas do estado genocida de Israel e volta a denunciar bombardeios em Gaza

Após ser acusado pelo governo israelense de usar “dupla moral”, o papa Francisco voltou a criticar os bombardeios na Faixa de Gaza neste domingo (22). Os comentários foram feitos durante a oração do Angelus, realizada excepcionalmente online porque o sumo pontífice está resfriado e quer se poupar antes dos compromissos natalinos.

“Com dor, penso em Gaza, em tanta crueldade, nas crianças metralhadas, nos bombardeios de escolas e hospitais. Quanta crueldade!”, declarou o religioso em sua residência, a Casa Santa Marta, no Vaticano. O tradicional evento de domingo não pode ser realizado no palácio apostólico na Praça de São Pedro porque o papa está doente. No entanto, Francisco decidiu fazer a oração online, insistindo em sua comoção com a população palestina. 

Na véspera, ele já havia expressado tristeza com a morte de sete crianças em ataques na sexta-feira (20) no enclave palestino. Segundo a Defesa Civil de Gaza, 10 integrantes de uma mesma família morreram em um bombardeio israelense em Jabaliya, no norte do território. “Não é a guerra, é uma crueldade. Falo isso porque é algo que me comove”, afirmou em uma audiência com membros da Cúria, o governo da Santa Sé.

O sumo pontífice se pronuncia frequentemente sobre guerras pelo mundo. Mas, nos últimos tempos, vem intensificando as críticas a Israel, intensificando o tom de seus discursos e deixando de lado uma certa neutralidade política. 

No final de novembro, o papa denunciou “a prepotência do invasor” na Ucrânia, mas também na “Palestina”, uma semana após a publicação de um livro no qual Francisco defende “investigar com atenção” se a situação em Gaza corresponde à “definição técnica” de genocídio. O líder do Vaticano já havia criticado em setembro o uso “imoral” da força no Líbano e na Faixa de Gaza.

Fonte: RFI

Ação genocida de Israel assassina 17 palestinos em ataques a escola e hospital

Bombardeios aéreos fizeram vítimas em diversos pontos do território palestino neste domingo (22). 

Ataques israelenses em toda a Faixa de Gaza mataram pelo menos 17 palestinos, sendo oito deles em uma escola que abrigava famílias desabrigadas na Cidade de Gaza, informaram médicos que atuam no território palestino, segundo a agência de notícias Reuters. Na região norte de Gaza, o exército israelense ordenou a evacuação de um hospital.

Médicos palestinos contaram à agência que oito pessoas, incluindo crianças, foram mortas na Escola Musa Bin Nusayr.

O exército israelense disse em um comunicado que o ataque tinha como alvo militantes do Hamas que operavam um centro de comando dentro da escola. De acordo com o comunicado, os militantes do grupo terrorista usaram o local para planejar e executar ataques contra as forças israelenses.

Também na Cidade de Gaza, os médicos disseram que quatro palestinos morreram em um ataque aéreo que atingiu um carro. Pelo menos outros cinco palestinos foram mortos em dois bombardeios aéreos diferentes em Rafah e Khan Younis, ao sul da Faixa de Gaza.

Ordem de evacuação

Na cidade de Beit Lahiya, no norte de Gaza, onde o exército está operando desde outubro, Hussam Abu Safiya, o diretor do Hospital Kamal Adwan, disse que o exército ordenou que a equipe evacuasse o hospital e transferisse os pacientes e feridos para outro hospital na região.

Abu Safiya explicou que a missão era “quase impossível” porque a equipe não tinha ambulâncias para mover os pacientes, informou a Reuters.

Palestinos inspecionam os danos no local de um ataque israelense a uma casa, em meio ao conflito Israel-Hamas, em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, em 22 de dezembro de 2024 — Foto: Ramadan Abed/Reuters

‘Limpeza étnica’

O exército israelense tem operado nas duas cidades do norte de Gaza, Beit Lahiya e Beit Hanoun, além do campo de refugiados de Jabalia, nos últimas três meses.

Os palestinos acusam Israel de realizar atos de “limpeza étnica” para desocupar essas áreas e criar uma zona de amortecimento. Israel nega e afirma que a campanha na região tem como objetivo combater militantes do Hamas e evitar que eles se reorganizem.

As alas armadas do Hamas e da Jihad Islâmica disseram que mataram muitos soldados israelenses em emboscadas durante o mesmo período. Intermediadores ainda não conseguiram garantir um cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

Fontes próximas às discussões disseram à Reuters na quinta-feira (19) que Catar e Egito conseguiram resolver algumas diferenças entre as partes em conflito, mas ainda persistem pontos de discórdia.

Israel iniciou os ataques a Gaza após os combatentes liderados pelo Hamas atacarem comunidades israelenses em 7 de outubro de 2023, matando 1,2 mil pessoas e fazendo mais de 250 reféns, de acordo com os números israelenses.

Conforme informações de Israel, cerca de 100 pessoas ainda estão sendo mantidas reféns, mas não está claro quantas estão vivas.

As autoridades de Gaza afirmam que a campanha militar de Israel matou mais de 45 mil palestinos e deslocou a maioria da população de 2,3 milhões. Grande parte da Faixa de Gaza está em ruínas.

Fonte: G1

Tempestade e privatização da energia deixou 660 mil casas sem luz na região metropolitana de SP

A série de chuvas que atingiu a região metropolitana de São Paulo na tarde desta sexta-feira (20) deixou 660 mil clientes da concessionária Enel sem luz. A empresa havia comunicado plantão especial ontem, quando a Defesa Civil estadual emitiu alerta para mau tempo em todo o estado para essa sexta e sábado. 

A cidade de Pirapora do Bom Jesus tem cerca de 35% das residências sem luz por volta das 18h. Mauá e Itapecerica da Serra tiveram cerca de 27% atingidos, enquanto Osasco tem 20%, ou cerca de 70 mil domicílios, sem abastecimento. 

A capital teve 425 mil clientes, de um total de 5 milhões e meio, atingidos, além de registro de trânsito recorde, com mais de 600 km de engarrafamentos.

A Enel informou que as pancadas de chuvas acompanhadas por ventos que atingiram a área de concessão impactaram o fornecimento de energia para alguns clientes das regiões Leste e Norte, principalmente. “Acionamos antecipadamente o plano de operação, com mobilização adicional das equipes em campo que seguem trabalhando para restabelecer a energia o mais brevemente possível para os clientes que tiveram o serviço afetado”, disse a empresa. 

As fortes chuvas ocasionaram diversos registros de alagamento, dos quais 9 pontos permaneciam intransitáveis no começo da noite. Oito rios, nas zonas norte e leste da capital, têm registro de extravasamento, enquanto outros três estão em estado de alerta. 

Na estação meteorológica de Santana, na zona norte da cidade, houve registro de ventos de mais de 80km/h. A Defesa Civil também chamou atenção para o impacto nas regiões de São Carlos e Campinas, sem detalhar as ocorrências. Não houve registro de desaparecidos ou mortos até o momento.

O corpo de bombeiros estadual registrou 97 chamados para quedas de árvores na região metropolitana.

O Aeroporto de Congonhas informou que três voos foram desviados para outros aeroportos por conta do mau tempo, mas que continua operando normalmente.

Litoral paulista

O litoral norte também foi afetado pelas chuvas. Segundo a Defesa Civil estadual, a frente fria deve causar mais impactos hoje. “Para as próximas horas, a frente fria continuará se deslocando pelo Estado de São Paulo e provocando pancadas de chuva forte, seguidas por raios e vento na região de São Sebastião-SP”. 

As chuvas devem ter acumulados de 65mm nas próximas 24h e com rajadas que ficarão em aproximadamente 75km/h.

De acordo com os dados da estação meteorológicas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em São Sebastião entre 12h e 14h foram observadas rajadas de vento de 20 km/h e chuva acumulada de 18,5 mm.

A prefeitura informou que os alagamentos levaram ao fechamento de unidades de saúde nos bairros Pontal da Cruz, Boiçucanga 1 e 2, Cambury 1 e 2, Barra do Sahy e Juquehy 1 e 2. “A cidade recebeu investimentos de reconstrução após chuvas históricas em janeiro de 2023, quando 65 pessoas morreram no litoral norte após fortes tempestades”, informa a prefeitura.

Fonte: Brasil 247

Espanha vai reduzir jornada de trabalho para 37,5 horas

O acordo alcançado entre governo e sindicatos prevê uma redução da atual semana de trabalho sem corte de salário. Medida não conta com apoio dos empresários e depende agora da aprovação do parlamento.

O Governo de Espanha e duas centrais sindicais acordaram esta sexta-feira reduzir a semana de trabalho máxima no país para 37,5 horas, uma medida sem apoio dos empresários e que depende agora da aprovação do parlamento.

O acordo prevê uma redução da atual semana de trabalho sem corte de salário de 40 para 37,5 horas semanais em média média no cômputo anual, sendo consideradas horas extraordinárias todas em as que ultrapassem este máximo.

Governo e sindicatos acordaram ainda medidas para garantir o designado “direito à desconexão” dos trabalhadores (não serem contactados pelo empregador fora do horário de trabalho).

“A redução da jornada afetará 12 milhões de pessoas”, disse esta sexta-feira a ministra do Trabalho e uma das vice-presidentes do Governo espanhol, Yolanda Díaz, na apresentação e assinatura do acordo, em Madrid.

O Ministério do Trabalho e as duas centrais sindicais (CCOO e UGT) pretendem ver em vigor este acordo até ao final de 2025, embora reconheçam que terá de passar por um crivo difícil no parlamento espanhol, onde não estão garantidos os apoios necessários para ser aprovado e onde uma maioria de partidos de direita se poderá unir para o bloquear.Este Natal, o presente é para siAssine por três meses a um preço reduzido

A redução da semana de trabalho faz parte do acordo de coligação do atual Governo de Espanha, que foi alcançado há pouco mais de um ano entre o Partido Socialista (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, e o Somar, a plataforma de esquerda de Yolanda Díaz.

PSOE e Somar não têm maioria absoluta no parlamento e dependem de negociações com uma ‘geringonça’ de mais seis partidos para aprovar leis.

Para além disso, esta semana, foi tornado público o desentendimento entre Yolanda Díaz e a fação socialista do Governo, nomeadamente, o ministro da Economia, Carlos Cuerpo, em relação aos termos de aplicação dessa redução da jornada laboral em Espanha.

Carlos Cuerpo defendeu uma flexibilização dos prazos de aplicação, de forma a estendê-la para além do final de 2025, algo de que Yolanda Díaz discorda.

“Sabemos que hoje (sexta-feira) é um dia muito importante, mas que não é o fim de nada”, reconheceu o secretário-geral da CCOO, Unai Sordo, que lidera a maior central sindical de Espanha.

Unai Sordo e o secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, disseram estar “conscientes da dificuldade do processo parlamentar” que vai enfrentar o acordo esta sexta-feira assinado e que poderão ser introduzidas mudanças no texto por pressão das confederações patronais, mas instaram a que os partidos cheguem a um acordo e prometeram mobilização e pressão para tornar realidade a redução da semana laboral em Espanha em 2025.

Os sindicatos e a ministra defenderam estar em causa uma questão de justiça social, lembrando que em Espanha a semana de trabalho se mantém legalmente nas 40 horas há mais de 40 anos, apesar de no mesmo período ter aumentado a produtividade por hora trabalhada em mais de 50%.

Apesar de ter recusado assinar o acordo desta sexta-feira, a maior confederação patronal de Espanha (CEOE) manteve-se na mesa das negociações nos últimos 11 meses, o que a ministra Yolanda Díaz saudou, tendo apelado para que os empresários mantenham o diálogo na nova etapa, a do processo legislativo.

Também os líderes sindicais fizeram o mesmo apelo à CEOE.

Fonte: Observador

Desembargadora que cobrava “rachadinha” até 75% é punida com aposentadoria

A desembargadora Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), foi aposentada compulsoriamente, com vencimentos proporcionais por tempo de serviço, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foi constatada a existência de um esquema de “rachadinha” em que ela cobrava até 75% da remuneração dos servidores nomeados em seu gabinete, pessoas, muitas vezes, “sem expertise técnica”, segundo a conselheira Daiane Nogueira de Lira, relatora do processo.

Por unanimidade, os conselheiros e as conselheiras julgaram procedente o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) 0005326-96.2022.2.00.0000, que verificou o descumprimento de deveres funcionais por parte da magistrada. Durante a apuração do PAD, foi identificado que, desde 2016 – antes das primeiras denúncias formais sobre o caso –, a desembargadora participava de conversas sobre a exigência de até 75% do vencimento dos funcionários. A prova derrubou a alegação da defesa de que ela não tinha ciência do pedido de dinheiro.

A investigação revelou ainda que Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo desempenhava papel essencial no esquema, já que tinha poder para autorizar e nomear os cargos comissionados. Segundo a conselheira Daiane Nogueira de Lira, as vagas foram preenchidas sistematicamente por “pessoas sem expertise técnica, ou de seu círculo pessoal ou com necessidades de emprego”.

A relatora informou ainda que a gestão do gabinete era conduzida com desvio de finalidade. Além da nomeação de pessoas sem qualificação técnica e subordinadas a interesses particulares, havia a atuação de terceiros no gabinete, como o filho da desembargadora, que atuava em nome dela, coagindo os servidores à prática de ações ilícitas.

Daiane Nogueira destacou que, no âmbito criminal, as denúncias foram investigadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). As evidências foram enviadas para a apuração administrativa do CNJ, a partir da colaboração premiada do filho da desembargadora, que se somaram às provas testemunhais, depoimentos, extratos bancários e registro de câmeras.

“Há, sim, desvio de conduta funcional e prossegue com o uso abusivo de instrumentos do tribunal para a realização de crimes, como o uso do carro funcional”, sentenciou a relatora. A decisão foi tomada durante a 16ª Sessão Ordinária de 2024, realizada no dia 10. Os conselheiros João Paulo Schoucair e José Rotondano se declararam impedidos e não participaram do julgamento.

Em Minas Gerais, juiz foi afastado

Também em dezembro, o CNJ decidiu afastou por 60 dias o juiz Alexandre Victor de Carvalho, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), acusado de negociar cargos para familiares e propor “rachadinha” em salários. Ele foi flagrado realizando movimentações para que a esposa, Andreza Campos Victor de Carvalho, deixasse as funções exercidas na Câmara Municipal de Belo Horizonte e fosse nomeada na Assembleia Legislativa do estado. O filho do magistrado assumiria o lugar dela e, em troca, o juiz ofereceria influência na formação de lista tríplice para o cargo de desembargadora da corte estadual.

Com informações do CNJ e da Folha de S. Paulo

Fonte: Sintrajufe

Um general preso, um passo num longo caminho necessário

É necessário punir a cúpula militar. Ela é a origem da impunidade que contamina suas “forças auxiliares”, as Polícias Militares, que matam e violentam o povo brasileiro

O dia 15 de dezembro de 2024 foi histórico. Não é todo dia que um general de muitas estrelas é preso.

Em Faroeste Caboclo, da Legião Urbana, o anti-herói da fábula brasiliense, João do Santo Cristo, responde, quando é convidado para prestar seus serviços: “E não protejo general de dez estrelas. Que fica atrás da mesa com o cu na mão”.

A casta parasitária militar brasileira é moldada pela impunidade. Casta, pois não se considera parte do povo; é endógena. Parasitária, pois não serve a nada na sociedade, sendo um vetor permanente de corrupção e injustiça. Promovem casamentos entre si; filhos estudam em colégios militares, e famílias convivem nos clubes militares. As filhas de militares muitas vezes nunca se casam para continuar recebendo pensões, o que envolve inúmeros casos de fraudes. Quando expulsos por corrupção ou outros desmandos das Forças Armadas, são considerados “morte ficta” para que suas famílias continuem recebendo suas pensões. A farda tornou-se sinônimo da casta da impunidade no Brasil.

O genocídio protagonizado pelos militares imperiais na Guerra do Paraguai é um exemplo. Na República Velha, tivemos os massacres de brasileiros na Guerra de Canudos (1896-1897), na Guerra do Contestado (1912-1914) e na Guerra contra São Paulo, em 1924, quando os bairros operários da cidade foram bombardeados. Mesmo na chamada Nova República, houve o ataque aos grevistas da CSN em 1988, com o fuzilamento de três jovens operários: Carlos Augusto Barroso (19 anos), Walmir Freitas Monteiro (27 anos) e William Fernandes Leite (22 anos).

Mais recentemente, a ocupação do Haiti (2004-2017), sob orientação direta dos EUA, França e Canadá, mas comandada pelo Exército Brasileiro com apoio das demais Forças Armadas, escancarou o papel subalterno das forças brasileiras como coturno auxiliar do imperialismo. O massacre de Cité Soleil, ou como dizem os haitianos Site Soley, nunca me saiu da cabeça após assistir ao documentário O que se passa no Haiti?, do jornalista Kevin Pina.

Outros militares, como Augusto Heleno, Santos Cruz e até o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foram formados na ocupação e na execução de crimes sistemáticos contra a população negra do Haiti. Uma explicação didática do atual general Guilherme Bernardes (na época coronel) no documentário Haiti: estamos cansados, do cientista social e documentarista Daniel Santos mostra como desde 2010 os comandantes brasileiros no Haiti afirmavam que a participação brasileira no Haiti era importante porque preparava o Exército para lidar com a segurança interna nos morros e favelas do Brasil. O general Braga Netto foi o interventor no Rio de Janeiro, foi investigado pela Polícia Federal por suspeita de fraude na compra de coletes balísticos envolvendo uma empresa envolvida no assassinato, em julho de 2021, de Jovenel Moïse presidente do Haiti. A empresa é a mesma que havia fechado contrato para fornecer coletes a ser usados na intervenção federal de 2018 no estado do Rio de Janeiro. 

Em um momento da formação da deformada e incompleta República brasileira, as revoltas tenentistas surgiram como um suspiro de indignação social diante do Brasil dos conflitos operários e da intensa luta de classes nas áreas urbanas e no interior, onde a injustiça era a regra nas relações políticas dominadas por coronéis e caudilhos. Na longa marcha da Coluna Miguel Costa-Prestes, há relatos da liberação de extensas áreas de latifúndios no interior do Brasil, onde a escravidão ainda persistia nas plantações de mate. Ali talvez tenha ocorrido o último suspiro de compromisso com a nação brasileira.

De lá para cá, a dissidência frente à subserviência aos interesses imperialistas tornou-se exceção. A regra tem sido a covardia corrupta de militares como o comandante do II Exército, general  Amaury Kruel, e suas malas de dólares para trair o presidente João Goulart, ou Eduardo Pazuello, ministro do genocídio da Covid-19 no Brasil e seus esquemas com cloroquina e propinas nas negociações das vacinas, que afetaram a vida de milhares de brasileiros.

A luta de massas na sociedade brasileira pela libertação dos presos políticos e pelo direito ao retorno dos exilados arrancou em plena ditadura e culminou na Lei da Anistia (Lei n. 6.683/1979). Na Assembleia Constituinte de 1988, que, longe de ser “cidadã”, como alguns a chamam, foi incapaz de fazer prevalecer a vontade da maioria dos brasileiros de punição aos crimes da ditadura e garantiu aos criminosos fardados de todas as patentes a impunidade pelos crimes cometidos durante o regime militar. Essa impunidade se perpetua até hoje, com as Polícias Militares, “forças auxiliares” do Exército, que torturam e matam nas favelas, morros e periferias, onde a ditadura nunca acabou.

A Comissão Nacional da Verdade (Lei 12.528/2011) expôs apenas uma parte desses crimes. Incompleta, não puniu nenhum dos responsáveis. Tampouco investigou de forma abrangente os crimes da ditadura, como reivindica a luta pela instalação da Comissão Nacional Indígena da Verdade, necessária para apurar pelo menos 8.350 assassinatos praticados pela ditadura militar. Essa luta é urgente no Brasil do latifúndio fantasiado de agronegócio, que joga veneno sobre as comunidades indígenas e sem-terra, além de atacar com milícias privadas os povos originários. Como explicou o jornalista e militante da memória e da causa indígena Marcelo Zelic (1963-2023), trata-se de “uma emergência civilizatória”.

É necessário punir a cúpula militar. Ela é a origem da impunidade que contamina suas “forças auxiliares”, as Polícias Militares, que matam e violentam o povo brasileiro. A principal razão para desmilitarizar as Polícias Militares é acabar com o sistema de impunidade sustentado pela justiça militar, que permite os inúmeros crimes denunciados diariamente.

Neste dia 15 de dezembro, um general de quatro estrelas foi preso. É pouco. É necessário punir todos os generais, milicianos, empresários, líderes religiosos e políticos que cometeram crimes no governo Bolsonaro e ir além: acabar com a tutela militar sobre a sociedade brasileira, expressa no artigo 142 da Constituição Federal. A tutela militar confere aos militares o poder de pisotear a soberania popular sempre que lhes convém.

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Braga Netto é o primeiro comandante fardado de quatro estrelas preso. Mas não deve ser o último. E isso expõe a contradição profunda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em manter José Múcio como ministro da Defesa, um porta-voz da caserna, e não um ministro comprometido com a democracia e com os direitos do povo brasileiro.

Mais do que nunca, afirmar “sem anistia” é uma tarefa que está ligada à luta para reverter todos os crimes do bolsonarismo contra os direitos. Essa é a vontade de uma expressiva maioria dos que foram às urnas para pôr fim ao ciclo de golpistas que depuseram a presidenta Dilma. É necessário que as forças vivas do povo brasileiro cobrem das instituições – Executivo, Legislativo e Judiciário – a tarefa urgente de revogar as reformas de Temer e Bolsonaro: a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência, a Lei das Terceirizações e outras medidas, como a liberação de agrotóxicos, isenções e subsídios sem fim para o latifúndio do agronegócio, banqueiros e bilionários. 

Esse Congresso Nacional representa o oposto disso. Ele seria capaz de fazer o que a maioria do povo espera? Creio que não. Para avançar, só uma ruptura verdadeiramente democrática, que mude a correlação de forças e passe a limpo os podres poderes brasileiros, um processo Constituinte que reescreva os direitos nos fundamentos da nação brasileira. 

(*) Alexandre Linares é jornalista, professor e editor. Dirigente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e colaborador do Jornal O Trabalho do PT.

Fonte: Ópera Mundi

Governo da Bahia compra armas israelenses

O estado, governado por Jerônimo Rodrigues (PT), comprou 200 fuzis no valor de R$ 1.816.572,00 da empresa Israel Weapon Industries, que destaca no seu site que “as armas são desenvolvidas em estreita colaboração com as forças de Israel”.

Já se vai mais de um ano do massacre dos sionistas contra o povo palestino e que se expande na região. A resistência ultrapassa as fronteiras e ganha às ruas no mundo, inclusive na Bahia, exigindo o imediato cessar-fogo e o fi m do genocídio. O próprio Lula suspendeu a compra de arma mento israelense, portanto é uma decisão política e não técnica. Centenas de personalidades, entidades e organizações pedem que o presidente rompa relações com o Israel. Como pode o governo Jerônimo realizar essa compra?

É inaceitável qualquer coisa que ajude a continuidade desse massacre. É inaceitá vel imaginar que essas armas serão usadas nas operações policiais nas comunidades tendo como alvo o povo negro baiano.

Vergonhosamente, a executiva estadual do PT e os parlamentares petistas silenciaram a respeito. Essa compra deveria ser anulada e, daqui em diante, nenhuma arma israelense deveria ser comprada.

Por Paulo Riela

Fonte: O Trabalho

Cúpula Militar ameaça Lula por “saída” de Múcio antes de última reunião ministerial do ano

Presidente comanda reunião que pode ser a última de Múcio no ministério. Insatisfeita com cortes e idade mínima – de 55 anos – para se aposentar, cúpula militar manda recado a Lula pelas páginas d’O Globo

Pelas páginas do jornal O Globo, mais precisamente na coluna de Bela Megale, a cúpula das Forças Armadas fez ameaças a Lula antes da reunião ministerial que será conduzida pelo presidente nesta sexta-feira (20), que pode ser a última com a formação atual do ministério.

O encontro, que acontece na Granja do Torto um dia após o presidente receber aval dos médicos para voltar a Brasília, também pode ser o último com a participação do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que tem insistido com o presidente que quer deixar o governo para retomar sua aposentadoria.

Aos 76 anos e com trajetória política que teve início no Arena, partido criado em 1965 para dar sustentação à recém implantada Ditadura Militar, Múcio é amigo de longa data de Lula, de quem chegou a ser ministro-chefe das Relações Institucionais entre novembro de 2007 e setembro de 2009.

O Ministro conta com passe livre no Planalto por ser considerado por Lula peça-chave para acalmar os ânimos dos militares de alta patente na tensa transição com o governo Jair Bolsonaro (PL), que buscava apoio da cúpula das Forças Armadas para desencadear o golpe de Estado.

Em reunião recente com o presidente, Múcio teria relatado que sua missão no cargo chegou ao fim e expressou seu desejo de voltar à aposentadoria. Lula teria aconselhado o ministro a pensar melhor na situação nas duas semanas de férias que terá no Recife a partir desta sexta-feira.

No entanto, por meio da coluna de Bela Megale, a cúpula das Forças Armadas mandou um recado em tom de ameaça a Lula.

“A leitura de integrantes da Marinha, Aeronáutica e Exército é que, se Múcio de fato deixar a cadeira, a relação entre os militares e o governo federal terá que recomeçar do zero”, diz a jornalista da Globo, com trânsito na cúpula militar.

Segundo Bela Megale, Múcio teria confidenciado a interlocutores que “a relação dos militares com o governo retrocedeu”, especialmente por causa da inclusão das Forças Armadas nos cortes promovidos pelo pacote de ajuste fiscal.

O ponto de maior tensão, no entanto, seria a decisão de rever os benefícios da aposentadoria dos militares, com a estipulação da idade mínima de 55 anos para que se passar para a reserva.

É na caserna e nos Clubes Militares onde se encontram as células golpistas do chamado Partido Militar Brasileiro, organização clandestina que ganhou força com a ascensão de Bolsonaro ao poder.

Além disso, há uma insatisfação de uma parcela da cúpula militar com o avanço das investigações sobre o golpe e o indiciamento de 25 militares na Organização Criminosa de Bolsonaro.

A prisão de Braga Netto, um general 4 estrelas, na última semana teria dado indícios que a caçada aos militares golpistas vai continuar “manchando” a imagem da corporação.

Para a cúpula militar, a saída de Múcio – principal interlocutor no Planalto – desmontaria todos os acordos já feitos com o governo Lula.

Há ainda o temor sobre quem será o substituto de Múcio no cargo. Um dos cotados é o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), que sinalizaria a importância no Planalto em manter uma boa relação com os militares.

No entanto, qualquer nome que não seja Múcio vai gerar desconfiança na cúpula militar, que tem no atual ministro e na equipe dele total confiança para defesa de seus interesses junto a Lula.

Fonte: Revista Fórum

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