PRF atira na cabeça de jovem a caminho de ceia de Natal com a família

Carro em que estava Juliana Leite Rangel e família foi alvo de disparos de policiais; jovem está em estado grave

Na noite desta terça-feira (24), véspera de Natal, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou uma abordagem na BR-040 que terminou com uma jovem de 26 anos baleada na cabeça. Juliana Leite Rangel e sua família viajavam para Itaipu, em Niterói, onde passariam o Natal, quando o veículo foi alvo de disparos em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

Alexandre de Silva Rangel, 53 anos, pai da jovem e condutor do carro, relatou que, ao perceber a aproximação do veículo policial e ouvir a sirene, acionou a seta para encostar, porém os tiros começaram em seguida. “Falei para a minha filha: ‘Abaixam abaixa’. Eu abaixei, meu filho deitou no fundo do carro, mas infelizmente o tiro pegou na minha filha. Eles já desceram do carro perguntando: “Porque você atirou no meu carro?’. Só que nem arma eu tenho! Como é que eu atirei em você?”, disse em entrevista  à TV Globo.

A mão esquerda de Alexandre foi atingida por um disparo, mas ele não sofreu fraturas e teve alta na terça à noite. A prefeitura de Duque de Caxias relatou que Juliana foi encaminhada ao Hospital Adão Pereira Nunes, submetida a uma cirurgia de emergência e segue em estado gravíssimo

De acordo com Deyse Rangel, mãe da jovem, o carro também transportava o outro filho do casal e a nora. “A gente viu o carro da polícia e falou: ‘Vamos abrir caminho para eles’. Fizemos isso, mas eles não seguiram. Em vez disso, começaram a disparar. Foi muito tiro, muito tiro”, contou Deyse.https://d-31397608682193162349.ampproject.net/2410292120000/frame.html

Os tiros foram disparados na região próxima a um supermercado Carrefour. Uma perícia foi realizada, e os carros da família e da PRF foram levados para a delegacia. A Polícia Federal investiga o caso. A PRF ainda não se manifestou publicamente até o fechamento desta matéria. 

Fonte: Revista Fórum

Operação resgata 163 chineses de trabalho escravo em obras da BYD na BA

Tanto a montadora chinesa quanto a prestadora de serviços responsável pela construção da planta industrial na Bahia foram responsabilizadas por autoridades

UMA FORÇA-TAREFA encontrou 163 chineses em condições análogas às de escravo trabalhando nas obras da indústria de automóveis BYD em Camaçari (BA). Tanto a Jinjiang, prestadora de serviços para a construção, quanto a empresa foram responsabilizadas pela situação pelos auditores fiscais do trabalho e notificadas na manhã desta segunda (23).

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel reuniu 40 servidores públicos do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Defensoria Pública da União e identificou condições degradantes e trabalho forçado. Uma coletiva à imprensa na tarde de hoje foi convocada para comunicar os resultados da operação.

Apesar de a terceirização ser legal no Brasil, a empresa contratante precisa garantir as condições dos trabalhadores quando o serviço for realizado em suas dependências ou em local por ela designado. Por isso, a fiscalização considerou que a BYD é corresponsável.

“A BYD Auto do Brasil reitera seu compromisso com o cumprimento integral da legislação brasileira, em especial no que se refere à proteção dos direitos dos trabalhadores. Por isso, está colaborando com os órgãos competentes desde o primeiro momento e decidiu romper o contrato com a construtora Jinjiang”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, em nota à imprensa. Leia aqui a íntegra do posicionamento.

Ela entrevistou os operários com a ajuda de intérpretes e investigou contratos e documentos após a Agência Pública trazer à tona denúncias de degradação e agressões no canteiro de obras.

Em janeiro deste ano, executivos da empresa chinesa visitaram o presidente Lula, no Palácio do Alvorada, confirmando o início das obras da fábrica onde, agora, a força-tarefa encontrou os trabalhadores escravizados. A BYD chegou a entregar a ele por comodato, por um ano, um SUV elétrico para uso da Presidência da República.

No último 2 de dezembro, o ministro-chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia Rui Costa visitou as obras. Destacou a criação de 10 mil vagas de emprego que serão abertas a partir de 2025. “Mais do que dobrar a oferta de emprego em relação ao que existia, no topo da produção da indústria que aqui estava, saltamos não só em quantidade, mas saltamos em qualidade da oferta de emprego”, apontou o ministro.

Contudo, qualidade de emprego era o que faltava aos operários chineses, de acordo com a fiscalização. Contratos analisados pela fiscalização previam jornada de dez horas por dia, seis dias por semana, com possibilidade de extensão, o que levada a uma jornada semanal de 60 a 70 horas – muito maior do que o limite legal no Brasil de 44 horas.

Considerado o trabalho pesado de pedreiros, carpinteiros, armadores, carregadores, soldadores, entre outros, a jornada exaustiva criava um ambiente propício a acidentes de trabalho. Houve pelo menos quatro, inclusive com amputação de membros e perda de movimentos nos dedos.

De acordo com a auditora fiscal do trabalho Liane Durão, coordenadora da operação, um dos operários, que perdeu movimentos, afirmou estar sonolento no momento do acidente. Ele estava trabalhando sob o sol dez horas por dia, durante 25 dias, sem folga, e dormindo mal porque estava em um alojamento precário.

Alojamentos abaixo da linha de dignidade

Um dos alojamentos registrava 31 trabalhadores para um único vaso sanitário, levando os operários a terem que acordar às 4h para enfrentar uma fila e começar o dia. Muitos dormiam sem colchões, outros com produtos tão finos que era como se dormissem sem nada. E como não havia armários, alimentos se misturavam a roupas e pertencentes, criando um ambiente em condições insalubres.

A fiscalização esteve em cinco alojamentos. Um deles estava bom e limpo, com colchões e equipamentos e servia à equipe administrativa. Os outros, reservados aos operários, encontravam-se em condições degradantes. “Com essa comparação, afastamos a justificativa muito usada de que a questão é cultural, pois há trabalhadores que gostam de dormir no chão”, diz Durão.

Notificado a apresentar endereços de todos os alojamentos, o empregador apresentou apenas dois, sendo um deles aquele com boa estrutura de cozinha e de camas. Os alojamentos em que foram encontradas condições degradantes foram omitidos, segundo a fiscalização.

Cozinhas estavam em condições precárias de higiene. O condicionamento dos mantimentos e dos alimentos preparados também desrespeitava normas sanitárias e de saúde pública. A comida era servida em coolers (caixas térmicas), sem condições mínimas de higiene.

Também não havia espaço para descanso dentro da jornada. Nas frentes de trabalho, havia oito banheiros químicos para 600 pessoas e estavam sempre imundos.

Trabalho forçado de operários chineses

Além das condições degradantes, a fiscalização também configurou trabalho forçado, que ocorre quando são impostas condições que impedem que as vítimas se desvinculem de seus patrões e do serviço.

A promessa do contrato de trabalho era de receberem o equivalente a R$ 10 a 15 mil por mês. No Brasil, contudo, eles receberiam de R$ 300 a R$ 1000 para se manterem, como ajuda de custo, mas que depois seria descontada do valor a ser pago. No total, 40% do valor do salário era depositado na China enquanto eles trabalhavam no Brasil. Uma parcela dos 60% restantes, receberiam após completar um ano do serviço e, outra, depois de três meses de concluído o serviço e eles retornarem ao país de origem.

Com isso, apesar das condições degradantes, muitos tinham medo de ir embora porque não queriam perder os 60% restantes. Além disso, teriam que pagar as passagens de volta por contra própria e perderiam um caução, um depósito que realizaram quando estavam na China para firmar contrato para a obra. Ou seja, trabalhariam de graça, na prática. Vale ressaltar que a cobrança de caução e a retenção salarial não estão de acordo com a lei trabalhista chinesa.

“Eles não têm liberdade da escolha de finalizar o contrato de trabalho”, afirma Liane Durão. “Isso é um limitador da vontade do trabalhador de encerrar o seu contrato de trabalho, direito que é garantido por lei”, diz. Tudo isso configura trabalho forçado.

O contrato de um ano também previa cláusula de renovação unilateral (pelo empregador) por mais seis meses, segundo a fiscalização.

Com isso, os trabalhadores do canteiro de obras da BYD ficavam em uma espécie de limbo. Não estavam sobre a proteção nem da legislação trabalhista brasileira, nem da de seu país de origem. Trabalhadores demonstraram o desejo de voltar à China urgentemente.

Apesar de ser uma obra no Brasil, o dinheiro pouco circulava por aqui. Como os trabalhadores receberiam o salário na China, isso limita os gastos e compras que teriam no Brasil, o que não favorece a comunidade em que a fábrica está se instalando. Todo o salário circulava no país asiático.

Eles podiam sair do alojamento apenas para comprar mantimentos, e com a autorização do líder de turma. Portanto, a liberdade era mínima, tal como a interação social e econômica.

Outro elemento que restringia a liberdade de se desvincular do patrão era retenção de documentos. A fiscalização encontrou 107 passaportes de trabalhadores em poder do empregador, apesar de, pelas leis de imigração, não existir necessidade disso ocorrer.

Íntegra dos salários devem ser pagos no Brasil

Os problemas encontrados pela fiscalização começavam na entrada dos trabalhadores no país. Foi declarado que os operários estavam no Brasil para prestar assistência técnica especializada, o que torna desnecessário a comprovação de vínculo empregatício, segundo a resolução 3 do Conselho Nacional de Imigração (CNIG).

Na prática, contudo, eram operários, sem serviço especializado, que seguiam ordens, batiam ponto, tinham chefes, cumpriam ordens. Portanto, deveriam estar com visto de trabalho. Tanto que os brasileiros contratados para as mesmas funções tinham registro convencional de vínculo.

A força-tarefa determinou ao empregador que pague todos os salários e direitos, inclusive os 60% que seriam entregues apenas quando os trabalhadores concluíssem o serviço e voltassem à China. Para os que desejarem retornar agora, o empregador terá que pagar as passagens, como prevê a lei brasileira. Os que desejarem ficar e trabalhar no Brasil podem dar entrada no pedido de visto – o país é signatário de convenção internacional que garante permanência a vítimas de trabalho escravo em seu território.

O Ministério Público do Trabalho vai entrar com uma ação para pagamento de todos os operários resgatados, mas também para a regularização dos demais. A fiscalização identificou escravidão em 163, mas, no total, mais de 500 estavam nas obras. E obrigar a empresa a cumprir a legislação trabalhista brasileira, o que, além de garantir direitos aos estrangeiros que aqui trabalham, também vai fazer com que o dinheiro dos salários circule no país.

Uma audiência na Justiça está marcada para o dia 26, a fim de que seja comprovado tanto os pagamentos quanto à remoção dos trabalhadores para outro lugar com condições.

“Neste momento, o foco do Ministério Público do Trabalho é garantir a saúde, as segurança e os direitos desses 163 trabalhadores”, afirmou Fábio Leal, subprocurador-geral do trabalho do MPT.

Trabalho escravo contemporâneo

A Lei Áurea aboliu a escravidão formal em maio de 1888, o que significou que o Estado brasileiro não mais reconhece que alguém seja dono de outra pessoa. Persistiram, contudo, situações que transformam pessoas em instrumentos descartáveis de trabalho, negando a elas sua liberdade e dignidade.

Desde a década de 1940, a legislação brasileira prevê a punição a esse crime. A essas formas dá-se o nome de trabalho escravo contemporâneo, escravidão contemporânea, condições análogas às de escravo.

De acordo com o artigo 149 do Código Penal, quatro elementos podem definir escravidão contemporânea por aqui: trabalho forçado (que envolve cerceamento do direito de ir e vir), servidão por dívida (um cativeiro atrelado a dívidas, muitas vezes fraudulentas), condições degradantes (trabalho que nega a dignidade humana, colocando em risco a saúde e a vida) ou jornada exaustiva (levar ao trabalhador ao completo esgotamento dado à intensidade da exploração, também colocando em risco sua saúde e vida).

Os mais de 63,5 mil trabalhadores resgatados estavam em fazendas de gado, soja, algodão, café, frutas, erva-mate, batatas, cebola, sisal, na derrubada de mata nativa, na produção de carvão para a siderurgia, na extração de caulim e de minérios, na construção civil, em oficinas de costura, em bordéis, entre outras atividades, como o trabalho doméstico.

No total, a pecuária bovina é a principal atividade econômica flagrada desde 1995. Números detalhados sobre as ações de combate ao trabalho escravo podem ser encontrados no Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil.

Nota da redação: o texto foi alterado às 23h20 para acrescentar o posicionamento da BYD

Fonte: Repórter Brasil

Operação da PF apura fraudes em emendas parlamentares na Bahia 

Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (23) a 2ª fase da Operação Overclean, que investiga suspeitas de desvio de verbas de emendas parlamentares em municípios da Bahia. Foram presos o vice-prefeito de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, Vidigal Cafezeiro (Republicanos), e outras três pessoas.

As buscas aconteceram na sede da Prefeitura de Lauro de Freitas e em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, além de endereços em Salvador e Brasília. A Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados e uma ordem de afastamento cautelar de um servidor público.

As investigações apontam que foi formada uma organização criminosa para desviar recursos públicos oriundos de emendas parlamentares e favorecer empresas e pessoas próximas aos gestores públicos envolvidos. Entre as práticas, estariam superfaturamento de obras e redirecionamento de verbas para projetos previamente selecionados pelo grupo, sem atender a critérios de transparência e impessoalidade.

Os contratos superfaturados teriam sido firmados com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), Segundo a PF, cerca de R$ 1,4 bilhão teria sido desviado com a prática de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça. 

“O grupo também contava com uma célula de apoio informacional, composta por policiais, que tinha a função de repassar informações sensíveis à organização criminosa, incluindo a identificação de agentes federais envolvidos em diligências sigilosas”, complementa a PF.

Em nota, a prefeitura de Lauro de Freitas afirma que a operação mirou exclusivamente o vice-prefeito Vidigal Cafezeiro e que a prefeita, Moema Gramacho (PT), não tem conhecimento das ilegalidades apuradas. 

A Prefeitura de Vitória da Conquista diz reafirmar o “compromisso com a transparência, a legalidade e a eficiência na gestão dos recursos públicos, valores que norteiam todas as ações da Administração Municipal”.

Fonte: O Tempo

Dino suspende pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas e determina investigação

Audiência de conciliação sobre as determinações feitas à União para adotar medidas de prevenção e combate aos incêndios na Amazônia e Pantanal. Crédito para a foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (23) a suspensão do pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares, em um novo capítulo do choque entre os Poderes Judiciário e Legislativo acerca do tema. 

Além disso, o magistrado determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar a liberação desse valor aos congressistas. 

As emendas parlamentares, que estão previstas dentro do Orçamento, são utilizadas de acordo com indicação de deputados e senadores – o dinheiro, em geral, é encaminhado pelos parlamentares para atender suas bases eleitorais. A execução dessas verbas é prerrogativa do governo federal. 

A decisão do ministro do STF atende a um pedido apresentado pelo PSOL, que alegou irregularidades na destinação de R$ 4,2 bilhões nas chamadas emendas de comissão. 

Essa categoria de emendas parlamentares é indicada por comissões temáticas da Câmara dos Deputados e do Senado – e não tem pagamento obrigatório. Após a derrubada das emendas de relator pelo Supremo, as emendas de comissão foram ampliadas. 

Na petição apresentada ao STF, o PSOL questionou o ofício que autorizou o repasse das verbas. O documento foi encaminhado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), no último dia 12, com a assinatura de 17 líderes partidários na Casa. 

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Na ação ao Supremo, o PSOL afirma que parte das emendas foi destinada para o estado de Lira, Alagoas, o que seria ilegal. Por meio do Ministério da Casa Civil, o governo federal não viu qualquer irregularidade e autorizou o repasse. 

Em sua decisão, Flávio Dino exige que a Câmara divulgue, em um prazo de até cinco dias, as atas das reuniões de comissões nas quais as emendas foram aprovadas. Essas atas devem ser encaminhadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, comandada pelo ministro Alexandre Padilha (PT)

Ainda de acordo com o despacho de Dino, o pagamento das emendas só será liberado depois de as atas chegarem ao Palácio do Planalto – e desde que atendam aos critérios de transparência e rastreabilidade definidos anteriormente pela Corte. 

Segundo o ministro do STF, as emendas de 2025 estão condicionadas ao cumprimento de todos esses requisitos.

Executivo perdeu poder sobre orçamento

Nos últimos, os sucessivos governos foram perdendo poder, gradativamente, sobre a execução do orçamento federal. Em 2015, ainda durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o Congresso Nacional aprovou o orçamento impositivo, por meio do qual as emendas destinadas a deputados e senadores devem ser pagas, obrigatoriamente, pelo governo federal.

No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram instituídas as chamadas “emendas Pix”, ampliando a fatia de recursos sob o guarda-chuva do Legislativo. Hoje, o Congresso detém cerca de R$ 60 bilhões do orçamento, o que representa quase o mesmo volume comandado pelo Executivo federal. 

Fonte: Info Money

Em mais um crime de guerra, Israel ordena fechamento de um dos últimos hospitais em Gaza

As autoridades israelenses determinaram, na noite de domingo, o fechamento de um dos últimos hospitais ainda em funcionamento no norte de Gaza. Os profissionais de saúde estão agora procurando maneiras de transportar centenas de pacientes e funcionários em segurança para outros locais, enquanto enfrentam bombardeios intensos.

Husam Abu Safiya, chefe do Hospital Kamal Adwan, disse ser “quase impossível” cumprir a ordem de retirada dos pacientes, já que não existem ambulâncias suficientes para o transporte.

“Temos, neste momento, quase 400 civis dentro do hospital, incluindo bebês na unidade neonatal, cujas vidas dependem de oxigênio e incubadoras. Não podemos retirar esses pacientes de forma segura sem assistência, equipamento e tempo”, explicou à agência inglesa de notícias Reuters.

Segundo Safiya, o hospital está “sob fortes bombardeios e ataques diretos aos tanques de combustível que, se forem atingidos, causarão grande explosão e mortes em massa dos civis nas instalações”.

Na última sexta-feira, as forças israelenses disseram ter enviado combustível e comida para o hospital e ajudado a retirar mais de 100 pacientes e cuidadores, levando-os para outros hospitais de Gaza, em coordenação com a Cruz Vermelha. O Hospital Kamal Adwan é um dos poucos ainda em funcionamento no norte de Gaza, área que enfrenta há quase três meses uma intensa pressão militar israelense.

Segundo o chefe do hospital, Tel Aviv ordenou que os pacientes e funcionários retirados fossem levados para outro hospital que se encontra em condições ainda piores, superlotado e com camas espalhadas pelos corredores.

O Ministério da Saúde de Gaza alertou que os três principais hospitais do norte da região, entre os quais se encontra o Kamal Adwan, quase não funcionam e têm sido alvo de repetidos ataques desde que Israel enviou tanques para Beit Lahiya e para as cidades vizinhas de Beit Hanoun e Jabalia, em outubro.

Israel tem garantido que a operação nessas comunidades do norte da Faixa de Gaza tem como alvos militantes do Hamas. Os palestinos acusam, por sua vez, os militares de buscarem despovoar permanentemente a região para criar uma área tampão.

Ataques a campo de refugiados

Na manhã desta segunda-feira surgiram relatos de bombardeios isralenses ao campo de refugiados de al-Nuseirat, no Centro da Faixa de Gaza. Ao menos quatro pessoas teriam morrido, de acordo com a Al Jazeera.

Segundo a publicação, as forças israelenses cercaram o local às primeiras horas da manhã, com quadricópteros (um tipo de helicóptero) e veículos armados.

“Dispararam de forma intermitente, utilizando os quadricópteros e artilharia pesada. Uma pessoa morreu no local”, apurou a Al Jazeera. “A grande maioria da população deslocada é constituída por civis, mulheres e crianças. São também eles que constituem a maioria das vítimas que chegam aos hospitais”, acrescenta.

O mais recente balanço das autoridades de Gaza indica mais de 45,2 mil palestinos mortos nos ataques feitos por Israel desde 7 de outubro do ano passado. O número de feridos supera já os 107 mil.

Fonte: RTP

Maioria dos brasileiros tem mais medo do que confiança na polícia

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e divulgada nesta segunda-feira revelou que 51% dos brasileiros com mais de 16 anos têm mais medo da polícia do que confiança nela. Esse percentual supera, ainda que de forma estreita, os 46% que afirmaram confiar mais na polícia do que temê-la.

O levantamento entrevistou 2.002 pessoas em 113 municípios de todo o país, nos dias 12 e 13 de dezembro de 2023, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

Os resultados são semelhantes aos obtidos em uma pesquisa anterior realizada em abril de 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), quando 51% dos entrevistados também expressaram mais medo da polícia, em comparação com 47% que confiaram nas forças de segurança.

Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que “o resultado do levantamento deve servir de alerta para os agentes de segurança mudarem sua forma de atuação. A população não se sente segura em relação à forma de trabalho da polícia, mas não é de hoje”. Ele acrescentou: “Há aqui um reconhecimento de que a forma com que elas têm atuado historicamente tem incomodado, porque não é uma forma que vê a segurança e o direito social para todos.”

Carolina Diniz, coordenadora de enfrentamento à violência institucional da Conectas Direitos Humanos, comentou que “o medo da polícia é um fenômeno cíclico. Não se trata de uma situação que acontece agora. Em São Paulo, a situação está longe do controle, mas temos visto dados alarmantes ao longo da história do Brasil.”

A pesquisa do Datafolha também destacou variações demográficas no sentimento de medo em relação à polícia. Entre mulheres, 56% expressaram medo, comparados a 52% dos homens. A população negra demonstrou um medo significativamente maior (59%) do que a população branca (45%). Além disso, eleitores de Lula no segundo turno de 2022 mostraram mais medo (58%) em comparação com os eleitores de Bolsonaro (40%).

Fonte: Brasil 247

Brasil Paralelo gastou R$ 300 mil em anúncios para difamar Maria da Penha

A produtora de extrema direita Brasil Paralelo gastou pelo menos R$ 305 mil para impulsionar 575 anúncios para divulgar um documentário que tenta descredibilizar a história de Maria da Penha, a farmacêutica que sofreu múltiplas agressões e tentativas de assassinato pelo marido e se tornou o nome da principal lei contra a violência doméstica do país. Os vídeos tiveram ao menos oito milhões de impressões (vezes em que apareceram em uma tela). Eles foram veiculados entre julho e novembro do ano passado.

Mas os números devem ser bem maiores que isso. Levamos em consideração apenas os anúncios registrados na biblioteca do Meta, que compreende Instagram e Facebook. A Meta não fornece os dados exatos, mas uma média. Por exemplo, um anúncio pode ter custado entre R$ 70 mil e R$ 80 mil. Para este levantamento, consideramos os valores mais baixos. Além disso, a empresa também não contabiliza nenhum resultado acima de 1 milhão de impressões – o que é o caso de pelo menos sete vídeos.

Reprodução de anúncio no Facebook pago pela produtora Brasil Paralelo (Foto: Reprodução)

Os anúncios mais vistos foram direcionados ao público-alvo de mulheres a partir de 25 anos de idade, principalmente da região Sudeste. A empresa define o público que quer que seja impactado, escolhendo gênero, faixa etária e região. Um dos anúncios teve mais de um milhão de impressões. Apesar de alguns anúncios serem direcionados a homens, os que receberam maior investimento e tiveram mais visualizações miram as mulheres.

Para quem esses anúncios foram mostrados:

Além dos anúncios no Meta, a Brasil Paralelo também pagou influenciadores digitais para divulgar o documentário – como ex-feministas, mulheres cristãs e “coachs de família” conservadores. Alguns perfis, registrados pela página “Brasil para Lerdos” e a publicitária Carolina Sardá, divulgaram um link rastreável usado em campanhas de marketing para que seus seguidores acessem o filme. Não é possível saber quanto eles receberam e nem qual foi o alcance, mas, juntos, eles somam mais de quatro milhões de seguidores.

Por ser um símbolo do combate à violência contra a mulher, nos últimos meses, Maria da Penha vem sofrendo seguidos ataques de grupos de homens revoltados com a lei e grupos de ódio. Em junho deste ano, ela teve que ganhar proteção do Estado e entrou para o Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos.

Nesta semana, o Ministério Público do Ceará deflagrou uma operação contra o suposto líder do movimento de ódio contra Maria da Penha. O nome do homem não foi divulgado, mas o próprio se manifestou nas redes sociais. Seria Alexandre Paiva, o presidente do “Instituto de Defesa dos Direitos dos Homens”.

Paiva é um homem que recebeu medida protetiva da Lei Maria da Penha e foi afastado das filhas. Desde então, ele move uma campanha para descredibilizar a lei. Ele foi um dos primeiros a entrevistar Marco Antonio Heredia, o ex-marido de Maria da Penha, e dar voz à versão dele. O documentário da Brasil Paralelo se debruça sobre essa narrativa, e tem Paiva e Heredia como entrevistados.

Segundo essa versão, Maria da Penha teria denunciado o ex-marido por ciúmes, ao descobrir que estava sendo traída. Mas essa explicação desconsidera as inúmeras evidências, já confirmadas pela Justiça e pela Organização dos Estados Americanos (OEA), das duas tentativas de assassinato que ela sofreu.

O nome da operação que teve Paiva como alvo, “Echo Chamber” (câmara de eco) é um termo usado para descrever um ambiente em que pessoas são expostas a ideias que reforçam suas próprias crenças, sem entrar em contato com outras opiniões. “No contexto deste caso, o discurso do investigado contribuiu para a propagação de uma distorção dos fatos dentro de um grupo de seguidores, criando um ciclo fechado de informações”, disse o Ministério Público.

Um estudo recente apontou que a Brasil Paralelo investiu R$ 26,6 milhões para impulsionar 75,4 mil anúncios do Meta desde 2020. É o maior resultado entre empresas do campo conservador, e bem mais do que as ditas empresas “progressistas” – a ONG Greenpeace, considerada pelos pesquisadores a que mais gastou dentre as de viés mais à esquerda, aplicou R$ 4,1 milhões no mesmo período.

Procuramos a Brasil Paralelo, mas não obtivemos resposta até a publicação desta reportagem.

Greve da Amazon nos EUA pode atrasar entregas de Natal

A greve de trabalhadores da Amazon nos Estados Unidos, iniciada próximo das festas de fim de ano, pode acabar atrasando entregas dos consumidores para o Natal. O alerta é feito por especialistas em logística, de acordo com informações da CNN, embora a Amazon diga que os clientes devem esperar que os pacotes cheguem no prazo.

  • Milhares de trabalhadores estão em greve desde quinta-feira nos estados da Califórnia, Geórgia, Illinois e Nova York. O sindicato Teamsters, que representa 1,3 milhão de trabalhadores, convocou no início da semana os trabalhadores de sete armazéns de entrega de última milha a entrarem em greve.

Na visão de Satish Jindel, presidente da ShipMatrix, uma fornecedora de software que rastreia dados de entrega para transportadoras de pacotes, o impacto deve ser limitado, mas não desprezível.

“Alguns pacotes que poderiam levar um dia para serem entregues agora levarão dois. Alguns que poderiam levar dois dias levarão três. Mas não serão tantos”, explicou o especialista à CNN. Isso porque a empresa tem um grande número de instalações.

Mais da metade dos americanos estão preocupados com atrasos nas entregas nesta temporada de festas, segundo estudo realizado em outubro pela Badcredit, plataforma especializada em crédito e finanças pessoais.

No fim do dia, porém, não importa se os clientes planejaram suas listas de compras ou estão esperando até o último minuto para recebê-las: a maioria deles ainda tem produtos para comprar antes do dia 25, ponderou Phil Rist, vice-presidente executivo de estratégia da Prosper Insights & Analytics, em entrevista à CNN.

Interromper as operações da Amazon é uma tarefa difícil. A empresa despacha pacotes de quase 230 grandes armazéns e mais de 600 depósitos de entrega menores espalhados pelos EUA, segundo a MWPVL International, uma consultoria de logística. Paralisações anteriores tiveram pouco impacto nas operações da empresa, e um porta-voz disse que a empresa não espera interrupções esta semana.

Mas nenhum esforço anterior teve escala como a atual. Muitos dos membros do Teamsters são motoristas. Os Teamsters cronometraram a ação para gerar o máximo de atenção no momento em que os compradores fazem suas compras finais de Natal.

Fonte: O Globo

Movimento protesta contra a fome em Maceió

Integrantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocuparam uma loja do Mix Mateus, em Maceió, neste sábado, 21/12, para denunciar a insegurança alimentar enfrentada por famílias de baixa renda.

O ato, realizado na semana do Natal, ocorre anualmente em várias cidades do Brasil, geralmente em grandes supermercados. Segundo o MLB, o objetivo é pressionar por ações contra a fome, problema que, segundo o movimento, ainda não foi resolvido pelo Governo Federal.

Os manifestantes deixaram o local após receberem cestas básicas. O Mix Mateus não comentou o caso.

Fonte: Agora Alagoas

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